{"id":8916,"date":"2022-03-17T00:05:03","date_gmt":"2022-03-17T00:05:03","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=8916"},"modified":"2022-03-17T13:18:20","modified_gmt":"2022-03-17T13:18:20","slug":"a-artesania-de-osmar-casagrande-junior-ao-ler-adriana-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-artesania-de-osmar-casagrande-junior-ao-ler-adriana-lisboa\/","title":{"rendered":"A artesania de Osmar Casagrande J\u00fanior ao ler Adriana Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Adriana Lisboa \u00e9, certamente, uma das mais impactantes autoras da literatura brasileira de nossos dias: o tempo dir\u00e1. Enquanto o tempo n\u00e3o diz, pesquisadores como Osmar Casagrande J\u00fanior est\u00e3o nos dizendo.<\/p>\n<p>Ao vasculhar com olhos atentos os espa\u00e7os na obra da autora carioca, Osmar nos conduz por um encontro humano e frut\u00edfero. Sem descuidar da erudi\u00e7\u00e3o ou de referenciais te\u00f3ricos importantes, o estudioso nos apresenta facetas de Adriana que s\u00f3 s\u00e3o acess\u00edveis aos apaixonados pela arte da palavra. E essa paix\u00e3o, que mobiliza Osmar intelectualmente para o estudo, toca a sensibilidade do leitor para uma experi\u00eancia aberta e muito franca de leitura e an\u00e1lise.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que o estudioso trata a autora apenas como Adriana. Assim mesmo, apenas o prenome. A leitura dessa pesquisa \u00e9 convite para tomamos parte desse encontro. E seguimos orientados, por um lado, com a acurada leitura te\u00f3rica de Osmar e, por outro, pelo texto da pr\u00f3pria Adriana. Assim, esse caminhar de aprofundamento intelectual \u00e9 percorrido sem perdermos de vista aquilo que mais nos interessa quando tratamos de literatura: a palavra liter\u00e1ria que traz em seu bojo a profunda e \u2013 muitas vezes dif\u00edcil \u2013 dimens\u00e3o humana da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 logo no t\u00edtulo do cap\u00edtulo I da pesquisa que nos s\u00e3o apresentados elementos fundamentais para o trabalho: descri\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o. Refletindo sobre esses dois conceitos a partir de uma perspectiva fundamental da <em>m\u00edmeses<\/em>, Osmar estabelece di\u00e1logo com outros importantes pensadores de nossa cultura nacional, como T\u00e2nia Pellegrini, Luiz Costa Lima, Karl Eric Sch\u00f8llhammer e Antonio Candido. A obra de Adriana n\u00e3o fica, no entanto, em nenhum momento, em segundo plano. A teoria \u00e9 consultada, questionada e revisada na medida em que interessa para iluminar o texto liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entrela\u00e7am-se, assim, questionamentos, problematiza\u00e7\u00f5es, nega\u00e7\u00f5es de \u00f3rbita te\u00f3rica e o texto potente de Adriana Lisboa para a constru\u00e7\u00e3o de uma perspectiva autoral de Osmar. Artesania descritiva \u00e9 a categoria que o autor estabeleceu para dar conta de explicar seu olhar para a obra de Adriana Lisboa:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Esse palimpsesto dos textos de Bandeira e Adriana, apresentados pelo que chamamos de <em>artesania descritiva<\/em>, concretiza-se na apresenta\u00e7\u00e3o de um cotidiano comum, mas que se singulariza na descri\u00e7\u00e3o por sua fun\u00e7\u00e3o na narrativa e, no caso, pela aproxima\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica com o poema \u201cMa\u00e7\u00e3\u201d. (CASAGRANDE, Osmar; in: <strong><em>Artesania descritiva nos romances de Adriana Lisboa<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p>Com esse conceito, Osmar amarra as reflex\u00f5es sobre espa\u00e7o e sobre descri\u00e7\u00e3o em uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ao mesmo tempo aut\u00eantica e potente. \u00c9 a contribui\u00e7\u00e3o desse estudo para o campo de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8377 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-11.36-262x300.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-11.36-262x300.jpg 262w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-11.36.jpg 264w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/>Osmar, em evento na UFMS<\/p>\n<p>Ao tratar sobre \u201ca cr\u00edtica dos espa\u00e7os estetizados\u201d na obra de Adriana Lisboa, Osmar se debru\u00e7a a evidenciar por quais instrumentos est\u00e9ticos a autora empreende sua cr\u00edtica ao contempor\u00e2neo. Ao registrar o tempo hist\u00f3rico a partir das viv\u00eancias imediatas, ou seja, a partir de dentro do fluxo dial\u00e9tico da hist\u00f3ria, a literatura o faz com instrumentos que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios. E \u00e9 na lavra dos grandes autores que encontramos mais e melhores desses recursos. A partir do conceito de \u201cartesania descritiva\u201d, Osmar evidencia como as descri\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os em Adriana Lisboa n\u00e3o buscam qualquer ideia de espelhamento do mundo externo. Ao contr\u00e1rio, a autora utiliza a impossibilidade de apreens\u00e3o do real pela linguagem como um dos procedimentos est\u00e9ticos para problematizar e empreender uma cr\u00edtica ao nosso tempo, \u00e0 nossa sociedade e \u00e0 nossa individualidade. Evidenciando, portanto, a hip\u00f3tese inicial de que,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">ao explicitar essa din\u00e2mica entre espa\u00e7o referenci\u00e1vel e espa\u00e7o ficcional, em que a autonomia do ficcional se consolida na rela\u00e7\u00e3o entre personagens e objetos, a autora se prop\u00f5e a criar uma postura \u00e9tica e uma reflex\u00e3o est\u00e9tica frente \u00e0 nossa contemporaneidade. Nomeamos esse processo de pin\u00e7amento e montagem de <em>artesania descritiva<\/em>. Escolhemos \u201cartesania\u201d, em contraste com \u201cengenharia\u201d ou \u201carquitetura\u201d, que aludem ao c\u00e1lculo, enquanto a pr\u00e1tica do artes\u00e3o \u00e9 mais sujeita a vicissitudes, tal como entendemos as refra\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica e consequentes efeitos de sentido das descri\u00e7\u00f5es de Adriana. (CASAGRANDE, Osmar; in: <strong><em>Artesania descritiva nos romances de Adriana Lisboa<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p>Em outro cap\u00edtulo de seu trabalho, Osmar trata da complexa rela\u00e7\u00e3o entre tempo e espa\u00e7o. Estabelece reflex\u00e3o sobre como Adriana Lisboa empreende o registro da sedimenta\u00e7\u00e3o do(s) tempo(s) na constru\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os ficcionais de sua obra. Osmar aponta para uma estrat\u00e9gia de composi\u00e7\u00e3o de Adriana Lisboa de n\u00e3o linearidade do tempo a partir de seus m\u00faltiplos registros no espa\u00e7o.\u00a0 Portanto, da desconstru\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria do tempo a partir da reflex\u00e3o sobre o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O livro de Osmar \u00e9 resultado de leituras atentas de seu objeto. N\u00e3o descuida em momento algum dos referenciais te\u00f3ricos de qualidade e bem analisados. E, tampouco, deixa de lado a obra de Adriana Lisboa como centro de suas quest\u00f5es. Constitui sua pesquisa em avan\u00e7o para interpreta\u00e7\u00e3o da obra da autora. Para o leitor especializado, Osmar oferece reflex\u00f5es autorais e a constru\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidas categorias que d\u00e3o conta das reflex\u00f5es levantadas durante o seu texto. Para o leitor que pretende apenas se aprofundar na obra de Adriana Lisboa, Osmar oferece um texto de boa leitura e reflex\u00f5es que s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis por aqueles que s\u00e3o apaixonados pelo que estudam.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Felipe Gon\u00e7alves Figueira<\/strong><br \/>\nProfessor no Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nde Surdos \u2013 INES, no Rio de Janeiro<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">Conhe\u00e7a mais detalhes sobre o<br \/>\nlivro \u2013 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/osmar-casagrande-artesania-espaco-ficcional\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/artesania-descritiva-romances-adriana-lisboa\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8371\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"435\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-212x300.jpg 212w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-722x1024.jpg 722w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-768x1089.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-700x992.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-282x400.jpg 282w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17-494x700.jpg 494w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Imagem-21-02-2022-as-07.17.jpg 893w\" sizes=\"auto, (max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Lisboa \u00e9, certamente, uma das mais impactantes autoras da literatura brasileira de nossos dias: o tempo dir\u00e1. 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