{"id":6793,"date":"2020-12-23T14:37:28","date_gmt":"2020-12-23T14:37:28","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6793"},"modified":"2022-07-01T13:19:45","modified_gmt":"2022-07-01T13:19:45","slug":"contares-a-esperanca-restauradora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/contares-a-esperanca-restauradora\/","title":{"rendered":"CONTARES: a esperan\u00e7a restauradora"},"content":{"rendered":"<p>Regine Limaverde. <strong><em>Contares<\/em><\/strong><em>: est\u00f3rias amorosas e maliciosas nos tempos de pandemia<\/em>. Pref\u00e1cio de Rauer. Uberl\u00e2ndia, MG: Dionysius, 2020. 208 p.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao ser presenteada com o livro de Regine Limaverde e receber o convite para escrever uma cr\u00edtica a ele, me senti honrada e aceitei o desafio, pois seria interessante ler e escrever sobre um livro que \u00e9 lan\u00e7ado e tem seus enredos encenados em meio ao per\u00edodo em que o mundo atual vive, com a pandemia. O livro <strong><em>Contares<\/em><\/strong><em>: est\u00f3rias amorosas e maliciosas nos tempos de pandemia<\/em> traz contos e microcontos que falam de amor, amizade, rela\u00e7\u00f5es familiares, contextos sociais, mal\u00edcia, morte, solid\u00e3o, sa\u00fade mental e, acima de tudo, fala de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O livro saiu em setembro pelas Edi\u00e7\u00f5es Dionysius, um selo da Editora Pangeia. Precede aos textos um pref\u00e1cio, assinado por Rauer, professor universit\u00e1rio de literatura e escritor, que nos prepara para uma leitura desarmada da obra, anotando que Regine Limaverde fala do cotidiano, da vida e das pessoas de forma original, m\u00edtica, l\u00edrica e po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Um ponto que chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, logo nas primeiras p\u00e1ginas, \u00e9 a escolha est\u00e9tica do sum\u00e1rio, em que o t\u00edtulo de todos os contos e microcontos se apresentam, s\u00e3o vis\u00edveis simultaneamente: o \u00edndice tem in\u00edcio em p\u00e1gina par e termina na p\u00e1gina impar defronte, o que possibilita visualizar de um golpe o conte\u00fado, os cinquenta e dois textos &#8211; a contar o pref\u00e1cio de Rauer \u2013 que comp\u00f5em os <strong><em>Contares<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, a partir do mergulho em hist\u00f3rias tr\u00e1gicas, c\u00f4micas ou dram\u00e1ticas, sentir que pulsam, nas p\u00e1ginas do livro, vidas reais. \u00c9 poss\u00edvel \u201cconviver\u201d com as personagens nas situa\u00e7\u00f5es por elas vivenciadas. Regine Limaverde nos lembra que a vida acontece, continua, se faz presente na borboleta, no sol, na mulher \u00e0 janela, na neve, nas cartas. H\u00e1 vida e h\u00e1 amor em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Mas&#8230; Precisa haver, tamb\u00e9m, consci\u00eancia, o que aparece em trechos como este: \u201cNo momento, o certo \u00e9 dist\u00e2ncia. \/ Logo, logo as coisas se ajeitam: \/ teremos boca, corpo e m\u00e3os \/ mexendo-se com muita afli\u00e7\u00e3o, \/ compensando o cora\u00e7\u00e3o\u201d (\u201cPensamentos Quarentenais\u201d, p. 115).<\/p>\n<p>H\u00e1 de chegar o momento \u2013 <strong><em>Contares<\/em><\/strong> nos lembra a cada nova narrativa \u2013 do corpo, das m\u00e3os, da boca. Enquanto n\u00e3o chega esse momento, a envolvente fic\u00e7\u00e3o de Regine Limaverde nos lembra que dias melhores s\u00e3o poss\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 p\u00f3s-pandemia, mas hoje. Mudando o nosso olhar. Transformando em neve os cabelos brancos, em for\u00e7a a natureza que chora a morte, em esperan\u00e7a as hist\u00f3rias de pessoas e os lugares em que vivem.<\/p>\n<p>Ao folhear <strong><em>Contares<\/em><\/strong> pela primeira vez, antes das primeiras leituras, por um instante imaginei que o livro tratasse da pandemia, mas me surpreendi: ele traz de tudo, do amor \u00e0 morte, da emo\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o. A presen\u00e7a de ep\u00edgrafes em muitos contos provoca o pensar e constituem uma feliz introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s narrativas. Em algumas delas, os entrechos fazem, insinuam movimentos muito interessantes: s\u00e3o enredos prenhes de amor, que entrela\u00e7am os tempos de pandemia ao passado e ao futuro \u2013 s\u00e3o momentos que patemizam o leitor, fazendo-o refletir sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>De forma leve \u2013 delicada mas forte, apaixonada e esperan\u00e7osa \u2013, este novo livro de Regine Limaverde nos leva a refletir sobre o \u201cnovo normal\u201d, sobre os acontecimentos atuais, como as <em>fake news<\/em>; sobre a perene condi\u00e7\u00e3o da humanidade, entre a fragilidade latente e a for\u00e7a perene das pessoas; sobre o cotidiano e a vida, que (re)existe (e resiste) nos tempos de pandemia. Os <strong><em>Contares<\/em><\/strong>, como Bia Juc\u00e1 nos aponta na quarta-capa, \u00e9 um livro restaurador.<\/p>\n<p>Bruna Campos<br \/>\nPedagoga, artista gr\u00e1fica<br \/>\n&lt;revisao.brunacampos@gmail.com&gt;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regine Limaverde. 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