{"id":5621,"date":"2020-04-29T13:58:52","date_gmt":"2020-04-29T13:58:52","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=5621"},"modified":"2025-04-11T12:05:29","modified_gmt":"2025-04-11T12:05:29","slug":"a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-12-a-concisao-do-infinito-com-antologia-de-microcontos\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 12 &#8211;  A concis\u00e3o do infinito, com antologia de microcontos"},"content":{"rendered":"<p>Voltamos a um tema j\u00e1 tratado nesta s\u00e9rie, o microconto, veja <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">AQUI<\/a>, para incorporar a voz de uma pesquisadora do tema, <strong>Maisa Cristina Santos<\/strong>,<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> com uma seleta de microcontos definida por mim e pelas pesquisadoras Amanda Lam\u00f4nica, Camila G. Costa, Dayse Galv\u00e3o Souza e Maria Izabel Alencar \u2500 todas elas, alunas agora em 2020 do curso Oficinas de Cria\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria que ofere\u00e7o no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras Mestrado e Doutorado do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS. (<strong>Rauer<\/strong>).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> O infinito<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>AMOR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Dor<\/em><a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 um vazio no par\u00e1grafo que antecede as palavras, mas outro ainda maior ap\u00f3s o ponto final. O sinal gr\u00e1fico p\u00f5e fim ao que foi dito, o que vem depois simboliza o vasto espa\u00e7o da inquietude que se projeta na imagina\u00e7\u00e3o do suposto porvir. N\u00e3o se pode dizer que nada foi dito, pois se o Universo inteiro foi criado a partir de um Verbo, o infinito, nesse caso, encontra-se em dois substantivos.<\/p>\n<p>A brevidade textual pressup\u00f5e muito mais um fim que se aproxima a qualquer momento, e \u00e9 desejado, do que a exist\u00eancia de um come\u00e7o e um meio, denotando um pensamento alinhado \u00e0 contemporaneidade, em que nada \u00e9 feito para durar. A concis\u00e3o, entretanto, det\u00e9m alto grau de complexidade ao dizer muito mais do que seus poucos termos parecem expressar. O microconto materializa um cl\u00edmax e \u00e9 o recorte de um momento de tens\u00e3o. Lidar com esse \u00eaxtase pode ser desconfort\u00e1vel para alguns, pois, no microconto de Rauer, n\u00e3o se tem o antes, pressup\u00f5e-se o depois, vive-se um instante.<\/p>\n<p>Sob uma perspectiva hist\u00f3rica, a arte dialoga com o tempo e o mundo. A literatura, uma de suas v\u00e1rias filhas, muito nos fala sobre eles por meio de seus textos, em especial acerca dos matizes que a comp\u00f5e enquanto arte. O microconto \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o da literatura a uma sociedade digital, irrigada a todo instante com inimaginada pluralidade de informa\u00e7\u00f5es. Em suas muta\u00e7\u00f5es, a literatura mostra, por meio do microconto, um corpo adaptado ao <em>boom<\/em> informacional, dotado de forma breve, intensa e inquietante.<\/p>\n<p>Sua estrutura possui alta capacidade de difus\u00e3o, n\u00e3o apenas pelo meio em que \u00e9 comumente disseminado, a internet, mas pelo di\u00e1logo r\u00e1pido e expressivo com o leitor, que se torna mais do que nunca agente atuante, uma vez que tem em m\u00e3os o momento de tens\u00e3o e busca veementemente compreender a unidade de sentido de t\u00e3o pequeno todo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Infinito, por\u00e9m determin\u00e1vel<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Se a alta capacidade de difus\u00e3o do microconto para o p\u00fablico \u00e9 uma de suas caracter\u00edsticas, n\u00e3o se pode perder de vista que antes de um fen\u00f4meno apreci\u00e1vel por um vasto coletivo, \u00e9 um subg\u00eanero da narrativa de fic\u00e7\u00e3o, e como tal deve ser analisado. A reverbera\u00e7\u00e3o junto ao p\u00fablico \u00e9 um efeito enquanto signo art\u00edstico, mas utilizando a tr\u00edade anal\u00edtica de Antonio Candido, ainda nos cabe verificar a estrutura enquanto obra e seus autores.<\/p>\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as conceitua\u00e7\u00f5es do que vem a ser o g\u00eanero liter\u00e1rio conto. Alfredo Veirav\u00e9, por exemplo, citado por Mempo Giardelli, esclarece que o conto \u201c\u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o de curta dura\u00e7\u00e3o que trata de um s\u00f3 assunto e que, com um n\u00famero limitado de personagens, \u00e9 capaz de criar uma situa\u00e7\u00e3o condensada e completa (GIARDINELLI, 1994, p. 24). F\u00e1bio Lucas, por sua vez, diz que o conto \u201c\u00e9 uma esp\u00e9cie de esfera na qual procuramos incluir algumas percep\u00e7\u00f5es, alguns sentimentos. Deve completar-se breve, para ter forma concisa\u201d (LUCAS, 1983, p. 107).<\/p>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es sobre o conto s\u00e3o muito bem vindas, considerando-se o momento acad\u00eamico de indetermina\u00e7\u00e3o de sua subesp\u00e9cie, o microconto, por\u00e9m, ainda mais o \u00e9 compreender a versatilidade do fen\u00f4meno art\u00edstico-liter\u00e1rio diante de sociedades em r\u00e1pidas e sucessivas transforma\u00e7\u00f5es. \u00c9 a partir da\u00ed que se torna poss\u00edvel tra\u00e7ar os elementos que diferenciam e o identificam com a sua origem. Para tanto, s\u00e3o preciosas as palavras de Arturo Molina Garcia:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">Em nuestros d\u00edas se puede observar como muchos relatos breves, considerados como cuentos, no encajan extactamente em las coordenadas trazadas. Se trata de cuentos com finales abruptos que producen uma sensaci\u00f3n de fragilidad, como de algo inconcluso, pero, al mismo tiempo, llenos de las possibilidades segerentes de lo que, a prop\u00f3sito, se deja abierto. M\u00e1s aun: em nuestra\u00e9poca observamos com certa frecuencia la falta de argumento, ingrediente imprescindible del cueno cl\u00e1sico. Se le h\u00e1 dado el nombre de cuento-situaci\u00f3n (narraci\u00f3n-situaci\u00f3n frente a narraci\u00f3n-argumento) [&#8230;] demuestra uma vez m\u00e1s que el cuento, como cualquier outro g\u00e9nero literario, no es algo monol\u00edtico y aprioristicamente determinado, que evoluciona, depiendendo del estilo y de la sensibilidade hacia, formas nuevas.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seus argumentos, Arturo Molina Garcia trata justamente dessa transforma\u00e7\u00e3o do conto cl\u00e1ssico em uma nova modalidade, na qual o leitor se depara com o final abrupto e cheio de possibilidades sugestivas. A evolu\u00e7\u00e3o do conto cl\u00e1ssico para o conto breve \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que os g\u00eaneros liter\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos e, assim, renovam estilos da \u00e9poca e sensibilidades. \u00c9 por esse motivo que, aqui, discutirmos o agora.<\/p>\n<p>A quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial trouxe uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as nas mais diversas frentes. Na Literatura, o relacionamento entre emissor e mensagem, por exemplo, encontrou uma plataforma din\u00e2mica e vers\u00e1til: a<em> internet<\/em>. Meio de comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pido e difuso, a <em>internet<\/em> conciliou conectividade, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e agilidade. Contudo, tamb\u00e9m produziu certo \u201cexcesso\u201d jamais vivenciado.<\/p>\n<p>Isso porque passamos a ser, diariamente, atingidos por descargas ilimitadas de informa\u00e7\u00f5es, tornando a conex\u00e3o quase que um sentimento imperativo. A partir da\u00ed, deu-se origem a uma nova gama de transtornos psiqui\u00e1tricos, como o <em>fear of missing out<\/em>. Tal patologia muito se relaciona com a ideia de concis\u00e3o, pois caracteriza-se pelo medo de perder algo, de n\u00e3o estar informado o suficiente, e influenciou os sites na busca pela celeridade, pelo atalho, direcionando seus formatos para a brevidade.<\/p>\n<p>Falar o necess\u00e1rio em poucas palavras nunca foi t\u00e3o importante. \u00c9 o momento de ir direto ao ponto, de ser impactante, tenso e expl\u00edcito. A Literatura, moldando-se ao seu tempo, altera a estrutura do conto, comprimindo-o ainda mais, dando origem a<\/p>\n<p>mininarrativas, minicontos, microcontos, literatwitter, dentre outros (cf. MARTINS, 2001, p. 275). A literatura, com um novo g\u00eanero ou subg\u00eanero, adapta-se aos novos tempos e ao novo p\u00fablico, que busca o sumo das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se o conto, tendo como par\u00e2metros, na sua origem, a brevidade e a concis\u00e3o, devendo, nas palavras de Edgar Allan Poe no seu seminal \u201cA Filosofia da Composi\u00e7\u00e3o\u201d, ser lido em uma s\u00f3 assentada, o microconto, na defini\u00e7\u00e3o de Rauer, deve ser lido em \u201cUma s\u00f3 visada\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MICROCONTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Cristal-Vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Uma s\u00f3 visada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um \u00fanico golpe.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Nocaute.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A estrutura enxuta do conto e do microconto busca o mesmo resultado pr\u00e1tico:intensificar a unidade de sentido (POE, 1846, s\/p). Todavia, sob uma perspectiva estrutural, o microconto det\u00e9m um n\u00famero consideravelmente menor de palavras e possui apenas um n\u00facleo significativo (MARTINS, 2011, p. 281).<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a><\/p>\n<p>Analisemos melhor esse fen\u00f4meno narratol\u00f3gico sob a \u00f3tica do \u201cA Filosofia da Composi\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo Edgar Alan Poe, a composi\u00e7\u00e3o de um texto breve deve constituir-se da escolha de um assunto, de um efeito de sentido e de um tom. Dada composi\u00e7\u00e3o resultaria em uma breve narrativa de fic\u00e7\u00e3o capaz de gerar a desejada unidade de impress\u00e3o.<\/p>\n<p>Conto ou microconto cont\u00e9m sempre um tema, ou seja, falam de algo ou sobre algo, independentemente de sua concis\u00e3o. O efeito ou impress\u00e3o, todavia, s\u00e3o constru\u00eddos de forma diversa. Aqui devemos evocar n\u00e3o apenas de Edgar Alan Poe, mas tamb\u00e9m o contista Anton Tch\u00e9khov. Se a proposta de Poe se caracteriza pela constru\u00e7\u00e3o narratol\u00f3gica temporal-linear, preocupada com a sinaliza\u00e7\u00e3o da altern\u00e2ncia entre momentos fracos (sum\u00e1rios) e fortes (cenas), Tch\u00e9khov prop\u00f5e a desconstru\u00e7\u00e3o da narrativa, distribuindo o momento de tens\u00e3o ao longo do tecido textual (PASSOS, p. 103, 2001).<\/p>\n<p>Ambos, expoentes e inventores do conto moderno, definem uma narrativa que constroem um efeito, cada um \u00e0 sua maneira, pelo enredo ou pela atmosfera. Esse conto n\u00e3o \u00e9 conciso \u00e0 maneira do microconto, que incorpora outros pressupostos pr\u00e1ticos e outro referencial te\u00f3rico. A estrutura narrativa linear de Poe evidencia esse efeito por meio de um momento de tens\u00e3o. J\u00e1 Tch\u00e9khov descontr\u00f3i a estrutura narrativa cl\u00e1ssica, com estruturas textuais psicol\u00f3gicas e densas, cujo cl\u00edmax se dilui ao longo do conto.<\/p>\n<p>O instante de tens\u00e3o da estrutura narrativa de Poe ou a intensidade psicol\u00f3gica de Tch\u00e9khov est\u00e3o \u2500 se assim podemos nos expressar \u2500 em cada palavra do microconto, isto \u00e9, constituem a representa\u00e7\u00e3o de um cl\u00edmax: \u201cO microconto \u00e9 o n\u00f3 da rede: cada n\u00f3 nunca \u00e9 mais que a fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de um poss\u00edvel narrativo: o microconto \u00e9 o f\u00f3ton que cont\u00e9m o universo\u201d (RODRIGUES, 2019, s\/p).<\/p>\n<p>Sendo ele o f\u00f3ton e a unidade de sentido, ao abordamos o tom no conto cl\u00e1ssico ele se d\u00e1 atrav\u00e9s da concatena\u00e7\u00e3o de incidentes. J\u00e1 no microconto, materializa-se em t\u00f3pica minimalista. Dada caracter\u00edstica exige um leitor coautor, que tudo e nada sabe, mas busca em meio ao caos compreender o motivo ou a origem do impacto. Muitas pistas, no caso, v\u00eam por intertextos, men\u00e7\u00f5es culturais, evoca\u00e7\u00f5es, rastros m\u00ednimos cujos significados s\u00e3o magnificados pela sem\u00e2ntica do microconto.<\/p>\n<p>Eis alguns autores brasileiros reconhecidos no momento pela produ\u00e7\u00e3o de microcontos: Daniel Galera, Ivana Arruda Leite, Manoel de Barros, Mar\u00e7al Aquino, Marcelino Freire, Rauer, Samir Mesquita, entre tantos outros. Na colet\u00e2nea a seguir, temos diversos outros nomes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> A consagra\u00e7\u00e3o de um instante <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O tempo caminha lado a lado com a eternidade e tem como resultado pr\u00e1tico a conserva\u00e7\u00e3o daquilo que existe. Talvez seja esse o motivo de resguardarmos em todas as suas nuances o que possu\u00edmos: tememos o fim, e, antes disso, a mudan\u00e7a que o precede. N\u00e3o detemos a Literatura, pois \u00e9 ela que nos det\u00e9m, mas desejamos possui-la, o que resulta na elabora\u00e7\u00e3o de manuais recheados de f\u00f3rmulas fixas para que n\u00e3o se altere e, assim, corra o risco de se perder.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o, nos manuais, de tipos e g\u00eaneros, que chega ao ponto de se cristalizar em estere\u00f3tipos, \u00e9 o resultado pr\u00e1tico de um movimento de resist\u00eancia que enxerga nas mudan\u00e7as da modernidade a constru\u00e7\u00e3o de uma literatura-de-apelo. Sua principal caracter\u00edstica seria a aus\u00eancia de media\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria tradicional, o \u201cque nos lan\u00e7aria diretamente no mundo das imagens suscitadoras de efeitos imediatos. Brutalmente, fulminantemente\u201d (BOSI, 2002, p. 250).<\/p>\n<p>De acordo com Alfredo Bosi, essa nova forma liter\u00e1ria seria direcionada \u00e0s massas, e a brevidade de sua forma teria como efeito pr\u00e1tico uma natureza n\u00e3o emancipat\u00f3ria aos olhos de soci\u00f3logos como Adorno e Croce. Todavia, ainda nas palavras de Bosi, resistir \u00e9 preciso. N\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as que os atuais meios de comunica\u00e7\u00e3o propiciam, mas sim \u00e0s cr\u00edticas aos novos modelos liter\u00e1rios, \u201cpois nem tudo que \u00e9 dito novamente \u00e9 simplesmente dito \u2018de novo\u2019; novamente pode ser tamb\u00e9m adv\u00e9rbio de modo; dizer novamente: dizer de maneira nova\u201d (BOSI, 2002, p. 255).<\/p>\n<p>A vista disso, o microconto \u00e9 um conto que est\u00e1 sendo \u201cdito novamente\u201d, e o faz na corrente dos atuais meios de comunica\u00e7\u00e3o, o que exige um \u201cdizer de maneira nova\u201d para, expressando o novo e um modo novo, se fazer compreender nesse tempo novo. Em sociedade que se atomiza em todas as inst\u00e2ncias, onde nada deve perdurar mais que um instante, o microconto consagra-se como um pequeno suspiro de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Pequena antologia de microcontos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Em elipse<\/strong><\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o de sujeito oculto que insiste em se dizer sem palavras \u2500 eis o microconto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Alciene Ribeiro<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><strong>[vi]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No cemit\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Em p\u00e9 no t\u00famulo dele pensava: Ele passou a vida pisando em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ana Mello<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Paix\u00e3o acidental<\/strong><\/p>\n<p>Depois, foi juntar os cacos e colher o que ficara \u00e0 margem.<\/p>\n<p>O desenho do cora\u00e7\u00e3o, em frequ\u00eancia m\u00ednima, n\u00e3o p\u00f4de ser<\/p>\n<p>reparado e continuou tosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Branca Maria de Paula<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Antiviol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Sentiu-se mal vendo o namorado gritar com o irm\u00e3o. O maninho foi para casa, o amado pro hospital e ela consertar a m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Carla de Souza Mendes<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Minissaia<\/strong><\/p>\n<p>Quando a loira da minissaia cruzou as pernas, o taxista n\u00e3o p\u00f4de evitar a olhada no retrovisor nem a batida no cruzamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Carlos Seabra<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Precavido<\/strong><\/p>\n<p>Depois de assaltar o banco, foi para casa descansar. Mais tarde, saiu para a balada, mas n\u00e3o antes de tirar o rel\u00f3gio. As ruas s\u00e3o perigosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Edson Rossatto<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00f3ia<\/strong><\/p>\n<p>Veja seu dot\u00f4, tudo desapareceu. Primeiro a televis\u00e3o e o DVD, depois o sof\u00e1, as cadeiras, a mesa, as camas, as portas e os portais. Quando achei que n\u00e3o havia mais nada para ser levado, o desgra\u00e7ado fumou o cachorrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Elias Borges<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pegou na tesoura<\/strong><\/p>\n<p>Pegou a tesoura de bordados e foi cortando pacientemente os alinhavos de sua vida at\u00e9 lhe desaparecerem as dores nas costas. E sorriu feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eug\u00e9nia Tabosa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hor\u00f3scopo da vida<\/strong><\/p>\n<p>Pai com c\u00e2ncer<\/p>\n<p>M\u00e3e com c\u00e2ncer<\/p>\n<p>Irm\u00e3 com c\u00e2ncer<\/p>\n<p>Alma de escorpi\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Infeto<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cantor<\/strong><\/p>\n<p>Canta sempre a mesma m\u00fasica. Mas, em cada performance, desafina em trechos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em> J. Novelino<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Obesidade Moral<\/strong><\/p>\n<p>Mag\u00e9rrimo, era t\u00e3o cheio de si que n\u00e3o sobrava espa\u00e7o para a alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>J.R. Lima<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quadrilha moderna<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que era bi e ficou com todos os anteriores.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o foi trabalhar na China, Teresa virou <em>webdesigner<\/em>, Raimundo morreu de febre aftosa, Maria pegou Joaquim na balada e Lili transou com J. Pinto Fernandes que filmou tudo e p\u00f4s no <em>YouTube<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Marina Bonaf\u00e9<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Chico<\/strong><\/p>\n<p>Se atrasa, preocupa. Quando chega, incomoda.<\/p>\n<p>\u2500 Menstrua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2500 Meu marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nelson de Oliveira<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O canguru branco<\/strong><\/p>\n<p>Como todos aqui t\u00eam suas raridades eu, para n\u00e3o me sentir diferente, peguei minha fortuna e comprei uma raridade. Fui compr\u00e1-la longe, na Austr\u00e1lia. E agora sou igual a todos, tamb\u00e9m tenho a minha raridade. Comprei um canguru branco. N\u00e3o serve para nada, n\u00e3o faz nada, mas \u00e9 uma raridade. \u00c9 um canguru branco. E muitos me invejam e admiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Oswaldo Fran\u00e7a Jr.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lapida\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>o microconto est\u00e1<\/p>\n<p>no cerne do fractal,<\/p>\n<p>no \u00e2mago da seiva,<\/p>\n<p>no imo intestino<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Rauer<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>microconto4<\/strong><\/p>\n<p>eternamente, duas notas musicais invadem dois ouvidos.<\/p>\n<p>o da esquerda recebe um d\u00f3 sustentado,<\/p>\n<p>long\u00ednquo, vindo do turbo do avi\u00e3o.<\/p>\n<p>o da direita aceita o si cont\u00ednuo,<\/p>\n<p>que zumbe pelo aspirador de p\u00f3.<\/p>\n<p>ro\u00e7am-se. friccionam-se. penetram-se, orgiasticamente.<\/p>\n<p>e, num \u00eaxtase, emudecem.<\/p>\n<p>e os ouvidos gozam, conjuntamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>renata sieiro fernandes<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Piroman\u00edaca<\/strong><\/p>\n<p>Acendia fogueiras, despretensiosa, apenas para v\u00ea-las arderem, estalarem e consumirem-se.<\/p>\n<p>Quando sentiu frio, desamparada, j\u00e1 n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m para servir de lenha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Rodrigo Domit<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A educa\u00e7\u00e3o pela seda<\/strong><\/p>\n<p>Vestidos muito justos s\u00e3o vulgares. Revelar formas \u00e9 vulgar. Toda revela\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma vulgaridade abomin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Rosa Amanda Strausz<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Deletado<\/strong><\/p>\n<p>Um anjo travesso, da linhagem daquele que foi expulso, entrou no sistema divino, acessou a pasta DEUS e apagou o programa nomeado UNIVERSO. Viu tudo sumir, incluindo ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Wilson Gorj<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Candelabro<\/strong><\/p>\n<p>Iluminou segredos, juras de amor, assistiu a brigas, viu reconcilia\u00e7\u00f5es. Agora, naquele monturo, o velho candelabro jazia com os escombros da casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Zez\u00e9 Pina<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>BOSI, Alfredo. <strong><em>Literatura e resist\u00eancia<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das letras, 2002.<\/p>\n<p>GIARDINELLI, Mempo. <strong><em>Asi se escribe um cuento: hist\u00f3ria, preceptiva, y las ideas de veinte grandes cuentistas<\/em><\/strong>. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2012.<\/p>\n<p>GOTLIB, N\u00e1dia Battella. <strong><em>Teoria do conto<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2006.<\/p>\n<p>LUCAS, F\u00e1bio. O conto moderno no Brasil. In: LUCAS, F\u00e1bio; PROEN\u00c7A FILHO, D. (Orgs.). <strong><em>O livro do semin\u00e1rio<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: L. R. Editores, 1983.<\/p>\n<p>MARTINS, Waleska Rodrigues de Matos Oliveira. Intensidade, brevidade, coalesc\u00eanica: das vertentes do conto, o microconto. <strong><em>Carand\u00e1<\/em><\/strong> \u2013 Revista do Curso de Letras do Campus Pantanal \u2013 UFMS, Corumb\u00e1, MS, n. 4, novembro de 2011.<\/p>\n<p>PASSOS, Cleusa Rios P. Breves considera\u00e7\u00f5es sobre o conto moderno. In: BOSI, Viviana; CAMPOS, Cl\u00e1udia et al (Orgs). <strong><em>Fic\u00e7\u00f5es: leitores e leituras<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea, 2001.<\/p>\n<p>POE, Edgar Alan. A filosofia da composi\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2544953\/mod_resource\/content\/1\/Poe.pdf\">https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2544953\/mod_resource\/content\/1\/Poe.pdf<\/a> &gt;, acesso em 23 de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p>RAUER. Amor. A Arte de Escrever 5 \u2013 29 aforismos sobre o microconto. <strong><em>Editora Pangeia \u2013 Blog<\/em><\/strong>, dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/<\/a> &gt;, acesso em 20 de abril de 2020. [Veja nota 2, abaixo].<\/p>\n<p>RODRIGUES, Rauer Ribeiro. A arte de escrever 5 \u2013 29 aforismos sobre o microconto. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/<\/a> &gt;, acesso em 22 de mar\u00e7o de 2020. [Veja nota 2, abaixo]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Doutoranda pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul \u2013 UFMS; professora da Escola T\u00e9cnica de Ilha Solteira \u2013 SP (Etec); <a href=\"mailto:maisacrisadv@gmail.com\">maisacrisadv@gmail.com<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> RAUER. Amor. O Microconto \u2013 Dossi\u00ea. <strong><em>Carand\u00e1<\/em><\/strong> &#8211; Revista do Curso de Letras do Campus Pantanal, UFMS, n. 4, Corumb\u00e1, MS, novembro de 2011; A Arte de Escrever 5 \u2013 29 aforismos sobre o microconto. <strong><em>Editora Pangeia \u2013 Blog<\/em><\/strong>, Dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/<\/a> &gt;, acesso em 20 de abril de 2020. Texto exposto em evento e publicado em 2011, conforme consta em &lt; <a href=\"http:\/\/www.filologia.org.br\/xx_cnlf\/cnlf\/cnlf_03\/002.pdf\">http:\/\/www.filologia.org.br\/xx_cnlf\/cnlf\/cnlf_03\/002.pdf<\/a> &gt;, acesso em 20 de abril de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Citado por Mempo Giardinelli. conforme <strong><em>Texto te\u00f3rico: estrutura y morfologia del cuento<\/em><\/strong>, dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"http:\/\/lahojadepapel-textos.blogspot.com\/2007\/08\/estructura-y-morfologa-del-cuento-mempo.html\">http:\/\/lahojadepapel-textos.blogspot.com\/2007\/08\/estructura-y-morfologa-del-cuento-mempo.html<\/a> &gt;, acesso em 20 de abril de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> RAUER. Microconto. In: RIBEIRO, Alciene; RAUER. <strong><em>Minimus &amp; Brev\u00edssimos<\/em><\/strong>. Uberl\u00e2ndia, MG: Editora Pangeia, 2020. [No prelo].<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> De modo similar, nos aforismos, Rauer j\u00e1 anotara que o microconto \u00e9 como \u201co n\u00f3 da rede\u201d, \u201cfra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de um poss\u00edvel narrativo\u201d e \u201cum f\u00f3ton que cont\u00e9m o universo\u201d. \u00c0 frente, retomamos esse aforismo e o citamos na \u00edntegra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> RIBEIRO, Alciene. Em elipse. In: RIBEIRO, Alciene; RAUER. <strong><em>Minimus &amp; Brev\u00edssimos<\/em><\/strong>. Uberl\u00e2ndia, MG: Editora Pangeia, 2020. [No prelo].<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A ARTE DE ESCREVER:<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministra neste semestre, e ministrou, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, ser\u00e3o publicados no Blog da Editora Pangeia ao longo das pr\u00f3ximas semanas e meses. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor incluiu outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>R\u00edzio Macedo Rodrigues<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 Como publicar seu livro<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\">Aula 1<\/a>\u00a0\u2013 Oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\">Aula 2<\/a>\u00a0\u2013 Segredos da fic\u00e7\u00e3o, por Raimundo Carrero<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\">Aula 3<\/a>\u00a0\u2013 Palahniuk: evite verbos de pensamento e outras dicas<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\">Aula 4<\/a>\u00a0\u2013 Quinze escritoras e as min\u00facias da Arte de Escrever<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">Aula 5<\/a>\u00a0\u2013 29 aforismos sobre o microconto<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\">Aula 6<\/a>\u00a0\u2013 Para escrever para\u00a0crian\u00e7as e jovens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\">Aula 7<\/a>\u00a0\u2013 S\u00edntese e concis\u00e3o na escrita do haikai<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\">Aula 8<\/a>\u00a0\u2013 33 dicas de escrita de Hemingway<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\">Aula 9<\/a>\u00a0\u2013 T\u00e9cnica e engenho na escrita para tev\u00ea e cinema<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/\">Aula 10<\/a>\u00a0\u2013 A arte de escrever na vis\u00e3o de Franz Kafka<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-11-stephen-king-as-ferramentas-e-outras-dicas-sensacionais-do-livro-on-writing\/\">Aula 11<\/a>\u00a0\u2013 Ferramentas e dicas de Stephen King<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltamos a um tema j\u00e1 tratado nesta s\u00e9rie, o microconto, veja AQUI, para incorporar a voz de uma pesquisadora do tema, Maisa Cristina Santos,[i] com uma seleta de microcontos definida por mim e pelas pesquisadoras Amanda Lam\u00f4nica, Camila G. 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