Prof.ª Adriana Angelita (UFSC) lança dois livros

Primeira organizadora de dois livros com lançamento neste mês dos volumes físicos (os eBooks já estão à disposição, a Prof.ª Dr.ª Adriana Angelita da Conceição, que atua na UFSC na graduação e na pós-graduação, atuando no ensino e realizando pesquisas e projetos de extensão.

Eis os dois livros:

Vozes decolonias na escola: saberes interculturais para a transformação social. Volume 4 do PROEXT-PG / UFSC. Organizado por Adriana Angelita da Conceição, Ana Cristina Martinez e Luyrian Endo Gonzaga; eBook publicado com apoio da Capes. Composto por 12 “capítulos” e índice remissivo. Formato 14x21cm, com 216 páginas.

Vozes, estudos e ações decoloniais: a extensão universitária como diálogo de saberes. Organizado por Adriana Angelitaa da Conceição, Patrícia Guerrero e Cristina Abreu Sampaio Leme Mônaco. ; eBook publicado com apoio da Capes. O livro tem origem nas atividades do Projeto de Extensão “Vozes decoloniais na escola: saberes interculturais para a transformação social”. Composto por 47 “capítulos” e índice remissivo. Forrmato 16x23cm,224 páginas.

Sobre os livros e o conjunto de atividades de pesquisa e de extensão que os produziram, a Prof.ª Adriana Angelita concedeu entrevista ao Blog da Pangeia – ISSN 3085-8453 – que reproduzimos na íntegra a seguir.

Blog da Pangeia – Iniciemos, Prof.ª, com uma breve auto-apresentação, da forma que preferir.

Prof.ª Adriana Angelita – Sou apaixonada por História e por ser Professora; por isso, me tornei bacharel e licenciada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Na pós-graduação, defendi minha dissertação na UFSC e tese na USP, com mestrado e doutorado financiados por agências públicas, CNPq e FAPESP, respectivamente.

Meus interesses de pesquisa se concentram na área do Ensino de História e da História da Cultura Escrita, perpassando as seguintes temáticas: Ensino de História, Consciência Histórica, História da Cultura Escrita, Educação para as Relações Étnico-Raciais, Pensamento Decolonial, Permacultura e Agroecologia, Acervos, Preservação de Documentos, Arquivos.

Fui professora visitante do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas, PPGH / UFAM, entre 2012 e 2013, experiência que me tornou uma pesquisadora do Ensino de História e do Pensamento Decolonial e que me reformulou como professora e pesquisadora e da qual sou imensamente grata.

Conclui estágio de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, com financiamento da FAPESP, em 2015.

Sou professora da UFSC, no departamento de Metodologia de Ensino (MEN), atuando, especialmente, junto ao curso de Pedagogia, com foco nas disciplinas de História da Educação e Fundamentos teóricos e metodológicos do Ensino de História para crianças.

Além disso, oriento dissertações e teses no PROFHISTORIA – Programa de Pós-Graduação Profissional em Ensino de História.

Atuo, desde o início de 2025, como tutora do Programa de Educação Tutorial – PET Pedagogia, função da qual tenho orgulho e que tem me permitido articular com muito sentido ensino, pesquisa e extensão.

Por fim, gostaria de destacar que coordeno, com muita paixão, o Projeto de Extensão “Vozes decoloniais na escola: saberes interculturais para a transformação social”, composto por uma equipe de estudantes de graduação e pós-graduação que tem descoberto o quanto a extensão é um caminho necessário para reforçar o sentido social e crítico da universidade pública, considerando nossa atuação extensionista engajada.

Blog da Pangeia – Nos fale um pouco sobre os livros que está lançando.

Prof.ª Adriana Angelita – Vamos primeiro aos títulos dos livros: a) Vozes decoloniais na escola: saberes interculturais para a transformação social e b) VOZES, ESTUDOS E AÇÕES DECOLONIAIS: a extensão universitária como diálogo de saberes.

Os títulos dialogam diretamente com o título do projeto de extensão “Vozes decoloniais na escola”. Portanto, os títulos sinalizam as ações do projeto de extensão em diferentes frentes de atuação. No livro A temos de modo reflexivo e crítico relatos de experiências que articularam pesquisa na pós-graduação e práticas extensionistas. Já no livro B temos um conjunto de reflexões em diferentes linguagens que percorrem mais de quatro anos de ações extensionistas: narrativas orais que foram escritas, cartas, obras de artes decoloniais que vão de pinturas a fotografias, além de reflexões críticas que pontuam a relevância da extensão para que a universidade pública fortaleça sua perspectiva e urgência de um giro epistemológico, de modo que diferentes saberes (tradicionais e acadêmicos) possam compor o conhecimento científico produzido no Brasil.

Blog da Pangeia – Discorra um pouco, por favor, sobre as áreas temáticas que estão presentes nos dois livros.

Prof.ª Adriana Angelita – Os livros são interdisciplinares, envolvendo, sobretudo, as áreas de História, Ensino de História, Pensamento Decolonial, Educação, Educação Antirracista, Ecopedagogia, Educação Indígena, Educação Quilombola, dentre outras temáticas correlatas no que se refere o campo da Educação e da Arte.

Blog da Pangeia – De que modo as ações extensionistas transcorreram e se interrelacionaram com a pesquisa?

Prof.ª Adriana Angelita – Os dois livros tratam de ações extensionistas que foram realizadas em diferentes formatos. Tivemos ações que aconteceram por cursos que se deram por meio de lives, no canal do projeto, e também tivemos cursos que aconteceram de modo presencial, em formato de “Formação continuada” destinada a professores da educação básica, alcançando diferentes segmentos, passando por docentes da educação infantil, do ensino fundamental, dos anos iniciais e finais e ainda do ensino médio.

Destaco que parte das formações foi conduzida de modo dialógico, envolvendo estudantes de pós-graduação e comunidade, como proponentes. Assim, unindo pessoas indígenas e quilombolas, construímos coletivamente ações de extensão que pautaram educação antirracista, histórias indígenas e educação quilombola e educação ambiental.

Blog da Pangeia – O que os livros trazem aos leitores?

Prof.ª Adriana Angelita – Os dois livros trazem aos leitores a possibilidade de um aprofundamento nas perspectivas do pensamento decolonial e em práticas pedagógicas decoloniais. Além disso, os livros trazem aos leitores a possibilidade de conhecer a diversidade das ações extensionistas que aconteceram dentro e fora da universidade, de modo presencial e remoto. Assim, o livro oferece aos leitores o encantamento e a necessidade de engajamento social para a extensão universitária, de modo que aconteça dialogicamente.

Acredito que as pessoas leitoras dos dois livros terão como grande benefício nutrição para os sonhos da transformação social, caso se permitam se envolver pelos afetos que foram construídos em cada uma das páginas. Sobretudo, pela presença de professores e professoras da Educação Básica pública que procuraram formação continuada em formato de pós-graduação na universidade e que deram sentido a suas pesquisas a partir da relação escola-universidade. Assim, construíram conhecimento para os desafios presentes no cotidiano escolar a partir desse diálogo: escola-universidade-escola.

Outro benefício será conhecer educadores sociais, ativistas, lideranças comunitárias que produzem conhecimento e dão sentido à pedagogia decolonial, para muito além do que a universidade pode conceituar, já que apenas faz sentido na práxis: teoria-prática.

Vejo que os dois livros unem muitos sonhadores e sonhadoras, que colocaram sonhos em movimento e que mesmo com poucos recursos construíram ações que fizeram sentido para dezenas de professores e estudantes da educação básica e do ensino superior. Juntos deram forma e vida às possibilidades da transformação social que pode ser construída com educação crítica. Em cada página encontramos o fazer pedagógico de quem se mobiliza socialmente em diversos campos de atuação confiando no poder da educação crítica.

Desejo que as pessoas leitoras usufruam de cada página, respirem, leiam, releiam e fortaleçam seus sonhos, continuando a acreditar na força da decolonialidade como resistência social e como um caminho seguro e mais florido para a transformação social, interseccionando raça, gênero e classe.

Blog da Pangeia – Projetos como os que resultaram nestes livros, e a publicação desses volumes em eBook de acesso grátis e em livros impressos para a comunidade envolvida, conta com muitos apoios. A quem deseja agradecer neste momento em que vai fazer um lançamento oficial dos dois livros?

Prof.ª Adriana Angelita – Agradecemos a todas as pessoas que confiaram nesse projeto e fizeram com que a realidade concreta das ações extensionistas fossem muito maior do que o sonho inicial.

Agradecemos a todas as pessoas palestrantes que nos acompanharam e que doaram tempo, sorrisos, conhecimentos e generosidade, possibilitando aprendizagens profundas sobre pensamento e pedagogias decoloniais.

Agradecemos às artistas e aos artistas das obras selecionadas no edital por terem aceitado o convite e por ousarem produzir arte livremente: vocês são inspiração.

Agradecemos a todas as pessoas cursistas que nos acompanharam ao vivo, que viram as lives em outro momento, que responderam aos formulários, que comentaram no nosso canal, que se dedicaram com respostas tão inspiradoras.

Com e por vocês o projeto teve força, cresceu e ganhou fôlego mesmo contando com uma equipe executora muito pequena.

Agradecemos com muito carinho às bolsistas de graduação, dos cursos de História e Pedagogia, do programa PROBOLSAS / PROEX / UFSC que atuaram na extensão ao nosso lado.

Agradecemos por toda a dedicação, assiduidade, criatividade e por terem sido essenciais para que tudo isso fosse possível, vocês são maravilhosas: Larissa Trento, Letícia Farias Martins, Natalia Rodrigues Coutinho e Paloma Ariely de Paula Santos Dias.

Agradecemos à Capes pelo financiamento por meio do PROGRAMA PROEXT-PG / CAPES, Auxílio No 1076/2024, Processo N. 88881.926992/2023-01.

Por fim, nosso maior agradecimento vai às professoras e professores da educação básica que no lugar de cursistas ou proponentes das formações renovaram nossa esperança de que na educação os sonhos se movimentam e não deixam morrer a esperança por um mundo com justiça social e ambiental.

Programação e convite para
o lançamento dos livros:

Blog da Pangeia – Prof.ª, por favor, nos fale sobre os lançamentos dos livros.

Prof.ª Adriana Angelita – Esperamos todos que se engajaram nos projetos e a comunidade em geral. Vai ser um momento muito alegre e cheio de sonhos em movimento. Cada palavra desses livros foi uma construção coletiva e fruto de práticas de EXTENSÃO comprometidas com o diálogo de saberes, com o pensamento crítico e com a universidade com a comunidade.

É com imensa alegria, ousadia e certeza de que apenas juntos somos mais fortes que, em nome do projeto “Vozes decoloniais na escola”, convido todas as pessoas interessadas em partilhar saberes e criar diálogos entre os saberes tradicionais e acadêmicos para o evento.

Programação:

  • Roda de Conversa com a presença da equipe extensionista e cursistas.
  • Lançamento dos livros:
  • Vozes decoloniais na escola: saberes interculturais para a transformação social.
  • VOZES, ESTUDOS E AÇÕES DECOLONIAIS: a extensão universitária como diálogo de saberes.
  • Abertura da exposição “Arte, memória e educação decolonial: a boniteza da resistência social”.
  • Confraternização.

Dia: 03/11/2026
Horário: 19h
Local: Biblioteca Central – Auditório Elke
Hering (UFSC – Campus Trindade).

Transmissão ao vivo no canal:
youtube.com/@estudoseacoesdecoloniais

Para acessar os livros:


ou Clique Aqui !!!

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