Entrevista com Max Mesquita

Max Mesquita, professor, pesquisador, gestor escolar, em sua trajetória pessoal, foi formado na família e nas opções existenciais, da constituição do núcleo conjugal, na educação da filha, na vivência em comunidade à trajetória profissional, atuando nas salas de aula, estudando na pós-graduação, na atividade na gestão e em todos os âmbitos de trabalho, sendo um humanista de convicção profunda, forjado na teoria e na prática.

Confira abaixo entrevista com o autor de Por uma educação humanista, livro que está em pré-venda até 16/01/2026.


Max Mesquita assina contrato para publicação
de Por uma educxação humanista

  1. Max, por favor, troque em miúdos o título do livro.

Por uma formação humanista as disciplinas de exatas na sala de a disciplinas” traz um relato de um educador em formação continuada e um olhar humanista na condução das disciplinas  de exatas na sala de aula, integrando  ao ensino de química, física e ciências um olhar que valorize o sujeito em sua totalidade como cidadão, desenvolvendo senso crítico, consciência ética, responsabilidade social e sensibilidade cultural, mostrando que as ciências não são neutras mas produtos de contextos histórico-políticos. Por seu caminho como educador, o autor mostra como é possível uma formação humanista da área de exatas e como é tratada esta formação nos cursos de licenciatura.

  1. Trata-se de uma obra para acadêmicos, para professores, para graduandos das licenciaturas ou para o público em geral? Nos explique, por favor, em que o livro é potente e útil para cada um desses e de outros públicos que indicar.

A produção de uma obra com esta, com cunho humanístico é fundamental tanto para a formação acadêmica quanto para formação cidadã. Em um contexto atual no qual os cursos de exatas tendem a especialização e fragmentação do saber, um material que aborda o sujeito em sua totalidade, nas dimensões biológica, psicológica, social, cultural e ética; podendo oferecer uma base comum de reflexão para as áreas de exatas.

Nas graduações de química, física e ciências a obra auxilia na construção de uma formação mais crítica e integral, contrapondo-se ao tecnicismo que muitas vezes reduz a formação universitária a habilidades operacionais. Ao apesentar o sujeito como centro das práticas sociais, científicas e tecnológicas, a obra mostra a formação continuada com relevância ética e social de sua atuação.

Na pós-graduação, a obra é um recurso de aprofundamento teórico e interdisciplinar, fornecendo fundamentos para pesquisas que busquem integrar saberes.  Seria, portanto, um ponto de convergência entre áreas distintas, favorecendo a construção de diálogos entre ciências humanas, e aplicadas.

Por fim para o público geral, a obra atende á necessidade contemporânea de um referencial humanista compartilhado, capaz de ultrapassar fronteiras disciplinares e tornar-se patrimônio intelectual coletivo. Ao abordar questões como dignidade, liberdade, justiça, identidade e responsabilidade, a obra permite que leitores de diferentes áreas se encontrem em torno de reflexões essenciais sobre a educação humanista.

Assim a obra se justifica pela urgência de recompor a centralidade do sujeito no processo de formação acadêmica e cidadã, reforçando valores éticos, sociais e culturais em meio a um cenário educacional marcado por avanços tecnológicos, mas também por crises de sentido.

  1. Na tese original e agora no livro inclusive na capa constam artes pictóricas, gravuras geométricas coloridas. Nos fale um pouco dessas telas e nos diga por que as utilizou.

As gravuras geométricas se transformaram em telas e foram utilizadas na visualização de conceitos abstratos no sentido de acompanhar o desenvolvimento das ideias das exatas mais compreensíveis demostrando a busca pela objetividade, clareza e rigor, representando de um certo modo a tradução do raciocínio científico em imagens que sintetizam ideias. Nelas também podemos ver a sinergia que liga o rigor da forma (a geometria) e a complexidade das ideias científicas. Elas aprecem como busca de integração entre as ciências exatas e humanidades aparecendo como ponte visual entre lógica, filosofia, arte e educação. Enfim as gravuras geométricas expostas funcionam como metáforas visuais para ideias mais amplas como equilíbrio, estrutura, totalidade e complexidade.

  1. O livro pode ser utilizado para formação de formadores, para cursos para professores? O que nossos docentes do Ensino Básico podem encontrar no livro para o seu dia a dia na sala de aula?

Sim, pois o livro traz reflexões sobre a estrutura, desafios e finalidades dos cursos de licenciatura, servindo para que futuras educadoras e educadores compreendam melhor o contexto da própria formação: políticas educacionais, identidade docente, currículo, estágio supervisionado etc. Ajuda a analisar criticamente como os cursos formam (ou deixam de formar educadoras e educadores preparados para realidade escolar. Enquanto recurso formativo funciona como referência teórica para discussões sobre a profissão docente, estimulando a educadora e educador em formação a articular teoria e prática. Enquanto instrumento de reflexão serve ao docente em formação a obra não serve apenas educandas e educandos, mas também a educadoras e educadores, possibilitando a repensar a prática pedagógica atualizando concepções de ensino e aprendizagem.

  1. Entre o aluno Max no seu tempo de Ginásio e II Grau e hoje no segundo ciclo e no Ensino Médio, qual a sua percepção do cotidiano das nossas escolas.

A minha percepção do cotidiano das nossas escolas é de uma escola com um espaço mais inclusivo, plural e aberto, mas também mais desafiadora exigindo novas estratégias pedagógicas para lidar com a diversidade, a indisciplina e o impacto das tecnologias. Comparando com o ginásio e segundo grau, o cotidiano hoje é menos rígido e elitizado, mas também mais complexo e exigente para educadoras educadores e educandas e educandos.

  1. Há quem diga que o ensino brasileiro tem percorrido uma ladeira abaixo quanto à qualidade. O que tem a dizer sobre esse tipo de avaliação?

A escola no transcorrer das décadas tem mudado como também a sociedade que por sua vez estava inserida em um Brasil diferente. Então para mim como educador o termo “ladeira abaixo” é inexistente e simplista. É preciso falar em desafios persistentes, desigualdades marcantes e necessidades de investimentos contínuo em formação docente e infraestrutura, ao mesmo tempo em que reconhecermos avanços importantes.

Os indicadores de desempenho escolar podem clarear uma visão menos simplista pois o Brasil tem resultados médios baixos em avaliações internacionais como o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Isso leva a percepção de queda de qualidade. No entanto esses indicadores refletem a desigualdades socais infraestrutura escolar, formação docente e recursos disponíveis, e não apenas “competências das educadoras e educadores ou vontade das educandas e educandos. Além dos indicadores de desempenho escolar, as mudanças curriculares e metodológicas, foco em competências, inclusão e alfabetização precoce põem gerar uma sensação de “queda” porque nem todos as educadoras e educadores e gestores estão preparados para implementá-las com qualidade.

Comparando também com o passado muitas vezes as críticas assume que o passado era melhor. No entanto, há décadas, o acesso à educação era muito menor; hoje, mais crianças e jovens estão na escola e com maior diversidade de contextos. Isso cria desafios de gestão e aprendizado mais complexos.

Assim sendo aspectos positivos ainda frequentemente são ignorados como avanços em inclusão, acesso á tecnologia, programas de merenda e transporte escolar, e projetos de inovação pedagógica mostram que o ensino brasileiro também tem pontos de evolução significativos.

  1. Quais princípios básicos que, a seu ver, devem nortear uma proposta de ensino capaz de cumprir de fato as promessas dos documentos oficiais do Brasil e do Estado de São Paulo quanto à educação?

Os documentos oficiais de educação do Brasil quanto do Estado de São Paulo são (PNE plano nacional de educação) Constituição Federal, LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o Currículo Paulista trazem compromissos claros com a qualidade, equidade e formação integral. Uma proposta de ensino que de fato cumpra essas promessas precisa se apoiar nos seguintes princípios básicos: Universalização do acesso e permanência, equidade e justiça social, qualidade com relevância social, formação integral do sujeito, gestão democrática, valorização dos profissionais da educação, integração curricular e interdisciplinaridade, inovação pedagógica, educação como direito humano e compromisso com a cidadania e a democracia.

Em síntese uma proposta de ensino alinhada aos documentos oficiais paulistas e brasileiro devem ser inclusiva, democrática, integral, de qualidade e centrada na educanda e educando, comprometida com a transformação social e com direito de todos a aprender.

POR UMA EDUCAÇÃO HUMANISTA
MAX MESQUITA

PRÉ-VENDA

 

 

 

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