{"id":22468,"date":"2026-07-08T16:23:08","date_gmt":"2026-07-08T16:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=22468"},"modified":"2026-07-08T20:04:20","modified_gmt":"2026-07-08T20:04:20","slug":"marcio-garrit-ilusao-coletiva-psicanalise-e-manipulacao-das-massas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/marcio-garrit-ilusao-coletiva-psicanalise-e-manipulacao-das-massas\/","title":{"rendered":"Marcio Garrit: Ilus\u00e3o coletiva, psican\u00e1lise e manipula\u00e7\u00e3o das massas"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><b>Marcio Garrit \u00e9 autor de <i>Ilus\u00e3o Coletiva: Psican\u00e1lise, massas digitais e ciberpopulismo<\/i><\/b><\/p>\n<div class=\"media-embedded\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"XaJHtvMDyY\"><p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ilusao-coletiva-psicanalise-massas-digitais-e-ciberpopulismo\/\">ILUSA\u0303O COLETIVA: Psicana\u0301lise, Massas Digitais e Ciberpopulismo, Marcio Garrit<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;ILUSA\u0303O COLETIVA: Psicana\u0301lise, Massas Digitais e Ciberpopulismo, Marcio Garrit&#8221; &#8212; Editora Pangeia\" src=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ilusao-coletiva-psicanalise-massas-digitais-e-ciberpopulismo\/embed\/#?secret=3zrFxzyBRo#?secret=XaJHtvMDyY\" data-secret=\"XaJHtvMDyY\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/div>\n<p><b>Quem \u00e9 Marcio Garrit e qual foi o percurso que o levou \u00e0 escrita deste livro?<br \/>\n<\/b>Sou psicanalista, professor e pesquisador. Meu primeiro contato com a psican\u00e1lise aconteceu pela via da minha pr\u00f3pria an\u00e1lise, em 2005. Paralelamente, cursei Filosofia e foi justamente o encontro entre Freud e alguns pensadores que admiro, especialmente Schopenhauer, que despertou em mim um interesse ainda maior pela psican\u00e1lise. Desde ent\u00e3o, uma quest\u00e3o passou a me acompanhar: qual \u00e9 o lugar da psican\u00e1lise no s\u00e9culo XXI? Quando entrei nesse campo, j\u00e1 se falava de uma suposta &#8220;crise da psican\u00e1lise&#8221;. Frequentemente escutava que ela teria dificuldade para dialogar com as transforma\u00e7\u00f5es culturais contempor\u00e2neas ou que permaneceria excessivamente vinculada aos problemas do s\u00e9culo XX. Essa inquieta\u00e7\u00e3o acabou se tornando um dos principais motores da minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional.<br \/>\nDiferentemente de muitos analistas que tiveram seu encontro com a psican\u00e1lise em um mundo anterior \u00e0 internet, \u00e0s redes sociais e aos algoritmos, minha forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 aconteceu em pleno s\u00e9culo XXI. Talvez por isso eu tenha me interessado tanto pelos fen\u00f4menos contempor\u00e2neos e pelos desafios que eles imp\u00f5em \u00e0 teoria e \u00e0 cl\u00ednica psicanal\u00edticas.<br \/>\nFoi desse interesse que nasceram minhas pesquisas de mestrado e doutorado. No mestrado, em Psican\u00e1lise, Sa\u00fade, Cultura e Sociedade pela Universidade Veiga de Almeida, e no doutorado em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC-Rio, dediquei-me a investigar transforma\u00e7\u00f5es culturais e seus efeitos sobre a subjetividade, o la\u00e7o social e a pr\u00f3pria psican\u00e1lise.<br \/>\nAtualmente, sou membro da SPID-RJ (Sociedade de Psican\u00e1lise Iracy Doyle), atuo na cl\u00ednica com atendimento e supervis\u00e3o, e desenvolvo atividades de ensino e pesquisa. O livro <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i> \u00e9 resultado desse percurso. Ele nasce da tentativa de compreender alguns dos fen\u00f4menos mais marcantes do nosso tempo, especialmente aqueles relacionados \u00e0s massas digitais, aos algoritmos, \u00e0s novas formas de lideran\u00e7a e aos impactos dessas transforma\u00e7\u00f5es sobre a vida ps\u00edquica e social.<\/p>\n<p><b>Como surgiu a ideia de escrever &#8220;Ilus\u00e3o Coletiva&#8221;?<\/b><br \/>\nA ideia de escrever <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i> nasceu de uma inquieta\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica: a sensa\u00e7\u00e3o de estar assistindo, em tempo real, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novos fen\u00f4menos de massa. Uma coisa \u00e9 estudar acontecimentos hist\u00f3ricos. Podemos ler sobre o nazismo, os grandes movimentos pol\u00edticos do s\u00e9culo XX ou as an\u00e1lises que Freud fez das massas em seu tempo. Outra coisa completamente diferente \u00e9 viver uma \u00e9poca em que um fen\u00f4meno semelhante est\u00e1 acontecendo diante dos seus olhos.<br \/>\nFoi exatamente essa sensa\u00e7\u00e3o que tive ao observar, ao longo dos \u00faltimos anos, o surgimento de novas formas de lideran\u00e7a e pertencimento mediadas pelas tecnologias digitais. De um lado, o crescimento dos influenciadores digitais como novos lugares de identifica\u00e7\u00e3o e autoridade. De outro, o fortalecimento de lideran\u00e7as pol\u00edticas que encontraram nas redes sociais um meio privilegiado para mobilizar, organizar e influenciar grandes grupos de pessoas.<br \/>\nO que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi apenas a exist\u00eancia dessas lideran\u00e7as, mas a maneira como elas se constitu\u00edam. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, passamos a viver em um ambiente profundamente atravessado por algoritmos, plataformas digitais, hiperpersonaliza\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o constante. Isso alterou n\u00e3o apenas a circula\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a forma como os indiv\u00edduos se relacionam com grupos, l\u00edderes e ideais.<br \/>\nA pergunta que come\u00e7ou a me perseguir foi simples: o que mudou desde a publica\u00e7\u00e3o de <i>Psicologia das Massas e An\u00e1lise do Eu<\/i>, de Freud, em 1921? Quais elementos existem hoje que Freud n\u00e3o poderia ter considerado porque simplesmente n\u00e3o existiam? Como pensar as massas quando elas passam a ser organizadas e potencializadas por tecnologias digitais?<br \/>\nO livro nasce dessa tentativa de compreender o presente. Ele procura investigar como algoritmos, redes sociais, influenciadores e lideran\u00e7as populistas participam da forma\u00e7\u00e3o de novas massas e de novas formas de v\u00ednculo social. Em \u00faltima an\u00e1lise, trata-se de uma tentativa de responder a um desafio que o pr\u00f3prio Freud considerava fundamental: desenvolver instrumentos te\u00f3ricos capazes de compreender os fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos de cada \u00e9poca. Se consegui ou n\u00e3o, deixo essa avalia\u00e7\u00e3o para os leitores.<\/p>\n<p><b>O que voc\u00ea chama de &#8220;ilus\u00e3o coletiva&#8221; e por que esse conceito \u00e9 importante para compreender o mundo atual?<\/b><br \/>\nQuando falo em ilus\u00e3o coletiva, estou falando do conceito central do livro. Mas antes precisamos entender uma coisa importante. Quando as pessoas escutam a palavra ilus\u00e3o, normalmente pensam em mentira, engano ou falta de intelig\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 disso que estou falando. Freud j\u00e1 havia mostrado que a ilus\u00e3o \u00e9 algo muito mais complexo. Ela surge quando a realidade se torna dif\u00edcil demais de suportar. Em muitos casos, a ilus\u00e3o n\u00e3o aparece porque a pessoa desconhece os fatos. Ela aparece porque os fatos, sozinhos, n\u00e3o resolvem o sofrimento, a ang\u00fastia ou o desamparo. \u00c9 por isso que eu costumo dizer que nenhuma ilus\u00e3o \u00e9 derrotada apenas por argumentos. Se fosse assim, bastaria apresentar provas, documentos ou evid\u00eancias e todos mudariam de ideia imediatamente. Claramente n\u00e3o \u00e9 isso que acontece.<br \/>\nO que procuro mostrar no livro \u00e9 que, no s\u00e9culo XXI, esse fen\u00f4meno ganhou uma pot\u00eancia in\u00e9dita. As ilus\u00f5es deixaram de ser apenas constru\u00e7\u00f5es individuais e passaram a ser organizadas, compartilhadas e fortalecidas coletivamente por meio das tecnologias digitais. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, temos sistemas capazes de conectar milh\u00f5es de pessoas em torno das mesmas cren\u00e7as, das mesmas interpreta\u00e7\u00f5es da realidade e, muitas vezes, dos mesmos inimigos. Isso n\u00e3o cria a ilus\u00e3o do nada. Mas cria condi\u00e7\u00f5es para que ela se fortale\u00e7a numa velocidade e numa escala que nunca vimos antes. Talvez seja por isso que fatos, evid\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es pare\u00e7am cada vez menos eficazes em determinados contextos. Muitas vezes n\u00e3o estamos discutindo informa\u00e7\u00f5es. Estamos discutindo necessidades ps\u00edquicas profundas.<br \/>\nNo fundo, a pergunta que me acompanha \u00e9 simples e perturbadora ao mesmo tempo: o que acontece com uma sociedade quando suas ilus\u00f5es passam a ser alimentadas continuamente por tecnologias que funcionam vinte e quatro horas por dia? Foi tentando responder essa pergunta que escrevi <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i>.<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a principal tese defendida em &#8220;Ilus\u00e3o Coletiva&#8221;?<\/b><br \/>\nSe eu tivesse que resumir a principal hip\u00f3tese de <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i>, diria que o livro investiga como antigas formas de massa, lideran\u00e7a e submiss\u00e3o retornam no s\u00e9culo XXI em uma nova paisagem: a paisagem digital. Freud j\u00e1 havia percebido algo decisivo: o ser humano n\u00e3o se guia apenas pela raz\u00e3o. Ele busca prote\u00e7\u00e3o, pertencimento, reconhecimento e l\u00edderes capazes de oferecer algum sentido diante do desamparo. Essa quest\u00e3o continua viva. O que mudou foi o ambiente em que ela acontece.<br \/>\nHoje, n\u00e3o estamos mais falando apenas de multid\u00f5es reunidas em pra\u00e7as, igrejas, ex\u00e9rcitos ou partidos. Estamos falando de massas formadas tamb\u00e9m por algoritmos, redes sociais, intelig\u00eancia artificial, bolhas digitais, influenciadores e lideran\u00e7as populistas capazes de alcan\u00e7ar milh\u00f5es de pessoas pela tela de um celular. O livro tenta mostrar como essa transforma\u00e7\u00e3o altera a forma como os sujeitos se ligam a ideias, grupos e l\u00edderes. A ilus\u00e3o coletiva, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas uma cren\u00e7a compartilhada. Ela passa a ser organizada, refor\u00e7ada e acelerada por dispositivos digitais.<br \/>\nEnt\u00e3o, mais do que defender uma \u00fanica tese fechada, o livro constr\u00f3i uma pergunta que considero urgente: o que acontece com o psiquismo e com o la\u00e7o social quando nossas ilus\u00f5es passam a ser alimentadas por m\u00e1quinas, plataformas e algoritmos? \u00c9 nessa pergunta que o livro se sustenta.<\/p>\n<p><b>O que mudou nas massas contempor\u00e2neas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s massas estudadas por Freud h\u00e1 mais de cem anos?<\/b><br \/>\nEssa pergunta pode ser respondida de uma forma aparentemente contradit\u00f3ria: tudo mudou e, ao mesmo tempo, nada mudou!<br \/>\nO que n\u00e3o mudou \u00e9 o ser humano. Continuamos buscando pertencimento, reconhecimento, prote\u00e7\u00e3o e alguma forma de seguran\u00e7a diante das incertezas da vida. As necessidades ps\u00edquicas fundamentais que interessavam a Freud continuam presentes. Mas tudo mudou ao redor desse sujeito. Freud escreveu sobre massas em um mundo sem internet, sem redes sociais, sem intelig\u00eancia artificial e sem algoritmos. O l\u00edder da sua \u00e9poca precisava de um partido, uma igreja, um ex\u00e9rcito, um jornal ou um palanque para alcan\u00e7ar as multid\u00f5es. Hoje, o l\u00edder saiu do palanque e entrou no celular.<br \/>\nEssa talvez seja uma das maiores transforma\u00e7\u00f5es do \u00faltimo s\u00e9culo. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, lideran\u00e7as podem acompanhar milh\u00f5es de pessoas diariamente, atravessando fronteiras geogr\u00e1ficas, pol\u00edticas e culturais. Elas n\u00e3o aparecem apenas em momentos espec\u00edficos. Est\u00e3o presentes o tempo todo, produzindo identifica\u00e7\u00e3o, pertencimento e influ\u00eancia de maneira cont\u00ednua. Mas n\u00e3o foram apenas os l\u00edderes que mudaram. As pr\u00f3prias massas mudaram. Os algoritmos passaram a selecionar informa\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ar cren\u00e7as, aproximar pessoas com vis\u00f5es semelhantes e acelerar processos de identifica\u00e7\u00e3o coletiva. O resultado \u00e9 que as massas contempor\u00e2neas podem ser formadas com uma velocidade, uma escala e uma intensidade que Freud jamais poderia ter imaginado.<br \/>\nPor isso, minha hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 que Freud tenha ficado ultrapassado. Pelo contr\u00e1rio. Os mecanismos fundamentais descritos por ele continuam presentes. O que mudou foi o ambiente em que eles operam. E \u00e9 justamente essa transforma\u00e7\u00e3o, a passagem das massas do s\u00e9culo XX para as massas digitais do s\u00e9culo XXI, que procuro investigar ao longo do livro.<\/p>\n<p><b>Como algoritmos, redes sociais e intelig\u00eancia artificial participam hoje da forma\u00e7\u00e3o das massas digitais?<\/b><br \/>\nAntes de responder, gosto de deixar uma coisa clara. Meu interesse n\u00e3o est\u00e1 em entender como um algoritmo \u00e9 programado ou como uma intelig\u00eancia artificial funciona tecnicamente. Existem profissionais muito mais preparados do que eu para falar sobre isso. A pergunta que me interessa \u00e9 outra. O que acontece com o ser humano quando ele passa a viver dentro desses ambientes? Porque \u00e9 exatamente isso que est\u00e1 acontecendo. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, vivemos em um mundo onde sistemas digitais observam nossos h\u00e1bitos, registram nossas prefer\u00eancias, acompanham nossos comportamentos e aprendem continuamente sobre n\u00f3s. N\u00e3o estou dizendo que existe uma conspira\u00e7\u00e3o escondida atr\u00e1s da tela. Estou dizendo algo talvez mais inquietante: esses sistemas se tornaram parte da nossa vida cotidiana. Eles participam daquilo que lemos, assistimos, consumimos, desejamos e at\u00e9 das pessoas com quem concordamos ou brigamos. O resultado \u00e9 que o sujeito passa a encontrar cada vez mais daquilo que j\u00e1 pensa, j\u00e1 acredita e j\u00e1 deseja. Quanto mais isso acontece, mais dif\u00edcil se torna o encontro com aquilo que o contradiz. Freud j\u00e1 sabia que o ser humano busca pertencimento, prote\u00e7\u00e3o, reconhecimento e sentido. Isso existia muito antes da internet. O que mudou \u00e9 que agora existem tecnologias capazes de potencializar essas buscas numa escala in\u00e9dita. Por isso, ao longo da pesquisa, fui percebendo que a pergunta mais importante n\u00e3o era o que os algoritmos fazem com os nossos dados. A pergunta era outra. O que eles est\u00e3o fazendo conosco? E confesso que essa pergunta continua me inquietando at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><b>O livro dialoga com fen\u00f4menos como influencers, polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e populismo digital. O que existe em comum entre eles?<\/b><br \/>\nO que existe em comum entre influencers, populistas e outras lideran\u00e7as digitais \u00e9 menos o conte\u00fado que defendem e mais a fun\u00e7\u00e3o que ocupam na vida das pessoas. Todos eles oferecem alguma forma de orienta\u00e7\u00e3o em um mundo cada vez mais confuso. Vivemos uma \u00e9poca marcada por excesso de informa\u00e7\u00e3o, excesso de escolhas, excesso de opini\u00f5es e pouca estabilidade. Nesse cen\u00e1rio, figuras capazes de oferecer respostas r\u00e1pidas, certezas e pertencimento tornam-se extremamente atraentes. \u00c9 por isso que uma das hip\u00f3teses do livro \u00e9 que estamos assistindo a uma profunda transforma\u00e7\u00e3o das formas de lideran\u00e7a. O l\u00edder do s\u00e9culo XX falava para uma multid\u00e3o reunida em uma pra\u00e7a. O l\u00edder do s\u00e9culo XXI acompanha o sujeito no bolso. Ele est\u00e1 no celular quando acordamos, durante o almo\u00e7o, no trajeto para o trabalho e antes de dormir. Nunca estivemos t\u00e3o pr\u00f3ximos dos nossos l\u00edderes. E talvez nunca eles tenham estado t\u00e3o pr\u00f3ximos de n\u00f3s. Isso vale para a pol\u00edtica, mas n\u00e3o apenas para a pol\u00edtica. Muitos influenciadores digitais, mesmo quando falam de comportamento, finan\u00e7as, sa\u00fade ou entretenimento, acabam ocupando um lugar semelhante: tornam-se refer\u00eancias para interpretar o mundo, orientar decis\u00f5es e organizar formas de pertencimento.<br \/>\nNo fundo, a quest\u00e3o que me interessa n\u00e3o \u00e9 se estamos falando de um pol\u00edtico, de um influenciador ou de uma celebridade digital. A quest\u00e3o \u00e9 outra. O que acontece com uma sociedade quando milh\u00f5es de pessoas passam a carregar seus l\u00edderes no bolso e consult\u00e1-los diariamente sobre como pensar, agir e viver?<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Muitos autores afirmam que estamos vivendo uma crise da verdade. Como sua pesquisa enxerga esse fen\u00f4meno?<\/b><br \/>\nCostumo dizer que o problema talvez n\u00e3o seja uma crise da verdade. O problema \u00e9 que a verdade nunca foi o principal motor das massas. Essa \u00e9 uma das grandes descobertas de Freud e continua sendo uma das mais desconfort\u00e1veis. As pessoas n\u00e3o se organizam coletivamente em torno daquilo que \u00e9 verdadeiro. Elas se organizam em torno daquilo que lhes oferece pertencimento, prote\u00e7\u00e3o, esperan\u00e7a e sentido. \u00c9 justamente por isso que fatos, documentos, imagens e evid\u00eancias muitas vezes parecem ter t\u00e3o pouca for\u00e7a diante de determinadas cren\u00e7as. Quando uma ideia passa a ocupar uma fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica importante, ela deixa de ser apenas uma opini\u00e3o. Ela se transforma em uma necessidade.<br \/>\nO que a minha pesquisa sugere \u00e9 que as tecnologias digitais ampliaram enormemente esse processo. Nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil encontrar pessoas que pensam como n\u00f3s, refor\u00e7ar nossas convic\u00e7\u00f5es e construir comunidades inteiras em torno de uma mesma vis\u00e3o de mundo. Nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil transformar uma cren\u00e7a em identidade. O resultado \u00e9 curioso. Vivemos em uma \u00e9poca que produz mais informa\u00e7\u00e3o do que qualquer outra na hist\u00f3ria e, ao mesmo tempo, assistimos ao fortalecimento de fen\u00f4menos que parecem cada vez menos dependentes dos fatos. N\u00e3o porque as pessoas sejam menos inteligentes do que antes, mas porque estamos lidando com processos que operam em um n\u00edvel mais profundo do que a simples racionalidade.<br \/>\nTalvez a pergunta mais importante n\u00e3o seja: &#8220;Por que as pessoas acreditam em coisas falsas?&#8221;<br \/>\nTalvez a pergunta seja: &#8220;O que determinadas cren\u00e7as oferecem que as torna t\u00e3o dif\u00edceis de abandonar?&#8221; <span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>A psican\u00e1lise ainda tem algo relevante a dizer sobre tecnologia, algoritmos e intelig\u00eancia artificial?<\/b><br \/>\nEu acredito que a psican\u00e1lise tem muito a dizer sobre tecnologia, algoritmos e intelig\u00eancia artificial. O problema \u00e9 que, muitas vezes, ela n\u00e3o diz. Uma das coisas que mais me inquietam \u00e9 a tend\u00eancia de parte do campo psicanal\u00edtico a permanecer excessivamente voltado para os problemas do s\u00e9culo XX. Como se tudo o que havia de importante para ser pensado sobre o humano j\u00e1 tivesse sido formulado pelos grandes autores do passado. Eu penso exatamente o contr\u00e1rio.<br \/>\nSe Freud estivesse vivo hoje, dificilmente estaria apenas repetindo Freud. Provavelmente estaria tentando compreender os fen\u00f4menos que atravessam a cultura contempor\u00e2nea. Foi isso que ele fez durante toda a sua obra: observar o seu tempo e construir ferramentas para pens\u00e1-lo. Por isso, acredito que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 saber se a psican\u00e1lise tem algo a dizer sobre intelig\u00eancia artificial, algoritmos ou redes sociais. A quest\u00e3o \u00e9 saber se n\u00f3s, psicanalistas, estamos dispostos a construir as pontes conceituais necess\u00e1rias para compreender esses fen\u00f4menos.<br \/>\nAfinal, as formas de comunica\u00e7\u00e3o mudaram. As lideran\u00e7as mudaram. As massas mudaram. Mas o sofrimento humano continua existindo. Os conflitos ps\u00edquicos continuam existindo. O desejo, a ang\u00fastia, o desamparo, a busca por pertencimento e os processos de identifica\u00e7\u00e3o continuam existindo. Quem melhor do que a psican\u00e1lise para investigar essas quest\u00f5es? Talvez o verdadeiro risco para a psican\u00e1lise n\u00e3o seja a intelig\u00eancia artificial, os algoritmos ou as novas tecnologias. Talvez o maior risco seja o desinteresse em compreender o mundo que est\u00e1 surgindo diante dos nossos olhos.<br \/>\nDe certa forma, <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i> nasceu justamente dessa inquieta\u00e7\u00e3o. O livro \u00e9 uma tentativa de colocar a psican\u00e1lise para conversar com alguns dos fen\u00f4menos mais importantes do s\u00e9culo XXI sem abandonar Freud, mas tamb\u00e9m sem transform\u00e1-lo em uma pe\u00e7a de museu.<\/p>\n<p><b>Qual foi a descoberta mais surpreendente ou inesperada que surgiu ao longo da pesquisa?<\/b><br \/>\nA descoberta mais surpreendente foi dupla. A primeira foi perceber o quanto ainda existe espa\u00e7o para pesquisa nesse campo. Quando comecei a investigar a rela\u00e7\u00e3o entre psican\u00e1lise, massas digitais, algoritmos e novas formas de lideran\u00e7a, imaginei encontrar uma produ\u00e7\u00e3o muito mais extensa do que encontrei. H\u00e1 trabalhos importantes, sem d\u00favida, mas me surpreendeu a quantidade de perguntas que ainda permanecem abertas. Talvez isso aconte\u00e7a porque estamos tentando compreender fen\u00f4menos muito recentes. Estamos falando de transforma\u00e7\u00f5es que ainda est\u00e3o acontecendo. Em certa medida, estamos tentando pensar um mundo que ainda n\u00e3o terminou de nascer.<br \/>\nMas a segunda descoberta foi ainda mais surpreendente. Ao longo da pesquisa, percebi o quanto Freud continua atual. E isso me produziu uma sensa\u00e7\u00e3o amb\u00edgua. Por um lado, \u00e9 impressionante observar a pot\u00eancia de conceitos formulados h\u00e1 mais de cem anos. Por outro, \u00e9 inquietante perceber que muitos dos problemas que ele identificou continuam entre n\u00f3s. As massas continuam existindo. Os processos de identifica\u00e7\u00e3o continuam existindo. A submiss\u00e3o a l\u00edderes continua existindo. A busca por prote\u00e7\u00e3o, pertencimento e sentido continua existindo.<br \/>\nO que mudou foi o cen\u00e1rio. Hoje esses fen\u00f4menos operam em um ambiente digital, atravessado por algoritmos, plataformas e novas formas de influ\u00eancia. Mas as quest\u00f5es fundamentais continuam surpreendentemente vivas.<br \/>\nTalvez a maior descoberta do livro tenha sido justamente essa: o s\u00e9culo XXI trouxe problemas in\u00e9ditos, mas tamb\u00e9m revelou que algumas perguntas fundamentais sobre o ser humano permanecem sem resposta.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Que tipo de leitor voc\u00ea imagina que poder\u00e1 se interessar por este livro?<\/b><br \/>\nA primeira resposta que me vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9: pessoas inquietas.<br \/>\nClaro que imagino que psicanalistas, psic\u00f3logos, pesquisadores e estudantes interessados na contemporaneidade encontrar\u00e3o muitos pontos de interesse no livro. Mas, sinceramente, n\u00e3o escrevi <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i> apenas para especialistas. O livro nasceu de perguntas que atravessam praticamente qualquer pessoa que esteja tentando entender o mundo em que vive.<br \/>\nPor que estamos cada vez mais polarizados? Como l\u00edderes conseguem mobilizar multid\u00f5es de forma t\u00e3o intensa? O que mudou nas rela\u00e7\u00f5es humanas com a chegada das redes sociais? Por que determinados discursos parecem t\u00e3o sedutores? Como os algoritmos participam da constru\u00e7\u00e3o das nossas cren\u00e7as e das nossas formas de pertencimento?<br \/>\nEssas quest\u00f5es n\u00e3o pertencem apenas \u00e0 psican\u00e1lise. Elas pertencem \u00e0 vida contempor\u00e2nea. Por isso, acredito que o livro pode interessar tanto ao leitor que j\u00e1 possui familiaridade com a psican\u00e1lise quanto \u00e0quele que simplesmente percebe que algo importante est\u00e1 acontecendo na cultura e deseja compreender melhor esse processo. Talvez o leitor ideal seja justamente aquele que olha para o mundo atual e sente que as explica\u00e7\u00f5es habituais j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Algu\u00e9m que percebe que existe algo novo acontecendo nas rela\u00e7\u00f5es entre tecnologia, pol\u00edtica, subjetividade e vida coletiva, mas ainda n\u00e3o encontrou uma forma satisfat\u00f3ria de pensar tudo isso. Se esse inc\u00f4modo existir, h\u00e1 uma boa chance de que este livro tenha sido escrito para ele.<\/p>\n<p><b>O que voc\u00ea espera que permane\u00e7a com o leitor ap\u00f3s o t\u00e9rmino da leitura?<\/b><br \/>\nA inquieta\u00e7\u00e3o. Se o leitor for psicanalista, espero que termine o livro com a sensa\u00e7\u00e3o de que ainda temos muito trabalho pela frente. A psican\u00e1lise nasceu para pensar o seu tempo, e acredito que ela corre riscos quando se afasta dos fen\u00f4menos que est\u00e3o transformando a cultura contempor\u00e2nea. Gostaria que o livro funcionasse como um convite para continuarmos construindo pontes entre a tradi\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica e os desafios do s\u00e9culo XXI. Mas essa inquieta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos psicanalistas.<br \/>\nSe o leitor n\u00e3o vier da psican\u00e1lise, espero que passe a olhar para o mundo digital de uma maneira um pouco diferente. N\u00e3o porque a tecnologia seja necessariamente boa ou ruim, mas porque ela se tornou uma das principais for\u00e7as organizadoras da vida contempor\u00e2nea. Trabalhamos por meio dela, nos informamos por meio dela, nos relacionamos por meio dela e, muitas vezes, constru\u00edmos nossa vis\u00e3o de mundo por meio dela. Talvez o principal efeito que eu gostaria de provocar seja este: fazer com que o leitor perceba que a rela\u00e7\u00e3o entre seres humanos, tecnologia, lideran\u00e7a, pol\u00edtica e desejo \u00e9 muito mais complexa do que normalmente imaginamos.<br \/>\nSe, ao final da leitura, algu\u00e9m olhar para uma rede social, para um influenciador, para um movimento pol\u00edtico ou at\u00e9 mesmo para si pr\u00f3prio e se perguntar &#8220;o que est\u00e1 acontecendo aqui?&#8221;, ent\u00e3o o livro j\u00e1 ter\u00e1 cumprido uma parte importante do seu papel. Porque, no fundo, <i>Ilus\u00e3o Coletiva<\/i> n\u00e3o foi escrito para encerrar discuss\u00f5es. Foi escrito para abrir perguntas.<\/p>\n<p><b>Gostaria de deixar alguns agradecimentos?<\/b><br \/>\nSim, certamente.<br \/>\nA primeira coisa que gostaria de dizer \u00e9 que este livro n\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o da minha tese de doutorado. Na verdade, ele \u00e9 um aprofundamento dela. Depois da defesa, muitas ideias foram revistas, outras ampliadas e algumas surgiram justamente a partir das inquieta\u00e7\u00f5es que permaneceram abertas.<br \/>\nPor isso, este livro representa mais um passo de uma pesquisa que ainda est\u00e1 em andamento. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que participaram desse percurso. N\u00e3o vou citar nomes porque correria o risco de esquecer algu\u00e9m e cometer uma injusti\u00e7a. Mas sou profundamente grato aos que, ao longo dos anos, ajudaram a construir muitas das perguntas que aparecem neste livro.<br \/>\nTamb\u00e9m agrade\u00e7o \u00e0 Editora Pangeia pela confian\u00e7a no projeto e pela oportunidade de coloc\u00e1-lo em circula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE, por fim, agrade\u00e7o a todas as pessoas que acompanham meu trabalho. O livro n\u00e3o nasce isolado. Ele faz parte de uma trajet\u00f3ria de pesquisa, cl\u00ednica, ensino e di\u00e1logo que j\u00e1 dura muitos anos. Escrever \u00e9 uma atividade solit\u00e1ria. Pensar n\u00e3o. E este livro s\u00f3 existe porque muitas pessoas pensaram comigo ao longo do caminho.<\/p>\n<p><b>Para encerrar, deixe uma mensagem aos leitores.<\/b><br \/>\nGostaria de convidar os leitores a se aproximarem do livro com curiosidade. Embora a obra tenha origem em uma pesquisa acad\u00eamica, ela foi escrita para dialogar com quest\u00f5es que atravessam a vida de todos n\u00f3s. Afinal, estamos falando de temas que fazem parte do nosso cotidiano: redes sociais, algoritmos, influenciadores, polariza\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7as digitais e as transforma\u00e7\u00f5es que tudo isso vem produzindo na forma como pensamos, nos relacionamos e compreendemos o mundo.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser psicanalista para acompanhar a leitura. Meu objetivo foi construir uma reflex\u00e3o acess\u00edvel sem abrir m\u00e3o da profundidade que o tema exige. Mais do que apresentar respostas definitivas, o livro procura formular perguntas. Algumas delas podem parecer desconfort\u00e1veis: por que acreditamos no que acreditamos? Como nos tornamos t\u00e3o influenci\u00e1veis? O que mudou nas rela\u00e7\u00f5es entre tecnologia, poder e subjetividade? E quais s\u00e3o os efeitos disso sobre nossas vidas?<br \/>\nMeu convite \u00e9 simples: leia o livro e compare suas ideias com aquilo que voc\u00ea v\u00ea acontecendo ao seu redor todos os dias. Se ao final da leitura voc\u00ea olhar para o mundo digital, para os fen\u00f4menos pol\u00edticos e para as rela\u00e7\u00f5es humanas com mais perguntas do que tinha antes, ent\u00e3o a conversa ter\u00e1 valido a pena.<br \/>\nBoa leitura.<\/p>\n<p>Acesse o livro clicando no link abaixo:<\/p>\n<div class=\"media-embedded\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"XaJHtvMDyY\"><p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ilusao-coletiva-psicanalise-massas-digitais-e-ciberpopulismo\/\">ILUSA\u0303O COLETIVA: Psicana\u0301lise, Massas Digitais e Ciberpopulismo, Marcio Garrit<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;ILUSA\u0303O COLETIVA: Psicana\u0301lise, Massas Digitais e Ciberpopulismo, Marcio Garrit&#8221; &#8212; Editora Pangeia\" src=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/ilusao-coletiva-psicanalise-massas-digitais-e-ciberpopulismo\/embed\/#?secret=3zrFxzyBRo#?secret=XaJHtvMDyY\" data-secret=\"XaJHtvMDyY\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcio Garrit \u00e9 autor de Ilus\u00e3o Coletiva: Psican\u00e1lise, massas digitais e ciberpopulismo ILUSA\u0303O COLETIVA: Psicana\u0301lise, Massas Digitais e Ciberpopulismo, Marcio Garrit Quem \u00e9 Marcio Garrit e qual foi o percurso que o levou \u00e0 escrita deste livro? Sou psicanalista, professor e pesquisador. Meu primeiro contato com a psican\u00e1lise aconteceu pela via da minha pr\u00f3pria an\u00e1lise,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":592,"featured_media":22511,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5689],"tags":[],"class_list":["post-22468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papo-da-semana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/592"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22468"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22721,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468\/revisions\/22721"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}