Adriano Salmar Nogueira e Taveira, professor universitário e pesquisador atuante na área da Educação Popular, conviveu com Elza Freire e Paulo Freire em Campinas, SP, quando da atuação de Paulo Freire na Unicamp, no retorno dos Freire do exílio iniciado em 1964.
É com as credenciais de sua trajetória profissional, da convivência com a ética, a teoria e a práxis da Educação Popular e dos diálogos com Elza e Paulo Freire que Adriano Taveira se debruça sobre o livro Semeando com Paulo Freire: conceitos e práticas na Educação Popular, da Prof.ª Dr.ª Sílvia Maria Manfredi, que foi lançado no Pré-Colóquio Paulo Freire que ocorreu no início de abril de 2026 na Unicamp.
Leia abaixo a íntegra da resenha.
EM DIÁLOGO COM FREIRE
E COM MANFREDI…
Adriano Nogueira *
Pois é, eu fui lendo Silvia Maria Manfredi na obra Semeando com Paulo Freire: conceitos e práticas na Educação Popular. Editora Pangeia. Gostei, recomendo a leitura e vou lhes explicar porque.
Há trechos assim:
Escrevendo, Paulo Freire utilizou palavras expressivas, significando muito. Algumas palavras são inventadas e seu potencial teórico-epistemológico, ultrapassando o que
simplesmente “linguagem-quer-dizer”, potencializam ao leitor um poder heurístico significativo.
Paulo construía (inventava) termos quando e conforme a frase solicitava. Então, na interação com o(a) leitor(a), termos fazem sentido praquela frase, naquele contexto
discursivo. Vale a pena conferir:
Saber de experiências feito..
Acinzentadamente imparcial.
Dodicência (tem circunflexo ou não?, até porque palavra que nem existe não acentua).
Trechos da Silvia escrevendo-dialogando com Paulo Freire é reflexão sobre outra reflexão. A leitura flui, em momentos vividos lá e cá. Ela soube vivenciar e nos apresenta isso:
– momentos-experiência e momentos-leitura como que se fundem.
DIÁLOGO. O que é isso?. É conviver.
Simples assim?
Assumindo que interações Autora-Leitor(a) possibilitam algo mais
que apenas trocar informações, Silvia expõe experiências já refletidas isto é, virtualizadas em conceitos. Ao não apenas informar o/a leitor(a), Ela convida para interações em que ele (ela), leitor(a), se reconhece capaz de concepções. E assim,
nesta obra, convivemos com Paulo. Se Ele inventava termos é porque… é porque Ele nos supunha leitores dialógicos e não apenas cúmplices. Porque estamos lendo dialogicamente isso requer convivências assimétricas. Como assim?
Conceito é palavra já pronunciada, às vezes é palavrão. No trecho da Silvia que acima transcrevi… potencializa ao Leitor um poder heurístico.
Conceitos eu leio, sim, tá escrito, eu leio; mas práticas eu leio e não replico, não copio. Existe, então, convivência assimétrica entre Pessoas, lugares e tempos diversos.
Práticas sendo “minhas práticas” (não irei copiar/reproduzir as práticas reflexivas dela, Silvia) “fazem sentido”, no gosto de “viver a leitura”.
Fui vivendo a leitura que a obra nos brinda; por exemplo, à página 52:
A partir de textos de Paulo e em práticas inspiradas em sua proposta pedagógica construímos modelos de percursos metodológicos que integram quatro momentos:
1) O processo de construir conhecimentos começa na prática vivida
2) Tematizar é reflexão que faz aprofundamentos,
3) Reflexão ação inseparáveis (permite que)
4) Avaliação é participante e contínua.
Eu, leitor envolvido com gosto, anotei, um quinto momento (lá na página 52):
5) Ponto de chegada é lá onde começou, nas vivências. Práticas ampliam conceitos em concepções. Texto e contextos.
Tá bom, eu sei:-há quem diga que não se deve rabiscar no livro. Não é de boa educação escrever nas páginas enquanto se lê. Fui lecto-escritor e anotei, Pode-se chamar isso de escrevivência (outra palavra inventada, pela Conceição Evaristo) .
Animado pela narrativa (reflexiva,envolvente) da Silvia eu me lembrei de outro trecho dele, Paulo, em uma palestra, que depois virou texto; anotei aqui, pois complementa (ou confirma) àquilo que o livro dela nos convida.
Devo ser crítico (ao escrever) como se fosse um dos meus Leitores(as) que, por sua vez, devem recriar o meu esforço, a minha busca. A diferença entre meus Leitores(as) e eu é que abordo questões e temas comprometendo minha
curiosidade para alcançar uma compreensão mais clara de temas e questões.
Meus Leitores(as) têm que abordar tanto o tema como abordar a minha compreensão do mesmo. (…) E assim, com análise crítica e juntos (escritor-leitor), utilizamos nossa experiência e a de outros, refletindo na medida em que
procuramos ampliar a compreensão. Aí começamos a compreender criticamente o significado do tema em questão…” (FREIRE, Paulo. La naturaliza politica de la educación – cultura, poder y liberacion. Colección Temas de educación. Barcelona: Centro de Publicaciones del Ministério de Educación y Ciencia, 1990).
Pois é, são semeaduras. O(a) leitor(a) sinta-se convidado.
Adriano Salmar Nogueira e Taveira
Numa Tarde de Maio, 2026
OBRAS NA PANGEIA SOBRE PAULO FREIRE
Clique no título para mais informações:
Semeando com Paulo Freire: conceitos e práticas na
Educação Popular, Sílvia Maria Manfredi
Elza Freire e Paulo Freire – Vol. 2: noites de exílio,
dias de utopia, Prêmio Jabuti Acadêmico
2024 em Educação e Ensino
Nima Spigolon
Paulo Freire: unidade, diversidade,
dialogicidade – Orgs.: Camila Lima
Coimbra, Nima Spigolon
Elza Freire e Paulo Freire: Fotobiografia,
Nima Spigolon
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