{"id":6751,"date":"2020-11-27T19:18:35","date_gmt":"2020-11-27T19:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6751"},"modified":"2025-04-11T12:03:41","modified_gmt":"2025-04-11T12:03:41","slug":"a-arte-de-escrever-18-a-metalinguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-18-a-metalinguagem\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 18 &#8211; A METALINGUAGEM"},"content":{"rendered":"<p>Metalinguagem e intertextualidade existem desde a constitui\u00e7\u00e3o da literatura como um conjunto integrado de autores, obras e p\u00fablico, parafraseando a defini\u00e7\u00e3o de Antonio Candido para sistema liter\u00e1rio. Desde o advento do modernismo, tornaram-se elementos, se n\u00e3o centrais, de muita evid\u00eancia, sendo muito constantes \u2013 para n\u00e3o dizer preponderantes \u2013 nos nossos dias.<\/p>\n<p>Na aula de hoje, tratamos da metalinguagem, com o estudo de um poema e depois colacionando v\u00e1rios exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tomemos nas m\u00e3os, e sob o olhar leitor, o poema I do Canto VII, \u201cAudi\u00e7\u00e3o de Orfeu\u201d, do incomensur\u00e1vel <em>Inven<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o de Orfeu<\/em>, o poema \u00e9pico que Jorge de Lima publicou em 1952:<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>A linguagem<\/p>\n<p>parece outra<\/p>\n<p>mas \u00e9 a mesma<\/p>\n<p>tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesma viagem<\/p>\n<p>presa e fluente,<\/p>\n<p>e a ansiedade<\/p>\n<p>da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lede al\u00e9m<\/p>\n<p>do que existe<\/p>\n<p>na impress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E daquilo<\/p>\n<p>que est\u00e1 aqu\u00e9m<\/p>\n<p>da express\u00e3o.<\/p>\n<p>(Jorge de Lima, <em>Inven<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o de Orfe<\/em><em>u<\/em>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vemos que se trata de um soneto, com poucas rimas aparentes, constru\u00eddos com versos triss\u00edlabos que, no entanto, apesar de serem lidos em ritmo r\u00e1pido, tem uma cad\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 agalopada nem dan\u00e7ante, como os poemas de poucas s\u00edlabas po\u00e9ticas costumam ser.<\/p>\n<p>Assim, intu\u00edmos, pela forma especificamente manejada e transmutada, que se trata de um poema voltado para a reflex\u00e3o, que provavelmente prioriza a constru\u00e7\u00e3o de significados sem\u00e2nticos.<\/p>\n<p>Vejamos pois os efeitos de sentido que depreendemos da leitura e releitura, acurada, verso a verso, estrofe a estrofe.<\/p>\n<p>O primeiro verso explicita o tema: \u201cA linguagem\u201d. A estrofe anuncia que ela, a linguagem, \u201cparece outra\u201d, mas que \u201c\u00e9 a mesma\u201d. E explicita que o paradoxo insinuado desta outra-mesma que \u00e9 \u201c[a] linguagem\u201d se especifica como \u201ctradu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O que vemos e lemos \u00e9, pois, um texto de linguagem que trata da linguagem \u2013 \u00e9 a metalinguagem. O poeta fala do seu instrumento de poetar, da ferramenta com a qual edifica o poema, do recurso pelo qual a poesia se torna verbo.<\/p>\n<p>Mais que outra-mesma, e sem invocar eventual significado que transite pelo conceito freudiano de <em>unheimlic<\/em><em>h <\/em>(o estranho-familiar, o inquietante, o infamiliar, a depender da tradu\u00e7\u00e3o), a linguagem \u00e9 apresentada como \u201ctradu\u00e7\u00e3o\u201d. Ora, traduzir, em c\u00e9lebre formula\u00e7\u00e3o de origem italiana, \u201c<em>traduttore-traditore<\/em>\u201d (traduzir \u00e9 trair), coliga ao sentido de representar o referente de falsear o representado.<\/p>\n<p>A linguagem, como surge formulada na primeira estrofe, que define o car\u00e1ter textualmente metalingu\u00edstico, metaliter\u00e1rio e metapo\u00e9tico dos versos, \u00e9 amb\u00edgua, esquiva, pois \u00e9 outra ao se apresentar como a mesma, trai ao postular que traduz, afirma o que representa e nega que seja capaz de elaborar tal representa\u00e7\u00e3o. Ainda assim, se h\u00e1 um polo negativo, h\u00e1 um positivo, e eles se equivalem.<\/p>\n<p>Entre o mesmo e a outra, entre traduzir e trair, entre representar e n\u00e3o-representar, entre linguagem e opacidade, a estrofe afirma todas as antinomias, firma seu significado ao coalescer, ao aglutinar, ao incorporar ao poema todas as possibilidades em um aqui e agora em moto perp\u00e9tuo.<\/p>\n<p>Vamos ao que a sequ\u00eancia do poema nos desvela e revela.<\/p>\n<p>A segunda estrofe marca a retomada do voc\u00e1bulo \u201cmesma\u201d, e agora a palavra caracteriza a linguagem como \u201cviagem \/ presa e fluente\u201d. H\u00e1, pois, uma reconfigura\u00e7\u00e3o do ato de traduzir por uma nova antinomia. Ao contr\u00e1rio da paradoxo da primeira estrofe, que surge como de pouco impacto e se mostra, ao fim, de grande radicalidade, a de agora utiliza palavras que indiciam uma oposi\u00e7\u00e3o muito forte, quase um ox\u00edmoro, mas que, completando e modalizando o termo \u201cviagem\u201d, termina \u2013 \u201cpresa e fluente\u201d \u2013 por serem complementares, em movimento sequencial que indicia o rompimento de uma dificuldade inicial, na partida, que \u00e9 superado, no passo seguinte, pela fluidez da linguagem-viagem.<\/p>\n<p>O \u201cproduto\u201d que a linguagem l\u00edrica produz no ato po\u00e9tico verbal \u00e9 um poema. \u00c9 o que surge nos dois versos finais da estrofe. A poesia gera o poema, figurado como can\u00e7\u00e3o e gestado em \u201cansiedade\u201d. O poeta-tradutor-traidor flui na apreens\u00e3o da poesia pela constru\u00e7\u00e3o do poema-linguagem a partir de ato que nasce \u2013 na viagem que se inicia \u2013 contristado pelos limites prisionais (e aqui est\u00e3o a linguagem, a cultura, a civiliza\u00e7\u00e3o, o contexto, at\u00e9 a autocensura); o gestar e produzir a can\u00e7\u00e3o se faz na \u201cansiedade\u201d de romper, pelo <em>logos<\/em> e pelo <em>pathos <\/em>da inven\u00e7\u00e3o, os limites iniciais.<\/p>\n<p>Em outros termos: h\u00e1 um encapsulamento restritivo inicial que \u00e9 rompido pela racionalidade do artes\u00e3o conjugada \u00e0 sensibilidade do artista; em outros termos, \u00e9 o par renancentista proposto por Cam\u00f5es ao evocar que na sua escrita n\u00e3o lhe faltem \u201cengenho e arte\u201d.<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00e3o constitu\u00edda e nas m\u00e3os do leitor, chega o momento da leitura. Estamos na terceira estrofe do poema. Ela se dirige a um \u201cv\u00f3s\u201d ret\u00f3rico, imperativo, ordenador, definidor do princ\u00edpio inaugural que deve orientar o ato de ler. O modo verbal estabelece comando de exemplaridade que prescreve, como regra universal, que a leitura deve ir \u201cal\u00e9m \/ do que existe\u201d, deve ir \u201cal\u00e9m \/ do que existe \/ na impress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Antes de ser motivo, tema, mote inspirador, o que existe \u00e9, pois, no que inferimos desses versos de Jorge de Lima, um referente de estatura inferior e menor do que aquele que pode ser alcan\u00e7ado pelo po\u00e9tico. No entanto, o que existe est\u00e1 modulado pelo complemento do verso que fecha o terceto: \u201cna impress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo \u201cimpress\u00e3o\u201d se afigura ao menos com duas conota\u00e7\u00f5es: refere-se, de maneira geral, \u00e0 apreens\u00e3o sensorial de um fato ou de um fen\u00f4meno, no caso o texto que se l\u00ea, e refere-se de maneira mais restrita \u00e0 p\u00e1gina, \u00e0 folha de papel que recebe pigmentos de tinta que comp\u00f5em uma mancha tipogr\u00e1fica decodific\u00e1vel em letras, palavras, frases, significados.<\/p>\n<p>A apreens\u00e3o sensorial dos significados constitu\u00eddos pelo texto como um discurso que gera m\u00faltiplos sentidos exige do leitor, nos diz o poema, a busca do que est\u00e1 al\u00e9m do que \u00e9 o primeiro entendimento: os passos do leitor n\u00e3o podem nem devem se deter na primeira compreens\u00e3o, inicial; e, assim, sucessivamente, novos passos de escava\u00e7\u00e3o textual se mostram necess\u00e1rios na busca de significados que subjazem nos poemas.<\/p>\n<p>De certo modo, o texto \u00e9 como uma espiral sem fim, reverberando novas possibilidades de leitura a cada novo dia, a cada novo leitor, a cada nova gera\u00e7\u00e3o de leitores, a cada nova circunst\u00e2ncia hist\u00f3rica. O leitor deve sempre ir \u201cal\u00e9m\u201d de si mesmo, e o autor deve gerar de modo consciente m\u00faltiplas possibilidades, al\u00e9m daquelas que o acaso, o inconsciente, os fados e os desfados j\u00e1 inculcam no texto.<\/p>\n<p>O poema \u2013 no que, ali\u00e1s, dialoga com o conjunto de poemas e cantos que constituem este a <em>Inven<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o de Orfeu<\/em> \u2013 acrescenta uma outra dimens\u00e3o ao que a estrofe anterior indicou. Em termos sint\u00e1ticos e sem\u00e2nticos, os \u00faltimos tr\u00eas versos do poema s\u00e3o continuidade dos versos imediatamente anteriores. No entanto, n\u00e3o s\u00f3 constituem uma estrofe espec\u00edfica, como v\u00eam ap\u00f3s um ponto final. Assim, a estrofe final ganha expressividade, autonomia, uma dimens\u00e3o que transcende a fun\u00e7\u00e3o de complemento do j\u00e1 fixado, constituindo-se como afirma\u00e7\u00e3o nova com o mesmo valor de exemplaridade do afirmado na estrofe anterior.<\/p>\n<p>Para o poeta, \u00e9 preciso, al\u00e9m de buscar o \u201cal\u00e9m\u201d, desbravar tamb\u00e9m, na leitura, tudo \u201cque est\u00e1 aqu\u00e9m \/ da express\u00e3o\u201d. Se a \u201cexpress\u00e3o\u201d toma forma como poesia-can\u00e7\u00e3o, como linguagem-viagem, como tradu\u00e7\u00e3o-traidora, o que \u00e9 este \u201caqu\u00e9m\u201d?<\/p>\n<p>O poema I desta \u201cAudi\u00e7\u00e3o de Orfeu\u201d, fechando aqui seu exerc\u00edcio metalingu\u00edstico, deixa para os demais poemas e para a pr\u00f3pria escrita da <em>Inven<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o de Orfe<\/em><em>u<\/em> a resposta. Podemos especular que se trata de aspectos intr\u00ednsecos ao poeta, sua forma\u00e7\u00e3o, sua biografia, suas convic\u00e7\u00f5es, e de aspectos extr\u00ednsecos, como o momento hist\u00f3rico de seu povo, de seu pa\u00eds, da civiliza\u00e7\u00e3o em que se insere.<\/p>\n<p>O conjunto do que est\u00e1 \u201cal\u00e9m\u201d e do que est\u00e1 \u201caqu\u00e9m\u201d, todo ele conta, de modo gen\u00e9rico, e devemos buscar incessantemente a esses aspectos gerados de significados em cada novo texto liter\u00e1rio em espec\u00edfico, tanto nos que lemos quanto nos que escrevemos.<\/p>\n<p>Pois\u2026<\/p>\n<p>O poema \u00e9 um di\u00e1logo do poeta com o mundo, \u00e9 o murm\u00fario de uma voz que capta a pulsa\u00e7\u00e3o do universo que o perfaz e a configura de modo l\u00edrico. \u00c9 o verbo recriando o mundo, criando a can\u00e7\u00e3o e dando exist\u00eancia ao poeta como travessia de recria\u00e7\u00e3o permanente da linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Abaixo, excertos de cr\u00f4nicas, poemas, reflex\u00f5es, epigramas e microcontos metaliter\u00e1rios de diversos autores, uma pequena amostra da mir\u00edade de textos liter\u00e1rios que tratam da pr\u00f3pria arte liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00c3OS DADAS<\/p>\n<p>N\u00e3o serei o poeta de um mundo caduco.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o cantarei o mundo futuro.<br \/>\nEstou preso \u00e0 vida e olho meus companheiros.<br \/>\nEst\u00e3o taciturnos mas nutrem grandes esperan\u00e7as.<br \/>\nEntre eles, considero a enorme realidade.<br \/>\nO presente \u00e9 t\u00e3o grande, n\u00e3o nos afastemos.<br \/>\nN\u00e3o nos afastemos muito, vamos de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o serei o cantor de uma mulher, de uma hist\u00f3ria,<br \/>\nN\u00e3o direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,<br \/>\nN\u00e3o distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,<br \/>\nN\u00e3o fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.<br \/>\nO tempo \u00e9 a minha mat\u00e9ria, o tempo presente, os homens presentes,<br \/>\na vida presente.<\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o existem livros morais ou imorais.<\/p>\n<p>Os livros s\u00e3o bem ou mal escritos.<\/p>\n<p>Oscar Wilde<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O exerc<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>cio da cr<\/strong><strong>\u00f4<\/strong><strong>nica<\/strong><\/p>\n<p>Escrever\u00a0 cr\u00f4nica \u00e9\u00a0 uma\u00a0 arte\u00a0 ingrata. Eu\u00a0 digo\u00a0 prosa\u00a0 fiada, como faz\u00a0 um cronista;\u00a0 n\u00e3o a prosa de\u00a0 um ficcionista, na qual este\u00a0 \u00e9\u00a0\u00a0 levado\u00a0 meio a\u00a0 tapas pelas\u00a0 personagens e\u00a0 situa\u00e7\u00f5es\u00a0 que, azar dele, criou\u00a0 porque quis.\u00a0 Com um prosador do\u00a0 cotidiano, a coisa\u00a0 fia\u00a0 mais fino. Senta-se\u00a0 ele diante de\u00a0 uma\u00a0 m\u00e1quina, olha atrav\u00e9s da\u00a0 janela e\u00a0 busca\u00a0 fundo em\u00a0 sua\u00a0 imagina\u00e7\u00e3o\u00a0 um assunto\u00a0 qualquer, de\u00a0 prefer\u00eancia colhido no\u00a0 notici\u00e1rio matutino, ou\u00a0 da\u00a0 v\u00e9spera, em\u00a0 que,\u00a0 com\u00a0 suas\u00a0 artimanhas peculiares, possa\u00a0 injetar um sangue\u00a0 novo.<\/p>\n<p>Se nada\u00a0 houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e\u00a0 esperar que, atrav\u00e9s de\u00a0 um processo associativo,\u00a0 surja-lhe de\u00a0 repente a\u00a0 cr\u00f4nica, provinda dos\u00a0\u00a0 fatos e\u00a0 feitos de\u00a0 sua\u00a0 vida emocionalmente despertados pela concentra\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ou\u00a0 ent\u00e3o, em \u00faltima inst\u00e2ncia, recorrer ao assunto da falta de\u00a0 assunto, j\u00e1 bastante\u00a0 gasto,\u00a0 mas do\u00a0 qual,\u00a0 no\u00a0 ato de escrever,\u00a0 pode surgir o\u00a0 inesperado.<\/p>\n<p><em>Vin<\/em><em>\u00ed<\/em><em>cius de Moraes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ressalva<\/strong><\/p>\n<p>Este livro foi escrito<br \/>\npor uma mulher<br \/>\nque no tarde da Vida<br \/>\nrecria a poetiza sua pr\u00f3pria<br \/>\nVida.<\/p>\n<p>Este livro<br \/>\nfoi escrito por uma mulher<br \/>\nque fez a escalada da<br \/>\nMontanha da Vida<br \/>\nremovendo pedras<br \/>\ne plantando flores.<\/p>\n<p>Este livro:<br \/>\nVersos&#8230; N\u00e3o.<br \/>\nPoesia&#8230; N\u00e3o.<br \/>\nUm modo diferente de contar velhas est\u00f3rias.<\/p>\n<p><em>Cora Coralina<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nova Po<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>tica<\/strong><\/p>\n<p>Vou lan\u00e7ar a teoria do poeta s\u00f3rdido.<\/p>\n<p>Poeta s\u00f3rdido:<\/p>\n<p>Aquele em cuja poesia h\u00e1 a marca suja da vida.<\/p>\n<p>Vai um sujeito,<\/p>\n<p>Sa\u00ed um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminh\u00e3o, salpica-lhe o palet\u00f3 ou a cal\u00e7a de uma n\u00f3doa de lama:<\/p>\n<p>\u00c9 a vida.<\/p>\n<p>O poema deve ser como a n\u00f3doa no brim:<\/p>\n<p>Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.<\/p>\n<p>Sei que a poesia \u00e9 tamb\u00e9m orvalho.<\/p>\n<p>Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.<\/p>\n<p><em>Manuel Bandeira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos d\u00e3o: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de intera\u00e7\u00e3o com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente.<\/p>\n<p><em>Tzvetan Todorov<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leitor Pulsante<\/strong><\/p>\n<p>No microconto<\/p>\n<p>o sugerido<\/p>\n<p>lateja entrelinhas<\/p>\n<p>e desafia<\/p>\n<p>o leitor<\/p>\n<p>a substantiv\u00e1-lo.<\/p>\n<p><em>Alciene Ribeiro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lapida<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><\/p>\n<p>o microconto est\u00e1<\/p>\n<p>no cerne do fractal,<\/p>\n<p>no \u00e2mago da seiva,<\/p>\n<p>no imo intestino<\/p>\n<p><em>Rauer<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0que se\u00a0h\u00e1 de escrever, que pelo menos n\u00e3o se esmaguem com palavras as entrelinhas. O melhor ainda n\u00e3o foi escrito. O melhor est\u00e1 nas entrelinhas.<\/p>\n<p><em>Clarice Lispector<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um poema como um gole d&#8217;\u00e1gua bebido no escuro.<br \/>\nComo um pobre animal palpitando ferido.<br \/>\nComo pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna.<\/p>\n<p>Um poema sem outra ang\u00fastia que a sua misteriosa condi\u00e7\u00e3o de poema.<br \/>\nTriste.<br \/>\nSolit\u00e1rio.<br \/>\n\u00danico.<br \/>\nFerido de mortal beleza.<\/p>\n<p><em>Mario Quintana<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c1<\/strong><strong>poro<\/strong><\/p>\n<p>Um inseto cava<\/p>\n<p>cava sem alarme<\/p>\n<p>perfurando a terra<\/p>\n<p>sem achar escape.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que fazer, exausto,<\/p>\n<p>em pa\u00eds bloqueado,<\/p>\n<p>enlace de noite<\/p>\n<p>raiz e min\u00e9rio?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eis que o labirinto<br \/>\n(oh raz\u00e3o, mist\u00e9rio)<br \/>\npresto se desata:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>em verde, sozinha,<\/p>\n<p>antieuclidiana,<\/p>\n<p>uma orqu\u00eddea forma-se.<\/p>\n<p><em>Carlos Drummond de Andrade<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que ningu\u00e9m precisa matar por isso, mas a distin\u00e7\u00e3o entre prosa e poesia fascinou este modesto cronista nos seus tempos de universidade a partir de um outro russo, o fil\u00f3sofo Mikhail Bakhtin (1895-1975). Em um de seus textos, Bakhtin sugere que a voz do poema \u00e9 sempre a voz do poeta; o poeta se confunde completamente com o verso que canta. E a voz do prosador \u00e9 sempre a voz de uma outra pessoa; o prosador, covardemente, esconde-se na linguagem dos outros.<\/p>\n<p><em>Crist\u00f3v\u00e3o Tezza<\/em><\/p>\n<p>\u201cO assassinato da poesia\u201d<\/p>\n<p>18 fev. 2014<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Po\u00e9<\/strong><strong>tica<\/strong><br \/>\nEstou farto do lirismo comedido<br \/>\nDo lirismo bem comportado<br \/>\nDo lirismo funcion\u00e1rio p\u00fablico com livro de ponto<\/p>\n<p>expediente protocolo e manifesta\u00e7\u00f5es de apre\u00e7o<\/p>\n<p>ao sr. diretor.<\/p>\n<p>Estou farto do lirismo que p\u00e1ra e vai averiguar no<\/p>\n<p>dicion\u00e1rio o cunho vern\u00e1culo de um<\/p>\n<p>voc\u00e1bulo.<\/p>\n<p>Abaixo os puristas.<br \/>\nTodas as palavras sobretudo os barbarismos universais<br \/>\nTodas as constru\u00e7\u00f5es sobretudo as sintaxes de exce\u00e7\u00e3o<br \/>\nTodos os ritmos sobretudo os inumer\u00e1veis<\/p>\n<p>Estou farto do lirismo namorador<br \/>\nPol\u00edtico<br \/>\nRaqu\u00edtico<br \/>\nSifil\u00edtico<br \/>\nDe todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de<\/p>\n<p>si mesmo.<\/p>\n<p>De resto n\u00e3o \u00e9 lirismo<br \/>\nSer\u00e1 contabilidade tabela de co-senos secret\u00e1rio do amante<\/p>\n<p>exemplar com cem modelos de<\/p>\n<p>cartas e as diferentes maneiras de<\/p>\n<p>agradar &amp; agraves mulheres, etc.<\/p>\n<p>Quero antes o lirismo dos loucos<br \/>\nO lirismo dos b\u00eabados<br \/>\nO lirismo dif\u00edcil e pungente dos b\u00eabados<br \/>\nO lirismo dos clowns de Shakespeare.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o quero saber do lirismo que n\u00e3o \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Manuel Bandeira<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Com esta aula, encerramos a etapa de 2020 deste A ARTE DE ESCREVER. Retornamos em mar\u00e7o de 2021. Inscreva-se para receber os avisos de publica\u00e7\u00f5es feitas neste blog. Deixamos a sugest\u00e3o de que se exercite na escrita de poemas e contos de reflex\u00e3o metaliter\u00e1ria: \u00e9 um modo de afinar a escrita ao mesmo tempo em que define o que \u00e9 \u2013 para voc\u00ea \u2013 o pr\u00f3prio ato de escrever, o que \u00e9 ser escritor, o que \u00e9 a literatura.<\/p>\n<p>Veja a lista abaixo com os links das aulas anteriores: todas elas trazem, cada uma a seu modo, exemplos de metalinguagem, com autores os mais diversos, com li\u00e7\u00f5es as mais diferenciadas. Vale a pena ler ou reler agora essas aulas com a perspectiva da metaliteratura.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o licen\u00e7a para um informa\u00e7\u00e3o pessoal, pertinente ao tema: a Editora Pangeia lan\u00e7ou recentemente o livro <strong><em>minimus &amp; brev\u00edssimos<\/em><\/strong>, que Alciene Ribeiro e eu dividimos, e nele h\u00e1 diversos microcontos metaliter\u00e1rios (dois deles est\u00e3o reproduzidos acima).<\/p>\n<p>Boas f\u00e9rias, com cuidado e com sa\u00fade diante da pandemia \u2013 que arrefece, mas continua \u00e0 espreita. Boas leituras, boas (e seguras) festas, bom ano novo, e at\u00e9 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Quer dialogar?<\/p>\n<p>Escreva-me pelo e-mail &lt;\u00a0<a href=\"mailto:rauer.rodrigues@ufms.br\">rauer.rodrigues@ufms.br<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou, no primeiro semestre de 2020 e em semestre anterior, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, cursos de escrita criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados no Blog da Editora Pangeia. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou nos cursos, o professor vem incluindo outros, ampliando o escopo das aulas para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>Rizio Macedo<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S<\/strong><strong>\u00c9<\/strong><strong>RIE<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\"><strong>Apresenta<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong>\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\"><strong>Aula 1<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\"><strong>Aula 2<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\"><strong>Aula 3<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\"><strong>Aula 4<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><strong>Aula 5<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\"><strong>Aula 6<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\"><strong>Aula 7<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\"><strong>Aula 8<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\"><strong>Aula 9<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\"><strong>Aula 10<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\"><strong>Aula 11<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><strong>Aula 12<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/\"><strong>Aula 13<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de \u201cA peste\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\"><strong>Aula 14<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Vamos reinventar o soneto?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever\/\"><strong>Aula 15<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Defina sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d no ato de escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-16-hemingway-um-mergulho-na-teoria-do-iceberg\/\"><strong>Aula 16<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Ernest Hemingway: um mergulho na \u201cTeoria do\u00a0<em>Iceberg<\/em>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-17-a-etica-e-a-estetica-do-vampiro\/\"><strong>Aula 17<\/strong><\/a> &#8211; A \u00e9tica e a est\u00e9tica do Vampiro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER<\/strong><\/a> \u2013 links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/blog\/\"><u>https:\/\/editorapangeia.com.br\/blog\/<\/u><\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metalinguagem e intertextualidade existem desde a constitui\u00e7\u00e3o da literatura como um conjunto integrado de autores, obras e p\u00fablico, parafraseando a defini\u00e7\u00e3o de Antonio Candido para sistema liter\u00e1rio. Desde o advento do modernismo, tornaram-se elementos, se n\u00e3o centrais, de muita evid\u00eancia, sendo muito constantes \u2013 para n\u00e3o dizer preponderantes \u2013 nos nossos dias. 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