{"id":7863,"date":"2022-12-10T21:40:22","date_gmt":"2022-12-10T21:40:22","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=7863"},"modified":"2025-11-20T17:57:46","modified_gmt":"2025-11-20T17:57:46","slug":"qohelet-de-rauer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/qohelet-de-rauer\/","title":{"rendered":"QOHELET, de Rauer"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>QOHELET<\/strong><\/em>, de Rauer, \u00e9 \u00a0uma atualiza\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, amorosa, transcendente, primordial, bel\u00edssima e refinada dos <em>Cantares<\/em>\u00a0\u2013 o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos \u2013 e do\u00a0<em>Eclesiastes<\/em>, dialogando com outros livros\u00a0da tradi\u00e7\u00e3o sapiencial e da l\u00edrica perene e universal, de Hes\u00edodo ou de Enheduanna ao choro de um beb\u00ea ou\u00a0ao balbucio da namorada ao seu primeiro amado no port\u00e3o de uma casa suburbana, na periferia de uma inclemente metr\u00f3pole, ontem \u00e0 noite.<\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o de Willia Katia Oliveira, poeta e designer. No desenho em destaque, o poeta ouve Qohelet narrar sua trajet\u00f3ria na busca do amor e do conhecimento.<\/p>\n<p>Dito isso a t\u00edtulo de apresenta\u00e7\u00e3o, entrevistamos o autor no momento em que as Edi\u00e7\u00f5es Dionysius, o selo de literatura da Pangeia Editorial, lan\u00e7a a terceira edi\u00e7\u00e3o do <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>Para saber mais sobre o livro, clique <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10595 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.12.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"435\" \/>BLOG DA PANGEIA \u2013 Rauer, por favor, em duas ou tr\u00eas\u00a0frases, nos defina o <em>QOHELET<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>RAUER \u2013 Ah, o <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> \u00e9&#8230; \u2013 [o poeta abre um sorriso silencioso, algo sard\u00f4nico] \u2013, &#8230;em detalhes, \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o lind\u00edssima, de um poema que me foi, na escrita, e que me \u00e9, hoje, na releitura, impactante!<\/p>\n<p><strong>Uau&#8230; Vamos em frente: voc\u00ea menciona que se trata de um poema; no entanto, no livro consta &#8220;narrativa l\u00edrica&#8221; \u2013 trata-se de poesia ou de narrativa?<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se, antes de tudo, de literatura, literatura que bebe em fontes inarred\u00e1veis de nosso passado cultural e liter\u00e1rio. \u00c9 l\u00edrica de inven\u00e7\u00e3o e \u00e9 um texto ficcional, \u00e9 um di\u00e1logo e \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre o ser e o estar humano, desse humano que desceu das \u00e1rvores nas savanas e saiu das grutas pr\u00e9-hist\u00f3ricas para dominar a natureza ao ponto de obter a possibilidade nuclear de destruir o planeta. Tem a forma da\u00a0<i>terza rima<\/i>, que dir-se-ia dantiana; tem tr\u00eas cantos que emulam certa dial\u00e9tica em uma filosofia toda particular \u2013 \u00e9, pois, uma narrativa que se d\u00e1 em di\u00e1logo, com uma personagem que narra a sua busca do conhecimento atrav\u00e9s do amor e do erotismo, da reflex\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o, do intertexto com o pensamento pr\u00e9-socr\u00e1tico, com as li\u00e7\u00f5es do <em>Eclesiastes<\/em> e do <em>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em> e a incorpora\u00e7\u00e3o de reflex\u00f5es sapienciais de poetas, de eremitas, de santos e de hereges. Tentei fazer com que forma e conte\u00fado copulassem entre si, no am\u00e1lgama do significado ao significante, propiciando que coalescesse a inspira\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica ao l\u00e9xico e \u00e0 sintaxe. <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> \u00e9 um canto de amor, l\u00edrico e \u00e9pico, \u00e9 murm\u00fario sussurrado e excita\u00e7\u00e3o, febre, explos\u00e3o orgi\u00e1stica, \u00e9 prece meditativa e \u00e9 vida er\u00f3tica por todos os poros.<\/p>\n<p><strong>Por que uma 3a. edi\u00e7\u00e3o do <em>QOHELET<\/em> quando, segundo informa\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas que constam no livro <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/ab-acido-estorias-livro-e-pdf\/\"><em>Ab \u00e1cido: est\u00f3rias<\/em><\/a>, voc\u00ea tem diversos livros in\u00e9ditos na gaveta e no computador?<\/strong><\/p>\n<p>RAUER &#8211; Uai!, t\u00e1 a\u00ed um mist\u00e9rio, n\u00e9? Mas s\u00f3 parece mist\u00e9rio, porque o <em><strong>QOHELET<\/strong><\/em> teve uma primeira edi\u00e7\u00e3o caseira, somente para amigos \u00edntimos, e uma outra edi\u00e7\u00e3o, aqui mesmo na Dionysius \/ Pangeia, de baixa tiragem, que circulou somente entre pessoas conhecidas. Portanto, de modo mais amplo, essa ser\u00e1 de fato uma primeira edi\u00e7\u00e3o. Um outro aspecto: escrevi o poema ap\u00f3s concluir minha tese e \u00e0 espera da defesa. Foi um tempo relativamente longo, de ao menos cinco meses, de expectativas novas e de mudan\u00e7as existenciais reais, e foi ao refletir sobre o que vivera at\u00e9 ent\u00e3o e projetar o que eu provavelmente passaria a viver, que Qohelet, a personagem, &#8220;ganhou vida&#8221;. Por fim, sendo a 1a. edi\u00e7\u00e3o uma publica\u00e7\u00e3o do poema feita para ser entregue aos amigos e aos membros da banca de defesa, ainda no quente da escrita do poema, n\u00e3o foi feita uma obrigat\u00f3ria releitura de apuramento, defeito de que tamb\u00e9m padece a 2a. edi\u00e7\u00e3o, quase que uma replica\u00e7\u00e3o daquele texto original. J\u00e1 agora, para esta 3a. edi\u00e7\u00e3o, fiz revis\u00e3o detida, ajustei imperfei\u00e7\u00f5es, conferi verso a verso o ritmo, a m\u00e9trica, as asson\u00e2ncias, as rimas. Eu diria que essa poderia at\u00e9 ser considerada a primeira edi\u00e7\u00e3o de fato do <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, n\u00e3o fosse o hist\u00f3rico narrado.<\/p>\n<p><strong>Mas nos conte tamb\u00e9m das inspira\u00e7\u00f5es pouco \u00f3bvias no <em>QOHELET<\/em>: quais s\u00e3o elas?, de que modo elas foram deglutidas antropofagicamente?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10596 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.14.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"474\" \/>S\u00e3o mencionadas, nos coment\u00e1rios cr\u00edticos ao poema, a presen\u00e7a do Eclesiastes e a retomada do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos&#8230; s\u00e3o intertextos evidentes. N\u00e3o parecem \u00f3bvias as presen\u00e7as do G\u00eanesis e do Apocalipse, que est\u00e3o, penso eu, em subtexto, quase que em uma tr\u00edade que molda uma met\u00e1fora do humano: o nascimento, a dor, a morte; \u00e9 nesse latejar impl\u00edcito que se imp\u00f5e a busca do amor a partir do conhecimento e a busca do <em>logos<\/em> a partir do erotismo. <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> me foi um esfor\u00e7o f\u00edsico monumental. O poema foi escrito em muitas noites febris e sangu\u00edneas, em madrugadas excitantes em que a poesia pulsava procurando as palavras que a expressariam. Os versos flu\u00edam lentos e majestosos, em sopro de \u00e9pica que forjava uma l\u00edrica. H\u00e1, no <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, ao menos penso que h\u00e1, uma degluti\u00e7\u00e3o antropof\u00e1gica da civiliza\u00e7\u00e3o hebraico-hel\u00eanica-romana-crist\u00e3, o que talvez n\u00e3o seja \u00f3bvio, e o resultado se veste de esperan\u00e7a, embora seja terr\u00edvel o retrato do humano que resulta da leitura.<\/p>\n<p><strong>De que forma o <em>QOHELET<\/em> chega \u00e0 3a. edi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Na melhor forma poss\u00edvel: revisado minuciosamente, corrigidos erros de revis\u00e3o falha nas edi\u00e7\u00f5es anteriores, e principalmente com ajustes que desde sempre percebi que devia fazer, mas que n\u00e3o fizera. Al\u00e9m disso, se a 1a. edi\u00e7\u00e3o tem o charme do livrinho caseiro com pouqu\u00edssimos exemplares e a 2a. ganhou um estudo sens\u00edvel e potente, da Cris Guzzi, essa nova edi\u00e7\u00e3o tem as ilustra\u00e7\u00f5es da Willia Katia Oliveira, com tra\u00e7os leves, realistas e transcendentes, que est\u00e3o espetaculares, dialogando com o texto, lendo o texto&#8230; os desenhos \u00a0 se amalgamam ao poema, constituindo um hino de amor entre poesia e imagem, similar ao texto po\u00e9tico-narrativo, que \u00e9 um am\u00e1lgama entre verbo e corpo.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10628 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-300x192.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-1024x656.jpg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-768x492.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-700x449.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-400x256.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51-1300x833.jpg 1300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-27-10-2022-as-16.51.jpg 1309w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/>Mas agora o posf\u00e1cio \u00e9 outro&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, o da segunda edi\u00e7\u00e3o, &#8220;A voluptuosidade art\u00edstica: a presen\u00e7a do erotismo na escrita de <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, de Rauer&#8221;, real\u00e7a que o poema &#8220;fez, do corpo, o of\u00edcio de escrever, e do escrever, o of\u00edcio do corpo&#8221;, perfazendo uma &#8220;copula\u00e7\u00e3o entre o sagrado e o profano&#8221;. Assim, destacava a interface &#8220;literatura e erotismo&#8221; com a qual nascia a Cole\u00e7\u00e3o Eros-Poesia. Era uma s\u00famula da liberta\u00e7\u00e3o, a s\u00famula da sincronia de diferentes momentos hist\u00f3ricos, quase que uma jun\u00e7\u00e3o entre os ideias libert\u00e1rios dos anos 1960, a afoita busca de prazer da d\u00e9cada de 1980 e o hedonismo luxurioso \u2013 com certo retorno de moralismo pecaminoso \u2013 do in\u00edcio dos anos 2000. J\u00e1 agora, a op\u00e7\u00e3o foi por estudo voltado ao intertexto, \u00e0 retomada transgressora de m\u00faltiplas evoca\u00e7\u00f5es, e por isso temos de posf\u00e1cio o estudo &#8220;De \u00a0\u05b9\u05e7\u05b6\u05d4\u05b6\u05dc\u05ea \u00a0a <em>Qohelet<\/em>, de Rauer&#8221;, assinado por Pauliane Amaral e Pedro Germano Leal [Brown University, Providence, Rhode Island, EUA]. \u00c9 um estudo denso, filol\u00f3gico, que capta nuances microsc\u00f3picas e prop\u00f5e uma compreens\u00e3o ampla de um outro aspecto do poema. Estou muito feliz por essa escolha da Editora.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201cO primado da melhor literatura, em todos os tempos, se d\u00e1 quando o escritor deixa o texto falar por si, sem esvanecer a dor latejante de humanidade para as conting\u00eancias do autor.\u201d<br \/>\n(Rauer, sobre <b><i>Qohelet<\/i><\/b>).<br \/>\nConfira: <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=rauer\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a> e <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=qohelet\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">AQUI<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div><strong>Qual pesquisa hist\u00f3rica voc\u00ea fez para escrever o\u00a0<\/strong><em><strong>QOHELET<\/strong><\/em><strong>?<\/strong><\/div>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e0 trajet\u00f3ria de leitor compulsivo e on\u00edvoro desde ao menos os oito anos. Depois, \u00e0s experi\u00eancias com teatro amador, em Ituiutaba, na adolesc\u00eancia, e na transi\u00e7\u00e3o para universit\u00e1rio, em Sampa. Na sequ\u00eancia, os quatro anos cursando Filosofia na USP. Saindo do casulo, os anos de jornalista no retorno a Ituiutaba, cidade natal, nos sert\u00f5es do cerrado goiano-paulista do Tri\u00e2ngulo Mineiro. Ap\u00f3s isso, os cursos de Estudos Sociais e Hist\u00f3ria e os breves meses em um frustrante curso de Letras, para enfim fazer especializa\u00e7\u00e3o em Literatura, mestrado-doutorado em Estudos Liter\u00e1rios e p\u00f3s-doutorado em Literatura Comparada. Mais do que a trajet\u00f3ria de estudos, o trabalho de livreiro e editor e, em especial, os sucessivos casamentos, os filhos, a ang\u00fastia de integrar \u2013 no Brasil \u2013 um repulsivo sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico feudal-capitalista-selvagem, constituem o\u00a0<em>ethos<\/em> que gerou o <em><strong>QOHELET<\/strong><\/em>. O poema, pois, se inscreveu em mim, em meu corpo, em meu ser sensitivo e pensante, ao longo de quase cinco d\u00e9cadas de vida. \u00c9 a suma dessa vida.<\/p>\n<p><strong>Quer dizer que um pouco antes dos seus cinquenta anos j\u00e1 fechou o significado da sua exist\u00eancia?<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10599 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.20-86x300.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"743\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.20-86x300.jpg 86w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.20-115x400.jpg 115w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.20-201x700.jpg 201w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.20.jpg 270w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Oh!, n\u00e3o!, e espero ter a oportunidade de um novo exerc\u00edcio similar a este em algum tempo futuro, seja nas breves p\u00e1ginas de um conto, seja no rio em expans\u00e3o de um romance, seja em uma novela picaresca, seja em um novo e diferente poema, seja mesmo em um haikai ou em um microconto. Isso, claro, se da Guerra com a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia n\u00e3o chegarmos \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da vida no planeta.<\/p>\n<p><strong>De que modo voc\u00ea avalia essa 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o de <\/strong><em><strong>QOHELET<\/strong><\/em><strong>, sobretudo em termos de ousadia formal e estrutural?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 mais um bel\u00edssimo trabalho da Pangeia Editorial, que em cada um de seus selos \u2013 Dionysius, de literatura, Pangeia, para livros acad\u00eamicos, e Saru\u00ea, infantojuvenil \u2013 vem imprimindo, a cada novo livro, uma surpresa de acabamento, de prepara\u00e7\u00e3o editorial, de elabora\u00e7\u00e3o visual. Os livros algumas vezes demoram a ficar prontos, mas quando nos chegam \u00e0 m\u00e3o, s\u00e3o obras muito bem cuidadas, de muito bom acabamento, quase impec\u00e1veis. A diagrama\u00e7\u00e3o e as ilustra\u00e7\u00f5es desse <strong><em>QOHELET<\/em> <\/strong>est\u00e3o um primor, e agrade\u00e7o \u00e0 editora por esse cuidado e \u00e0 Willia Katia Oliveira o capricho da arte-final sens\u00edvel, expressiva e linda. Vejo ousadia, bom-gosto, apuro&#8230; tal como pretendi e espero ter realizado no poema. Foi-me prometida uma pequena joia, e eu confirmo que tenho em m\u00e3os um livro que \u00e9 uma pequena joia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>H\u00e1 uma importante conflu\u00eancia de g\u00eaneros liter\u00e1rios em seu estilo de escrever: microconto, haikai, poesia, conto, novela, romance&#8230; \u2013 com qual deles se identifica mais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sou leitor de todos os g\u00eaneros; ao escrever, busco a melhor forma para o que pretendo expressar tendo em vista conte\u00fado e modo de escrever. Bebo sempre na li\u00e7\u00e3o dos grandes autores do passado e, por antagonismo, na li\u00e7\u00e3o dos autores menores, com textos falhados, para fugir dos erros que eles cometeram. Imagino que Safo, Virg\u00edlio, Machado de Assis, Tchekhov, Andr\u00e9 Gide, Mansfiel, Ernest Hemingway e Murilo Rubi\u00e3o, entre outros, depende do momento, sejam os meus leitores&#8230; e ent\u00e3o imagino o que eles diriam do que escrevi, quais cr\u00edticas fariam. Procuro sempre alcan\u00e7ar o m\u00e1ximo de polissemia com o m\u00ednimo de palavras. Coloco-me sempre desafios expressivos, desafios tem\u00e1ticos, desafios de ir al\u00e9m do que j\u00e1 conhe\u00e7o e do que j\u00e1 fiz. Escrever \u00e9 luta renhida, eu diria, em par\u00e1frase a Gon\u00e7alves Dias.<\/p>\n<div><strong>Os anos que separam a 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o da de hoje foram preenchidos com diferentes produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e acad\u00eamicas: de que modo essa trajet\u00f3ria influencia a atual edi\u00e7\u00e3o?, houve um amadurecimento te\u00f3rico e da pr\u00e1tica do escritor nesse per\u00edodo?<\/strong><\/div>\n<p>O que mudou nos \u00faltimos dezesseis anos \u00e9 que fiquei mais compreensivo com as pessoas em geral no que cada um de n\u00f3s tem de fal\u00edvel e prec\u00e1rio, e me tornei mais exigente quanto ao que \u00e9 a literatura, quanto \u00e0 qualidade intr\u00ednseca do texto liter\u00e1rio. Passei tamb\u00e9m a perceber objetivamente a pot\u00eancia formadora, inclusive pedag\u00f3gica, da literatura, o que antes eu s\u00f3 intu\u00eda a partir da pr\u00f3pria viv\u00eancia. Hoje defendo \u2013 de modo ardoroso, pertinaz e com argumentos evidentes \u2013 que o ensino deve ter, no centro vital das atividades escolares, a leitura liter\u00e1ria. No entanto, escrever n\u00e3o deve ser moldado para essa finalidade, pois constituir fins, ainda que nobres, desvirtua a literatura ao ponto de a sepultar irremediavelmente. O engajamento da literatura \u2013 e de certo modo a literatura \u00e9 engajamento pleno com a vida, com Eros e com a empatia \u2013, o engajamento da literatura \u00e9 permanente e inarred\u00e1vel com a plenitude do humano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais s\u00e3o seus projetos liter\u00e1rios e de vida para o futuro?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10624 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-300x300.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-150x150.jpeg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-768x769.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-400x400.jpeg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-700x700.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-100x100.jpeg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/9E967AE8-A8F7-4609-BFB3-62D08445F89F.jpeg 1154w\" sizes=\"auto, (max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/p>\n<p>Escrever, muito e sempre, revisar com afinco tudo o que escrevo, e cotidianamente tentar melhorar o que j\u00e1 escrevi; al\u00e9m disso, dialogar sobre literatura com os mais jovens, qui\u00e7\u00e1 podendo contribuir para que novos talentos se realizem em plenitude; viver apaixonadamente, com minha companheira, e, na medida da realiza\u00e7\u00e3o de cada um, tendo minhas filhas e meus filhos por perto.<\/p>\n<p><strong>Em di\u00e1logo com uma pe\u00e7a de divulga\u00e7\u00e3o do livro que est\u00e1 no Instagram da Editora, perguntamos: o que \u00e9 o <em>QOHELET<\/em>?, o <em>QOHELET<\/em> mudou sua vida?<\/strong><\/p>\n<div>Sim, tanto no ato de escrever quanto na releitura de ajustes e corre\u00e7\u00f5es de agora, o <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> mudou a minha vida, mudou a minha compreens\u00e3o do humano, mudou minha compreens\u00e3o do pr\u00f3prio fazer liter\u00e1rio. A literatura \u00e9 minha esposa e minha amante, \u00e9 minha dor e meu prazer, \u00e9 a raz\u00e3o da vida e a compreens\u00e3o da morte. \u00c9 o al\u00e9m do\u00a0<em>logos<\/em>, sendo conhecimento, sentimento e plenitude. \u00c9 o eu, a alteridade e o universal em am\u00e1lgama. Na escritura do <em><strong>QOHELET<\/strong> <\/em>me integrei ao humano no mesmo passo em que descobria, do humano, &#8220;o semblante horrorizado&#8221;, como consta em um dos \u00faltimos versos do poema.<\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nos revele algo do seu processo criativo para a produ\u00e7\u00e3o de seus livros. \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Um livro \u00e9 sempre um projeto particular, cada livro tem seu processo pr\u00f3prio. Cada texto, tamb\u00e9m, seja narrativa ou poesia, seja soneto ou seja um miniconto ou uma novela. Importa a const\u00e2ncia, escrever todos os dias, e importa ainda mais a resili\u00eancia, o reescrever cada texto in\u00fameras vezes, na busca de intang\u00edvel perfei\u00e7\u00e3o microsc\u00f3pica, textual, e macrosc\u00f3pica, dos significados constru\u00eddos. A diferen\u00e7a entre um texto de baixa densidade, um texto na f\u00edmbria do liter\u00e1rio, para um texto liter\u00e1rio, e portanto um texto de alta densidade, \u00e9 no mais das vezes uma releitura a mais, um torneio na nuance do dizer, uma escolha lexical apropriada. Escrever \u00e9 buscar a simplicidade na complexidade, \u00e9 um artif\u00edcio, uma artesania, um constructo, \u00e9 lapida\u00e7\u00e3o que realce as nuances do brilho cristalino de cada palavra, que retire escolhos, que deixe o texto falar por si para muito al\u00e9m das conting\u00eancias do autor. Quando o autor se mete a escrever sem deixar que o poema ou a narrativa falem por si mesmas, o liter\u00e1rio se esvanece, a vida se torna ponto de vista e n\u00e3o a dor latejante de humanidade que \u00e9 o primado da melhor literatura em todos os tempos. \u00c9 isso que busco \u2013 j\u00e1 se alcan\u00e7o, se realizo, \u00e9 outro aspecto: mais do que a mim, cabe a cada leitor ter o seu veredito, que \u00e9 o que importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-11156\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6025-206x300.png\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"594\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6025-206x300.png 206w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6025-274x400.png 274w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6025-480x700.png 480w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6025.png 543w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">QOHELET<\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A BUSCA DA SABEDORIA NO AMOR E NA SENSUALIDADE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;[&#8230;],<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">mesmo, blasf\u00eamia, que Deus o acoite,<br \/>\ne ainda todos o sigam em manada,<br \/>\ne em mim sibilem os a\u00e7\u00f5es do a\u00e7oite,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">tenho somente a ti em mim encarnada.&#8221;<br \/>\nAssim ela disse, e eu j\u00e1 respondi:<br \/>\n&#8220;Del\u00edcia de esposa, minha amada,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">eis que por inteiro me entonteci<br \/>\ncom palavras que com l\u00e1bios de mel<br \/>\npronuncias, e assim, todo aqui<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">agora e no sempre, mesmo em fel,<br \/>\nserei seu, somente, sem ja\u00e7a.&#8221;<br \/>\nE eu, Qohelet, canto a lua-de-mel:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;Seu aroma excede, no que me abra\u00e7a,<br \/>\n[&#8230;]&#8221;.<br \/>\n(<em><strong>Qohelet<\/strong><\/em>, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 42-43).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-11157\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6024-300x191.png\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6024-300x191.png 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6024-768x490.png 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6024-400x255.png 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_6024.png 953w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><br \/>\n<em>Qohelet narra, ao poeta, sua travessia<br \/>\nna busca do amor e do conhecimento<\/em><\/p>\n<p>&#8220;O erotismo presente na escrita de Rauer n\u00e3o se resume na explora\u00e7\u00e3o de atos sexuais descritos com toda sua verossimilhan\u00e7a ou em uma reprodu\u00e7\u00e3o, quase ofegante, dos mesmos sentidos atribu\u00eddos em tal ato, mas, sim, por um intenso trabalho de escoamento, adestramento e peneiramento das possibilidades oferecidas pela linguagem (e somente por ela sustentada) para traduzir a copula\u00e7\u00e3o entre o sagrado e o profano. [&#8230;] Em\u00a0<em><strong>Qohelet<\/strong><\/em><em>,\u00a0<\/em>Qohelet fez, do corpo, o of\u00edcio de escrever, e do escrever, o of\u00edcio do corpo.&#8221; (Cris Guzzi,\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/qohelet-2a-edicao-epub-e-livro\/\"><em><strong>Qohelet<\/strong><\/em>, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/a>, 2019).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 72\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>&#8220;<em><strong>Qohelet<\/strong><\/em> se refere ao amor tanto em sua qualidade divina, casta, religiosa quanto carnal, secular, here\u0301tica. Assim como a conjunc\u0327a\u0303o do sagrado e profano so\u0301 e\u0301 possi\u0301vel a partir do momento em que Qohelet faz da poesia seu evangelho, a poesia so\u0301 pode existir enquanto esses dois elementos estiverem juntos, unidos pelo amor que faz o poeta transitar entre o sacro e a perplexidade, entre o divino e o mundano.\u00a0Ao unir esses dois elementos, o fazer poe\u0301tico se torna o u\u0301nico caminho possi\u0301vel para a busca pela sabedoria.&#8221; (Pauliane Amaral e Pedro Germano Leal,\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/pre-venda-qohelet\/\"><em><strong>Qohelet<\/strong><\/em>, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/a>, 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Confira mais sobre o\u00a0<em><strong>QOHELET<\/strong><\/em> nas redes sociais da Pangeia<br \/>\nEditorial, no Instagram, no FaceBook e no Tik Tok:<br \/>\nhttps:\/\/www.tiktok.com\/@pangeia.editorial<br \/>\n@pangeiaeditorial<br \/>\n@edicoes.sarue<br \/>\n@edicoes.dionysius<br \/>\n@haikai.brasil<br \/>\n@eu.professor.pangeia<br \/>\n@_rauer<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/qohelet-3a-edicao-pdf-livro\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10593 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-261x300.jpg\" alt=\"\" width=\"931\" height=\"1070\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-261x300.jpg 261w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-768x883.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-700x805.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-348x400.jpg 348w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00-609x700.jpg 609w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Imagem-22-10-2022-as-22.00.jpg 858w\" sizes=\"auto, (max-width: 931px) 100vw, 931px\" \/><em>Qohelet, de Rauer, com desenhos de Willia Katia Oliveira, <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span>.<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QOHELET, de Rauer, \u00e9 \u00a0uma atualiza\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, amorosa, transcendente, primordial, bel\u00edssima e refinada dos Cantares\u00a0\u2013 o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos \u2013 e do\u00a0Eclesiastes, dialogando com outros livros\u00a0da tradi\u00e7\u00e3o sapiencial e da l\u00edrica perene e universal, de Hes\u00edodo ou de Enheduanna ao choro de um beb\u00ea ou\u00a0ao balbucio da namorada ao seu primeiro amado no port\u00e3o 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