{"id":23234,"date":"2026-09-10T18:11:07","date_gmt":"2026-09-10T21:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=23234"},"modified":"2026-09-10T18:11:07","modified_gmt":"2026-09-10T21:11:07","slug":"haijin-carlos-martins-comenta-haicais-de-lorena-e-jurema-em-imersoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/haijin-carlos-martins-comenta-haicais-de-lorena-e-jurema-em-imersoes\/","title":{"rendered":"Haijin Carlos Martins comenta haicais de Lorena e Jurema em &#8220;Imers\u00f5es&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Martins,\u00a0<em>haijin<\/em> do perfil do FB\u00a0<em>O zen do haicai<\/em>, publicou uma resenha sobre o livro\u00a0<em><strong>Imers\u00f5es no Instante<\/strong><\/em>, que re\u00fane haicais de Lorena Gon\u00e7alves e Jurema Rangel. Reproduzimos abaixo a resenha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;IMERS\u00d5ES NO INSTANTE \u2013 HAICAIS&#8221;<\/strong><br \/>\nde Lorena Gon\u00e7alves e Jurema Rangel<\/p>\n<p>Tenho um costume, compartilhado com a alma vocabular comum dos brasileiros, de usar o diminutivo ao me referir \u00e0s pessoas e \u00e0s coisas. \u201cPasse em casa para tomar um cafezinho.\u201d \u201cO Louquinho do bairro estava andando no meio da rua.\u201d \u201cMe d\u00e1 um minutinho?!\u201d \u201cSim, j\u00e1 j\u00e1, rapidinho!\u201d \u201cO Vozinho do quinto andar \u00e9 t\u00e3o simp\u00e1tico, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>N\u00f3s, os irmanados tupiniquins em Tup\u00e3, expressamos mais que uma resposta a uma necessidade, um deleite por algo ou uma afirma\u00e7\u00e3o social: n\u00f3s as marcamos afetivamente, atenuando e estreitando a comunica\u00e7\u00e3o. Gostamos tanto de suavizar o discurso e acentuar a informalidade que cometemos at\u00e9 o diminutivo duplo, do tipo: \u201cColoque uma pitadinhazinha de sal, e pronto!\u201d<\/p>\n<p>Se eu contasse as vezes em que me referi a um livro de que gostei no diminutivo \u2014 e mesmo na cr\u00edtica, pois, mesmo se ele n\u00e3o for t\u00e3o bom, o diminutivo se presta \u00e0 ironia, do tipo \u201cAh, esse livrinho!&#8230;\u201d \u2014, eu me perderia no registro da contagem. Ali\u00e1s, se tivesse contado, em que milhar estaria este?<\/p>\n<p>Este, este livro que tenho em m\u00e3os, pequeno em formato, mas gigante em conte\u00fado, faz com que lhe caia bem a vestimenta do carinhoso sufixo: livrinho!<\/p>\n<p>Por tudo o que disse at\u00e9 aqui, nem precisaria de mais palavras para afirmar que ele \u00e9 especial, n\u00e3o s\u00f3 para suas autoras, que imprimiram muito amor em suas p\u00e1ginas, al\u00e9m de palavras em tinta. Mas me estendo um pouquinho (olha ele a\u00ed!).<\/p>\n<p>Falo de <em><strong>Imers\u00f5es no instante: haicais<\/strong><\/em> (Campinas, SP: Pangeia Editora, 2026), das poetas Lorena Gon\u00e7alves e Jurema Rangel: um livrinho porreta \u2014 outra maneira carinhosa, desta vez regional, de acentuar algo excepcionalmente bom \u2014 que acabei de folhear.<\/p>\n<p>Em formato quase de bolso \u2014 ou, dependendo do bolso, de bolso! \u2014, no tamanho de 11 \u00d7 18 cm, ele carrega, em seus haicais, um universo de interpreta\u00e7\u00f5es, pois um haicai tem tantos sentidos quantos forem os seus leitores. E os haicais deste n\u00e3o decepcionam.<\/p>\n<p>Lorena e Jurema alternam-se na autoria, como marolas em mar de primavera, silenciosa e suavemente visitando os quatro elementos com que dividem os cap\u00edtulos do livrinho \u2014 e do esp\u00edrito de seu conte\u00fado.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201cTerra\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">casa abandonada \u2014<br \/>\ns\u00f3 o jardim de amar\u00edlis<br \/>\ncintila ao sol<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2014 J. R.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201c\u00c1gua\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">leveza de outono \u2014<br \/>\nfr\u00e1geis flores acolhem<br \/>\nserenas got\u00edculas<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2014 L. G.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201cAr\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">aragem da tarde \u2014<br \/>\no cantar dos passarinhos<br \/>\nserena a tristeza<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2014 J. R.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201cFogo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">olhares se tocam<br \/>\nno aconchego da lareira \u2014<br \/>\nsussurros \u00e0 noite<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2014 L. G.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por fim, mesmo sendo clich\u00ea, mas n\u00e3o menos importante, temos, no in\u00edcio, o saboroso e inspirado pref\u00e1cio de George Goldberg, um dos mais talentosos haica\u00edstas da atualidade, que aumenta ainda mais a import\u00e2ncia deste livro para a cena haica\u00edsta brasileira, lembrando-nos que \u201cCada haikai \u00e9 uma porta que se abre, e o leitor \u00e9 convidado a atravess\u00e1-la com passos leves e sentidos atentos\u201d.<\/p>\n<p>Com base nesses recortes, pergunto: menti quando afirmei que <strong><em>Imers\u00f5es<\/em><\/strong>&#8230; \u00e9 pequeninozinho em formato, mas cicl\u00f3pico em conte\u00fado?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Carlos Martins<br \/>\n@carlosmartinshaicai<br \/>\nOriginalmente\u00a0 publicado no Facebook<br \/>\ndo <em>Grupo Zen do Haicai<\/em> em 22\/06\/26<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conhe\u00e7a detalhes do livro<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=Imers%C3%B5es\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #ff0000;\"><strong>CLICANDO AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Martins,\u00a0haijin do perfil do FB\u00a0O zen do haicai, publicou uma resenha sobre o livro\u00a0Imers\u00f5es no Instante, que re\u00fane haicais de Lorena Gon\u00e7alves e Jurema Rangel. 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