{"id":6538,"date":"2020-09-28T21:06:59","date_gmt":"2020-09-28T21:06:59","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6538"},"modified":"2025-04-11T12:04:08","modified_gmt":"2025-04-11T12:04:08","slug":"a-arte-de-escrever-17-a-etica-e-a-estetica-do-vampiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-17-a-etica-e-a-estetica-do-vampiro\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 17 \u2013 A \u00e9tica e a est\u00e9tica do vampiro"},"content":{"rendered":"<p>Dalton Trevisan comemorou, em 2020, seus 95 anos. \u00c9 um dos autores mais importantes, mais prol\u00edficos e mais significativos da literatura brasileira em todos os tempos. Sua obra, em termos formais, se caracteriza pela procura incessante da express\u00e3o mais sint\u00e9tica, mais curta, da procura da maior expressividade com a menor utiliza\u00e7\u00e3o de recursos, dos lexicais \u00e0s figuras de linguagem. \u00c9, pois, minimalista, el\u00edptica, sint\u00e9tica, perfeccionista \u2013 e profundamente original, na cosmovis\u00e3o e no modo de narrar. O universo humano de sua obra \u00e9 de seres que se desumanizam, reificados, degradados, a arraia mi\u00fada social, que vive a um passo da mis\u00e9ria e da fome e busca a sobreviv\u00eancia emocional no amor, amor que \u00e9 brutalizado, sexualizado, sempre em fuga, sempre aqu\u00e9m das esperan\u00e7as, sempre a um passo da trag\u00e9dia, que muitas vezes \u00e9 vivenciada.<\/p>\n<p>Por esse universo noturno, esquivo, desolador, e pela alcunha de um de seus personagens mais c\u00e9lebres, Dalton passou a ser conhecido como \u201cO vampiro de Curitiba\u201d \u2013 \u00e9 na cidade natal do escritor que suas personagens transitam, uma Curitiba recriada ficcionalmente e evocada como cen\u00e1rio de sombras para personagens que passam a vida \u00e0 sombra da hist\u00f3ria, sem marcarem suas trajet\u00f3rias violentas e violentadas por nenhum ato significativo, sequer pelos momentos fugazes que justificam a narrativa que lhes d\u00e1 vida.<\/p>\n<p>A \u00e9tica das personagens segue o mesmo campo das sombras, com cada personagem na defesa de seus interesses mais mesquinhos, mi\u00fados, interesses definidos sem a considera\u00e7\u00e3o do outro com quem convive, do outro como coletividade, sociedade, e do outro como sujeito. O universo dos contos de Dalton Trevisan \u00e9 cruel, e cada ser humano \u00e9 um animal hobbesiano de garras afiadas e de dentes pontiagudos, um lobo feroz, pronto para destruir o outro. O pecado original de cada personagem \u00e9 caminhar pela vida como um aut\u00f4mato, \u00e0 merc\u00ea de eventos que lhe escapam e intimamente destru\u00eddo pelo pr\u00f3prio ato de existir, pelos instintos, pela voca\u00e7\u00e3o primitiva, por rea\u00e7\u00f5es imediatas, pr\u00e9cognitivas.<\/p>\n<p>O esquivo autor criou, em 1946, a revista\u00a0<em>Joaquim<\/em>,\u00a0que deixou de circular em 1948. Renegou seus primeiros livros. Tem quase uma centena de t\u00edtulos publicados. Continua em atividade, escrevendo nos \u00faltimos anos contos muit\u00edssimo curtos, minicontos, microcontos, narrativas s\u00edmiles \u2013 na busca da ess\u00eancia minimalista na express\u00e3o verbal \u2013 \u00e0 forma po\u00e9tica do haikai.<\/p>\n<p>Selecionamos, abaixo, algumas frases lapidares do escritor e reproduzimos uma entrevista \u2013 concedida em 1968 ao ent\u00e3o (somente) contista e (eventualmente) jornalista Luiz Vilela \u2013 em que ele fala de si mesmo como escritor. Na afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co escritor \u00e9 antes de tudo um monstro moral\u201d, Dalton define sua \u00e9tica, e dessa \u00e9tica decorre sua est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>\u201cA figura do autor pouco importa: o que realmente vale \u00e9 livro.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs elogios s\u00e3o in\u00fateis; uma cr\u00edtica me estimula quando \u00e9 negativa.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEscrever \u00e9 a \u00fanica justificativa que encontro para estar vivo. Meus gestos cotidianos s\u00e3o vazios. [&#8230;] O escritor troca a sua vida por nada.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fale, amor. Cada palavra, um beijo a menos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO que n\u00e3o me contam eu escuto atr\u00e1s das portas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEspi\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es solit\u00e1rios. Um espi\u00e3o de bote armado, eis o contista.\u201d<\/p>\n<p>\u201cConcordo em ceder um conto in\u00e9dito, mas n\u00e3o dou entrevista. O importante n\u00e3o \u00e9 o autor, \u00e9 a obra.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEscrever bem \u00e9 pensar bem, n\u00e3o uma quest\u00e3o de estilo. Os bons sabem de seus muitos erros, os med\u00edocres n\u00e3o [&#8230;]\u201d<\/p>\n<p>\u201cO amor \u00e9 uma faca no cora\u00e7\u00e3o. Cada dia se enterra mais fundo, que n\u00e3o deixe de sangrar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSe Capitu n\u00e3o traiu Bentinho, ent\u00e3o Machado de Assis \u00e9 Jos\u00e9 de Alencar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA velha ins\u00f4nia tossiu tr\u00eas da manh\u00e3.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPra escrever o menor dos contos a vida inteira \u00e9 curta.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<h4><strong>A HIST\u00d3RIA DO CONTADOR DE HIST\u00d3RIAS<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Luiz Vilela<\/strong><\/p>\n<p>O professor de Portugu\u00eas, no gin\u00e1sio, tinha marcado uma reda\u00e7\u00e3o para casa. Um dos alunos escreveu sobre uma crian\u00e7a pobre passando fome. O professor disse que o menino era &#8220;comunista e neur\u00f3tico&#8221;. Comunista ele j\u00e1 sabia o que era (isso foi no tempo do Estado Novo); neur\u00f3tico, ele foi em casa olhar no dicion\u00e1rio. Agora, aos 43 anos, ele lembra: &#8220;Foi esse o meu primeiro contato com os julgadores liter\u00e1rios.&#8221; Mas os cr\u00edticos de hoje n\u00e3o pensam como aquele professor: eles acham que Dalton Trevisan \u00e9 o maior contista brasileiro vivo, e h\u00e1 oito dias lhe deram o maior pr\u00eamio do maior concurso nacional de contos.<\/p>\n<p>Magro, de cabelos claros e alguns j\u00e1 brancos, \u00f3culos de lentes grossas, vestido de maneira simples e meio displicente, ele vai pelas ruas de Curitiba com alguns amigos, falando de sua vida e de sua literatura. De vez em quando a conversa \u00e9 interrompida por um conhecido, que lhe d\u00e1 os parab\u00e9ns; mas isso acontece pouco: para quase todas essas pessoas ele \u00e9 apenas um cidad\u00e3o comum, sem nada de especial.<\/p>\n<p>Numa pra\u00e7a, sentados num banco de madeira, est\u00e3o quatro b\u00eabados, sujos e barbudos; Dalton Trevisan aponta para eles e diz, referindo-se a um de seus contos: &#8220;A\u00ed o &#8216;cemit\u00e9rio de elefantes&#8217;&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Ele continua a lembrar coisas de quando come\u00e7ou a escrever. O que aconteceu no gin\u00e1sio n\u00e3o o desanimou; pelo contr\u00e1rio. &#8220;Os elogios s\u00e3o in\u00fateis; uma cr\u00edtica me estimula quando \u00e9 negativa.&#8221; Quando uma grande editora publicou pela primeira vez seus contos, um cr\u00edtico importante falou mal deles. &#8220;Isso foi \u00f3timo para mim&#8221;, diz Dalton. N\u00e3o \u00e9 que concordasse com o cr\u00edtico: mais tarde, j\u00e1 reconhecido por quase toda a cr\u00edtica como um dos maiores escritores brasileiros contempor\u00e2neos, Dalton, ao publicar um novo livro por outra grande editora, pensou em &#8220;p\u00f4r aquele artigo como orelha do livro&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a fama custou a chegar, e foi preciso muita luta. Depois das reda\u00e7\u00f5es no gin\u00e1sio \u2014 &#8220;eu fazia n\u00e3o s\u00f3 as que o professor marcava, mas tamb\u00e9m as que o livro sugeria no fim da li\u00e7\u00e3o, porque eu gostava de escrever&#8221; \u2014 veio a Faculdade de Direito, onde ele era bom aluno e bom atleta: ganhou v\u00e1rias medalhas nas competi\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, era rep\u00f3rter de pol\u00edcia: &#8220;Foi a primeira vez que eu vi um morto.&#8221;<\/p>\n<p>Apareceram os seus primeiros livros, <em>Sonata ao Luar<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Sete Anos de Pastor,\u00a0<\/em>que n\u00e3o tiveram quase nenhuma repercuss\u00e3o entre os cr\u00edticos e que ele hoje diz arrepender-se de ter publicado.<\/p>\n<p>Ele criou tamb\u00e9m, com outros, a revista liter\u00e1ria <em>Joaquim<\/em>, que ficou famosa e revelou nomes hoje importantes em nossas artes.<\/p>\n<p>Mais tarde, j\u00e1 em 59, a editora Jos\u00e9 Olympio publica <em>Novelas Nada Exemplares<\/em>. Tiragem: 1.000 exemplares. O livro quase n\u00e3o vende. Os editores fecham as portas a Dalton.<\/p>\n<p>Ele perde algumas ilus\u00f5es, mas n\u00e3o perde a vontade de escrever. Tem a id\u00e9ia de fazer algo parecido com a literatura de cordel, do nordeste: s\u00e3o pequenas brochuras, em papel de qualidade inferior, que ele distribui de gra\u00e7a a alguns amigos. &#8220;Eram duzentos exemplares; eu me sentia realizado: em poucos dias a edi\u00e7\u00e3o se esgotava.&#8221;<\/p>\n<p>Alguns cr\u00edticos comentavam com entusiasmo os contos do estranho e misterioso escritor que morava em Curitiba e que ningu\u00e9m conhecia. A curiosidade dos leitores aumentou. Come\u00e7ou a nascer um mito. Os editores se interessaram. O resto da hist\u00f3ria \u00e9 conhecido: outros livros (<em>Morte na Pra\u00e7a<\/em>,<em>\u00a0Cemit\u00e9rio de Elefantes<\/em>,<em>\u00a0O Vampiro de Curitiba<\/em>), pr\u00eamios, antologias, tradu\u00e7\u00f5es para o estrangeiro. Mas, para muitos, o mito continua: Nelsinho, o vampiro que desliza pela noite fria de Curitiba, \u00e0 procura de mulheres, n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o pr\u00f3prio Dalton Trevisan.<\/p>\n<p>O vampiro sorri e confessa: &#8220;Eu sou casado, muito bem casado.&#8221; Ele tem duas filhas e diz: &#8220;Gostaria de ver o nome delas na reportagem; se chamam Rosana e Isabel.&#8221; As outras pessoas da fam\u00edlia: dois irm\u00e3os, que, como ele, trabalham na cer\u00e2mica do pai. A m\u00e3e morreu no ano passado, e depois disso ele ficou seis meses sem escrever.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pergunta se eles leem os seus contos; Dalton responde que sim, mas diz que \u00e0s vezes preferiria que n\u00e3o lessem. &#8220;Eles devem pensar: como que uma pessoa educada com carinho, nos melhores sentimentos, virou esse monstro moral?&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 meia-noite num bar, e o gar\u00e7om acaba de p\u00f4r mais uma dose de u\u00edsque nos copos. O rosto de Dalton, vermelho, tem um aspecto carregado e tr\u00e1gico: lembra alguns retratos de Giovanni Papini no fim da vida, um Papini mais mo\u00e7o. &#8220;\u00c9 isso o que o escritor \u00e9: um monstro moral.&#8221; Sua voz, que \u00e9 interior, d\u00e1 um ar mais sombrio ainda \u00e0 frase. &#8220;O escritor \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o merece nenhuma confian\u00e7a. Um amigo chega e me conta as maiores dores; eu escuto com aten\u00e7\u00e3o, mas estou \u00e9 recolhendo material para mais um conto. E eu sei disso na hora. Surge ent\u00e3o a m\u00e1 consci\u00eancia. Sei que estou fazendo assim e n\u00e3o desejaria fazer, mas n\u00e3o h\u00e1 outro jeito. O escritor \u00e9 um ser maldito.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Vejam&#8221;, continua Dalton, &#8220;meu conto &#8216;\u00daltimo dias&#8217; \u00e9 sobre a morte de minha av\u00f3. Era uma pessoa por quem eu tinha a maior afei\u00e7\u00e3o. No entanto isso n\u00e3o aparece no conto, s\u00f3 aparecem coisas negativas. N\u00e3o sei, talvez fosse inabilidade liter\u00e1ria minha.&#8221;<\/p>\n<p>Um breve sil\u00eancio para o u\u00edsque. Dalton fica de cabe\u00e7a baixa, olhando para a mesa, coberta com um forro vermelho. O bar est\u00e1 na penumbra. &#8220;Mudar a vida&#8221;, ele diz; &#8220;quando comecei a escrever, eu pensava nisso:\u00a0<em>changer la vie<\/em>, como disse Rimbaud. Mas isso evanesceu logo.&#8221;<\/p>\n<p>Rimbaud, aos vinte e poucos anos, parou de escrever e foi ser mercador na \u00c1frica. &#8220;Dalton, voc\u00ea j\u00e1 pensou em parar de escrever algum dia?&#8221;, um amigo pergunta. &#8220;Bom, eu \u00e0s vezes passo meses inteiros sem escrever nada; mas parar definitivamente, n\u00e3o. Tenho fases: h\u00e1 ocasi\u00f5es em que escrevo tr\u00eas, quatro contos em poucos dias. Mas, depois, passo muito tempo sem escrever uma linha. Tamb\u00e9m reescrevo sempre os meus contos. \u00c0s vezes me d\u00e1 medo de morrer: ent\u00e3o disparo a escrever.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Escrever \u00e9 a \u00fanica justificativa que encontro para estar vivo. Meus gestos cotidianos s\u00e3o vazios. Mesmo o amor e o sexo; o sexo dura muito pouco tempo. As outras coisas? Eu n\u00e3o tenho o dom de ganhar dinheiro; nem ambi\u00e7\u00e3o de poder. Escrever \u00e9 uma atividade in\u00fatil, mas, para mim, ainda \u00e9 a menos in\u00fatil de todas e a que me faz continuar vivo. E qual a compensa\u00e7\u00e3o de escrever? Uma frase boa que a gente cria, uma imagem, coisas assim, que agradam num momento e no dia seguinte j\u00e1 nos deixam insatisfeitos. O escritor troca a sua vida por nada.&#8221;<\/p>\n<p>A noite de Curitiba est\u00e1 fria mas agrad\u00e1vel. Algu\u00e9m sugere um cafezinho. Dalton sorri: &#8220;Eu n\u00e3o. N\u00e3o quero tirar o gostinho bom do u\u00edsque.&#8221;<\/p>\n<p>Na reda\u00e7\u00e3o de um jornal, um rep\u00f3rter lhe d\u00e1 algumas fotos suas. Ele olha uma por uma com aten\u00e7\u00e3o: &#8220;Puxa, n\u00e3o \u00e9 que estou bacana aqui? Estou come\u00e7ando a gostar dessa coisa toda&#8230;&#8221; Mesmo quando est\u00e1 mais s\u00e9rio, Dalton n\u00e3o parece ter 43 anos. Ele n\u00e3o tem nada de um quarent\u00e3o; lembra um jovem professor universit\u00e1rio, calado, atento, extremamente simp\u00e1tico.<\/p>\n<p>Diz que \u00e9 um t\u00edmido e que foi essa uma das raz\u00f5es por que se criou a lenda em torno dele. Seus amigos s\u00e3o poucos mas escolhidos. Alguns moram no Rio: H\u00e9lio Pellegrino, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Jos\u00e9 Carlos Oliveira, Fausto Cunha. De vez em quando ele viaja e se encontra com eles; mas n\u00e3o pensa em mudar-se para o Rio: &#8220;Tenho pavor da cidade grande.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o isolamento em Curitiba: &#8220;N\u00e3o posso me comunicar com escritores que est\u00e3o ainda na pr\u00e9-hist\u00f3ria da literatura.&#8221; E conta: &#8220;Acho que Curitiba \u00e9 a capital do Brasil onde menos se vendem os meus livros.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 quase de madrugada, e Dalton, depois de conversar sobre literatura, rir, comer, dan\u00e7ar numa boate, prepara um manuscrito para a entrevista.<\/p>\n<p>&#8220;Qu\u00ea que eu digo?&#8221;, ele pergunta.<\/p>\n<p>Pensa um pouco, e escreve: &#8220;Meu lugar \u00e9 entre os \u00faltimos dos contistas menores.&#8221;<\/p>\n<p>Originalmente publicado no <strong><em>Jornal da Tarde<\/em><\/strong>,<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, em 6 de julho de 1968<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre essa entrevista em:<\/p>\n<p>&lt; <a href=\"http:\/\/gpluizvilela.blogspot.com\/2012\/06\/luiz-vilela-55-anos-de-ficcao-5.html\">http:\/\/gpluizvilela.blogspot.com\/2012\/06\/luiz-vilela-55-anos-de-ficcao-5.html<\/a> &gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>O escritor paranaense Miguel Sanches Neto, escritor e figura p\u00fablica admir\u00e1veis, conviveu durante d\u00e9cadas com Dalton, tendo escrito estudos acad\u00eamicos sobre a obra de Trevisan. Escreveu tamb\u00e9m um <em>roman \u00e0 clef<\/em>, com o sugestivo t\u00edtulo de <strong><em>Ch\u00e1 das cinco com o Vampiro<\/em><\/strong>. Sobre a retomada autobiogr\u00e1fica em textos ficcionais, e tratando diretamente da afirma\u00e7\u00e3o de Dalton de que \u201co escritor \u00e9 um monstro moral\u201d e do procedimento de \u201ccoleta\u201d das mis\u00e9rias humanas para recri\u00e1-las ficcionalmente utilizadas por Trevisan, faz considera\u00e7\u00f5es verdadeiras e da maior relev\u00e2ncia. Vamos a elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Em depoimento a Luiz Vilela (&#8220;Jornal da Tarde&#8221;, 6\/7\/1968), o contista paranaense Dalton Trevisan explica o seu processo de cria\u00e7\u00e3o, assumindo de forma resignada a natureza do escritor. Para n\u00e3o negar a sua voca\u00e7\u00e3o, o ficcionista tem que se valer das confiss\u00f5es que lhe s\u00e3o feitas. \u00c9 um procedimento invertido: o escritor trai para n\u00e3o se trair. Trevisan chama isso de &#8220;m\u00e1 consci\u00eancia&#8221;, deixando impl\u00edcito que sem ela n\u00e3o h\u00e1 arte verdadeira:<\/p>\n<p>&#8220;O escritor \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o merece nenhuma confian\u00e7a. Um amigo chega e me conta as maiores dores; eu escuto com aten\u00e7\u00e3o, mas estou \u00e9 colhendo material para mais um conto. E eu sei disso na hora. Surge ent\u00e3o a m\u00e1 consci\u00eancia. Sei que estou fazendo assim e n\u00e3o desejaria fazer, mas n\u00e3o h\u00e1 outro jeito. O escritor \u00e9 um ser maldito&#8221;.<\/p>\n<p>O escritor \u00e9 o profissional que se apropria indevidamente de hist\u00f3rias, n\u00e3o reconhecendo limites para o seu trabalho. O Outro \u00e9 uma reserva narrativa, que deve ser incorporada \u00e0 obra. Escrever funciona como um assalto \u00e0 vida, n\u00e3o sendo poss\u00edvel pedir permiss\u00e3o para compreender a condi\u00e7\u00e3o humana. Ao publicar &#8220;A Faca no Cora\u00e7\u00e3o&#8221; (Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1975), Trevisan reelabora essa confiss\u00e3o feita a Vilela, estampando na orelha do livro, numa pequena arte da escrita, um t\u00f3pico sobre o tema: &#8220;Vampiro, sim, de almas. Espi\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es solit\u00e1rios. Escorpi\u00e3o de bote armado, eis o contista&#8221;. Espionar toda e qualquer pessoa \u00e9 a tarefa do escritor que se move por um desejo de desvendar o outro e de se desvendar. O contista est\u00e1 sempre preparado para o ataque, em sua natureza de &#8220;monstro moral&#8221; &#8211; para usar as palavras de Trevisan.<\/p>\n<p>A literatura parte, assim, desses v\u00ednculos biogr\u00e1ficos, que a potencializam e lhe d\u00e3o um funcionamento pr\u00f3ximo do real. Ao estabelecer amizade com um escritor, nasce automaticamente um pacto de que esse conv\u00edvio \u00e9, desde o in\u00edcio, um laborat\u00f3rio, no qual est\u00e3o sendo desenvolvidas novas hist\u00f3rias. Um casamento, um namoro ou uma situa\u00e7\u00e3o de trabalho ou de companheirismo, tudo enfim que force um contato mais verdadeiro e intenso \u00e9 mat\u00e9ria de fic\u00e7\u00e3o para o escritor, que se sente autorizado a fazer um uso narrativo do Outro. Assim, ao nos aproximarmos de um ficcionista estamos aceitando alimentar o seu mundo, entrando nele n\u00e3o com a imagem que temos de n\u00f3s mesmos, mas com uma imagem nossa que ele construiu.<\/p>\n<p>Os personagens obtidos dessa forma s\u00e3o, no entanto, invariavelmente menores do que as pessoas reais que lhes deram origem. N\u00e3o remetem diretamente a quem existe ou existiu no plano hist\u00f3rico. Ao vampirizar algu\u00e9m que lhe era pr\u00f3ximo, o escritor est\u00e1 escolhendo uma imagem dele, aquela que \u00e9 poss\u00edvel a partir de um dado mirante. O ser biogr\u00e1fico, na sua variedade de eus, de estados de alma e de faces, nunca ser\u00e1 totalmente apreendido, fugindo a qualquer percep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, por mais fiel que ela seja. Ao passar do plano da exist\u00eancia para o plano da express\u00e3o art\u00edstica h\u00e1 a fixa\u00e7\u00e3o de uma identidade que, viva e contradit\u00f3ria, se movia dentro de uma multiplicidade de op\u00e7\u00f5es. O estabelecimento de um personagem criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de um ser real petrifica uma das faces, na maioria das vezes exagerando-a, pois a representa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de personalidades tende para a caricatura.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p><strong>O que aparece nos dom\u00ednios da literatura s\u00f3 tem valor como literatura, n\u00e3o servindo jamais como verdade sobre pessoas reais<\/strong>.<\/p>\n<p>(Miguel Sanches Neto, negrito meu)<\/p>\n<p>*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Encerrando essas considera\u00e7\u00f5es, retomo certa lapidar senten\u00e7a de Oscar Wilde sobre literatura: \u201cN\u00e3o existem livros morais ou imorais. Os livros s\u00e3o bem ou mal escritos\u201d. Dalton Trevisan criou um estilo personal\u00edssimo, que representa um referente hist\u00f3rico da vida mi\u00fada e perif\u00e9rica, e o faz com alt\u00edssima sensibilidade da alma humana e imprime aos seus textos \u2013 recriados e retomados insistentemente \u2013 a novidade de um sopro criador alicer\u00e7ado em linguagem trabalhada para obter a s\u00edntese e expressividade sem paralelos na literatura de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Aos novos escritores, considerados os textos anteriores, eis algumas das li\u00e7\u00f5es de Dalton Trevisan: trabalhe e retrabalhe o texto, a escrita; mantenha aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0s vida que pulsam \u00e0 sua volta; busque sempre sua voz pessoal; concentre-se na obra, n\u00e3o na \u201cvida liter\u00e1ria\u201d; mantenha como inst\u00e2ncias indissoci\u00e1veis, no ato da escrita, a \u00e9tica e a est\u00e9tica do texto liter\u00e1rio e da literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Quer dialogar?<\/p>\n<p>Escreva-me pelo e-mail &lt; <a href=\"mailto:rauer.rodrigues@ufms.br\">rauer.rodrigues@ufms.br<\/a> &gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><br \/>\nRauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou, no primeiro semestre de 2020 e em semestre anterior, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados no Blog da Editora Pangeia nos \u00faltimos meses e continuar\u00e3o a ser publicados, sempre na \u00faltima sexta-feira de cada m\u00eas. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor vem incluindo outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>Rizio Macedo<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE<\/strong><\/p>\n<p><strong>(clique para acessar):<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong>\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\"><strong>Aula 1<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\"><strong>Aula 2<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\"><strong>Aula 3<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\"><strong>Aula 4<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\"><strong>Aula 5<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\"><strong>Aula 6<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\"><strong>Aula 7<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\"><strong>Aula 8<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\"><strong>Aula 9<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\"><strong>Aula 10<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\"><strong>Aula 11<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\"><strong>Aula 12<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/\"><strong>Aula 13<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de \u201cA peste\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\"><strong>Aula 14<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Vamos reinventar o soneto?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever\/\"><strong>Aula 15<\/strong><\/a> \u2013 Defina sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d no ato de escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-16-hemingway-um-mergulho-na-teoria-do-iceberg\/\"><strong>Aula 16<\/strong><\/a> \u2013 Ernest Hemingway: um mergulho na \u201cTeoria do <em>Iceberg<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; 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