Visette Galiardi, autora do infantojuvenil Leo, o polvo diferente (Pangeia / Saruê, 2025) e que lança em breve Entre uma cena e outra: Narrativas do cotidiano (contos, crônicas e haikais, um lançamento Pangeia / Dionysius), tem publicado suas impressões de leitura de diversos livros, de diversos gêneros, no Blog da Pangeia, AQUI.
Na RESENHA DO DIA de hoje ela nos traz sua leitura do livro 33, de Aira Maiger (Pangeia / Dionysius, 2025), livro que, nos afirma Visette Galiardi, “dificilmente deixa o leitor indiferente”.
A poesia singular de Aira Maiger em 33
Visette Galiardi *
33 é um livro que não se acomoda na superfície. Sua linguagem é marcada pela corporeidade e pelo excesso: sangue, língua, entranhas, vômito, penetração, inferno, limbo. São imagens que parecem convocar o leitor não apenas a ler, mas a sentir. Por vezes, tive a sensação de que a autora ultrapassa os limites do conforto estético para provocar um mal-estar deliberado, como se a poesia precisasse ferir a pele para alcançar a alma.
Ao mesmo tempo, a leitura suscita reflexões interessantes sobre criatividade, autenticidade e os caminhos misteriosos da imaginação. Vou explicar: frequentemente acreditamos que determinadas imagens ou ideias nos pertencem de forma exclusiva, mas a literatura nos recorda que há símbolos que emergem de uma fonte comum.
Carl Jung chamaria isso de inconsciente coletivo: um território onde experiências humanas universais encontram diferentes vozes para se expressar. A originalidade, então, parece não estar na ideia em si, mas na maneira singular como cada autor a transforma em linguagem.
Seu nome, Aira Maiger, escrito ao contrário, acrescenta uma camada de mistério à autora, enquanto sua escrita se revela sem disfarces. Goste-se ou não de suas escolhas estéticas, 33 é um livro que dificilmente deixa o leitor indiferente.
Visette Galiardi
Psicóloga e Psicopedagoga,
Paulistana, Mãe, Avó e Poeta,
Articulista, Escritora, Ficcionista.
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