{"id":13791,"date":"2019-12-24T03:00:55","date_gmt":"2019-12-24T03:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?post_type=product&#038;p=13791"},"modified":"2025-09-15T13:41:38","modified_gmt":"2025-09-15T13:41:38","slug":"ppg-uff-literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-3-epub-e-pdf","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ppg-uff-literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-3-epub-e-pdf\/","title":{"rendered":"PPG-UFF \/ CAPES &#8211; Literatura em Movimento: Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o 3"},"content":{"rendered":"<h4>Esta obra \u00e9 composta por trinta e dois cap\u00edtulos que re\u00fanem trabalhos com abordagens e linhas te\u00f3ricas afins.<\/h4>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1-<em>A ROSA DO POVO<\/em> OU A ROSA DE CARLOS: UMA PO\u00c9TICA DE COMUNH\u00c3O E RECLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Ana Carolina Botelho<\/p>\n<p>O presente artigo visa discutir como Carlos Drummond de Andrade, em <em>A rosa do povo<\/em> \u2013 livro que traz poemas elaborados em uma fase mais madura do escritor modernista \u2013, resiste \u00e0 perman\u00eancia em uma s\u00f3 dic\u00e7\u00e3o, construindo uma po\u00e9tica nessa obra que ora se destina \u00e0 coletividade, ora se volta para o pr\u00f3prio poeta. Por isso, ser\u00e3o analisados poemas que trazem um discurso de comunh\u00e3o alicer\u00e7ado nas ideologias sociopol\u00edticas de Drummond na d\u00e9cada de 1940, como tamb\u00e9m composi\u00e7\u00f5es que exploram \u00fanica e exclusivamente uma atitude de reclus\u00e3o do escritor, que, al\u00e9m de evocarem figuras como Itabira e o passado familiar do poeta, tamb\u00e9m se contrap\u00f5em ao canto geral de coletividade, criando um aparente paradoxo. A fim de fundamentar a discuss\u00e3o, recuperaremos o brilhante estudo a respeito de poesia e resist\u00eancia de Alfredo Bosi (2000) e a an\u00e1lise dos tensionamentos existentes em <em>A rosa do povo<\/em> feita por Antonio Carlos Secchin (2014).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2-AUTOFIC\u00c7\u00c3O E PEFORMANCE: A EXPANSIVIDADE DO CAMPO LITER\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n<p>Anderson Guerreiro<\/p>\n<p>A partir do conceito de literatura expandida, fen\u00f4meno que pode ser compreendido como o fato das narrativas contempor\u00e2neas, assim como seus escritores, n\u00e3o se limitarem a transitarem t\u00e3o somente nos seus meios e suportes, ou seja, n\u00e3o se enquadrarem numa literatura puramente liter\u00e1ria em que procedimentos, meios e condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o obedecem unicamente a esse campo, entendemos que os textos autofict\u00edcios abrem diversos questionamentos sobre o estatuto da fic\u00e7\u00e3o, sobre a configura\u00e7\u00e3o da figura do autor e as delimita\u00e7\u00f5es do campo liter\u00e1rio, essas narrativas tamb\u00e9m possibilitam novas formas contempor\u00e2neas da escrita e da literatura. Nesse sentido, a articula\u00e7\u00e3o entre performance e escrita e as nuances da autofic\u00e7\u00e3o ao embolar fic\u00e7\u00e3o e realidade s\u00e3o quest\u00f5es que gostar\u00edamos de explorar a fim de ilustrar um caso t\u00edpico que pode ser compreendido como essa expansividade do campo da literatura contempor\u00e2nea latinoamericana. A escrita perform\u00e1tica da autofic\u00e7\u00e3o causa um efeito sobre o texto que impossibilita a leitura com base nas categorias de g\u00eaneros definidas pelo campo da literatura, tampouco o comportamento do autor se iguala ao de sua categoria na literatura aut\u00f4noma. Portanto, consideramos que este tipo de escritas, atentando seus efeitos no texto e no leitor e o panorama liter\u00e1rio contempor\u00e2neo explorado pela cr\u00edtica, contribui para que haja uma expansividade do campo liter\u00e1rio e consequentemente um n\u00e3o pertencimento exclusivo a esse campo, tornando uma literatura, cada vez mais, \u201cfora de si\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3-TEMPO E MEM\u00d3RIA NO MUSEU DE CABRAL<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9 Fran\u00e7a Rocha Borba<\/p>\n<p><em>Museu de Tudo<\/em>, livro de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto publicado em 1975, apresenta uma contradi\u00e7\u00e3o logo no t\u00edtulo. H\u00e1 um paradoxo entre a seletividade esperada de um museu e a variedade tem\u00e1tica apresentada nos poemas. Dentre os assuntos, \u00e9 poss\u00edvel perceber que h\u00e1 uma forte presen\u00e7a da mem\u00f3ria e considera\u00e7\u00f5es sobre o tempo. Para Senna (1980), a mem\u00f3ria permeia a obra cabralina e se adensa gradativamente. O s\u00e9culo XX, justamente, \u00e9 marcado pela emerg\u00eancia da mem\u00f3ria como uma preocupa\u00e7\u00e3o constante na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e liter\u00e1ria. Assim, nos interessa revisitar a po\u00e9tica de Jo\u00e3o Cabral a partir do novo f\u00f4lego proporcionado pela contemporaneidade e investigar como tempo e mem\u00f3ria se fabricam em <em>Museu de Tudo<\/em> n\u00e3o apenas como temas, mas como for\u00e7as que atravessam o livro. Mais do que uma an\u00e1lise tem\u00e1tica, procuraremos discernir como o autor mobiliza a mem\u00f3ria como uma for\u00e7a constituinte da sua escrita. Trata-se de um movimento de reconhecer a mem\u00f3ria n\u00e3o por um vi\u00e9s sociol\u00f3gico, mas, antes, estabelecer como a recorda\u00e7\u00e3o &#8211; no sentido de Assmann (2011) &#8211; se fabrica entre poeta e obra. Se Jo\u00e3o Cabral era publicamente conhecido por sua racionalidade e cuidado formal, percebemos que na obra em quest\u00e3o emergem pot\u00eancias outras para configurar o po\u00e9tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4-FOTO-GRAFIA: CAPTURAR IMAGENS PELAS PALAVRAS<\/strong><\/p>\n<p>Brendo Vasconcellos de Faria<\/p>\n<p>Este trabalho visa a refletir, no contexto da obra po\u00e9tica de Lu\u00eds Quintais, poeta portugu\u00eas contempor\u00e2neo portugu\u00eas, a constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade l\u00edrica em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o urbano e \u00e0 sua antropologia. \u00c0 vista disso, examino a t\u00e9cnica de observa\u00e7\u00e3o l\u00edrica estabelecida pelo poeta cujo processo muito se assemelha \u00e0 t\u00e9cnica fotogr\u00e1fica, por meio da qual ocorre a focaliza\u00e7\u00e3o de um determinado aspecto da composi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica em fun\u00e7\u00e3o do enquadramento escolhido. Associando duas textualidades que concernem \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica desse autor: a sua poesia e a sua fotografia, observo que Quintais provoca a contempla\u00e7\u00e3o minuciosa de espa\u00e7os que s\u00e3o marcados por elementos de tens\u00e3o os quais levam \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia e das ru\u00ednas. Por fim, como base para a abordagem te\u00f3rico-cr\u00edtica, vale-se dos estudos de Didi-Huberman, sobre imagem e percep\u00e7\u00e3o; de Roland Barthes, sobre o signo fotogr\u00e1fico e de Sotang, sobre as rela\u00e7\u00f5es entre fotografia, individualidade e mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5-ENTRE ESCRITAS DE SI E DO OUTRO EM LLANSOL: LEITURA DE \u201cUMA DATA EM CADA M\u00c3O \u2013 LIVRO DE HORAS I\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Claudia Regina do Nascimento<\/p>\n<p>O presente trabalho dialoga com alguns conceitos discutidos na disciplina Po\u00e9ticas da Modernidade, no Programa de Mestrado e Doutorado em Literatura Comparada, nesta Universidade. O curso intitulado \u201cOs limites do liter\u00e1rio entre a narrativa e o di\u00e1rio\u201d, que, deparando-se com situa\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes que rompem os paradigmas destes g\u00eaneros da prosa \u2013 no caso, o romance \u2013 e as formas confessionais, e, retomando as concep\u00e7\u00f5es de narrativa (escrita do outro) e di\u00e1rio (escrita de si), tamb\u00e9m impulsiona a continuidade dos estudos nele abordados. Nesse sentido, inicialmente, apresenta-se, aqui, a leitura de \u201cUma data em cada m\u00e3o \u2013 Livro de horas I\u201d (2009), num movimento empreendido em torno da hip\u00f3tese de que o mapeamento da \u201ccontamina\u00e7\u00e3o genol\u00f3gica\u201d llansoliana (BARRENTO, 2003) presente, tamb\u00e9m, nos textos selecionados para compor este \u201cprimeiro caderno\u201d, pode indicar caminhos para a busca de infer\u00eancias sobre a oficina de escrita de Llansol, como \u201cpr\u00e1tica de um g\u00eanero indeciso\u201d, e sua rela\u00e7\u00e3o no tratamento dado ao cotidiano como elemento inerente aos textos diar\u00edsticos da autora. Com base nos principais interlocutores te\u00f3ricos: ANTELO (2008), BLANCHOT (2005) e FOUCAULT (2009), e a partir de uma metodologia que prev\u00ea os modos de pesquisa em Literatura Comparada, esta proposta busca investigar o que as entradas de \u201cUma data em cada m\u00e3o \u2013 Livro de horas I\u201d, de Maria Gabriela Llansol podem sublinhar sobre a representa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da escrita de si nessa obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6-A FEROCIDADE QUE HABITA O HOMEM: A AUTENTICIDADE RELACIONADA COM A MANIFESTA\u00c7\u00c3O LITER\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p>Esther Zanelli Miranda<\/p>\n<p>Em seu ensaio <em>Genealogia da ferocidade (2017)<\/em>, Silviano Santiago traz \u00e0 discuss\u00e3o a quest\u00e3o da ferocidade em \u00e2mbito liter\u00e1rio (principalmente a partir da obra <em>Grande sert\u00e3o: veredas<\/em>, de Guimar\u00e3es Rosa) como um espelho para a ferocidade humana. A ferocidade encontrada nos livros (e nas obras art\u00edsticas) seria demonstra\u00e7\u00e3o de autenticidade, construto que quando observado nessas obras provoca diversas rea\u00e7\u00f5es (muitas vezes negativas), pois se relaciona a quest\u00f5es como coragem e ousadia de se mostrar em um ambiente ou situa\u00e7\u00e3o (ou meio art\u00edstico) diverso do apresentado na obra. Ferocidade e autenticidade podem ser encontradas nessas obras porque em primeiro lugar podem ser encontradas na realidade humana, e s\u00e3o consideradas selvagens porque se contrastam com o que \u00e9 domesticado ou esperado. Domestica\u00e7\u00e3o e ferocidade s\u00e3o dois aspectos trabalhados por Santiago em v\u00e1rios \u00e2mbitos, e sugerem que o desenvolvimento do homem est\u00e1 muitas vezes no contraste entre essas facetas. A partir dessas considera\u00e7\u00f5es este artigo aborda a ferocidade e a autenticidade desde a perspectiva socioemocional, a partir dos trabalhos de Abed (2016), Sanchez e Ledesma (2007) e Wood et al. (2008), na qual o olhar para o conhecimento de si permite reconhecer estes movimentos (de ferocidade e autenticidade) dentro do homem. Perguntamo-nos se podem ser associadas aos \u201ccinco grandes fatores\u201d da personalidade (conhecidos tamb\u00e9m como Big five).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7-GUY DE MAUPASSANT<\/strong>: <strong>O SIL\u00caNCIO FANT\u00c1STICO\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Fabiane Alves Martins<\/p>\n<p>A literatura fant\u00e1stica, em seu cerne, significa a falta. Ela vive da aus\u00eancia, do n\u00e3o dito, da d\u00favida. Por\u00e9m, as lacunas deixadas pelo g\u00eanero n\u00e3o constituem um conjunto de elementos aleat\u00f3rios, mas, por outro lado, interligados entre si, em suas mais diferentes formas. Este trabalho pretende, assim, discutir as diferentes formas nas quais o fant\u00e1stico se apresenta no obra deixada por Guy de Maupassant, a partir de duas obras escolhidas para a an\u00e1lise, sendo estas <em>O Horla<\/em> e <em>A pequena Roque<\/em>. O escritor, situado na segunda metade do s\u00e9culo XIX, revela com o n\u00e3o-dito uma marca da ruptura do sujeito com o mundo, em uma busca da verdade absoluta que nunca chega, uma vez que o g\u00eanero se cala diante da impossibilidade de uma s\u00f3 verdade. O sil\u00eancio fant\u00e1stico \u00e9, pois, constitu\u00eddo de raz\u00e3o, na qual as frustra\u00e7\u00f5es de seu leitor contribuem significativamente para a constru\u00e7\u00e3o do efeito de d\u00favida do g\u00eanero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\ud83d\ude2f PASSADO COMO EXPERI\u00caNCIA COMUM EM PATR\u00cdCIO PRON, DIAMELA ELTIT E LUIZ RUFFATO\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Gabriel Fernandes de Miranda<\/p>\n<p>No presente artigo busquei estabelecer alguns apontamentos de compara\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas romances contempor\u00e2neos do Cone Sul que lidam com o passado ditatorial dessa por\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. Atrav\u00e9s de um suporte te\u00f3rico advindo da filosofia contempor\u00e2nea, com conceitos de comum, imunidade, e biopol\u00edtica, pretendo ler os romances como formas de figurar o passado como experi\u00eancia compartilhada, distante tanto do paradigma p\u00fablico (de propriedade do Estado) quanto da propriedade privada ou familiar. Acredito que, por jogos ficcionais e narrativos, Patricio Pron em O Esp\u00edrito dos Meus Pais Continua a Subir na Chuva e Luiz Ruffato em De Mim J\u00e1 Nem Se Lembra exercitam uma esp\u00e9cie de revis\u00e3o do passado, colocando em tens\u00e3o a liga\u00e7\u00e3o familiar ao aparato repressivo do Estado e o alcance desse mesmo aparato para todos os indiv\u00edduos sob o regime. Por meio de uma apari\u00e7\u00e3o tangencial do passado que ambos constroem um processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o da propriedade do passado para jog\u00e1-lo no campo indeterminado do comum e da pol\u00edtica. Diamela Eltit opera uma ficcionaliza\u00e7\u00e3o distinta do passado em seu romance Jamais o Fogo Nunca, colocando em pauta temas da intimidade, da afetividade e da \u00e9tica militante na figura\u00e7\u00e3o de um casal que \u00e9 levado \u00e0 extrema dissolu\u00e7\u00e3o de seus corpos pela biopol\u00edtica repressiva da ditadura chilena. Pretendo pensar, portanto, em articula\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre essas obras contempor\u00e2neas e suas figura\u00e7\u00f5es do passado traum\u00e1tico dos regimes de exce\u00e7\u00e3o instaurados em Argentina, Brasil e Chile e suas contribui\u00e7\u00f5es para o entendimento da contemporaneidade latino-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>9-PARA UM ESTUDO DAS FARPAS DE E\u00c7A DE QUEIR\u00d3S SOB A PERSPECTIVA DA CR\u00cdTICA TEXTUAL MODERNA<\/strong><\/p>\n<p>Gisele de Carvalho Lacerda<\/p>\n<p>Pesquisa para a tese de Doutorado sobre As Farpas de E\u00e7a de Queir\u00f3s contemplando a g\u00eanese, transmiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da obra nos s\u00e9culos XIX e XXI. Resgate da primeira fase queirosiana, demonstra\u00e7\u00e3o de seu estilo liter\u00e1rio. `Para uma melhor compreens\u00e3o da hist\u00f3ria de Portugal em di\u00e1logo com a atualidade nacional. Edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtico gen\u00e9tica das Farpas em di\u00e1logo com Uma Campanha Alegre. Resgate e estudo da Gera\u00e7\u00e3o de 70, sua import\u00e2ncia no contexto das Farpas. Estudo da constru\u00e7\u00e3o da narrativa queirosiana partindo dos peri\u00f3dicos. Compreens\u00e3o do contexto hist\u00f3rico das Farpas e seu cunho revolucion\u00e1rio para explicar o contexto pol\u00edtico nacional. Contribui\u00e7\u00e3o para a distribui\u00e7\u00e3o e conhecimento do material das Farpas e de Uma Campanha Alegre no meio acad\u00eamico, bem como sua import\u00e2ncia para o estudo do legado de E\u00e7a de Queir\u00f3s, al\u00e9m de seus romances conhecidos e contos.\u00a0 Estudo dos textos que ajudaram a solidificar o estilo queirosiano, respons\u00e1vel por um novo modo de escrever o jornalismo em Portugal. Regresso do estudo e pesquisa de autores do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>10-UMA AN\u00c1LISE DO ROMANCE <em>DESAMPARO <\/em>DE IN\u00caS PEDROSA<\/strong><\/p>\n<p>Giselle Moraes Hache<\/p>\n<p>Este artigo tem por objetivo construir uma an\u00e1lise do romance portugu\u00eas contempor\u00e2neo <em>Desamparo, <\/em>da escritora In\u00eas Pedrosa, publicado no Brasil em 2016 pela Editora Leya. A obra possui uma narrativa plural constru\u00edda atrav\u00e9s de quatro vozes que se alternam ao longo dos trinta e cinco cap\u00edtulos do romance. Pedrosa oferece ao p\u00fablico uma obra que tra\u00e7a um panorama da sociedade portuguesa entre os s\u00e9culos XX e XXI e versa sobre m\u00faltiplos temas como o desamparo, a solid\u00e3o, a culpa, a ang\u00fastia, a velhice, o abandono familiar e a viol\u00eancia contra a mulher. Consideraremos alguns t\u00f3picos importantes de reflex\u00e3o, como a altern\u00e2ncia dos narradores, a descontinuidade temporal, o resgate da mem\u00f3ria, os espa\u00e7os que se cruzam (Brasil-Portugal) e a presen\u00e7a do campo como <em>locus <\/em>de representa\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica que assolou Portugal entre os anos de 2010 e 2014. Tamb\u00e9m buscaremos analisar a dimens\u00e3o ps\u00edquica do desamparo, assim como compreender como e porqu\u00ea ele se apresenta nas diferentes vozes que comp\u00f5em a narrativa. Nos interrogaremos: como essas figuras comportam-se frente ao desamparo e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de incompletude que assolam a sociedade contempor\u00e2nea? Como referencial te\u00f3rico utilizaremos os estudos de Pierre Bourdieu, Simone de Beauvoir e outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>11-AD\u00cdLIA LOPES E ANG\u00c9LICA FREITAS: POETISAS EM DI\u00c1LOGO<\/strong><\/p>\n<p>Karine Ferreira Maciel<\/p>\n<p>A partir do in\u00edcio dos anos 2000, a poetisa portuguesa Ad\u00edlia Lopes ocupa um lugar de destaque na cena po\u00e9tica contempor\u00e2nea no Brasil, seja a partir da <em>Antologia<\/em> publicada em 2002 pela editora paulista Cosac &amp; Naify e pela carioca 7Letras, seja pela aten\u00e7\u00e3o que recebe na edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Inimigo Rumor<\/em> n\u00b010, de 2001, que lhe dedica nada menos que a publica\u00e7\u00e3o integral do livro <em>O poeta de Pondich\u00e9ry<\/em> (1986), uma entrevista e dois ensaios cr\u00edticos. Al\u00e9m disso, a autora e os seus textos aparecem em poemas de muitos poetas brasileiros contempor\u00e2neos: Mar\u00edlia Garcia, Alice Sant\u2019Anna, Ana Martins Marques, Lucas Viriato, Carlito Azevedo, entre outros. Diante deste cen\u00e1rio receptivo da autora portuguesa no Brasil, este trabalho buscar estabelecer um di\u00e1logo entre a obra po\u00e9tica de Ad\u00edlia Lopes e a poesia da brasileira Ang\u00e9lica Freitas, que embora n\u00e3o cite ou fa\u00e7a men\u00e7\u00e3o \u00e0 autora portuguesa, muito se assemelha a ela no desenvolvimento de determinadas tem\u00e1ticas e na dic\u00e7\u00e3o, elementos que explicitaremos no texto. Como aparato te\u00f3rico, apoiamo-nos, sobretudo, nas teorias de est\u00e9tica da recep\u00e7\u00e3o de Hans Robert Jauss.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>12-WORLD LITERATURE HOJE: POR UM DI\u00c1LOGO TRANSNACIONAL ENTRE CULTURAS<\/strong><\/p>\n<p>Larissa Moreira Fidalgo<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que abordaremos trata-se, sobretudo, de um posicionamento sobre o que significa fazer um estudo comparado num cen\u00e1rio marcado pela reemerg\u00eancia da world literature. Uma vez que a perda do centro est\u00e1vel, para trazermos \u00e0 baila o conceito derridiano, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o inerente aos trabalhos da world literature, veremos que o debate n\u00e3o \u00e9 bem sobre o que devemos fazer, mas sobre como podemos estabelecer uma vis\u00e3o verdadeiramente global e cosmopolita capaz de integrar diferentes perspectivas liter\u00e1rias e culturais. Acreditamos que a world literature deve corresponder a um ethos de acolhida da alteridade, uma negocia\u00e7\u00e3o entre o familiar e o estrangeiro, no sentido em que Jacques Derrida (2003) usa a ideia de hospitalidade para falar sobre o reconhecimento do Outro dentro de uma rela\u00e7\u00e3o interativa e transversal constitu\u00edda por diferentes possibilidades de trocas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>13-SINTOMAS DE UMA CRISE: O CORPO COMO UM LUGAR DIST\u00d3PICO EM O C\u00c9U DOS SUICIDAS<\/strong><\/p>\n<p>Luisa de Almeida L\u00edrio Pinto<\/p>\n<p>Tratarei do romance<em> O c\u00e9u dos suicidas<\/em>, de Ricardo L\u00edsias, evidenciando os corpos com depress\u00e3o, ou manifesta\u00e7\u00f5es depressivas, como o lugar dist\u00f3pico. L\u00edsias \u00e9 um autor paulistano com muitas narrativas ficcionais publicadas e, a partir da morte do seu amigo suas obras mudam. O autor come\u00e7a a jogar com os limites do real e do ficcional, e adquire um tom confessional, mostrando os bastidores da pr\u00f3pria escrita, como \u00e9 o caso da obra escolhida. Meu objetivo \u00e9 pensar a quest\u00e3o da felicidade a partir de <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> de Freud e\u00a0 a dificuldade de pertencimento a partir de Sloterdijk, <em>No mesmo barco<\/em>. E tamb\u00e9m proponho evidenciar a problem\u00e1tica da doen\u00e7a mental e a rea\u00e7\u00e3o da sociedade diante dela, com dois livros da Maria Rita Kehl: <em>Tortura e sintoma social<\/em> e <em>O tempo e o C\u00e3o: A atualidade das depress\u00f5es<\/em>. Assim acredito ser poss\u00edvel pensar o pr\u00f3prio corpo como lugar dist\u00f3pico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>14-O RISCO DA PASSAGEM: A M\u00cdSTICA FEMININA EM <em>GEOGRAFIA DE REBELDES<\/em>, DE MARIA GABRIELA LLANSOL<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00edsa Nunes Galv\u00e3o Caron de Oliveira<\/p>\n<p>Este estudo pretende esbo\u00e7ar algumas aproxima\u00e7\u00f5es entre a trilogia <em>Geografia de Rebeldes<\/em>, de Maria Gabriela Llansol, e a escrita de mulheres m\u00edsticas e beguinas que, no decorrer dos s\u00e9culos XII ao XIV, ousaram professar a f\u00e9 crist\u00e3 a sua maneira. Entre elas destacam-se Hadewijch e Margarida Porete, duas importantes escritoras m\u00edsticas que aparecem como \u201cfiguras\u201d nos dois \u00faltimos livros da trilogia. A express\u00e3o \u201co risco da passagem\u201d, utilizada por Llansol em uma reflex\u00e3o acerca de sua escrita, ser\u00e1 desdobrada nesse texto em tr\u00eas acep\u00e7\u00f5es distintas, mas igualmente transgressoras, que dizem respeito tanto \u00e0 escrita das mulheres do medievo quanto \u00e0 escrita contempor\u00e2nea de Llansol: a textualidade, a m\u00edstica e o erotismo. Tr\u00eas paragens que, afinal, fazem parte de uma mesma travessia. Como referencial te\u00f3rico, recorremos aos textos de Maurice Blanchot, Georges Bataille e Octavio Paz. Al\u00e9m da cr\u00edtica espec\u00edfica sobre a obra de Maria Gabriela Llansol, com os nomes de Jo\u00e3o Barrento, Maria Lucia Wiltshire de Oliveira e Silvina Rodrigues Lopes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>15-REDESCOBRINDO VEREDAS: UMA ABORDAGEM CR\u00cdTICA DA CATEGORIA DO SUPER-REGIONALISMO DE ANTONIO CANDIDO<\/strong><\/p>\n<p>Marina Maria Campos Brito<\/p>\n<p>Anita Martins Rodrigues de Moraes<\/p>\n<p>O ensaio \u201cLiteratura e subdesenvolvimento\u201d (1970), de Antonio Candido, apresenta uma nova categoria de regionalismo, que, segundo o autor, corresponderia \u201c\u00e0 consci\u00eancia dilacerada do subdesenvolvimento\u201d (CANDIDO, 1989, p.162) e cujo maior expoente seria a obra de Guimar\u00e3es Rosa. Com vistas a repensar essa categoria, que parece sugerir uma hierarquiza\u00e7\u00e3o entre o dado regional e a inven\u00e7\u00e3o ao propor que a obra de Rosa resultaria no ultrapassamento do documental, propomos o estudo detido dos argumentos de Candido. Para os prop\u00f3sitos deste trabalho, tomaremos como corpus liter\u00e1rio <em>Grande sert\u00e3o veredas <\/em>(1956), priorizando as leituras que Antonio Candido faz dessa obra, sobretudo em \u201cO homem dos avessos\u201d (1957) e \u201cJagun\u00e7os mineiros de Claudio a Guimar\u00e3es Rosa\u201d (1970), considerando que esta cr\u00edtica foi publicada no mesmo ano do ensaio em que Candido pensa as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da literatura na Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m disso, uma vez que \u201cLiteratura e subdesenvolvimento\u201d \u00e9 um ensaio mobilizado em torno de um cen\u00e1rio considerado por Candido como atrasado \u2013 situa-se em um momento de efervesc\u00eancia das discuss\u00f5es das implica\u00e7\u00f5es do subdesenvolvimento \u2013 pretendemos investigar tamb\u00e9m a aposta de Candido em uma fun\u00e7\u00e3o da literatura dentro desse contexto, pensando como <em>Grande sert\u00e3o veredas<\/em> lida com o processo de moderniza\u00e7\u00e3o por que passava o Brasil na d\u00e9cada de 1950. A partir dessas investiga\u00e7\u00f5es, pretendemos revisitar a categoria de super-regionalismo sugerida por Candido, que acreditamos, conforme sugere Silviano Santiago (2017) acerca de parte da cr\u00edtica que se debru\u00e7a sobre essa obra de Rosa, \u201cdomesticar\u201d o monstro rosiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>16-\u201cCOME\u00c7O A VER O QUE N\u00c3O \u00c9 VIS\u00cdVEL\u201d: PAISAGEM E SUBJETIVIDADE NA PO\u00c9TICA DE JO\u00c3O MIGUEL FERNANDES JORGE<\/strong><\/p>\n<p>Nath\u00e1lia Primo<\/p>\n<p>O presente trabalho pretende apresentar o projeto de pesquisa de mestrado que vem sendo desenvolvido no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura desde o primeiro semestre de 2019. Elabora-se em torno da an\u00e1lise de parte da obra po\u00e9tica de Jo\u00e3o Miguel Fernandes Jorge, poeta portugu\u00eas contempor\u00e2neo que passa a publicar a partir da d\u00e9cada de 1970 e que ainda se encontra em intensa atividade de publica\u00e7\u00e3o. Por esse motivo, foi estabelecido um recorte temporal que compreende algumas obras publicadas nas d\u00e9cadas de 1970 e1980. Amparado pela abordagem te\u00f3rica de Michel Collot, pensador da paisagem na literatura moderno-contempor\u00e2nea, tem-se por objetivo identificar configura\u00e7\u00f5es de paisagens que se constituem nos poemas a partir das experi\u00eancias cotidianas do sujeito po\u00e9tico. Busca-se, ainda, tra\u00e7ar reflex\u00f5es sobre o discurso l\u00edrico considerando a no\u00e7\u00e3o de paisagem na constru\u00e7\u00e3o de um olhar sobre o mundo, tornando-se poss\u00edvel admitir que \u201ca paisagem provoca o pensar\u201d e \u201co pensamento se desdobra como paisagem\u201d, como postula Collot na obra <em>Po\u00e9tica e filosofia da paisagem<\/em> (2013). Tamb\u00e9m ser\u00e3o consideradas as rela\u00e7\u00f5es de intertextualidade entre literatura e outros campos da arte devido \u00e0 intensa referencialidade aos mais diversos objetos art\u00edsticos nos poemas. Para tanto, torna-se importante recuperar a relevante contribui\u00e7\u00e3o de Georges Didi-Huberman sobre a visualidade no \u00e2mbito da arte e da est\u00e9tica inicialmente com a obra <em>O que vemos, o que nos olh<\/em>a (2010).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>17-CITA\u00c7\u00c3O, ALEGRIA DO TRABALHO MANUAL<\/strong><\/p>\n<p>Paloma Roriz<\/p>\n<p>\u201cA cita\u00e7\u00e3o repete, faz com que a leitura ressoe na escrita: \u00e9 que na verdade leitura e escrita s\u00e3o a mesma coisa, a pr\u00e1tica do texto que \u00e9 pr\u00e1tica do papel. A cita\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma original de todas as pr\u00e1ticas do papel, o recortar-colar, e \u00e9 um jogo de crian\u00e7a\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o de Antoine Compagnon, em seu livro <em>O trabalho da cita\u00e7\u00e3o<\/em>, talvez seja um bom ponto de partida para a tentativa deste texto: ler teoricamente a inscri\u00e7\u00e3o controvertida da obra po\u00e9tica do escritor Manuel Ant\u00f3nio Pina na cena portuguesa a partir de uma articula\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em torno da no\u00e7\u00e3o de <em>inf\u00e2ncia<\/em> como topos liter\u00e1rio e dispositivo problematizador de escrita. Na rela\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria desta produ\u00e7\u00e3o com a de outras surgidas na d\u00e9cada de 1970, em Portugal, acionadas, em grande parte, por linhas de renova\u00e7\u00e3o na poesia portuguesa, a voz de Manuel Ant\u00f3nio Pina surge como dic\u00e7\u00e3o n\u00e3o afeita a \u201cprogramas\u201d po\u00e9ticos, mas forjada na busca de estrat\u00e9gias pr\u00f3prias de di\u00e1logo e embate com a tradi\u00e7\u00e3o moderna e as demandas do presente, estrat\u00e9gias inclusive pouco compreendidas por parte da cr\u00edtica \u00e0 \u00e9poca de seu aparecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>18-A PAR\u00d3DIA, A METAFIC\u00c7\u00c3O E O POLICIAL EM LU\u00cdS FERNANDO VERISSIMO E J\u00d4 SOARES<\/strong><\/p>\n<p>Paula Fernanda dos Santos<\/p>\n<p>Este artigo apresenta uma rela\u00e7\u00e3o entre os romances <em>O jardim do diabo<\/em>, de Lu\u00eds Fernando Verissimo, e <em>O xang\u00f4 de Baker Street<\/em>, de J\u00f4 Soares, apontando suas caracter\u00edsticas que englobam o vi\u00e9s par\u00f3dico e c\u00f4mico de ambas as obras, com a finalidade tanto de discorrer sobre os elementos de aspectos intertextuais e metaficcionais, quanto de analisar os pontos que abrangem o g\u00eanero policial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>19-CR\u00cdTICA E CONHECIMENTO EM JOS\u00c9 CARDOSO PIRES<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Alex Souza<\/p>\n<p>Fruto de nossa pesquisa de doutorado em torno de uma teoria liter\u00e1ria do conhecimento, e inserido na tradi\u00e7\u00e3o que analisa o discurso liter\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o com a realidade social, este trabalho investiga a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre esta mesma realidade a partir da literatura. Pretendemos desenvolver uma teoriza\u00e7\u00e3o que aponte meios concretos pelos quais o discurso liter\u00e1rio toma a realidade social como objeto de discuss\u00e3o e foca nas tens\u00f5es, nas contradi\u00e7\u00f5es, e, principalmente, nas rela\u00e7\u00f5es sociais conflituosas que perpassam a sociedade de classes, sob o modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o da vida social. Neste movimento, ele produz conhecimento sobre esta sociedade. Essa produ\u00e7\u00e3o de conhecimento se d\u00e1 por meio do que chamamos de vetores liter\u00e1rios de conhecimento, e o conjunto desses vetores teriam o potencial de formar uma teoria liter\u00e1ria de conhecimento. Neste trabalho, apontamos dois desses vetores presentes nos romances <em>O h\u00f3spede de Job<\/em> e <em>O Delfim<\/em>, do escritor portugu\u00eas Jos\u00e9 Cardoso Pires.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>20-NARRATIVAS DO PASSADO: PAUL RICOEUR E A CONDI\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICA<\/strong><\/p>\n<p>Rog\u00e9rio Reis Carvalho Mattos<\/p>\n<p>O artigo busca investigar, a partir do que Paul Ricoeur chama de passeidade (<em>passeit\u00e9<\/em>) do passado, a literatura de testemunho. O tempo passado, por n\u00e3o existir mais, \u00e9 representado pelo historiador, sem nunca poder relatar o que de fato aconteceu. Sempre h\u00e1 uma aus\u00eancia relativa ao passado que n\u00e3o existe mais e o que \u00e9, por um acr\u00e9scimo de ser ou ficcionaliza\u00e7\u00e3o do relato, retratado pelo historiador. As categorias de documento, arquivo e testemunha, ao se interrogar o texto historiogr\u00e1fico, ser\u00e3o novamente colocadas \u00e0 prova devido ao modo quase liter\u00e1rio da escrita sobre o passado. O testemunho, como algu\u00e9m que viu o que de fato aconteceu, apesar de n\u00e3o compor uma narrativa liter\u00e1ria, \u00e9 igualmente algu\u00e9m capaz de ficcionaliza\u00e7\u00e3o do passado. A vis\u00e3o subjetiva pertence tanto \u00e0queles que acessam o passado por meios indiretos (o historiador por meio dos documentos e testemunhos), quanto por aqueles que viram o que ocorreu, ou seja, tiveram um acesso direto ao fato relatado (as testemunhas). O artigo buscar\u00e1 investigar qual o car\u00e1ter espec\u00edfico do relato testemunhal em compara\u00e7\u00e3o com a narrativa historiadora e a fic\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>21-O REALISMO CONTEMPOR\u00c2NEO: A TENTATIVA DE RETRATAR A REAL SOCIEDADE BRASILEIRA NA FIC\u00c7\u00c3O EM PROSA O MATADOR, DE PATR\u00cdCIA MELO<\/strong><\/p>\n<p>Tahin\u00e1 da Silva Santos Moreira<\/p>\n<p>O presente projeto visa investigar se o real vivenciado no dia a dia da sociedade brasileira das \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 retratado na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em prosa O Matador, da autora Patr\u00edcia Melo, e a partir dessa constata\u00e7\u00e3o, compreender de que forma a Literatura Contempor\u00e2nea, ao se apropriar do real, abre caminhos para que seus leitores concebam o ser humano dessa \u00e9poca. Para tal ser\u00e1 preciso dissertar tamb\u00e9m sobre conceitos de real, de realismo e de mimesis. Muitos pesquisadores atualmente se debru\u00e7am sobre pesquisas que visam averiguar a presen\u00e7a do real nas obras de autores do fim do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. \u00c9 de suma relev\u00e2ncia a discuss\u00e3o sobre a est\u00e9tica adotada pelos autores mais atuais, pois acredita-se que a literatura \u00e9 uma arte que contribui para a edifica\u00e7\u00e3o de uma identidade social. JAGUARIBE (2007, p.15) afirma que h\u00e1 duas maneiras de conceber o realismo: como uma conex\u00e3o vital entre realidade e experi\u00eancia da realidade e como uma conven\u00e7\u00e3o estil\u00edstica que mascara seus pr\u00f3prios processos de ficcionaliza\u00e7\u00e3o. Assim, podemos conceber que as obras mais atuais buscam registrar as experi\u00eancias vividas pelas pessoas reais, mas ao mesmo tempo existe nessa representa\u00e7\u00e3o muito do campo imagin\u00e1rio, da fic\u00e7\u00e3o. J\u00e1 SCHOLLHAMMER (2009, p.54), diz que nas \u00faltimas d\u00e9cadas o conceito de realismo vem sendo ampliado quando se leva em conta a est\u00e9tica. Assim, espera-se que ao fim da pesquisa em andamento, ratifique-se a tentativa de representa\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira na fic\u00e7\u00e3o a partir da est\u00e9tica escolhida pela autora para tal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>22-LOUCURA E AIDS: QUEST\u00d5ES BIOPOL\u00cdTICAS NA OBRA DE CAIO FERNANDO ABREU<\/strong><\/p>\n<p>Tamara Medeiros de Andrade<\/p>\n<p>Caio Fernando Abreu foi um autor cuja produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria se desenvolve imersa \u00e0s quest\u00f5es do movimento contracultural dos anos de 1960 e 70. A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 normatividade das institui\u00e7\u00f5es sociais, a luta contra a repress\u00e3o do indiv\u00edduo, a defesa da liberdade sexual e a busca por formas de conhecimento para al\u00e9m da racionalidade cient\u00edfica seriam algumas dessas quest\u00f5es. Um tema recorrente na literatura de Caio foi o da loucura, tendo a pr\u00e1tica m\u00e9dico-psiqui\u00e1trica como exerc\u00edcio de poder e de opress\u00e3o. Se, por um lado, o autor se debru\u00e7ou sobre a doen\u00e7a mental, por outro lado, j\u00e1 nos anos 80 e 90, ele passou a abordar uma nova doen\u00e7a, a rec\u00e9m-descoberta AIDS. O presente trabalho apresenta parte do desenvolvimento de uma pesquisa de mestrado em andamento, na qual se analisa o tema da doen\u00e7a na obra de Caio Fernando Abreu. Para tanto, parte-se dos conceitos de biopol\u00edtica (FOUCAULT) e de paradigma imunit\u00e1rio (ESPOSITO), para pensar as rela\u00e7\u00f5es de poder envolvidas na identifica\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o dos doentes na sociedade. A hip\u00f3tese a ser verificada seria se, na obra do autor, a doen\u00e7a funcionaria como uma met\u00e1fora do paradigma imunit\u00e1rio, ou seja, da ideia de que a sociedade tenta identificar, combater e proteger-se de elementos que amea\u00e7ariam a sua exist\u00eancia. Al\u00e9m disso, a atitude contracultural de Caio Fernando Abreu ser\u00e1 repensada como uma tentativa de ruptura desse paradigma, por meio da afirma\u00e7\u00e3o da vida frente \u00e0s verdades institucionalmente constru\u00eddas sobre as doen\u00e7as e os doentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>23-O POEMA COMO CIRCUNST\u00c2NCIA: APONTAMENTOS SOBRE A POESIA DE MANUEL DE FREITAS E CARLITO AZEVEDO<\/strong><\/p>\n<p>Tamy de Macedo Pimenta<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o dos <em>Versos de Circunst\u00e2ncia<\/em> de Carlos Drummond de Andrade em 2011 pela editora 7Letras, a discuss\u00e3o em torno da rela\u00e7\u00e3o entre poesia e circunst\u00e2ncia tem ganhado espa\u00e7o dentro dos estudos liter\u00e1rios contempor\u00e2neos, no sentido n\u00e3o s\u00f3 de resgatar o valor circunstancial de obras po\u00e9ticas de autores consagrados, como o pr\u00f3prio Drummond, mas tamb\u00e9m de ressaltar a presen\u00e7a dessa caracter\u00edstica na poesia contempor\u00e2nea. Nesse sentido, a pr\u00f3pria categoria \u201cversos de circunst\u00e2ncia\u201d \u2013 que, embora n\u00e3o possa ser considerada um g\u00eanero a parte, foi motivo de estudo espec\u00edfico de nomes como Paul Eluard, Predrag Matvejevitch e Jean-Michel Maulpoix \u2013 foi revalorizada e afastada do sentido pejorativo que costumava possuir nos s\u00e9culos passados, quando era relacionada \u00e0 poesia de encomenda ou a um tipo de poesia com objetivos puramente ideol\u00f3gicos. Ainda que carregue duplamente os aspectos \u00edntimo\/subjetivo e coletivo\/engajado, a no\u00e7\u00e3o de \u201cversos de circunst\u00e2ncia\u201d n\u00e3o pode ser detalhadamente definida, cabendo a esta somente algumas caracter\u00edsticas amplas, tal como o fato desta cantar \u201cfrequentemente um acontecimento que se imp\u00f5e a um dado momento por sua atualidade\u201d (MATVEJEVITCH, 1971, p. 87) e manter com esse acontecimento certo grau \u2013 maior ou menor, a depender do poema \u2013 de depend\u00eancia. Nesse sentido, procuraremos brevemente demonstrar, em nossa comunica\u00e7\u00e3o, como as po\u00e9ticas do portugu\u00eas Manuel de Freitas e do carioca Carlito Azevedo simultaneamente se aproximam e se afastam, em diferentes aspectos, da ideia de \u201cversos de circunst\u00e2ncia\u201d conforme estabelecida pelos estudiosos citados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>24-O INTELECTUAL E A LUTA POL\u00cdTICA NO PER\u00cdODO DITATORIAL<\/strong><\/p>\n<p>Tha\u00eds Sant\u2019Anna Marcondes<\/p>\n<p>Este trabalho tem por objetivo estudar o perfil intelectual dos personagens nos livros \u201cK. Relato de uma busca\u201d, de Bernardo Kucinski e \u201cO que \u00e9 isso, companheiro?\u201d, de Fernando Gabeira, refletindo sobre seus posicionamentos cr\u00edticos e suas atua\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade durante o per\u00edodo ditatorial no Brasil. Atrav\u00e9s de personagens associados \u00e0 milit\u00e2ncia, os dois escritores desenvolvem em seus romances a imagem do intelectual ora fracassado e alienado, ora resistente. Em nossa pesquisa, analisaremos as problematiza\u00e7\u00f5es feitas pelos narradores sobre a efic\u00e1cia \u2013 por vezes question\u00e1vel \u2013 da postura intelectual perante um regime anti-democr\u00e1tico. Analisaremos tamb\u00e9m as formas com que os autores fazem de seus livros espa\u00e7o da mem\u00f3ria sobre a ditadura, por meio da ficcionaliza\u00e7\u00e3o dos fatos, em dois momentos diferentes da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira: no per\u00edodo em que os exilados regressaram ao pa\u00eds; e, no presente, momento em que os herdeiros da dor, os que vieram depois, sentem ainda latente a necessidade de falar sobre o tema. Para isso, discutiremos as defini\u00e7\u00f5es propostas para o termo \u201cintelectual\u201d pelos cr\u00edticos Jean-Paul Sartre, Edward Said e Lucia Helena. E por fim, pensaremos os estudos sobre o papel da literatura como voz do passado ditatorial ainda vivo feitos por Eur\u00eddice Figueiredo, Regina Dalcastagn\u00e8 e T\u00e2nia Pellegrini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>25-COMPASSO, TERRA, TEORIA DO POEMA: ESTRATIGRAFIAS LATINOAMERICANAS<\/strong><\/p>\n<p>Vin\u00edcius Ximenes<\/p>\n<p>Tra\u00e7ando uma interse\u00e7\u00e3o nos discursos da geologia, da arqueologia e da hist\u00f3ria (subterr\u00e2nea) do continente latinoamericano, tentamos apresentar os primeiros passos de um arranjo para aproximar quatro livros recentes, compostos de poemas longos ou seriados (Mar\u00edlia Garcia, <em>parque das ru\u00ednas<\/em>, 2018; Catarina Lins, <em>O Teatro do mundo<\/em>, 2017; Ana Estaregui; <em>Cora\u00e7\u00e3o de boi<\/em>, 2016 e P\u00e1dua Fernandes, <em>C\u00e1lcio<\/em>, 2015). Considerando uma tend\u00eancia te\u00f3rica de alargamento formal do poema, que sugere uma reflex\u00e3o performativa da medida e do <em>timing<\/em>, buscamos ver como estes livros atravessam ru\u00ednas contempor\u00e2neas, arquiescritas pr\u00e9-colombianas, arquivos das ditaduras militares e traumas da economia extrativista, ensaiando procedimentos de aproxima\u00e7\u00e3o da linguagem ao solo. Pensamos, ent\u00e3o, algumas implica\u00e7\u00f5es de seus gestos enunciativos de sutura e reciclagem, que apontam para impasses territoriais de um ciclo de desenvolvimento desgastado.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>26-O <em>FL\u00c2NEUR<\/em> DA <em>BELLE \u00c9POQUE<\/em> E O RIO DE JANEIRO: LIMA BARRETO E AS TURBUL\u00caNCIAS DA MODERNIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Carolina Lauriano Soares da Costa<\/p>\n<p>Esta pesquisa pretende investigar de que modo a vis\u00e3o da realidade social projeta-se nas subjetividades do escritor Lima Barreto, considerando o contexto de transforma\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e cultural da <em>Belle \u00c9poque. <\/em>A leitura da obra e dos escritos \u00edntimos de Lima Barreto conduz o leitor aos cen\u00e1rios da <em>Belle \u00c9poque<\/em>, \u00e0s lutas pol\u00edticas e populares testemunhadas pelo escritor e o modo como ele se sentiu ao viver na pele as tiranias cometidas pelo Estado, em nome de uma moderniza\u00e7\u00e3o da sociedade. Diante dessas turbul\u00eancias da modernidade e moderniza\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, observam-se semelhan\u00e7as entre a postura intelectual de Lima Barreto e o<em> fl\u00e2neur <\/em>de Walter Benjamin e de Baudelaire. Para este estudo, a pesquisa investigou o contexto hist\u00f3rico da <em>Belle \u00c9poque <\/em>do Rio de Janeiro, nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, as revoltas que estouraram na capital em decorr\u00eancia das transforma\u00e7\u00f5es sociais advindas da modernidade e de que modo essas turbul\u00eancias est\u00e3o relacionadas \u00e0 postura <em>fl\u00e2neur <\/em>e melanc\u00f3lica do escritor.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>27-REFLEX\u00d5ES PREAMBULARES SOBRE A TRADU\u00c7\u00c3O DE FIC\u00c7\u00c3O CIENT\u00cdFICA ESTADUNIDENSE PARA O PORTUGU\u00caS BRASILEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Eduardo Andrade Barbosa de Castro<\/p>\n<p>O presente trabalho tem como objetivo fazer um levantamento inicial de aspectos concernentes \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (FC) em ingl\u00eas para o portugu\u00eas brasileiro. O g\u00eanero de FC apresenta caracter\u00edsticas lingu\u00edsticas pr\u00f3prias que requerem aten\u00e7\u00e3o especial do profissional de tradu\u00e7\u00e3o, pois, por se tratar de um g\u00eanero que retrata o futuro e seus avan\u00e7os sociais e\/ou tecnol\u00f3gicos, \u00e9 comum que autores e autoras de FC fa\u00e7am uso n\u00e3o apenas de vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico especializado, mas tamb\u00e9m de neologismos. A tradu\u00e7\u00e3o, por sua vez, poder\u00e1 implicar a pesquisa sobre conhecimentos cient\u00edficos de ponta que figurem na narrativa. Devido \u00e0 desigualdade econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica entre os pa\u00edses, esse trabalho de pesquisa lexical inerente \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o pode ser dificultado ou at\u00e9 impossibilitado, dependendo do contexto nacional. O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 uma necessidade fundamental na tradu\u00e7\u00e3o de FC e um fator determinante para a qualidade do texto de chegada. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio considerar os fatores editoriais e mercadol\u00f3gicos que influenciam a escolha da estrat\u00e9gia global de tradu\u00e7\u00e3o. Utilizando como estudo de caso duas tradu\u00e7\u00f5es publicadas no Brasil do conto \u201cRobot Dreams\u201d, do autor russo-americano Isaac Asimov, abordaremos alguns dos desafios da tradu\u00e7\u00e3o de FC.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>28-AS REPRESENTA\u00c7\u00d5ES DAS NUANCES EMOCIONAIS DAS PERSONAGENS E DO IMAGIN\u00c1RIO RURAL E URBANO NO CONTO \u201cA SOLU\u00c7\u00c3O\u201d DE LUIZ RUFFATO<\/strong><\/p>\n<p>Isabelly Cristina Gon\u00e7alves Costa<\/p>\n<p>Os objetos e ambientes s\u00e3o partes constituintes de qualquer obra liter\u00e1ria. Analisar esses elementos traz maior compreens\u00e3o acerca da constru\u00e7\u00e3o de seus personagens e suas respectivas hist\u00f3rias. O presente artigo tem por objetivo analisar os ambientes retratados, bem como os objetos do conto \u201cA Solu\u00e7\u00e3o\u201d, pertencente \u00e0 obra <em>O Mundo Inimigo<\/em>, da cole\u00e7\u00e3o <em>Inferno Provis\u00f3rio<\/em>, do romancista Luiz Ruffato. Pretende-se salientar os aspectos representativos que permeiam a hist\u00f3ria da personagem principal, H\u00e9lia, corroborando os aspectos n\u00e3o apenas sociais na qual ela encontra-se inserida, como tamb\u00e9m sua camada interior, salientando, assim, como os objetos e ambientes podem revelar as nuances emocionais das personagens. Outro elemento a ser analisado no presente estudo \u00e9 o Rio Pomba, no qual h\u00e1 uma tentativa de suic\u00eddio, e as \u00e1guas, que constantemente s\u00e3o associadas \u00e0 ideia de vida, t\u00eam significado distinto para a personagem no conto em quest\u00e3o. A \u00eanfase que o autor confere \u00e0 classe oper\u00e1ria no per\u00edodo de industrializa\u00e7\u00e3o de Cataguases, cidade j\u00e1 decadente que se v\u00ea inserida em uma moderniza\u00e7\u00e3o desarranjada que obriga as fam\u00edlias a adaptarem-se para sobreviver observando o contraponto entre o imagin\u00e1rio Rural e Urbano representado nos sonhos e frustra\u00e7\u00f5es da personagem principal \u00e9 outro aspecto a ser estudado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>29-OS REIS EM SIL\u00caNCIO EM <em>\u00c9DIPO REI<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Luiz Jorge Soares Guimar\u00e3es<\/p>\n<p>O presente artigo integra parcialmente uma tese de doutorado voltada ao estudo do medo tanto do sagrado quanto do profano. A an\u00e1lise ora feita da dramaturgia <em>\u00c9dipo Rei<\/em> (2017) volta-se \u00e0s quest\u00f5es referentes ao sil\u00eancio e \u00e0 tagarelice na obra, enquanto presen\u00e7as e aus\u00eancias discursivas que por um lado dialogam entre si, mas, por outro, se excluem, dando margem \u00e0 equ\u00edvocos comunicativos. O que se faz, e se pretende fazer, \u00e9 nada menos do que um estudo acerca das rela\u00e7\u00f5es comunicativas entre o mundo profano, o do rei \u00c9dipo, e o do mundo dos deuses, de L\u00f3xias Apolo e de Zeus, para que se possa compreender como, de modo incipiente, o afeto de medo apresentasse no drama do incestuoso regicida, por meio da linguagem que, ora possibilita, de fato, a comunica\u00e7\u00e3o entre os seres, ora ativa os dispositivos tr\u00e1gicos de origem divina. Sendo assim, tal empresa vale-se de uma perspectiva psicanal\u00edtica e filos\u00f3fica, pois a abordagem deve dirigir-se tanto para o entendimento do ser e da rela\u00e7\u00e3o do afeto de medo com o eu quanto do ser para com os deuses, na tentativa de por meio da interface sagrado\/profano capturar os diversos matizes do temor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>30-DOS FOLHETINS AO WATTPAD: UM ESTUDO DA LITERATURA DE MASSA NO BRASIL\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Nat\u00e1lia Barbosa Gomes Vago<\/p>\n<p>Do Romantismo \u00e0 atualidade, os ditos romances de massa est\u00e3o presentes na literatura brasileira. Os dias de hoje, apresentam novos meios de publica\u00e7\u00e3o e suportes para leitura como e-readers e o Wattpad. A verdade \u00e9 que nunca se leu tanto, ao mesmo tempo, a literatura de massa, denominada por muitos como literatura inferior, destinada a um tipo de leitor que procura literatura despretensiosa, tem grande import\u00e2ncia sociol\u00f3gica e, ainda, serve como objeto de estudo e an\u00e1lise para mostrar o porqu\u00ea de ser t\u00e3o amplamente consumida. A partir disso, pretende-se construir um panorama da literatura de massa no Brasil desde os folhetins at\u00e9 a atualidade, tendo como recorte central os folhetins, romances de banca, bestsellers e o Wattpad, refletindo sobre a maneira como o mercado pode influenciar na qualidade de uma obra liter\u00e1ria e na forma\u00e7\u00e3o do leitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>31-A REPRESENTA\u00c7\u00c3O HOMOER\u00d3TICA NA LITERATURA BRASILEIRA: UM VAZIO DISCURSIVO DO S\u00c9CULO XIX AO FIM DO XX<\/strong><\/p>\n<p>Sandro Arag\u00e3o Rocha<\/p>\n<p>O objetivo desse artigo \u00e9 tra\u00e7ar um panorama de como houve um vazio discursivo quanto a representa\u00e7\u00e3o homoer\u00f3tica na literatura brasileira, desde o s\u00e9culo XIX, com o surgimento da tratada primeira literatura homoer\u00f3tica no Brasil (<em>Bom-crioulo<\/em>, de Adolfo Caminha), at\u00e9 o fim do s\u00e9culo XX, com o surgimento de escritores no cen\u00e1rio liter\u00e1rio brasileiro que quebraram a barreira desse vazio\/sil\u00eancio discursivo. Para tal, retomaremos de forma breve como o amor entre iguais foi tratado no Brasil socialmente, tendo em vista que o olhar de coer\u00e7\u00e3o constru\u00eddo pelos europeus, pela igreja e pela ci\u00eancia quanto a essa forma de amar, influenciou no modo como a literatura passou a abordar essa tem\u00e1tica; para ent\u00e3o, a partir de reflex\u00f5es te\u00f3ricas, remontarmos o modo como a cr\u00edtica liter\u00e1ria\/c\u00e2none liter\u00e1rio silenciou e rasurou escritores e obras que tivessem como interesse abordar as rela\u00e7\u00f5es homoer\u00f3ticas de forma n\u00e3o estereotipada, dando protagonismo e aprofundamento para personagens homossexuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>32-UMA CRIAN\u00c7A NA PALESTINA: NAJI AL-ALI E A DEN\u00daNCIA VERTIDA EM PENA E NANQUIM<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Vanessa da Costa Lamas<\/p>\n<p>O acirramento da disputa territorial entre dois ou mais povos constitui uma das quest\u00f5es mais inquietantes de todos os per\u00edodos hist\u00f3ricos constitu\u00eddos. Todavia, quando atentamos para o antagonismo \u00e1rabe-israelense, percebemos que os conflitos entre os dois referidos grupos sociais ultrapassam a ciz\u00e2nia frontei\u00e7a. Para al\u00e9m dos assuntos de foro religioso, o interesse de na\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas como os Estados Unidos da Am\u00e9rica nas riquezas existentes &#8211; cujo exemplo <em>mater <\/em>encontra-se no petr\u00f3leo &#8211;\u00a0 al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o local e a neglig\u00eancia com o estabelecimento de uma por\u00e7\u00e3o territorial para os palestinos ali consolidarem sua determina\u00e7\u00e3o enquanto Estado levam a um quadro de tens\u00e3o que perdura h\u00e1 d\u00e9cadas a fio com alguns hiatos. A necessidade, ent\u00e3o, de se denunciar tal panorama transp\u00f5e os ve\u00edculos midi\u00e1ticos e encontra nos quadrinhos &#8211; mais precisamente no tra\u00e7o forte e preciso do <em>cartum<\/em> &#8211; um prof\u00edcuo instrumento de imputa\u00e7\u00e3o cujo alcance acaba por ser mais fluido justamente por apostar mais na quest\u00e3o imag\u00e9tica do que essencialmente textual. Naji al-Ali, cartunista nascido na Palestina e um dos nomes mais significativos no Universo dos quadrinhos de origem \u00e1rabe, lan\u00e7a um verdadeiro \u201cManifesto Silencioso\u201d por meio do ic\u00f4nico personagem Handala, s\u00edmbolo da resist\u00eancia de todo um povo frente \u00e0 tirania da influ\u00eancia e dos interesses escusos, que viria a ser o protagonista da obra <em>Uma crian\u00e7a na Palestina<\/em> cuja an\u00e1lise nos propomos a fazer neste artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Juntamente com o primeiro e o segundo volume da Cole\u00e7\u00e3o <em>Literatura em movimento: pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o<\/em>, esse terceiro volume que agora chega aos leitores inaugura uma nova etapa das reflex\u00f5es discentes no \u00e2mbito do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura, da Universidade Federal Fluminense. Ao reunir trinta e dois estudos diferentes entre si, ordenados a partir das linhas de pesquisas: Literatura, Teoria e Cr\u00edtica Liter\u00e1ria e Literatura Intermidialidade e Tradu\u00e7\u00e3o, a presente obra abre espa\u00e7o para que as reflex\u00f5es discentes sejam enfeixadas em forma de livro eletr\u00f4nico, com a consequente amplia\u00e7\u00e3o do horizonte de alcance dos trabalhos.&#8221;<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Dias<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense<\/p>\n<p>Baixe o eBook agora, inteiramente <strong>GR\u00c1TIS<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":13793,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[4081,4828],"product_tag":[160,2151,184,192,122,189,787,186,4117,156,188,157,187,182,190,183,185,191,163,493],"class_list":{"0":"post-13791","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-estudosliterarios","7":"product_cat-livrosgratis","8":"product_tag-andre-dias","9":"product_tag-capes","10":"product_tag-claudete-daflon","11":"product_tag-critica-literaria","12":"product_tag-ebook","13":"product_tag-empoderamento","14":"product_tag-epub","15":"product_tag-feminismo","16":"product_tag-gratis","17":"product_tag-literatura","18":"product_tag-literatura-africana","19":"product_tag-literatura-brasileira","20":"product_tag-literatura-brasileira-contemporanea","21":"product_tag-literatura-em-movimento","22":"product_tag-literatura-portuguesa","23":"product_tag-pesquisa-e-investigacao","24":"product_tag-renata-flavia-da-silva","25":"product_tag-teatro","26":"product_tag-uff","27":"product_tag-uff-universidade-federal-fluminense","28":"product_shipping_class-normal","30":"first","31":"instock","32":"taxable","33":"shipping-taxable","34":"product-type-grouped"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product\/13791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13791"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=13791"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=13791"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=13791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}