{"id":6514,"date":"2020-07-29T12:47:23","date_gmt":"2020-07-29T12:47:23","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6514"},"modified":"2025-04-11T12:04:43","modified_gmt":"2025-04-11T12:04:43","slug":"a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-15-defina-sua-profissao-de-fe-no-ato-de-escrever\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 15 &#8211; Defina sua &#8220;profiss\u00e3o de f\u00e9&#8221; no ato de escrever"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li style=\"text-align: center;\">Todos que escrevem t\u00eam um m\u00f3vel \u00edntimo para escrever?<\/li>\n<li style=\"text-align: center;\">Todos os que escrevem elaboram esteticamente tal motiva\u00e7\u00e3o interior?<\/li>\n<li style=\"text-align: center;\">Todos os que escrevem (poemas ou fic\u00e7\u00e3o ou relatos) s\u00e3o escritores?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Essas aulas tornadas artigos, s\u00e9rie que venho aqui publicando com a reprodu\u00e7\u00e3o dos textos de base para aulas de escrita criativa que ministrei ou discutindo \u2013 em clave pessoal \u2013 aspectos da arte de escrever, t\u00eam por pressuposto n\u00e3o se direcionar somente a candidatos a escritor, ou a escritores iniciantes. Parto da premissa de que os princ\u00edpios da arte da escrita tamb\u00e9m interessam, e por motivos variados, a estudantes, a professores, a profissionais que se utilizam cotidiana ou com alguma frequ\u00eancia da palavra escrita. Um curso sobre modos de narrar e maneiras de elaborar poemas, um curso que descreva modos de elaborar e reelaborar criativa e poeticamente de obras ficcionais a obras de poesia, trata de recursos de manipula\u00e7\u00e3o da l\u00edngua cujo dom\u00ednio se mostra importante nas a\u00e7\u00f5es e usos cotidianos e \u00e9 fundamental a muitas atividades no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>As perguntas que abrem este texto parecem muito espec\u00edficas \u2013 s\u00e3o, no entanto, t\u00e3o pertinentes aos demais interessados pela linguagem quanto qualquer um ou o conjunto dos textos anteriores (no final deste artigo h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o das aulas anteriores com o link para acesso).<\/p>\n<p>Para respondermos \u00e0s quest\u00f5es propostas, nosso racioc\u00ednio se construir\u00e1 tendo por refer\u00eancia um dos textos mais conhecidos, mais aclamados e, talvez, mais detratados da literatura brasileira, o poema \u201cProfiss\u00e3o de F\u00e9\u201d, publicado por Olavo Bilac (1865-1918) na abertura de seu primeiro livro, <em>Poesias<\/em> (1888). De modo r\u00e1pido, comento o poema, por estrofe ou por conjunto de estrofes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Profiss\u00e3o de F\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Olavo Bilac<\/p>\n<p><em>Le po\u00e8te est ciseleur,<\/em><br \/>\n<em>Le ciseleur est po\u00e8te.<\/em><br \/>\nVictor Hugo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ep\u00edgrafe de Victor Hugo, \u00edcone do romantismo franc\u00eas, personalidade cuja atua\u00e7\u00e3o pessoal na vida p\u00fablica excedia sua condi\u00e7\u00e3o de poeta e de romancista para a de intelectual ativo e questionador, apresenta o tema que ser\u00e1 desenvolvido por Olavo Bilac. Em tradu\u00e7\u00e3o livre, a ep\u00edgrafe define que \u201cO poeta \u00e9 um entalhador (ciseleur), \/ O entalhador \u00e9 um poeta\u201d.<\/p>\n<p>O entalhador \u00e9 um artes\u00e3o que maneja ferramentas que extraem, de uma forma bruta, uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. O artes\u00e3o, tornado artista, \u00e9 um escultor, e sua mat\u00e9ria-prima pode ir da madeira, trabalhada com form\u00e3o, \u00e0 pedra, tratada com ponteiras, cinz\u00e9is, entalhadoras, macetas, etc.<\/p>\n<p>Seja na madeira, seja em pedra-sab\u00e3o ou em m\u00e1rmore, o artes\u00e3o tornado escultor desbasta, \u00e0 pe\u00e7a bruta, na busca da forma que mentalizou; em seguida, faz polimento, ajusta em min\u00facia microsc\u00f3pica o acabamento idealizado.<\/p>\n<p>\u00c9 sob esta perspectiva que Bilac constr\u00f3i sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o quero o Zeus Capitolino,<br \/>\nHerc\u00faleo e belo,<br \/>\nTalhar no m\u00e1rmore divino<br \/>\nCom o camartelo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O eu-l\u00edrico se apresenta em primeira pessoa com uma negativa, colocando-se como possuidor de m\u00e1rmore \u201cdivino\u201d no qual poderia entalhar o maior dos deuses, Zeus, definido pelos atributos da beleza e da humana for\u00e7a de H\u00e9rcules, um semi-deus. A negativa, na primeira estrofe, se d\u00e1 para opor o \u201cm\u00e1rmore divino\u201d, a indicar um objeto humanamente manufaturado, ao instrumento: o camartelo \u00e9 ferramenta rude, para servi\u00e7os brutos em canteiro de obras, pouco apropriada, pois, para o entalhe escult\u00f3rico art\u00edstico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que outro \u2013 n\u00e3o eu! \u2013 a pedra corte<br \/>\nPara, brutal,<br \/>\nErguer de Atene o altivo porte<br \/>\nDescomunal.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A negativa do eu-l\u00edrico segue, mencionando Atenas, deusa da civiliza\u00e7\u00e3o, da sabedoria, da justi\u00e7a, da habilidade, da estrat\u00e9gia, cujo desentranhar da \u201cbrutal\u201d pedra \u00e9 designada a outro, que desvelar\u00e1 da deusa \u201co altivo porte \/ Descomunal\u201d. H\u00e1 uma reitera\u00e7\u00e3o, pois, de que o eu-l\u00edrico aparentemente se furta \u00e0 tarefa imensa do primeiro labor na pedra, se esquiva a enfrentar o grande bloco selvagem, natural, ainda que seja para entalhar deuses maiores, extraordin\u00e1rios, altivos e belos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mais que esse vulto extraordin\u00e1rio,<br \/>\nQue assombra a vista,<br \/>\nSeduz-me um leve relic\u00e1rio<br \/>\nDe fino artista.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A impress\u00e3o da estrofe anterior aqui se confirma: o eu-l\u00edrico do poema n\u00e3o pretende trabalhar com o assombroso, mas antes tratar de quest\u00f5es m\u00ednimas \u2013 troca a imensid\u00e3o do extraordin\u00e1rio pelo pequeno, pelo detalhe do \u00ednfimo, pela finura quase impercept\u00edvel. A um Colosso de Rodes, \u201cvulto extraordin\u00e1rio\u201d, prefere um relic\u00e1rio \u201cDe fino artista\u201d. A op\u00e7\u00e3o do poeta \u00e9 o trabalho que ser\u00e1 observado minuciosamente \u00e0 lupa e no qual n\u00e3o haver\u00e1 fratura, erro, grosseria, falha ou acabamento reprov\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Invejo o ourives quando escrevo:<br \/>\nImito o amor<br \/>\nCom que ele, em ouro, o alto-relevo<br \/>\nFaz de uma flor.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O poeta, \u00e9, pois, menos o escultor e mais o ourives, nos define essa quarta estrofe. Ora, o ourives \u00e9 um escultor em escala m\u00ednima, e sua mat\u00e9ria-prima, mais que o mais nobre dos m\u00e1rmores, \u00e9 o mais nobre dos materiais, o ouro. A aspira\u00e7\u00e3o do eu-l\u00edrico \u00e9 imitar ao ourives, e a invoca\u00e7\u00e3o \u00e9 o entalhe \u201cde uma flor\u201d \u2013 flor que \u00e9, sempre, s\u00edmbolo da beleza natural, refer\u00eancia de perfei\u00e7\u00e3o, met\u00e1fora da pr\u00f3pria poesia. O poema, assim, conduz os signos culturais que evoca desde o in\u00edcio \u00e0 cristaliza\u00e7\u00e3o no arqu\u00e9tipo poliss\u00eamico \u201cflor\u201d, de fundas resson\u00e2ncias.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Imito-o. E, pois, nem de Carrara<br \/>\nA pedra firo:<br \/>\nO alvo cristal, a pedra rara,<br \/>\nO \u00f4nix prefiro.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O eu-l\u00edrico, configurado agora definitivamente como o poeta na elabora\u00e7\u00e3o do poema, afirma sua tarefa imitativa do ourives que finamente entalha a flor, fixando tal op\u00e7\u00e3o a qualquer outra, mesmo a de escultor de m\u00e1rmore de Carrara, a pedra de maior perfei\u00e7\u00e3o existente. Prefere, se for o caso, trabalhar com \u201cpedra rara\u201d, um \u201calvo cristal\u201d, optando pelo \u201c\u00f4nix\u201d: compreende-se \u2013 quer o raro, o especial, o diferenciado, quer mat\u00e9ria-prima e resultado final que o distinga e sempre o distinguir\u00e1 entre todos os demais.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso, corre, por servir-me,<br \/>\nSobre o papel<br \/>\nA pena, como em prata firme<br \/>\nCorre o cinzel.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O papel \u00e9 prata, outro material nobre, e escrever \u00e9 trabalhar sobre o papel, esculpir as palavras na folha em branco como o cinzel amolda o metal no espa\u00e7o. O poeta precisa ter dom\u00ednio sobre a pena, que deve e precisa servi-lo com leveza e flu\u00eancia ainda que trabalhe a espessura da \u201cprata firme\u201d.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Corre; desenha, enfeita a imagem,<br \/>\nA ideia veste:<br \/>\nCinge-lhe ao corpo a ampla roupagem<br \/>\nAzul-celeste.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Torce, aprimora, alteia, lima<br \/>\nA frase; e, enfim,<br \/>\nNo verso de ouro engasta a rima,<br \/>\nComo um rubim.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O poema \u201cdesenha\u201d seu ideal est\u00e9tico, transitando da \u201cimagem\u201d para a \u201croupagem\u201d, devendo aprimorar e limar as frases que d\u00e3o \u201ccorpo\u201d \u00e0 \u201cideia\u201d, <em>para, enfim, o verso conter rimas engastadas como pedras raras<\/em>. Neste passo, desconsideremos o preciosismo dos dois versos que finalizam a passagem, marcada em grifo nestas anota\u00e7\u00f5es: importa muito, no entanto, retermos os versos iniciais, da constru\u00e7\u00e3o verbal que parte do prop\u00f3sito de expor uma ideia que surgiu como imagem, como conceito \u2013 escrever \u00e9 dar a roupagem adequada a um corpo simb\u00f3lico elaborado por uma subjetividade \u2013 a do eu-l\u00edrico \u2013 que deseja comunicar sua vis\u00e3o de mundo a outras subjetividades.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Quero que a estrofe cristalina,<br \/>\nDobrada ao jeito<br \/>\nDo ourives, saia da oficina<br \/>\nSem um defeito:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que o lavor do verso, acaso,<br \/>\nPor t\u00e3o sutil,<br \/>\nPossa o lavor lembrar de um vaso<br \/>\nDe Becerril.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A estrofe, unidade do poema, enseja aqui um dos pontos altos da reflex\u00e3o metaliter\u00e1ria. O corpo final da elabora\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, seja aqui seja em qualquer outra pe\u00e7a escrita, n\u00e3o deve apresentar \u201cdefeito\u201d, deve ser fruto de \u201clavor\u201d, de trabalho incessante, cuja perfei\u00e7\u00e3o deve ser \u201csutil\u201d. O poema, assim como um conto, um romance ou uma reda\u00e7\u00e3o de vestibular, deve aspirar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da escrita, deve realizar, nos limites de sua proposta, a capacidade m\u00e1xima de express\u00e3o, a singeleza de ser apreendida pelo que diz, n\u00e3o pela forma, t\u00e3o perfeita que, no pleno e m\u00e1ximo dom\u00ednio da arte verbal, deixa antes sobressair, no texto final, o corpo conceitual, as ideias, o que pretende comunicar.<\/p>\n<p>No caso da arte liter\u00e1ria, forma tamb\u00e9m \u00e9 conte\u00fado, definem os manuais, e definem com acerto. \u00c9 preciso considerarmos que, sempre, na literatura, forma \u00e9 conte\u00fado; mas \u00e9 preciso assim considerar, em tal exig\u00eancia, todo e qualquer texto escrito. Uma forma descuidada n\u00e3o tem cond\u00e3o de passar outra imagem do que veicula sen\u00e3o de desleixo, de falta de cuidado, de que ao conceito veiculado deve faltar seriedade ao estar envolto em embrulho de m\u00e1 qualidade verbal.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E horas sem conto passo, mudo,<br \/>\nO olhar atento,<br \/>\nA trabalhar, longe de tudo<br \/>\nO pensamento.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Porque o escrever \u2013 tanta per\u00edcia,<br \/>\nTanta requer,<br \/>\nQue of\u00edcio tal\u2026 nem h\u00e1 not\u00edcia<br \/>\nDe outro qualquer.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Assim procedo. Minha pena<br \/>\nSegue esta norma,<br \/>\nPor te servir, Deusa serena,<br \/>\nSerena Forma!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Escrever \u00e9 of\u00edcio que exige longas horas de matura\u00e7\u00e3o, e exige trabalho incessante para encontrar a forma justa, precisa, tendo em vista a perfeita e adequada proposi\u00e7\u00e3o comunicacional. A escrita liter\u00e1ria exige engenho e arte, exige \u2013 nos diz o eu-l\u00edrico de Bilac em sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d \u2013 per\u00edcia sem paralelo em qualquer outra fun\u00e7\u00e3o; mais que isso, exige trabalho pr\u00e9vio intenso, maturando forma e conte\u00fado, pesquisando, estudando, lendo, conhecendo \u2013 enfim, n\u00e3o h\u00e1 arte liter\u00e1ria alheia ao conhecimento da literatura, n\u00e3o h\u00e1 literatura constru\u00edda sem o ger\u00fandio de uma vida inteira inteiramente dedicada \u00e0 literatura. Parafraseando Tchek\u00f3v, a literatura deve ser c\u00f4njuge e amante, ambas em tempo integral.<\/p>\n<p>Parece que, ao eu-l\u00edrico de Bilac, a forma tem preval\u00eancia; h\u00e1, no entanto, passagens anteriores de elogio \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da forma, de matura\u00e7\u00e3o das \u201cideias\u201d; relembremos o que, nas estrofes iniciais, foi afirmado e reafirmado: as imagens, ideias e o corpo conceitual buscam a roupagem formal, verbal, que as configure \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 antes uma perfei\u00e7\u00e3o formal a servi\u00e7o do conte\u00fado do que o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deusa! A onda vil, que se avoluma<br \/>\nDe um torvo mar,<br \/>\nDeixa-a crescer; e o lodo e a espuma<br \/>\nDeixa-a rolar!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Blasfemo, em grita surda e horrendo<br \/>\n\u00cdmpeto, o bando<br \/>\nVenha dos b\u00e1rbaros crescendo,<br \/>\nVociferando\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deixa-o: que venha e uivando passe<br \/>\n\u2013 Bando feroz!<br \/>\nN\u00e3o se te mude a cor da face<br \/>\nE o tom da voz!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Olha-os somente, armada e pronta,<br \/>\nRadiante e bela:<br \/>\nE, ao bra\u00e7o o escudo, a raiva afronta<br \/>\nDessa procela!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este que \u00e0 frente vem, e o todo<br \/>\nPossui minaz<br \/>\nDe um v\u00e2ndalo ou de um visigodo,<br \/>\nCruel e audaz;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este, que, de entre os mais, o vulto<br \/>\nFerrenho alteia,<br \/>\nE, em jato, expele o amargo insulto<br \/>\nQue te enlameia:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 em v\u00e3o que as for\u00e7as cansa, e \u00e0 luta<br \/>\nSe atira; \u00e9 em v\u00e3o<br \/>\nQue brande no ar a ma\u00e7a bruta<br \/>\n\u00c0 bruta m\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o morrer\u00e1s, Deusa sublime!<br \/>\nDo trono egr\u00e9gio<br \/>\nAssistir\u00e1s intacta ao crime<br \/>\nDo sacril\u00e9gio.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E, se morreres porventura,<br \/>\nPossa eu morrer<br \/>\nContigo, e a mesma noite escura<br \/>\nNos envolver!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ah! ver por terra, profanada,<br \/>\nA ara partida<br \/>\nE a Arte imortal aos p\u00e9s calcada,<br \/>\nProstitu\u00edda!\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ver derribar do eterno s\u00f3lio<br \/>\nO Belo, e o som<br \/>\nOuvir da queda do Acrop\u00f3lio,<br \/>\nDo Partenon!\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O poeta, por meio do eu-l\u00edrico, op\u00f5e os \u201cb\u00e1rbaros\u201d \u00e0 s\u00edntese das li\u00e7\u00f5es anteriores, representadas por Palas Atenas (o escudo ao bra\u00e7o \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da imagem can\u00f4nica da deusa). Essa oposi\u00e7\u00e3o entre a civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9 grego-romana, eventualmente crist\u00e3 \u2013 e um universo b\u00e1rbaro que o ataca, muitas vezes s\u00edmbolo da natureza indom\u00e1vel do humano, \u00e9 uma constante na obra de Bilac. Est\u00e1, por exemplo, no soneto lapidar \u201cOs b\u00e1rbaros\u201d (que transcrevemos e evocamos em aula anterior, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\">AQUI<\/a>).<\/p>\n<p>O movimento do poema, na longa passagem, \u00e9 contrapor \u00e0 Deusa da \u201cSerena forma\u201d o \u201ctorvo mar\u201d, vindo de \u201cBando feroz!\u201d que comete o sacril\u00e9gio de prostituir e profanar \u201cO belo\u201d. Vencessem os \u201cb\u00e1rbaros\u201d e junto \u00e0 deusa morreria o eu-l\u00edrico, pois aqueles que se op\u00f5em \u00e0 est\u00e9tica que amalgama o trabalho de \u201cfino lavor\u201d de ourives \u00e0 perfeita e plena express\u00e3o da \u201cideia\u201d <strong>s\u00e3o os b\u00e1rbaros da literatura<\/strong>.<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 aliar-se ao estudo, \u00e0 pesquisa, ao trabalho incessante: n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para improvisos, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para \u201clodo e espuma\u201d, para proposi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que n\u00e3o esteja na \u201cara\u201d [altar] do \u201ctemplo augusto\u201d da \u201cArte imortal\u201d; em s\u00edntese, escrever \u00e9 um ato de conhecimento, resulta de longo e denodado estudo, sem espa\u00e7o para leni\u00eancias, ingenuidade ou meros desejos narc\u00edsicos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sem sacerdote, a Cren\u00e7a morta<br \/>\nSentir, e o susto<br \/>\nVer, e o exterm\u00ednio, entrando a porta<br \/>\nDo templo augusto!\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ver esta l\u00edngua, que cultivo,<br \/>\nSem ourop\u00e9is,<br \/>\nMirrada ao h\u00e1lito nocivo<br \/>\nDos infi\u00e9is!\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o! Morra tudo que me \u00e9 caro,<br \/>\nFique eu sozinho!<br \/>\nQue n\u00e3o encontre um s\u00f3 amparo<br \/>\nEm meu caminho!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que a minha dor nem a um amigo<br \/>\nInspire d\u00f3\u2026<br \/>\nMas, ah! que eu fique s\u00f3 contigo,<br \/>\nContigo s\u00f3!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Faltando o cultor da est\u00e9tica, da literatura realizada no escopo de uma tradi\u00e7\u00e3o de estudo e trabalho, h\u00e1 o exterm\u00ednio at\u00e9 da l\u00edngua, que sucumbe ao \u201ch\u00e1lito nocivo\u201d dos b\u00e1rbaros \u201cinfi\u00e9is\u201d. \u00c9 sozinho, diante da turba, que o poeta, \u00e0 maneira de Baudelaire, defende sua \u00e9tica, pois se trata de uma \u00e9tica, moldada pela op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Mais que sobrar s\u00f3, o eu-l\u00edrico se deseja sem nenhum amigo que n\u00e3o seja sua profiss\u00e3o de f\u00e9. Eis como se configura esta alt\u00edssima exig\u00eancia:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Vive! que eu viverei servindo<br \/>\nTeu culto, e, obscuro,<br \/>\nTuas cust\u00f3dias esculpindo<br \/>\nNo ouro mais puro.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Celebrarei o teu of\u00edcio<br \/>\nNo altar: por\u00e9m,<br \/>\nSe inda \u00e9 pequeno o sacrif\u00edcio,<br \/>\nMorra eu tamb\u00e9m!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ainda que s\u00f3 e sentindo-se \u00e0 morte em tal solid\u00e3o, convivendo com a invas\u00e3o dos b\u00e1rbaros, o eu-l\u00edrico sobrevive para servir ao culto de \u201c[esculpir] \/ No ouro mais puro\u201d os seus versos. Caso sua celebra\u00e7\u00e3o seja sacrif\u00edcio aqu\u00e9m da estatura da <strong>f\u00e9 est\u00e9tica professada<\/strong>, o eu-l\u00edrico transforma sua exig\u00eancia em autopuni\u00e7\u00e3o: \u201cMorra eu tamb\u00e9m!\u201d<\/p>\n<p>Cabe ao poeta, ao criador liter\u00e1rio, ao escritor, \u00e0quele que escreve, a exig\u00eancia de realizar no mais alto grau sua arte, seu texto escrito, sua express\u00e3o verbal \u2013 \u00e9 assim fazer ou metaforicamente perecer, morrer, sacrificar-se a si mesmo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Caia eu tamb\u00e9m, sem esperan\u00e7a,<br \/>\nPor\u00e9m tranquilo,<br \/>\nInda, ao cair, vibrando a lan\u00e7a,<br \/>\nEm prol do Estilo!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00faltima estrofe, o eu-l\u00edrico se convence de que a turba b\u00e1rbara pode levar de vencida seus esfor\u00e7os na defesa da est\u00e9tica que professa, mas que, se tal ocorrer, cair\u00e1, morto que seja, mas, ainda assim, permanecer\u00e1 \u201cvibrando a lan\u00e7a, \/ Em prol do Estilo\u201d.<\/p>\n<p>Trata-se de exagero ret\u00f3rico? No \u00e2mbito da escola liter\u00e1ria do Parnasianismo, em que o poeta se coloca, e com a escolha simbolista da mai\u00fascula em palavra conceitual, n\u00e3o, n\u00e3o seria exagero, seria antes um princ\u00edpio est\u00e9tico a ser alcan\u00e7ado a cada poema, construindo o conjunto da obra de modo uniforme e caracter\u00edstico. Ainda assim, como vimos, para al\u00e9m da defesa da pureza da forma e da corre\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, a \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d coloca tal busca est\u00e9tica a servi\u00e7o de uma ideia que se pretende exprimir, um conceito, uma imagem \u2013 em suma, para vocalizar determinada cosmovis\u00e3o. O estilo, pois, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u201carte pela arte\u201d, como normalmente se diz, mas a busca da forma perfeita para exprimir um conjunto conceitual.<\/p>\n<p>Ainda que consideremos que Bilac defenda o artesanato pelo artesanato, o estilo pelo estilo, a perfei\u00e7\u00e3o das rimas e da m\u00e9trica sem contrapartida de conte\u00fado, sua li\u00e7\u00e3o lapidar pode ser, na tarefa hodierna da escrita liter\u00e1ria, modalizada, com a express\u00e3o verbal \u2013 no auge da capacidade lingu\u00edstica, narrativa, po\u00e9tica e liter\u00e1ria \u2013 sendo complementada por vigorosa vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>A literatura \u00e9, sempre, forma e conte\u00fado na m\u00e1xima pot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Antepomos \u00e0 leitura do poema de Bilac tr\u00eas quest\u00f5es \u2013 as retomemos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Todos que escrevem t\u00eam um m\u00f3vel \u00edntimo para escrever?<\/li>\n<li>Todos os que escrevem elaboram esteticamente tal motiva\u00e7\u00e3o interior?<\/li>\n<li>Todos os que escrevem (poemas ou fic\u00e7\u00e3o ou relatos) s\u00e3o escritores?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na perspectiva de Bilac, aparentemente, a primeira quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tratada, embora, a meu ver, permane\u00e7a subjacente: somente uma vontade \u00edntima muito poderosa faria um sujeito \u2013 no caso o eu-l\u00edrico, persona em <em>alter-ego<\/em> do autor \u2013 se entregar \u00e0 morte por uma causa, definindo tal causa em \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d est\u00e9tica. H\u00e1, pois, um m\u00f3vel \u00edntimo mesmo para autor que muito consideram defender a tese da autonomia completa da arte diante da hist\u00f3ria, que entende que a realiza\u00e7\u00e3o da arte se d\u00e1 somente por e para si mesma. Quero crer que todos os escritores t\u00eam um m\u00f3vel \u00edntimo para escrever.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos, pois, diante da primeira quest\u00e3o, que parece subjetiva, mas tem car\u00e1ter tamb\u00e9m objetivo, que se refere \u00e0 intimidade, mas \u00e9 uma intimidade que, com certeza, tem la\u00e7os com a concretude exterior.<\/p>\n<p>Vamos a um exerc\u00edcio, passo a passo. Reflita, fa\u00e7a anota\u00e7\u00f5es e escreva sua resposta. Vamos nessa?<\/p>\n<p>Pergunto, pois, no plural: quais os seus m\u00f3veis \u00edntimos para se dedicar \u00e0 escrita liter\u00e1ria?<\/p>\n<p>Anote \u00e0 parte, considerando todas as observa\u00e7\u00f5es anteriores, e reserve suas respostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considere, agora, a segunda pergunta, e a desdobre:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Todos elaboram esteticamente sua motiva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Voc\u00ea alguma vez elaborou uma \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d?<\/li>\n<li>Voc\u00ea a reelaborou ao longo da vida? Lembra-se das altera\u00e7\u00f5es mais significativas?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 seu credo est\u00e9tico no atual momento?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Responda a cada t\u00f3pico, anote com min\u00facia, e reserve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, considere a \u00faltima quest\u00e3o inicial:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Escrever o faz um escritor?<\/li>\n<li>Voc\u00ea \u00e9 de fato um escritor?<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As respostas demandam um ju\u00edzo pr\u00f3prio que \u00e9 individual, pessoal, e que deve ser respeitado.<\/p>\n<p>Consideremos tr\u00eas respostas, entre milhares que s\u00e3o poss\u00edveis:<\/p>\n<ol>\n<li>Ainda n\u00e3o sou um escritor, mas quero ser.<\/li>\n<li>Sinto-me um escritor, mas preciso de algo mais.<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>Sou escritor, mas n\u00e3o tenho as certezas que Bilac tinha j\u00e1 aos 22 ou 23 anos, quando escreveu sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tem agora em m\u00e3os, ou na tela do computador, suas respostas.<\/p>\n<p>Como verificou e concluiu, as exig\u00eancias s\u00e3o altas.<\/p>\n<p>Na verdade, s\u00e3o muito, muito altas, e n\u00e3o s\u00f3 as colocadas por Bilac, mas aquelas \u2013 quaisquer que sejam \u2013 defendidas por qualquer escritor cuja obra seja memor\u00e1vel, cl\u00e1ssica, dessas que frequentam as antologias escolares.<\/p>\n<p>Retome suas anota\u00e7\u00f5es, n\u00e3o as deixe reservadas. Caso elas estejam rarefeitas, sejam pouco densas, h\u00e1 que fazer uma reflex\u00e3o pessoal sobre literatura, sobre o que \u00e9 literatura, sobre o que a literatura significa para voc\u00ea. Leia muito e se coloque diante das li\u00e7\u00f5es dos grandes escritores, aquelas expressas em textos metaliter\u00e1rios ou em ensaios, em cartas ou em outros documentos. A partir da leitura e da reflex\u00e3o sobre sua exist\u00eancia, sobre o mundo que o cerca, sobre as agruras que vivencia, formule a sua vis\u00e3o pessoal de literatura e do mundo. Assim municiado, elabore o corpo est\u00e9tico com os princ\u00edpios da sua futura obra, dos livros que pretende escrever. Caso mude vis\u00e3o de mundo ou de literatura, modifique de modo consistente seus princ\u00edpios e fundamentos est\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Lembre-se que a literatura \u00e9 sempre engajamento com a vida, aqui e agora, mas que sua obra \u00e9 voc\u00ea diante da eternidade: quer aparecer mal-ajambrado?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes, quero crer, havia um escritor em lat\u00eancia; j\u00e1 agora, no momento em que define a sua \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d no ato de escrever, nasce um escritor para o mundo. Seja bem-vindo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou no primeiro semestre de 2020, e ministrara antes, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados no Blog da Editora Pangeia nos \u00faltimos meses e continuar\u00e3o a ser publicados, sempre na \u00faltima sexta-feira de cada m\u00eas. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor vem incluindo outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>Rizio Macedo<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE<\/strong><\/p>\n<p><strong>(clique para acessar):<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\">Aula 1<\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\">Aula 2<\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\">Aula 3<\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\">Aula 4<\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">Aula 5<\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\">Aula 6<\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\">Aula 7<\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\">Aula 8<\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\">Aula 9<\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\">Aula 10<\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\">Aula 11<\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\">Aula 12<\/a>\u00a0\u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/\">Aula 13<\/a>\u00a0\u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de \u201cA peste\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-14-vamos-reinventar-o-soneto\/\">Aula 14<\/a>\u00a0\u2013 Vamos reinventar o soneto?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos que escrevem t\u00eam um m\u00f3vel \u00edntimo para escrever? Todos os que escrevem elaboram esteticamente tal motiva\u00e7\u00e3o interior? Todos os que escrevem (poemas ou fic\u00e7\u00e3o ou relatos) s\u00e3o escritores? * * * Essas aulas tornadas artigos, s\u00e9rie que venho aqui publicando com a reprodu\u00e7\u00e3o dos textos de base para aulas de escrita criativa que ministrei&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6516,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[101,88,4395,177,84,85,80,64,75,82,86,81,87,48],"class_list":["post-6514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cursos","tag-a-arte-de-escrever","tag-aprendizado","tag-arte-da-escrita","tag-arte-de-escrever","tag-criativa","tag-criatividade","tag-curso","tag-editora-pangeia","tag-escrever","tag-escrita","tag-ficcao","tag-gratuito","tag-literatura","tag-livro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6514"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18879,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6514\/revisions\/18879"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}