{"id":6830,"date":"2021-02-03T13:20:59","date_gmt":"2021-02-03T13:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6830"},"modified":"2022-07-01T13:18:45","modified_gmt":"2022-07-01T13:18:45","slug":"o-contista-mineiro-e-uma-ficcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/o-contista-mineiro-e-uma-ficcao\/","title":{"rendered":"O CONTISTA MINEIRO \u00c9 UMA FIC\u00c7\u00c3O?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO contista mineiro \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>Este foi o tema, ou melhor, a provoca\u00e7\u00e3o feita a mim e ao escritor Chico Mendon\u00e7a, no FLIR BH 2019, num bate-papo com o p\u00fablico. A pergunta, provocativa e vasta, me soou estranha no primeiro momento.<\/p>\n<p>Depois, comecei a pensar que sim, tinha tudo a ver. Nesta terra grassa tanto contista quanto min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>E logo me lembrei de duas colet\u00e2neas que foram lan\u00e7adas no s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Em <strong><em>Hist\u00f3rias Mineiras<\/em><\/strong>, livro publicado em 1984 pela editora \u00c1tica, de SP, muitos de n\u00f3s, iniciantes, participamos ao lado de Afonso Arinos, imaginem, e Guimar\u00e3es Rosa. Cito aqui apenas os mais pr\u00f3ximos, que continuam na ativa: Jaime Prado Gouv\u00eaa, Carlos Herculano Lopes, Cunha de Leiradella, Ant\u00f4nio Barreto, Alciene Ribeiro e Vivina de Assis Viana. Os amigos Jefferson de Andrade, Luciene Sam\u00f4r e J\u00falio Gomide cedo partiram, em busca da eternidade.<\/p>\n<p><strong><em> Contos da terra do conto<\/em><\/strong> (t\u00edtulo que merece considera\u00e7\u00f5es) \u00e9 uma antologia da Mercado Aberto, de Porto Alegre, lan\u00e7ada em 1986. Nela destaco Murilo Rubi\u00e3o, Ildeu Brand\u00e3o, Wander Piroli e Du\u00edlio Gomes, contistas do princ\u00edpio ao fim. Mestres. Oswaldo Fran\u00e7a Junior, que tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo, s\u00f3 publicou um livro de contos, \u201cLaranjas Iguais\u201d, obra em tudo por tudo singular. At\u00e9 o tamanho dos textos anteviam o miniconto, a ser exercitado tempos depois c\u00e1 entre n\u00f3s. Tamb\u00e9m entrou nessa jogada o querido Manoel Lobato, atuante no romance assim como na cr\u00f4nica. Para falar do presente, continuam brilhando Luiz Vilela, Jeter Neves, Drummond Amorim, Ana Cec\u00edlia de Carvalho e eu, que me desdobro para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram inclu\u00eddos nas colet\u00e2neas citadas os escritores Humberto Werneck e Ivan \u00c2ngelo, nem o carioca que aqui viveu e aqui estreou na literatura, S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, pois j\u00e1 haviam conquistado novos territ\u00f3rios, creio.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1990, no entanto, outros nomes vieram enriquecer essa lista substancial: Guiomar de Grammont, Francisco de Morais Mendes, Adriano Macedo, Marc\u00edlio Fran\u00e7a, Ana Elisa Ribeiro, Lu\u00eds Giffoni (que visita o conto quando entediado dos seus romances), Jo\u00e3o Batista Melo (que se dedica tamb\u00e9m ao romance e ao cinema), S\u00e9rgio Fantini (sempre vers\u00e1til em suas produ\u00e7\u00f5es), Ronaldo Cagiano, Cristina Agostinho, Madu Brand\u00e3o, Lino de Albergaria, Jos\u00e9 Eduardo Gon\u00e7alves, Maur\u00edcio Meirelles e outros tantos que se far\u00e3o presentes na colet\u00e2nea <strong><em>MICROS-BEAG\u00c1<\/em><\/strong> (uma aposta corajosa do professor Rauer Ribeiro Rodrigues), que sair\u00e1 do forno no segundo semestre de 2021, t\u00e3o logo os \u00e2nimos se acalmem Brasil afora.<\/p>\n<p>Em 2019 dei mais um passo adiante publicando <strong><em>Flor Carn\u00edvora &amp; Algo Mais<\/em><\/strong> e, ainda, <strong><em>Nanocontos<\/em><\/strong>. Seguindo essa toada, Alciene Ribeiro e Rauer fizeram uma parceria instigante, que leva o t\u00edtulo de <strong><em>minimus &amp; brev\u00edssimos<\/em><\/strong><em>,<\/em> j\u00e1 no ar pela Editora Pangeia.<\/p>\n<p>E outros h\u00e3o de vir.<\/p>\n<p>Mas voltando ao t\u00edtulo <strong><em>Contos da terra do conto<\/em><\/strong>, existe a\u00ed uma converg\u00eancia com o tema destas reflex\u00f5es. Por que <em>terra do conto<\/em>?<\/p>\n<p>Eu penso que min\u00e9rio de ferro, misturado com ora-pro-n\u00f3bis, pode ser um excelente adubo para fazer brotar contista mineiro. Al\u00e9m disso, todo este estranhamento feito de longas e poeirentas estradas, estas lonjuras que nos impelem a refletir, desde que subamos ao topo da montanha, rezas e ladainhas que herdamos mesmo sem nos inteirarmos delas, pecados que bendizemos nas cavernas que nos habitam, lendas contadas por nossos antepassados (negros, \u00edndios, portugueses e outros aventureiros) e que, ainda hoje, alimentam nosso imagin\u00e1rio, o subterr\u00e2neo do n\u00e3o dito e das emo\u00e7\u00f5es caladas \u2013 tudo isso, este caldo esp\u00fario e trai\u00e7oeiro, provoca uma fermenta\u00e7\u00e3o de alto teor alco\u00f3lico, que impulsiona mentes desavisados a ca\u00edrem na esparrela. Minas \u00e9 um pa\u00eds diverso e diversificado. Aqui ficamos, geograficamente circunscritos. E salve-se quem puder!<\/p>\n<p>A atmosfera brumosa nos leva a um conv\u00edvio nada pac\u00edfico com a quest\u00e3o da escrita. Temos que garimpar \u00e0s cegas em busca do ouro ou de, pelo menos, pequenos cristais. Breve e denso, o conto n\u00e3o tem tempo a perder; ou melhor, palavras a perder. E como o mineiro tem pendor para economias, o g\u00eanero vem a calhar.<\/p>\n<p>L\u00e1 vamos n\u00f3s em busca do sumo das coisas, tentando reter o essencial, aquilo que tem potencial para permanecer.<\/p>\n<p>O coletivo que nos \u00e9 oferecido e a bagagem de cada um, intransfer\u00edvel, comp\u00f5em a mat\u00e9ria da qual nos servimos enquanto escritores.<\/p>\n<p><em>Branca Maria de Paula<\/em><br \/>\nESCRITORA, ROTEIRISTA E FOT\u00d3GRAFA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre <strong><em>Micros-Beag\u00e1<\/em><\/strong>, veja em &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=micros-beag%87\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=micros-beag\u00e1<\/a> &gt;.<\/p>\n<p>Sobre microconto, clique aqui: &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=microconto\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=microconto<\/a> &gt;.<\/p>\n<p>Sobre <strong><em>minimus &amp; brev\u00edssimos<\/em><\/strong>, clique aqui: &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/shop\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/shop\/<\/a> &gt;.<\/p>\n<p>Sobre Alciene e Rauer, clique aqui: &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/shop\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/shop\/<\/a> &gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cO contista mineiro \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o?\u201d Este foi o tema, ou melhor, a provoca\u00e7\u00e3o feita a mim e ao escritor Chico Mendon\u00e7a, no FLIR BH 2019, num bate-papo com o p\u00fablico. 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