{"id":19813,"date":"2025-09-15T22:00:52","date_gmt":"2025-09-15T22:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=19813"},"modified":"2025-10-24T20:54:03","modified_gmt":"2025-10-24T20:54:03","slug":"o-haikai-no-brasil-o-ethos-oriental-com-o-logos-tropical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/o-haikai-no-brasil-o-ethos-oriental-com-o-logos-tropical\/","title":{"rendered":"O haikai no Brasil: o ethos oriental com o logos tropical"},"content":{"rendered":"<p>Desde sua concep\u00e7\u00e3o a Pangeia Editorial teve olhos, ouvido, alma e mente voltados para a poesia, lan\u00e7ou diversos livros de poemas, buscou revelar novos talentos po\u00e9ticos e fez ressoar a voz de poetas j\u00e1 reconhecidos com novos livros. Al\u00e9m disso, na s\u00e9rie &#8220;A arte de Escrever&#8221;, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=Arte+de+escrever\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a>\u00a0no <em><strong>Blog da Pangeia<\/strong><\/em> &#8211; ISSN 3085-8453, h\u00e1 v\u00e1rias aulas sobre o haikai e outras formas m\u00ednimas.<\/p>\n<p>Foi com essa \u00f3tica que a Editora lan\u00e7ou e mant\u00e9m o perfil <span style=\"color: #ff6600;\"><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/haikai.brasil\/\"><strong>@haikai.brasil<\/strong><\/a><\/span> no Instagram e realizou edital que resultou no lan\u00e7amento do livro\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/haicai-brasil-orgs-rauer-e-willia-livro\/\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Haicai-Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/a>, organizado por Rauer e Willia, haijins, professores e entusiastas das formas po\u00e9ticas orientais.<\/p>\n<p>Sobre esse livro, as professoras C\u00edcera Yamamoto e Larissa Cristina Cicilio da Silva e o professor Osmar Paulo da Silva Junior se debru\u00e7aram, e realizaram o estudo abaixo. Eles se voltam para as linhas de for\u00e7a que percorrem v\u00e1rios haikais do livro e que se presentificam em diversos autores, propondo que os haijins brasileiros aliam o cora\u00e7\u00e3o, do <em>ethos<\/em> nip\u00f4nico, ao racioc\u00ednio, do <em>logos<\/em> tropical.<\/p>\n<p>Precede \u00e0 an\u00e1lise uma apresenta\u00e7\u00e3o \u2013 sucinta e consistente \u2013 do haikai na sua constitui\u00e7\u00e3o como poema.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Conhe\u00e7a nossos livros de <em><strong>Haikai<\/strong><\/em> e de <em><strong>Haicai<\/strong><\/em>:<br \/>\n<span style=\"color: #993366;\"><strong style=\"color: #993366;\"><span style=\"color: #000000;\">CLIQUE<\/span> <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=haikai\">AQUI !!!<\/a> <span style=\"color: #000000;\">e<\/span> <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=haicai\"><span style=\"color: #008000;\">AQUI !!!<\/span><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Haicai-Brasil<\/em>: Uma leitura sob o olhar da<br \/>\nmistura cultural de poetas que s\u00e3o<br \/>\nreunidos nessa colet\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><strong>C\u00edcera Rosa S. Yamamoto [1]<\/strong><br \/>\n<strong>Larissa Cristina Cic\u00edlio da Silva [2]<\/strong><br \/>\n<strong>Osmar Paulo da Silva Junior [3]<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Resumo:<\/strong> Esse artigo tem como objetivo fazer uma an\u00e1lise de tr\u00eas poemas do livro <em><strong>Haicai- Brasil<\/strong><\/em>, obra oriunda de um concurso de haicais que foram selecionados e publicados nas Edi\u00e7\u00f5es Dionysius \/ Editora Pangeia. \u00c9 importante ressaltar que o poema milenar nip\u00f4nico \u00e9 algo muito atraente e de f\u00e1cil acesso, o qual se pode produzir a partir de uma inspira\u00e7\u00e3o que parte de sentimentos humanos ao observarmos uma cena do nosso cotidiano e a reproduzirmos verbalmente de modo a emular uma imagem fotogr\u00e1fica. Isso n\u00e3o quer dizer que qualquer pessoa pode escrev\u00ea-los, pois para isso \u00e9 necess\u00e1rio utilizar as t\u00e9cnicas e regras pr\u00f3prias da poesia nip\u00f4nica e ter conhecimento da cultura oriental. Desse modo, essa an\u00e1lise objetiva verificar se essas t\u00e9cnicas est\u00e3o presentes nos poemas selecionados e ao mesmo tempo observar como esses novos haika\u00edstas se sa\u00edram nessa aventura de produzirem essa forma po\u00e9tica japonesa e com isso averiguar o que se distancia ou se mistura com nossa cultura brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A poesia nip\u00f4nica desde a imigra\u00e7\u00e3o japonesa ao Brasil tem ganhado destaque no pa\u00eds. \u00c9 uma poesia que conquista cada vez mais os brasileiros, em especial o estilo Haikai, haiku ou ainda haicai (para os brasileiros); preferimos grafar assim: haikai.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Abrimos um espa\u00e7o aqui para lembrar que essa imigra\u00e7\u00e3o foi uma ponte importante para esse destaque no pa\u00eds. Amparamos assim, essa quest\u00e3o em Ohno (2008), para mostrar como o haikai migrou para o Brasil ao longo do s\u00e9culo XX e entendermos que a poesia japonesa \u00e9 uma literatura enraizada na pr\u00f3pria hist\u00f3ria milenar do pa\u00eds nip\u00f4nico. Assim quando pensamos em Haikai no Brasil, devemos pensar na imigra\u00e7\u00e3o japonesa, a qual<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um s\u00e9culo, 781 fam\u00edlias japonesas embarcavam num navio rumo a uma nova esperan\u00e7a de vida. Numa verdadeira epopeia moderna, esses indiv\u00edduos deixaram a sua terra natal e seus la\u00e7os familiares, para desbravar um novo mundo, uma terra distante, habitada por um povo diferente em uma l\u00edngua diferente. No entanto, a motiva\u00e7\u00e3o desses personagens n\u00e3o era desbravar um novo continente, mas buscar um ref\u00fagio, uma via de escape para a situa\u00e7\u00e3o degradante em se encontrava o seu pa\u00eds, assolado pela moderniza\u00e7\u00e3o propiciada pela Renova\u00e7\u00e3o Meiji, em 1867, que culminou em um colapso econ\u00f4mico social. Famintos, desempregados e sem perspectivas, essas pessoas enxergavam no processo de migra\u00e7\u00e3o incentivado pelo pr\u00f3prio governo japon\u00eas, uma alternativa, uma possibilidade de reconstru\u00e7\u00e3o (OHNO, 2008, p. 12).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como vimos, muitos japoneses vieram para o Brasil e juntamente com eles trouxeram toda sua cultura, e a poesia, em especial, o haikai, que \u201cmuito diferente do Waka, tanka e outros do poem\u00e1rio do Jap\u00e3o, conquistou o Brasil do norte ao Sul\u201d (OHNO, 2008, p. 182). Com essa pr\u00e1tica dos japoneses, n\u00e3o demorou muito para que brasileiros tamb\u00e9m come\u00e7assem a produzir os poemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante ressaltar que os japoneses continuaram com a produ\u00e7\u00e3o de poesias japonesas entre eles, e isso foi se sucedendo com os descendentes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Filha de imigrantes japoneses, ainda na inf\u00e2ncia, as observa\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es a respeito de flores, p\u00e1ssaros, de algumas frutas, de alguns acontecimentos com \u00e9pocas determinadas, de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, j\u00e1 faziam parte do meu cotidiano, pois essas refer\u00eancias eram comuns no di\u00e1logo entre meus pais. Involuntariamente, eles plantaram em mim as sementes do haicai, pois a curiosidade infantil levou-me a observar atentamente o amanhecer, o entardecer, as noites, as flores, os p\u00e1ssaros, os rios, os pequenos insetos, as grandes tempestades. (ODA, 1993, p. 113).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao lermos esse relato da escritora Teruko Oda, \u00e9 poss\u00edvel notarmos como a literatura japonesa se desenvolveu n\u00e3o somente no seu pr\u00f3prio meio como se expandiu pelo ocidentais.\u00a0 \u201cHaicais s\u00e3o poemas japoneses que conquistaram o pa\u00eds e tiveram como aficionados e autores mestres da nossa literatura como Monteiro Lobato, Guimar\u00e3es Rosa, Carlos Drummond de Andrade, entre tantos outros. (id bid, p. 183). N\u00e3o temos o intuito de mostrar a pr\u00e1tica de haikuistas brasileiros, por\u00e9m temos algumas informa\u00e7\u00f5es sobre outros escritores que produzem poemas nip\u00f4nicos em nossa disserta\u00e7\u00e3o de mestrado.<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mediante ao exposto percebemos que a paix\u00e3o por essa forma po\u00e9tica milenar segue firme em terra brasileira e por isso intencionamos fazer uma an\u00e1lise em tr\u00eas poemas do livro Haicai \u2013 Brasil que \u00e9 o resultado de um concurso, realizado em 2022, no qual foram escolhidos um total 124 autores, cada um deles com quatro haicais selecionados, do qual fazemos parte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0A simplicidade, leveza e de f\u00e1cil constru\u00e7\u00e3o encoraja as pessoas mais sens\u00edveis a praticar esse fazer po\u00e9tico. Entretanto, apesar de \u201cf\u00e1cil\u201d exige alguns passos importantes para a realiza\u00e7\u00e3o do poema, pois a constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica \u00e9 baseada na apreens\u00e3o da natureza e coisas ao nosso redor, al\u00e9m de ser rigorosamente metrificada em 5\/7\/5 totalizando 17 s\u00edlabas, h\u00e1 outros elementos que devem ser acoplados ao escrever um haikai, isso para aqueles que querem seguir a tradi\u00e7\u00e3o dessa constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. \u00a0O que chama aten\u00e7\u00e3o dessa forma de construir uma poesia pode estar na brevidade e rapidez de racioc\u00ednio para mont\u00e1-la, \u00e9 quase uma brincadeira s\u00e9ria, carregada de significado e sensibilidade. Dessa forma, encontramos nesse ponto uma ponte entre os escritores que encheram de coragem ao enviarem seus poemas para o concurso mencionado acima e os escritores que se firmaram como autores famosos dessa arte nip\u00f4nica, pois independente daqueles que seguem ou n\u00e3o os preceitos rigorosamente dessa constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, o importante nessa leitura \u00e9 fazer um an\u00e1lise pare ver como os novos haiku\u00edstas se sa\u00edram nesse \u201cbrincar\u201d de construir essa poesia milenar japonesa, se eles conseguiram seguir os elementos necess\u00e1rios para compor o poema ou n\u00e3o verificando quais fatores se aproximam, se distanciam ou se misturam nessa aventura maravilhosa do fazer po\u00e9tico milenar nip\u00f4nico. Ressaltamos que a escolha dos poemas, que s\u00e3o tr\u00eas, ser\u00e1 feito de forma que, apesar de ser bem restrito a quantidade, possa ser o suficiente para essa an\u00e1lise e mostrar essa ponte cultural entre os dois pa\u00edses. Para o estudos nos embasaremos em Paz (1972), Blyth (1963-4), entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conhe\u00e7a os livros de C\u00edcera Yamamoto<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=C\u00edcera\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>CLIQUE AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><strong> Haikai: pequena introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0N\u00e3o temos a inten\u00e7\u00e3o de aprofundar na explica\u00e7\u00e3o sobre haikai, suas origens e transforma\u00e7\u00f5es, pois j\u00e1 temos um conte\u00fado extenso sobre estudos desse assunto, seja em nossa disserta\u00e7\u00e3o de mestrado<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e P\u00f3s-doutorado, recentemente publicado pela editora Pangeia. Entretanto, achamos necess\u00e1rio fazer um breve relato sobre essa poesia milenar nip\u00f4nica, no que toca alguns fatos importantes a serem destacados nesse trabalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A tematiza\u00e7\u00e3o do haikai parte de aspectos focados na natureza em comunh\u00e3o com as quatros esta\u00e7\u00f5es do ano, n\u00e3o tem rima, pouco ritmo, asson\u00e2ncia, alitera\u00e7\u00e3o ou entona\u00e7\u00e3o e n\u00e3o precisa l\u00ea-lo em voz alta, apesar de ter onomatopeia. Entretanto mesmo sem rima, essa po\u00e9tica tem uma certa musicalidade devido ao aspecto da pr\u00f3pria l\u00edngua e sua forma de escrita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No <em>haikai<\/em>, as duas coisas inteiramente diferentes que est\u00e3o unidas na mesmice s\u00e3o a poesia e a sensa\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria, o Criador e o criado. Assim, a tematiza\u00e7\u00e3o se volta para as seguintes contempla\u00e7\u00f5es: O frio de um dia frio, o calor de um dia quente, a suavidade de uma pedra, a brancura de uma gaivota, a dist\u00e2ncia dos montes distantes, a pequenez de uma pequena flor, a humidade da esta\u00e7\u00e3o das chuvas, o tremor dos cabelos de uma lagarta na brisa &#8211; estas coisas, sem qualquer pensamento ou emo\u00e7\u00e3o ou beleza ou desejo s\u00e3o <em>haiku<\/em>. (BLYTH, 1964, p. 8, tradu\u00e7\u00e3o nossa, trecho retirado do p\u00f3s-doutorado).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Blyth (1981), o <em>Haiku<\/em> est\u00e1 ligado a muitas correntes de pensamentos-sentimentos filos\u00f3ficos e espec\u00edficos de regi\u00f5es orientais, a figura abaixo mostra essa conex\u00e3o, para uma est\u00e9tica melhor fizemos nosso pr\u00f3prio desenho, mas a figura traz o mesmo sentido da original<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o cabe aqui discorrer sobre cada uma dessas correntes, \u00e9 apenas para ilustrar a tematiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dos postulados que envolvem a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica japonesa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sempre existe uma palavra sazonal no<em> haiku<\/em>. Essa palavra pode dar o fundo atmosf\u00e9rico, pode ser uma esp\u00e9cie de semente, um gatilho que libera todo um mundo de emo\u00e7\u00e3o, de sons e cheiros e cores. Em sua hist\u00f3ria, apesar de relativamente, o tema \u201cesta\u00e7\u00e3o\u201d, algumas vezes interpretada como \u201chumores\u201d do outono, da primavera, do ver\u00e3o ou do inverno, aparecem palavras que remetem \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, a lembram, e criam no leitor uma atmosfera correspondente, ou seja, as vezes n\u00e3o encontramos nenhuma esta\u00e7\u00e3o do ano de forma expl\u00edcita, mas pode haver algum elemento que podemos perceber de forma impl\u00edcita. Algo que nos remete a uma esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As t\u00e9cnica est\u00e3o ligadas a quantidade de versos (3) e quantidades de s\u00edlabas distribu\u00eddas em 5\/7\/5. A brevidade e concis\u00e3o \u00e9 um fator de extrema import\u00e2ncia, segundo Blyth (1981, p. 315) \u00e9 chamada de alma da intelig\u00eancia. Em <em>haikai<\/em>, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de quantidade, mas de qualidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim,o haiku parece surgir n\u00e3o para longamente, atrav\u00e9s, de todos os detalhes da realidade, os diversos sentimentos que ela\u00a0 induz em que ela se exp\u00f5e, antes para evocar em si pr\u00f3pria uma realidade t\u00e3o limitada e contida, t\u00e3o banal e conhecida, que nem atrav\u00e9s dela e nem da linguagem que a descreve ela se mostra capaz de evocar seja que outra realidade for! (LOUREN\u00c7O; RIBEIRO, 1995, p. 25).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ou seja, a poesia simplesmente \u00e9, curta e baseada em uma realidade qualquer, a partir de um disparo perceptivo do olhar humano e transcrito em um papel de forma reduzida. Sem contexto, mas carregada de um sentido silencioso.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li style=\"font-weight: 400;\"><strong> An\u00e1lise: uma fus\u00e3o nipobrasileira<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Para a an\u00e1lise foram escolhidos 3 poemas de modo a considerar uma vis\u00e3o geral do conjunto da obra, por\u00e9m considerando alguns aspectos que envolvem os preceitos da arte nip\u00f4nica, para que sobserv\u00e1ssemos os entrelaces das culturas Jap\u00e3o-Brasil e tamb\u00e9m as mudan\u00e7as que s\u00e3o feitas a partir do sistema criador individual daquele que reinventa sua pr\u00f3pria arte com intuito de mostrar justamente essas quest\u00f5es culturais. Desse modo, escolhemos um poema ligado a uma certa tens\u00e3o que traz um contexto mais ocidental, um outro mais bem elaborado, no sentido de se ter que fazer uma leitura mais espec\u00edfica para sua interpreta\u00e7\u00e3o e o terceiro, descendente japon\u00eas, com o prop\u00f3sito de analisar essa quest\u00e3o cultural de uma pessoa que escreve com as duas culturas em sua raiz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro poema \u00e9 de Rozelene Furtado que em sua mini biografia no livro nos diz que reside em Teres\u00f3polis (RJ), bibliotec\u00e1ria, professora, contista, poeta e artista pl\u00e1stica <a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>:<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"307\">&nbsp;<\/p>\n<p>Palavras malditas<\/p>\n<p>Faladas com muita for\u00e7a<\/p>\n<p>Facas afiadas<\/p>\n<p>(FURTADO. p.231)<\/td>\n<td width=\"307\">Pa\/la\/vras\/ mal\/di\/tas (5)<\/p>\n<p>Fa\/la\/das\/com\/mui\/ta\/for\/\u00e7as (7)<\/p>\n<p>Fa\/cas\/a\/fi\/a\/das (5)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao observarmos o aspecto formal, podemos perceber que a estrutura segue rigorosamente as normas nip\u00f4nica, pois temos um poema de tr\u00eas versos em 5\/7\/5 s\u00edlabas, totalizando 17 s\u00edlabas. No entanto, a rela\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica distancia-se de modo a figurar um ambiente pr\u00f3prio da cultura brasileira (ocidental), pois n\u00e3o temos nesse poema um kigo (esta\u00e7\u00e3o do ano), ou algo que remeta \u00e0 natureza, ou que leva a entender algum ind\u00edcio de kigo. No entanto, podemos aproximar a tematiza\u00e7\u00e3o com o captar de uma observa\u00e7\u00e3o presente em algum momento da vida, no qual o ser humano se exalta com \u201cpalavras malditas\u201d, magoando um outro ser de modo a comparar a \u201cfaca\u201d como um instrumento conotativo que fere a alma e a \u201cpalavra\u201d aqui se transforma em \u201cfaca\u201d. Desse modo, h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o de sensibilidade humana no contexto da \u201cfotografia\u201d que se tira do momento, embora num sistema de vis\u00e3o diferenciada no sentido cultural, pois a captura de imagem dos poetas japoneses para o fazer po\u00e9tico sempre est\u00e1 relacionado a um sentimento voltado para a natureza dentro das correntes filos\u00f3ficas orientais, como visto no quadro exposto anteriormente. Envolve tamb\u00e9m algo al\u00e9m do sentir:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 40px;\">\u00c9 algo que est\u00e1 entre o pensamento e a sensa\u00e7\u00e3o, o sentimento e a ideia. Os japoneses usam a palavra <em>Kokoro<\/em>: cora\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 em sua \u00e9poca Jos\u00e9 Juan Tablata advertia que era uma tradu\u00e7\u00e3o enganosa: \u201c<em>kokoro<\/em>\u201d \u00e9 mais, \u00e9 cora\u00e7\u00e3o e mente, a sensa\u00e7\u00e3o e o pensamento e as pr\u00f3prias entranhas, como se aos japoneses n\u00e3o lhes bastasse sentir s\u00f3 com o cora\u00e7\u00e3o. (Paz, 1972, p. 171).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A cita\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 uma ideia dessa sensibilidade humana, mas o que se diferencia no poema de Rozelene \u00e0 t\u00e9cnica tem\u00e1tica japonesa est\u00e1 nessa sensibilidade no sentido de ponto de vista e percep\u00e7\u00e3o de mundo \u2013 e algo muito cultural, que est\u00e1 sob um olhar mais cr\u00edtico no sentido da vida em si e n\u00e3o na natureza humana como um todo. Ainda que pensemos na modernidade contextual das mudan\u00e7as a partir de Basho <a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, percebemos que a modernidade na poesia dessa autora se difere no contexto dessa sensibilidade porque vai mostrar o lado agressivo da humanidade que nos fere com palavras; sob esse aspecto, o poema tradicional nip\u00f4nico est\u00e1 sempre muito ligado ao entendimento universal do homem e natureza. Segundo Paz essa quest\u00e3o \u00e9<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 40px;\">\u00a0um sentimento de universal simpatia com tudo o que existe, essa fraternidade na imperman\u00eancia com homens, animais e plantas, que o melhor que nos foi legado pelo budismo. Para Bash\u00f4 a poesia \u00e9 um caminho at\u00e9 a esp\u00e9cie de beatitude instant\u00e2nea e que n\u00e3o exclui a ironia nem significa fechar os olhos diante do mundo e de seus horrores. (PAZ, 1971, p. 174).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Seguindo essa esteira de pensamento, vemos que h\u00e1 esses aspectos na constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da poeta, por\u00e9m dentro de um sistema de cren\u00e7a voltado para a nossa cultura, em que \u00e9 poss\u00edvel nos irmanarmos com a dor existencial de agressividade humana. A quest\u00e3o aqui est\u00e1 na diferen\u00e7a da t\u00e9cnica tem\u00e1tica voltada para uma esp\u00e9cie de situa\u00e7\u00e3o impl\u00edcita, na qual muitas vezes percebemos toda essa agressividade existencial camuflada na poesia nip\u00f4nica, mas de uma forma mais leve, suave&#8230; em que se envolve o homem e a natureza, por\u00e9m de modo mais ameno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 pr\u00f3prio dos poetas ocidentais ter uma sensibilidade mais cr\u00edtica e concreta dessas quest\u00f5es existenciais e o que percebemos aqui \u00e9 que se trata de um poema muito conciso, carregado de sentido, de emo\u00e7\u00e3o e de muita percep\u00e7\u00e3o humana. Um haikai muito bem adaptado para o ambiente cultural brasileiro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O segundo poema \u00e9 de Nilma Spigolon, poeta, artvista, escritora e afins, e professora da Unicamp, tendo recebido o Jabuti Acad\u00eamico 2024 em Educa\u00e7\u00e3o e Ensino com o livro <span style=\"color: #800080;\"><a style=\"color: #800080;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/elza-freire-e-paulo-freire-noites-de-exilio-dias-de-utopia\/\"><em><strong>Elza Freire e Paulo Freire: noites de ex\u00edlio, dias de utopia <\/strong><\/em><\/a><\/span>(Pangeia, 2023). Eis o haikai de Nima:.<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"307\">&nbsp;<\/p>\n<p>o caf\u00e9 encerra<\/p>\n<p>\u2013 no acre v\u00e9u de aromas \u2013<\/p>\n<p>\u00e1gua, terra, c\u00e9u<\/p>\n<p>(Spigolon, p. 199)<\/td>\n<td width=\"307\">o\/ca\/f\u00e9\/em\/cer\/ra (5)<\/p>\n<p>no\/a\/cre\/veu\/de\/a\/ro\/mas (7)<\/p>\n<p>a\/gua\/ter\/ra\/c\u00e9u (5)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse poema, assim como o primeiro, tamb\u00e9m segue a regra estrutural do haikai, contendo os tr\u00eas versos em 5\/7\/5 s\u00edlabas, totalizando as 17 s\u00edlabas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9797 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-300x300.png 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-1024x1024.png 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-150x150.png 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-768x768.png 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-400x400.png 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-700x700.png 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-100x100.png 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2-50x50.png 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Haicai_Br_cabecalho2.png 1099w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Com rela\u00e7\u00e3o ao tema, no processo de constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o notamos necessariamente a presen\u00e7a de um kigo, ou algo que remeta e ele de forma impl\u00edcita, mas ao mesmo tempo o haikai de Spigolon se volta para a percep\u00e7\u00e3o do tato, do olfato e da natureza que s\u00e3o elementos importantes na tematiza\u00e7\u00e3o nip\u00f4nica. Blyth (1981, p. 335), mostra que sempre existe uma palavra sazonal no<em> haiku<\/em>. Essa palavra pode dar o fundo atmosf\u00e9rico que pode ser uma esp\u00e9cie de semente, um gatilho que libera um mundo de emo\u00e7\u00e3o, de sons e cheiros e cores. Nesse sentido, percebemos que a tematiza\u00e7\u00e3o do poema de Nima Spigolon tem aspectos relevantes \u00e0 tematiza\u00e7\u00e3o oriental, a partir da qual podemos fazer um paralelo com o poema anterior na quest\u00e3o de ver as coisas mais leves, embora num sentido talvez um qu\u00ea mais pesado, mas impl\u00edcito diante da natureza que se revela, ou seja, a arte do haikai \u00e9 estar o mais perto da natureza quanto poss\u00edvel, justamente para aliviar as dores do mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A escolha dos temas \u00e9 significativa, refletindo o car\u00e1cter dos poetas haiku, a sua nacionalidade, posi\u00e7\u00e3o social e vis\u00e3o do mundo. Essas coisas omitidas (como, guerra, sexo, plantas venenosas e animais ferozes, inunda\u00e7\u00f5es, pestil\u00eancias, terramotos, etc.) s\u00e3o todas perigosas e amea\u00e7adoras para a vida humana. (BLYTH, 1964, p. 4, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Embora essa quest\u00e3o de elevar a espiritualidade na poesia para um lado mais suave, sem pensar muito nos problemas da vida humana, seja algo muito particular dos poetas japoneses cl\u00e1ssicos, \u00e9 bem tradicional, mas ainda h\u00e1 muitos autores produzindo nesse contexto do estado zen. Nesse sentido, o segundo poema est\u00e1 mais relacionado ao estado zen em conson\u00e2ncia com a natureza, com o cheiro, fragr\u00e2ncia&#8230; A palavra &#8220;acre&#8221;, no segundo verso do poema, por exemplo, pode remeter, em um primeiro momento, ao nome do estado do pa\u00eds, por\u00e9m, no dicion\u00e1rio<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, o significado diz que acre \u00e9 algo cujo sabor \u00e9 amargo, picante e corrosivo, o que traz um sentido muito expressivo na constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica desse haikai, o qual passa uma sensa\u00e7\u00e3o de se tomar um caf\u00e9 amargo e o seu cheiro que exala pelo ar em conson\u00e2ncia com a \u00e1gua, a terra e o c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A visibilidade desses elementos est\u00e3o acoplados de forma concisa e bem arquitetada e abrangem uma s\u00e9rie de significados, pois \u201cO Haiku est\u00e1 no seu melhor quando \u00e9 simples, digno de palavras&#8221;, isto \u00e9, digno de palavras no seu mais simples, &#8220;uma esp\u00e9cie de pensamento no sentido&#8221; (BLYTH, 1964, p. 13, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>, ou seja, naquilo que se observa e capta no seu melhor momento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O caf\u00e9 pode \u201cencerrar\u201d, conter muitos sentidos e muitas formas, dependendo do contexto; entretanto, em nossa interpreta\u00e7\u00e3o, ele expressa, de forma natural, como parte de um momento, o que na sua simplicidade ele \u00e9 e significa: o cheiro, o sabor e a vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14530 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-300x300.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-150x150.jpeg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-768x768.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-400x400.jpeg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-700x700.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-100x100.jpeg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai-50x50.jpeg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/HAIMI-O-Sabor-do-Haikai.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Um sutil diferencial nesse poema seria o lado intelectual, que \u00e9 o que est\u00e1 impl\u00edcito no poema, algo que precisa ser desvendado para ser bem interpretado, e isso o distancia um pouco da arte nip\u00f4nica, que tende a reproduzir no haikai uma natureza mais voltada para a imagem de forma visual, como se fosse de fato uma fotografia daquele momento espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No entanto, na constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica nip\u00f4nica existe tamb\u00e9m a t\u00e9cnica do vazio. Esse vazio, ou \u201caus\u00eancia\u201d, \u00e9 uma esp\u00e9cie de espa\u00e7o mental permitido ao apreciador para que ele, ao visualizar qualquer das artes \u2013 N\u00f4, Ikebana e Cha No Yu <a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> \u2013, possa preencher com sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o aquilo que est\u00e1 nas entrelinhas. Por\u00e9m, esse vazio a ser preenchido, \u00e9 algo muito peculiar da pr\u00f3pria arte japonesa, que envolve todo um ritual filos\u00f3fico e que n\u00e3o expande muito para quest\u00f5es mais estrat\u00e9gicas, o que seria o oposto do escritor ocidental.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A vis\u00e3o suscitada pelo haiku (gra\u00e7as a esse enorme espa\u00e7o ou vazio gerado por ele pr\u00f3prio) torna-se \u00fanica, privada e privativa e, mais do que o sentido, o que \u00e9 abolido \u00e9 a ideia de finalidade \u2013 pela nega\u00e7\u00e3o de um conjunto ou universo dotado de sentido, no qual o conte\u00fado do haiku devesse estar j\u00e1 inserido ou at\u00e9 integrado! (LOUREN\u00c7O; RIBEIRO, 1995, p. 25).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Nesse sentido, \u00e9 percept\u00edvel essa t\u00e9cnica, no poema de Nima Spigolon, o distanciamento, esteja, a princ\u00edpio, simplesmente no ato do enigma da palavra \u201cacre\u201d em jun\u00e7\u00e3o com os semas \u201cagua, terra e c\u00e9u\u201d.\u00a0 No caso, aqui, se consideramos como uma estrat\u00e9gia, j\u00e1 entramos no terreno da cultura ocidental. Entretanto, o consider\u00e1vel seria colocar nesse poema um jogo de <em>vazio<\/em> (sem descrever\/que apenas nomeia) X <em>contexto<\/em> de um significado estrategicamente ocidental, o que traz uma integra\u00e7\u00e3o de dois universos: Jap\u00e3o-Brasil. Logo, se por um lado, esse haikai tem a leveza e um vazio de sentido, tem tamb\u00e9m um jogo de palavras em comunh\u00e3o com a arte de construir uma poesia carregada de t\u00e9cnica e de sentidos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O terceiro poema selecionado \u00e9 de Nancy Keiko, graduada em engenharia, e \u00e9 claro com ascend\u00eancia japonesa, pois n\u00e3o poder\u00edamos deixar de analisar um poema de algu\u00e9m descendente que traz consigo as duas culturas (Brasil-Jap\u00e3o), e que nos d\u00e1 um par\u00e2metro melhor para as interpreta\u00e7\u00f5es que realizamos.<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400; height: 226px;\" width=\"630\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"307\">&nbsp;<\/p>\n<p>Calor de ver\u00e3o<\/p>\n<p>At\u00e9 as sombras procuram<\/p>\n<p>Um lugar na sombra.<\/p>\n<p>(KEIKO p.191)<\/td>\n<td width=\"307\">ca\/lor\/de\/ve\/r\u00e3o (5)<\/p>\n<p>a\/t\u00e9\/as\/som\/bras\/pro\/cu\/ram (7)<\/p>\n<p>um\/lu\/gar\/na\/som\/bra (5)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O poema segue com rigor a estrutura conforme determina as regras do haikai, tendo tr\u00eas versos distribu\u00eddos em 5\/7\/5 \u00a0com o total de 17 s\u00edlabas. O ver\u00e3o logo no primeiro verso j\u00e1 indica que tem um kigo como elemento importante na constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica nip\u00f4nica. Esse item (kigo) \u00e9 uma caracter\u00edstica bem definida na produ\u00e7\u00e3o do haikai, pois as temporadas, de t\u00e3o marcadas no Jap\u00e3o, marcavam o primeiro verso ou verso inicial, que sempre continha uma palavra sazonal, e isso teve o efeito de fixar a esta\u00e7\u00e3o no<em> haikai<\/em>. Nesse poema, podemos contemplar essa marca inicial e que vai dar todo o sentido para o poema, de modo que quando pensamos em ver\u00e3o j\u00e1 sentimos o calor, o sol imenso. E os versos seguintes completam essa ideia de muito calor e que \u00e9 t\u00e3o quente que \u201ca pr\u00f3pria sombra procura um lugar na sombra\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse poema \u00e9 completo dentro dos esquemas haiku\u00edstas, no entanto o que traz de diferencial seria essa sensa\u00e7\u00e3o de calor pr\u00f3prio do Brasil, desse ver\u00e3o brasileiro que tem ondas de calor intenso. No Jap\u00e3o, embora quando \u00e9 \u00e9poca de calor, faz calor, mas a maior parte do tempo \u00e9 frio intenso ou com clima fresco. Desse modo, esse poema, criado em um pa\u00eds quente, o Brasil, nos mostra que o clima em que vivemos tamb\u00e9m influencia nas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, apresentando o seu olhar individual do ponto de vista em que se vive e est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As aproxima\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica desse poema em rela\u00e7\u00e3o ao haikai tradicional milenar s\u00e3o imensas, pois tem a estrutura, tem o tema sazonal, tem a brevidade, a sensibilidade da capta\u00e7\u00e3o da natureza com a vida. No entanto, distancia-se na forma com que os japoneses captam essa rela\u00e7\u00e3o entre a natureza e o momento presente da imagem vista e apreendida pelo observador. Nesse sentido, quando voc\u00ea imagina a sombra no poema procurando a sombra para amenizar o calor, sugere uma esp\u00e9cie de personifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito utilizada pelos ocidentais e n\u00e3o indica que o eu-l\u00edrico esteja em comunh\u00e3o com o silencio da natureza; percebe-se, numa experi\u00eancia humana, essa rela\u00e7\u00e3o do homem com o ambiente numa aus\u00eancia de pensamento, que \u00e9 algo muito particular dos haiku\u00edstas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O jogo entre aporias com o distanciamento e a aproxima\u00e7\u00e3o resulta numa fus\u00e3o nipo-brasileira que traz para o poema uma mistura muito individual de cada poeta, cada qual utilizando de um lado o que se tem da constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica no estilo nip\u00f4nico milenar e a caracter\u00edstica pessoal do olhar e cultural brasileira, em belas fus\u00f5es nipo-brasileiras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com a an\u00e1lise desse \u00faltimo poema, chegamos ao ponto final desse t\u00f3pico, e \u00e9 preciso reconhecer que muita coisa ainda ficou por dizer ou explorar, talvez acrescentar outros poemas de outros poetas contidos nesse significativo livro, <em><strong>Haicai-Brasil<\/strong><\/em>. Contudo, o que fica \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o de que todos sem exce\u00e7\u00e3o trazem a sua individualidade, a sua percep\u00e7\u00e3o de mundo em conson\u00e2ncia com seu universo cultural e com a cultura nip\u00f4nica. Vemos que, \u201ca cultura n\u00e3o \u00e9 inata, mas adquirida. \u00c9 partilhada e define os limites dos diferentes grupos humanos. \u00c9 o meio (de cultura) em que as pessoas vivem, se exprimem, se definem e se encontram\u201d (LOREN\u00c7O, RIBEIRO, 1995, p. 56), mas ao mesmo tempo, o autor diz que \u201c A vida \u00e9 um processo cont\u00ednuo de consolida\u00e7\u00e3o e desprendimento\u201d (p. 56). E com isso, \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 partilhar, mas compartilhar as culturas, vivenciando e trocando as experi\u00eancias. Desse modo, todos os poemas do <strong><em>Haicai-Brasil<\/em><\/strong> nos mostra a irmandade entre os dois povos: Brasil-Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong> Conhe\u00e7a os livros de C\u00edcera Yamamoto<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=C\u00edcera\"><span style=\"color: #ff0000;\">CLIQUE AQUI !!!<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse artigo teve o intuito de verificar, a partir da sele\u00e7\u00e3o de tr\u00eas poemas do livro <em><strong>Haicai-Brasil<\/strong><\/em> (Pangeia, 2023, 1272 p.), se os poemas possuem os mesmos postulados do fazer po\u00e9tico milenar japon\u00eas, observando tamb\u00e9m quais fatores os aproximam e quais os distanciam do fazer po\u00e9tico milenar nip\u00f4nico. Os tr\u00eas poemas foram escolhidos a partir de uma leitura total de todos os demais da colet\u00e2nea, numa percep\u00e7\u00e3o de que esses tr\u00eas representam, de certa modo, o todo, pois eles trazem as mesmas ideias no que diz respeito a metrifica\u00e7\u00e3o e tematiza\u00e7\u00e3o, sendo alguns voltados mais para os elementos da natureza e outros mais voltados para aspecto da vida humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao analisar esses tr\u00eas poemas, queremos ressaltar que independente de n\u00e3o se ter uma esta\u00e7\u00e3o do ano, ou estar com aspectos voltados tamb\u00e9m para a cultura brasileira, n\u00e3o significa que o poema n\u00e3o esteja adequado ao postulado da arte do <em>haiku<\/em>. Como Blyth diz: \u201cEm qualquer lugar do mundo, em qualquer momento, esse verso \u00e9 verdadeiro e v\u00e1lido\u201d (BLYTH, 1081. p. 337)<a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> . \u00a0Diante disso, j\u00e1 podemos dizer com absoluta certeza que os poemas t\u00eam caracter\u00edsticas do haikai e a beleza de cada um deles est\u00e1 justamente em algumas inspiradas ressignifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Observamos que em todos os poemas se constata a tradi\u00e7\u00e3o preservada de maneira rigorosa quanto \u00e0 estrutura, \u00e0 m\u00e9trica e \u00e0 forma, todos tamb\u00e9m se caracterizam pela brevidade e concis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No que diz respeito\u00a0 aos fatores que se aproximam da tem\u00e1tica, percebemos que os tr\u00eas peomas est\u00e3o ligados mais \u00e0 sensibilidade de ligar o poema a uma imagem relacionada ao captar de sentimentos com a presen\u00e7a daquilo que se observa. Isto \u00e9, os poemas apresentam um eu-lirico que consegue tirar uma \u201cfotografia\u201d do momento e reproduz\u00ed-la na escrita. Entretanto, eles se distanciam no sentido de haver uma mistura de pensamentos mais ligados ao estilo da cultura brasileira, pois, como diz Ot\u00e1vio Paz (1972), o povo japon\u00eas foi para n\u00f3s, brasileiros, uma escola de sensibilidade, mas acrescentamos aqui que a nossa sensibilidade parte para um lado mais intelectual do que os elementos com correntes de pensamentos-sentimentos filos\u00f3ficos do oriente, em espec\u00edfico quanto a aspectos do<em> Zen<\/em>, o que Bhyth (1963) j\u00e1 alertava quanto ao tr\u00e2nsito intertextual da tradi\u00e7\u00e3o do hokku em seu aclimatar no mundo ocidental.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, observamos que a forma de ver o mundo influencia o ser humano, de um modo geral, assim como suas produ\u00e7\u00f5es. A cultura de cada pa\u00eds tem suas ra\u00edzes profundas plantadas no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s e reflete em nossas a\u00e7\u00f5es, mas quando olhamos para outras culturas e nos envolvemos com a mistura disso, tamb\u00e9m podemos criar novos haikais a partir de sua tradi\u00e7\u00e3o em conson\u00e2ncia com novos horizontes.\u00a0 O haikai nos d\u00e1 a oportunidade de fazer essa din\u00e2mica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O haiku funciona seguramente, para o japon\u00eas, como a sugest\u00e3o de um para\u00edso que ainda n\u00e3o chegou a ser perdido \u2013 porque ainda nunca foi ganho nem sequer possu\u00eddo: o do direito a existir (como pessoa apenas) plenamente fora do grupo, isento da carga que \u00e9 o contexto social, isto \u00e9, da enorme estrutura cultural que Edward Hall chama de o \u201calgo contexto\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para o ocidental, o haiku (da civiliza\u00e7\u00e3o moderna) evoca mais o para\u00edso perdido do direito \u00e0 individualidade pessoal, que fez a epopeia do Western e tantas vezes \u00e9 hoje evocada no cinema quando em conflito contrap\u00f5e um indiv\u00edduo \u00e0 sociedade ou a um grupo isolado no seio dela (sempre muito mais forte, em princ\u00edpio, que um indiv\u00edduo isolado).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, ao ocidental j\u00e1 foi dada oportunidade de se individualizar (ou individuar) no seio da popula\u00e7\u00e3o a que pertence \u2013 sendo o protagonismo hist\u00f3rico e\/ou social um fen\u00f4meno quase constante desde o tempo dos gregos at\u00e9 os dias de hoje. O mesmo n\u00e3o se passou desse modo em reala\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria dos povos orientais, que sempre viveram e ainda vivem essencialmente atrav\u00e9s do grupo (LOREN\u00c7O, RIBEIRO, 1995, p. 77-78).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim, podemos afirmar que o universo das produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas presentes no livro <em><strong>Haicai-Brasil<\/strong> <\/em>se situa entre a racionalidade do povo brasileiro e o cora\u00e7\u00e3o (kokoro) nip\u00f4nico, em uma base tradicional que se espande para uma nova cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, conglomerando, dissociando e em coalesc\u00eancia ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">BLYTH, R.H. <strong><em>A history of haiku<\/em><\/strong>.Volume 1. Tokyo, The Hokusseido Press, 1963-4.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">LOUREN\u00c7O FORTE e RIBEIRO, P Manuel. <strong><em>O ocidente e a po\u00e9tica esquiva do <\/em><em>haiku<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: <em>Veja<\/em>, 1995.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">PAZ, Octavio. <strong><em>Signos em Rota\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>. Trad. Sebasti\u00e3o Leite. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1972.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">OHNO, Massao. <strong><em>Centen\u00e1rio da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: Larousse, 2008.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">YAMAMOTO, C.R. S. <em><strong>Tradi\u00e7\u00e3o e modernidade<\/strong><strong>: os tankas na po\u00e9tica de Wilson Bueno<\/strong><\/em>. Tr\u00eas Lagoas, 2012. 106 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras, Estudos Liter\u00e1rios) \u2013 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conhe\u00e7a os livros de C\u00edcera Yamamoto<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=C\u00edcera\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>CLIQUE AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Graduada em Letras (Habilita\u00e7\u00e3o Portugu\u00eas\/Ingl\u00eas) pela UFMS (2003) e em Pedagogia \u2013 Unicesumar (2024), com especializa\u00e7\u00e3o em Tradu\u00e7\u00e3o (Ingl\u00eas\/Portugu\u00eas &#8211; Portugu\u00eas\/Ingl\u00eas) na AEMS (2009). Mestre em Letras &#8211; Estudos Liter\u00e1rios na UFMS (2012). Doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2016). Com p\u00f3s doutorado em Literatura na UFMS (2021). \u00c9 atualmente professora de L\u00edngua Inglesa na rede municipal de Castilho (SP)<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Graduada em Ci\u00eancias Sociais pela UNESP (2010) e em Pedagogia pela FALC (2013). \u00c9 Mestranda em Educa\u00e7\u00e3o na UFMS (2025). Atualmente atua como Professora na educa\u00e7\u00e3o infantil na rede municipal de Castilho SP.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Graduado em Pedagogia pela FAISA (2014) e em Geografia pela UNIMES (2016), om especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Educacional na Faculdade Integradas Urubupung\u00e1 (2015), em Letramento pela Faculdade Campos El\u00edseos (2017), em Neuropsicopedagogia pelo INSTITUTO ITESA (2017) e em Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva com \u00eanfase em TGD pela Universidade Metropolitana (2021). \u00c9 atualmente Professor de Geografia na Rede Municipal de Castilho\/SP e Professor de Ensino Fundamental na Rede Municipal de Tr\u00eas Lagoas\/MS.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver Yamamoto (2012, p. 27).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver disserta\u00e7\u00e3o (YAMAMOTO, 2012, p.) Dispon\u00edvel em, &lt; https:\/\/bdtd.ibict.br\/vufind\/Record\/UFMS_268193ef5d93d7d0dcb4e05b47510e34&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver Yamamoto (2012, p. 27).<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Esse trecho e o quadro foram retirados do texto de P\u00f3s-doutorado de nossa autoria.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Livro <em><strong>Haicai-Brasil<\/strong><\/em>, p\u00e1gina 230.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Para maiores informa\u00e7\u00f5es sobre Bash\u00f4 ler nossa pesquisa de p\u00f3s-doutorado<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> \u201cThe choice of subjects is significant, reflecting as it does the character of the haiku poets, their nacionality, social position, and world view. Those things omitted, war, sex, poisonous plants and ferocious animals, floods, pestilences, earthqakes ad so on, are all dangerous and menacing to human life. we wish to forget them, and must do so if we are to live our short life in any sort of mental ease\u2019<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Retirado de https:\/\/www.dicio.com.br\/acre\/. Acesso em 30\/11\/2025<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u201cHaiku is at its best when it is simple wordsworthian, that is wordsworth at his most simple, &#8220;a sort of though in sense&#8221;\u201d<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Para maiores informa\u00e7\u00f5es ler nossa pesquisa de p\u00f3s-doutorado.<\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C86D12AD-8B94-4AFB-BE4D-BE528523F2F4#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> For any place in the world, at any moment, this verse is true and valid.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-13315\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-209x300.jpg 209w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-715x1024.jpg 715w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-768x1101.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-1072x1536.jpg 1072w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-700x1003.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-279x400.jpg 279w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-488x700.jpg 488w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros-907x1300.jpg 907w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Cicera_Capa_v2_Barros.jpg 1429w\" sizes=\"auto, (max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-13314\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-211x300.jpg 211w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-721x1024.jpg 721w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-768x1091.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-700x994.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02.jpg 776w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-282x400.jpg 282w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-20.02-493x700.jpg 493w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-13313\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-215x300.jpg\" alt=\"\" width=\"323\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-215x300.jpg 215w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-733x1024.jpg 733w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-768x1073.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-700x978.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-286x400.jpg 286w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45-501x700.jpg 501w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Imagem-15-08-2023-as-19.45.jpg 786w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conhe\u00e7a os livros de C\u00edcera Yamamoto<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=C\u00edcera\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>CLIQUE AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Para cita\u00e7\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">YAMAMOTO, C\u00edcera; SILVA, Larissa Cic\u00edlio; SILVA J\u00daNIOR, Osmar Paulo. <em>Haicai-Brasil<\/em>: uma leitura sob o olhar da mistura cultural de poetas que s\u00e3o reunidos nessa colet\u00e2nea. <strong><em>Blog da Pangeia<\/em><\/strong>, ISSN 3085-8453, 14 de setembro de 2025. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/o-haikai-no-brasil-o-ethos-oriental-com-o-logos-tropical\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/o-haikai-no-brasil-o-ethos-oriental-com-o-logos-tropical\/<\/a>, acesso em dd\/mmm.\/aa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde sua concep\u00e7\u00e3o a Pangeia Editorial teve olhos, ouvido, alma e mente voltados para a poesia, lan\u00e7ou diversos livros de poemas, buscou revelar novos talentos po\u00e9ticos e fez ressoar a voz de poetas j\u00e1 reconhecidos com novos livros. Al\u00e9m disso, na s\u00e9rie &#8220;A arte de Escrever&#8221;, AQUI\u00a0no Blog da Pangeia &#8211; ISSN 3085-8453, h\u00e1 v\u00e1rias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":592,"featured_media":19204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[406,2309,2310],"tags":[],"class_list":["post-19813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-haicai","category-haikai","category-haikai-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/592"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19813"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19813\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20019,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19813\/revisions\/20019"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}