Amado Gato, de Rauer, ganha resenha de Max Mesquita

Amado Gato, de Rauer, está em pré-venda, com desconto especial, com lançamento para entrega no Dia das Crianças. O livro tem ilustrações de @liev_ilustrador e contém duas resenhas: “Nossos Amados Gatos”, de Maisa Cristina Santos, doutora em Estudos Literários e professora, e “A importância dos vínculos”, de Jacke PP, professora e escritora, tendo lançado um livro de crônicas e lançará em breve sua primeira obra voltadaa para crianças.

O pedagogo Max Mesquita, doutor em Educação, conheceu os originais e sobre o texto e as ilustrações escreveu a resenha que segue abaixo:

A riqueza emocional de Amado Gato

MAX MESQUITA *

A Narrativa Amado Gato, de Rauer, apresenta ao leitor a visão de mundo de um gato doméstico chamado Amado, que narra sua própria história em primeira pessoa. A partir de uma linguagem leve, afetiva e bem-humorada, o texto constrói um retrato sensível da relação entre humanos e animais de estimação, explorando temas como pertencimento, afeto, identidade e convivência.

O narrador-personagem descreve seus humanos com grande carinho, revelando os laços afetivos que mantém com eles. A caracterização dos donos ocorre por meio do olhar do gato, recurso que humaniza o animal ao mesmo tempo em que animaliza, de forma carinhosa, os comportamentos humanos. A expressão ”ESSA É MINHA HUMANA” demostra uma inversão de perspectiva: uma vez propriedade dos humanos é o gato que considera seus companheiros.

Um dos aspectos mais interessantes da narrativa é a construção da personalidade de Amado. Ele se apresenta como um gato aventureiro, curioso e independente, características frequentemente associadas aos felinos. Ao narrar a viagem que realizou com seus donos, a personagem revela entusiasmo pela ideia de conhecer novos lugares, mas também frustação diante das limitações imposta pela condição de animal doméstico. O desejo de conhecer os “primos-gatos franceses” e especialmente as “gatinhas parisienses” acrescenta humor ao relato e reforça a humanização do narrador.

Ao retornar ao Brasil, precisa “recuperar” o seu território, que constitue outro espaço e aparece como componente significativo do enredo. O espaço aparece como componente fundamental da identidade do gato. Sua rua, seu jardim e sua casa formam um universo afetivo que ele reconhece como próprio. Mesmo enfrentado conflitos com outros gatos e recebendo arranhões, Amado demostra forte vínculo com o lugar onde vive.

A linguagem empregada pelo autor destaca-se pela simplicidade e fluidez. O texto se aproxima da oralidade, favorecendo a identificação do leitor com o narrador. As expressões coloquiais, os comentários irônicos e as observações bem-humoradas conferem leveza à narrativa. O haicai composto pelo humano do gato representa um momento particularmente sensível de afeto existente entre as personagens e revela a capacidade da literatura de transformar experiências cotidianas em poesia.

Outro aspecto relevante é a valorização das pequenas experiências do seu dia. O texto não se apoia em grandes acontecimentos, mas em situações simples: refeições, cochilos, passeios, brincadeiras e demonstrações de carinho. Dessa forma, a narrativa sugere que a felicidade pode ser encontrada nos vínculos afetivos e na apreciação dos momentos cotidianos.

A obra é ilustrada por Liev Rodrigues [@liev_ilustrador] que oferece ao Leitor um olhar diferenciado pelo carinho, leveza, precisão e integração dos traços com o cotidiano dos humanos e seus gatos.

Do ponto de vista temático, Amado Gato dialoga com tradições literárias que utilizam animais como narradores para refletir sobre comportamentos humanos. Contudo, a obra evita moralismo explícitos, privilegiando a ternura, o humor e a observação sensível das convivências entre espécies.

Conclui-se que Amado Gato é uma narrativa delicada e cativante, capaz de despertar empatia e reflexão. Por meio da expressão vocal de um gato que se percebe amado e pertencente a uma família, o texto celebra os laços afetivos que unem humanos e animais, ressaltando valores como cuidado, amizade e companheirismo. A simplicidade da linguagem e a riqueza emocional da narrativa tornam a leitura agradável e significativa para diferentes públicos.

* Max Mesquita
Pedagogo, professor, gestor, escritor, Doutor em Educação
pela UNICAMP (2023), é autor de Por uma formação
humanista
(Pangeia, 2025, ilustrado, 360 p.).

AMADO GATO, de Rauer
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