{"id":6545,"date":"2019-12-24T01:00:16","date_gmt":"2019-12-24T01:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?post_type=product&#038;p=6545"},"modified":"2025-11-21T11:15:44","modified_gmt":"2025-11-21T11:15:44","slug":"literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-1","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-1\/","title":{"rendered":"PPG-UFF \/ CAPES &#8211; Literatura em Movimento: Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o 1 &#8211; ePub"},"content":{"rendered":"<h4>Esta obra \u00e9 composta por trinta cap\u00edtulos que re\u00fanem trabalhos com abordagens e linhas te\u00f3ricas afins.<\/h4>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1-ETHOS DE RESIST\u00caNCIA: ENTRE CIVILIZA\u00c7\u00c3O E BARB\u00c1RIE EM <em>SE O PASSADO N\u00c3O TIVESSE ASAS<\/em>, DE PEPETELA<\/strong><\/p>\n<p>Adriano Guedes Carneiro<\/p>\n<p>O presente artigo tem por foco o romance <em>Se o passado n\u00e3o tivesse asas,<\/em> de Pepetela, que narra a est\u00f3ria de uma mulher em dois momentos diferentes de sua vida: Himba\/Sofia. Tamb\u00e9m, em dois momentos da Hist\u00f3ria de Angola (1995 e 2012). Himba \u00e9 uma crian\u00e7a, sobrevivente da explos\u00e3o do ve\u00edculo em que sua fam\u00edlia era transportada, desde sua aldeia natal. Chega a Luanda sozinha e se junta a v\u00e1rios meninos \u00f3rf\u00e3os que sobrevivem, na praia, dos restos de comida de um restaurante local. \u00c9 um dos anos de guerra civil. Impera a barb\u00e1rie: a luta pela sobreviv\u00eancia. Sofia, j\u00e1 adulta, trabalha em um restaurante, do qual, mais tarde, se torna a \u00fanica propriet\u00e1ria. \u00c9 tempo de paz. Impera a civiliza\u00e7\u00e3o? A luta pela sobreviv\u00eancia continua, s\u00f3 que em outro patamar. Civiliza\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie est\u00e3o em permanente conflito na obra. H\u00e1 barb\u00e1rie somente na guerra ou na paz podemos ter condutas b\u00e1rbaras? \u00c9 poss\u00edvel estabelecer regras de civiliza\u00e7\u00e3o num ambiente hostil? No texto, como o autor se prop\u00f5e a responder a estas quest\u00f5es? Quais s\u00e3o as estrat\u00e9gias empregadas por ele para estabelecer uma atitude de resist\u00eancia, pela manuten\u00e7\u00e3o de valores humanos e sociais, em face da dicotomia, civiliza\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie, no referido romance? Para tanto, utilizar-se-\u00e1 como referencial te\u00f3rico as contribui\u00e7\u00f5es de Edward W. Said, Anthony Appiah, Homi K. Bhabha, Stuart Hall, Benjamin Abdala Jr., Patr\u00edcia Isabel Martins Ferreira, Renata Fl\u00e1via da Silva e Phillip Rothwell.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2-A (DES)CONSTRU\u00c7\u00c3O DO FEMININO EM <em>A FAL\u00caNCIA<\/em>, DE J\u00daLIA LOPES DE ALMEIDA<\/strong><\/p>\n<p>Aline Castilho Alves Campos<\/p>\n<p>A pesquisa em desenvolvimento tem como objetivo analisar a constru\u00e7\u00e3o das personagens da obra <em>A fal\u00eancia <\/em>(1901), da escritora J\u00falia Lopes de Almeida (1862-1934), seguindo a hip\u00f3tese de que a autora cria as personagens tendo como base os discursos m\u00e9dico e cient\u00edfico vigentes \u00e0 \u00e9poca. Neste trabalho, apresento como introdu\u00e7\u00e3o um breve perfil da autora J\u00falia Lopes de Almeida e busco discutir como as personagens Camila e Francisco Teodoro s\u00e3o constru\u00eddas a partir das teorias de diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros que foram engendradas pelo discurso cient\u00edfico em vigor nos s\u00e9culos XIX e XX. Pretendo tamb\u00e9m discutir como no desfecho de <em>A fal\u00eancia <\/em>h\u00e1 uma tentativa de desconstru\u00e7\u00e3o deste sistema de g\u00eanero, que tem como ensejo a morte de Francisco Teodoro e o t\u00e9rmino do relacionamento entre Camila e Dr. Gerv\u00e1sio. O trabalho em quest\u00e3o refere-se \u00e0 disserta\u00e7\u00e3o de mestrado ainda em processo de desenvolvimento, em fase anterior ao exame de qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3- PERTENCIMENTO, FRONTEIRA E A CONDI\u00c7\u00c3O DOS \u201cSEM-ESTADO\u201d: CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE <em>QUEM CANTA O ESTADO-NA\u00c7\u00c3O?<\/em>, DE JUDITH BUTLER E GAYATRI SPIVAK <\/strong><\/p>\n<p>Aline Rocha de Oliveira<\/p>\n<p>\u201cPor que estamos abordando literatura comparada e estados globais juntos? O que os estudiosos de literatura est\u00e3o fazendo com os estados globais? Somos, obviamente, pegos pelas palavras\u201d. \u00c9 com essas indaga\u00e7\u00f5es que Judith Butler inicia <em>Quem canta o Estado-na\u00e7\u00e3o?<\/em>, livro no qual a pensadora desenvolve um di\u00e1logo junto \u00e0 Gayatri Spivak. Trata-se de uma reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o dos \u201csem-estado\u201d no mundo contempor\u00e2neo exposta em 2006 na Universidade da Calif\u00f3rnia. No decorrer do di\u00e1logo, as te\u00f3ricas repensam, convocando outros pensadores como Hannah Arendt e Giorgio Agamben, epis\u00f3dios e categorias pol\u00edticas que tensionam a narrativa nacionalista. O t\u00edtulo do livro retoma as manifesta\u00e7\u00f5es de rua ocorridas em Los Angeles, no ano de 2006, por parte dos residentes ilegais. Nessa ocasi\u00e3o, o hino dos Estados Unidos foi cantado em espanhol, ao que o ent\u00e3o presidente George W. Bush respondeu afirmando que o hino nacional poderia ser cantado apenas em ingl\u00eas. A performance dessa reivindica\u00e7\u00e3o por parte dos residentes introduziu problemas relativos \u00e0 no\u00e7\u00e3o de pertencimento e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de um n\u00f3s, bem como quest\u00f5es pertinentes \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es culturais oriundas da globaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 consequente ressignifica\u00e7\u00e3o de categorias simb\u00f3licas, como o hino nacional. Tendo em vista tal problem\u00e1tica, o objetivo deste trabalho ser\u00e1 esmiu\u00e7ar as no\u00e7\u00f5es de \u201cpertencimento\u201d, \u201cfronteira\u201d e \u201csem-estado\u201d desenvolvidas por Butler e Spivak.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4-COSMOPOLITISMO E ORALIDADE EM <em>ESTIVE EM LISBOA E LEMBREI DE VOC\u00ca<\/em>, DE LUIZ RUFFATO<\/strong><\/p>\n<p>Allysson Casais<\/p>\n<p>Ao argumentar que a palavra &#8220;cosmopolitismo&#8221; serve para rotular a viagem daqueles pertencentes \u00e0s classes mais privilegiadas, Silviano Santiago (2016) cunha o termo cosmopolitismo do pobre para descrever a migra\u00e7\u00e3o para o estrangeiro de pessoas que visam escapar da mis\u00e9ria de seus pa\u00edses natais. No campo liter\u00e1rio, Luiz Ruffato aborda o tema ao publicar, em 2009, a novela <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>. Na narrativa, o protagonista, Serginho, vive no interior de Minas Gerais e, ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e e o fim seu casamento, decide migrar para Portugal em busca de melhores oportunidades socioecon\u00f4micas. Em nossa leitura da obra, percebemos que o uso da oralidade por Ruffato serve para plasmar a experi\u00eancia de migra\u00e7\u00e3o de sujeitos advindos de classes sociais mais baixas. A novela, dessa forma, ao ser narrada pelo migrante pobre, denuncia as origens de classe trabalhadora mineira do narrador-protagonista al\u00e9m de mostrar suas mudan\u00e7as identit\u00e1rias em seu novo pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>5-<\/strong> <strong>FIGURA\u00c7\u00d5ES DO OUTRO EM<em> O TRABALHO SUJO DOS OUTROS, <\/em>DE ANA PAULA MAIA<\/strong><\/p>\n<p>Amanda Vieira dos Santos<\/p>\n<p>Filhos bastardos de um Estado que reproduz uma viol\u00eancia aprendida durante o processo de forma\u00e7\u00e3o, colonial, os sujeitos que aqui apontamos s\u00e3o os que escapam, transitam excedentemente do c\u00edrculo social. S\u00e3o os que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o pertencem, como tam\u00e9m por esse c\u00edrculo s\u00e3o indesejados e banidos diariamente. A novela <em>O trabalho sujo dos outros<\/em> de Ana Paula Maia traz em sua narrativa personagens que figuram esse estar no mundo enquanto um outro. Nela, Erasmo Wagner, Alandelon e Edivardes s\u00e3o trabalhadores que dedicam suas vidas realizar os trabalhos que sujeitos com o privil\u00e9gio da escolha recusariam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6 &#8211; ANTIGUIDADE EM LACUNAS: A NATUREZA EM IRACEMA E UBIRAJARA<\/strong><\/p>\n<p>Ana Maria Amorim Correia<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XIX carrega descobertas e mudan\u00e7as na forma de olhar para monumentos e ru\u00ednas. A arquitetura vai enfrentar dilemas entre restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o. Descobertas arqueol\u00f3gicas v\u00e3o incentivar as pesquisas de forma a consolidar uma arqueologia cient\u00edfica. Entre 1750 e 1850, vivemos acontecimentos como a descoberta de Pompeia, na It\u00e1lia, a escava\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio Asteca, no M\u00e9xico, a redescoberta da Pedra de Roseta, durante expedi\u00e7\u00e3o francesa liderada por Napole\u00e3o Bonaparte, posteriormente decifrada por Champollion. A n\u00e3o ser pelos f\u00f3sseis, o Brasil encontra dificuldade de se encaixar nesse fasc\u00ednio da Antiguidade. No esp\u00edrito de unidade e de funda\u00e7\u00e3o nacionais, n\u00e3o rara ser\u00e1 a busca de preencher tal lacuna, desde documentos oficiais com diretrizes para cataloga\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica, que inclu\u00eda ressalvas para poss\u00edveis monumentos dos povos ind\u00edgenas, at\u00e9 a oficialmente patrocinada expedi\u00e7\u00e3o em busca da mitol\u00f3gica cidade perdida da Bahia. Esta comunica\u00e7\u00e3o procura esbo\u00e7ar como o imagin\u00e1rio de um passado grandioso, t\u00e3o essencial para formar uma ideia nacional pujante, na dificuldade de se escorar em monumentos e ru\u00ednas, ser\u00e1 deslocado, na narrativa de Iracema (1865) e Ubirajara (1874), de Jos\u00e9 de Alencar, para a natureza e as quest\u00f5es que envolvem as escolhas do autor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7 &#8211; AS MARCAS DA CAT\u00c1STROFE EM <em>ANIMA<\/em> DE WAJDI MOUAWAD.<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz Vieira<\/p>\n<p>O presente trabalho investiga a obra <em>Anima<\/em> do escritor, dramaturgo e diretor Wajdi Mouawad. Nascido no L\u00edbano, refugiou-se, aos 8 anos, com sua fam\u00edlia na Fran\u00e7a, fugindo de uma Guerra Civil que naquele momento assolava seu pa\u00eds natal. Por n\u00e3o conseguir renovar o visto, s\u00e3o obrigados a novamente imigrar, fixando-se dessa vez no Quebec, onde Mouawad encontra o teatro. Anima \u00e9 um romance publicado em 2012, ap\u00f3s intenso trabalho em uma tetralogia denominada <em>Le sang des promesses<\/em> que inclui as pe\u00e7as <em>Littoral<\/em> (1999), <em>Incendies<\/em> (2003), <em>For\u00eats<\/em> (2006) e <em>Ciels<\/em> (2009). Os personagens de Mouawad s\u00e3o, segundo Marie-Christine Gareau, marcados por uma separa\u00e7\u00e3o (2010, p. 109) que se d\u00e1 seja pelo ex\u00edlio, pela cat\u00e1strofe ou pela morte. Neste livro, o autor retoma temas que lhe foram caros em seus escritos anteriores: a viol\u00eancia, a guerra, o estupro, o assassinato. Marcados por fortes experi\u00eancias traum\u00e1ticas, os personagens fragmentados de Mouwad s\u00e3o lan\u00e7ados a uma busca por uma origem \u2013 identit\u00e1ria &#8211; cujo percurso corresponderia a descoberta de uma verdade sobre si e seu passado, em que a (re)mem\u00f3ria \u00e9 um dever. O texto aqui analisado conta a hist\u00f3ria de um homem que entra em casa, ap\u00f3s um dia de trabalho, e encontra sua esposa selvagemente assassinada. Sua busca converte-se na investiga\u00e7\u00e3o de quem ou o que \u00e9 o assassino. A narrativa passa a testar os limites do represent\u00e1vel e do humano. Apoiaremos nossa reflex\u00e3o nos escritos de Ren\u00e9 Girard, M\u00e1rcio Seligmann-Silva entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>8 &#8211; HIBRIDISMO CULTURAL E INTERVEN\u00c7\u00c3O INGLESA NA PATAG\u00d4NIA ARGENTINA DO S\u00c9CULO XIX: REVISIONISMO, RELEITURA E REESCRITA EM <em>LA TIERRA DEL FUEGO.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Andreza Almeida Barbosa<\/p>\n<p>O romance <em>La tierra del fuego<\/em> (1999) de Silvia Iparraguirre nos possibilita refletir sobre como se deu a tentativa de coloniza\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o do povo y\u00e1mana. Ao decorrer do enredo Iparraguirre apresenta uma reflex\u00e3o cr\u00edtica atrav\u00e9s da reescrita e rememora\u00e7\u00e3o dos fatos ocorridos na Patag\u00f4nia argentina, colocando em evid\u00eancia o ponto de vista do subalternizado sobre as formas de domina\u00e7\u00e3o ancoradas na coloniza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e na degrada\u00e7\u00e3o de todos os saberes que n\u00e3o estejam pautados no c\u00e2none da ci\u00eancia euroc\u00eantrica. Sylvia Iparraguirre levanta questionamentos sobre o registro hist\u00f3rico resultante da hegemonia textual imposta pelas classes dominantes e pelas elites letradas inglesas sobre um dos grupos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica do Sul. Sendo assim, nos debru\u00e7aremos a analisar como a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa no territ\u00f3rio austral argentino deu in\u00edcio a um processo de hibridiza\u00e7\u00e3o cultural que afetou tanto o discurso do colonizado quanto o do colonizador. Refletir-se-\u00e1 tamb\u00e9m sobre as consequ\u00eancias dos deslocamentos territoriais aos quais alguns nativos desse grupo origin\u00e1rio foram submetidos na travessia entre a Patag\u00f4nia argentina e a cidade de Londres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>9 &#8211; L\u00cdRICA, FERINA, NEGRA E FEMININA: POL\u00cdTICA, ASSERTIVIDADE E RESIST\u00caNCIA NA POESIA DE JARID ARRAES<\/strong><\/p>\n<p>\u00c2ngela da Silva Gomes Poz<\/p>\n<p>Considerando o andamento de nossa pesquisa acerca da voz das mulheres negras em literaturas de l\u00edngua portuguesa, ser\u00e1 enfocado, neste artigo, um livro de uma das autoras que comp\u00f5em seu corpus: <em>Um buraco com meu nome<\/em>, de Jarid Arraes, publicado em 2018, pela Ferina, editora por ela projetada para publicar apenas mulheres, contemplando ao m\u00e1ximo sua diversidade. Inserida desde crian\u00e7a no mundo dos versos e da leitura na regi\u00e3o do Cariri (CE), Jarid come\u00e7a sua carreira na poesia de cordel, espa\u00e7o de domina\u00e7\u00e3o masculina. Autora de mais de sessenta folhetos de cordel, ela lan\u00e7a o livro <em>Hero\u00ednas negras brasileiras: em 15 cord\u00e9is<\/em>, em 2017. Antes, em 2015, publicou o romance <em>As lendas de Dandara<\/em>, j\u00e1 revelando, nessas primeiras obras, seu comprometimento com a quebra do silenciamento e apagamento das mulheres negras na literatura e na Hist\u00f3ria do Brasil. Representando a voz da resist\u00eancia na contemporaneidade, Arraes, a partir do lugar de fala de mulher negra, \u201clutando com unhas e dentes\u201d por ter seu nome no espa\u00e7o de poder da escrita, adentra em outra modalidade po\u00e9tica, por\u00e9m mantendo o teor pol\u00edtico de seu trabalho, que aborda temas socialmente relevantes sob um olhar feminista interseccional e uma linguagem carregada de lirismo, mas tamb\u00e9m de pot\u00eancia e assertividade. Com base te\u00f3rica feminina majoritariamente negra, propomos uma reflex\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o dessa autora e a leitura anal\u00edtica de alguns poemas que comp\u00f5em as duas primeiras partes do livro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>10 &#8211; AS ESCRITAS DE CAROLINA MARIA DE JESUS<\/strong><\/p>\n<p>Ayana Moreira Dias<\/p>\n<p>O presente trabalho \u00e9 resultado de uma investiga\u00e7\u00e3o acerca das raz\u00f5es da desvaloriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o narrativa ficcional da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus. Em observ\u00e2ncia \u00e0 insuficiente elabora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre esta face da escrita da autora em contraste \u00e0quela vasta sobre a escrita diar\u00edstica, contida no di\u00e1rio <em>best-seller<\/em> <em>Quarto de Despejo<\/em> (1960), bem como nos di\u00e1rios <em>Casa de Alvenaria<\/em> (1961) e <em>Di\u00e1rio de Bitita<\/em> (1986), este artigo buscou examinar, as raz\u00f5es do desprest\u00edgio da obra ficcional e a formula\u00e7\u00e3o de uma imagem estereotipada e superficial da autora, propiciada pela supervaloriza\u00e7\u00e3o do famoso di\u00e1rio. O percurso te\u00f3rico metodol\u00f3gico foi elaborado a partir de estudos voltados \u00e0s discuss\u00f5es acerca da produ\u00e7\u00e3o discursiva dos indiv\u00edduos negros nas sociedades p\u00f3s-coloniais e seus efeitos na descoberta de novas perspectivas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 autoria negra feminina. Dentre os quais destacam-se: <em>O local da cultura<\/em> (1998), de Homi Bhabha; <em>Literatura negro-brasileira<\/em> (2010), de Luiz Silva Cuti; <em>Literatura brasileira contempor\u00e2nea<\/em>, de Regina Dalcastagn\u00e9 (2012) e <em>O que \u00e9 lugar de fala?<\/em> (2017) de Djamila Ribeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>11 &#8211; LEMBRAR PARA ESQUECER: A APARENTE CONTRADI\u00c7\u00c3O DE LUDO EM TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO, DE AGUALUSA.<\/strong><\/p>\n<p>Christiane Gon\u00e7alves dos Reis<\/p>\n<p>Este trabalho tem como objetivo problematizar a escrita de Ludo, personagem de Jos\u00e9 Eduardo Agualusa, a qual esteve por vinte e oito anos em autoclausura, emparedada, durante a guerra civil angolana, per\u00edodo em que teria redigido dez cadernos em forma de di\u00e1rios, continuando o processo da escrita de si, mesmo ap\u00f3s o seu resgate. Nesse diapas\u00e3o, ser\u00e1 analisada a quest\u00e3o da mem\u00f3ria, sua express\u00e3o ou recalque, assim como a rela\u00e7\u00e3o desta com o esquecimento. Ser\u00e1 observado, ainda, o car\u00e1ter metaficcional da obra diante do paratexto que d\u00e1 in\u00edcio ao romance, armadilha t\u00e9cnica que chega a colocar em xeque a sua ficcionalidade no momento em que o mundo ficcional \u00e9 desvendado e o romancista deixa transparecer, na fic\u00e7\u00e3o, o que acontece nos bastidores do processo narrativo. Para tanto, ser\u00e3o utilizadas as obras de Paul Ricoeur, Aleida Assmann, Maurice Halbwachs, Jeanne Marie Gabnebin e Linda Hutcheon, a fim de fundamentar metodologicamente o trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>12 &#8211; REPRESENTA\u00c7\u00d5ES DO FEMININO NA POESIA DE AD\u00cdLIA LOPES<\/strong><\/p>\n<p>Christine Soares de Oliveira Lopes da Cruz<\/p>\n<p>Tatiana Pequeno da Silva<\/p>\n<p>Este trabalho visa a apresentar uma pesquisa de mestrado que est\u00e1 sendo realizada na linha de \u201cLiteratura, hist\u00f3ria e cultura\u201d, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Stricto Sensu em Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense (UFF), cujo objetivo central \u00e9 analisar, na obra po\u00e9tica de Ad\u00edlia Lopes, o lugar que a mulher ocupa na sociedade patriarcal sob a perspectiva po\u00e9tica e filos\u00f3fica. A an\u00e1lise ser\u00e1 fundamentada a partir das reflex\u00f5es e conceitos da cr\u00edtica liter\u00e1ria norte-americana Elaine Showalter, expoente do feminismo que cunhou o termo<em> ginocr\u00edtica <\/em>para designar um conceito que valoriza as peculiaridades de express\u00e3o do g\u00eanero feminino na literatura. A poesia de Ad\u00edlia Lopes ser\u00e1 analisada a partir das reflex\u00f5es da fil\u00f3sofa francesa Simone de Beauvoir desenvolvidas em sua obra <em>O segundo sexo,<\/em> escrita em 1949, quando as mulheres n\u00e3o tinham espa\u00e7o para usufruir de sua individualidade. Al\u00e9m desse referencial te\u00f3rico, ser\u00e3o utilizadas as reflex\u00f5es postuladas por Judith Butler em <em>Problemas de g\u00eanero: feminismo e subvers\u00e3o da identidade<\/em>. Portanto, essa pesquisa pretende mostrar como o feminino \u00e9 representado na obra adiliana a partir de estere\u00f3tipos e clich\u00eas que s\u00e3o utilizados em jogos de palavras contendo ironia de forma a provocar uma cr\u00edtica sobre as constru\u00e7\u00f5es de pap\u00e9is para homens e mulheres na sociedade patriarcal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>13-<em>PONCI\u00c1 VIC\u00caNCIO<\/em>: CAMINHOS DESENHADOS NO SOLO, NA TERRA, NA ARGILA<\/strong><\/p>\n<p>Clarice de Mattos Goulart<\/p>\n<p>O artigo tem o objetivo de proceder a uma an\u00e1lise do livro <em>Ponci\u00e1 Vic\u00eancio<\/em>, da autoria de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, escritora brasileira ainda atuante. Diante da obra cuja tem\u00e1tica principal orbita em torno de temas como identidade, ancestralidade, mem\u00f3ria e hist\u00f3ria da escravid\u00e3o no Brasil \u2013 bem como em suas perman\u00eancias como trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o \u2013, a an\u00e1lise tem como objetivo principal proceder a uma discuss\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es que a protagonista do romance estabelece com o solo de Vila Vic\u00eancio, rela\u00e7\u00f5es estas enredadas pelas heran\u00e7as da escravid\u00e3o e por saberes ancestrais que orientam a produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de cer\u00e2mica, processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica que a personagem desenvolve junto de sua m\u00e3e. Para este debate, s\u00e3o bem-vindas as contribui\u00e7\u00f5es oferecidas pelo pensamento decolonial latino-americano de An\u00edbal Quijano e Walter Mignolo, estabelecendo pontos de contato entre o debate sobre o fazer liter\u00e1rio, o fazer art\u00edstico e a coexist\u00eancia de formas distintas de conhecimento e saberes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>14-MEM\u00d3RIA DA PALAVRA EM MAMA \u00c1FRICA<\/strong><\/p>\n<p>Edyanna de Oliveira Barreto<\/p>\n<p>Este texto pretende retomar de maneira breve e sintetizada os livros da cole\u00e7\u00e3o <strong>Mama \u00c1frica<\/strong>. Tratam-se de hist\u00f3rias tradicionais orais que s\u00e3o recuperadas e escritas por autores angolanos e mo\u00e7ambicanos, com o objetivo de difundir as literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa no Brasil, para o p\u00fablico infantil. Cada uma das cinco obras infantojuvenis resgata narrativas tradicionais africanas e nos mostra que a arte de contar hist\u00f3rias continua viva. Amadou Hamp\u00e2t\u00e9 B\u00e2 (2010) assegura que \u201cquando falamos de tradi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria africana, referimo-nos \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o oral, e nenhuma tentativa de penetrar a hist\u00f3ria e o esp\u00edrito dos povos africanos ter\u00e1 validade a menos que se apoie nessa heran\u00e7a de conhecimentos\u201d (2010, p. 167). Para tanto, constitu\u00edmos um corpus no intuito de verificar um tra\u00e7o que une todos os livros: a tradi\u00e7\u00e3o oral. O objetivo deste trabalho \u00e9 analisar de que forma a oralidade, a tradi\u00e7\u00e3o popular, o simbolismo e sua respectiva reescritura para o p\u00fablico infantil est\u00e3o presentes nas obras, contribuindo para a divulga\u00e7\u00e3o da cultura, hist\u00f3ria e literaturas africanas no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>15-A MATERIALIZA\u00c7\u00c3O DAS CULTURAS AFRICANAS NAS ESTRUTURAS TEXTUAIS A PARTIR DE \u201cLA REBELI\u00d3N DE LOS VUD\u00daS\u201d EM <em>CHANG\u00d3, EL GRAN PUTAS, <\/em>DE MANUEL ZAPATA OLIVELLA<\/strong><\/p>\n<p>Esther Falc\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p>A partir da leitura, an\u00e1lise e cotejo de bibliografia de base e te\u00f3rica relativa ao estudo da narrativa no marco da produ\u00e7\u00e3o cultural afrolatinoamericana, me proponho a analisar e repensar as categorias de narrador e ponto de vista narrativo, bem como a intera\u00e7\u00e3o das mesmas como articuladoras principais da funcionalidade cr\u00edtica de<em> Chang\u00f3, el gran putas<\/em>. Obra na qual a utiliza\u00e7\u00e3o agramatical dos tempos verbais, a pluralidade de vozes narrativas, o ponto de vista m\u00faltiplo e o registro lingu\u00edstico digl\u00f3ssico conspiram contra a estabilidade da forma narrativa moderna mais valorizada, questionando os modelos europeus baseados na escrita como condi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de um relato leg\u00edvel e aut\u00f4nomo. A an\u00e1lise est\u00e1 centrada na terceira parte da obra, intitulada \u201cLa rebeli\u00f3n de los vod\u00fas\u201d, que reelabora ficcionalmente os eventos hist\u00f3ricos da emblem\u00e1tica Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, refuncionalizados de acordo com a perspectiva m\u00edtica orientadora do relato que, em sua totalidade, acompanha a situa\u00e7\u00e3o do homem negro desde o in\u00edcio da escraviza\u00e7\u00e3o dos povos africanos at\u00e9 seu desterro no continente americano e Caribe, proporcionando contatos culturais conflituosos entre diversos grupos, e a consequente busca da liberdade por parte dos colonizados at\u00e9 o s\u00e9culo XX. Desta forma, posso concluir que, para construir um relato capaz de comunicar a heterogeneidade cultural latino-americana e caribenha, orientado por uma cosmovis\u00e3o africana, Manuel Zapata Olivella operou uma refuncionaliza\u00e7\u00e3o radical das categorias conformadoras do romance enquanto forma narrativa moderna, dando ensejo a um discurso que expressa uma vis\u00e3o cr\u00edtica da hist\u00f3ria afrolatinoamericana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>16-A PO\u00c9TICA DO FEMININO E DA VIOL\u00caNCIA NO ROMANCE O PESO DO P\u00c1SSARO MORTO <\/strong><\/p>\n<p>Isadora Pessoa Fernandes<\/p>\n<p>O presente trabalho pretende investigar no romance em prosa po\u00e9tica <em>O Peso do P\u00e1ssaro Morto<\/em>, de Aline Bei, focando principalmente em suas lacunas e sil\u00eancios, os tra\u00e7os de viol\u00eancia e apagamento expl\u00edcitos e impl\u00edcitos na obra liter\u00e1ria, partindo de leituras de Pierre Bourdieu. Para Bourdieu (2018), o habitus \u00e9 o conjunto de valores e processos internalizados que estrutura e molda nossas a\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es individuais e sociais. Assim, atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise da progress\u00e3o da vida da protagonista do romance e das viol\u00eancias que essa sofre, norteada por esse conceito\/chave de leitura, busca-se verificar a constru\u00e7\u00e3o gradual da personagem como um processo de forma\u00e7\u00e3o decorrente de suas perdas e viol\u00eancias sofridas e internalizadas. Procurar-se-\u00e1 demonstrar como os sil\u00eancios da protagonista \u2013 n\u00e3o nomeada \u2013 do romance materializam-se como uma cripta em que todos os seus traumas se cristalizam, aumentando assim o peso de sua exist\u00eancia. Pretende-se tamb\u00e9m evidenciar as tens\u00f5es e as imagens relacionadas \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 misoginia nos pap\u00e9is de g\u00eanero cumpridos pela protagonista e pelas outras mulheres com as quais ela convive: de suas primeiras rela\u00e7\u00f5es familiares, sua amiga e, por fim, sua nora. Tais rela\u00e7\u00f5es provam-se tamb\u00e9m permeadas por tens\u00f5es necessariamente implicadas por uma constru\u00e7\u00e3o da imagem do feminino norteada pela viol\u00eancia simb\u00f3lica imposta pela domina\u00e7\u00e3o patriarcal, fazendo-se necess\u00e1rio pensar o peso que \u00e9 nascer sob o signo do feminino em uma sociedade dominada por homens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>17-PERCORRENDO INTERST\u00cdCIOS: UMA PROBLEMATIZA\u00c7\u00c3O EPISTEMOL\u00d3GICA NA FIC\u00c7\u00c3O DETETIVESCA CHICANA DE LUCHA CORPI<\/strong><\/p>\n<p>Juliana Machado Meanda<\/p>\n<p>O texto apresenta uma an\u00e1lise da fic\u00e7\u00e3o detetivesca escrita por Lucha Corpi, cuja protagonista \u00e9 Gloria Damasco. Uma de suas caracter\u00edsticas mais marcantes \u00e9 um aspecto m\u00edstico, uma esp\u00e9cie de clarivid\u00eancia ou consci\u00eancia extrassensorial que surge a partir de seu envolvimento com as investiga\u00e7\u00f5es. Esse lado de sua personalidade \u00e9 chamado pela pr\u00f3pria personagem de dom sombrio (<em>dark gift<\/em>), por n\u00e3o compreend\u00ea-lo muito bem e ter dificuldade em interpret\u00e1-lo. Assim, ela se afasta dos discursos da racionalidade bin\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel terceira via, propondo caminhos alternativos de pensamento e a\u00e7\u00e3o e efetuando uma problematiza\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao pensamento l\u00f3gico-racional hegem\u00f4nico. A discuss\u00e3o proposta aborda esse aspecto da protagonista como uma epistemologia alternativa, uma subvers\u00e3o do racionalismo dualista e uma forma outra de conhecimento, que combina as contradi\u00e7\u00f5es da personagem entre suas diversas identifica\u00e7\u00f5es, especialmente entre os valores anglos e aqueles que t\u00eam influ\u00eancia de aspectos mexicanos e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>18-\u00c1GUAS: ESPA\u00c7OS DE AUS\u00caNCIA, MEDO E PODER SOB A \u00d3TICA DE RADA \u2013 PERSONAGEM NO LIVRO <em>LAS ORILLAS DEL AIRE, <\/em>DA ESCRITORA PERUANA KARINA PACHECO MEDRANO.<\/strong><\/p>\n<p>L\u00e9a Cristina Andrade<\/p>\n<p>A quest\u00e3o problematizada nesse trabalho traduz n\u00e3o s\u00f3 o papel representado pelas \u00e1guas \u2013 como lugar de aus\u00eancia, medo e poder \u2013, mas tamb\u00e9m a forma como esses espa\u00e7os s\u00e3o descobertos pela personagem Rada na referida obra. Rada, protagonista nessa hist\u00f3ria, tem somente a presen\u00e7a das \u00e1guas como testemunha do caminho percorrido: ao longo de todo o romance ela ata e desata os n\u00f3s de sua vida atrav\u00e9s desses espa\u00e7os fluidos \u2013 que n\u00e3o podem ser contidos, e sim brevemente suspensos (seja pela vida, pela morte, pela maternidade interrompida e at\u00e9 mesmo pela culpa do abandono em decorr\u00eancia da viol\u00eancia patriarcal). Sendo assim, cabe ressaltar que todo o trabalho aqui explanado est\u00e1 desenvolvido sob uma perspectiva feminista. Para tal, todo o processo de pesquisa e formula\u00e7\u00e3o tem sua estrutura baseada nas obras <em>Problemas de G\u00eanero: feminismo e subvers\u00e3o da identidade <\/em>(de Judith Butler), e ainda em <em>O feminismo \u00e9 para todo mundo: pol\u00edticas arrebatadoras<\/em> (de Bell Hooks). A personagem Rada est\u00e1 em constante deslocamento; ela \u00e9 a que vive em tr\u00e2nsito a buscar \u2013 ainda que de forma inconsciente \u2013 o resgate da sua pr\u00f3pria origem. Objetivando trabalhar melhor esse aspecto, o livro <em>Estrangeiros para n\u00f3s mesmos <\/em>(de Julia Kristeva) \u00e9 aqui utilizado como refer\u00eancia. Cabe aqui salientar, enfim, que essas mesmas obras revelam-se de suma import\u00e2ncia no que concerne ao desenvolvimento do tema aqui abordado, estando todas plenamente alinhadas com a trajet\u00f3ria tomada pela personagem Rada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>19-MODERNIDADE E SUBALTERNIDADE NA LITERATURA HATOUNIANA: UMA AN\u00c1LISE DO ROMANCE <em>DOIS IRM\u00c3OS<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Liozina Kauana de Carvalho Penalva<\/p>\n<p>O presente estudo tem como objetivo colocar em discuss\u00e3o o conceito de modernidade na Am\u00e9rica Latina, com a finalidade de perceber os limites do discurso representacional de grupos subalternos. Para isso, selecionamos a obra <em>Dois Irm\u00e3os<\/em>, de Milton Hatoum, pois esse escritor amaz\u00f4nico est\u00e1 afinado com um pensamento pol\u00edtico e social que questiona binarismos como centro-periferia, dominantes e dominados, metr\u00f3pole e col\u00f4nia. Para fundamentar essa pesquisa, utilizaremos principalmente as contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de Boaventura Santos (2010), que pensa a modernidade ocidental como um \u201cpensamento abissal\u201d e Adri\u00e1n Gorelik (1999), que debate a modernidade latino-americana a partir das cidades. Com base nessas teorias, percebe-se que n\u00e3o h\u00e1 modernidade sem colonialidade, porque, de fato, ambas funcionam como um \u00fanico projeto. Reconhecer essa colonialidade, estabelecida por uma rela\u00e7\u00e3o acirradamente desigual entre as na\u00e7\u00f5es, em que um lado explora e outro \u00e9 explorado, significa pensar a partir dela, colocar o dedo nessa \u201cferida colonial\u201d e abrir perspectivas a partir da periferia do sistema capitalista moderno\/colonial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>20-REPRESENTA\u00c7\u00d5ES DAS MULHERES MO\u00c7AMBICANAS NAS OBRAS <em>O S\u00c9TIMO JURAMENTO<\/em>, <em>BALADA DE AMOR AO VENTO<\/em> E <em>VENTOS DO APOCALIPSE<\/em> DE PAULINA CHIZIANE<\/strong><\/p>\n<p>Luciene Rocha dos Santos Cruz<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da an\u00e1lise das representa\u00e7\u00f5es das personagens femininas nos romances <strong>Ventos do Apocalipse <\/strong>(1999), <strong>O S\u00e9timo Juramento<\/strong> (2000) e <strong>Balada de Amor ao Vento<\/strong> (2003), da escritora Paulina Chiziane, esta pesquisa tem como intuito compreender a realidade sociol\u00f3gica e cultural dessas mulheres, comprovando que a autora retrata, na sua escrita, a veracidade do universo feminino mo\u00e7ambicano. Assim, como s\u00e3o simbolizadas essas mulheres no meio em que vivem, mediante suas condutas? As formas como s\u00e3o representadas socialmente seriam frutos de sua pr\u00f3pria identidade ou ser\u00e1 que a constru\u00e7\u00e3o da identidade estaria sujeita aos paradigmas estabelecidos por uma sociedade masculina, patriarcal e colonizadora? Como essas mulheres fazem para conciliar suas tradi\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones com a cultura imposta pelos portugueses? Como elas lidam com a maternidade, com o casamento e com o lobolo? Poder\u00edamos afirmar que tais representa\u00e7\u00f5es apresentam tra\u00e7os ideol\u00f3gicos do <strong>Africana Womanism<\/strong>, de Hudson-Weems, que ressaltam as experi\u00eancias \u00fanicas de luta, de necessidades e dos desejos das mulheres africanas? Portanto, a pretens\u00e3o \u00e9 tentar responder as perguntas supracitadas, com o intuito de refletir, atrav\u00e9s desses romances, sobre as representa\u00e7\u00f5es das mulheres mo\u00e7ambicanas, nas quais constata-se, sobretudo, situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e de marginaliza\u00e7\u00e3o, assim como perceber como essas mulheres s\u00e3o descritas no seio da fam\u00edlia, na maternidade, na sociedade e no trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>21-ESPA\u00c7OS DE EXCE\u00c7\u00c3O NO ROMANCE <em>ENTRE AS MEM\u00d3RIAS SILENCIADAS<\/em>, DE UNGULANI BA KA KHOSA<\/strong><\/p>\n<p>Mariana Silva de Oliveira<\/p>\n<p>A narrativa do romance <em>Entre as mem\u00f3rias silenciadas<\/em> (2013), do escritor mo\u00e7ambicano Ungulani Ba Ka Khosa, \u00e9 ambientada no per\u00edodo ap\u00f3s a independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique (1975) e expressa uma perspectiva cr\u00edtica dist\u00f3pica com rela\u00e7\u00e3o aos esp\u00f3lios pol\u00edticos e sociais da guerra de liberta\u00e7\u00e3o. Parte da narrativa se desenvolve do ponto de vista de um interno do campo de reeduca\u00e7\u00e3o da remota Niassa, na regi\u00e3o norte de Mo\u00e7ambique, onde os personagens representantes dos \u201cinimigos da na\u00e7\u00e3o\u201d vivem encarcerados, exclu\u00eddos do corpo social, a fim de serem submetidos a um processo de dociliza\u00e7\u00e3o, para enfim retornarem \u00e0 sociedade. Neste espa\u00e7o, os personagens prisioneiros tecem uma narrativa polif\u00f4nica na qual a hist\u00f3ria da jovem na\u00e7\u00e3o \u00e9 revisitada por vozes tradicionalmente silenciadas pela historiografia oficial. O foco deste trabalho \u00e9 discorrer sobre a representa\u00e7\u00e3o ficcional dos espa\u00e7os de exce\u00e7\u00e3o no romance, utilizando como respaldo te\u00f3rico o conceito de estado de exce\u00e7\u00e3o desenvolvido pelo fil\u00f3sofo italiano Giorgio Agamben, a teoria foucaultiana da biopol\u00edtica e o conceito de necropol\u00edtica de Achille Mbembe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>22-EXU COMO CAMINHO: LYDIA CABRERA E EDISON CARNEIRO SOB A PERSPECTIVA EXUS\u00cdACA \u2014 APONTAMENTOS INICIAIS<\/strong><\/p>\n<p>Mariana Pereira da Fonseca Teixeira<\/p>\n<p>O presente texto busca analisar, de maneira inicial, a representa\u00e7\u00e3o de Exu nas obras de Lydia Cabrera e Edison Carneiro tentando perceber como se deu a reconstru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio africano nas terras brasileiras e cubanas. No entanto, nos propomos a pensar Exu para al\u00e9m de objeto, como uma esp\u00e9cie de metodologia e uma forma de percep\u00e7\u00e3o de mundo. Para tanto, ser\u00e1 \u00fatil inicialmente apresentar algumas mitologias recolhidas por Pierre Verger, Reginaldo Prandi e Roy Willis, com o objetivo de construir um arqu\u00e9tipo exus\u00edaco que nos possibilitar\u00e1 analisar a presen\u00e7a desse orix\u00e1 em suas obras e a olhar o fazer liter\u00e1rio\/etnogr\u00e1fico de Lydia Cabrera e Edison Carneiro. Em seguida, buscaremos apresentar como Exu aparece retratado em alguns escritos de Carneiro e Cabrera e iremos propor como um olhar exus\u00edaco pode ser frut\u00edfero para perceber o fazer narrativo de ambos os autores. Para tal tarefa, seguiremos a trilha aberta por Martins (2001) que prop\u00f5e pensar a encruzilhada como um lugar terceiro, operador de linguagens e discursos, geradora de sentidos plurais. Por fim, entre os livros utilizados como fontes temos: <em>A mata<\/em> (2012) e <em>Iemanj\u00e1 e Oxum<\/em> (2004), de Lydia Cabrera; e, <em>Religi\u00f5es Negras<\/em> (1991), <em>Negros Bantos<\/em> (1991), <em>Candombl\u00e9s da Bahia<\/em> (2008) e <em>Antologia do negro brasileiro<\/em> (2005), de Edison Carneiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>23-A RECONSTRU\u00c7\u00c3O MEMORIAL ESCRAVOCRATA ATRAV\u00c9S DAS VOZES FEMININAS PRESENTES EM <em>PLUIE ET VENT SUR T\u00c9LUM\u00c9E MIRACLE<\/em>, DE SIMONE SCHWARZ-BART<\/strong><\/p>\n<p>Marina Brito de Mello<\/p>\n<p>A an\u00e1lise presente neste trabalho consiste em discutir a reconstru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e das experi\u00eancias coletivas vivenciadas pela popula\u00e7\u00e3o antilhana. A partir do romance <em>Pluie et vent sur Telum\u00e9e Miracle<\/em>, traduzido no Brasil como <em>A ilha da chuva e do vento<\/em>, da romancista francesa Simone Schwarz-Bart, discutiremos o processo de escravid\u00e3o nas Antilhas francesas, mais precisamente na Guadalupe, bem como as consequ\u00eancias do processo escravista perpassadas entre as gera\u00e7\u00f5es. Observaremos como a autora concede aos esquecidos e marginalizados o direito de rememorar o passado tido como oficial e, atrav\u00e9s da voz de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es femininas \u2013 Reine Sans Nom, Victoire e Telum\u00e9e Miracle \u2013 ela nos coloca diante de uma narrativa que relata a forma\u00e7\u00e3o da identidade negra na era p\u00f3s-colonialismo, onde os personagens reconhecem a hist\u00f3ria de seus ancestrais. Obras como <em>M\u00e9moires des esclaves<\/em>, de \u00c9douard Glissant, <em>Peau noire, masques blancs<\/em>, de Frantz Fanon, ou <em>Seduzidos pela mem\u00f3ria<\/em>, de Andreas Huyssen, e textos te\u00f3ricos como o de Aim\u00e9 C\u00e9saire intitulado <em>Discurso sobre o colonialismo<\/em> e \u201cLa ligne de couleur\u201d, da soci\u00f3loga francesa Fran\u00e7oise Verg\u00e8s, nos permitir\u00e3o discutir e expor, ao longo de nosso estudo, a imagem dos negros nas escrituras de Simone Schwarz-Bart. A necessidade de nomear, identificar e reconhecer todos aqueles que fizeram parte da mem\u00f3ria escravocrata, ignorados muitas vezes pela hist\u00f3ria tida como oficial, ser\u00e1 representada na obra de Schwarz-Bart e nos mostrar\u00e1, a partir de vozes femininas, o dever memorial\u00edstico de relembrar o passado e a origem que cada sujeito traz consigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>24-ESCRITURAS DO CORPO FEMININO EM O ALEGRE CANTO DA PERDIZ<\/strong><\/p>\n<p>Mary Jane Hil\u00e1rio da Silva<\/p>\n<p>O processo de\u00a0subalterniza\u00e7\u00e3o dos povos negros em \u00c1frica pode ser entendido enquanto parte de um projeto de legitima\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o europeia nos territ\u00f3rios africanos. Considerados pela l\u00f3gica colonial euroc\u00eantrica como primitivos, selvagens e detentores de uma sexualidade anormal, os africanos foram colonizados com a justificativa de que careciam de ser retirados de uma suposta barb\u00e1rie na qual estariam inseridos, argumento este utilizado para mascarar o \u201ccar\u00e1ter usurpador da coloniza\u00e7\u00e3o\u201d. (MOUTINHO, 2000). As mulheres colonizadas, nesse contexto, eram postas numa posi\u00e7\u00e3o de inferioridade ainda maior, uma vez que, tendo suas imagens atreladas \u00e0 lascividade, pelo imagin\u00e1rio europeu, seus corpos eram objetificados e encarados como instrumentos de poder do colonizador e, consequentemente, se tornavam espa\u00e7os de viola\u00e7\u00f5es, domina\u00e7\u00f5es e abusos.\u00a0 \u00a0O romance\u00a0<em>O Alegre Canto da Perdiz<\/em>,\u00a0de Paulina Chiziane,\u00a0conduz o leitor \u00e0 trajet\u00f3ria de Maria das Dores, Delfina e Serafina, tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de mulheres da mesma fam\u00edlia que compartilham em suas hist\u00f3rias de vida, n\u00e3o s\u00f3 os la\u00e7os sangu\u00edneos, mas tamb\u00e9m uma gama de viol\u00eancias cometidas a seus corpos no per\u00edodo em que Mo\u00e7ambique era col\u00f4nia de Portugal.\u00a0Nesse sentido, o presente estudo prop\u00f5e investigar os campos de for\u00e7a que atuam nas imagens representativas da mulher mo\u00e7ambicana na narrativa de Chiziane de modo a refletir sobre as diferentes imagens depreendidas das personagens femininas, sobretudo na estrat\u00e9gia da autora em desconstruir imagem negativa da mulher africana por meio do resgate das ra\u00edzes ancestrais africanas ligadas \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do matriarcado. Para tais discuss\u00f5es e reflex\u00f5es utilizaremos como arcabou\u00e7o te\u00f3rico estudos de Maria Isabel Casimiro, Kabengele Munanga, Oy\u00e8w\u00fami Oy\u00e8ronk\u00e9 e Stuart Hall.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>25-ENTRE O M\u00cdTICO E O REAL: UMA LEITURA DA OBRA <em>NO FUNDO DO CANTO<\/em>, DE ODETE SEMEDO.<\/strong><\/p>\n<p>Michael de Assis Lourdes Weirich<\/p>\n<p>Este trabalho prop\u00f5e uma an\u00e1lise do livro <em>No fundo do canto <\/em>(2007), de Odete Semedo, observando como a constru\u00e7\u00e3o do universo po\u00e9tico criado por essa autora recupera a cultura local atrav\u00e9s do resgate das v\u00e1rias vertentes do discurso da mem\u00f3ria. Buscaremos compreender como os dados hist\u00f3ricos e os aspectos culturais dos diversos grupos \u00e9tnicos que comp\u00f5em Guin\u00e9-Bissau servem de fundamento para a constru\u00e7\u00e3o de todo um cen\u00e1rio po\u00e9tico de ru\u00ednas, real\u00e7ando como cada poema presente neste livro \u00e9 uma <em>hist\u00f3ria, <\/em>que embora revestidos esteticamente, expressam tens\u00f5es sociais e pol\u00edticas que envolvem este pequeno pa\u00eds do territ\u00f3rio africano. Para isso, nos apoiaremos na voz cr\u00edtica da estudiosa Moema Parente Augel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>26-TENS\u00d5ES SOCIAIS NA OBRA DE LIMA BARRETO: O INTELECTUAL \u00c0 MARGEM<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Henrique Cardoso de Medeiros Barros<\/p>\n<p>Afonso Henriques de Lima Barreto ou Lima Barreto, \u00e9 filho de mesti\u00e7os e cresce em meio a importantes eventos da constitui\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria do Brasil. Sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria denuncia os processos da Rep\u00fablica velha, o jornalismo da \u00e9poca, o nacionalismo tomado como bandeira e a quest\u00e3o do mesti\u00e7o em uma sociedade onde o intelectual, por melhores que sejam suas ideias e projetos, n\u00e3o conseguindo espa\u00e7o no jogo pol\u00edtico dos apadrinhamentos, n\u00e3o lograr\u00e1 \u00eaxito em sua carreira, como representado no primeiro romance de Lima, <em>Recorda\u00e7\u00f5es do Escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha. <\/em>Lima Barreto \u00e9 um autor essencial para os nossos momentos atuais, onde repensamos crit\u00e9rios de democracia, de cidadania e o modelo problem\u00e1tico de rep\u00fablica que se constituiu desde a primeira Rep\u00fablica. A reflex\u00e3o para a escolha de Lima como objeto de estudo foi inspirada por uma passagem do livro <em>Um mulato no reino de Jambom<\/em>, de Maria Zilda Ferreira Cury, onde a autora afirma, em outras palavras, que escolher Lima Barreto \u00e9 escolher uma tomada de posi\u00e7\u00e3o. Grande parte da fortuna cr\u00edtica associa o car\u00e1ter biogr\u00e1fico, a raiva de mulato ofendido, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o Limiana: se faz necess\u00e1rio ampliar a discuss\u00e3o acerca do autor e entender a complexidade que n\u00e3o se limita apenas a um argumento. Superar a discuss\u00e3o racial em sua obra, e enxergar a multiplicidade de personagens e narrativas, o pensador, por vezes contradit\u00f3rio, mas de uma pluralidade de temas ignorados por parte da grande cr\u00edtica tradicional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>27-INVESTIGANDO A ANCESTRALIDADE: UMA AN\u00c1LISE DE <em>O CRIME DO CAIS DO VALONGO<\/em>, DE ELIANA ALVES CRUZ<\/strong><\/p>\n<p>Raquel Souza de Morais<\/p>\n<p>A literatura detetivesca brasileira contempor\u00e2nea conta com um bom n\u00famero de escritoras mulheres, embora a maior parte ainda n\u00e3o tenham alcan\u00e7ado o grande p\u00fablico ou n\u00e3o sejam (re)conhecidas por essa produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m daquelas que se dedicam exclusivamente \u00e0 tem\u00e1tica do crime e da investiga\u00e7\u00e3o, h\u00e1 autoras que n\u00e3o se encaixam no r\u00f3tulo de \u201cescritores policiais\u201d, mas que se apropriam, em certas obras, de elementos da fic\u00e7\u00e3o investigativa. O presente trabalho visa apresentar uma reflex\u00e3o acerca dessa apropria\u00e7\u00e3o em <em>O crime do Cais do Valongo<\/em>, denominado pela pr\u00f3pria autora como romance hist\u00f3rico \u2013 policial. Eliana Alves Cruz tem dois romances publicados pela editora Mal\u00ea e apresenta a quest\u00e3o da di\u00e1spora africana como maior marca de sua literatura. O romance em an\u00e1lise \u00e9 ambientado no s\u00e9culo XIX, na regi\u00e3o do Cais do Valongo \u2013 porta de entrada de milhares de escravizados no Brasil e, apesar de partir do assassinato de um dos personagens, ao longo da investiga\u00e7\u00e3o os relatos sobre o crime e testemunhos v\u00e3o se afastando da objetividade vista nas cl\u00e1ssicas hist\u00f3rias de detetive. Atrav\u00e9s dessa e de outras estrat\u00e9gias discutidas neste trabalho, a autora mescla os elementos detetivescos a relatos hist\u00f3ricos e memorial\u00edsticos. Dessa forma, defende-se a ideia de que aquilo que se pretende investigar no livro \u00e9 a ancestralidade, a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria dos africanos escravizados. E que, apesar de partir de um assassinato, o maior crime cometido \u00e9 o socio-hist\u00f3rico, a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>28-PARA NARRAR A GUERRA: TERRA SON\u00c2MBULA E O ESPLENDOR DE PORTUGAL<\/strong><\/p>\n<p>Sui\u00e1 Dylan Cavalcante Ferreira<\/p>\n<p>Este trabalho analisa de que forma o tema da guerra civil na \u00c1frica \u00e9 representado em <em>O esplendor de Portugal<\/em> (1999) e <em>Terra Son\u00e2mbula<\/em> (1995) de autoria de Ant\u00f3nio Lobo Antunes e Mia Couto, respectivamente. A pesquisa se concentra na representa\u00e7\u00e3o da guerra no romance contempor\u00e2neo de l\u00edngua portuguesa no per\u00edodo p\u00f3s-colonial com \u00eanfase nos recursos narrativos a partir de uma perspectiva da literatura comparada e de uma an\u00e1lise p\u00f3s-colonial dentro de um contexto pol\u00edtico-social. O estudo se debru\u00e7a, principalmente, sobre as quest\u00f5es da viol\u00eancia, narra\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e rela\u00e7\u00f5es familiares, e como esses aspectos refletem as pol\u00edticas externas e internas de Angola e Mo\u00e7ambique no per\u00edodo p\u00f3s-independ\u00eancia e dos conflitos armados. Para o desenvolvimento da pesquisa foram consultados autores que abordam a quest\u00e3o da viol\u00eancia de maneira ampla, da viol\u00eancia na narrativa e, tamb\u00e9m, pesquisadores das obras de Lobo Antunes, Mia Couto, das literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa e da teoria p\u00f3s-colonial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>29-UMA AN\u00c1LISE DE O MITO DA BELEZA (1992), DE NAOMI WOLF, EM LUC\u00cdOLA (1862) E RUB\u00cd (2004)<\/strong><\/p>\n<p>Thais Maria Holanda Jerke Sevilla Palomares<\/p>\n<p>Nas obras que abordarei, o romance de Jos\u00e9 de Alencar <em>Luc\u00edola<\/em> (1862) e a telenovela mexicana <em>Rub\u00ed<\/em> (2004), h\u00e1 uma relev\u00e2ncia enorme da beleza como caracter\u00edstica feminina que eleva o valor das personagens, chegando a ser considerado um fator extremamente importante da identidade dessas mulheres. Para entendermos melhor a rela\u00e7\u00e3o das protagonistas com a vaidade e sua necessidade de pertencimento a um padr\u00e3o est\u00e9tico, analisaremos as obras a partir da leitura de <em>O mito da beleza <\/em>(1992)<em>,<\/em> de Naomi Wolf. A autora explica como a beleza \u00e9 utilizada pela sociedade, atrav\u00e9s dos meios publicit\u00e1rios e da cultura de massas, para reprimir as mulheres, mantendo-as ocupadas e ao mesmo tempo sentindo-se inferiores, fazendo assim com que n\u00e3o tenham tempo nem energia para reivindicar mudan\u00e7as que afetariam o dom\u00ednio social masculino. Wolf explica a fun\u00e7\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o da beleza em nossa sociedade, que muitas vezes se torna uma obsess\u00e3o e uma limita\u00e7\u00e3o para muitas mulheres. Segundo ela, essa fixa\u00e7\u00e3o pela beleza faz com que elas sofram consequ\u00eancias bastante prejudiciais, como dist\u00farbios alimentares, aumento dos \u00edndices de cirurgias pl\u00e1sticas e pavor por envelhecer, pela necessidade de se encaixarem em modelos idealizados, inclusive pela ind\u00fastria pornogr\u00e1fica. Todos esses fatores negativos muitas vezes terminam sendo mais importantes que conquistas positivas nos \u00e2mbitos profissional e legal, por exemplo, o que termina impedindo o alcance da t\u00e3o desejada igualdade entre os sexos. Assim, a obra de Wolf apoiar\u00e1 de forma relevante a an\u00e1lise das personagens estudadas e de muitos dos conflitos envolvidos em suas narrativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>30-O MOVIMENTO DIASP\u00d3RICO PORTO-RIQUENHO NA CR\u00d4NICA &#8220;LA GUAGUA A\u00c9REA&#8221;, DE LUIS RAFAEL S\u00c1NCHEZ<\/strong><\/p>\n<p>Warllachana Mois\u00e9s da Silva<\/p>\n<p><em>La guagua a\u00e9rea,<\/em> do escritor, dramaturgo e cronista porto-riquenho Luis Rafael S\u00e1nchez, \u00e9 uma das produ\u00e7\u00f5es consideradas fundacionais sobre o tema da migra\u00e7\u00e3o caribenha (MART\u00cdNEZ-SAN MIGUEL, 2015). A obra, met\u00e1fora da viagem, convida o leitor, com a \u201cTarjeta de embarque\u201d (cart\u00e3o de embarque), a conhecer o complexo mundo porto-riquenho. Literatura atenta ao marco hist\u00f3rico de Porto Rico, no qual a tomada da Ilha, em 1898, pelos Estados Unidos e a instaura\u00e7\u00e3o do Estado Livre Associados aos Estados Unidos, em 1952, geraram graves consequ\u00eancias tanto para o sistema econ\u00f4mico quanto para a cultura, e tiveram, em particular, um efeito persistente: a emigra\u00e7\u00e3o constante de porto-riquenhos para os EUA. Estabelecendo um \u201cdi\u00e1logo cr\u00edtico\u201d com esse marco hist\u00f3rico e suas consequ\u00eancias, Luis Rafael S\u00e1nchez (2013), aborda no seu fazer liter\u00e1rio tem\u00e1ticas relacionadas a essas tens\u00f5es. Neste trabalho, a di\u00e1spora porto-riquenha ser\u00e1, pois, o ponto de partida para observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise do texto selecionado. Na cr\u00f4nica \u201cLa guagua a\u00e9rea\u201d (texto que leva o mesmo t\u00edtulo da colet\u00e2nea), o autor faz uma esp\u00e9cie de <em>croquis <\/em>(TINEO, 2010) de personagens que participam do movimento diasp\u00f3rico porto-riquenho aos Estados Unidos, apresentando-nos as expectativas e os temores do deslocamento. A partir do di\u00e1logo dessa cr\u00f4nica com o texto mais conhecido da mem\u00f3ria diasp\u00f3rica porto-riquenha, as <em>Memorias de Bernardo Vega <\/em>(VEGA, 2002), e com apoio de estudos te\u00f3rico-cr\u00edticos (FERN\u00c1NDEZ-APONTE, 1992; QUINTERO-RIVERA, 1992; ANDERSON, 1998), proporemos uma reflex\u00e3o sobre alguns efeitos da instaura\u00e7\u00e3o do sistema neocolonial bem como sobre as fraturas promovidas pela emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Esta obra apresenta uma vasta riqueza de pontos de vista, gra\u00e7as \u00e0 pluralidade de pesquisas e inquieta\u00e7\u00f5es, que compartilhadas geram o congresso de perguntas, obras, geografias, subjetividades&#8230; Ousaria ainda dizer que, \u00e0 maneira do que prop\u00f5e um dos autores desta publica\u00e7\u00e3o, est\u00e3o aqui configuradas formas de \u201ctestar os limites do represent\u00e1vel e do humano\u201d.&#8221;<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em>Claudete Daflon <\/em><\/p>\n<p>Professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense<\/p>\n<p>Baixe o eBook agora, inteiramente <strong>GR\u00c1TIS<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":6546,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[4081,4828],"product_tag":[160,2151,184,192,122,189,186,5080,4117,156,188,157,187,182,190,183,185,191,163,493],"class_list":{"0":"post-6545","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-estudosliterarios","7":"product_cat-livrosgratis","8":"product_tag-andre-dias","9":"product_tag-capes","10":"product_tag-claudete-daflon","11":"product_tag-critica-literaria","12":"product_tag-ebook","13":"product_tag-empoderamento","14":"product_tag-feminismo","15":"product_tag-formacao-antirracista","16":"product_tag-gratis","17":"product_tag-literatura","18":"product_tag-literatura-africana","19":"product_tag-literatura-brasileira","20":"product_tag-literatura-brasileira-contemporanea","21":"product_tag-literatura-em-movimento","22":"product_tag-literatura-portuguesa","23":"product_tag-pesquisa-e-investigacao","24":"product_tag-renata-flavia-da-silva","25":"product_tag-teatro","26":"product_tag-uff","27":"product_tag-uff-universidade-federal-fluminense","29":"first","30":"instock","31":"downloadable","32":"virtual","33":"taxable","34":"purchasable","35":"product-type-simple"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product\/6545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=6545"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=6545"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=6545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}