{"id":9416,"date":"2022-05-18T13:25:59","date_gmt":"2022-05-18T13:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=9416"},"modified":"2026-03-11T17:03:02","modified_gmt":"2026-03-11T17:03:02","slug":"rumo-na-rota-contada-por-tanael","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/rumo-na-rota-contada-por-tanael\/","title":{"rendered":"Rumo do Rosa na rota do Tanael"},"content":{"rendered":"<p>Origin\u00e1rio de fam\u00edlias sertanejas, baiana pelo pai, mineira atrav\u00e9s da m\u00e3e, Tanael Cesar Cotrim nasceu no interior de S\u00e3o Paulo, na cidade de Campinas, em 1977.<\/p>\n<p>Ainda crian\u00e7a, nos tempos de brincadeiras de rua na periferia da cidade, descobriu o livro na biblioteca da escola, o que despertou no menino o poder da leitura e a descoberta de outros mundos, outros lugares, outras gentes, gentes, muitas gentes &#8211; e l\u00e1 se foi o menino, ningu\u00e9m mais segura.<\/p>\n<p>Na juventude, cursou Jornalismo e se dedicou \u00e0 literatura, filosofia, antropologia. Amou Guimar\u00e3es Rosa \u00e0 primeira visada, embriagando-se de suas palavras e exist\u00eancias.<\/p>\n<p>Tanael, al\u00e9m de jornalista, \u00e9 estudioso e curador de cinema. Fundou com o amigo cineasta Danilo Dias de Freitas o <a href=\"https:\/\/www.vervecineclube.com\/\">Verve Cineclube<\/a>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/rumo-rosa-rota-zito-pre-venda\/\"><strong>Sim<\/strong><\/a>,\u00a0quero as vantagens da pr\u00e9-venda e quero apoiar o<br \/>\nlan\u00e7amento de <strong><em>O Rumo do Rosa na Rota de Zito<\/em><\/strong>\u2013 clique\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/rumo-rosa-rota-zito-pre-venda\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Pr\u00e9-venda com financiamento coletivo<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">at\u00e9 15 de agosto de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9419 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-2-295x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-2-295x300.jpeg 295w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-2-393x400.jpeg 393w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-2-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-2.jpeg 581w\" sizes=\"auto, (max-width: 295px) 100vw, 295px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9421 alignleft\" style=\"text-align: start;\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-1-205x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-1-205x300.jpeg 205w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-1-273x400.jpeg 273w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-1-478x700.jpeg 478w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanael-1.jpeg 492w\" sizes=\"auto, (max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O jovem Tanael C\u00e9sar Cotrim refez em 2002 a Rota que Guimar\u00e3es Rosa havia seguido em 1952. Tanael e Brazinha tiveram como Rumo as mem\u00f3rias e saberes de Zito, que naqueles caminhos fora guia da comitiva de boiadeiros, dentre eles o Doutor Jo\u00e3o Rosa, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>O Rumo do Rosa na Rota de Zito<\/em>, encontramos reportagem liter\u00e1ria de um paciente autor que cultivou seu texto por d\u00e9cadas, deixando que eles, o texto e o autor, amadurecessem, para que pud\u00e9ssemos saborear, ap\u00f3s setenta anos da viagem original, o imag\u00e9tico sert\u00e3o de Rosa, que lhe deu material para muitos de seus livros.<\/p>\n<p>Com pref\u00e1cio do pr\u00f3prio Brazinha (Jos\u00e9 Osvaldo dos Santos), esse livro abre caminhos de outras sendas liter\u00e1rias ao menino crescido nas paix\u00f5es dos textos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9420 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-300x177.jpeg\" alt=\"\" width=\"802\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-300x177.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-1024x605.jpeg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-768x454.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-700x414.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito-400x236.jpeg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/zito.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Zito no cemit\u00e9rio criado para a m\u00e3e, nos escombros da Igreja Nossa Senhora<br \/>\ndo Perp\u00e9tuo\u00a0Socorro,\u00a0em Cordisburgo (foto: Tanael Cesar Cotrim)<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">Anunciamos ainda que Yueh \u00e9 a respons\u00e1vel pela diagrama\u00e7\u00e3o, garantindo que para al\u00e9m do conte\u00fado, a forma tamb\u00e9m ser\u00e1 inebriante.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Confira a seguir\u00a0 a transcri\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria <a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/noticias\/2022\/05\/13\/doutor-nao-vaqueiro-rosa-no-sertao-com-guimaraes-e-zito\">&#8220;Doutor n\u00e3o, vaqueiro Rosa&#8221;: no sert\u00e3o com Guimar\u00e3es e Zito<\/a>, publicada no <em><strong>Jornal da Unicamp<\/strong><\/em> &#8211; 13 de maio de 2022, com texto de Liana Coll, fotos de Tanael Cesar Cotrim, Antoninho Perri e Eug\u00eanio Silva, edi\u00e7\u00e3o de imagem de Paulo Cavalheri<\/p>\n<blockquote><p><em>Rosa levantou-se e o cozinheiro, de momento, notou um andar coxo e pendente para o lado e afian\u00e7ou-se, no evidente, do sinal das n\u00e1degas esfoladas do vaqueiro-amador no lombo da Balalaica.<br \/>\n<\/em><em>Enquanto o restante da tropa dormia, Zito proseava com Rosa e fazia, na trempe, a comida seguida do caf\u00e9. Ent\u00e3o, logo, depois de preparada a refei\u00e7\u00e3o, todos acordaram na hora marcada do natural despertar e cumpriram a rotina matinal, primeiro tratando a barriga e, na sequ\u00eancia, ajeitando o gado para a partida\u00a0<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">(trecho de<em>\u00a0O Rumo do Rosa na Rota de Zito<\/em>, de Tanael Cesar Cotrim)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9524 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4-300x203.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4-300x203.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4-768x520.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4-700x474.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4-400x271.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/man-ju_expedicao_20220513_interna4.jpg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><em>Guimar\u00e3es Rosa junto aos vaqueiros na jornada pelo sert\u00e3o<br \/>\nmineiro (foto: Eug\u00eanio Silva\/O Cruzeiro)<\/em><\/p>\n<p>No dia 13 de maio de 1952, h\u00e1 exatos 70 anos, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa partiu para uma expedi\u00e7\u00e3o no sert\u00e3o de Minas Gerais que deixou marcas em sua literatura. A viagem de 14 dias foi realizada durante o transporte de uma boiada. Entre os pe\u00f5es da comitiva, o vaqueiro e poeta Zito foi aquele com quem o escritor travou contato mais pr\u00f3ximo em suas andan\u00e7as pelo sert\u00e3o. Depois de 50 anos, o ent\u00e3o estudante de jornalismo Tanael Cesar Cotrim percorreu o caminho tra\u00e7ado pela expedi\u00e7\u00e3o, acompanhado de Zito. A viagem deu origem ao livro-reportagem O<em>\u00a0Rumo do Rosa na Rota de Zito<\/em>, em que literatura e hist\u00f3ria se encontram, recuperando a rela\u00e7\u00e3o entre o escritor e o vaqueiro e a experi\u00eancia no sert\u00e3o.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o de Rosa teve in\u00edcio em Cordisburgo (MG), cidade natal do escritor, passando pela Fazenda Sirga, em Tr\u00eas Marias, at\u00e9 chegar \u00e0 Fazenda S\u00e3o Francisco, em Ara\u00e7a\u00ed. No percurso, de cerca de 240 quil\u00f4metros, acompanhou vaqueiros que transportavam 360 cabe\u00e7as de gado. A viagem inspirou v\u00e1rias obras do autor, dentre elas\u00a0<em>Corpo de Baile\u00a0<\/em>(1956)<em>, Tutam\u00e9ia\u00a0<\/em>(1967) e sua publica\u00e7\u00e3o mais reverenciada,\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o: Veredas\u00a0<\/em>(1956). No trajeto, Rosa, que era diplomata e m\u00e9dico de forma\u00e7\u00e3o, pedia aos vaqueiros que n\u00e3o o chamassem de doutor. Na expedi\u00e7\u00e3o, ele era o Vaqueiro Rosa, conforme relato de Zito para a reportagem de Tanael Cesar:<\/p>\n<blockquote><p><em>A\u00ed, quando foi no dia 13 de maio, 13 de maio de 1952, eles chegaram de noite, num jipe. A\u00ed ele chegou e eu perguntei &#8211; O senhor que \u00e9 o doutor Rosa? Ele respondeu &#8211; Doutor n\u00e3o, vaqueiro Rosa. N\u00e3o podia chamar de doutor na viagem n\u00e3o. &#8211; Doutor \u00e9 no Rio, aqui n\u00e3o, aqui \u00e9 vaqueiro Rosa.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Fascinado pela literatura de Rosa, o jornalista, documentarista e funcion\u00e1rio do Canal Universit\u00e1rio de Campinas, Tanael Cesar partiu para a viagem em 2001. Sua inten\u00e7\u00e3o era fazer um trabalho sobre a experi\u00eancia de Guimar\u00e3es Rosa no sert\u00e3o e suas reverbera\u00e7\u00f5es na literatura. Mas logo percebeu que n\u00e3o poderia abordar a viagem sem falar de Zito.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00ed com uma ideia e voltei com a percep\u00e7\u00e3o, que depois \u00e9 manifesta no livro, de que o Zito tem uma for\u00e7a desmedida na viv\u00eancia do Rosa com o lugar. N\u00e3o d\u00e1 para abordar a experi\u00eancia do Rosa sem entrar propriamente na maneira como o Zito viveu aquele per\u00edodo. Contar essa experi\u00eancia do Rosa \u00e9 contar atrav\u00e9s do Zito\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-9525 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"663\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1-768x507.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1-700x462.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1-400x264.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/tanel-perri-1.jpg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><em>Para o trabalho de reportagem, Tanael Cesar refez expedi\u00e7\u00e3o e<br \/>\n<\/em><em>consultou cadernos de anota\u00e7\u00f5es de Rosa (foto: Antoninho Perri)<\/em><\/p>\n<p>O mergulho na expedi\u00e7\u00e3o combinou o trajeto percorrido pelo jornalista com Zito e Brazinha, comerciante de Cordisburgo e grande conhecedor da obra da Rosa, e uma pesquisa documental. Para conhecer as impress\u00f5es de Rosa sobre a viagem, o jornalista consultou os cadernos do escritor guardados no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).\u00a0\u201cSoube como se deu a experi\u00eancia do lado do Zito. Mas e do lado do Rosa? Consultei todos os cadernos dele e esse acervo corrobora a import\u00e2ncia do Zito como um referencial na viagem\u201d, conta.<\/p>\n<p>A poesia, os relatos e a mem\u00f3ria de Zito permeiam a narrativa do livro-reportagem e evidenciam a curiosidade de Rosa. O escritor, aponta Tanael Cesar, era obstinado por uma express\u00e3o fidedigna do real. \u201cA experi\u00eancia meticulosa com uma realidade que s\u00f3 conhecia em trabalhos cient\u00edficos e di\u00e1rios foi fascinante para ele. Rosa registra tudo em cadernetas. Conta tamb\u00e9m que isso incomodava o pessoal, porque ele n\u00e3o parava de perguntar e anotar, queria o detalhe do detalhe, como se quisesse unir todos os c\u00f3digos sensoriais poss\u00edveis numa express\u00e3o irradiada do pr\u00f3prio objeto\u201d.<\/p>\n<p>As perguntas eram direcionadas em boa parte a Zito, que tamb\u00e9m era o cozinheiro da expedi\u00e7\u00e3o e acompanhava o escritor \u00e0 frente da boiada. O relato do vaqueiro sobre essa rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece no livro:<\/p>\n<blockquote><p><em>Tudo o que o c\u00ea pensar de perguntar no mundo ele perguntou. Ele nem ia lembrar tudo. O Rosa perguntava de tudo. Um dia ele, isso foi pertinho da Tolda, um cerrad\u00e3o. Tinha um pau seco assim, tudo torto. -Pra qu\u00ea que serve esse pau? Ele perguntou. N\u00e3o tinha nada de responder. Eu falei. -\u00c9 pra papagaio chocar. Ele falou. -O c\u00ea tem resposta pra tudo. Depois que a gente acostumou com ele era normal. Tinha que responder aquilo que ele perguntava. Era o dia inteirinho, e escrevendo. Cortou um l\u00e1pis no meio, p\u00f4s um cord\u00e3o e amarrou no bot\u00e3o da camisa, e uma caderneta de arame, passada no pesco\u00e7o, pendurada. Andano ele escrevia tudo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A experi\u00eancia dos 14 dias de viagem permeou a literatura do escritor. Tanael Cesar indica as conex\u00f5es entre as pessoas com quem Rosa conviveu na expedi\u00e7\u00e3o e personagens de seus livros. Manuelz\u00e3o, capataz da comitiva, tornou-se protagonista do conto\u00a0<em>Uma est\u00f3ria de amor<\/em>. Tornaram-se tamb\u00e9m personagens de livro o rabequista Chico Barbosa, que virou Chico Barb\u00f3s, Miguilim, que morava na fazenda Sede da Sirga, e Joana Xaviel, moradora de Grota e contadora de est\u00f3rias. Juca Bananeira aparece no conto\u00a0<em>O burrinho pedr\u00eas<\/em>, de\u00a0<em>Sagarana<\/em>. J\u00e1 Zito torna-se personagem no conto\u00a0<em>A partida do audaz navegante\u201d<\/em>, de\u00a0<em>Primeiras Est\u00f3rias<\/em>.<\/p>\n<p>Mas a import\u00e2ncia de Zito ultrapassa sua transforma\u00e7\u00e3o em personagem, segundo o jornalista.\u00a0\u201cO contato entre eles vai muito al\u00e9m de um trabalho quase etnogr\u00e1fico de Rosa por meio de Zito. Esse contato inspirou Rosa, criou nele formas de literatura dentro da literatura. Zito n\u00e3o \u00e9 parte da literatura de Rosa apenas como personagem, \u00e9 parte da literatura de Rosa do ponto de vista formal, de constru\u00e7\u00e3o da linguagem e de estrutura\u00e7\u00e3o do texto\u201d.<\/p>\n<p>As quadras que Zito compunha ao longo da viagem aparecem, ainda que com outra roupagem, observa Tanael Cesar, em\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>. &#8220;Terminava\u00a0a lida do dia, eles se recolhiam e Zito escrevia as quadras. Escreveu v\u00e1rias e deu para o Guimar\u00e3es Rosa. Encontrei essas quadras no acervo do escritor. Em\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>, Riobaldo est\u00e1 velando a m\u00e3e, quando chega um jagun\u00e7o chamado Siruiz e come\u00e7a a entoar uma can\u00e7\u00e3o. Essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quadra de desafio que tem toda a estrutura interna de composi\u00e7\u00e3o, de abordagem da realidade, o mesmo preceito, a mesma regra e a mesma l\u00f3gica da quadra que Zito desenvolve na viagem de 1952\u201d.<\/p>\n<p>Confira uma das quadras de Zito que o jornalista selecionou para o livro:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vamos terminar esta estoria<br \/>\nfalando em Dr. Jo\u00e3o.<br \/>\nQue fez esta viagem<br \/>\ncom o pessoal do sert\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Adeus Dr Jo\u00e3o Roca<br \/>\no senhor vai me desculpar.<br \/>\nVoc\u00ea seque a tua viagem<br \/>\ne nos vamo voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Dr Jo\u00e3o Rosa foi sembora<br \/>\ndespedio do cozinheiro.<br \/>\nNos voltamo pra Sirga<br \/>\nele foi para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Admira\u00e7\u00e3o com a obra de Guimar\u00e3es Rosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9526 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"711\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa-300x178.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa-768x457.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa-700x416.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa-400x238.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/rosa.jpg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><em>A leitura de Grande Sert\u00e3o: Veredas, diz Tanael, gerou<br \/>\ncuriosidade e desafios (foto: Eug\u00eanio Silva\/ O Cruzeiro)<\/em><\/p>\n<p>Crescendo em uma fam\u00edlia com poucos recursos financeiros, Tanael Cesar n\u00e3o tinha acesso a livros em casa e come\u00e7ou a se interessar por literatura na biblioteca da escola. \u201cNas idas \u00e0 biblioteca infantil comecei a adquirir um gosto pelo mundo que o livro apresentava. A organiza\u00e7\u00e3o das ideias e a transposi\u00e7\u00e3o de um mundo atrav\u00e9s da letra e da fabula\u00e7\u00e3o me capturaram. Ao mesmo tempo, tinha um pouco de dificuldade social de me inserir em alguns grupos, e o livro me acolheu\u201d.<\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia, ele tomou contato com Guimar\u00e3es Rosa por meio de\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>, e ficou fascinado. \u201cAs primeiras 60 p\u00e1ginas de\u00a0<em>Grande Sert\u00e3o<\/em>\u00a0costumam impor um risco ao leitor. Muitos param e n\u00e3o retomam a leitura. Para mim foi o contr\u00e1rio. Trouxe uma sensa\u00e7\u00e3o de deslocamento interessante. Foi uma experi\u00eancia de sensibilidade liter\u00e1ria que me provocou, gerou curiosidade e desafios\u201d, conta.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, o jornalista prosseguiu com a leitura de outras obras de Rosa. Quando soube da viagem do escritor ao sert\u00e3o, decidiu conhecer o local. \u201cHavia um interesse cada vez mais vital em lidar com a literatura do Guimar\u00e3es Rosa e a necessidade de produzir algo imediato. Transformei isso em um projeto de reportagem liter\u00e1ria, com um trabalho de campo, reconhecimento do espa\u00e7o f\u00edsico, investiga\u00e7\u00e3o do passado e do presente, apego aos fatos\u201d.<\/p>\n<p>A reportagem foi seu trabalho de conclus\u00e3o de curso em Jornalismo. Passados 20 anos da viagem e 70 anos da expedi\u00e7\u00e3o de Rosa, ap\u00f3s uma conversa com a editora Claudia Bortolato, Tanael Cesar decidiu revisitar o texto e encaminhar a publica\u00e7\u00e3o. Claudia assinala as caracter\u00edsticas que distinguem o livro. \u201cA literatura de Rosa e sobre Rosa \u00e9 vasta, mas esse livro tem uma caracter\u00edstica diferente. Ele n\u00e3o \u00e9 somente sobre Rosa nem sobre Zito, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre a viagem, ou s\u00f3 sobre o sert\u00e3o. Ele \u00e9 um complexo de informa\u00e7\u00f5es dentro da obra do Rosa. Para a editora, \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o muito atraente\u201d, aponta.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>O Rumo do Rosa na rota de Zito<\/em><\/strong> est\u00e1 em pr\u00e9-venda e<br \/>\npode ser adquirido com desconto de pr\u00e9-venda em financiamento<br \/>\ncoletivo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/o-rumo-de-rosa-na-rota-de-zito-pre-venda\/\">AQUI<\/a><br \/>\n<\/strong>na Plataforma Gondwana, da Editora Pangeia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o integra a coluna &#8220;GENTE NOSSA&#8221; do <strong>Blog da Pangeia &#8211; ISSN 3085-8453.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origin\u00e1rio de fam\u00edlias sertanejas, baiana pelo pai, mineira atrav\u00e9s da m\u00e3e, Tanael Cesar Cotrim nasceu no interior de S\u00e3o Paulo, na cidade de Campinas, em 1977. Ainda crian\u00e7a, nos tempos de brincadeiras de rua na periferia da cidade, descobriu o livro na biblioteca da escola, o que despertou no menino o poder da leitura e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":606,"featured_media":9419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[403,855],"tags":[101,5077,245,57,82,306,850,856,322,854,852,853,848,849,851],"class_list":["post-9416","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gondwana","category-reportagem","tag-a-arte-de-escrever","tag-antirracismo","tag-edicoes-dionysius","tag-entrevista","tag-escrita","tag-estudos-literarios","tag-guimaraes-rosa","tag-joao-guimaraes-rosa","tag-literatura-brasileira","tag-reportagem-literaria","tag-rota-do-sertao","tag-sertao","tag-tanael","tag-tanael-cesar-cotrim","tag-zito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/606"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9416"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21453,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9416\/revisions\/21453"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}