{"id":21607,"date":"2026-05-06T15:00:43","date_gmt":"2026-05-06T15:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=21607"},"modified":"2026-05-06T15:59:26","modified_gmt":"2026-05-06T15:59:26","slug":"semeando-entrevistas-com-escritores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/semeando-entrevistas-com-escritores\/","title":{"rendered":"Semeando Entrevistas com Escritores"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><strong>ENTREVISTA:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><strong>A OUTRA VOZ APROPRIADA<br \/>\nPARA QUEM QUISER FALAR<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Stefania Chiarelli (UFF)<\/strong><br \/>\n<strong>Mireille Garcia (Sorbonne)<\/strong><br \/>\n<strong>Andr\u00e9 Dias (UFF)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><em><strong>Sobre a palavra \u2013 conversas com quem escreve<\/strong><\/em><span class=\"s1\">, se com<\/span>p\u00f5e de uma s\u00e9rie de entrevistas com escritores e escritoras da literatura brasileira contempor\u00e2nea. A partir da reflex\u00e3o de autores e autoras experientes, e tamb\u00e9m de ficcionistas estreantes, as trocas delineiam um panorama da prosa atual, em suas diversas linhagens e vertentes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Do consagrado escritor Milton Hatoum a autores estreantes como Odorico Leal, de premiadas escritoras como Micheliny Verunschk a jovens autoras como Elisabeth Cardoso, o painel apresentado abarca vozes distintas e trajet\u00f3rias muito diversas. A uni-las, o gesto de escrever e publicar prosa no Brasil do tempo presente.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Baixe gratuitamente este livro<\/strong><br \/>\n<strong>na Loja da Pangeia:<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/sobre-a-palavra-conversas-com-quem-escreve-stefania-chiarelli-mireille-garcia-andre-dias\">AQUI !!!<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Iniciado em agosto de 2024 e conclu\u00eddo no ano seguinte, <em><strong>Sobre a palavra \u2013 conversas com quem escreve<\/strong><\/em><span class=\"s1\"> nasceu, an<\/span>tes de tudo, dos afetos. Afeto pela literatura, mas afeto tamb\u00e9m entre colegas professores que, ao longo dos anos, foram se tornando amigos e parceiros. Do encontro e das conversas nasceram outras possibilidades de troca e projetos em torno do campo liter\u00e1rio como um todo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Foram doze meses de trabalho e doze escritores e escritoras entrevistados. Nesse ciclo, nossa rotina se viu tomada pelo envio de <span class=\"s2\">links<\/span>, arranjo de cronogramas, c\u00e1lculos de fuso hor\u00e1rio, roteiros, pesquisas, transcri\u00e7\u00f5es, revis\u00f5es. E muita leitura preparat\u00f3ria. Horas, dias e meses dedicados a essa empreitada. Ainda que uma entrevista seja planejada em min\u00facias, ela \u00e9 semprebum evento \u00fanico, com imprevistos, surpresas e interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p2\">Para n\u00f3s, como professores e pesquisadores, foi tamb\u00e9m a oportunidade de aprender juntos e adensar nossa compreens\u00e3o do cen\u00e1rio contempor\u00e2neo, afinal, estamos em sala de aula ministrando cursos, orientando trabalhos e convivendo de perto com os textos de nossos entrevistados e entrevistadas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em nosso caso, somos dois professores da UFF, trabalhando no campus Gragoat\u00e1, em Niter\u00f3i, Rio de Janeiro, somados a uma professora que transitou da Universidade Rennes 2 \u00e0 Sorbonne durante a feitura do livro. Na capital da Bretanha, em junho de 2024, consagramos a pedra fundamental do livro (na mesa, havia crepes e um bloco de notas cheio de ideias e rabiscos).<\/p>\n<p class=\"p2\">O registro se faz necess\u00e1rio para dar aos leitores a dimens\u00e3o do car\u00e1ter mutante do processo de constru\u00e7\u00e3o de um livro e dos pontos de vista envolvidos nele \u2013 tr\u00eas cidades e dois pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p2\">Vale pensar o contexto em que se deu nossa iniciativa. Como se sabe, assistimos \u00e0 redu\u00e7\u00e3o significativa do espa\u00e7o dedicado \u00e0 cr\u00edtica liter\u00e1ria na imprensa brasileira. Os grandes jornais, por d\u00e9cadas respons\u00e1veis por parte importante da legitima\u00e7\u00e3o e da circula\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, diminu\u00edram drasticamente o n\u00famero de suplementos culturais, cadernos especializados, colunas e resenhas que promoviam reflex\u00e3o intelectual mais aprofundada sobre a literatura.<\/p>\n<p class=\"p2\">Com a migra\u00e7\u00e3o dos debates para plataformas como redes sociais, <span class=\"s2\">podcasts<\/span>, <span class=\"s2\">newsletters<\/span>, blogs especializados e canais independentes, a media\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria tornou-se mais fragmentada, mais acelerada e, de certa maneira, mais dispersa. Ao mesmo tempo em que abrem novas possibilidades \u2013 ampliando distintas vozes, diversificando p\u00fablicos e permitindo que leitores e autoras\/es interajam diretamente \u2013, tais espa\u00e7os tamb\u00e9m trazem desafios evidentes: excesso de informa\u00e7\u00e3o, efemeridade dos conte\u00fados, sobreposi\u00e7\u00e3o de discursos promocionais e formadores de opini\u00e3o, leitores transformados em seguidores ou <span class=\"s2\">influencers<\/span>, dificuldade de constru\u00e7\u00e3o de uma leitura cr\u00edtica mais densa em fluxos marcados pela velocidade e pela l\u00f3gica algor\u00edtmica.<\/p>\n<p class=\"p2\">O cen\u00e1rio, que combina certa crise da cr\u00edtica tradicional e prolifera\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o, levanta a quest\u00e3o fundamental de como continuar produzindo reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre literatura em um ambiente em que os formatos cl\u00e1ssicos j\u00e1 n\u00e3o respondem completamente \u00e0s demandas contempor\u00e2neas. E mais: de que forma aproximar cr\u00edtica e literatura sem abrir m\u00e3o da complexidade, mas sem ignorar as din\u00e2micas atuais de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"p2\">A partir dessas inquieta\u00e7\u00f5es surgiu a ideia do livro: construir um espa\u00e7o para refletir com vagar sobre o of\u00edcio da escrita, desvinculado de lan\u00e7amentos e do imediatismo dos eventos midi\u00e1ticos. Ao dedicar um espa\u00e7o de di\u00e1logo direto com escritoras e escritores, buscou-se compreender como eles pr\u00f3prios percebem a literatura contempor\u00e2nea brasileira \u2013 suas tens\u00f5es, impasses, linhas de for\u00e7a e formas de frui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-21877\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-201x300.webp\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-201x300.webp 201w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-686x1024.webp 686w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-768x1147.webp 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-8x12.webp 8w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-700x1045.webp 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-268x400.webp 268w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE-469x700.webp 469w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/UFF_Entrevistas_FRENTE.webp 868w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\">E se o espa\u00e7o da cr\u00edtica se tornou mais rarefeito, \u00e9 produtivo reativar um tipo de escuta que devolva a palavra aos sujeitos da cria\u00e7\u00e3o, tomando a entrevista n\u00e3o como mera ferramenta promocional, mas instrumento de an\u00e1lise capaz de iluminar aspectos do processo liter\u00e1rio que muitas vezes ficam invis\u00edveis na avalia\u00e7\u00e3o distante.<\/p>\n<p class=\"p2\">Foram realizadas doze entrevistas em formato online com autores e autoras de diferentes regi\u00f5es do Brasil, selecionados a partir de crit\u00e9rios como diversidade geogr\u00e1fica, racial, de g\u00eanero e de trajet\u00f3rias liter\u00e1rias, assim como de relev\u00e2ncia das obras publicadas. De dura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, as conversas foram transcritas integralmente<span class=\"s4\">1<\/span> e passaram por processo de edi\u00e7\u00e3o, que visou manter o tom oral e espont\u00e2neo, mas tamb\u00e9m buscou clareza e coes\u00e3o para a publica\u00e7\u00e3o em livro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Para o sum\u00e1rio, selecionamos uma frase de cada um dos autores e autoras, inspirados <span class=\"s1\">por <\/span><strong><em>Se um viajante numa noite de inverno<\/em><\/strong><span class=\"s1\"> (1979), de Italo <\/span>Calvino, romance modelar a respeito do prazer da leitura. Em nosso \u00edndice, as senten\u00e7as surgem como <em><span class=\"s2\">incipit<\/span><\/em>, fragmento que anuncia e prepara o leitor para o mergulho na \u00edntegra de cada entrevista.<\/p>\n<p class=\"p2\"><em><strong>Sobre a palavra \u2013 conversas com quem escreve<\/strong><\/em><span class=\"s1\"> amplia <\/span>igualmente o entendimento das novas formas de circula\u00e7\u00e3o da literatura ao trabalhar com o formato <em>online,<\/em> transcrevendo entrevistas realizadas em meio virtual. Dessa forma, o pr\u00f3prio m\u00e9todo inscreve o livro no ambiente contempor\u00e2neo, fazendo parte do fen\u00f4meno estudado.<\/p>\n<p class=\"p2\">O trabalho cria tamb\u00e9m uma media\u00e7\u00e3o entre literatura e sociedade, permitindo que circulem, de forma acess\u00edvel, reflex\u00f5es que geralmente ficam restritas ao ambiente universit\u00e1rio ou ao mercado editorial. A publica\u00e7\u00e3o das entrevistas em <span class=\"s2\">e-book <\/span>e formato aberto busca criar caminhos de leitura e estabelecer pontes entre diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em uma \u00e9poca de acelera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, em que a informa\u00e7\u00e3o circula de forma vertiginosa, a literatura oferece tempo, densidade e complexidade \u2013 qualidades que, mais do que nunca, precisamos preservar e valorizar. As conversas com os escritores mostram que, apesar de todas as dificuldades, a literatura brasileira contempor\u00e2nea est\u00e1 viva, plural e comprometida com a tarefa de pensar a nossa realidade.<\/p>\n<p class=\"p2\">Sem a pretens\u00e3o de criar um panorama exaustivo da prosa brasileira contempor\u00e2nea \u2013 em si mesma vasta, diversa e em processo permanente de constru\u00e7\u00e3o \u2013 buscou-se identificar vozes significativas que permitam esbo\u00e7ar um retrato m\u00faltiplo do campo liter\u00e1rio atual.<\/p>\n<p class=\"p2\">Nas conversas, alguns eixos principais foram contemplados, no sentido de observar n\u00e3o apenas trajet\u00f3rias individuais, mas pontos de converg\u00eancia e linhas de for\u00e7a comuns nas produ\u00e7\u00f5es ficcionais recentes.<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p2\">O processo de cria\u00e7\u00e3o: como cada autor se relaciona com a pr\u00f3pria escrita, quais s\u00e3o seus procedimentos, preocupa\u00e7\u00f5es formais, influ\u00eancias e gestos est\u00e9ticos fundamentais;<\/li>\n<li class=\"p2\">A rela\u00e7\u00e3o entre literatura e atualidade: de que modo as obras respondem \u2013 ou recusam responder \u2013 \u00e0s urg\u00eancias pol\u00edticas e sociais do presente, incluindo temas como viol\u00eancia, desigualdade, identidades, mem\u00f3ria, crise democr\u00e1tica, rela\u00e7\u00f5es raciais e transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas;<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Baixe gratuitamente este livro<\/strong><br \/>\n<strong>na Loja da Pangeia:<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/sobre-a-palavra-conversas-com-quem-escreve-stefania-chiarelli-mireille-garcia-andre-dias\">AQUI !!!<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<ul>\n<li class=\"p2\">As percep\u00e7\u00f5es sobre o campo liter\u00e1rio e sobre o papel da cr\u00edtica: como esses criadores e criadoras enxergam o lugar da literatura hoje, suas condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o e mercado, as dificuldades e potencialidades do ambiente editorial e o papel que a cr\u00edtica \u2013 seja jornal\u00edstica, acad\u00eamica ou independente \u2013 desempenha ou poderia desempenhar;<\/li>\n<li class=\"p2\">A circula\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o das obras: como cada um e cada uma percebe o percurso de seus livros fora do Brasil, suas experi\u00eancias com leitores de outras l\u00ednguas, e os impactos ou dificuldades da tradu\u00e7\u00e3o no reconhecimento de suas obras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Apesar da diversidade est\u00e9tica da literatura brasileira atual, existe uma percep\u00e7\u00e3o recorrente entre os entrevistados de que a literatura se tornou um espa\u00e7o privilegiado de elabora\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias sociais urgentes, especialmente em um pa\u00eds marcado por desigualdades estruturais. Muitos autores e autoras afirmam que a fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea opera numa zona de tens\u00e3o entre a necessidade de pensar o real e a necessidade de reinventar formas est\u00e9ticas para al\u00e9m dele.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma convic\u00e7\u00e3o de que a literatura n\u00e3o substitui a an\u00e1lise social, mas oferece modos de compreens\u00e3o do mundo que s\u00e3o espec\u00edficos da linguagem liter\u00e1ria e, portanto, insubstitu\u00edveis.<\/p>\n<p>A entrevista, enquanto g\u00eanero e lugar de produ\u00e7\u00e3o de pensamento cr\u00edtico, parece mobilizar nesses autores reflex\u00f5es que n\u00e3o surgiriam necessariamente em um ensaio ou declara\u00e7\u00f5es pontuais. O tom coloquial dos encontros favorece um tipo de pensamento em voz alta que n\u00e3o apenas registra opini\u00f5es, mas produz reflex\u00e3o. Assim, a entrevista deixa de ser uma atividade \u201cparaliter\u00e1ria\u201d e passa a funcionar como dispositivo cr\u00edtico, espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o intelectual que articula literatura, autor-reflex\u00e3o e media\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Escutar os escritores n\u00e3o significa entroniz\u00e1-los como autoridade \u00faltima sobre suas obras, mas incorporar suas coloca\u00e7\u00f5es ao campo de for\u00e7as que moldam a literatura. A cr\u00edtica, nesse sentido, n\u00e3o perde autonomia, mas ganha densidade ao dialogar com aquilo que os pr\u00f3prios sujeitos da escrita percebem como urg\u00eancia est\u00e9tica ou \u00e9tica.<\/p>\n<p>Para a cr\u00edtica argentina Leonor Arfuch, entrevistar um escritor constitui um ritual de consagra\u00e7\u00e3o situado no campo da \u201cconstru\u00e7\u00e3o de uma imagem de si\u201d<span class=\"s4\">2<\/span> (<span class=\"s5\">Arfuch, 2010, <\/span>p. 212). Esse gesto perform\u00e1tico da constru\u00e7\u00e3o de si presente na entrevista de todo e qualquer autor opera no sentido de construir molduras de interpreta\u00e7\u00e3o v\u00e1lidas. Como entrevistadores, buscamos acessar essa \u201ccena da escrita\u201d de cada um e desdobr\u00e1-la, colhendo da\u00ed elementos de an\u00e1lise que adensem nossa compreens\u00e3o do texto liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o equivale a buscar nas declara\u00e7\u00f5es dadas pelos autores a mais pura autobiografia, mas<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"padding-left: 40px;\">&#8220;Menos opressiva e comprometida do que ela, mais leve e contingente, aberta a reescritas e apagamentos, a reconfigura\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de humor, mais difusa do que o livro, que tende ao monumento, menos solit\u00e1ria, mais pr\u00f3xima da vida, do agora do acontecimento que da restaura\u00e7\u00e3o paradoxal da mortalidade, a entrevista \u00e9, talvez, em seu devir j\u00e1 canonizado, a outra voz apropriada para quem quiser falar. Um falar inconcluso por natureza, em troca do \u00e1rduo trabalho de perguntar (Arfuch, 2010, p. 237).<\/p>\n<p class=\"p2\">Em um contexto em que as formas tradicionais de media\u00e7\u00e3o se esgar\u00e7am, talvez seja justamente no car\u00e1ter inconcluso dessas conversas, nesse coral de vozes, que resida a possibilidade de encontrar renovados sentidos para a palavra e a literatura.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 80px;\">1 Agradecemos o empenho e dedica\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o aluna de mestrado Santinie Estev\u00e3o, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Literatura da UFF, cuja contribui\u00e7\u00e3o foi fundamental para o andamento das entrevistas e de todo o projeto.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 80px;\">2 <span class=\"s6\">O espa\u00e7o biogr\u00e1fico \u2013 <\/span>dilemas da subjetividade contempor\u00e2nea. Trad. Paloma Vidal.Rio de<br \/>\nJaneiro: EDUERJ, 2010.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: right;\"><em><strong>Niter\u00f3i\/Paris, janeiro de 2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-21874\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-203x300.webp\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-203x300.webp 203w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-693x1024.webp 693w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-768x1135.webp 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-8x12.webp 8w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-700x1035.webp 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-271x400.webp 271w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a-474x700.webp 474w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa_4.a.webp 874w\" sizes=\"auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Baixe gratuitamente este livro<\/strong><br \/>\n<strong>na Loja da Pangeia:<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/sobre-a-palavra-conversas-com-quem-escreve-stefania-chiarelli-mireille-garcia-andre-dias\">AQUI !!!<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENTREVISTA: A OUTRA VOZ APROPRIADA PARA QUEM QUISER FALAR Stefania Chiarelli (UFF) Mireille Garcia (Sorbonne) Andr\u00e9 Dias (UFF) Sobre a palavra \u2013 conversas com quem escreve, se comp\u00f5e de uma s\u00e9rie de entrevistas com escritores e escritoras da literatura brasileira contempor\u00e2nea. 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