{"id":6445,"date":"2020-05-27T17:52:25","date_gmt":"2020-05-27T17:52:25","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=6445"},"modified":"2025-04-11T12:05:13","modified_gmt":"2025-04-11T12:05:13","slug":"a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-13-as-licoes-de-camus-autor-de-a-peste\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 13 \u2013 As li\u00e7\u00f5es de Camus, autor de &#8220;A peste&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSem liberdade, nada pode existir&#8221;<\/p>\n<p>Anotou Albert Camus em um ensaio sobre Walt Whitman. Referia-se ao stalinismo, tendo na bagagem a resist\u00eancia ao nazismo, ao fascismo, ao colaboracionismo e a outros regimes ditatoriais que tornaram o s\u00e9culo XX um dos per\u00edodos mais opressivos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3o franc\u00eas, Camus nasceu em 7 de novembro de 1913 em Mondovi, na Arg\u00e9lia, e faleceu em um acidente de carro em 4 de janeiro de 1960, quando retornava a Paris. Fil\u00f3sofo e escritor, gostava de futebol e se inseria, por meio do jornalismo, na vida pol\u00edtica. Esteve no Brasil em 1949. Professou um existencialismo muito particular, com influxos do absurdo da exist\u00eancia, o que n\u00e3o o impediu de defender o amor, a \u00e9tica e a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre suas principais obras est\u00e3o <strong><em>O estrangeiro<\/em><\/strong> (1942, romance), <strong><em>O mito de S\u00edsifo<\/em><\/strong> (1942, ensaio filos\u00f3fico), <strong><em>A peste<\/em><\/strong> (1947, romance) e <strong><em>O homem revoltado<\/em><\/strong> (1951, ensaio filos\u00f3fico). Ao morrer, deixou um romance inacabado, <strong><em>O primeiro homem<\/em><\/strong>, que foi publicado em 1994 por sua filha. Quase que como uma premoni\u00e7\u00e3o, dizia que morrer em acidente de autom\u00f3vel era absurdo, justo ele que tinha o absurdo humano como tema central de sua obra. Considerava que o \u00fanico de todos os temas filos\u00f3ficos verdadeiramente s\u00e9rio era o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Nos ensaios, Camus debate em especial o absurdo da exist\u00eancia, mostrando, atrav\u00e9s de exemplos modelares, que o homem do s\u00e9culo XX, ao realizar tarefas repetitivas e n\u00e3o-criativas, trabalha de modo absurdo e tr\u00e1gico, com poucos momentos em que \u00e9 consciente de sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Nos romances, esse quadro \u2500 dram\u00e1tico e cinza \u2500 ganha representa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e ficcional.<\/p>\n<p>O protagonista de <strong><em>O estrangeiro<\/em><\/strong>, ap\u00f3s sepultar sua m\u00e3e, comete um assassinato meio sem querer, \u00e9 preso e condenado \u00e0 morte. Sente-se distante da humanidade que o julga. Ele narra sua hist\u00f3ria enquanto espera o momento de sua execu\u00e7\u00e3o. Pede aos que forem assistir a sua morte \u2500 representantes de um mundo \u201cindiferente\u201d \u2500 que o recebam \u201ccom gritos de \u00f3dio\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 em <strong><em>A peste<\/em><\/strong>, para tratar do destino e da condi\u00e7\u00e3o humana, Camus faz met\u00e1fora da II Grande Guerra ao criar uma cidade assolada pela peste bub\u00f4nica, representa\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas. Nesse ambiente, em que a doen\u00e7a, espalhada por ratos, dizima os habitantes, h\u00e1 solidariedade em meio \u00e0 solid\u00e3o e a defesa libert\u00e1ria da revolta individual.<\/p>\n<p>Em 1957, lhe foi atribu\u00eddo o Pr\u00eamio Nobel, &#8220;por sua importante produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, que com sinceridade perspicaz ilumina os problemas da consci\u00eancia humana no nosso tempo&#8221;. No discurso de agradecimento, Camus faz seu credo de escritor, no qual mostra, quase que didaticamente, que a fic\u00e7\u00e3o deve ser, de um lado, alegoria e met\u00e1fora contra o autoritarismo de situa\u00e7\u00f5es opressivas, no cotidiano, e, de outro, na pol\u00edtica, na vida p\u00fablica, instrumento de engajamento contra sistemas totalit\u00e1rios e pretens\u00f5es, digamos, bonapartistas.<\/p>\n<p>Nossa li\u00e7\u00e3o da aula de hoje \u2500 sobre a \u00e9tica que deve nortear o trabalho do escritor, do editor, do poeta, do ficcionista, do pensador, do fil\u00f3sofo, do professor ou de qualquer um de n\u00f3s ao exercer uma atividade intelectual \u2500 est\u00e1 consubstanciada no bel\u00edssimo discurso com o qual Camus recebeu o Pr\u00eamio Nobel, reproduzido a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A MISS\u00c3O DO ESCRITOR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Albert Camus<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Discurso proferido ao receber o <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pr\u00eamio Nobel de Literatura<\/em><\/p>\n<p>Ao receber a distin\u00e7\u00e3o com que a academia livremente deseja me honrar, minha gratid\u00e3o \u00e9 ainda mais profunda \u00e0 medida em que essa recompensa excede meus m\u00e9ritos pessoais.<\/p>\n<p>Todo homem, e com mais raz\u00e3o, todo artista, quer ser reconhecido como ele \u00e9 ou deseja ser.\u00a0Eu tamb\u00e9m o desejo.\u00a0Mas, conhecendo sua decis\u00e3o, era imposs\u00edvel para mim n\u00e3o comparar sua resson\u00e2ncia com quem eu realmente sou.<\/p>\n<p>Como poderia um homem quase jovem ainda, rico apenas em d\u00favidas, com um trabalho em andamento, acostumado a viver na solid\u00e3o do trabalho ou na reclus\u00e3o de poucas amizades, como poderia eu receber, sem um certo tipo de p\u00e2nico, um pr\u00eamio que o coloca de repente e sozinho em plena luz do dia, no centro de violenta luz?<\/p>\n<p>Em que estado de esp\u00edrito esse jovem escritor pode receber essa honra enquanto, em tantos lugares, outros escritores, entre os maiores, s\u00e3o reduzidos ao sil\u00eancio enquanto, ao mesmo tempo, sua terra natal experimenta uma desgra\u00e7a intermin\u00e1vel?<\/p>\n<p>Sinceramente, senti esse desconforto e essa dor interna.\u00a0Para recuperar minha paz \u00edntima, foi necess\u00e1rio entrar em sintonia com um destino muito generoso.\u00a0E como era imposs\u00edvel para mim igual\u00e1-lo com o \u00fanico apoio de meus m\u00e9ritos, nada melhor veio para me ajudar do que aquilo que me sustentou ao longo da minha vida e nas circunst\u00e2ncias mais opostas: a ideia que forjei da minha arte e da miss\u00e3o do escritor.\u00a0Permitam-me, mesmo, que seja apenas um teste de reconhecimento e amizade lhes dizer, da maneira mais simples poss\u00edvel, qual \u00e9 essa ideia.<\/p>\n<p>Pessoalmente, n\u00e3o posso viver sem minha arte.<\/p>\n<p>Entretanto, nunca coloquei essa arte acima de qualquer outra coisa.\u00a0Pelo contr\u00e1rio, se ela \u00e9 necess\u00e1rio regozijo para mim, \u00e9 porque ela n\u00e3o me separa de ningu\u00e9m e me permite viver, como sou, no n\u00edvel de todos.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, a arte n\u00e3o \u00e9 uma divers\u00e3o solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 um meio de mover o maior n\u00famero de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada de dores e alegrias comuns.<\/p>\n<p>Assim, for\u00e7a o artista a n\u00e3o se isolar; pelo contr\u00e1rio, o leva,\u00a0muitas vezes, como em mim, a escolher seu destino como o mais humilde e universal.\u00a0E aqueles que muitas vezes escolheram seu destino como artistas porque se sentiram diferentes, logo aprendem que n\u00e3o ser\u00e3o capazes de nutrir sua arte ou sua diferen\u00e7a, exceto confessando sua semelhan\u00e7a com todos.<\/p>\n<p>O artista \u00e9 forjado nessa perpetuidade de ir e vir de si mesmo para os outros, equidistante entre a beleza, sem a qual n\u00e3o pode viver, e a comunidade, da qual n\u00e3o pode se destacar.\u00a0\u00c9 por isso que os verdadeiros artistas nada desprezam:\u00a0eles se for\u00e7am a compreender em vez de julgar.<\/p>\n<p>O verdadeiro escritor tem uma escolha a fazer neste mundo, e n\u00e3o pode ser sen\u00e3o aquela de uma sociedade na qual, em acordo com a palavra de Nietzsche, n\u00e3o reinar\u00e1 mais o juiz mas o criador, quer seja ele trabalhador ou intelectual.<\/p>\n<p>Por esse motivo, o papel do escritor \u00e9 insepar\u00e1vel de \u00e1rduos deveres.\u00a0Por defini\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o pode colocar-se a servi\u00e7o de quem faz hist\u00f3ria, ele est\u00e1 a servi\u00e7o dos que a sofrem.\u00a0Se n\u00e3o o fizesse, ficaria sozinho, privado de sua arte.<\/p>\n<p>Todos os ex\u00e9rcitos de tirania, com seus milh\u00f5es de homens, n\u00e3o o tiram da solid\u00e3o, mesmo se o escritor consentir em acomod\u00e1-los e, acima de tudo, se \u2500 como artista \u2500 consentir.\u00a0Mas o sil\u00eancio de um prisioneiro desconhecido, abandonado do outro lado do mundo, \u00e9 suficiente para tirar o escritor de sua solid\u00e3o, toda vez que, pelo menos, ele consegue, em meio aos privil\u00e9gios de sua liberdade, n\u00e3o se esquecer desse sil\u00eancio, e \u2500 para que sua vida valha a pena \u2500 tenta busc\u00e1-lo e faz\u00ea-lo soar com todos os seu recursos de escritor e de artista.<\/p>\n<p>Nenhum de n\u00f3s \u00e9 grande o suficiente para essa voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todas as circunst\u00e2ncias de sua vida, sombrias ou provisoriamente famosas, fascinadas pela tirania ou livres para se expressar, o escritor pode encontrar o sentimento de uma comunidade viva, que o justifica com a condi\u00e7\u00e3o de aceitar, na medida do poss\u00edvel, as duas tarefas que constituem a grandeza de seu cargo: o servi\u00e7o da verdade e o servi\u00e7o da liberdade.<\/p>\n<p>Como sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 agrupar o maior n\u00famero poss\u00edvel de homens, ele n\u00e3o pode se acomodar \u00e0 mentira e \u00e0 servid\u00e3o que, onde reinam, fazem a solid\u00e3o proliferar.<\/p>\n<p>Quaisquer que sejam nossas fraquezas pessoais, a nobreza de nossa profiss\u00e3o estar\u00e1 sempre enraizada em dois imperativos dif\u00edceis de manter: recusa em mentir sobre o que \u00e9 conhecido e resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais de vinte anos de uma hist\u00f3ria insana, perdida e sem recurso, como a de todos os homens da minha idade, nas convuls\u00f5es do tempo, s\u00f3 fui sustentada pelo profundo sentimento de que a escrita \u00e9 uma honra hoje, porque esse ato obriga \u00e0 liberdade \u2500 e obriga para mais do que apenas escrever.<\/p>\n<p>Essencialmente, escrever me for\u00e7ou, como eu era e de acordo com minhas for\u00e7as, a compartilhar vidas com todos aqueles que viveram minha mesma hist\u00f3ria, infort\u00fanio e esperan\u00e7a.\u00a0Aqueles homens \u2500 nascidos no in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial, que tinham vinte anos para estabelecer, ao mesmo tempo, o poder de Hitler e os primeiros processos revolucion\u00e1rios, e que, para completar sua educa\u00e7\u00e3o, mais tarde enfrentaram a guerra na Espanha, a segunda guerra mundial, o universo dos campos de concentra\u00e7\u00e3o,\u00a0a Europa de tortura e pris\u00f5es \u2500 esse homens, entre os quais estou, s\u00e3o for\u00e7ados a orientar seus filhos e suas obras em um mundo amea\u00e7ado de destrui\u00e7\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>Eu acho que ningu\u00e9m fingir\u00e1 pedir que sejamos otimistas.\u00a0At\u00e9 pensar que devemos entender, continuando a lutar contra a opress\u00e3o e a tirania, o erro daqueles que, devido a um excesso de desespero, reivindicaram leis e desonras e se lan\u00e7aram nos niilismos da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ocorre que a maioria de n\u00f3s, no meu pa\u00eds e no mundo inteiro, rejeitou o niilismo e se dedica \u00e0 conquista da legitimidade.<\/p>\n<p>Nesse tempo, nos foi necess\u00e1rio forjar uma arte de viver em tempos catastr\u00f3ficos para nascer uma segunda vez e depois lutar cara a cara contra o instinto de morte que se agita em nossa hist\u00f3ria.\u00a0Eu acho que ningu\u00e9m fingir\u00e1 pedir que sejamos otimistas.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegar a pensar que devemos entender, continuando a lutar contra eles, com o erro daqueles que, devido a um excesso de desespero, justificaram a lei e a desonra e se lan\u00e7aram nos niilismos da \u00e9poca.\u00a0Mas acontece que a maioria de n\u00f3s, no meu pa\u00eds e no mundo inteiro, rejeitou o niilismo e se dedica \u00e0 conquista da legitimidade.<\/p>\n<p>Os homens desse tempo tiveram que forjar uma arte de viver em tempos de desastre, nascer uma segunda vez e depois lutar, com rostos abertos, contra o instinto de morte em a\u00e7\u00e3o em nossa hist\u00f3ria. Sem d\u00favida, cada gera\u00e7\u00e3o acredita que est\u00e1 destinada a refazer o mundo.\u00a0A minha sabe, no entanto, que ela n\u00e3o poderia faz\u00ea-lo, mas sua tarefa talvez seja ainda maior: \u00e9 a de impedir que o mundo se desfa\u00e7a.<\/p>\n<p>Somos herdeiros de uma hist\u00f3ria corrompida que mistura revolu\u00e7\u00f5es deca\u00eddas, t\u00e9cnicas que enlouqueceram, deuses mortos e ideologias extenuadas, em que poderes med\u00edocres, que podem destruir tudo, n\u00e3o sabem convencer; em que a intelig\u00eancia se humilha ao servi\u00e7o do \u00f3dio e da opress\u00e3o \u2500 essa nossa gera\u00e7\u00e3o teve que, em si e ao seu redor, restaurar, partindo de suas amargas nega\u00e7\u00f5es, um pouco do que constitui a dignidade de viver e morrer.<\/p>\n<p>Diante de um mundo amea\u00e7ado de desintegra\u00e7\u00e3o, no qual nossos grandes inquisidores arriscam estabelecer os reinos da morte para sempre, o escritor sabe que deve,\u00a0numa esp\u00e9cie de corrida louca contra o tempo, restaurar entre as na\u00e7\u00f5es uma paz que n\u00e3o \u00e9 a da servid\u00e3o, reconciliar novamente o trabalho e a cultura e reconstruir com todos os homens uma nova arca da alian\u00e7a.\u00a0N\u00e3o \u00e9 certo que esta gera\u00e7\u00e3o possa finalmente cumprir essa imensa tarefa, mas a verdade \u00e9 que, em todo o mundo, ela j\u00e1 fez e mant\u00e9m sua dupla aposta em favor da verdade e da liberdade.<\/p>\n<p>O escritor do meu tempo que sou sabe que chegou o momento de saber como morrer sem \u00f3dio pelo mundo que constru\u00edmos.<\/p>\n<p>Essa gera\u00e7\u00e3o deve ser acolhida e incentivada onde quer que seja encontrada e, acima de tudo, onde se sacrifica.\u00a0E por esse motivo, com a certeza de sua aprova\u00e7\u00e3o, deveria recusar hoje a honra que acabam de me fazer.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, depois de expressar a nobreza da profiss\u00e3o de escritor, devo colocar o escritor em seu verdadeiro lugar, sem outros t\u00edtulos al\u00e9m daqueles que compartilha com companheiros de luta, vulner\u00e1veis, mas tenazes, injustos, mas apaixonados pela justi\u00e7a, realizando seu trabalho, sem vergonha ou orgulho, \u00e0 vista de todos,\u00a0sempre atento \u00e0 dor e \u00e0 beleza,\u00a0sempre condenado, em suma, a extrair de seu duplo ser as cria\u00e7\u00f5es que tenta obstinada e teimosamente construir diante do movimento destrutivo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quem, depois deste nosso tempo, pode esperar solu\u00e7\u00f5es prontas e belas li\u00e7\u00f5es morais?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 misteriosa, ilus\u00f3ria, e voc\u00ea sempre deve tentar conquist\u00e1-la.\u00a0A liberdade \u00e9 perigosa, t\u00e3o dif\u00edcil de viver quanto exaltante.\u00a0Devemos avan\u00e7ar rumo a esses dois fins, dolorosa, mas resolutamente, descontando antecipadamente nossas falhas ao longo de um caminho t\u00e3o longo.<\/p>\n<p>Que escritor ousaria, em consci\u00eancia, proclamar-se pregador da virtude?\u00a0Quanto a mim, preciso dizer mais uma vez que n\u00e3o sou assim.<\/p>\n<p>Eu nunca fui capaz de abandonar a luz, a felicidade de ser, a vida livre em que cresci.\u00a0Mas, embora essa nostalgia explique muitos dos meus erros e defici\u00eancias, sem d\u00favida me ajudou a entender melhor minha profiss\u00e3o de escritor e a permanecer decididamente ao lado de todos esses homens silenciosos, que n\u00e3o podem suportar o mundo, a vida feita de mem\u00f3ria ou do retorno breve da felicidade e da liberdade.<\/p>\n<p>Reduzido, dessa maneira, ao que realmente sou, aos meus verdadeiros limites, \u00e0s minhas d\u00edvidas e \u00e0 minha f\u00e9 dif\u00edcil, sinto-me mais livre para destacar, ao concluir, a magnitude e generosidade da distin\u00e7\u00e3o que a Academia acaba de me conceder.<\/p>\n<p>Sinto-me tamb\u00e9m mais livre para receb\u00ea-la como uma homenagem a todos aqueles que, partilhando do mesmo combate, n\u00e3o receberam nenhum privil\u00e9gio e, em vez disso, conheceram infort\u00fanios e persegui\u00e7\u00f5es.\u00a0Resta-me apenas agradecer, do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o, e fazer publicamente, como testemunho de gratid\u00e3o pessoal, a mesma e antiga promessa de fidelidade que todo verdadeiro artista faz para si mesmo, silenciosamente, todos os dias.<\/p>\n<p><strong>Albert Camus<\/strong>,<\/p>\n<p>na Academia Sueca, em<\/p>\n<p>10 de Dezembro de 1957;<\/p>\n<p>Original, <a href=\"https:\/\/www.nobelprize.org\/prizes\/literature\/1957\/camus\/25232-albert-camus-banquet-speech-1957\/\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministra neste semestre, e ministrou, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados no Blog da Editora Pangeia ao longo dos \u00faltimos meses e continuar\u00e3o a ser publicados nas pr\u00f3ximas semanas e meses. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor incluiu outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>Rizio Macedo<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p><strong>Nota da Editora<\/strong>:<\/p>\n<p>Em breve, a Editora Pangeia lan\u00e7ar\u00e1 \u2500 para acesso gratuito \u2500 uma sele\u00e7\u00e3o de textos, ficcionais e po\u00e9ticos, contempor\u00e2neos e cl\u00e1ssicos, com o tema da peste, como forma de reflex\u00e3o sobre os terr\u00edveis tempos de Covid-19 pelos quais passamos.<\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE <\/strong><\/p>\n<p><strong>(clique para acessar):<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\">Aula 1<\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\">Aula 2<\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\">Aula 3<\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\">Aula 4<\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">Aula 5<\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\">Aula 6<\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\">Aula 7<\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\">Aula 8<\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\">Aula 9<\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\">Aula 10<\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\">Aula 11<\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/\">Aula 12<\/a> \u2013 A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSem liberdade, nada pode existir&#8221; Anotou Albert Camus em um ensaio sobre Walt Whitman. 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