{"id":9187,"date":"2022-04-05T23:02:26","date_gmt":"2022-04-05T23:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=9187"},"modified":"2025-11-20T18:00:00","modified_gmt":"2025-11-20T18:00:00","slug":"aula-poesia-pequeno-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/aula-poesia-pequeno-leitor\/","title":{"rendered":"Aulas de poesia para pequenos leitores"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">de Nima Spigolon,<br \/>\n<strong><em>O Gambazinho Saru\u00ea<\/em><\/strong>,<br \/>\ncom desenhos para colorir<br \/>\npor Lana Maciel<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-9206\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-300x300.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-150x150.jpeg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-12x12.jpeg 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-100x100.jpeg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1758.jpeg 382w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><br \/>\nNima, a autora de\u00a0<em>O Gambazinho Saru\u00ea<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Atividades interdisciplinares<br \/>\n<\/strong>Caderno Pedag\u00f3gico do Professor<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span> \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0elaborado por Rauer *<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-9209\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-300x300.png\" alt=\"\" width=\"397\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-300x300.png 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-1024x1024.png 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-150x150.png 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-768x768.png 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-12x12.png 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-400x400.png 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-700x700.png 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-100x100.png 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424-50x50.png 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1424.png 1099w\" sizes=\"auto, (max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><\/p>\n<p>Nima Spigolon \u00e9 professora da UNICAMP, atuando na gradua\u00e7\u00e3o do curso de Pedagogia e das Licenciaturas; atua tamb\u00e9m no mestrado e no doutorado em Educa\u00e7\u00e3o e no Mestrado Profissional em Educa\u00e7\u00e3o Escolar, do qual foi coordenadora. Atualmente \u00e9 chefe do DEPASE &#8211; Departamento de Pol\u00edticas, Administra\u00e7\u00e3o e Sistemas Educacionais. \u00c9 pioneira e refer\u00eancia na pesquisa da vida e da obra da educadora Elza Freire, a esposa e companheira que trouxe o jovem advogado Paulo Freire para a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos 49 anos, ap\u00f3s livros individuais e coletivos na \u00e1rea acad\u00eamica, lan\u00e7ou seu primeiro livro individual:\u00a0<em><strong>De(s)morte(s)<\/strong><\/em>, ver\u00a0<strong>AQUI<\/strong>,\u00a0trata do cotidiano feminino nos primeiros meses da pandemia e saiu no in\u00edcio de 2021. Nima publica poemas em antologias e revistas desde a adolesc\u00eancia, e tamb\u00e9m em 2021 publicou seus primeiros microcontos, na colet\u00e2nea\u00a0<em><strong>Micros-Beag\u00e1<\/strong><\/em>, ver\u00a0<strong>AQUI<\/strong>, \u00a0e seu segundo livro de poemas, o infantojuvenil <em><strong>O Gambazinho Saru\u00ea<\/strong><\/em>., sobre o qual vamos tratar nesse Caderno Pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>A proposta do livro \u00e9 bastante interessante sob o aspecto po\u00e9tico e sob o aspecto pedag\u00f3gico. Nas duas frentes, o livro se realiza muito bem, mostrando uma pensadora potente, com pleno dom\u00ednio dos meios expressivos, e que articula as diversas possibilidades de formas po\u00e9ticas em linguagem apropriada a leitores iniciantes. O poemas do livro acompanham um eu-po\u00e9tico muito simp\u00e1tico, o gambazinho saru\u00ea, a partir de formas fixas do poema, o soneto \u00e9 um exemplo, e em subg\u00eaneros da poesia, tendo aqui a \u00e9gloga como exemplo.<\/p>\n<blockquote><p>Quer modo melhor do pequeno leitor conviver e vivenciar a poesia, o poema, a diversidade po\u00e9tica?<\/p><\/blockquote>\n<p>Com uma vantagem adicional: encantando-se, encantadas que as crian\u00e7as s\u00e3o desde sempre, com a figura do saru\u00ea.<\/p>\n<p>Note-se aqui que o meio-ambiente, o gambazinho, a natureza, constituem cen\u00e1rio e protagonistas, s\u00e3o defendidos, mas o &#8220;engajamento&#8221; da autora n\u00e3o transforma seus versos em discurso ideol\u00f3gico, em disserta\u00e7\u00e3o que contamina e destr\u00f3i o lirismo: na vis\u00e3o po\u00e9tica de Nima Spigolon n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para que a poesia ceda seu lugar para o antipo\u00e9tico, e at\u00e9 o que poderia ser negativamente disruptivo, prosa\u00edsmo inaceit\u00e1vel, se torna tamb\u00e9m mat\u00e9ria de poesia a partir dos sortil\u00e9gios verbais criativos da poeta.<\/p>\n<p>O livro traz as seguintes formas po\u00e9ticas e subg\u00eaneros da poesia: acalanto, cantiga, ciranda, haicai, pastoril, poema em verso livre, &#8220;poeminha&#8221;, quadra (ou quadrinha) popular, soneto e tanka. No total, s\u00e3o 21 poemas em livro de 16 p\u00e1ginas, todas elas ilustradas com desenhos em tra\u00e7o para colorir com canetinhas. Eis o sum\u00e1rio (em negrito, o n\u00famero das p\u00e1ginas) com os t\u00edtulos dos poemas:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um Soneto <strong>5<\/strong><br \/>\nDuas Cantigas <strong>6<\/strong><br \/>\nTr\u00eas Tanka\u00a0<strong>7<\/strong><br \/>\nQuatro Haicai\u00a0<strong>8<\/strong><br \/>\nCiranda<strong>\u00a09<\/strong><br \/>\nPoeminha\u00a0<strong>10<br \/>\n<\/strong>Pastoril\u00a0<strong>11<br \/>\n<\/strong>Quatro Quadras<strong> 12<br \/>\n<\/strong>Mais Duas Cantigas <strong>13<br \/>\n<\/strong>Poeminha Futurista <strong>14<br \/>\n<\/strong>Acalanto <strong>15<\/strong><\/p>\n<p>Alguns detalhes das informa\u00e7\u00f5es acima: a numera\u00e7\u00e3o dos poemas propicia a internaliza\u00e7\u00e3o nos jovens leitores da sequ\u00eancia num\u00e9rica; as duas mais duas cantigas fazem a adi\u00e7\u00e3o para o quatro, que surge duas vezes; o fecho com &#8220;Acalanto&#8221;, poema de ninar, da hora de dormir, para ser lido em voz alta \u00e0 noite, fecha o dia do pequeno leitor com poesia \u2013 esses s\u00e3o apenas alguns dos pequenos encantos desse livro, pensado nos detalhes e no todo, como devem ser todos os livros, sempre.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Vamos falar de cada poema?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>&#8220;Um soneto&#8221;<\/strong> abre o livro. O soneto \u00e9 uma forma fixa que foi criada no s\u00e9culo XIII por Giacomo da Lentini(1210-1260; o poeta \u00e9 tamb\u00e9m conhecido por Jacopo il Notaro)\u00a0e levado \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o j\u00e1 no s\u00e9culo\u00a0XIV por Petrarca (1304-1374); os dois poetas eram italianos. O s\u00e9culo XIII est\u00e1 h\u00e1 800 anos de nossos dias. Tivemos em l\u00edngua portuguesa grandes cultores do soneto, em lista que pode chegar \u00e0 casa do milhar, da qual destacamos Cam\u00f5es, Greg\u00f3rio de Matos, Gon\u00e7alves Dias, Gilka Machado, Fernando Pessoa, Francisca J\u00falia, Jorge de Lima e Florbela Espanca; todos os grandes poetas \u00a0escreveram sonetos, e nessa forma alcan\u00e7aram tamb\u00e9m excel\u00eancia: \u00e9 o caso de \u00a0Manuel Bandeira, Drummond, Hilda Hilst, Vin\u00edcius e Cec\u00edlia Meireles.<\/p>\n<p>O soneto de Nima segue a forma cl\u00e1ssica, com dois quartetos e dois tercetos, com versos em redondilha maior, medida de poesia popular de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o. O esquema de rimas \u00e9 ABAB \/ CBCB \/ DDB \/ EEB &#8211; como se nota, h\u00e1 uma rima que se repete em todas as estrofes, amplificando a sonoridade envolvente das rimas e do l\u00e9xico escolhidos, o que se real\u00e7a ainda mais com a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e9trica \u2013 curta e popular \u2013 de sete s\u00edlabas em cada verso.<\/p>\n<p>\u00c9 um soneto narrativo. Na primeira estrofe, logo no primeiro verso, o eu po\u00e9tico \u00e9 apresentado: &#8220;O saru\u00ea gambazinho&#8221;, que em seguida \u00e9 qualificado como faceiro, a observar, de um cantinho no alto, &#8220;o terreiro&#8221;. Na segunda estrofe, o &#8220;bichinho&#8221; \u00e9 descrito como &#8220;levado&#8221;, &#8220;fagueiro&#8221;, &#8220;brincalh\u00e3o&#8221; e &#8220;ligeiro&#8221;. Na terceira estrofe, o h\u00e1bito de dormir &#8220;quieto o dia inteiro&#8221; \u00e9 apresentado. O fecho na quarta estrofe \u00e9 com o saru\u00ea aparecendo corajoso, \u00e0 noite, &#8220;com seu jeitinho matreiro&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, no poema, invers\u00f5es sint\u00e1ticas, enjambement, palavras que n\u00e3o sejam as mais coloquiais. O ritmo dos versos \u00e9 cadenciado e r\u00e1pido, em toada agrad\u00e1vel ao ouvido, e a leitura do poema em voz alta tem leve teor encantat\u00f3rio. O poema abre o volume e nos apresenta o protagonista: o gambazinho saru\u00ea do t\u00edtulo do livro.<\/p>\n<ul>\n<li>Vamos pesquisar?<\/li>\n<li>O que \u00e9 um soneto?<\/li>\n<li>Quais as caracter\u00edsticas do saru\u00ea?<\/li>\n<li>O saru\u00ea convive bem com os seres humanos?<\/li>\n<li>O que devemos fazer ao encontrar um saru\u00ea?<\/li>\n<li>Vamos desenhar um saru\u00ea?<\/li>\n<li>Vamos colorir o saru\u00ea do soneto?<\/li>\n<li>Quais outros animais aparecem nessas primeiras cinco p\u00e1ginas do livro?<\/li>\n<li>Quais outros elementos da natureza aparecem nessas p\u00e1ginas?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>&#8220;Duas cantigas&#8221;<\/strong> est\u00e1 na p\u00e1gina 6. Opa, outros bichinhos aparecem nos desenhos, dois deles considerados os nossos melhores amigos.<\/p>\n<p>A cantiga \u00e9 um poema que vem de tempos imemoriais \u2013 tanto que a palavra j\u00e1 existia no latim antigo e seu primeiro registro em Portugu\u00eas est\u00e1 nos albores da l\u00edngua, no s\u00e9culo XIII. Est\u00e1 ligada \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 dan\u00e7a. Apresenta-se sempre com rimas marcantes, vocabul\u00e1rio simples e ritmo dan\u00e7ante, caracter\u00edsticas prop\u00edcias paras as brincadeiras de roda. Biderman, em seu\u00a0<em><strong>Dicion\u00e1rio Did\u00e1tico de Portugu\u00eas<\/strong><\/em>, assim define\u00a0<strong>cantiga<\/strong>: &#8220;m\u00fasica para ser cantada. [&#8230;] Tipo de poesia em versos pequenos e estrofes iguais&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente o que encontramos nessas duas cantigas de Nima Spigolon, em duas roupagens diferentes.<\/p>\n<p>Na primeira cantiga, as duas estrofes exatamente iguais, com tr\u00eas versos que podem ser lidos como versos de quatro s\u00edlabas, acelerando a leitura nos encontros de vogais e lendo os hiatos ao modo de ditongos. Essa acelera\u00e7\u00e3o de leitura induz ou emula a roda, a dan\u00e7a, o fluir da vida em poesia, em movimento do corpo e em melodia musical.<\/p>\n<p>A segunda cantiga tem versos mais longos e retoma intertextualmente uma cantiga de roda popular. S\u00e3o duas estrofes, com um refr\u00e3o que replica a passagem onomatopeica de &#8220;Mam\u00e3e \u00e9 uma roseira&#8221;, com o &#8220;Saru\u00ea&#8221; substituindo a sequ\u00eancia ap\u00f3s a cesura no segundo verso do refr\u00e3o. J\u00e1s os dois primeiros versos de cada estrofe apresentam cachorrinhos latindo para a lua, uma coruja e um vagalume. O Saru\u00ea est\u00e1 em uma festa em cen\u00e1rio que indica um quintal grande, feliz.<\/p>\n<ul>\n<li>Vamos conhecer outras cantigas?<\/li>\n<li>Vamos dan\u00e7ar com as cantigas do Saru\u00ea?<\/li>\n<li>Vamos construir cantigas com outros animais da natureza?<\/li>\n<li>Vamos recriar as cantigas, substituindo o Saru\u00ea dos versos por bichinhos de que gostamos?<\/li>\n<li>Vamos colocar onomatopeias de sons dos animais nos nossos versos?<\/li>\n<li>Vamos inventar palavras e express\u00f5es sonoras, do tipo &#8220;osquindo l\u00ea l\u00ea, osquind\u00f4 l\u00ea l\u00ea l\u00e1 l\u00e1&#8221;?<\/li>\n<li>Vamos tocar m\u00fasicas e dan\u00e7ar com as cantigas que reescrevemos?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Chegamos agora aos <strong>&#8220;<\/strong><strong>Tr\u00eas Tanka&#8221;<\/strong>. O t\u00edtulo cont\u00e9m uma alitera\u00e7\u00e3o, e a palavra &#8220;tanka&#8221; segue invari\u00e1vel no plural, conforme a norma gramatical culta. No blog da Pangeia, temos artigos de acesso gratuito sobre o haikai que menciona o tanka, clique <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=tanka\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>\u00a0para os ler. Os tanka de Nima Spigolon seguem as li\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas da origem nip\u00f4nica da forma, com a liberdade que a adapta\u00e7\u00e3o no solo brasileiro vestiu a esse tipo de poema.<\/p>\n<p>O tanka \u00e9 um poema com cinco versos em duas estrofes, a primeira com tr\u00eas versos, a \u00faltima com dois; os versos tem m\u00e9trica regular em 5\/7\/5 &#8211; 7\/7. As rimas s\u00e3o opcionais; no entanto, os poemas devem ter eufonia, ou seja, serem harm\u00f4nicos, de leitura fluida. Os tanka normalmente fazem refer\u00eancia \u00e0 natureza, descrevem sem subjetividade um flagrante da vida, e os dois versos finais, no mais das vezes, configuram uma reflex\u00e3o sobre o que o terceto descreveu.<\/p>\n<p>Os tanka de Nima seguem o esquema tradicional da forma, evocam a natureza e, em todos eles, surgem o Saru\u00ea: no primeiro, em seu hor\u00e1rio de vig\u00edlia, que \u00e9 &#8220;na paisagem noturna&#8221;; no segundo, s\u00e3o oito gambazinhos, uma ninhada, e o d\u00edstico final os acompanha no passeio, que \u00e9 tamb\u00e9m a procura de alimentos; no terceiro tanka, o Saru\u00ea mastiga &#8220;um pedacinho da lua \/ minguante no c\u00e9u&#8221;, e a lua, no surrealismo de tom infantil, &#8220;brilha&#8221; dentro dele.<\/p>\n<ul>\n<li>De que modo cada um dos colegas compreendeu os Tanka?<\/li>\n<li>Voc\u00ea compreendeu os tanka de que forma?<\/li>\n<li>Conte em voz alta para os colegas o resumo de um dos tanka.<\/li>\n<li>Escute como cada um compreendeu o que leu.<\/li>\n<li>Troque as impress\u00f5es, as explica\u00e7\u00f5es, construa sua imagem do que a narrativa impl\u00edcita em cada tanka nos conta.<\/li>\n<li>E agora, vamos construir uma pequena hist\u00f3ria que re\u00fana os tr\u00eas tanka em uma \u00fanica narrativa?<\/li>\n<li>Escreva, pois, ao seu modo, o que constitui um enredo desse Saru\u00ea e de sua fam\u00edlia.<\/li>\n<li>Conclua a atividade desenhando uma HQ tendo por roteiro o enredo que escreveu.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os\u00a0<strong>&#8220;Quatro haicai&#8221;<\/strong> seguem o princ\u00edpio b\u00e1sico da forma, de trazerem um\u00a0<em>kigo<\/em>, ou seja, uma men\u00e7\u00e3o que identifique a esta\u00e7\u00e3o da natureza de que trata cada haicai. No caso, al\u00e9m dos elementos da natureza que indicam a esta\u00e7\u00e3o, muitas vezes n\u00e3o mencionada explicitamente, a est\u00e3o est\u00e1 verbalizada, da Primavera ao Inverno, passando por Ver\u00e3o e Outono. O haicai \u00e9 forma nascida h\u00e1 mil\u00eanio e meio na China continental, posteriormente aclimatado e desenvolvido em todo seu esplendor no Jap\u00e3o. Leia sobre o haicai <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=haicai\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>\u00a0e <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O haicai se caracteriza por ser um poema muito curto, com uma \u00fanica estrofe de tr\u00eas versos, os versos tendo estrutura sonora com 5\/7\/5 s\u00edlabas po\u00e9ticas (no original nip\u00f4nico, 5\/7\/5 sons). N\u00e3o carrega obrigatoriedade de rimas, mas precisa ter sonoridade agrad\u00e1vel, com os ecos, alitera\u00e7\u00f5es e outros efeitos de melopeia constituindo um constructo flagrante externo e est\u00e1tico do real, de linguagem simples, por\u00e9m inventiva, homog\u00eanea e significativa em sua originalidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9226 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-297x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-297x300.jpeg 297w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-150x150.jpeg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-12x12.jpeg 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-100x100.jpeg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-396x400.jpeg 396w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1770.jpeg 631w\" sizes=\"auto, (max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/>No primeiro haicai, a Primavera sa\u00fada o Saru\u00ea \u2013 tal antropomorfiza\u00e7\u00e3o \u00e9 rara no haicai nip\u00f4nico, e mesmo pouco aceita no haicai dos nossos tr\u00f3picos; parece, no entanto, muito bem aclimado em poema voltado a crian\u00e7as, e segue rigorosamente a m\u00e9trica exigida; por outro lado, a utiliza\u00e7\u00e3o da segunda pessoa do singular na fala da Primavera, referindo-se ao Saru\u00ea, abre possibilidade de tratar com os alunos sobre varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, dialetologia e respeito \u00e0s diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>No segundo haicai, a indaga\u00e7\u00e3o feita abre possibilidades que remetem ao referente do Ver\u00e3o e possibilidades intr\u00ednsecas, inclusive retomando o \u00faltimo tanka, da p\u00e1gina anterior. Abre, tamb\u00e9m, possibilidades criativas, de que o que faz brilhar o gambazinho \u00e9 luz interior ou sua configura\u00e7\u00e3o como protagonista dos versos e do livro.<\/p>\n<p>No terceiro haicai, gambazinho e &#8220;tons de Outono&#8221; mesclam suas cores, e o amarelo-amarronzado das folhas camuflam o Saru\u00ea. A exclama\u00e7\u00e3o judicativa e euf\u00f3rica do verso final contempla ju\u00edzo de valor da vis\u00e3o est\u00e9tica do &#8220;encontro&#8221; que os versos relatam.<\/p>\n<p>No quarto e \u00faltimo haicai, chega o Inverno e os saruezinhos se recolhem e &#8220;dormem \/ na bolsa da m\u00e3e&#8221; \u2013 s\u00e3o quantos? A indaga\u00e7\u00e3o final dialoga com o segundo tanka da p\u00e1gina anterior, que nos conta que a ninhada da fam\u00edlia de saru\u00eas do livro \u00e9 composta por &#8220;oito espertos gambazinhos&#8221;. Essas possibilidades de leitura, com remiss\u00f5es internas, consolidam a leitura da obra e dos poemas na proposta de coes\u00e3o interna, de autorreferencia\u00e7\u00e3o positiva, de fixa\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<ul>\n<li>Qual a diferen\u00e7a formal entre haicai e tanka?<\/li>\n<li>Qual a defini\u00e7\u00e3o que a Primavera d\u00e1 do Saru\u00ea no fecho do primeiro haikai?<\/li>\n<li>Quais os significados de cada palavra que referencia o Saru\u00ea?<\/li>\n<li>Voc\u00ea concorda cabe ao Saru\u00ea essas palavras?<\/li>\n<li>Quais outras palavras voc\u00ea utilizaria para qualificar o gambazinho?<\/li>\n<li>Explicite quais s\u00e3o, a seu ver, os brilhos poss\u00edveis do Saru\u00ea contidos na pergunta do segundo haicai.<\/li>\n<li>Por que &#8220;os tons do Outono&#8221; escondem, de forma bela, o gambazinho?<\/li>\n<li>A pergunta do quarto haicai faz remiss\u00e3o interna a outro poema do livro; qual \u00e9 este poema?<\/li>\n<li>De que modo, ent\u00e3o, podemos responder \u00e0 pergunta feita?<\/li>\n<li>Essa informa\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com estudos sobre o Saru\u00ea? Vamos fazer essas pesquisa? Ou j\u00e1 fizemos a pesquisa e temos a resposta anotada?<\/li>\n<li>Voc\u00ea gostaria de ler um haicai sobre qual bichinho que voc\u00ea conhece?<\/li>\n<li>Vamos escrever esse haicai?<\/li>\n<\/ul>\n<p>A <strong>&#8220;Ciranda&#8221;<\/strong>. Ciranda \u00e9 um tipo de poema que faz parte do grande rol das cantigas. Nos ensina Silveira Bueno, no seu\u00a0<em><strong>Grande Dicion\u00e1rio Etimol\u00f3gico Pros\u00f3dico da Lingua Portuguesa<\/strong><\/em>, que em modo figurado a palavra designa &#8220;brinquedo de roda com que se divertem as crian\u00e7as. Canto e m\u00fasica pr\u00f3prios deste brinquedo&#8221;. A ilustra\u00e7\u00e3o do poema mostra uma fam\u00edlia Saru\u00ea: a m\u00e3e e oito filhotes dan\u00e7ando de roda em volta de oito moranguinhos.<\/p>\n<p>O poema de Nima Spigolon tem ritmo dan\u00e7ante em versos de quatro s\u00edlabas, com algumas palavras escritas no registro informal da fala cotidiana, em que o final dos verbos da segunda conjuga\u00e7\u00e3o ficam em <em>\u00ea<\/em> e n\u00e3o no <em>er\u00a0<\/em>do registro formal.<\/p>\n<ul>\n<li>Vamos dan\u00e7ar com a ciranda?<\/li>\n<li>Voc\u00ea sabe distinguir quando uma palavra est\u00e1 escrita na l\u00edngua formal ou na nossa l\u00edngua do dia a dia?<\/li>\n<li>Quais palavras est\u00e3o registradas desse modo &#8220;informal&#8221; no poema?<\/li>\n<li>Em quais momentos devemos usar a l\u00edngua formal?<\/li>\n<li>Quando podemos utilizar uma linguagem cotidiana, do nosso dia a dia?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Chegamos agora ao\u00a0<strong>&#8220;<\/strong><strong>Poeminha&#8221;<\/strong>. Por que esse t\u00edtulo? N\u00e3o se refere a nenhuma forma espec\u00edfica, a nenhum subg\u00eanero da poesia. Trata-se, pois, de um nome gen\u00e9rico para designar um pequeno poema. No caso, um poema com cinco estrofes, as quatro primeiras com tr\u00eas versos e a \u00faltima com quatro versos. A cada estrofe, o \u00faltimo verso rima com algum verso anterior, e h\u00e1 somente uma rima comum entre duas estrofes.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>&#8220;Poeminha&#8221;<\/strong> nos apresenta a variedade de nomes que nosso gambazinho brasileiro recebe nas diversas regi\u00f5es do pa\u00eds: Cassaco, Micur\u00ea, Mucura, Sarigu\u00e9, Saru\u00ea, Taibu, Timbu. Fala da devasta\u00e7\u00e3o do &#8220;seu habitat natural&#8221; e conclama para a preserva\u00e7\u00e3o da fauna, da natureza e do planeta.<\/p>\n<ul>\n<li>O Saru\u00ea corre risco de extin\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Vamos pesquisar sobre isso?<\/li>\n<li>Vamos pesquisar sobre a preserva\u00e7\u00e3o do planeta?<\/li>\n<li>Vamos criar pe\u00e7as de propaganda de defesa do planeta?<\/li>\n<li>Vamos colocar essas pe\u00e7as &#8211; desenhos, clips, v\u00eddeos, desenhos animados, etc. &#8211; na internet?<\/li>\n<\/ul>\n<p>O poema da p\u00e1gina 11 \u00e9 o\u00a0<strong>&#8220;Pastoril&#8221;<\/strong>. Esse \u00e9 um tipo de poema que remonta tamb\u00e9m aos prim\u00f3rdios da Antiguidade Cl\u00e1ssica. No seu\u00a0<em><strong>Dicion\u00e1rio de termos liter\u00e1rios<\/strong><\/em>, na edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada de 2004, Massaud Mois\u00e9s registra os seguintes verbetes correlatos: Pastoral; Pastorela; Pastoril; Descort;Ensalada; Lai; \u00c9gloga; Id\u00edlio. Em comum, trata-se de poema l\u00edrico, o que indica que no mais das vezes \u00e9 sua leitura ocorre em p\u00fablico e em voz alta, com acompanhamento por um instrumento musical, na origem, a lira.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, nesses v\u00e1rios \u00e9timos, um car\u00e1ter c\u00eanico, uma dramatiza\u00e7\u00e3o ao menos indiciada no contexto narrado, at\u00e9 uma certa sensualidade latente, mesmo em solil\u00f3quios. No entanto, outros temas e vozes cabem no \u00e2mbito do subg\u00eanero, embora o cen\u00e1rio buc\u00f3lico permane\u00e7a. Os \u00e1rcades, poetas neocl\u00e1ssicos, tem em tal \u00e2mbito seu\u00a0<em>locus amoenus<\/em> de elei\u00e7\u00e3o. Poetas do s\u00e9culo XX (um Dantas Motta, poeta de Aiuruoca, no Sul do Estado de Minas Gerais, por exemplo) voltaram ao subg\u00eanero como exalta\u00e7\u00e3o campesina e como espa\u00e7o ut\u00f3pico de uma antiutopia.<\/p>\n<p>O poema de Nima Spigolon se insere nessa tradi\u00e7\u00e3o, contrapondo o &#8220;embalo pastoril&#8221; de &#8220;ritmo simples&#8221; \u00e0 &#8220;cena urbana&#8221;, geradora de medo e de fome, entre outros problemas, mantendo o Saru\u00ea atento (o que ger estresse) e escondido do modo que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Com sonoridade marcada por versos curtos, polim\u00e9tricos (entre duas e seis s\u00edlabas), fluidos, com rimas, alitera\u00e7\u00f5es, rimas internas, ecos melopaicos, o poema tamb\u00e9m descreve morfologia e h\u00e1bitos do Saru\u00ea. Sob esse aspecto, tamb\u00e9m est\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o long\u00ednqua do subg\u00eanero, tanto em Gr\u00e9cia quanto em Roma, com a descri\u00e7\u00e3o de aspectos da vida rural ou de elementos da natureza.<\/p>\n<ul>\n<li>Voc\u00ea conheceu mais algumas caracter\u00edsticas do Saru\u00ea: descreva o gambazinho para n\u00f3s, por favor, utilizando suas pr\u00f3prias palavras ou as palavras do poema.<\/li>\n<li>Voc\u00ea gostaria de ter uma vida mais campestre ou prefere ficar s\u00f3 na cidade?<\/li>\n<li>Por que o Saru\u00ea est\u00e1 nas cidades?<\/li>\n<li>Devemos fazer o que para que ele volte para as matas e campos da \u00e1rea rural?<\/li>\n<li>Voc\u00ea viu que no desenho o Saru\u00ea descansa no toco de uma \u00e1rvore cortada por motosserra?<\/li>\n<li>Como o Saru\u00ea vai se proteger dos seus predadores (a on\u00e7a, o gato do mato, o gavi\u00e3o, etc.) sem as \u00e1rvores, as tocas, os ocos para se esconder?<\/li>\n<li>Voc\u00ea sabe o que \u00e9 ecologia?<\/li>\n<li>Como podemos definir essa palavra?<\/li>\n<li>Ap\u00f3s essa defini\u00e7\u00e3o, voc\u00ea se sente ao menos um pouquinho ec\u00f3logo?<\/li>\n<li>O que devemos fazer para proteger o Saru\u00ea nas cidades?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>&#8220;Quatro Quadras&#8221;<\/strong>. Poema de cunho popular das ra\u00edzes medievais da l\u00edngua portuguesa, a quadra integra de tal modo o\u00a0<em>ethos<\/em> da l\u00edngua que mesmo poetas cerebrais, como Fernando Pessoa e Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, a praticaram de modo intenso, intensivo e extensivo. No\u00a0<em><strong>Dicion\u00e1rio Contempor\u00e2neo da L\u00edngua Portuguesa Caldas Aulete<\/strong><\/em>, entre in\u00fameras acep\u00e7\u00f5es de variados campos, surge: &#8220;Quarteto; estrofe de quatro versos&#8221;.<\/p>\n<p>Mais espec\u00edfica, Norma Goldstein, em\u00a0<strong><em>Versos, sons, ritmos<\/em><\/strong>, informa: &#8220;Quadrinha \u00e9 o poema de quatro versos que, geralmente, desenvolve um conceito relativo \u00e0 filosofia popular&#8221;.\u00a0Notemos, na breve defini\u00e7\u00e3o de Goldstein, que ela nomeia a quadra como quadrinha, o diminutivo nos parecendo mais afeto do que rebaixamento, pois eleva a cultura popular ao estatuto de conceito e de filosofia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9207 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-300x300.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-150x150.jpeg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-768x767.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-12x12.jpeg 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-400x400.jpeg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-700x700.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-100x100.jpeg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1757.jpeg 1125w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00c9 em Massaud Mois\u00e9s (obra citada) que encontramos considera\u00e7\u00f5es mais extensas, similares \u00e0s j\u00e1 apresentadas, das quais destacamos: &#8220;Conhecida desde a Idade M\u00e9dia, a quadrinha \u00e9 um dos poemas de forma fixa mais tipicamente vern\u00e1culos. E a despeito de haver utilizado, no curso de sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, v\u00e1rios metros, o redondilho, sobretudo o maior (de sete s\u00edlabas), constitui-lhe o verso predileto&#8221;.<\/p>\n<p>Assim s\u00e3o as quadras desse livro de Nima Spigolon, que opta, no entanto, pela redondilha menor (cinco s\u00edlabas po\u00e9ticas), eventualmente de quatro s\u00edlabas. Nas rimas, prevalece o esquema ABBA, com a terceira quadra tendo todos os versos coma rima em inho, marcando diminutivos em s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Mantendo alto tom po\u00e9tico no tratamento do tema, as quadras apresentam o Saru\u00ea na cidade, mostrando-o a passear pela pra\u00e7a, embora seja na ess\u00eancia um &#8220;bichinho \/ do mato&#8221;. Descreve o Saru\u00ea se alimentando de mel, carrapatos e escorpi\u00f5es, e sua curiosidade nata, atento que \u00e9 aos h\u00e1bitos humanos nas reuni\u00f5es familiares do in\u00edcio da noite.<\/p>\n<ul>\n<li>Vamos desenhar os espa\u00e7os do Saru\u00ea?<\/li>\n<li>Quais s\u00e3o os espa\u00e7os que s\u00e3o citados nas quadras?<\/li>\n<li>Quais outros espa\u00e7os o Saru\u00ea pode transitar?<\/li>\n<li>Vamos pesquisar e conhecer outras quadrinhas de gosto popular?<\/li>\n<li>Vamos ler e comentar algumas quadras que selecionamos para os colegas?<\/li>\n<li>Que tal tentarmos escrever algumas quadrinhas?<\/li>\n<li>Vamos fazer um teatrinho com o gambazinho passeando pela cidade e pela mata?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Mais Duas Cantigas<\/strong> confirma a voca\u00e7\u00e3o de melopeia dos poemas deste livro e do estro po\u00e9tico de Nima Spigolon.<\/p>\n<p>A primeira cantiga da p\u00e1gina 13 \u00e9 composta de uma \u00fanica estrofe de cinco versos. A brincadeira do poema se instaura com as rimas internas e no final dos versos, todas com um \u00e1, ox\u00edtono. Mostra o Saru\u00ea subindo e descendo, t\u00e3o r\u00e1pido, t\u00e3o \u00e1gil, que at\u00e9 parece &#8220;piru\u00e1&#8221;, ou seja, o milho-pipoca pulando sem estourar na panela e ribombando no metal.<\/p>\n<p>Na segunda cantiga, s\u00e3o quatro estrofes, as duas primeiras e a \u00faltima de tr\u00eas versos, a terceira com quatro versos. O poema faz uma par\u00f3dia do ritmo e das imagens da conhecida cantiga &#8220;Alecrim&#8221;, do cancioneiro popular imemorial da l\u00edngua portuguesa. Assim, o Saruezim nasce &#8220;sem ser semeado&#8221;, e \u00e9 &#8220;luz do campo&#8221;.<\/p>\n<ul>\n<li>Vamos procurar v\u00eddeos com cantigas de roda?<\/li>\n<li>Vamos procurar a cantiga &#8220;Alecrim&#8221; e comparar a letra dela com a segunda cantiga?<\/li>\n<li>Vamos achar cantigas que se pare\u00e7am com a primeira cantiga, tendo as rimas em \u00e1?<\/li>\n<li>Vamos musicar essas cantigas, colocando chocalhos, bumbos, tambores e outros instrumentos?<\/li>\n<li>Vamos gravar essas musicaliza\u00e7\u00f5es e mostrar para as pessoas de que gostamos?<\/li>\n<\/ul>\n<p>O\u00a0<strong>&#8220;Poeminha Futurista&#8221;<\/strong>\u00a0tem, no rodap\u00e9 da p\u00e1gina, o desenho de uma sucess\u00e3o de edif\u00edcios, de casas a pr\u00e9dios: \u00e9 o cen\u00e1rio urbano por excel\u00eancia, de &#8220;carros r\u00e1pidos \/ velozes [&#8230;] que \u00e9 s\u00f3 cimento, que \u00e9 s\u00f3 concreto&#8221;. Em versos livres, mais largos, com din\u00e2mica interna em que versos muito curtos acentuam a din\u00e2mica da vida urbana. Na &#8220;cidade grande&#8221;, de &#8220;grandes pr\u00e9dios&#8221; e &#8220;avenidas imensas&#8221;, o &#8220;saruezim sem teto se esconde no oco da \u00fanica \u00e1rvore de uma pra\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>A estrofe final pergunta sobre qual futuro haver\u00e1 para todos n\u00f3s nesse planeta futurista que elimina a natureza. O verso livre, alternando longos versos com versos curtos, mostra visualmente e na respira\u00e7\u00e3o do poema a dificuldade de viver nesse mundo do futuro j\u00e1 presentificado, de pra\u00e7as, ruas e pr\u00e9dios de cimento e concreto, vazios de humanidade.<\/p>\n<p>A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o formal&#8221; realizada por poetas do per\u00edodo moderno (do Romantismo \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo XX, ao menos), &#8220;sem preocupar-se com modelos formais&#8221;, como anota Salvatore D&#8217;Onofrio em seu\u00a0<em><strong>Teoria do texto 2 &#8211; Teoria da l\u00edrica e do drama<\/strong><\/em>, permite esse jogo l\u00fadico de poema reflexivo, marcado com os versos longos no poema de Nima, alternados a versos curtos, que indicam a velocidade do momento, as ruas fren\u00e9ticas, barulhentas, e conclui com indaga\u00e7\u00e3o que \u00e9 fortemente ret\u00f3rica e existencial, fortemente po\u00e9tica com seu\u00a0<em>pathos<\/em> que solicita a reflex\u00e3o dos leitores.<\/p>\n<ul>\n<li>Na nossa cidade, no nosso bairro, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade de vida?<\/li>\n<li>H\u00e1 reservas naturais, preserva\u00e7\u00e3o de nascentes, prote\u00e7\u00e3o com matas ciliares?<\/li>\n<li>H\u00e1 cuidados para evitar ru\u00eddos e inc\u00f4modos que nos intranquilizam em nossos lares?<\/li>\n<li>E em outros locais da cidade, h\u00e1 esses cuidados?<\/li>\n<li>Vamos pesquisar e fazer uma reda\u00e7\u00e3o sobre isso?<\/li>\n<li>Vamos debater isso com amigos, familiares, pessoas das quais gostamos?<\/li>\n<li>PS: o <strong>&#8220;Poeminha Futurista&#8221;<\/strong>, a meu ver, dialoga com a ep\u00edgrafe do livro &#8211; como essa ep\u00edgrafe \u00e9 de minha autoria, n\u00e3o tratei dela ao longo dessas sugest\u00f5es, mas fica aqui essa anota\u00e7\u00e3o para que o professor, a seu crit\u00e9rio, utilize da forma que achar melhor a ep\u00edgrafe e sua rela\u00e7\u00e3o com os poemas do livro de Nima Spigolon.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O poema\u00a0<strong>&#8220;Acalanto&#8221; <\/strong>encerra o livro como quem fecha os olhos no final do dia. Ler \u00e9 maravilhoso, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m descansar. Acalanto \u00e9 um subg\u00eanero do po\u00e9tico voltado para as can\u00e7\u00f5es de ninar, para a l\u00edrica que induz ao descanso.<\/p>\n<p>Esse canto coloca a situa\u00e7\u00e3o invertida: o gambazinho descansa de dia, enquanto as crian\u00e7as v\u00e3o para a escola. H\u00e1, no entanto, a partir de certo momento, uma esp\u00e9cie de coalesc\u00eancia entre os sujeitos po\u00e9ticos, e o gambazinho e a crian\u00e7a parece que se tornam um s\u00f3: e a crian\u00e7a, ap\u00f3s retornar da escola, &#8220;queira terminada&#8221;, vai tamb\u00e9m dormir. O refr\u00e3o, que abre e encerra o poema, sendo repetido internamente a cada tr\u00eas estrofes em forma de d\u00edsticos, marca a monotonia que as rimas e os versos indiciam.<\/p>\n<ul>\n<li>O acalanto, poema para fazer dormir, \u00e9 para fazer dormir a voc\u00ea ou ao gambazinho?<\/li>\n<li>Voc\u00ea j\u00e1 sonhou com o gambazinho? Pode nos contar algum de seus sonhos?<\/li>\n<li>Porque o gambazinho precisa ficar longe de &#8220;crian\u00e7as traquinas&#8221;?<\/li>\n<li>Como ser verdadeiramente amigo de um Saru\u00ea?<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Voc\u00ea quer conversar com a Nima?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 igual a mim, voc\u00ea est\u00e1 querendo muito conversar sobre esse livro com quem o escreveu, a profa. Nima. Acertei?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Escreva ent\u00e3o para ela, por e-mail ou por carta, ou das duas<\/strong><br \/>\n<strong>maneiras, conforme os endere\u00e7os eletr\u00f4nico e postal:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">oi.sarue@saru\u00ea.com<br \/>\nRua Am\u00e9rico de Campos, 903<br \/>\n13083-040 \u2013 Campinas \u2013 SP<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>* Rauer\u00a0<\/strong>Ribeiro Rodrigues<br \/>\nProfessor de Literatura Brasileira na UFMS;<br \/>\nescritor, \u00a0com livros publicados nos tr\u00eas selos da Pangeia &#8211; ver <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=rauer\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>;<br \/>\nem travessia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/o-gambazinho-sarue-pdf-e-livro\/ \u200e\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8129 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho-300x300.png\" alt=\"\" width=\"426\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho-300x300.png 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho-150x150.png 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho-100x100.png 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho-50x50.png 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Saruezinho.png 367w\" sizes=\"auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/a>Quer pedir o livro, para o colorir do seu jeito?<br \/>\nClique\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/o-gambazinho-sarue-pdf-e-livro\/\"><span style=\"color: #ff0000;\">AQUI<\/span><\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de Nima Spigolon, O Gambazinho Saru\u00ea, com desenhos para colorir por Lana Maciel Nima, a autora de\u00a0O Gambazinho Saru\u00ea &nbsp; Atividades interdisciplinares Caderno Pedag\u00f3gico do Professor . \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0elaborado por Rauer * Nima Spigolon \u00e9 professora da UNICAMP, atuando na gradua\u00e7\u00e3o do curso de Pedagogia e das Licenciaturas; atua tamb\u00e9m no mestrado&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":592,"featured_media":9220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[278,631],"tags":[673,5077,675,679,516,670,410,95,504,671,601,621,141,248,678,411,327,676,677,237,681,672,680,674],"class_list":["post-9187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-infantojuvenil","category-para-colorir","tag-acalanto","tag-antirracismo","tag-cantiga","tag-ciranda","tag-faculdade-de-educacao","tag-formas-poeticas","tag-haicai","tag-haikai","tag-infantojuvenil","tag-lana-maciel","tag-literatura-infantil","tag-meio-ambiente","tag-microconto","tag-nima-spigolon","tag-pastoril","tag-poema","tag-poesia","tag-quadra","tag-quadrinhas","tag-sarue","tag-soneto","tag-subgeneros-de-poesia","tag-tanka","tag-verso-livre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/592"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9187"}],"version-history":[{"count":33,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18668,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions\/18668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}