{"id":13787,"date":"2019-12-24T02:00:46","date_gmt":"2019-12-24T02:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?post_type=product&#038;p=13787"},"modified":"2025-09-15T13:41:17","modified_gmt":"2025-09-15T13:41:17","slug":"ppg-uff-literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-2-epub-e-pdf","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ppg-uff-literatura-em-movimento-pesquisa-e-investigacao-2-epub-e-pdf\/","title":{"rendered":"PPG-UFF \/ CAPES &#8211; Literatura em Movimento: Pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o 2"},"content":{"rendered":"<h4>Esta obra \u00e9 composta por trinta e um cap\u00edtulos que re\u00fanem trabalhos com abordagens e linhas te\u00f3ricas afins.<\/h4>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1-\u201cLA VIDA ES UN SAINETE\u201d OU O SAINETE \u00c9 A VIDA<\/strong><\/p>\n<p>Alfonso Ricardo Cruzado<\/p>\n<p>Ao abordar as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas populares, deparamo-nos com a dificuldade relativa \u00e0 reflex\u00e3o te\u00f3rica produzida em torno delas e aos contextos aos que aparecem vinculadas pela cr\u00edtica e pela historiografia. Consequentemente, ao tentarmos definir o g\u00eanero, bem como avaliar a import\u00e2ncia que o <em>sainete criollo<\/em> teria tido em in\u00edcios do s\u00e9culo XX, o trabalho se v\u00ea dificultado pela desvaloriza\u00e7\u00e3o promovida pelo campo intelectual, dessa e de outras manifesta\u00e7\u00f5es populares. Esta comunica\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma an\u00e1lise breve do g\u00eanero sainete a partir de duas pe\u00e7as de Alberto Vacarezza (1886-1959): \u201c<em>La vida es un sainete<\/em>\u201d (1925) e \u201c<em>La comparsa se despide<\/em>\u201d (1931). Na an\u00e1lise, nos deteremos n\u00e3o apenas na observa\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do g\u00eanero \u2013 pe\u00e7a em um ato, c\u00f4mica ou tragic\u00f4mica, com personagens populares \u2013, como tamb\u00e9m nos di\u00e1logos que essas obras estabeleceram com outras, contempor\u00e2neas, e relacionaremos a recep\u00e7\u00e3o que tiveram em publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. Frente \u00e0s leituras consagradas que veem o g\u00eanero dissociado de outras po\u00e9ticas dos anos 1920, esta proposta visa recontextualizar e reavaliar o <em>sainete criollo<\/em>, em um momento em que as vanguardas estavam questionando as fronteiras entre arte e vida, assim como entre o popular e o culto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2-A ILHA E, A ILHA \u00c9 A PRIS\u00c3O N\u2019<em>A TEMPESTADE<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ana Luiza Lobo Pereira<\/p>\n<p>O trabalho ir\u00e1 tratar do espa\u00e7o da ilha em que se desenvolve a trama da pe\u00e7a <em>A Tempestade<\/em>, de William Shakespeare e do espa\u00e7o da pris\u00e3o presente no romance <em>Semente de Bruxa<\/em>, de Margaret Atwood, comparando os dois espa\u00e7os e mostrando o que cada um deles tem em comum, passando pelo conceito de n\u00e3o-lugar de Marc Aug\u00e9 e pela ideia de que cada personagem projeta na ilha sua pr\u00f3pria pris\u00e3o. O argumento principal do trabalho ser\u00e1 baseado no artigo \u201cThe Man in the Island: Shakespeare\u2018s Concern with Projection in<em> The Tempest<\/em>\u201d, de Peter K. Shaw, em que ele relaciona o papel de cada personagem na hist\u00f3ria com a maneira como eles veem o espa\u00e7o da ilha. <em>Semente de Bruxa <\/em>\u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a de Shakespeare, em que a autora, Margaret Atwood, ambienta grande parte da narrativa dentro de uma pris\u00e3o. \u00c9 a hist\u00f3ria de Felix, um diretor de teatro falido que v\u00ea em um projeto social a chance de colocar em pr\u00e1tica seu plano de vingan\u00e7a, que ser\u00e1 realizado atrav\u00e9s de uma montagem de <em>A Tempestade<\/em>. Ser\u00e1 feita uma an\u00e1lise de cada espa\u00e7o e suas representatividades e uma compara\u00e7\u00e3o entre eles, que tem a inten\u00e7\u00e3o de tentar desvendar por que a autora do romance resolveu ambientar grande parte de sua obra dentro de uma pris\u00e3o, dentre todos os espa\u00e7os poss\u00edveis que ela poderia ter escolhido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3-FETICHISMO E FANTASMAGORIA EM LOUREN\u00c7O MUTARELLI<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ricardo Vilela<\/p>\n<p>Busca-se analisar a literatura de Louren\u00e7o Mutarelli, principalmente seu romance <em>O natimorto<\/em>, \u00e0 luz da an\u00e1lise feita por Marx acerca do fetichismo da mercadoria. Procura-se, dessa forma, mostrar como Mutarelli, assim como na manobra ret\u00f3rica da teoria do fetichismo marxista, escancara certas contradi\u00e7\u00f5es no contexto do capitalismo tardio, desmistificando certos conceitos enraizados como sendo intr\u00ednsecos \u00e0 modernidade. Dessa forma, ao retomar formas de conhecimento de mundo pr\u00e9-racionais, marginalizadas a partir da consolida\u00e7\u00e3o do status quo em que vivemos, ele busca demonstrar o quanto h\u00e1 de m\u00e1gico e an\u00edmico no comportamento do homem de hoje. Portanto, dentro dessa linha de pensamento, o fetiche e a magia n\u00e3o seriam exclusividades dos nossos antecessores ditos \u201cprimitivos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4-O SER FRAGMENTADO DE T.S.ELIOT EM \u201cOS HOMENS OCOS\u201d E O DE BECKETT EM <em>ESPERANDO GODOT<\/em><\/strong><\/p>\n<p>B\u00e1rbara Bravo Pires Ferreira<\/p>\n<p>Embora Samuel Beckett e T.S.Eliot fa\u00e7am parte de uma extensa lista de grandes escritores modernos do s\u00e9culo XX, muitos pesquisadores t\u00eam dificuldade em estabelecer la\u00e7os entre eles, por possu\u00edrem estilos distintos e considera\u00e7\u00f5es sobre o fazer liter\u00e1rio diferenciadas. No entanto, o presente trabalho busca aproximar os autores atrav\u00e9s das suas respectivas obras, a pe\u00e7a <em>Esperando Godot<\/em> e o poema \u201cOs homens ocos\u201d, estabelecendo uma compara\u00e7\u00e3o entre os tipos de fragmenta\u00e7\u00e3o encontrados nos textos, al\u00e9m de examin\u00e1-los pela \u00f3tica hist\u00f3rico-liter\u00e1ria, pelas percep\u00e7\u00f5es de mundo que oferecem. Os dois trabalhos, apesar de distintos em g\u00eanero, compartilham influ\u00eancias vindas de Dante Alighieri, que \u00e9 o autor da obra chave auxiliadora na constru\u00e7\u00e3o de seus lugares (ou n\u00e3o lugares), que \u00e9 A divina com\u00e9dia. Dessa forma, partindo de temas relacionados ao existencialismo, fundamenta-se a pesquisa, principalmente ao redor das interroga\u00e7\u00f5es sobre a percep\u00e7\u00e3o do sujeito no mundo, ao fazer uma an\u00e1lise das particularidades de correla\u00e7\u00e3o entre as quest\u00f5es existenciais para compreender os elementos da fragmenta\u00e7\u00e3o que humanizam e tamb\u00e9m os que desumanizam as personagens presentes nas obras. Enfim, entende-se que os autores refletem vis\u00f5es de mundo no p\u00f3s-guerra, e que ambos possuem um desenvolvimento de consci\u00eancias da fragmenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 no n\u00edvel do sujeito, mas tamb\u00e9m nos pr\u00f3prios n\u00edveis textuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5-O CARNAVAL NO TEATRO DE ARIANO SUASSUNA<\/strong><\/p>\n<p>Carla Oliveira Giacomini<\/p>\n<p><em>O Carnaval no teatro de Ariano Suassuna<\/em> \u00e9 um trabalho que tem como objetivo apresentar, primeiramente, uma reflex\u00e3o sobre as imagens carnavalescas em algumas produ\u00e7\u00f5es teatrais do autor. Dentre as obras, selecionamos <em> Auto da Compadecida<\/em>, <em>O Santo e a Porca<\/em>, <em>O Casamento Suspeitoso<\/em> e <em>Farsa da Boa Pregui\u00e7a<\/em>. Pretendemos mostrar como as categorias e a\u00e7\u00f5es, que comp\u00f5em o universo carnavalesco, est\u00e3o presentes nas situa\u00e7\u00f5es vividas pelas personagens e nos di\u00e1logos que desenvolvem. Uma outra quest\u00e3o que abordaremos \u00e9 a conflu\u00eancia de culturas, ou melhor, a transculturalidade. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que estabelece um di\u00e1logo entre cultura popular e cultura erudita. Ariano Suassuna p\u00f5e em cena os valores do homem simples do sert\u00e3o nordestino, mas tamb\u00e9m resgata aspectos da literatura erudita europeia. Tanto encontramos elementos da literatura de cordel como encontramos tra\u00e7os do teatro de Gil Vicente, Moli\u00e8re e Plauto. S\u00e3o imagin\u00e1rios, separados no tempo e no espa\u00e7o, que dialogam. H\u00e1 um entrecruzamento de vozes nessa produ\u00e7\u00e3o teatral. Por fim, damos destaque ao RISO como mola mestra do universo carnavalesco. Ele \u00e9 o elemento que norteia a an\u00e1lise proposta. Temos um riso que revela a alegria carnavalesca, mas que tamb\u00e9m aponta certas doses de corros\u00e3o. Atrav\u00e9s do riso, h\u00e1 uma relativiza\u00e7\u00e3o de tudo e de todos. Trata-se de um riso que derruba valores e formas de poder n\u00e3o para anul\u00e1-los, mas para repens\u00e1-los, para renov\u00e1-los. \u00c9 a alegre relativiza\u00e7\u00e3o do carnaval.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6-RUY BELO: A MARGEM DA ALEGRIA \u00c9 O T\u00c9DIO<\/strong><\/p>\n<p>Carolina da Silva Inacio<\/p>\n<p>A presente pesquisa tem como objetivo apresentar uma proposta de abordagem investigativa do t\u00e9dio na obra de Ruy Belo. Tal proposta nasceu da vontade de realizar uma leitura da poesia beliana que consiga apreender a tonalidade afetiva de determinados poemas e excerto de poemas que se destacam por expressarem certa passividade, indiferen\u00e7a, lassid\u00e3o e at\u00e9 mesmo resigna\u00e7\u00e3o do sujeito po\u00e9tico na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo. At\u00e9 o presente momento, temos verificado que o t\u00e9dio, segundo Lars Svendsen (2006) um afeto de natureza \u201cvaga e multiforme\u201d, se desdobra na poesia de Ruy Belo em uma multiplicidade de tons como alheamento, cansa\u00e7o, ang\u00fastia, enfado. Se por um lado, o tom eleg\u00edaco e melanc\u00f3lico da poesia portuguesa dos anos 70 se alia \u00e0 \u201caceita\u00e7\u00e3o tranquila e levemente nost\u00e1lgica da familiaridade com o que fica ao alcance da m\u00e3o\u201d, por outro, \u00e9 a nas m\u00e3os da poesia de Ruy Belo que essa \u201cfamiliaridade\u201d recebe contornos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7-A ENTREVISTA ENQUANTO G\u00caNERO AUTOBIOGR\u00c1FICO<\/strong><\/p>\n<p>Dejair Martins<\/p>\n<p>Esse artigo tem por objetivo fundamental analisar o papel e a fun\u00e7\u00e3o que a entrevista assume enquanto g\u00eanero pertencente a autobiografia. Para isso elaboramos nossa investiga\u00e7\u00e3o partindo do poss\u00edvel di\u00e1logo entre entrevistador e entrevistado, levando-se em conta todas as prerrogativas que esse tipo de jogo dial\u00e9tico pressup\u00f5e, al\u00e9m disso, procuramos refletir nos mecanismos, estruturas e aparatos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos pertinentes a tal g\u00eanero tal particular e com caracter\u00edsticas muito intr\u00ednsecas. Por fim, juntamente com os papeis de entrevistador\/entrevistado analisamos o modo como o leitor l\u00ea, decodifica e assimila a entrevista e a maneira que se comp\u00f5e essas tr\u00eas partes e os detalhes que precisamos ter mente ao pensarmos na entrevista como parte integrante do que denominamos como a grande \u00e1rea das escritas de si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>8-TRANSESCRITA, CISLEITURA: EXERCITANDO O LUGAR DE ESCUTA<\/strong><\/p>\n<p>Diana da Silva Rodrigues<\/p>\n<p>Os debates culturais contempor\u00e2neos muito t\u00eam versado sobre o lugar de fala, tema estudado por bell hooks (1981) na obra <em>Ain\u2019t I a woman: black woman and feminism<\/em>, tendo o termo sido recentemente usado para intitular o livro de Djamila Ribeiro (2017) <em>O que \u00e9 lugar de fala?<\/em>. Tal conceito pode ser usado em diferentes \u00e2mbitos dos estudos liter\u00e1rios. Partindo disso, este trabalho visa compreender, para al\u00e9m do lugar de fala, o lugar de escuta no \u00e2mbito narrativo. Para tanto, teremos como <em>corpus <\/em>a obra <em>Transition to murder<\/em>, de Renee James (2012), em que analisaremos a rela\u00e7\u00e3o narrador-narrat\u00e1rio. Cogitamos que a obra, al\u00e9m de explicitamente ter uma narradora Trans, tenha implicitamente um narrat\u00e1rio cis. A narrativa, ao criar empatia com a personagem protagonista, a coloca em um lugar de fala que for\u00e7a um lugar de escuta ao narrat\u00e1rio. Investigaremos, assim, os elementos estruturais da narrativa que nos permitam compreender que a narradora est\u00e1 encaminhando a cisgeneridade para dentro da transgeneridade, criando um la\u00e7o emp\u00e1tico entre poss\u00edveis leitores que desconhecem especificidades da comunidade Trans e o grupo em que a narrativa \u00e9 centrada. Para nos auxiliar a compreender tais elementos, Todorov (2006), Culler (1999), Piglia (1999) e Moira (2018) nos ser\u00e3o caros. Acreditamos que a transgeneridade, para al\u00e9m de uma quest\u00e3o social, pode construir um novo modelo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>9-CARTA AOS VIDENTES: BAUDELAIRE, WHITMAN, RIMBAUD E BRETON<\/strong><\/p>\n<p>Eduardo Gerdiel Batista Gra\u00e7a (UFF)<\/p>\n<p>Em seu <em>Para\u00edsos Artificiais<\/em> (1858), Charles Baudelaire investiga a experimenta\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de estado de beatitude, caracterizado por peculiares altera\u00e7\u00f5es em nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais e morais. Ao descrever tal disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito t\u00e3o rara e fugaz, Baudelaire a associa com o desvelamento (\u201ccom sua p\u00e1lpebras livres do sono que as selava\u201d) de novas percep\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es com o \u201cmundo exterior\u201d (que se ofereceria, ent\u00e3o, com renovadas nitidez, colorido e beleza), e com o \u201cmundo moral\u201d (que abriria, ent\u00e3o, \u201csuas vastas perspectivas\u201d, \u201ccheias de novas claridades\u201d). A utiliza\u00e7\u00e3o desta imag\u00e9tica sensorial e a \u00eanfase nesta \u2018vis\u00e3o\u2019 (em sentido amplo) ainda nos revelam como a experimenta\u00e7\u00e3o da beatitude descrita por Baudelaire envolveria n\u00e3o apenas uma liberta\u00e7\u00e3o dos sentidos (\u201cp\u00e1lpebras livres\u201d) mas tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de despertar de algum tipo de torpor (\u201cdo sono que as selava\u201d) que comprometeria a plena frui\u00e7\u00e3o dos sentidos, das rela\u00e7\u00f5es com o mundo exterior e da pr\u00f3pria vida. Neste trabalho, discutiremos a ideia desta nova vis\u00e3o que Baudelaire nos apresenta, sua rela\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia de uma beatitude, assim como a manifesta\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento desta ideia em textos de outros artistas e pensadores como Walt Whitman (em seu <em>Folhas de Relva<\/em>), Arthur Rimbaud (Em sua \u201cCarta ao Vidente\u201d) e Andr\u00e9 Breton (em seu <em>Manifesto surrealista<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>10-<em>PRIMEIRA MANH\u00c3, <\/em><\/strong><strong>DE DALC\u00cdDIO JURANDIR: O APARECIMENTO DE LUCIANA NA VIDA DE ALFREDO<\/strong><\/p>\n<p>Erika G M de Aquino<\/p>\n<p>Luciana \u00e9 uma personagem que perpassa tr\u00eas romances de Dalc\u00eddio Jurandir, <em>Primeira Manh\u00e3<\/em> (1967), <em>Ponte do Galo<\/em> (1971) e <em>Os Habitantes<\/em> (1976), n\u00e3o como personagem principal, mas como personagem evocada pelo protagonista Alfredo. O rapaz realiza o desejo de estudar em Bel\u00e9m e se sente incomodado de estar ocupando o lugar que deveria ser dela segundo a convic\u00e7\u00e3o de Alfredo. O objetivo deste trabalho \u00e9 abordar a constru\u00e7\u00e3o da personagem feminina no mundo ficcional romanesco de Dalc\u00eddio Jurandir apresentando algumas quest\u00f5es concernentes \u00e0 Luciana e como a personagem exerce influ\u00eancia em Alfredo e sua rela\u00e7\u00e3o com o novo ambiente em que se encontra. Luciana, filha dos donos da casa que o ginasiano est\u00e1, \u00e9 constru\u00edda pelo discurso direto de outras personagens, evidenciando-se no texto o uso da oralidade como t\u00e9cnica narrativa. Alfredo se sente instigado por lhe contarem a hist\u00f3ria em intervalos, suspens\u00f5es, deixando, desse modo, rastros da hist\u00f3ria que o protagonista procura ligar a outros rastros, pois a aus\u00eancia de Luciana \u00e9 assunto que n\u00e3o se poderia tratar na casa em que Alfredo se encontra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>11-HIST\u00d3RIAS E FIC\u00c7\u00c3O NO REGIONALISMO DE FRANKLIN T\u00c1VORA: UMA PROPOSTA IDENTIT\u00c1RIA NA LITERATURA DO NORTE<\/strong><\/p>\n<p>Fernando Pereira dos Santos<\/p>\n<p>O ano de 1836 marcou o in\u00edcio do Romantismo no Brasil. O resgate hist\u00f3rico e o levantamento de suas ra\u00edzes mais profundas promoveram o desejo de exaltar valores naturais e culturais que pudessem contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de uma literatura nacional. A prosa urbana e a prosa regional, ambas com larga for\u00e7a e express\u00e3o em Alencar, procuraram solidificar o ide\u00e1rio nacional de literatura e maioridade. Nesse cen\u00e1rio, Franklin T\u00e1vora prop\u00f5e um projeto de constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria que o autor considera, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta alencariana, mais fidedigno aos elementos nacionais, quer por suas personagens, quer pela natureza rude e agreste presente em seus romances. Nesse sentido, <em>O Cabeleira<\/em> (T\u00c1VORA, 1876) \u00e9 o objeto de pesquisa deste projeto, por apresentar a fus\u00e3o entre as \u201chist\u00f3rias\u201d e a fic\u00e7\u00e3o elaborada por Franklin T\u00e1vora, ao romancear a breve vida da personagem de extra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica Jos\u00e9 Gomes, imortalizando-a. Nesse escopo,\u00a0<em>O Cabeleira<\/em>\u00a0oferece as bases para uma an\u00e1lise consistente\u00a0da denominada\u00a0Literatura do Norte, constituindo outro projeto identit\u00e1rio para o Brasil. Embora T\u00e1vora admita Norte e Sul como dois lugares distintos, por\u00e9m irm\u00e3os, a inten\u00e7\u00e3o do escritor, portanto, seria dar equil\u00edbrio a essa heran\u00e7a cultural de modo mais equ\u00e2nime, uma vez que ao Sudeste do Brasil, como centro pol\u00edtico e econ\u00f4mico, convergiam tamb\u00e9m os cabedais culturais e liter\u00e1rios, monopolizando a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>12-A PLURAL MODERNIZA\u00c7\u00c3O DO TEATRO BRASILEIRO: APONTAMENTOS INICIAIS<\/strong><\/p>\n<p>Frederico van Erven Cabala<\/p>\n<p>Este cap\u00edtulo apresenta os delineamentos iniciais de minha pesquisa de doutorado, cuja premissa parte de uma esp\u00e9cie de dilema da cr\u00edtica e da historiografia do teatro brasileiro para tratar a renova\u00e7\u00e3o modernizadora que ganhou a cena teatral nacional na primeira metade do s\u00e9culo XX. Por um lado, posicionamentos cr\u00edticos vislumbram a estreia de <em>Vestido de noiva<\/em> (Nelson Rodrigues), em 1943, como o evento divisor de \u00e1guas que levou uma nova linguagem ao teatro brasileiro. Contudo, h\u00e1 uma outra tend\u00eancia cr\u00edtica, sobretudo a pensada nos dec\u00eanios finais do s\u00e9culo XX, que retomam a import\u00e2ncia de uma obra dramat\u00fargica escrita por Oswald de Andrade ainda em 1937 cuja estrutura parecia j\u00e1 se abrir a diversos elementos modernizantes. Apesar de ter sido escrita antes mesmo da pe\u00e7a emblem\u00e1tica de Nelson Rodrigues, <em>O rei da vela<\/em> s\u00f3 ganharia cena no ano de 1967, em uma montagem hist\u00f3rica do Teatro Oficina, em S\u00e3o Paulo. O nosso estudo, assim, pretende extrair desse dilema an\u00e1lises a respeito da pr\u00f3pria natureza do g\u00eanero teatral, envolta em seu hibridismo texto\/encena\u00e7\u00e3o, e sobre como essa ambiguidade do g\u00eanero se encontra percurso da moderniza\u00e7\u00e3o do teatro brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>13-REPRESENTA\u00c7\u00d5ES DO INFERNO NA LITERATURA \u2013 O REINO DE L\u00daCIFER PARA DANTE E MILTON<\/strong><\/p>\n<p>Guilherme Nogueira Milner<\/p>\n<p>Entre uma das possibilidades que n\u00f3s temos para lidarmos com o final da vida humana, j\u00e1 pontuava Norbert Elias em Solid\u00e3o dos Moribundos, era aceitarmos essa ideia de que somos mortais com a perspectiva do renascimento em outro lugar; a morte-passagem. Assim sendo, como possibilidade desses outros lugares para onde as almas poderiam se encaminhar ap\u00f3s a carca\u00e7a na terra ficar, estariam aqueles j\u00e1 conhecidos da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3: o inferno, o purgat\u00f3rio e o para\u00edso. E o destino do indiv\u00edduo para algum destes lugares estaria relacionado ao tipo de vida que ele teria levado na terra: ap\u00f3s ju\u00edzo, poderia sofrer a dana\u00e7\u00e3o eterna no fogo do inferno; poderia purgar seus pecados no fogo do purgat\u00f3rio at\u00e9 sua ascens\u00e3o ou, se tivesse levado uma vida santa, se beneficiaria dos cantos no para\u00edso\u2026 e esses ambientes, como bem sabemos, teriam servido de caminho para Dante, acompanhado de Virg\u00edlio e Beatriz em Divina Com\u00e9dia. Se a jornada dos poetas come\u00e7a no Inferno, o ambiente \u00e9, tamb\u00e9m, espa\u00e7o importante na obra de outro escritor, que vai narrar desde a queda de Satan\u00e1s ap\u00f3s sua malfadada rebeli\u00e3o contra Deus passando pela tenta\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva e o pecado original. Falamos, \u00e9 claro, de Para\u00edso Perdido, o poema \u00e9pico do s\u00e9culo XVII escrito por John Milton. Assim, propomos aqui uma leitura comparada dos dois infernos, o do poeta italiano e o do poeta ingl\u00eas, apontando algumas de suas semelhan\u00e7as e contrastes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>14-POIROT E SUA JORNADA ENTRE O PRESENTE E O PASSADO<\/strong><\/p>\n<p>Isabela Duarte Britto Lopes<\/p>\n<p>Carla de Figueiredo Portilho<\/p>\n<p>O presente artigo pretende estudar a recria\u00e7\u00e3o da figura detetivesca criada por Agatha Christie, Hercule Poirot, nas <em>continuation novels<\/em> da autora inglesa contempor\u00e2nea Sophie Hannah . Neste contexto, o enfoque principal ser\u00e1 trabalhar a import\u00e2ncia do protagonista como uma ponte entre as obras de Christie e Hannah. Partindo da ideia de que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de intertextualidade, as obras da autora contempor\u00e2nea colocam em evid\u00eancia a figura de Hercule Poirot, j\u00e1 que este remete \u00e0 imagem do detetive-her\u00f3i que fez sucesso durante o s\u00e9culo XX, mas retorna ao s\u00e9culo XXI pelas palavras de Hannah. Desta maneira, entende-se que \u201cEm t\u00f4das as artes liter\u00e1rias e nas que exprimem, narram ou representam um estado ou est\u00f3ria, a personagem realmente \u201c\u2018constitui a fic\u00e7\u00e3o.\u2019\u201d (CANDIDO, 2002, p. 23). Por isso, o estudo do detetive belga nestas obras contempor\u00e2neas \u00e9 fundamental para compreender o aspecto intertextual do trabalho de Hannah, o porqu\u00ea de seu sucesso e ainda a sua relev\u00e2ncia para o meio liter\u00e1rio e acad\u00eamico. Sendo assim, o objetivo deste artigo \u00e9 analisar a constru\u00e7\u00e3o da narrativa em torno do personagem e a intertextualidade que circunda o texto al\u00e9m da pr\u00f3pria figura do personagem como reflexo de um per\u00edodo anterior, mas que retorna para os dias atuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>15-H. P. LOVECRAFT: MEDO C\u00d3SMICO E O SUBLIME NO S\u00c9CULO XX<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pedro Bellas<\/p>\n<p>No artigo \u201cAfter the sublime\u201d (2002), Glenn Most observa que as categorias do belo e do sublime, os principais conceitos mobilizados na modernidade para compreender os fen\u00f4menos est\u00e9ticos, parecem ter perdido, entre meados do s\u00e9culo XIX e o XX, o car\u00e1ter central que tiveram outrora, sobretudo no s\u00e9culo XVIII. Tendo em vista esse cen\u00e1rio, a pesquisa que vem sendo desenvolvida tem como objeto de estudo precisamente o sublime, com o objetivo de investigar se o conceito de fato perdeu a relev\u00e2ncia que tinha em outros tempos ou se ele ainda pode ser considerado fundamental para entender determinados fen\u00f4menos est\u00e9ticos. Nesse sentido, a hip\u00f3tese que orienta o projeto \u00e9 a de que o sublime, em vez de ter perdido relev\u00e2ncia e desaparecido das reflex\u00f5es filos\u00f3ficas do s\u00e9culo XX, teria sofrido algumas transforma\u00e7\u00f5es, adquirindo algumas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias desse novo per\u00edodo hist\u00f3rico. Sustentamos que uma dessas transforma\u00e7\u00f5es poderia ser observada na no\u00e7\u00e3o de medo c\u00f3smico, proposta pelo escritor norte-americano H. P. Lovecraft em suas reflex\u00f5es sobre os princ\u00edpios e a legitimidade da fic\u00e7\u00e3o de horror. O medo c\u00f3smico, a exemplo do sublime, seria uma emo\u00e7\u00e3o experimentada pelo indiv\u00edduo quando confrontado por um objeto que extrapola a sua capacidade de compreens\u00e3o, sinalizando principalmente os limites das faculdades racionais. Com isso em mente, o objetivo deste trabalho \u00e9 apresentar os conceitos de sublime e medo c\u00f3smico, com vistas a entender como o segundo pode ser tomado como uma transfigura\u00e7\u00e3o do primeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>16-O ELOGIO DA TRAI\u00c7\u00c3O EM HAMLET E CALABAR<\/strong><\/p>\n<p>J\u00falia Tavares Bessa<\/p>\n<p>O objetivo do presente trabalho \u00e9 apresentar as an\u00e1lises iniciais da trai\u00e7\u00e3o em <em>Hamlet <\/em>(Shakespeare) e <em>Calabar: O elogio da trai\u00e7\u00e3o<\/em> (Chico Buarque e Ruy Guerra). Para al\u00e9m de um exerc\u00edcio de compara\u00e7\u00e3o, pretende-se passar por quest\u00f5es importantes para a compreens\u00e3o de ambas as obras, como trazer \u00e0 tona as peculiaridades das den\u00fancias existentes nos dois enredos e analisar os respectivos contextos de produ\u00e7\u00e3o. Tendo em mente que a tem\u00e1tica da trai\u00e7\u00e3o \u00e9 o elo para aproximar Hamlet de Calabar, cabe dizer que a quest\u00e3o central a ser investigada apresenta-se do seguinte modo: quais seriam as aproxima\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre as pe\u00e7as ao levarmos em conta as maneiras pelas quais as den\u00fancias de trai\u00e7\u00e3o tomam forma? \u00c9 a partir dessa tem\u00e1tica central, e fazendo um atrelamento dos conceitos de desobedi\u00eancia e de trai\u00e7\u00e3o, que se pode ent\u00e3o questionar, bem como notar, alguns pontos do que \u00e9 ser traidor ou ser tra\u00eddo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>17-A MULTIPLICIDADE DE G\u00caNEROS DISCURSIVOS E N\u00c3O DISCURSIVOS NA RETOMADA DA REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS EM OS MEMOR\u00c1VEIS, DE L\u00cdDIA JORGE<\/strong><\/p>\n<p>Karina Frez Cursino<\/p>\n<p>O presente artigo tem como principal objetivo analisar brevemente a multiplicidade de g\u00eaneros presentes na composi\u00e7\u00e3o do romance <strong>Os memor\u00e1veis<\/strong> (2014), de L\u00eddia Jorge, de maneira a demonstrar, atrav\u00e9s do di\u00e1logo entre eles, como o jogo ficcional proposto pela autora retoma a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. Para tal tarefa, ser\u00e3o explorados os principais g\u00eaneros constituintes do livro: o document\u00e1rio, a fotografia e a entrevista, enfatizando o papel da mem\u00f3ria para possibilitar o contato de novas gera\u00e7\u00f5es com o evento que colocou a popula\u00e7\u00e3o em linha de frente pela democracia no pa\u00eds. A metodologia utilizada \u00e9 baseada na recolha e leitura de bibliografia que verse sobre o romance e os demais g\u00eaneros envolvidos na obra, visando analisar aspectos liter\u00e1rios da obra e caracter\u00edsticas desses g\u00eaneros que contribuem para o hibridismo narrativo proposto pela autora para rememorar, atrav\u00e9s da Literatura, tal evento. O trabalho conta, principalmente, com a teoria dos g\u00eaneros do discurso de Mikhail Bakhtin, incluindo os estudos sobre o romance, promovendo destaque para seu car\u00e1ter multifacetado e prop\u00edcio ao di\u00e1logo com diversos outros g\u00eaneros, discursivos ou n\u00e3o. O trabalho se vale tamb\u00e9m do estudo de te\u00f3ricos que discutem o document\u00e1rio, a fotografia e a entrevista, passando ainda por teorias sobre a mem\u00f3ria, fio condutor do romance, n\u00e3o deixando de colocar como pano de fundo tamb\u00e9m o contexto da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>18-A ALEGORIA COMO PONTE ENTRE A LITERATURA E OUTRAS ARTES: EXEMPLOS LATINO-AMERICANOS<\/strong><\/p>\n<p>Laiane Marchon Ferreira<\/p>\n<p>Este trabalho aborda a presen\u00e7a da alegoria na constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e sua rela\u00e7\u00e3o com outras artes, como a pintura, a m\u00fasica e a fotografia. Lan\u00e7ando do m\u00e3o da conceitua\u00e7\u00e3o de alegoria a partir de autores que a trabalham, como Erich Auerbach, Paul de Man, Gustav Hocke, Jo\u00e3o Adolfo Hansen e Arnold Hauser, bem como conceitos relacionados a ele (figura\u00e7\u00e3o, mimese, met\u00e1fora, meton\u00edmia), discorreremos criticamente sobre a alegoria no que concerne \u00e0 presen\u00e7a de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas n\u00e3o escritas dentro da obra liter\u00e1ria escrita. \u00c9 preciso ressaltar que as obras liter\u00e1rias utilizadas como exemplo n\u00e3o s\u00e3o textos de car\u00e1ter totalmente aleg\u00f3rico, mas que t\u00eam a alegoria como recurso necess\u00e1rio em sua constitui\u00e7\u00e3o. Como obra liter\u00e1ria central de an\u00e1lise, utilizaremos <em>El desierto y su semilla<\/em>, de Jorge Baron Biza, romance argentino publicado pela primeira vez em 1998, em que a alegoria \u00e9 recorrente, principalmente por meio da presen\u00e7a do quadro \u201cO Jurista\u201d, de Giuseppe Arcimboldo, pintor italiano do s\u00e9culo XVI. Buscaremos apresentar as raz\u00f5es pelas quais uma pintura t\u00e3o antiga faz parte de um romance contempor\u00e2neo, uma vez que \u00e9 indispens\u00e1vel para a representa\u00e7\u00e3o de certos personagens e elementos da obra. Al\u00e9m desse romance, ser\u00e3o analisados, a t\u00edtulo de exemplifica\u00e7\u00e3o e compara\u00e7\u00e3o, outras obras liter\u00e1rias de autores latino-americanos, como <em>Concerto barroco<\/em>, de Alejo Carpentier, \u201c<em>Las babas del diablo<\/em>\u201d, de Julio Cort\u00e1zar e <em>Um acontecimento na vida do pintor viajante<\/em>, de C\u00e9sar Aira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>19-ESCAVA\u00c7\u00d5ES \u00c0 CIDADE-RU\u00cdNA: COMO CONTINUAR ESCREVENDO AP\u00d3S O FIM?<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo Freitas Bezerra Vilela<\/p>\n<p>A partir de uma discuss\u00e3o sobre a \u201cprecariedade\u201d dos meios do romance realista em representar a experi\u00eancia de um tempo marcado por cat\u00e1strofes, neste artigo, pretende-se ensaiar novas formas de pensar e articular o real pela linguagem. A imagem que toma a cena \u00e9 a da cidade-ru\u00edna, m\u00faltipla, como que chamando a aten\u00e7\u00e3o para todos os fins que este mundo j\u00e1 encarou. Das filmagens das ondas de lama que cobriram Mariana e Brumadinho, passando por uma cidade dist\u00f3pica do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, cercada por um muro verde, at\u00e9 chegar na natureza-morta de Tchern\u00f3bil, hoje, a pergunta que se coloca \u00e9 sempre a mesma: como continuar escrevendo ap\u00f3s o fim?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>20-O BRASIL DIST\u00d3PICO DE IGN\u00c1CIO DE LOYOLA BRAND\u00c3O: UMA LEITURA ACERCA DE \u201cN\u00c3O VER\u00c1S PA\u00cdS NENHUM\u201d E \u201cDESTA TERRA NADA VAI SOBRAR, A N\u00c3O SER O VENTO QUE SOPRA SOBRE ELA\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Mykaelle Ferreira<\/p>\n<p>O presente artigo objetiva investigar o conceito de distopia a partir de uma an\u00e1lise comparativa dos romances <em>N\u00e3o ver\u00e1s pa\u00eds nenhum<\/em> (1981) e <em>Desta terra nada vai sobrar, a n\u00e3o ser o vento que sopra sobre ela<\/em> (2018), do escritor Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o. Nesse sentido, pretende-se contribuir para o debate acad\u00eamico sobre o g\u00eanero dist\u00f3pico em uma perspectiva nacional, tendo em vista que tal g\u00eanero j\u00e1 mant\u00e9m um c\u00e2none consolidado em literaturas de outras nacionalidades, sobretudo a partir do s\u00e9culo XX, mas ainda se encontra em um est\u00e1gio gestacional no panorama da literatura brasileira. Tal an\u00e1lise constitui-se como parte inicial de elabora\u00e7\u00e3o do projeto de pesquisa de mestrado desenvolvido para o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense (UFF). Assim, a proposta em quest\u00e3o debru\u00e7a-se sobre tais obras para destacar caracter\u00edsticas de sua elabora\u00e7\u00e3o e suscitar uma discuss\u00e3o acerca do percurso a ser desenvolvido na pesquisa. Como arcabou\u00e7o te\u00f3rico, utilizamos os estudos propostos por Gregory Clayes (2017), Franco Berardi (2019), Zygmunt Bauman (1998), Peter Sloterdijk (1999), entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>21-O ESTRANGEIRO E A PAISAGEM: UMA LEITURA DE <em>AZUL CORVO<\/em>, DE ADRIANA LISBOA<\/strong><\/p>\n<p>Patricia Mariz da Cruz<\/p>\n<p>Stefania Rota Chiarelli<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do ex\u00edlio, apesar de provocar o sentimento de n\u00e3o-pertencimento, desenvolve, no estrangeiro, um olhar cr\u00edtico atrav\u00e9s da viv\u00eancia do tr\u00e2nsito cultural. Os cen\u00e1rios paisag\u00edsticos, os idiomas e a vida no novo local s\u00e3o comparados ao vivido no passado. Diante disso, o romance <em>Azul corvo<\/em> (2010), de Adriana Lisboa, descortina-se: a narradora Vanja, ao se mudar do Rio de Janeiro para o Colorado, nos Estados Unidos, experimenta o estranhamento causado pela mudan\u00e7a de pa\u00eds. O relato das primeiras impress\u00f5es sobre a paisagem demonstra a hostilidade do lugar, colaborando para a inadapta\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura. O ambiente local, ent\u00e3o, \u00e9 utilizado como um artif\u00edcio ret\u00f3rico, ideia que vai ao encontro dos pressupostos de Anne Cauquelin (2007). Nesse sentido, percebe-se a influ\u00eancia do novo lugar na percep\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o dos significados dos espa\u00e7os, ao conferir outra simbologia a eles. Assim, por meio de te\u00f3ricos como Yi-Fu Tuan (2013) e Nelson Brissac Peixoto (1988), este trabalho tem como objetivo uma an\u00e1lise da descri\u00e7\u00e3o e do sentido que a paisagem da nova cultura adquire pela narradora-personagem de <em>Azul corvo<\/em>, mediante as caracter\u00edsticas provenientes da sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>22-ROMANCE-EM-CENA: AS NARRATIVAS DISSONANTES DE JO\u00c3O DE MINAS E CAMPOS DE CARVALHO<\/strong><\/p>\n<p>Raimundo Lopes Cavalcante Jr<\/p>\n<p>Este trabalho se prop\u00f5e a apresentar uma leitura aproximativa dos romances <em>A mulher carioca aos 22 anos<\/em> (1934) do autor mineiro Jo\u00e3o de Minas e de <em>O p\u00facaro b\u00falgaro <\/em>(1964) do escritor Walter Campos de Carvalho. Tendo por embasamento te\u00f3rico o pensamento de Mikhail Bakhtin a cerca da an\u00e1lise do discurso, buscaremos aproximar as narrativas atrav\u00e9s das cr\u00edticas sociais e dos questionamentos existenciais que estas obras suscitaram. As an\u00e1lises a serem feitas considerar\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es dos discursos com o local e tempo hist\u00f3rico nos quais foram produzidos. O elo de aproxima\u00e7\u00e3o dessas narrativas ser\u00e1 o projeto <em>Romance-em-cena<\/em>, reconhecido e premiado trabalho do encenador Aderbal Freire-Filho (1941) que, entre o final dos anos 1980 e o in\u00edcio dos anos 2000, idealizou e dirigiu tr\u00eas espet\u00e1culos a partir dessas duas obras e ainda do romance <em>O que diz Molero<\/em> do escritor portugu\u00eas Dinis Machado. A concep\u00e7\u00e3o inicial das montagens era a de que os textos dos romances fossem encenados integralmente no palco, sem adapta\u00e7\u00f5es para o g\u00eanero dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>23-TRAUMA E ADOLESC\u00caNCIA NA LITERATURA JUVENIL DOS EUA<\/strong><\/p>\n<p>Regina Peixoto Carneiro<\/p>\n<p>Este trabalho tem como objetivo mostrar representa\u00e7\u00f5es do trauma em algumas obras da literatura juvenil norte-americana (YA \u2013 <em>young adult<\/em>), abordando algumas discuss\u00f5es acerca da recorr\u00eancia de temas considerados pol\u00eamicos nessa categoria liter\u00e1ria. Pretende-se expor diferentes defini\u00e7\u00f5es de literatura YA encontradas na pesquisa, com foco nas narrativas \u201crealistas\u201d (neste contexto, v\u00ea-se o termo \u201crealista\u201d como uma literatura que n\u00e3o englobe as narrativas de fantasia e distopia, por exemplo). Ser\u00e3o discutidas as representa\u00e7\u00f5es do trauma, bem como outros temas considerados tabus abordados nas narrativas juvenis, em especial a viol\u00eancia sexual \u2013 e o poss\u00edvel estranhamento causado ao se pensar nesse assunto com foco em personagens e leitores adolescentes. Dessa forma, a discuss\u00e3o se volta para as poss\u00edveis fun\u00e7\u00f5es desses temas em obras para adolescentes, pensando nos aspectos sociais e culturais que surgem nessas narrativas, especialmente quando se considera manifesta\u00e7\u00f5es de movimentos como o #MeToo. Assim, tra\u00e7arei um paralelo entre alguns romances que t\u00eam como tema a viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>24-LITERATURA, OUTRAS M\u00cdDIAS E A FORMA\u00c7\u00c3O DO LEITOR HOJE<\/strong><\/p>\n<p>Renata Silvano Barcellos<\/p>\n<p>Este trabalho pretende abordar a rela\u00e7\u00e3o da literatura com os outros suportes e como isso influencia diretamente na forma\u00e7\u00e3o do leitor hoje. Para isso, ser\u00e3o analisadas as quest\u00f5es da m\u00eddia, especialmente as HQs, postas em interconex\u00e3o com a literatura, com objetivo de verificar como a escola se coloca diante desses novos arranjos e como o professor de literatura pode ser grande influenciador na forma\u00e7\u00e3o dos novos jovens leitores, atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o das diferentes m\u00eddias. O objeto de pesquisa para compara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o livro <em>Dois irm\u00e3os<\/em>, de Milton Hatoum e a HQ <em>Dois irm\u00e3os<\/em>, dos autores F\u00e1bio Moon e Gabriel B\u00e1, privilegiando o estudo deste \u00faltimo como g\u00eanero aut\u00f4nomo, verificando como se d\u00e1 o tr\u00e2nsito de linguagens. O objetivo principal \u00e9 repensar o ensino de literatura, atualmente, na escola, al\u00e9m de aliar a literatura \u00e0s outras m\u00eddias. A pesquisa se pautar\u00e1 na reflex\u00e3o de autores como Vera L\u00facia Follain de Figueiredo, que discute os conceitos de literatura e cinema, al\u00e9m de Tzvetan Todorov e Jos\u00e9 Paulo Paes, que trazem reflex\u00f5es acerca do ensino de literatura nas escolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>25-AS PERFORMANCES NO PROJETO PO\u00c9TICO DE AL BERTO \u2013 ALGUNS APONTAMENTOS <\/strong><\/p>\n<p>Rodolpho Amaral<\/p>\n<p>Tatiana Pequeno<\/p>\n<p>Este trabalho intenta demonstrar algumas performances presentes na obra albertiana cujos pressupostos est\u00e3o na ficcionaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, isto \u00e9, o sujeito da escrita resultante de um processo de linguagem em que o emp\u00edrico e o ficcional comutam entre si na confec\u00e7\u00e3o do texto liter\u00e1rio. Para tanto, valemo-nos de fotografias do poeta para evidenciar as performances como um ato presente em diferentes linguagens art\u00edsticas, numa dimens\u00e3o interartes pr\u00f3pria desse projeto est\u00e9tico. Esses elementos paratextuais \u2013 como denomina Eduardo Prado Coelho \u2013escamoteiam a complexa constru\u00e7\u00e3o da estetiza\u00e7\u00e3o de si presente no conjunto da obra de Al Berto, forjando dualidades e jogos de espelho entre o biogr\u00e1fico e o ficcional, condi\u00e7\u00f5es que desembocam no conceito de autofic\u00e7\u00e3o posto em discuss\u00e3o por meio do estudo de Anna Faedrich. O presente artigo procura articular de modo introdut\u00f3rio as performances presentes na cis\u00e3o do pr\u00f3prio nome, na utiliza\u00e7\u00e3o de fotografias dramatizadas, na flutua\u00e7\u00e3o de g\u00eanero das personagens (Butler, 2015), na prolifera\u00e7\u00e3o de vozes e na cria\u00e7\u00e3o de duplos. Tamb\u00e9m se tornam mister para a efetiva\u00e7\u00e3o desse texto os ensaios de Manuel de Freitas sobre Al Berto, o conceito de escrita-travesti defendido por Leonel Velloso, al\u00e9m das proposi\u00e7\u00f5es de Diana Klinger acerca da escrita de si, para citar alguns pilares angariados para os nossos desdobramentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>26-TEMPO EM LLANSOL: UMA PO\u00c9TICA DO PRESENTE EM <em>ONDE VAIS, DRAMA-POESIA?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Suelen Cristina Gomes da Silva<\/p>\n<p>Como poderia um texto se posicionar no tempo? O desafio \u00e9 de mapear, na textualidade de Maria Gabriela Llansol as marcas de tempo, especificamente o presente em suspens\u00e3o. Posteriormente, se tentar\u00e1 identificar quais s\u00e3o suas implica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o com a obra: buscar-se-\u00e1 entender o chamamento ao legente realizado por ela. As an\u00e1lises partem do pressuposto de que, em sua textualidade, n\u00e3o h\u00e1 uma \u201ctemporalidade linear e ficcional, pois seria este <em>\u2018um processo redutor de apreens\u00e3o do encadeado dos an\u00e9is\u2019<\/em>\u201d (BRANCO, 2000, p. 128). Ao \u201cencontro inesperado do diverso\u201d ser\u00e3o convocadas, principalmente, as vozes cr\u00edticas de: Jo\u00e3o Barrento, Maria Jo\u00e3o Cantinho, Maurice Blanchot, Henri Bergson e da diretora teatral Ariane Mnouchkine, fundadora do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil e algu\u00e9m que prop\u00f5e uma constante partilha do presente, a fim de um entendimento sobre em que tempo(s) a textualidade Llansol se insere, a que se prop\u00f5e e o que pressup\u00f5e. A jornada se delimitar\u00e1 ao livro <em>Onde vais, drama-poesia?<\/em>, lan\u00e7ado nos anos 2000, por\u00e9m n\u00e3o se privar\u00e1 de contar com trechos de outros livros da autora, o que se faz coerente ao se tratar de uma obra cujos textos se fundem e perpassam formando um tecido, uma textualidade comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>27-\u201cO SAMBA \u00c9 MEU DOM\u201d: PRAZER, DOM, APRENDIZADO E TRABALHO NO SAMBA<\/strong><\/p>\n<p>Tatiane de Andrade Braga<\/p>\n<p>\u00c9 comum que o aprendizado nas camadas populares n\u00e3o esteja apartado do dia a dia. A transmiss\u00e3o de saberes nesses estratos pode envolver o ensinamento que se d\u00e1 em diversas esferas da vida e do cotidiano. Trata-se de um saber mais amplo, menos compartimentado que o ensino &#8220;formal&#8221;, j\u00e1 que n\u00e3o se estrutura sobre o pilar do \u201cespecialista\u201d. \u00c9 um saber acess\u00edvel a todos os que se interessam e que abrange diversas \u00e1reas, muitas delas ligadas ao conhecimento f\u00edsico e emp\u00edrico do mundo. No samba, a transmiss\u00e3o dos saberes tende a se dar de modo informal nas rela\u00e7\u00f5es de sociabilidade estabelecidas cotidianamente entre sambistas de gera\u00e7\u00f5es distintas. Tais rela\u00e7\u00f5es ocorrem no encontro, mas n\u00e3o s\u00e3o horizontais. Elas costumam ser marcadas pela expectativa de respeito dos mais jovens \u00e0 &#8220;senioridade&#8221; (Blass: 2011) dos sambistas mais velhos e mais reconhecidos. Espera-se tamb\u00e9m que haja apre\u00e7o pelos saberes transmitidos por esses senhores e senhoras. Uma representa\u00e7\u00e3o do processo de transmiss\u00e3o de saberes do complexo gen\u00e9rico do samba pode ser encontrada em &#8220;O samba \u00e9 meu dom&#8221;, de Wilson das Neves. Neste artigo, analiso a vers\u00e3o de Fabiana Cozza da can\u00e7\u00e3o e discuto a rela\u00e7\u00e3o entre &#8220;dom&#8221;, &#8220;aprendizado&#8221; e &#8220;trabalho&#8221; e suas implica\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o do sambista, que \u00e9 representada neste samba como um processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>28-LES ENFANT\u00d4MES DE R\u00c9JEAN DUCHARME: <\/strong><strong>OS DESAFIOS DA TRADU\u00c7\u00c3O (IM)POSS\u00cdVEL<\/strong><\/p>\n<p>Thayrine Muzy Pez\u00e9<\/p>\n<p>O trabalho traz uma apresenta\u00e7\u00e3o de R\u00e9jean Ducharme bem como um breve panorama das suas obras, tomando-se como objeto principal de estudo o romance <em>Les enfant\u00f4mes <\/em>que ser\u00e1 traduzido para o portugu\u00eas. As maiores obras do autor foram publicadas na d\u00e9cada de 1960 no Canad\u00e1, durante um per\u00edodo de fundamental import\u00e2ncia para a sociedade quebequense, a revolu\u00e7\u00e3o tranquila. Este movimento provocou profundas mudan\u00e7as nas esferas pol\u00edtica, econ\u00f4mica, educacional e social da prov\u00edncia de Quebec. Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel dizer que as obras de Ducharme fazem parte de um dos processos constitutivos da representa\u00e7\u00e3o e da constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural, n\u00e3o apenas do Quebec, mas da Am\u00e9rica p\u00f3s-colonialista, comp\u00f3sita e m\u00f3vel, em fase de emancipa\u00e7\u00e3o, segundo os estudos de Bouchard sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o da americanidade. Por meio da literatura, neste caso, da obra <em>Les enfant\u00f4mes<\/em>, percebemos a import\u00e2ncia da l\u00edngua como tra\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria para afirma\u00e7\u00e3o de uma nova identidade. N\u00e3o se trata de uma nova l\u00edngua, mas suas particularidades a distinguir\u00e1 do franc\u00eas da Fran\u00e7a. Ser\u00e1, portanto, uma forma de ancorar um povo ao seu novo territ\u00f3rio e de se fixar enquanto ser coletivo. O trabalho de tradu\u00e7\u00e3o desta obra ser\u00e1 n\u00e3o apenas um desafio, como tamb\u00e9m trar\u00e1 uma pesquisa no campo da tradu\u00e7\u00e3o devido \u00e0 not\u00e1vel especificidade na l\u00edngua(gem) do autor, bem como um estudo sobre a constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria das am\u00e9ricas p\u00f3s-coloniais, pois como afirma Umberto Eco, \u201cuma tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz respeito apenas a uma passagem entre duas l\u00ednguas, mas entre duas culturas\u201d (2011, p.180).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>29-RAWET E CLARICE: DUAS VIDAS FICCIONALIZADAS<\/strong><\/p>\n<p>Thays Freitas de Almeida Pena<\/p>\n<p>Samuel Rawet e Clarice Lispector encontraram na literatura sua forma de estar no mundo, dessa forma, os autores sobrevivem atrav\u00e9s da escrita. Intrinsecamente estrangeiros ao mundo, eles buscam de alguma forma integrar-se. \u00c9 a literatura que possibilitar\u00e1 essa subsist\u00eancia. Logo, esta pesquisa visa compreender de que forma vida e literatura se entrecruzam nessas trajet\u00f3rias e de que maneira como os autores experienciaram a fic\u00e7\u00e3o em suas pr\u00f3prias vidas. Para tanto, como aporte te\u00f3rico utilizo Tzvetan Todorov, que discorre sobre o fazer liter\u00e1rio enquanto forma de viver na obra <em>A beleza salvar\u00e1 o mundo<\/em> (2014). Quanto a rela\u00e7\u00e3o vida e literatura, recorro ao texto \u201cMedita\u00e7\u00e3o sobre o of\u00edcio de criar\u201d (2008) de Silviano Santiago, no qual distingue o discurso confessional e o discurso autobiogr\u00e1fico. Sobre os dados biogr\u00e1ficos dos autores foram utilizados os textos de Nadia Gotlib (1995) e Gra\u00e7a Ramos (2011), al\u00e9m de outros textos que contribu\u00edram para a fundamenta\u00e7\u00e3o da pesquisa. Em suas narrativas, os autores entrela\u00e7am vida e literatura no tecido vivo da escrita, pois a vida urge em Rawet e Clarice e a sinuosidade do movimento entre viver e escrever \u00e9 refletido em suas obras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>30-O PAPEL DO DUPLO NA DESTRUI\u00c7\u00c3O DO INDIV\u00cdDUO NA LITERATURA DO S\u00c9CULO XX E NA CONTEMPORANEIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Victoria Barros Moura<\/p>\n<p>Este artigo tem como objetivo comparar a representa\u00e7\u00e3o da figura do duplo na Literatura G\u00f3tica no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e na contemporaneidade. Para trabalhar a intertextualidade entre literatura e outro ve\u00edculo midi\u00e1tico, investigo o duplo em \u201cConsequences\u201d (1915), de Willa Cather, e \u201cBlack Museum\u201d (2017), um epis\u00f3dio de <em>Black Mirror<\/em>. Na literatura, ao analisar a rela\u00e7\u00e3o entre original e c\u00f3pia, percebe- se que uma de suas consequ\u00eancias \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do homem, ocasionada pela figura do duplo. Otto Rank explica que h\u00e1 diversas possibilidades de se represent\u00e1-la em uma narrativa. Contudo, todas essas diferentes formas t\u00eam em comum a rela\u00e7\u00e3o paradoxal para com o sujeito: em muitos casos, elas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de proteg\u00ea-lo, mas acabam ocasionando repulsa e distanciamento. Rank tamb\u00e9m reitera que o duplo pode estar na base de uma inst\u00e2ncia cr\u00edtica para observar o <strong>eu<\/strong>. Em \u201cConsequences\u201d, o duplo tem fun\u00e7\u00e3o moral de representar a consci\u00eancia do indiv\u00edduo e preveni-lo. Entretanto, essa inten\u00e7\u00e3o de advertir o sujeito cria uma paranoia em sua mente, provocando a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Em \u201cBlack Museum\u201d, por sua vez, o duplo n\u00e3o surge para analisar o homem. Contudo, percebe-se que a cria\u00e7\u00e3o da c\u00f3pia revela um lado cruel na ess\u00eancia humana. Pretendo apontar neste artigo n\u00e3o s\u00f3 as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre a representa\u00e7\u00e3o do duplo no conto liter\u00e1rio e no epis\u00f3dio contempor\u00e2neo, mas tamb\u00e9m as consequ\u00eancias dessa rela\u00e7\u00e3o \u201chomem original e c\u00f3pia\u201d dentro das duas narrativas e as influ\u00eancias que o g\u00f3tico possui em um outro produto midi\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>31-O TEATRO DISSONANTE DE ANTONIO ABUJAMRA \u2013 ORGANIZA\u00c7\u00c3O, CATALOGA\u00c7\u00c3O E AN\u00c1LISE DE ACERVO<\/strong><\/p>\n<p>Yuri Silva Pinheiro<\/p>\n<p>O presente trabalho tem como objetivo apresentar o processo de organiza\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e cria\u00e7\u00e3o do acervo f\u00edsico e digital, <em>Arquivos Antonio Abujamra <\/em>e <em>Cia Os Fodidos Privilegiados<\/em>. O referido acervo, em fase de constru\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e-se a resgatar e manter viva a mem\u00f3ria de uma parte importante da hist\u00f3ria de diversos artistas e de um per\u00edodo marcante para o cen\u00e1rio do teatro carioca. O conjunto de arquivos re\u00fane documentos (fotos, registros em v\u00eddeo de ensaios, textos originais usados nas montagens de pe\u00e7as, trilhas sonoras, cr\u00edticas dos espet\u00e1culos publicadas em jornais e revistas da \u00e9poca, programas, projetos e etc.) e textos cl\u00e1ssicos da dramaturgia brasileira e mundial que serviram de base para as encena\u00e7\u00f5es da <em>Companhia Os Fodidos Privilegiados<\/em>, trupe teatral fundada pelo diretor Antonio Abujamra, no Rio de Janeiro, em 1991. Os materiais audiovisuais que constituem o acervo passar\u00e3o por um processo de decupagem e a posterior cria\u00e7\u00e3o de um site dos <em>Arquivos<\/em>, a fim de fomentar a pesquisa e ampliar o acesso a t\u00e3o valioso material de investiga\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Por fim, atrav\u00e9s dessa pesquisa em desenvolvimento \u2013 com coordena\u00e7\u00e3o geral do Prof. Dr. Andr\u00e9 Dias (UFF) \u2013 pretende-se contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do teatro carioca e brasileiro, bem como busca divulgar em \u00e2mbito nacional e internacional um importante cap\u00edtulo da cultura do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Pensar esse mundo que nos rodeia e nos chega atrav\u00e9s do liter\u00e1rio exige um esfor\u00e7o de pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o que se materializa em diferentes operadores capazes de direcionar e sustentar an\u00e1lises, interpreta\u00e7\u00f5es, teoriza\u00e7\u00f5es acerca de textos de e sobre literatura. Este \u00e9 o trabalho desenvolvido pelo Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura, contribuir para uma melhor leitura do mundo em que vivemos atrav\u00e9s dos estudos liter\u00e1rios. Os 31 textos que comp\u00f5em este volume nos apresentam, cada um a seu modo, diferentes atos de leitura que contribuem para uma melhor compreens\u00e3o do liter\u00e1rio e da sociedade que o produz.&#8221;<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em>Renata Fl\u00e1via da Silva<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense<\/p>\n<p>Baixe o eBook agora, inteiramente <strong>GR\u00c1TIS<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":15852,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[4081,4828],"product_tag":[160,2151,184,192,122,189,186,4117,156,188,157,187,182,190,183,185,191,163,493],"class_list":{"0":"post-13787","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-estudosliterarios","7":"product_cat-livrosgratis","8":"product_tag-andre-dias","9":"product_tag-capes","10":"product_tag-claudete-daflon","11":"product_tag-critica-literaria","12":"product_tag-ebook","13":"product_tag-empoderamento","14":"product_tag-feminismo","15":"product_tag-gratis","16":"product_tag-literatura","17":"product_tag-literatura-africana","18":"product_tag-literatura-brasileira","19":"product_tag-literatura-brasileira-contemporanea","20":"product_tag-literatura-em-movimento","21":"product_tag-literatura-portuguesa","22":"product_tag-pesquisa-e-investigacao","23":"product_tag-renata-flavia-da-silva","24":"product_tag-teatro","25":"product_tag-uff","26":"product_tag-uff-universidade-federal-fluminense","28":"first","29":"instock","30":"taxable","31":"shipping-taxable","32":"product-type-grouped"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product\/13787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13787"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15852"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=13787"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=13787"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=13787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}