{"id":9908,"date":"2022-06-27T01:30:01","date_gmt":"2022-06-27T01:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=9908"},"modified":"2025-11-20T17:58:47","modified_gmt":"2025-11-20T17:58:47","slug":"a-arte-de-escrever-22-do-conto-ao-nanoconto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-22-do-conto-ao-nanoconto\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 22 \u2013 DO CONTO AO NANOCONTO"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;, \u2026, b\u00f3son, brev\u00edssimo, conto curt\u00edssimo, conto curto, conto ultracurto, contobreve, forma narrativa m\u00ednima, f\u00f3ton, jaculat\u00f3ria, microartigo, microconto, microfic\u00e7\u00e3o, microforma narrativa, microm\u00ednimus, micronarrativa, micr\u00f4nica, microrrelato, microtexto, miniatura, miniconto, minicr\u00f4nica, miniensaio, minific\u00e7\u00e3o, minimus, mininarrativa, minist\u00f3ria, nanoconto, pequeno conto, quark, twitterliteratura, twitterratura, etc., etc., etc., \u2026, &#8230;<\/p>\n<p>Nas inquietas reflex\u00f5es deste texto, navegamos no estudo da terminologia, que tem sido tanto mais ampla quanto maior a imprecis\u00e3o, no entorno das formas narrativas ficcionais m\u00ednimas.<\/p>\n<p><b>1.<\/b><\/p>\n<p>O conto, mas o que \u00e9 o conto? Tudo o que o autor afirma que \u00e9 conto, de fato \u00e9 um conto? O conto \u00e9 aquele conjunto de unidades de tempo e espa\u00e7o com poucas personagens? O conto \u00e9 uma narrativa de poucas p\u00e1ginas que \u00e9 lido \u201cde uma \u00fanica sentada\u201d? O conto \u00e9 uma narrativa curta, sem um grande arco de abrang\u00eancia referencial e in\u00fameras linhas de a\u00e7\u00e3o, como a novela?, ou o conto \u00e9 aquele g\u00eanero liter\u00e1rio sem a amplitude de representa\u00e7\u00e3o do real constru\u00edda no romance?<\/p>\n<p>Convenhamos: n\u00e3o \u00e9 nada disso. E at\u00e9 o que poderia ser parcialmente correto,\u00a0do exposto, j\u00e1 foi derrogado na pr\u00e1tica dos grandes contistas nos \u00faltimos 200 anos.<\/p>\n<p>E o nanoconto, do \u00e2mbito das minist\u00f3rias, da minific\u00e7\u00e3o, \u00e9 o qu\u00ea? O que \u00e9, ou o que pode ser um microconto? E o miniconto, o que \u00e9? \u00c9 um novo tipo textual, \u00e9 um conto ultracurto, \u00e9 um conto curt\u00edssimo? \u00c9 um chiste, uma epifania, uma boutade, uma frase de efeito? Essas micronarrativas s\u00e3o narrativas?, constituem um novo g\u00eanero liter\u00e1rio?, s\u00e3o um haikai sem poesia e sem exig\u00eancias de m\u00e9trica?<\/p>\n<p>Convenhamos, pode at\u00e9 ser um pouquinho bem micro de tudo isso, mas nenhum desses aspectos define as formas narrativas ficcionais m\u00ednimas. Tanto que j\u00e1 estudamos tais microformas <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><b>AQUI<\/b><\/a>, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><b>AQUI<\/b><\/a> e <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/arte-escrever-20-microconto-cacos-estilhacos-fotons\/\"><b>AQUI<\/b><\/a>, e a elas voltamos uma vez mais.<\/p>\n<p>Vamos tratar agora da morfologia do conto, da estrutura das formas narrativas curtas e do advento das formas narrativas curt\u00edssimas, m\u00ednimas, de taxonomia ainda confusa. H\u00e1, no enfoque aqui trabalhado, uma perspectiva te\u00f3rica e um fundo de pr\u00e1tica de escrita tendo em vista a arte de escrever e as oficinas liter\u00e1rias que tratam do conto em geral e, especificamente, do microconto e das demais escritas m\u00ednimas. As defini\u00e7\u00f5es e conceitos buscam, acima de tudo, produzir compreens\u00e3o tendo em vista a escrita criativa.<\/p>\n<p>Iniciemos por uma hip\u00f3tese quanto \u00e0 g\u00eanese hist\u00f3rica da narrativa.<\/p>\n<p><b>2.<\/b><\/p>\n<p>De que modo a narrativa surge no universo humano?<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Tendemos a considerar que o primeiro pressuposto \u00e9 de que h\u00e1 algu\u00e9m que narra, que se constitui como narrador ou que cria um narrador, que tal narrador ganha vida pr\u00f3pria, por assim dizer, e que ent\u00e3o a narrativa se faz.<\/p>\n<p>Walter Benjamim, no estudo \u201cO narrador: considera\u00e7\u00f5es sobre a obra de Nikolai Leskov\u201d,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>distingue o narrador entre greg\u00e1rio e viajante. Deles, surgem dois tipos de narrativa, duas formas de conhecimento. Nas minhas palavras, e com desdobramentos que em parte n\u00e3o constam em Benjamim, desenvolvo \u2013 por minha conta e risco \u2013 tal perspectiva.<\/p>\n<p>O primeiro modo de narrar \u00e9 o do agricultor, que retira a sobreviv\u00eancia, a subsist\u00eancia e a perpetua\u00e7\u00e3o existencial e cultural do registro dos ciclos naturais, contados e recontados no cl\u00e3, em torno da fogueira, para que as novas gera\u00e7\u00f5es sejam forjadas na capacidade e no entendimento das etapas do plantio e do pastoreio, e para que todos reforcem em si a cultura da comunidade.<\/p>\n<p>O segundo tipo de narrador \u00e9 o navegante, que conhece e domina as rotas, os sinais de bonan\u00e7a ou tempestade, o interc\u00e2mbio comercial, a comunica\u00e7\u00e3o com nativos de outras l\u00ednguas, e que, tamb\u00e9m, narra suas aventuras, para que todos do cl\u00e3, e em especial as novas gera\u00e7\u00f5es, saibam dos outros povos, de outras possibilidades existenciais, de novas t\u00e9cnicas e de outras vis\u00f5es de mundo.<\/p>\n<p>Tal narrador arquet\u00edpico enuncia sua narrativa como conhecimento. A fic\u00e7\u00e3o, a poesia e a literatura derivam dessa fogueira de audi\u00eancia cativada por um orador que domina instrumental ret\u00f3rico e expressividade corporal. A narrativa pode ser extensa e seguir por diversas noites, com aventuras encadeadas, ou ser curta, fechar-se na mesma sess\u00e3o, antes do sono e dos sonhos.<\/p>\n<p>Se a narrativa se encadeia em diversas noites em torno de uma personagem, de um mito, de uma saga, com um \u00fanico n\u00facleo, caminhamos para o romance.<\/p>\n<p>Se a narrativa se desdobra desfiando diversas personagens, diversos atores, em diversas narrativas com come\u00e7o meio e fim encadeadas uma na outra, temos o ind\u00edcio da novela com moldura.<\/p>\n<p>Se a narrativa entrela\u00e7a diferentes n\u00facleos, diferentes narradores, diversas narrativas em diversas noites sem que as personagens sejam constantes a cada sess\u00e3o, temos esbo\u00e7o de novela.<\/p>\n<p>Se a narrativa come\u00e7a e termina ainda com a mesma lenha na fogueira, envolve um <b>pathos<\/b> \u00fanico, um desdobrar de a\u00e7\u00f5es para um \u00fanico cl\u00edmax, temos um\u2026 bem, talvez seja a semente de conto, talvez seja o rascunho de uma cr\u00f4nica, talvez seja um epis\u00f3dio solto de uma biografia, talvez seja um caso, ou <b>causo<\/b>, ou uma historieta.<\/p>\n<p>Se, em algum momento, se coloca ritmo e rimas e se acompanha a narrativa com um instrumento ou com alguma percuss\u00e3o, come\u00e7a a surgir a forma da poesia, da l\u00edrica, do poema \u00e9pico.<\/p>\n<p>Se em algum momento ocorre a algu\u00e9m na plateia sintetizar em menos de um minuto a narrativa, o epis\u00f3dio, o cantado ou o narrado, temos, <b>voil\u00e0<\/b>, o nascimento do\u2026 conto curt\u00edssimo, ou do microconto, ou at\u00e9 do nanoconto.<\/p>\n<p>Foram necess\u00e1rios alguns mil\u00eanios para que, da fogueira primordial, o ser humano gerasse o primeiro texto propriamente liter\u00e1rio, indo al\u00e9m das condicionantes do cl\u00e3, indo al\u00e9m do bruxuleio das chamas, indo muito al\u00e9m do conhecimento prim\u00e1rio que aquelas narrativas constitu\u00edam.<\/p>\n<p>A literatura nasce quando o narrado pensa-se como narrativa, quando o poema pensa-se como poesia, quando o ato de enuncia\u00e7\u00e3o se faz ato de reflex\u00e3o sobre si mesmo. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 enuncia\u00e7\u00e3o sobre a enuncia\u00e7\u00e3o, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da ret\u00f3rica sobre a ret\u00f3rica da enuncia\u00e7\u00e3o. A literatura deixa de lado o primado do conhecimento imediato, e passa a mediar outro conhecimento, multidimensional, que deriva da estrutura intr\u00ednseca do modo com que representa e simboliza a subjetividade e o mundo.<\/p>\n<p>Dito assim de modo abstruso, vamos \u00e0 pr\u00e1tica, simples e singular, do dia a dia do escritor diante da lauda em branco ou da tela vazia.<\/p>\n<p><b>3.<\/b><\/p>\n<p>Uma narrativa \u00e9 uma sequ\u00eancia que constitui um enredo e que \u00e9 constitu\u00edda por esse enredo.<\/p>\n<p>O enredo \u00e9 uma sequ\u00eancia de fatos, de micro-acontecimentos, de a\u00e7\u00f5es que determinam rea\u00e7\u00f5es. Sobre um estado inicial \u2013 digamos que congelado \u2013, um ator, uma personagem, uma subjetividade, exerce uma a\u00e7\u00e3o, que pode ser um pensamento, um coment\u00e1rio, um gesto, uma interven\u00e7\u00e3o, um ligeiro tremor de \u00e1gua. O estado inicial \u00e9 modificado e um novo pensamento, um novo coment\u00e1rio, um novo gesto, uma nova interven\u00e7\u00e3o ocorre. Tais a\u00e7\u00f5es podem ser do mesmo ator em cena, podem ser do narrador, podem ser de diferentes personagens, atores ou elementos da narrativa. Algo ocorre, ainda que m\u00ednimo, e algo decorre, ainda que m\u00ednimo, em desdobramento, em resposta, em re-a\u00e7\u00e3o, como pequenina nova onda do c\u00edrculo conc\u00eantrico das \u00e1guas antes im\u00f3veis no lago da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em um romance, s\u00e3o milhares desses micro-acontecimentos, envolvendo um n\u00facleo \u00fanico e constante; em uma novela, de qualquer tipo, s\u00e3o milhares desses micro-acontecimentos, envolvendo linhas narrativas em paralelo; para os autores a quem uma novela \u00e9 o meio-termo entre conto e romance, s\u00e3o um pequeno milhar ou alguns poucos milhares de micro-acontecimentos; em um conto, temos algumas dezenas, algumas centenas, no m\u00e1ximo um milhar e pouco desses micro-acontecimentos.<\/p>\n<p>Em um conto ultracurto, em um miniconto, em um microconto, em um nanoconto \u2013 enfim, em uma minific\u00e7\u00e3o, em uma forma narrativa m\u00ednima, qual o limite quantitativo m\u00e1ximo e m\u00ednimo para esses micro-acontecimentos?<\/p>\n<p><b>4.<\/b><\/p>\n<p>Chamemos a cada um desses micro-acontecimentos de <b>n\u00f3 dram\u00e1tico<\/b>.<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 que <b>n\u00f3 dram\u00e1tico<\/b>, aqui, n\u00e3o \u00e9 a <b>epitasis<\/b> de Arist\u00f3teles, aquela condensa\u00e7\u00e3o de conflitos ap\u00f3s um desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es que se resolve tendo ao fim uma catarse. Ou, nos termos de estudos contempor\u00e2neos, n\u00e3o \u00e9 a tend\u00eancia \u00e0 univocidade de a\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o e tempo, sendo o momento em que um enigma \u00e9 desvelado.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>N\u00f3 dram\u00e1tico aqui \u00e9 cada movimento de a\u00e7\u00e3o, por m\u00ednimo que seja, em uma narrativa.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/b><\/p>\n<p>Um texto, qualquer texto, at\u00e9 por etimologia, \u00e9 uma trama, uma rede, uma teia, uma tela, um entrela\u00e7amento de informa\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas. O n\u00f3 dram\u00e1tico \u00e9 constitu\u00eddo nos encontros de dois fios da <b>tecitura<\/b> que o texto tece. A arte do escritor \u00e9 fazer com perfei\u00e7\u00e3o cada encontro dos fios do tecido, para que o bordado do texto fique sem falhas e sem n\u00f3dulos, sem \u201ctropic\u00f5es\u201d textuais aos olhos na leitura.<\/p>\n<p>Em um di\u00e1logo, cada turno de fala tende a ser, no m\u00ednimo, um n\u00f3 dram\u00e1tico. Uma fala alongada, provavelmente, cont\u00e9m diversos n\u00f3s dram\u00e1ticos, pois a cada per\u00edodo, ou a cada frase, h\u00e1 uma luz nova sobre as personagens em cena, ou sobre objetos em cena, ou sobre conceitos em discuss\u00e3o. Uma \u00fanica frase pode conter diversos n\u00f3s dram\u00e1ticos, com os termos se modificando ou acrescentando significados entre si. A narrativa se faz sob o primado da a\u00e7\u00e3o, sob o primado do enredo enredado, das a\u00e7\u00f5es articuladas na <b>tecitura<\/b>, com os n\u00f3s e os &#8220;vazios&#8221; constituindo signos, gerando significados, texto e discurso.<\/p>\n<p>O <b>n\u00f3 dram\u00e1tico<\/b> \u00e9, pois, o movimento narrativo, \u00e9 o criador do efeito de narrativa, \u00e9 a figura textual que engendra a narratividade. A\u00ed est\u00e1 a diferen\u00e7a entre a fic\u00e7\u00e3o e a l\u00edrica: na l\u00edrica, h\u00e1 descri\u00e7\u00e3o de um estado, do momento est\u00e1tico de uma subjetividade, de um <b>pathos<\/b> que se prolonga, enquanto na narrativa o estado se modifica, o momento se agita, a subjetividade se move, as emo\u00e7\u00f5es transmudam. Claro est\u00e1 que um poema narrativo, ou uma narrativa l\u00edrica, tem narratividade, enreda um enredo e normalmente o desenreda no entrechoque l\u00edrico de subjetividades.<\/p>\n<p>O m\u00f3vel do romance e da novela est\u00e1 nas a\u00e7\u00f5es ininterruptas vivenciadas no papel por atores e personagens, por objetos e cen\u00e1rio, no tempo cronol\u00f3gico e na subjetividade dos sujeitos em cena \u2013 e, assim sendo, fica f\u00e1cil perceber que os g\u00eaneros ficcionais de larga extens\u00e3o constituem uma mir\u00edade de n\u00f3s dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Estudar uma narrativa em <b>close reading<\/b> \u2013 estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica das mais produtivas quanto \u00e0s microfilmes \u2013 \u00e9 descrever as min\u00facias desse movimento, \u00e9 desvendar os significados de cada n\u00f3 da <b>tecitura<\/b>.<\/p>\n<p>Estudar uma narrativa de forma m\u00ednima \u00e9 descrever e compreender o movimento constitu\u00eddo na sucess\u00e3o de n\u00f3s da <b>tecitura<\/b> e, ainda, o significado das elipses, das alus\u00f5es, dos intertextos carnavalizados, canibalizados e minimamente aludidos, textualizados por temas ou signos constitu\u00eddos a partir de &#8220;vazios&#8221; textuais e narrativos.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>5.<\/b><\/p>\n<p>Examinemos, pois, um conto m\u00ednimo na perspectiva aqui sistematizada, com o objetivo de vislumbrar limites que nos permitam tecer uma classifica\u00e7\u00e3o, elaborar uma taxonomia.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: center;\"><b>onde estar\u00e1 o pai?<\/b><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">as oito sacolas biodegrad\u00e1veis escorregavam da cautela apressada e a mulher insistia, imponente, nos passos at\u00e9 a porta, o menino no encal\u00e7o, pois s\u00f3 assim podia ser: escoltar a m\u00e3e e, \u00e0s vezes, obedecer \u2013 ela estacou defronte \u00e0 fechadura, transferiu as compras do bra\u00e7o direito para o esquerdo e procurou a chave \u2013 eles s\u00f3 pretendiam entrar \u2013 recuou a imagina\u00e7\u00e3o at\u00e9 o carro, estacionado na rua, imaginou as janelas abertas, a afoba\u00e7\u00e3o do motor, a brutalidade do vento nos cabelos e experimentou, primeiro o rigor do couro, depois o calafrio do metal, para, repentinamente, pousar uma serenidade naquela avidez \u2013 precisava esperar, qualquer coisa aconteceria a partir dali, algo brando, por\u00e9m abrupto.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Whisner Fraga<br \/>\n<b>Usufruto de<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>dem\u00f4nios<br \/>\n<\/b>Campinas, SP: Of\u00edcios Terrestres, 2022, p. 50<\/p>\n<p>A cena de abertura \u00e9 de que as sacolas, logo sabemos que carregadas por uma mulher, \u201c<b>escorregavam<\/b>\u201d; modalizadas em seu conte\u00fado sem\u00e2ntico, s\u00e3o sacolas \u201c<b>biodegrad\u00e1veis<\/b>\u201d; e a mulher, \u201c<b>imponente<\/b>\u201d, em \u201c<b>cautela apressada<\/b>\u201d, chega \u201c<b>at\u00e9 a porta<\/b>\u201d. Em uma linha e meia, no m\u00ednimo cinco n\u00f3s dram\u00e1ticos, talvez seis, se apresentam, e ent\u00e3o o narrador focaliza \u201co menino <b>no encal\u00e7o<\/b>\u201d, garantindo que n\u00e3o poderia ser diferente o papel da crian\u00e7a que n\u00e3o fosse \u201c<b>escoltar<\/b>\u201d e \u201c<b>\u00e0s vezes, obedecer<\/b>\u201d. Em uma linha, pelo menos mais tr\u00eas ou quatro, talvez cinco n\u00f3s dram\u00e1ticos.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Do foco na m\u00e3e e do foco na crian\u00e7a ressalta o procedimento narrativo da ambiguidade constru\u00edda por oposi\u00e7\u00e3o, em \u201ccautela apressada\u201d, ou por indu\u00e7\u00e3o de d\u00favida, em \u201c\u00e0s vezes\u201d.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>A mulher <b>estaca<\/b>, <b>transfere<\/b>, <b>procura<\/b> \u2013 e o narrador interv\u00e9m, informando, em focaliza\u00e7\u00e3o conjunta, que \u201celes s\u00f3 <b>queriam entrar<\/b>\u201d; tal intrus\u00e3o do narrador, que parece redundante, embora n\u00e3o seja, tem ao menos mais dois papeis no entrecho: banalizar a afli\u00e7\u00e3o instaurada na psiqu\u00ea da personagem, ao mesmo tempo com que contamina o leitor com tal afli\u00e7\u00e3o, no mesmo passo em que faz a passagem da a\u00e7\u00e3o para um mergulho, em discurso indireto livre, nos pensamentos da mulher. Em mais duas linhas e meia, ao menos mais quatro n\u00f3s dram\u00e1ticos, talvez cinco.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>A mulher \u201crecua a imagina\u00e7\u00e3o at\u00e9 o carro\u201d, \u201cestacionado na rua\u201d, imagina janelas, motor, vento, couro, metal. A sucess\u00e3o em cinestesia, modalizada e modificada por adjetivos ou por pares de substantivos, gera ao menos mais onze n\u00f3s dram\u00e1ticos, novamente em duas linhas e meia. Essa sucess\u00e3o de movimentos se encerra com um verbo que indicia tranquilidade, ainda que repentina e inesperada, ind\u00edcio confirmado na palavra serenidade, a que se segue uma modifica\u00e7\u00e3o temporal que funciona como an\u00e1fora de tudo o que veio antes; esse movimento est\u00e1 textualmente posto na sequ\u00eancia, de modo que a ordem do texto, nessa passagem inversa \u00e0 da cronologia, leva o drama ao momento imediatamente anterior ao de fechar a narrativa: \u201cpousar uma serenidade naquela avidez\u201d \u2013 e assim, em cerca de uma linha, ao menos mais quatro n\u00f3s dram\u00e1ticos: <b>repentinamente<\/b>, <b>pouso<\/b>, <b>serenidade<\/b>, <b>avidez<\/b>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span class=\"Apple-converted-space\">Al\u00e9m disso, essa passagem patemiza o texto com a\u00a0configura\u00e7\u00e3o da tranquilidade, de que tudo afinal est\u00e1 bem, sem problemas, para ent\u00e3o fazer no fecho da narrativa uma abertura para o inesperado, o dram\u00e1tico, o impiedoso destino, que no\u00a0entanto fica para al\u00e9m do que a narrativa explicita, textualiza, teatraliza.<\/span><\/p>\n<p>Vejamos a concentra\u00e7\u00e3o de sentidos obtida na <b>tecitura<\/b> de n\u00f3s dram\u00e1ticos no fecho dessa narrativa de Whisner Fraga: \u201cprecisava esperar, qualquer coisa aconteceria a partir dali, algo brando, por\u00e9m abrupto\u201d. Nesta linha, creio eu, temos oito n\u00f3s dram\u00e1ticos, um fecho que magnifica o entrecho encenado, entrecho de recorte banal de alguns passos com uma lembran\u00e7a que aciona um aug\u00fario, uma previs\u00e3o funesta, e que remete de volta ao t\u00edtulo, em movimento circular de leitura, na eternidade exemplar do narrado: \u201conde estar\u00e1 o pai?\u201d<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O fecho que n\u00e3o encerra, que n\u00e3o \u00e9 moldura de fim, \u00e9 potente e ocupa uma \u00fanica linha. Tal concentra\u00e7\u00e3o de <b>n\u00f3s dram\u00e1ticos<\/b> nos traz efeito de <b>intensidade<\/b>, aspecto fundamental na constru\u00e7\u00e3o de contos m\u00ednimos e decisivo no estudo das micronarrativas.<\/p>\n<p>O que tal movimento ressalta, no conto de Whisner Fraga, \u00e9 a ang\u00fastia da aus\u00eancia do pai biol\u00f3gico da crian\u00e7a, aus\u00eancia talvez circunstancial, talvez hist\u00f3rica, mas aus\u00eancia duramente sentida no contexto encenado, al\u00e9m da aus\u00eancia existencial do Pai, o protetor celestial, a livrar a mulher e seu filho da dor trivial de uma chave esquecida e das dores maiores da humana lida.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>No estilo gr\u00e1fico que Whisner Fraga tornou caracter\u00edstico da sua fic\u00e7\u00e3o, todo o texto, incluso o t\u00edtulo, est\u00e1 em min\u00fasculas, o que iguala pai terrestre, pai celestial, mulher e crian\u00e7a em um mesmo diapas\u00e3o. Al\u00e9m disso, a narrativa se apresenta em um \u00fanico fluxo, entrecortada apenas por v\u00edrgulas e travess\u00f5es (dois deles, parent\u00e9ticos, e dois deles pontuando c\u00e2mbios narrativos entre vozes das personagens ou entre o discurso da personagem e o discurso do narrador).<\/p>\n<p>A narrativa de Whisner Fraga, de nove linhas (a contagem de linhas segue o rascunho da minha digita\u00e7\u00e3o), cont\u00e9m no m\u00ednimo 27 n\u00f3s dram\u00e1ticos na <b>tecitura<\/b> de seu enredo. No livro, s\u00e3o 13 linhas e um quarto da 14\u00aa linha. Uma m\u00e9dia, no livro, de dois n\u00f3s dram\u00e1ticos por linha. Ademais, cont\u00e9m 702 caracteres (incluindo espa\u00e7os), 110 palavras e 589 caracteres sem contar os espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A ficha catalogr\u00e1fica registra que s\u00e3o contos (at\u00e9 porque, lamentavelmente, a classifica\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica normativa ainda n\u00e3o incorporou os g\u00eaneros e as formas narrativas m\u00ednimas); por seu lado, o posf\u00e1cio do livro, assinado por Gabriel Morais Medeiros, pontua: \u201cnarrativas curtas\u201d, \u201ccontos\u201d, \u201cfragmentos\u201d, \u201cpequenas narrativas\u201d, \u201cestilha\u00e7os de prosas po\u00e9ticas\u201d, \u201cpar\u00f3dias de minicontos\u201d e, novamente, \u201cfragmentos\u201d.<\/p>\n<p>Exceto na men\u00e7\u00e3o a minicontos, a op\u00e7\u00e3o de taxonomia parece ser a de que temos contos configurados por serem curtos, pequenos, fragment\u00e1rios, em linguagem na qual predomina a prosa po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Verifiquemos um outro aspecto, que nos importa ao elaborarmos nossa t\u00e1boa com a nomenclatura das formas narrativas m\u00ednimas. Eis como se encerra a <b>tecitura<\/b> de Whisner Fraga: \u201cqualquer coisa aconteceria a partir dali, algo brando, por\u00e9m abrupto\u201d \u2013 e, ent\u00e3o, o ponto final fecha o texto.<\/p>\n<p>A sem\u00e2ntica indica que algo acontecer\u00e1, \u201caconteceria\u201d \u2013 evento que permanece em suspenso, \u201cbrando, por\u00e9m abrupto\u201d, que se localiza para al\u00e9m do que est\u00e1 encenado, para al\u00e9m do recorte que o narrador registra. O texto termina sem tal desdobramento, sem ser textualizado o acontecimento anunciado com perfil de cl\u00edmax.<\/p>\n<p>Temos aqui um novo conceito importante na configura\u00e7\u00e3o das narrativas ficcionais: se o enredo tradicional do conto enreda uma mudan\u00e7a de estado, uma <b>reviravolta<\/b>, ou \u2013 nas novelas e romances \u2013 uma sequ\u00eancia de reviravoltas, nas formas narrativas m\u00ednimas tal reviravolta, no mais das vezes, \u00e9 t\u00e3o s\u00f3 indiciada \u2013 ou a forma m\u00ednima j\u00e1 se instaura ap\u00f3s a reviravolta, ou s\u00f3 registra o \u00e1pice em cl\u00edmax, ou t\u00e3o s\u00f3 delineia a pulsa\u00e7\u00e3o que vai se desdobrar al\u00e9m da narrativa.<\/p>\n<p>Guardemos o que apuramos da leitura empreendida, e verifiquemos agora \u2013 de modo te\u00f3rico-normativo \u2013 o universo das formas narrativas m\u00ednimas.<\/p>\n<p><b>6.<\/b><\/p>\n<p>Vamos, pois, definir os (in)exatos limites de uma po\u00e9tica do m\u00ednimo narrativo ficcional.<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o e no aparato te\u00f3rico de configura\u00e7\u00e3o do mini, do micro e do nano temos, conforme j\u00e1 anotado, certa abund\u00e2ncia da terminologia ao lado de muita imprecis\u00e3o na taxonomia. Vamos aos dicion\u00e1rios para circunscrever uma, digamos, hierarquia de tamanho, de volume, de extens\u00e3o e de dimens\u00f5es, em um primeiro momento quantitativo e, em seguida, qualitativo.<\/p>\n<p>Vejamos, em ordem alfab\u00e9tica, os tr\u00eas termos mais utilizados: micro, mini e nano.<\/p>\n<p><b>Micro<\/b> \u00e9 a mil\u00e9sima parte do mil\u00edmetro; indica escala microsc\u00f3pica. Refere-se ao que \u00e9 muito pequeno. No Sistema Internacional de Unidades, equivale a 10 elevado a -6 = 0, 000 001.<\/p>\n<p><b>Mini<\/b> indica o que \u00e9 muito pequeno. O termo n\u00e3o \u00e9 utilizado no Sistema Internacional de Unidades. Relativo a miniatura. Conto de extens\u00e3o muito pequena. Extremamente pequeno. Diversos dicion\u00e1rios exemplificam com a palavra minissaia.<\/p>\n<p><b>Nano<\/b> equivale a um bilion\u00e9simo do grama, do litro, do metro e, no tempo, do segundo. No Sistema Internacional de Unidades, equivale a 10 elevado a -9; ou seja, Nano \u00e9 o mil\u00e9simo de milion\u00e9simo (bilion\u00e9simo), o que \u00e9 assim expresso: 0, 000 000 001.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Os tr\u00eas termos s\u00e3o utilizados na medida dos chips dos celulares: mini \u00e9 o maior (ainda que seja bem pequeno), micro \u00e9 o intermedi\u00e1rio e nano \u00e9 o menor de todos.<\/p>\n<p>Dadas as defini\u00e7\u00f5es coletadas, vamos tratar a menor narrativa ficcional que possa haver com a denomina\u00e7\u00e3o de nanoconto; a segunda menor narrativa que possa haver com a denomina\u00e7\u00e3o de microconto; e a terceira menor narrativa que possa haver com a denomina\u00e7\u00e3o de miniconto. Parece ser o movimento mais coerente com os respectivos significados de cada um desses prefixos.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, a quarta menor narrativa que possa haver n\u00f3s a denominamos de<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>conto ultracurto. E a quinta menor narrativa n\u00f3s a denominamos de<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>conto curto.<\/p>\n<p>Com a palavra tradicional, conto, denominamos as narrativas ficcionais que ultrapassem a configura\u00e7\u00e3o de conto curto at\u00e9 o limite da novela e do romance, que est\u00e3o al\u00e9m deste estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Em uma \u201cequa\u00e7\u00e3o\u201d, temos a seguinte sequ\u00eancia,<br \/>\nem que o sinal <b>&lt; <\/b>significa \u201cmenor qu\u00ea\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b>Nanoconto &lt; Microconto &lt; Miniconto<span class=\"Apple-converted-space\"><br \/>\n<\/span><\/b><b>&lt; Conto Ultracurto &lt; Conto Curto &lt; Conto<\/b><\/p>\n<p>Para estabelecer os limites de cada subg\u00eanero vamos utilizar, de in\u00edcio e de modo simult\u00e2neo, uma medida intr\u00ednseca, da estrutura do liter\u00e1rio, o conceito de <b>n\u00f3 dram\u00e1tico<\/b>, conforme definido e exemplificado acima, e uma medida, digamos, externa, exata, que est\u00e1 na objetividade do texto: a contagem de caracteres + espa\u00e7os (a que nomeamos <b>toques<\/b>), e que \u00e9 fornecida por qualquer editor de texto. Em complemento, utilizamos tamb\u00e9m os conceitos de <b>densidade<\/b> e de <b>reviravolta<\/b>.<\/p>\n<p>Uma defini\u00e7\u00e3o pr\u00e9via se imp\u00f5e: qual o par\u00e2metro te\u00f3rico e pr\u00e1tico para distinguir o conto tradicional, de Poe a nossos dias, das narrativas m\u00ednimas que emergiram com o nosso mundo digital, nuclear e qu\u00e2ntico?<\/p>\n<p>Defino tal limite (ou <b>limes<\/b>) entre as novas formas m\u00ednimas e o conto a partir de uma \u00fanica pergunta: a narrativa sob exame pode ser lida tendo por par\u00e2metro as teorias do conto expressas por Poe, Tchekov, Joyce, Kafka, Hemingway e Piglia?, pode ser <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura\/\"><b>descrito-analisado-interpretado-compreendido<\/b><\/a> com as ferramentas com que leio Maupassant, Machado, Mansfield, Woolf, Borges, Guimar\u00e3es Rosa e Cort\u00e0zar?<\/p>\n<p>\u00c9, pois, no que j\u00e1 est\u00e1 assentado nas teorias do conto e na pr\u00e1tica da escrita e da exegese dos autores paradigm\u00e1ticos da hist\u00f3ria do conto que encontro a linha divis\u00f3ria entre eles e o conto microm\u00ednimo de nossos dias.<\/p>\n<p>O conto curto deve ser inserido na mesma l\u00f3gica de leitura do conto; ao longo do s\u00e9culo XIX e XX tivemos muitos contos curtos de grandes contistas. No Brasil, entre outros autores, Dalton Trevisan, desde os anos 1950, e Luiz Vilela, desde os anos 1960, nos legaram diversos contos curtos de excepcional fatura. Tal movimento tem seus ep\u00edgonos nas gera\u00e7\u00f5es seguintes. Tais contos curtos s\u00e3o lidos com a teoria do conto, conforme os autores acima os inventaram, e se insere na mesma l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o textual que realizaram.<\/p>\n<p>J\u00e1 o nanoconto, o microconto, o miniconto e o conto ultracurto ganham uma din\u00e2mica inteiramente diferenciada, um contexto criador diverso, uma morfologia e uma mec\u00e2nica enunciativa com pressupostos completamente diferentes. A meu ver, ao escaparem das possibilidades te\u00f3ricas consagradas, constituem g\u00eanero novo e demandam um novo paradigma te\u00f3rico, capaz de os compreender, cada um deles em sua especificidade no \u00e2mbito das formas narrativas ficcionais m\u00ednimas.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o, vejamos.<\/p>\n<p>Poe quer um tom e um efeito \u00fanico para o conto \u2013 e as formas narrativas m\u00ednimas destoam, descartam tais modula\u00e7\u00f5es e buscam o impacto singular, nocauteiam com um \u00fanico golpe, suave e brutal, no instante mesmo em que o gongo soa para o in\u00edcio da leitura. As formas narrativas ficcionais m\u00ednimas n\u00e3o permitem ao leitor sequer se sentar.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Tchekov afirma que um conto pode n\u00e3o ter final, mas que n\u00e3o h\u00e1 maneira de n\u00e3o existir sua moldura de in\u00edcio. As minist\u00f3rias n\u00e3o tem nem in\u00edcio nem fim com as molduras das narrativas \u201ccl\u00e1ssicas\u201d.<\/p>\n<p>Joyce prescreve a epifania como movimento do di\u00e1logo encenado para que a personagem passe por transforma\u00e7\u00e3o(\u00f5es) existencial(is). A microfic\u00e7\u00e3o, quando muito, tem um momento \u00fanico de ilumina\u00e7\u00e3o, sem tempo-espa\u00e7o para a personagem ser exposta no processo de se transformar.<\/p>\n<p>Kafka narra um filme com come\u00e7o, meio e fim na sucess\u00e3o do avesso, do absurdo e do inusual. O contista qu\u00e2ntico quando muito fotografa um \u00e1tomo do caos com a lente da elipse.<\/p>\n<p>Hemingway constr\u00f3i um iceberg do qual conhece analogicamente inclusive as \u00e1guas do oceano em volta. O contista digital resume a narrativa a dois bytes, seja no nanoconto, no microconto, no miniconto ou no conto ultracurto.<\/p>\n<p>Piglia v\u00ea no conto uma hist\u00f3ria evidente e uma hist\u00f3ria secreta, cifrada nos interst\u00edcios da primeira hist\u00f3ria. Para os ficcionistas das formas m\u00ednimas n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 verdade, e a narrativa est\u00e1 no vazio, na elipse, na alus\u00e3o, na <b>tecitura<\/b> medida em microns, em quarks, em f\u00f3tons, em b\u00f3sons, no espa\u00e7o de uma \u00fanica parte do bilion\u00e9simo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que se registre que os grandes poetas e os grandes ficcionistas produziram, desde o s\u00e9culo XIX, e mesmo antes, alguns contos ultracurtos e at\u00e9 minicontos, mas o fizeram de modo excepcional e n\u00e3o com o prop\u00f3sito est\u00e9tico e de representa\u00e7\u00e3o referencial que hoje move os novos microcontistas.<\/p>\n<p>O texto de Whisner Fraga, acima destrinchado quanto aos n\u00f3s dram\u00e1ticos que fazem a tecitura da narrativa, parece bem na fronteira do conto ultracurto para o conto curto.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Isso nos faz definir em 700 caracteres (incluindo espa\u00e7os) e em 35 n\u00f3s dram\u00e1ticos o limite m\u00e1ximo para um <b>conto ultracurto<\/b> (poder\u00edamos, de modo objetivo, tamb\u00e9m mencionar o n\u00famero de palavras, de linhas \u2013 definindo fonte e corpo da fonte para padronizar \u2013 ou de caracteres sem espa\u00e7os). A partir de considera\u00e7\u00f5es do nanoconto, do microconto e do miniconto, que est\u00e3o abaixo, o tamanho m\u00ednimo do conto ultracurto fica em 551 caracteres (com espa\u00e7os) e 29 n\u00f3s dram\u00e1ticos. <b>Importante<\/b>: esses n\u00fameros s\u00e3o meramente referenciais, h\u00e1 que ler cada narrativa m\u00ednima em sua fatura liter\u00e1ria para discernir em qual categoria ela deve ser inclu\u00edda.<\/p>\n<p>Nomeamos ao nanoconto, ao microconto, ao miniconto e ao conto ultracurto, genericamente, quando for o caso, de microfic\u00e7oes, ou minist\u00f3rias, ou utilizamos para eles qualquer termo similar, aglutinador, sint\u00e9tico, tendo claro, sempre, que nos referimos \u00e0s <b>formas narrativas ficcionais m\u00ednimas<\/b>.<\/p>\n<p>Dito isso, o conto curto se estabelece a partir de 701 caracteres e 36 n\u00f3s dram\u00e1ticos at\u00e9 3500 caracteres e 175 n\u00f3s dram\u00e1ticos; e o conto tradicional, nesse caso, a partir de 3501 caracteres e 151 n\u00f3s dram\u00e1ticos, at\u00e9 algo impreciso e indefin\u00edvel em torno de 20 mil ou 30 mil caracteres (sempre com espa\u00e7os) e 800 a mil n\u00f3s dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Importa muito ressaltar \u2013 n\u00e3o custa repetir \u2013 que essas indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o par\u00e2metros gen\u00e9ricos, e que cada pe\u00e7a liter\u00e1ria deve ser analisada intrinsecamente para ser classificada. Importa, ainda, acrescentar dois outros aspectos:<\/p>\n<ol>\n<li>Os autores \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 os geniais, os grandes \u2013 s\u00e3o inventivos e adoram mostrar que s\u00e3o capazes de realizar o que a teoria define de outro modo; esse \u00e9, ali\u00e1s, um crit\u00e9rio para diferenciar escritores de escrevinhadores, autores de aprendizes, amadores (de quem ama) de amadores (de quem s\u00f3 rascunha precariamente);<\/li>\n<li>Essa classifica\u00e7\u00e3o, como qualquer taxonomia, pouco acrescenta \u00e0 leitura liter\u00e1ria, sendo antes t\u00e3o s\u00f3 ponto de partida da descri\u00e7\u00e3o, a partir da qual se pode chegar \u00e0 efetiva leitura do texto liter\u00e1rio que for devidamente analisado e interpretado, para s\u00f3 ent\u00e3o se produzir uma exegese, uma hermen\u00eautica, uma compreens\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O <b>nanoconto<\/b> come\u00e7a com zero caractere e zero n\u00f3 dram\u00e1tico (sim, h\u00e1 microconto com essa fatura: ver <b>minimus &amp; brev\u00edssimos<\/b>, dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/minimusbrevissimos\/\"><b>AQUI<\/b><\/a>) e vai at\u00e9 cinco n\u00f3s dram\u00e1ticos em 99 caracteres (com espa\u00e7os).<\/p>\n<p>O <b>microconto<\/b> vai de 100 a 333 caracteres (com espa\u00e7os) e de 6 a 17 n\u00f3s dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O <b>miniconto<\/b> se define a partir 334 caracteres (com espa\u00e7os), at\u00e9 550 caracteres (com espa\u00e7os), tendo entre 18 a 28 n\u00f3s dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Quanto ao <strong>n\u00famero de palavras<\/strong>, em uma primeira visada taxon\u00f4mica, talvez possamos considerar que o\u00a0<strong>nanoconto<\/strong> fica mais ou menos entre zero e 15 palavras; o <strong>microconto<\/strong>, entre 16 e 45; o <strong>miniconto<\/strong>, entre 46 e 90; e o <strong>conto ultracurto<\/strong>, com entre 91 e 120 palavras. Esses\u00a0<em><strong>limes<\/strong><\/em>, no entanto, precisam ser ainda mais el\u00e1sticos que o referente \u00e0 contagem de\u00a0<strong>n\u00f3s dram\u00e1ticos<\/strong>, que \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 narratividade e, portanto, mais decisiva, a meu ver, do ponto de vista estrutural.<\/p>\n<p>Outras caracter\u00edsticas a serem eventualmente consideradas:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<ul>\n<li>o n\u00famero de linhas deve ser considerado na diferencia\u00e7\u00e3o entre as formas m\u00ednimas (no microconto, 12 linhas no m\u00e1ximo \u00e9 o par\u00e2metro dos concursos realizados na Pangeia \u2013 ver\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Micros-Beag\u00e1\"><strong><em>Micros-Beag\u00e1<\/em><\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Micros-\u00c1frica\"><strong><em>Micros-\u00c1frica<\/em><\/strong><\/a> e <span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Micros-Uai\"><strong><em>Micros-Uai!<\/em><\/strong><\/a> <\/span>\u2013, o que parece bastante razo\u00e1vel);<\/li>\n<li>o t\u00edtulo \u00e9 obrigat\u00f3rio em qualquer uma das formas m\u00ednimas (nos editais da Pangeia se prescreve que devem ter no m\u00e1ximo dezoito toques e que devem ficar em uma \u00fanica linha; as duas exig\u00eancias, talvez, n\u00e3o sejam assim t\u00e3o razo\u00e1veis, mas \u00e9 um crit\u00e9rio que pode ser observado com proveito).<\/li>\n<\/ul>\n<p>As prescri\u00e7\u00f5es dos concursos da Pangeia, ao que parece, visam obter padroniza\u00e7\u00e3o editorial e par\u00e2metros mais igualit\u00e1rios de julgamento, mas devem ficar em aberto \u2013 \u00e9 o que penso \u2013 nos projetos individuais, devido a quest\u00f5es est\u00e9ticas intr\u00ednsecas de cada narrativa e devido ao exerc\u00edcio da criatividade, da inventividade e das necessidades expressivas dos autores.<\/p>\n<p><b>7.<\/b><\/p>\n<p>Momento de retomarmos nossa \u201cequa\u00e7\u00e3o\u201d, preenchendo-a com as informa\u00e7\u00f5es acima delineadas de caracteres + espa\u00e7os (<strong>toques<\/strong> ou TQS) e <strong>n\u00f3s dram\u00e1ticos<\/strong>:<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\"><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\"><b>TOQUES<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\"><b>N\u00d3S<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b>Obs.:<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\"><b>Nanoconto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\">0 &#8211; 99<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"top\">0 &#8211; 5<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">*<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b>Microconto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">100 &#8211; 333<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">6 &#8211; 17<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">*<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b>Miniconto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">334 &#8211; 550<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">18 &#8211; 28<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">*<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b>Conto Ultracurto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">551 &#8211; 700<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>29 &#8211; 35<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">*<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Conto Curto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">701 &#8211; 3.500<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">36 &#8211; 175<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">**<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><b>Conto<\/b><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>3.501-\u2026<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">176 -\u2026<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" valign=\"middle\">***<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">* Integra o rol das micronarrativas, das <b>formas narrativas ficcionais m\u00ednimas<\/b>, que constituem um novo g\u00eanero cuja g\u00eanese se deu, quanto ao referente hist\u00f3rico, com os adventos da tecnologia digital, da universaliza\u00e7\u00e3o da web e das descobertas no \u00e2mbito do universo qu\u00e2ntico. Essas narrativas demandam um novo referencial te\u00f3rico, que autores e estudiosos ainda est\u00e3o no processo de construir.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">** O conto curto, a princ\u00edpio, atende ao referencial te\u00f3rico do conto, o conto teorizado e realizado ao longo dos s\u00e9culos XIX e XX.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">*** A partir do racioc\u00ednio aqui empreendido, o tamanho m\u00e1ximo para um conto est\u00e1 entre 20 mil e 30 mil caracteres (com espa\u00e7os), com algo entre 800 e mil n\u00f3s dram\u00e1ticos &#8211; a partir da\u00ed estamos no \u00e2mbito das narrativas longas, as novelas e os romances.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><b>Obs. complementar e fundamental<\/b>: os n\u00fameros aqui anotados s\u00e3o meramente indicativos, n\u00e3o sendo balizas inarred\u00e1veis ou decisivas: cada texto ficcional deve ser lido a partir do que realiza e do que se prop\u00f5e como objeto est\u00e9tico.<\/p>\n<p>Problematizemos essa observa\u00e7\u00e3o complemental e fundamental em detalhe.<\/p>\n<p>Podemos ter um microconto com 150 caracteres mais espa\u00e7os (TQS) e somente 5 n\u00f3s dram\u00e1ticos? Sim. E podemos ter um nanoconto com 10 n\u00f3s dram\u00e1ticos em 90 TQS? Tamb\u00e9m sim. Os limites, as delimita\u00e7\u00f5es, s\u00e3o refer\u00eancias: como um <b>limes<\/b>, n\u00e3o como limites, demarcam faixas com amplitude, e cada faixa, na pr\u00e1tica liter\u00e1ria, n\u00e3o est\u00e1 atrelada \u00e0 outra faixa. \u00c9 o jogo original entre elas, ali\u00e1s, que criam as maiores surpresas, os encantos est\u00e9ticos diferenciados.<\/p>\n<p>Para que servem, ent\u00e3o, tais delimita\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica da escrita, cada categoria da narrativa, cada texto, cada entrecho de narrativa, cada enredo, cada <b>tecitura<\/b>, etc., etc., etc. faz \u2013 cada uma e cada um \u2013 as suas exig\u00eancias. O narrador se imp\u00f5e, o autor disp\u00f5e, a ret\u00f3rica estil\u00edstica prop\u00f5e, as personagens contrap\u00f5em, os textos reprop\u00f5em, etc., etc. E assim, do jogo da escrita, com seus muitos vetores, temos um texto final que representa o engenho e arte autorais na busca da melhor express\u00e3o para aquela narrativa.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>As classifica\u00e7\u00f5es taxon\u00f4micas ajudam a descrever, a entender, a compreender o texto, a <b>tecitura<\/b>, o discurso, os sentidos e os significados constru\u00eddos. Ajudam o autor a moldar a forma m\u00ednima, na norma ou ao arrepio da norma. Ajudam a definir o referencial te\u00f3rico adequado para o estudo daquela narrativa em espec\u00edfico. Ajudam o leitor emp\u00edrico a discernir os efeitos de sentido que o texto \u2013 tramado, tecido, entramado em <b>tecitura<\/b>, tessitura e texturas \u00fanicas \u2013 lhe disp\u00f5e.<\/p>\n<p>Eis um exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">EXPLODIU<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Esperan\u00e7oso saudoso exausto,<br \/>\no soldado voltava da guerra<br \/>\nquando pisou no explosivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Rauer, \u201cbrev\u00edssimos\u201d, p. 251<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Com o t\u00edtulo, que aqui \u00e9 mais do que paratexto e se inclui como fecho da narrativa, s\u00e3o ao menos dez n\u00f3s dram\u00e1ticos em 83 caracteres (incluindo espa\u00e7os), ou 93 caracteres, contando com o t\u00edtulo. Exceto as preposi\u00e7\u00f5es, os artigos e a pontua\u00e7\u00e3o, todas as palavras modificam, modalizam, alteram ou acrescem significados, constituindo-se pois em n\u00f3s dram\u00e1ticos; no modo como est\u00e1, sem virgulas na primeira linha, os termos, al\u00e9m dos sentidos espec\u00edficos dos voc\u00e1bulos, imp\u00f5em sentidos novos \u00e0s demais palavras da enumera\u00e7\u00e3o, similar a bem\u00f3is e sustenidos, entre si engendrando e acrescentando<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>significados e novos significados ou meio-significados. Ademais, a <b>reviravolta<\/b> decisiva instala-se para al\u00e9m do texto, no paratexto do t\u00edtulo, figurando assim mais uma caracter\u00edstica das formas narrativas m\u00ednimas, e h\u00e1 densidade, <b>intensidade<\/b> quanto ao volume de n\u00f3s dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Na equa\u00e7\u00e3o proposta, dez n\u00f3s dram\u00e1ticos indicam a classe dos microcontos, enquanto 93 caracteres (+ espa\u00e7os) fica na categoria do nanoconto. (Quanto ao n\u00famero de palavras, 12 + uma no t\u00edtulo, ter\u00edamos tamb\u00e9m um nanoconto). Com esses dados, de que modo devemos classificar tal minist\u00f3ria?<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Eu diria que \u00e9 um microconto extremamente sint\u00e9tico, que preenche informa\u00e7\u00f5es objetivas contextuais e subjetivas, do \u00e2mbito da personagem, com come\u00e7o, meio e fim, um espa\u00e7o (guerra), um tempo que engloba futuro e passado em um presente abrupto (quando), sendo, pois, micronarrativa com extens\u00e3o de nanoconto que se realiza em um microconto, ao complexificar grande volume de n\u00f3s dram\u00e1ticos. E a narrativa de Whisner Fraga \u00e9 um vibrante conto ultracurto, firmemente inserido no modo de constru\u00e7\u00e3o das microformas ficcionais.<\/p>\n<p>Os demais termos elencados \u2013 al\u00e9m dos termos que constituem a taxonomia delineada (nanoconto, microconto, miniconto, conto ultracurto, conto curto e conto) \u2013, a saber: \u2026, brev\u00edssimos, conto curt\u00edssimo, contobreve, formas narrativas m\u00ednimas, microartigo, microfic\u00e7\u00e3o, microformas narrativas, microm\u00ednimus, micronarrativa, micr\u00f4nicas, microrrelato, microtexto, minicr\u00f4nica, miniensaio, minific\u00e7\u00e3o, minimus, mininarrativa, minist\u00f3ria, pequeno conto, twitterliteratura, twitterratura, etc., etc., etc., \u2026, al\u00e9m de outros que porventura n\u00e3o me lembrei ou que desconhe\u00e7a, me parece que devem ser utilizados de modo gen\u00e9rico, referindo-se a quest\u00f5es espec\u00edficas ou a determinadas circunst\u00e2ncias, sendo utilizados de maneira geral para se referir ao conjunto das formas narrativas ficcionais m\u00ednimas.<\/p>\n<p><b>8.<\/b><\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de taxonomia aqui empreendido passou por considera\u00e7\u00f5es, por \u201candaimes\u201d, cujo registro talvez possa ser produtivo ao leitor em busca de proposi\u00e7\u00f5es para escrita criativa, ainda que sejam considera\u00e7\u00f5es de cunho te\u00f3rico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9911 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"556\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-300x169.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-768x432.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-700x394.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280-400x225.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/abstract-1588720_1280.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/>Antes de n\u00f3 dram\u00e1tico, imaginei em aplicar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das formas m\u00ednimas a ideia de sinapses (que, ali\u00e1s, ilustram essas reflex\u00f5es). Nesse caso, n\u00e3o ter\u00edamos tecitura e sim rede neural ou rede de sinapses ou rede espacial; a teia se apresentaria com v\u00e1rias camadas e as rela\u00e7\u00f5es entre os n\u00f3s pareceriam algo aleat\u00f3rias, interligando sinapses de diferentes camadas, com os &#8220;n\u00f3s&#8221; se apresentando em diversos cruzamentos simult\u00e2neos.<\/p>\n<p>Nessa &#8220;imagem&#8221;, a concep\u00e7\u00e3o das formas narrativas ficcionais m\u00ednimas se daria a partir do conceito de sinapses, com amplitude espacial, e n\u00e3o em plano \u00fanico, como no tecido de uma trama textual, o que me parece muito mais interessante e adequado \u00e0 pr\u00e1tica da escrita microm\u00ednima. Considerei, no entanto, que tal proposi\u00e7\u00e3o exige conceitos novos de linguagem, de texto e de narrativa muito diversos dos usuais no momento, e optei por um passo te\u00f3rico mais cauteloso, nesse instante.<\/p>\n<p>A ideia de rizomas \u2013 que talvez tenha ocorrido a quem me l\u00ea \u2013 n\u00e3o me pareceu adequada, e n\u00e3o s\u00f3 porque geraria confus\u00f5es conceituais desnecess\u00e1rias, por j\u00e1 ser utilizada e aplicada \u00e0s ci\u00eancias humanas em geral e eventualmente nos estudos liter\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sinapses, de modo mais pr\u00f3ximo ao racioc\u00ednio desenvolvido, tamb\u00e9m refleti sobre as palavras tessela, tessitura, tecela (um neologismo, me parece). Em algum momento futuro, talvez venha a utiliz\u00e1-las, com o aprofundamento das reflex\u00f5es aqui iniciadas. Est\u00e1 claro desde sempre, me parece, que as considera\u00e7\u00f5es aqui desenvolvidas s\u00e3o um primeiro passo taxon\u00f4mico, algo instintivo, digamos assim, preso a \u00e2mbito conceitual j\u00e1 existente quanto ao macro, trabalhando novas concep\u00e7\u00f5es somente no \u00e2mbito da micronarrativa.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O conceito de elipse, tomando-o para significar o vazio, o espa\u00e7o sem nada entre os n\u00f3s da rede da tecitura, um entre n\u00f3s na tela, \u00e9 um equ\u00edvoco, pois n\u00e3o se trata efetivamente de um vazio: a elipse integra o texto como uma for\u00e7a gravitacional, do mesmo modo que a \u201cmassa escura\u201d permeia todos os corpos do universo. Ou seja, a teia, uma teia de aranha, por exemplo, tem vazios entre os fios e os n\u00f3s, mas o espa\u00e7o entrefios no tecer da trama textual est\u00e1 preenchido. A elipse \u00e9 determinada textualmente, \u00e9 apreendida no seu papel e no que intrinsecamente gera de compreens\u00e3o ao texto, ela \u00e9 determin\u00e1vel, ainda que qualquer um dos seus sentidos s\u00f3 se torne discurso na compreens\u00e3o subjetiva do receptor.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Em outras palavras, quando escrevemos que um texto ou uma elipse \u201cdiz tal coisa\u201d, diz para n\u00f3s no nosso momento, no nosso <b>hic et nunc<\/b>, no limite do nosso conhecimento, discernimento e idiossincrasias.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ainda assim, nas formas narrativas ficcionais m\u00ednimas, a elipse, e o que nomeamos de \u201cn\u00e3o-dito\u201d, est\u00e1 dito: a palavra elipse n\u00e3o vem \u00e0 baila como sin\u00f4nimo de vazio, pois nas micronarrativas tal vazio \u00e9 um modo ret\u00f3rico de \u201cdizer\u201d algo.<\/p>\n<p>Importa acrescentar que a amplia\u00e7\u00e3o de significados que observamos nas formas m\u00ednimas se d\u00e1 por rela\u00e7\u00f5es interculturais antropof\u00e1gicas, um pluri-intertexto estendido; dito de outro modo, o leitor \u2013 nas formas narrativas ficcionais m\u00ednimas \u2013 mergulha nos tempos e nos espa\u00e7os do humano, das culturas, da vida e da morte.<\/p>\n<p><b>9.<\/b><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o que nos importa, aos autores, aos criadores, aos escritores que escrevem contos, que escrevem <b>narrativas de formas m\u00ednimas<\/b>, que querem somente dar vaz\u00e3o \u00e0 vontade de contarem hist\u00f3rias e, atrav\u00e9s da fic\u00e7\u00e3o, tentarem entender o mundo, discernir classifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o estrita de um novo g\u00eanero liter\u00e1rio com seus subg\u00eaneros?<\/p>\n<p>Nada, absolutamente nada, pois em literatura as regras existem para que as derroguemos de modo inapel\u00e1vel, embora tais limes sejam, ao mesmo tempo, um guia, um mapa, um conjunto de no\u00e7\u00f5es que orienta o discernimento para a discord\u00e2ncia, a constru\u00e7\u00e3o de efeitos, o esfor\u00e7o est\u00e9tico da realiza\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Importa tamb\u00e9m considerar que, at\u00e9 mesmo nos romances-rio, nos romances de v\u00e1rios volumes, quanto maior a concentra\u00e7\u00e3o de sentidos constru\u00eddos com o menor n\u00famero de voc\u00e1bulos, maior e mais significativa \u00e9 a for\u00e7a liter\u00e1ria do texto. As micronarrativas exponenciam tal pot\u00eancia.<\/p>\n<p>No exemplo analisado, Whisner Fraga faz extraordin\u00e1ria concentra\u00e7\u00e3o de n\u00f3s dram\u00e1ticos nas duas linhas que encerram sua narrativa. A amplitude do <b>pathos<\/b> assim constitu\u00edda, a <b>intensidade<\/b> assim criada, substitui o cl\u00edmax do conto tradicional (de extens\u00e3o superior a 3.501 caracteres mais espa\u00e7os), e como o cl\u00edmax n\u00e3o \u00e9 textualizado, <strong>n\u00e3o h\u00e1<\/strong> <b>reviravolta<\/b>, e a aus\u00eancia de reviravolta \u00e9 elemento central na constitui\u00e7\u00e3o das formas narrativas m\u00ednimas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o nanoconto \u00e9 a narrativa que, em uma \u00fanica linha, concentra tantos n\u00f3s dram\u00e1ticos quantos est\u00e3o no fecho do conto ultracurto de Whisner Fraga. O exemplo do nano-microconto \u201cExplodiu\u201d tamb\u00e9m nos serve, aqui.<\/p>\n<p>Essa linha que constitui o nanoconto pode ter somente 5 <b>n\u00f3s dram\u00e1ticos<\/b>, mas pode ter 2, 4 ou 8 ou 10, e continuar sendo um nanoconto. Em literatura, os limites s\u00e3o imprecisos, inexatos, e a defini\u00e7\u00e3o descritiva deve abordar diversos fatores.<\/p>\n<p>Conforme as considera\u00e7\u00f5es que fizemos, podem ser utilizados para configurar cada subg\u00eanero das formas m\u00ednimas a extens\u00e3o (toques, linhas, etc.), a quantidade (de n\u00f3s dram\u00e1ticos, o\u00a0n\u00famero de palavras), a intensidade (a concentra\u00e7\u00e3o de n\u00f3s dram\u00e1ticos) e a aus\u00eancia de reviravolta.<\/p>\n<p>Ah!, mas h\u00e1 contos de atmosfera, rarefeitos, tamb\u00e9m sem cl\u00edmaxes. Sim, os h\u00e1, e do mesmo modo podemos ter nanocontos (ou outra forma m\u00ednima) impressionistas, descritivos, rarefeitos quanto ao drama e aos n\u00f3s tecidos na tessitura liter\u00e1ria, e ainda serem nanocontos, ou microcontos, ou minicontos, ou contos ultracurtos.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 certo voluntarismo na tabela que criei (al\u00e9m da experi\u00eancia de leitor, de analista, de estudioso e de autor), as margens poss\u00edveis em <b>limes<\/b>, a expans\u00e3o exeg\u00e9tica e criativa de cada estudioso ou autor diante da t\u00e1boa exposta, permite maleabilidade e produtividade na cria\u00e7\u00e3o e na leitura das microformas. Assim \u00e9, e tal taxonomia se imp\u00f4s em nomenclatura com essas subdivis\u00f5es porque um nanoconto n\u00e3o \u00e9 um microconto, que n\u00e3o \u00e9 um miniconto, que n\u00e3o \u00e9 um conto ultracurto, que n\u00e3o \u00e9, definitivamente, um conto curto ou um conto.<\/p>\n<p>A taxonomia dada, formalista, morfol\u00f3gica, com as \u201cm\u00e9tricas\u201d quantitativo-qualitativas, a intensidade textual na constru\u00e7\u00e3o de n\u00f3s dram\u00e1ticos, o modo como a reviravolta \u00e9 colocada aqu\u00e9m ou al\u00e9m do texto, contempla em si sua pr\u00f3pria exce\u00e7\u00e3o, seu oroboro \u2013 e a\u00ed est\u00e1 a beleza, a plasticidade, a import\u00e2ncia da literatura: absorver o outro diferente de si em si, dialogar com a alteridade que do eu nega conceitos e defini\u00e7\u00f5es, trazendo para o interior da subjetividade do sujeito enunciados (o autor, o narrador, a personagem) at\u00e9 mesmo a sua nega\u00e7\u00e3o.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>No am\u00e1lgama que tece o est\u00e9tico, a literatura, nas formas usuais e consolidadas, cont\u00e9m o hist\u00f3rico, o social, o pol\u00edtico, o existencial, o sim e o n\u00e3o, a complexidade do singelo, o eu, o inexistente e o tudo. Assim tamb\u00e9m ocorre com as microformas ficcionais narrativas.<\/p>\n<p>A literatura n\u00e3o serve para nada, dizem alguns, e de fato talvez assim seja \u2013 mas \u00e9 justamente por isso, e por fazer dos ox\u00edmoros o uno, por conter em si a cada manifesta\u00e7\u00e3o o contradit\u00f3rio, o humano multiforme, que a literatura \u2013 do romance mais extenso ao nanoconto mais concentrado \u2013 \u00e9 a ferramenta humana mais adequada para o conhecimento e para a necess\u00e1ria transforma\u00e7\u00e3o do humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA M\u00cdNIMA<br \/>\nConfira bibliografias completas e outras indica\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><b>AQUI<\/b><\/a>, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><b>AQUI<\/b><\/a> e <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/arte-escrever-20-microconto-cacos-estilhacos-fotons\/\"><b>AQUI<\/b><\/a><\/p>\n<p>AGUIAR, Andr\u00e9 Ricardo. <b>Agulhas no palheiro<\/b>. Itabuna, BA: Mondrongo, 2021.<\/p>\n<p>AGUIAR, Andr\u00e9 Ricardo; SALVI, Adriano; MARKENDORF, Marcio. <b>Ainda estavam l\u00e1<\/b>. Florian\u00f3polis: [s.n], 2021.<\/p>\n<p>ALBERGARIA, Lino. <b>A rede da mem\u00f3ria<\/b>. Posf\u00e1cio &#8220;O microconto como &#8216;ilhas&#8217; da mem\u00f3ria em Lino de Albergaria&#8221;, de Rauer. Belo Horizonte: Quixote+DO, 2021.<\/p>\n<p>BENJAMIM, Walter. O narrador: considera\u00e7\u00f5es sobre a obra de Nikolai Leskov. In: ______. <b>Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica &#8211; ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura<\/b>. Trad. Sergio Paulo Rouanet. Obras escolhidas, volume I, 2. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1994. p. 197-221.<\/p>\n<p>BORGES, Elias. <b>Lipoaspirados<\/b>. Campo Grande: Funda\u00e7\u00e3o de Cultura de Mato Grosso do Sul \/ FIC, 2011.<\/p>\n<p>DOMIT, Rodrigo. <b>Colcha de retalhos<\/b>. Bras\u00edlia: Utopia, 2011.<\/p>\n<p>FRAGA, Whisner. <b>Usufruto de dem\u00f4nios<\/b>. &#8220;Posf\u00e1cio&#8221; por Gabriel Morais Medeiros. Campinas, SP: Of\u00edcios Terrestres, 2022.<\/p>\n<p>FREITAS, Alana. <b>Pespontos<\/b>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Itabuna, BA: Mondrongo, 2018.<\/p>\n<p>GUIDUCCI, Wendel. <b>Minific\u00e7\u00e3o e cr\u00f4nica no Brasil: tr\u00e2nsitos poss\u00edveis<\/b>. Curitiba, CRV, 2021.<\/p>\n<p>GUIMAR\u00c3ES, Ronaldo. <b>Contos de R\u00e9is<\/b>. Belo Horizonte: Miguilim, 2021.<\/p>\n<p>INFETO. <b>Po\u00e9tica precoce &#8211; quase haicais e outros poemetos<\/b>. Salvador: Impress\u00e3o do autor, 2019.<\/p>\n<p>JOLLES, Andr\u00e9. <b>Formas simples: legenda, saga, mito, advinha, ditado, caso, memor\u00e1vel, conto, chiste<\/b>. Trad. \u00c1lvaro Cabral. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1976.<\/p>\n<p>KAFKA, Franz.\u00a0<strong>Cartas a Milena<\/strong>. Trad. e pref\u00e1cio Torrieri Guimar\u00e3es. S\u00e3o Paulo: Exposi\u00e7\u00e3o, [196?].<\/p>\n<p>KAFKA, Franz.\u00a0<strong>Escritos sobre el arte de escribir<\/strong>. Recopilados por Eric Heller y Joachim Beug; traducci\u00f3n Michael Faber-Kaiser. Madrid: Fuentetaja, 2003. (Escritura Creativa &#8211; El oficio de escritor).<\/p>\n<p>LIMA, Kleber. <b>Livro incendi\u00e1rio<\/b>. Ilustra\u00e7\u00f5es Fernando de Castro Lopes. Bras\u00edlia: Da Anta Casa Editora, 1993.<\/p>\n<p>MESQUITA, Samir. <b>18:30<\/b>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00e3o do autor, 2009.<\/p>\n<p>PAULA, Branca Maria de. <b>Nanocontos<\/b>. Belo Horizonte: Quixote+Do, 2019.<\/p>\n<p>PEREYR, Roberval; FONSECA, Aleilton (Orgs.). <b>Tudo no m\u00ednimo: antologia do miniconto na Bahia<\/b>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Itabuna, BA: Mondrongo, 2021.<\/p>\n<p>RAUER (Org.). <b>Micros-\u00c1frica<\/b>. Campinas, SP: Pangeia, 2022. [No prelo].<\/p>\n<p>RAUER (Org.). <b>Micros-Beag\u00e1<\/b>. Campinas, SP: Pangeia, 2021.<\/p>\n<p>RAUER. A arte de escrever 19 &#8211; Uma metodologia de leitura. <b>Blog da Pangeia<\/b>, 25 de maio de 2021. Dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura\/<\/a> &gt;, acesso em 16\/06\/2022.<\/p>\n<p>RAUER. Explodiu. \u201cBrev\u00edssimos\u201d. In: RIBEIRO [Leite], Alciene; Rauer. <b>minimus &amp; brev\u00edssimos<\/b>. Uberl\u00e2ndia, MG: Pangeia, 2020. p. 251.<\/p>\n<p>TONNETTI, Fl\u00e1vio; MEUCCI, Arthur. <b>Miniensaios de Filosofia: Desejo, Vontade e Racionalidade<\/b>. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2014 o \u2014<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Quer dialogar?<br \/>\nEscreva-me: &lt;\u00a0<a href=\"mailto:rauer.rodrigues@ufms.br\">rauer.rodrigues@ufms.br\u00a0<\/a>&gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/b><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia.<\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER<\/p>\n<p><b>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/b>: O Prof. Rauer ministrou, em diversos semestres, de 2008 a 2022, no PPG-Letras Mestrado e Doutorado em Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, cursos de <b>escrita criativa<\/b>; a pedido da Pangeia Editorial, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados e ampliados, vem sendo publicados no\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/blog\/\"><b><i>Blog da Pangeia<\/i><\/b><\/a>; o professor, eventualmente, acolhe e aqui publica estudos realizados por alunos do Curso. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou, inclusive alguns com os quais trabalhou na gradua\u00e7\u00e3o, o professor vem incluindo outros, escritos especificamente para o o\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/blog\/\"><b><i>Blog da Pangeia<\/i><\/b><\/a>, ampliando o escopo das aulas para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Claudia Amoroso Bortolato<\/b><br \/>\nEditora-Executiva<br \/>\nPangeia Editorial<\/p>\n<p><b>AULAS ANTERIORES DA S\u00c9RIE A ARTE DE ESCREVER:<\/b><\/p>\n<p>(Clique nas palavras com link para ir para a aula)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\"><b>Apresenta\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\"><b>Aula 1\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\"><b>Aula 2\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\"><b>Aula 3\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\"><b>Aula 4\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><b>Aula 5\u00a0<\/b><\/a>\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\"><b>Aula 6\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Para escrever para crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\"><b>Aula 7\u00a0<\/b><\/a>\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\"><b>Aula 8\u00a0<\/b><\/a>\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\"><b>Aula 9\u00a0<\/b><\/a>\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\"><b>Aula 10\u00a0<\/b><\/a>\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\"><b>Aula 11\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><b>Aula 12\u00a0<\/b><\/a>\u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/\"><b>Aula 13\u00a0<\/b><\/a>\u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de \u201cA peste\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\"><b>Aula 14\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Vamos reinventar o soneto?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever\/\"><b>Aula 15\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Defina sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d no ato de escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-16-hemingway-um-mergulho-na-teoria-do-iceberg\/\"><b>Aula 16\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Ernest Hemingway: um mergulho na \u201cTeoria do\u00a0<i>Iceberg<\/i>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-17-a-etica-e-a-estetica-do-vampiro\/\"><b>Aula 17\u00a0<\/b><\/a>\u2013 A \u00e9tica e a est\u00e9tica do Vampiro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-18-a-metalinguagem\/\"><b>Aula 18\u00a0<\/b><\/a>\u2013 A metalinguagem<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura\/\"><b>Aula 19\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Uma metodologia da leitura<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/microconto-cacos-estilhacos-fotons\/\"><b>Aula 20\u00a0<\/b><\/a>\u2013 Microconto: cacos, estilha\u00e7os e f\u00f3tons<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-21-haikai-tanka-renga-senryu\/\">Aula 21<\/a><\/strong> \u2013 Haikai, Tanka, Renga, Senryu<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/blog\"><strong>Aula 22<\/strong><\/a> \u2013 Do conto ao nanoconto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;, \u2026, b\u00f3son, brev\u00edssimo, conto curt\u00edssimo, conto curto, conto ultracurto, contobreve, forma narrativa m\u00ednima, f\u00f3ton, jaculat\u00f3ria, microartigo, microconto, microfic\u00e7\u00e3o, microforma narrativa, microm\u00ednimus, micronarrativa, micr\u00f4nica, microrrelato, microtexto, miniatura, miniconto, minicr\u00f4nica, miniensaio, minific\u00e7\u00e3o, minimus, mininarrativa, minist\u00f3ria, nanoconto, pequeno conto, quark, twitterliteratura, twitterratura, etc., etc., etc., \u2026, &#8230; 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