Adeus, vida;
o corpo cansado
aqui te deixa.
Luciene Lemos de Campos
Professora aposentada, mestre em Estudos Fronteiriços pelo Câmpus do Pantanal da UFMS, localizado em Corumbá, na divisa entre o Brasil e a Bolívia, espaço geográfico que é recriado na poesia de Manoel de Barros. Luciene Lemos de Campos atuou nos ensinos fundamental e médio, nas redes particular e estadual, e também foi professora substituta em diversas ocasiões, trabalhando com literatura brasileira no Curso de Letras do CPAN / UFMS; também atuou no ensino superior em instituições particulares.
Seu livro A mendiga e o andarilho na poesia de Manoel de Barros (Pangeia, 2024, 148 p.) é obra fundamental na fortuna crítica do poeta pantaneiro, articulando biografia, memória, sociologia e história em penetrante análise, elucidativa do processo criativo do manoelês archaico e da inventiva e transgressora poética de Manoel de Barros.
Luciene escreve crônicas, poemas, textos memorialísticos e microcontos com constância, guardando-os ciosamente em folhas soltas na gaveta ou em arquivos em seu computador. É o registro do que viu, do que ouviu, do que sentiu, do que viveu e do que sonhou. Ela, que formou dezenas de gerações de alunos, forjando leitores e moldando pessoas melhores, mais sensíveis, mais críticas, melhor informadas.
Conhecendo o recato e a autocrítica da escritora, o Editor da Pangeia, Prof. Rauer, a instou, nestes termos:
“Olhe com amor para sua gaveta, para seus arquivos, para sua folhas soltas – seus textos, poesia e prosa, merecem nascer para todos nós; sua marca na terra não se encerrou com a formação de alunos e de leitores; cada linha que escreveu é e será húmus para novas e melhores existências no futuro.”
E assim Luciene, que por enquanto publicou muitíssimo pouco (um livro acadêmico, alguns artigos em livros e outros em periódicos, algumas crônicas, alguns microcontos e alguns poemas), enviou o poema que reproduzimos acima e que segue abaixo, com uma imagem também feita por ela.
Indagada se se tratava de uma lira ou de um haikai, Luciene respondeu:
“Não pensei o gênero ou tipologia. Foi uma ideia que fez morada em mim a tarde inteira. Seria mais próximo ao haikai, pois foge à estrutura da lira, mas o título instiga à lira capenga, sem tempo de se metrificar, escandir-se e expandir em mais versos. Poderia ser um epitáfio também. Poderia ser somente um sinal de finitude.””
Aguardamos, da Luciene, mais prosopoemas, crônicas, memórias, aforismos, poemas, liras, haikais – muitos outros desses sinais eternos de finitude.
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