{"id":2770,"date":"2019-12-12T18:21:19","date_gmt":"2019-12-12T18:21:19","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=2770"},"modified":"2022-07-01T13:21:51","modified_gmt":"2022-07-01T13:21:51","slug":"remissao-evocacao-reflexao-a-teia-intertexual-de-qohelet-de-rauer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/remissao-evocacao-reflexao-a-teia-intertexual-de-qohelet-de-rauer\/","title":{"rendered":"REMISS\u00c3O, EVOCA\u00c7\u00c3O, REFLEX\u00c3O &#8211; A teia intertextual de QOHELET, de Rauer"},"content":{"rendered":"<p>O escritor mineiro Rauer lan\u00e7ou em 2019 o livro\u00a0 <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, nomeando o poema como \u201cNarrativa L\u00edrica\u201d. O volume saiu\u00a0pela Edi\u00e7\u00f5es Dionysius, selo da Editora Pangeia. Conforme os paratextos contidos na obra, a primeira edi\u00e7\u00e3o do poema\u00a0<strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>\u00a0foi lan\u00e7ada, em edi\u00e7\u00e3o caseira, fora do mercado, em 2006.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong><em>QOHELET<\/em><\/strong><em>,<\/em>\u00a0o leitor visualiza v\u00e1rios temas caracter\u00edsticos da obra de Rauer, dentre eles, a ironia, o\u00a0\u00a0amor, o erotismo, a mundanidade do religioso, a simbiose entre o sacro e o profano, o di\u00e1logo intertextual e, em palimpsesto, autointertextual \u2500 neste caso, com seus outros seis livros j\u00e1 publicados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de primorosa apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, essa edi\u00e7\u00e3o do <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> cont\u00e9m interessante estudo sobre \u201cA presen\u00e7a do Erotismo na escrita de <strong>Qohelet<\/strong>, de Rauer\u201d, assinado por Cris Guzzi, doutora em Estudos Liter\u00e1rios e produtora cultural na \u00e1rea de cinema.<\/p>\n<p>Dividido em tr\u00eas cantos, <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, de Rauer,\u00a0\u00a0dialoga com com os livros b\u00edblicos do \u201cEclesiastes\u201d e do \u201cC\u00e2ntico dos c\u00e2nticos\u201d, do Antigo Testamento; e tamb\u00e9m com diversos autores das mais distintas tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, como Epicuro, S\u00eaneca, Greg\u00f3rio de Matos, Claudio Manoel da Costa, Tom\u00e1s Antonio Gonzaga, Kafka, Hemingway, Carlos Drummond de Andrade e Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa; tamb\u00e9m evoca alguns po\u00e9ticos e sapienciais textos da literatura universal, em sincretismo que poderia n\u00e3o funcionar, mas que o maduro engenho e a estudiosa arte de Rauer logram elevar a alto estatuto narrativo e po\u00e9tico.<\/p>\n<p><strong><em>QOHELET<\/em><\/strong> \u00e9 admir\u00e1vel gra\u00e7as \u00e0 capacidade de condensar o sacro ao profano, o l\u00edrico ao existencial, o extraordin\u00e1rio ao banal, o riso \u00e0 ironia, desvelando a personalidade autoral em poesia que celebra a amarga condi\u00e7\u00e3o do ser e elucida alguns aspectos da complexa dualidade entre o indiv\u00edduo e a sociedade.<\/p>\n<p>L\u00edrica, er\u00f3tica e equilibrada, a narrativa l\u00edrica <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, de Rauer, al\u00e7a voo para al\u00e9m das met\u00e1foras, dos jogos de palavras, das rimas alternadas e dos versos decass\u00edlabos, em <em>terza rima<\/em>, com asson\u00e2ncias internas que amplificam significados, em fus\u00e3o da fanopeia \u00e0 logopeia e \u00e0 melopeia.<\/p>\n<p>Sobre o erotismo, que alia o corpo do poema ao corpo sexualidade das &#8220;<em>personas&#8221;<\/em> em cena, Cris Guzzi comenta que \u00e9 \u201cda for\u00e7a potencializada pela pena do relato que se fez o corpo da escrita de\u00a0<strong>Qohelet<\/strong>\u201d. Dentro das quest\u00f5es relativas ao erotismo e \u00e0 escrita liter\u00e1ria, evidencia-se o qu\u00e3o inovadores e lautos podem ser os estudos oriundos dessa obra de Rauer.<\/p>\n<p>Exploremos uma leitura mais densa e aprofundada de outra vertente: o modo pelo qual Rauer tece, em <strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, uma teia intertextual e de autointertextualidade, em palimpsesto que recobre com a pr\u00f3pria voz uma multid\u00e3o dial\u00f3gica de outras vozes.<\/p>\n<p>Assim, o narrador e o eu-l\u00edrico, ou o eu-po\u00e9tico que se torna narrador pela voz delegada que receba e pela qual se manifesta em discurso direto, faz remiss\u00f5es, evoca\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre a vida, sobre o homem, sobre um espa\u00e7o-tempo modelar que espelha o mundo contempor\u00e2neo, simultaneamente hist\u00f3rico e m\u00edtico, e ao reflexo do referente cria cosmovis\u00e3o peculiar, produz racioc\u00ednio e nos for\u00e7a a pensar em profundidade sobre nossas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p><strong><em>QOHELET<\/em><\/strong>, para al\u00e9m da leitura acad\u00eamica que proponho, no que ali\u00e1s \u00e9 o mais importante, \u00e9 primoroso texto sobre o prazer e sobre a liberdade \u2500 sobre a sabedoria da liberdade e do prazer.<\/p>\n<p>Por isso, ser\u00e1, sempre, uma&#8230;<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><strong>Luciene Lemos de Campos<\/strong><br \/>\nMestre em Estudos Fronteiri\u00e7os,<br \/>\ncom pesquisa em literatura<br \/>\nProfessora na SED \/ MS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor mineiro Rauer lan\u00e7ou em 2019 o livro\u00a0 QOHELET, nomeando o poema como \u201cNarrativa L\u00edrica\u201d. 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