{"id":7000,"date":"2021-05-25T18:26:12","date_gmt":"2021-05-25T18:26:12","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=7000"},"modified":"2025-04-11T12:03:25","modified_gmt":"2025-04-11T12:03:25","slug":"a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-19-uma-metodologia-da-leitura\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 19  \u2013  UMA METODOLOGIA DA LEITURA"},"content":{"rendered":"<p>Como tratar da arte de escrever sem ao menos rascunhar uma arte da leitura? Imposs\u00edvel. Por isso, temos aqui uma metodologia da leitura \u2013 uma, entre outras tantas poss\u00edveis, cada qual v\u00e1lida, ora mais ora menos, a cada circunst\u00e2ncia, texto que se l\u00ea, objetivos da leitura, etc. Embora centrada na leitura liter\u00e1ria, o m\u00e9todo de leitura que aqui se apresenta parece amplo o bastante para servir a qualquer leitura, de qualquer disciplina, campo do conhecimento e motiva\u00e7\u00f5es pessoais para aquela leitura em espec\u00edfico. Desenvolve-se tamb\u00e9m, a partir da metodologia de leitura proposta, uma estrat\u00e9gia de escrita que se volta em particular para a produ\u00e7\u00e3o de textos monogr\u00e1ficos, como TFC, TCC, reda\u00e7\u00f5es argumentativas, disserta\u00e7\u00f5es e teses, embora possa ser utilizada tamb\u00e9m, de modo tangencial, para a escrita criativa, ficcional ou po\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>PALAVRAS INICIAIS<\/p>\n<p>Este roteiro metodol\u00f3gico, que aqui apresento, se pretende t\u00e3o s\u00f3 como introdu\u00e7\u00e3o ao tema da leitura. Pode ser \u00fatil, eventualmente, para a leitura e para a escrita em geral, embora tenha como cerne de motiva\u00e7\u00e3o e de exemplifica\u00e7\u00e3o a leitura liter\u00e1ria, com o objetivo de compreens\u00e3o de textos de literatura e a exposi\u00e7\u00e3o, por escrito, em textos expositivos ou de cr\u00edtica, da leitura empreendida.<\/p>\n<p>Em nenhum momento, o passo a passo que aqui \u00e9 sistematizado se pretende como palavra \u00fanica quanto aos procedimentos de leitura ou de exegese liter\u00e1ria ou em geral.<\/p>\n<p>Ainda que possa ser utilizada de modo quase universal, a metodologia apresentada \u00e9 s\u00f3 uma abordagem; embora se desenhe de modo minucioso, quase que como um roteiro, procura evitar que seja utilizada ao modo de receita, sem abertura para o contexto e para a criatividade do leitor.<\/p>\n<p>Temos sempre presente, a cada momento, a imensa riqueza e multiplicidade dos textos liter\u00e1rios; temos presente, a cada passo do que propomos, a polissemia intr\u00ednseca que lateja nos textos que, com justi\u00e7a e sem favor, podem e devem ser considerados como do \u00e2mbito da literatura \u2013 do mais delicado haikai \u00e0 imensid\u00e3o oce\u00e2nica de um poema \u00e9pico. Por outro lado, a metodologia pode ser utilizada para o estudo de textos t\u00e9cnicos de qualquer conte\u00fado; pode tamb\u00e9m ser consultada e utilizada no momento da escrita de monografias de qualquer \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>UM ESQUEMA DE LEITURA<\/p>\n<p>Para a leitura em geral, e para a leitura liter\u00e1ria em particular, h\u00e1 diversos modos de abordagem. Apresenta-se aqui uma metodologia \u00fatil, de sentido quase universal, que permite traduzir a leitura fluida e corriqueira em um entendimento maior, aprofundando na verticalidade a busca de sentidos constru\u00eddos pelo texto, e horizontalizando a descri\u00e7\u00e3o do texto como constructo, como uma inven\u00e7\u00e3o que \u201cl\u00ea\u201d o mundo e no mesmo passo inventa um universo pr\u00f3prio ao reinventar o \u201creal\u201d, no caso da literatura, ou apreender o real e o compreender, no caso das disciplinas de outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>Temos, pois, aqui, uma visada do todo, da estrutura, em panorama, e uma percep\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo, do detalhe textual sob a lupa em microsc\u00f3pio do leitor.<\/p>\n<p>A proposta pode ser aplicada \u2013 com os devidos ajustes e respectivas especificidades \u2013 a narrativas curtas e longas, a poemas l\u00edricos, a textos teatrais, a poemas narrativos e a poemas \u00e9picos, e tamb\u00e9m a textos t\u00e9cnicos ou te\u00f3ricos em geral. Como \u00e9 um olhar para o passado, aos textos \u201ccan\u00f4nicos\u201d, no caso de textos recentes (f\u00edsica qu\u00e2ntica, poemas experimentais, poesia computacional ou microcontos contempor\u00e2neos, para mencionar uns poucos exemplos), o esquema de leitura deve ser utilizado com redobrada aten\u00e7\u00e3o, pois exigir\u00e1, a cada momento, ajustes mais expressivos e referencial particular, mais apropriado.<\/p>\n<p>O esquema de leitura \u00e9 estruturado em seis passos:<\/p>\n<ol>\n<li>Descri\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>An\u00e1lise;<\/li>\n<li>Interpreta\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Compreens\u00e3o (Exegese \/ Hermen\u00eautica);<\/li>\n<li>Proposi\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Cosmovis\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Vejamos cada um deles em detalhe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O PASSO A PASSO<\/p>\n<p>Os passos da descri\u00e7\u00e3o e da an\u00e1lise s\u00e3o essencialmente de apresenta\u00e7\u00e3o ampla, horizontalizada, do texto sob estudo; os passos da interpreta\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o (exegese \/ hermen\u00eautica) s\u00e3o aqueles de entendimento aprofundado do texto, s\u00e3o os passos de verticaliza\u00e7\u00e3o; e os passos da proposi\u00e7\u00e3o e da cosmovis\u00e3o s\u00e3o os passos que indicam o entendimento \u2013 amplo e pessoal \u2013 do texto sobre o qual o leitor empreende a sua leitura.<\/p>\n<p>As palavras-chave utilizadas (descri\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o, em particular) t\u00eam ampla circula\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da leitura e da exegese textuais ou liter\u00e1rias, mas deveriam ser utilizadas de modo mais espec\u00edfico, sem tom\u00e1-las como sin\u00e9doque de todo o processo, pois dele indicam t\u00e3o s\u00f3 as etapas iniciais.<\/p>\n<p>Utiliz\u00e1-las em meton\u00edmia indica \u2013 o que \u00e9 pr\u00f3prio de nossos tempos apressados e de certo abastardamento das pretens\u00f5es curriculares \u2013 uma exig\u00eancia de grau menor para a leitura. E, na taxonomia metodol\u00f3gica aqui apresentada, tratamos da leitura \u2013 com mais detalhe da leitura liter\u00e1ria \u2013 com exig\u00eancia de estudo, de amplitude e de aprofundamento em \u00e2mbito de grau maior, assim como tratamos da escrita, quanto \u00e0 escrita t\u00e9cnica, voltada para a produ\u00e7\u00e3o de textos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, eventualmente para reda\u00e7\u00f5es argumentativas ou textos de opini\u00e3o, jornal\u00edsticos ou n\u00e3o, no ensino ou na vida profissional.<\/p>\n<p>Apresentamos na sequ\u00eancia \u2013 em detalhe, ainda que de modo bastante sint\u00e9tico \u2013 o que significa cada um desses passos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> Descri\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Neste passo, o leitor, tornado produtor de texto sobre a leitura que empreende, deve apresentar as quest\u00f5es estruturais mais amplas do texto que l\u00ea. Deve fazer isso a partir das teorias da poesia ou das teorias da narrativa. Menciono de modo gen\u00e9rico \u201cteorias\u201d, quando talvez seja mais correto dizer, no \u00e2mbito do liter\u00e1rio, pois \u00e9 com a literatura que exemplificarei a metodologia, e se trata aqui de apresentar o texto a partir daquelas categorias b\u00e1sicas de cada g\u00eanero.<\/p>\n<p>Dois exemplos:<\/p>\n<ul>\n<li>No poema, deve-se mostrar o subg\u00eanero (soneto, quadra, ode, poema em prosa, haikai, acalanto, cantiga, can\u00e7\u00e3o, \u00e9cloga, etc.), o modo como se disp\u00f5e(m) o(s) verso(s), o(s) tipo(s) de estrofe, a presen\u00e7a (ou n\u00e3o) de rimas e a tipologia delas, os efeitos mais imediatamente percebidos de musicalidade (sonoridade e ritmo), os tropos metaf\u00f3ricos e os temas e subtemas evidentes.<\/li>\n<li>Na prosa, o subg\u00eanero (conto, microconto, narrativa po\u00e9tica, novela, romance, biografia, serm\u00f5es, etc.), os temas e subtemas, a estrutura textual mais evidente, escolhas narrativas e escolhas lingu\u00edsticas, formais, e em linhas gerais o modo como surgem as categorias b\u00e1sicas \u2013 o enredo, as personagens, o narrador, o tempo e o espa\u00e7o, eventualmente como cronotopo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As escolhas feitas na descri\u00e7\u00e3o, eventuais destaques aqui feitos, repercutem nos pr\u00f3ximos passos, em particular naqueles que ser\u00e3o estudados, dissecados, expostos em detalhe, no passo da an\u00e1lise \u2013 que, por sua vez, direciona a sequ\u00eancia da leitura empreendida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> An\u00e1lise:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Aqui, estudamos quest\u00f5es pontuais que nos chamaram a aten\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, po\u00e9tica ou narrativa do texto liter\u00e1rio \u2013 ou qualquer outro texto \u2013 sob estudo, o que j\u00e1 se evidencia no modo como foram apresentados no passo anterior. Ou seja, os aspectos que, na descri\u00e7\u00e3o, parecem nos pedir exame mais atento ou cuidadoso, pois s\u00e3o diferenciados, emergem agora como as chaves que permitem iluminar o entendimento do texto tanto no detalhe como de modo global.<\/p>\n<p>Em espec\u00edfico, na toada de exemplifica\u00e7\u00e3o a partir da poesia e da narrativa:<\/p>\n<ul>\n<li>No poema, certas repeti\u00e7\u00f5es sonoras ou lexicais, as oposi\u00e7\u00f5es evidentes ou indiciadas, aquelas palavras em it\u00e1lico ou em inicial mai\u00fascula, as palavras raras, as invers\u00f5es sint\u00e1ticas, ox\u00edmoros, rimas esdr\u00faxulas em meio a uma linguagem coloquial, etc. Nos textos em geral, as conclus\u00f5es parciais, as afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas, as nuances argumentativas; e tamb\u00e9m os enfrentamentos te\u00f3ricos, a inser\u00e7\u00e3o no \u201cestado da arte\u201d da \u00e1rea, a proposi\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, o recorte te\u00f3rico.<\/li>\n<li>Na prosa, a sutil nomea\u00e7\u00e3o das personagens, um espa\u00e7o ex\u00f3tico, um tempo verbal inesperado em uma ou outra passagem, uma manipula\u00e7\u00e3o na ordem temporal, o modo como o enredo \u00e9 estruturado, a altern\u00e2ncia entre sum\u00e1rio e cena, a linguagem (coloquial, formal, po\u00e9tica, etc.), enfim, qualquer aspecto que mere\u00e7a ou que o leitor selecione \u2013 porque lhe chamou particular aten\u00e7\u00e3o, nos textos ficcionais ou nos textos em geral \u2013 para expor com maior detalhe e acuidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A etimologia da palavra an\u00e1lise j\u00e1 indica ser essa a atividade de dividir o objeto em partes menores, nos componentes intr\u00ednsecos, para entender cada parte de modo pormenorizado em sua natureza, causas, fun\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es, e, assim, entender o todo tendo em vista a compreens\u00e3o das partes. \u00c9 necess\u00e1rio um cuidado adicional nesse momento, para que ele n\u00e3o se torne apenas uma par\u00e1frase da descri\u00e7\u00e3o: devemos, claro, dar aqui uma volta a mais no processo de leitura, na compreens\u00e3o do texto em estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 o momento de iluminar o passo da an\u00e1lise com teoria(s) que esclare\u00e7a(m), nuance(m), modalize(m), aprofunde(m) e verticalize(m) a compreens\u00e3o do texto sob nosso olhar.<\/p>\n<p>Ao elaborarmos a descri\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise, notamos em cada texto carater\u00edsticas formais e quest\u00f5es tem\u00e1ticas que j\u00e1 indiciam e indicam op\u00e7\u00f5es e caminhos para este novo passo, de interpreta\u00e7\u00e3o, sendo que o passo de interpreta\u00e7\u00e3o condiciona o procedimento hermen\u00eautico que se segue a ele.<\/p>\n<p>O passo da interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o custa enfatizar e repetir \u2013 \u00e9 aquele em que evocamos e trazemos ao estudo e \u00e0 pesquisa teorias do campo da linguagem ou da literatura, em que trabalhamos com outras ci\u00eancias, consideradas no caso como auxiliares \u2013 \u00e9 o momento em que esses outros campos do conhecimento indicam sentidos e significados latentes no texto que \u00e9 lido com acuidade, no detalhe, nas entrelinhas.<\/p>\n<p>Um bom procedimento, neste passo, \u00e9 empreender hip\u00f3teses de compreens\u00e3o na forma de d\u00favidas, perguntas e quest\u00f5es. Eis algumas, meramente indicativas, um pequeno rol de exemplos, sempre do campo da literatura, pois as possibilidades, aqui ou em outras \u00e1reas, tendem ao infinito:<\/p>\n<ul>\n<li>Qual o significado das oposi\u00e7\u00f5es que surgem ao longo do poema?<\/li>\n<li>O que significam tais oposi\u00e7\u00f5es e tais complementariedades?<\/li>\n<li>Qual o significado dos\/as [cores, tons, adjetivos, etc.]? Como os\/as compreender?<\/li>\n<li>Para al\u00e9m dos dicion\u00e1rios, qual o significado intr\u00ednseco, interno a este texto, da palavra \u201cxxxx\u201d?<\/li>\n<li>E qual o significado intr\u00ednseco ao texto em estudo da palavra \u201c<em>Xxxxx<\/em>\u201d, em it\u00e1lico e com inicial mai\u00fascula?<\/li>\n<li>Em que <em>ethos<\/em> do\/a [biogr\u00e1fico, escola liter\u00e1ria, bibliogr\u00e1fico, tempo hist\u00f3rico, do <em>ethos<\/em> da pr\u00e1xis deste campo, momento cultural, etc.] se insere o\/a autor\/a?<\/li>\n<li>Em qual <em>ethos<\/em> se insere (ou desenvolve) o poema, o di\u00e1logo, a narrativa, o texto?<\/li>\n<li>Qual o significado do t\u00edtulo do poema ou da narrativa diante do texto interpretado?<\/li>\n<li>De que modo a hist\u00f3ria \/ a biologia \/ a semi\u00f3tica \/ a lingu\u00edstica a, b ou c \/ a teoria do conto \/ etc. \/ etc. me iluminam este texto ou tal aspecto deste texto [poema ou conto ou teatro ou novela, ou texto te\u00f3rico, ou etc., etc.]?<\/li>\n<li>Como compreender este texto que leio pela teoria da tradu\u00e7\u00e3o \/ do cinema \/ dos g\u00eaneros liter\u00e1rios \/ etc. \/ etc.?<\/li>\n<li>Quais os antecedentes (te\u00f3ricos ou da pr\u00e1xis da \u00e1rea) a que o texto evoca, direta ou indiretamente, e como ele se posiciona diante desses antecedentes ou precursores?<\/li>\n<li>Como o texto se situa diante de seus conterr\u00e2neos e diante de seus contempor\u00e2neos no di\u00e1logo cient\u00edfico, social, filos\u00f3fico, liter\u00e1rio, religioso, hist\u00f3rico, etc., etc.?<\/li>\n<li>Quais s\u00e3o os pontos-chave da argumenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e do procedimento metodol\u00f3gico deste texto que leio?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Portanto, para avan\u00e7ar neste passo da interpreta\u00e7\u00e3o, ilumine o texto sob estudo com teorias, inclusive de outras disciplinas, ilumine no texto aqueles aspectos anotados na descri\u00e7\u00e3o e na an\u00e1lise, em especial aqueles que se mostram mais produtivos e mais iluminadores para uma compreens\u00e3o mais abrangente, qui\u00e7\u00e1 global, do texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Compreens\u00e3o (Exegese \/ Hermen\u00eautica):<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Neste passo, o leitor deve abstrair \u2013 da compreens\u00e3o descrita na interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 quest\u00f5es mais gerais, deduzindo a vis\u00e3o de mundo ou as poss\u00edveis vis\u00f5es de mundo subjacentes ao texto sob estudo, estabelecendo \u201cconclus\u00e3o\u201d que considere aspectos importantes e descobertas determinantes elencados nos passos anteriores. (A palavra \u201cconclus\u00e3o\u201d, entre aspas, indicia que se trata de uma leitura particular, a do enunciador, a do estudioso, e n\u00e3o de verdades palmares: os fatos talvez sejam indubit\u00e1veis, mas a leitura deles \u00e9 sempre interpretativa).<\/p>\n<p>O texto todo, e aqui ainda mais, deve ser escrito na forma de frases claras, objetivas, sint\u00e9ticas, mas com as devidas modaliza\u00e7\u00f5es, uma vez que as afirma\u00e7\u00f5es perempt\u00f3rias e definitivas costumam induzir a erro, muitas vezes a erros crassos.<\/p>\n<p>Trata-se, pois, de compreender o todo do texto sob nosso olhar a partir da pesquisa pontual que realizamos de um aspecto espec\u00edfico, particular, devendo-se explicitar que tal extrapola\u00e7\u00e3o \u00e9 compreens\u00e3o particular, v\u00e1lida a partir do referencial com que o texto (poema ou narrativa ou texto te\u00f3rico ou texto t\u00e9cnico) foi descrito, analisado e interpretado.<\/p>\n<p>Lembremo-nos, sempre, que em particular o texto liter\u00e1rio, poliss\u00eamico por natureza, possibilita compreens\u00f5es outras quando vistos por perspectivas diversas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Proposi\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o pessoal e muito sint\u00e9tica, sobre o texto, a partir do entendimento que dele depreendemos tendo por refer\u00eancia a interpreta\u00e7\u00e3o que constru\u00edmos.<\/p>\n<p>Tem um formato, quase sempre, de senten\u00e7a afirmativa, nos seguintes moldes:<\/p>\n<ul>\n<li>O texto <strong><em>tal<\/em><\/strong>, de <strong>tal<\/strong> autor, nos apresenta <strong>tal<\/strong> defini\u00e7\u00e3o sobre <strong>tal<\/strong> assunto, assim <strong>modalizado<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isso significa dizer, a partir dos elementos em negrito ou it\u00e1lico-negrito, que o texto que examinamos (poema ou narrativa, na exemplifica\u00e7\u00e3o), nos apresenta <strong>tal<\/strong> perspectiva sobre o recorte em que o lemos e estudamos, observados, como descrito e analisado, e em particular como exposto na interpreta\u00e7\u00e3o, <strong>tais<\/strong> conceitos e <strong>tais<\/strong> limites conceituais.<\/p>\n<p>\u00c9, pois, uma leitura (nossa), um entendimento (nosso), que, como leitor(es), partilho(amos).<\/p>\n<p>Assim realizada, a leitura empreendida se torna um novo conhecimento sobre o texto a partir do qual desenvolvemos nosso esfor\u00e7o de compreens\u00e3o. A leitura sempre \u00e9 um ato de conhecimento, de apreens\u00e3o do mundo na perspectiva textualmente dada, e a leitura liter\u00e1ria \u00e9 o ato mais abrangente, solid\u00e1rio e emp\u00e1tico que temos de conhecimento lingu\u00edstico e cultural da sociedade e de tudo o que \u00e9 o humano.<\/p>\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o, colocada \u2013 nessa metodologia de leitura \u2013 como cl\u00edmax do processo, se torna uma hip\u00f3tese, ou uma tese, quando posta no in\u00edcio do texto, tendo em vista desenvolver um(alguns) argumento(s) a partir do qual(is) vamos discorrer \u2013 e, desse modo, comprovaremos no final a assertiva apresentada como proposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o modo pelo qual quase todos os textos monogr\u00e1ficos (reda\u00e7\u00e3o, artigo, TCC, disserta\u00e7\u00e3o, tese) s\u00e3o tecnicamente constru\u00eddos \u2013 as exce\u00e7\u00f5es decorrem de eventuais propostas diferenciadas de estudo. Para essas exce\u00e7\u00f5es, claro, o estudante deve contar com a orienta\u00e7\u00e3o, tutoria ou supervis\u00e3o de um professor de larga experi\u00eancia, que indique cotidianamente caminhos ou atalhos, indicando a trajet\u00f3ria da pesquisa.<\/p>\n<p>De certo modo, podemos dizer que aparentemente antecipamos em monografias uma conclus\u00e3o de leitura j\u00e1 efetivada. \u00c9, no entanto, um procedimento metodol\u00f3gico que se torna especulativo, pois as impress\u00f5es iniciais de leitura, muitas vezes, s\u00e3o desmentidas ou modificadas, no processo de trabalho proposto, quando iluminamos o texto e as primeiras impress\u00f5es no procedimento detido e meticuloso de descri\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, interpreta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o (exegese \/ hermen\u00eautica).<\/p>\n<p>Dito de outro modo: utilizamos o procedimento de descri\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, interpreta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o para chegarmos a um entendimento \u2013 a nossa leitura do texto \u2013 que se cristaliza ao configurarmos a proposi\u00e7\u00e3o. Assim, procedemos como metodologia de leitura; para a escrita de um texto sobre a conclus\u00e3o a que chegamos, a proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como hip\u00f3tese da monografia (reda\u00e7\u00e3o do ENEM, artigo, TFC, TCC, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado ou tese de doutorado ou de p\u00f3s-doutorado); a partir da hip\u00f3tese propositiva o texto \u00e9 desenvolvido, e nele apresentamos o objeto bibliogr\u00e1fico de estudo na sequ\u00eancia metodol\u00f3gica da leitura efetivada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Cosmovis\u00e3o:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Eis o passo final da leitura, ponto culminante na compreens\u00e3o do objeto sob estudo. A cosmovis\u00e3o \u00e9 o que depreendemos do texto quanto ao modo pelo qual o(a) autor(a) do texto sob investiga\u00e7\u00e3o compreende a sociedade no seu <em>hic et nunc<\/em>.<\/p>\n<p>De certo modo, \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o ampliada, pois projeta sobre o autor \u2013 melhor dizendo: sobra o conjunto da obra de determinado autor \u2013 a compreens\u00e3o dada por um \u00fanico texto dele, aquele que tivemos sob o nosso olhar e sobre o qual produzimos a leitura.<\/p>\n<p>Trata-se de movimento que recolhe a leitura feita do texto-objeto, sempre um \u201cobjeto\u201d vivo e vivificador, em di\u00e1logo com a fortuna cr\u00edtica que o envolve, para assim deslindar, eventualmente de modo especulativo, a vis\u00e3o sobre o todo autoral que depreendemos do estudo de uma particularidade. \u00c9 uma abstra\u00e7\u00e3o, mas os elementos de entendimento que medeiam, da leitura que efetivamos \u00e0 compreens\u00e3o global que agora expomos, devem estar claros e evidentes para o leitor-enunciador \u2013 e devem ser apresentadas no detalhe ao leitor da an\u00e1lise que fizemos, tornada texto cr\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>UMA \u00daLTIMA PALAVRA<\/p>\n<p>Se, para a leitura em geral, e para a leitura liter\u00e1ria em particular, temos diversos modos de abordagem, de procedimentos para estudo e para buscar a compreens\u00e3o do texto sob leitura, o nosso texto, este que escrevemos para dar conta da leitura pessoal, \u00fanica, que realizamos, n\u00f3s tamb\u00e9m, em nosso aqui e agora, em nosso momento e em conformidade com a trajet\u00f3ria pessoal, biogr\u00e1fica e acad\u00eamica que percorremos, temos ainda por necess\u00e1rio e fundamental um passo a mais, um passo d\u00faplice:<\/p>\n<ul>\n<li>precisamos conferir diversas vezes todos os dados;<\/li>\n<li>precisamos revisar muitas vezes o nosso texto.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conferir os dados significa verificar todas as informa\u00e7\u00f5es, cruzar todas as refer\u00eancias, mencionar corretamente \u2013 conforme as normas!, as da institui\u00e7\u00e3o ou, no geral, as da ABNT \u2013 todos os itens bibliogr\u00e1ficos utilizados, referenciar corretamente as cita\u00e7\u00f5es, verificar e ajustar todos os aspectos do texto e dar o cr\u00e9dito devido a todas as fontes, inclusive de ideias subjacentes no texto (no \u00faltimo caso, preferencialmente em notas de rodap\u00e9).<\/p>\n<p>Revisar significa dar a maior clareza poss\u00edvel a cada frase que permanecer\u00e1 viva no texto final, corrigir os erros ortogr\u00e1ficos, de sintaxe ou de sem\u00e2ntica, padronizar a utiliza\u00e7\u00e3o dos conceitos, buscar a forma mais precisa, mais objetiva, mais sint\u00e9tica e mais expressiva para cada frase que permanecer\u00e1 pulsando no texto que vai \u00e0 busca do seu leitor.<\/p>\n<p>Devemos revisar e trabalhar o texto, evitando frases que se alongam e fiquem confusas. Devemos escrever de modo objetivo: sujeito\u00a0+ verbo\u00a0+ complemento. Onde houver uma frase longa, com coordenadas, subordinadas ou com \u00edndices de oralidade, devemos dividir\u00a0em tr\u00eas ou quatro frases curtas, diretas, claras e de sentido evidente. Ap\u00f3s o texto assim revisado e pronto, devemos ajustar as frases \u2013 frase por frase, palavra por palavra \u2013 para obtermos um ritmo euf\u00f4nico, sem monotonia, que adeque o conte\u00fado \u00e0 express\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembremo-nos sempre: uma \u00fanica frase mal elaborada, uma \u00fanica palavra mal escolhida, uma \u00fanica v\u00edrgula mal colocada, ou que falte, uma \u00fanica inadequa\u00e7\u00e3o, pode destruir o mais belo argumento e termina por lan\u00e7ar ao lixo o texto \u2013 o nosso texto!, no qual depositamos as nossas maiores esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Um texto mal escrito, um texto mal revisado, um texto sem a confer\u00eancia dos dados e sem o acabamento devido, \u00e9 um texto que deve ficar somente na gaveta do seu autor ou nos escaninhos e arquivos de um an\u00f4nimo computador (se \u00e9 que n\u00e3o mere\u00e7am a lixeira de pronto, sem mais delongas). Tenhamos sempre em mente essa li\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o podemos nos permitir que o esfor\u00e7o de nossos estudos, de nossa leitura e de nossa escrita se perca por um nada depois de tudo o que fizemos, de todo o trabalho que desenvolvemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Quer dialogar?<\/p>\n<p>Escreva-me: &lt;\u00a0<a href=\"mailto:rauer.rodrigues@ufms.br\">rauer.rodrigues@ufms.br<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou, no primeiro semestre de 2020 e em semestre anterior, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, cursos de escrita criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados e ampliados pelo professor, vem sendo publicados no Blog da Editora Pangeia. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou nos cursos, inclusive alguns com os quais trabalhou na gradua\u00e7\u00e3o, o professor vem incluindo outros, ampliando o escopo das aulas para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>Rizio Macedo<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE<\/strong><\/p>\n<p>(Clique nas palavras com link para ir para a aula)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong>\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\"><strong>Aula 1<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\"><strong>Aula 2<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\"><strong>Aula 3<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\"><strong>Aula 4<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><strong>Aula 5<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\"><strong>Aula 6<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\"><strong>Aula 7<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\"><strong>Aula 8<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\"><strong>Aula 9<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\"><strong>Aula 10<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\"><strong>Aula 11<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><strong>Aula 12<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/\"><strong>Aula 13<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de \u201cA peste\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\"><strong>Aula 14<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Vamos reinventar o soneto?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever\/\"><strong>Aula 15<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Defina sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d no ato de escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-16-hemingway-um-mergulho-na-teoria-do-iceberg\/\"><strong>Aula 16<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Ernest Hemingway: um mergulho na \u201cTeoria do\u00a0<em>Iceberg<\/em>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-17-a-etica-e-a-estetica-do-vampiro\/\"><strong>Aula 17<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A \u00e9tica e a est\u00e9tica do Vampiro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-18-a-metalinguagem\/\"><strong>Aula 18<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A metalinguagem<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como tratar da arte de escrever sem ao menos rascunhar uma arte da leitura? 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