Elza Freire e Paulo Freire: Fotobiografia, o esperado livro de Nima Spigolon, está disponível com preço da pré-venda e entrega imediata.
O lançamento ocorre hoje na Faculdade de Educação da Unicamp:

ESTE LIVRO…
Nesta pesquisa, o pretendido foi descrever, dialogar e refletir sobre os percursos de Elza (e Paulo) Freire nos cenários político-pedagógicos do Brasil nos anos de 1979 a 1986, sublinhado por transformações em curso da sociedade brasileira. Sua caracterização se dá, no que tange aos processos democráticos, com a memória de um país marcado por golpe, ditadura e exílio. As leituras possíveis de realidade circunscritas ao escopo desse material, criam condições para mapear as inserções de Elza (e Paulo) Freire após a anistia política e o retorno do casal, até o falecimento de Elza. Percursos vinculados as classes populares e aos movimentos de educação mais expressivos do período, que coadunam com o entrecruzamento de fatos políticos, culturais e sociais que se sucederam em uma dimensão individual e, ao mesmo tempo coletiva. Esta pesquisa se correlaciona-se a produções anteriores (dissertação, tese, pós-doc) já realizadas com as fontes, os referenciais bibliográficos, e o campo empírico – a cada lógica de pesquisa orientada por um recorte diferente. A proposta aqui sistematizada, contempla o caráter utópico e memorialístico de reaprender (e ensinar) o Brasil ao entremear fatos históricos e abordagens qualitativas com aportes de múltiplas linguagens (imagens, poesias, documentos, etc). A pesquisa apresentada alcança a planimetria dos três períodos temporais nos quais se desenvolveu desde o projeto inicial até aqui: 1916-1964; 1964-1979; e 1979-1986. Fato que tornou possível demonstrar fragmentos do legado educacional deixado por Elza Freire no campo da esperança e na transformação do mundo através da luta ao lado dos esfarrapados, dos excluídos e dos oprimidos, e apontar que Elza existe antes (e ao lado) de Paulo Freire.
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Algumas palavras, por Nima Spigolon:
O Paulo Freire que conhecemos, não existiria sem Elza. Começo assim, uma evidência de algo que foge à regra, à risca, ao ruído.
Sistematizar, desde 2006, um conjunto de fontes, primárias ou não, documentais, iconográficas, em torno do casal Freire: Elza e Paulo, é algo a que tenho me dedicado, quase que, integralmente ao longo da minha vida acadêmica. E por isso, a frase acima, porque vida e obra em ambos são inseparáveis. A fotobiografia de Paulo está amalgamada por Elza, portanto o trabalho sequenciado à frente das páginas que se seguem, agrupa, Elza e Paulo Freire do Recife e do Brasil (1916-1964), atravessam o exílio político (1964-1979), desembocam no reaprender o Brasil (1980-1986), e finalizam com fragmentos do post mortem após 1997.
Tal projeto, a fotobiografia, visa preservar a memória de Paulo Freire, com destaque à participação de Elza Freire na sua vida e obra, e reconhecer a importância dela e de seus filhos para o seu pensamento político-pedagógico e sua pauta humanitária. Em 2024, completa-se 80 anos do casamento entre eles, o que torna ainda mais importante o registro de suas vidas, sempre
vinculadas à educação e às causas políticas e sociais, seja no Brasil ou no exterior.
Estabelecer-se nesse encontro de datas, fatos, fotos e documentos,
mediado por letras, sonhos, história, definitivamente é difícil e delicado. Sou envolvida por uma alta carga de emotividade, ao lado da folha de papel, o peso da caneta, o esforço muscular e as subjetividades.
Paulo Freire diz que gostaria de ser lembrado como alguém que amou as pessoas, as plantas, as águas, os animais, também diz, que enquanto seres humanos nos encontramos em incompletude, o que nos provoca à proeza da coletividade. A educação é um dos caminhos de comunhão. Um esforço e uma alegria coletiva da potência de nossas criatividades e dialogicidades para ler o
mundo, se compreender nele, transformar as suas realidades e ampliar sua boniteza a partir da amorosidade e do inédito-viável.
Elza e Paulo, um casal que desde os anos de 1950 revoluciona o mundo por meio da educação. Antes de tudo, um casal aprendente dos processos, dos seres, do mundo que amaram e no qual se inseriram em prol da humanidade.
Foi preciso medo e ousadia, ao lado de coragem e inspiração. Que
ousemos mais em outras lógicas de pesquisa, em outras lógicas de mundo, buscando as ensinagens e as aprendizagens pelas vias da experiência e da amorosidade, sem nos afastar do esperançar. Que ousemos mais em fazer um texto à caneta na idade mídia, e de se formar professor no Brasil, de resistência da vida em seus fundamentos éticos e estéticos.
O livro, contemplado pelo ProAc Edital Fomento CultSP PNAB nº
28/2024, em formato impresso, digital e áudio-book, proporciona a pesquisadores, a profissionais da educação e demais áreas, e a admiradores de Paulo Freire no mundo o acesso a um conjunto de fontes, muitas delas primárias, como por exemplo: documentos pessoais, fotos de família, cartas. A sistematização do material contou com visitas a arquivos, acervos, países, cidades, com a contribuição dos familiares e dos amigos, dos companheiros de
trabalho do casal, e com a realização de mestrado, doutorado, pós-doutorado e livre docência.
Cabe ressaltar o compromisso em distribuir gratuitamente um montante de livros mediante apoio cultural para instituições de ensino superior, órgãos governamentais, escolas, bem como a acessibilidade por meio de que os vídeos confeccionados para divulgação e leitura de trechos do livro contarão com legenda e janela com intérprete de Libras.
Na inconclusão, a experiência de pensar, repensar, sentir e escrever
tendo a “fotobiografia de Elza Freire e Paulo Freire” como referência me fez mais gente, é assim que me sinto! E isso foi só fragmento dos horizontes Elza-Freireanos, que são nossos também, que é convite a problematizar algo que foge à regra, à risca, ao ruído.
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Elza Freire e Paulo Freire: Fotobiografia
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