{"id":19811,"date":"2025-09-17T22:09:19","date_gmt":"2025-09-17T22:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=19811"},"modified":"2025-11-20T17:42:55","modified_gmt":"2025-11-20T17:42:55","slug":"ciberpaje-da-criacao-de-uma-capa-a-trajetoria-artistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/ciberpaje-da-criacao-de-uma-capa-a-trajetoria-artistica\/","title":{"rendered":"Ciberpaj\u00e9: da cria\u00e7\u00e3o de uma capa \u00e0 trajet\u00f3ria art\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista para o <em><strong>Blog da Pangeia<\/strong><\/em>, o multiartista Ciberpaj\u00e9, autor da capa do livro de poemas <em><strong>Chumbo Sutil<\/strong><\/em>, de Nima Spigolon (Dionysius \/ Pangeia, 2024), fala do seu processo criativo, de sua vida e obra, de sua trajet\u00f3ria, da inf\u00e2ncia em Ituiutaba, MG, a ser artista multim\u00eddia reconhecido internacionalmente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ciberpaj\u00e9, cujo nome civil \u00e9 Edgar Franco, atua na UFG, onde \u00e9 professor titular. A entrevista foi concedida por e-mail para o Editor da Pangeia, Prof. Rauer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-20046\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-300x186.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-300x186.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-1024x636.jpg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-768x477.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-18x12.jpg 18w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-700x435.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21-400x248.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.21.jpg 1224w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><br \/>\n<em>Frame de v\u00eddeo no insta @ciberpaje<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Voc\u00ea nasceu em Ituiutaba, MG, em uma gera\u00e7\u00e3o de muitos autores e artistas. Conte-nos um pouco da sua inf\u00e2ncia e forma\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Ciberpaj\u00e9 \u2013<\/strong>\u00a0Sim, sou ituiutabano nascido em 1971 em uma casa repleta de livros! Meu amado pai, Dimas Franco, sempre foi um intelectual autodidata, um apaixonado por literatura, cinema, teatro, pintura, escultura. Um homem que sofreu muito no seio familiar por ser um apaixonado por cultura, pois na sua juventude e no contexto que vivia, livros eram considerados coisas tolas e que \u201cn\u00e3o levariam a lugar nenhum\u201d. Seu amor pela arte e pela cultura s\u00f3 floresceu pelo incentivo de um de seus tios, Vadico, que tamb\u00e9m era perseguido por gostar de ler em um mundo dominado pela vis\u00e3o de que o bom homem era aquele que sabia s\u00f3 dos afazeres e da lida no campo, j\u00e1 que ele nasceu na fazenda e s\u00f3 foi para a cidade com 10 anos de idade. Papai n\u00e3o conseguiu avan\u00e7ar nos estudos para al\u00e9m do curso t\u00e9cnico em contabilidade pelos seus compromissos como pai de fam\u00edlia, mas pautou sua exist\u00eancia entre os livros e a arte. Desde muito cedo fui incentivado a ler e contaminado por seu amor pelo cinema. A partir dos 2 anos de idade, papai me levava todos os domingos com ele para a Livraria Barros, \u00fanica livraria e tamb\u00e9m banca de revistas da cidade \u00e0 \u00e9poca. E todas as vezes eu j\u00e1 saia de l\u00e1 com um gibi nas m\u00e3os! Depois passei a frequentar com ele, todos os finais de semana, sess\u00f5es de cinema nos cines Ituiutaba e Capit\u00f3lio. Quando comecei a interessar-me por desenho e depois a escrever poemas, ele sempre esteve ali incentivando-me. Ele conhecia todos os intelectuais e escritores da cidade e integrou um grupo de teatro por muitos anos. Fui apresentado ao ic\u00f4nico Luiz Vilela ainda muito jovem, e tamb\u00e9m ao Rauer, depois de ter lido o fenomenal e pungente \u201cLugares Intoler\u00e1veis\u201d &#8211; tenho at\u00e9 hoje meu exemplar desse livro! Meu pai gostava de quadrinhos, mas eu acabei desenvolvendo uma conex\u00e3o muito mais intensa com essa singular linguagem art\u00edstica e meu processo criativo de narrativas floresceu a partir do desejo de tornar-me quadrinhista. Eu tinha 9 anos de idade e colecionava quadrinhos nacionais de terror, revistas como Mestres do Terror e Calafrio traziam em suas p\u00e1ginas mestres que passei a admirar como Fl\u00e1vio Colin, Mozart Couto \u2013 que anos depois tornou-se meu parceiro criativo em BioCyberDrama Saga, Watson Portela, Rodval Matias, entre outros. Foi em uma dessas revistas que conheci o conceito de \u201cfanzine\u201d, publica\u00e7\u00f5es fotocopiadas, realizadas de forma parat\u00f3pica por jovens editores que publicavam quadrinhos, poemas, contos, em tiragens pequenas e distribu\u00eddas pelo correio por aficionados. Com 12 anos de idade tive minha primeira HQ publicada em um fanzine, foi intenso demais, um meninote dessa idade j\u00e1 receber a resposta cr\u00edtica de algo criado por ele na se\u00e7\u00e3o de cartas do pr\u00f3ximo n\u00famero do fanzine que se chamava Odisseia e era publicado no interior de S\u00e3o Paulo. A partir de ent\u00e3o passei a dedicar parte de minha vida aos processos criativos, focando no desenho, nos quadrinhos, na poesia e eventualmente escrevendo contos. Que eu saiba, fui o primeiro ituiutabano a editar um fanzine, o \u201cAgonia Azul\u201d, um t\u00edtulo que publicava quadrinhos e poesias! O not\u00f3rio escritor Whisner Fraga era meu amigo de inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, ele escrevia poemas impactantes em seus cadernos de escola, quando os li, disse a ele que queria publicar alguns deles em meu zine, assim \u2013 como ele mesmo atesta \u2013 fui o primeiro a publicar algo escrito por ele no fanzine \u201cAgonia Azul\u201d, tenho muito orgulho disso! Somos grandes amigos at\u00e9 hoje e temos levado a verve da cultura ituiutabana para al\u00e9m de nosso estado e at\u00e9 pa\u00eds. O premiado quadrinhista Gazy Andraus, nascido em Ituiutaba, mas que era radicado em S\u00e3o Vicente (SP), passou a frequentar Ituiutaba visitando seus tios nas f\u00e9rias a partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 e estabeleci com ele v\u00e1rias parcerias art\u00edsticas, Gazy tem muita honra de ser de Ituiutaba e nosso estilo singular de HQ, o g\u00eanero po\u00e9tico-filos\u00f3fico dos quadrinhos brasileiros, tem em n\u00f3s, 2 dos pioneiros. Eu incentivava sempre todos aqueles que queriam fazer arte em nosso munic\u00edpio, fui capista dos primeiros livros de Luciano Vilela Teodoro e Beatriz Sarmento, jovens escritores tijucanos e meus contempor\u00e2neos, e claro, criei a capa do primeiro livro de Whisner Fraga. A escritora Nima Spigolon, eu lembro-me de v\u00ea-la ainda na juventude em festinhas no col\u00e9gio municipal Machado de Assis, que eu frequentava mesmo nunca tendo estudado l\u00e1, mas por circunst\u00e2ncias da vida n\u00e3o soube naqueles tempos de sua verve criativa com escritora. Vim a conhec\u00ea-la anos depois e agora tive a honra de tamb\u00e9m ser capista de uma de suas obras! Sigo muito ligado \u00e0 Ituiutaba, pois sou \u2013 com muita honra e alegria \u2013 um imortal da ALAMI \u2013 Academia de Letras, Artes e M\u00fasica de Ituiutaba, honra que divido com os colegas acad\u00eamicos Nima, Rauer, Whisner e Luciano. Recentemente participei da\u00a0 antologia \u201cContos Macabros do Tijuco\u201d, organizada pela associa\u00e7\u00e3o Artejucana tendo \u00e0 frente o artista multim\u00eddia Arth Silva. Tamb\u00e9m lancei, em 2024, na Biblioteca Municipal de Ituiutaba, o meu livro \u201cOs Aforismos do Ciberpaj\u00e9\u201d, tendo uma acolhida muito afetuosa dos amigos e pessoas ligadas \u00e0 cultura no munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>De que modo a arte, o desenho e a literatura se conformaram em projeto de vida na sua juventude?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Incentivado por meus pais e contaminado pelo v\u00edrus criativo e parat\u00f3pico dos fanzines, eu percebi desde muito cedo que uma das coisas mais divertidas e transformadoras do existir \u00e9 o ato criativo! A possibilidade de inventar meus pr\u00f3prios mundos e modificar a minha vis\u00e3o da realidade a partir dessas cria\u00e7\u00f5es j\u00e1 estava viva em mim aos 12 anos de idade. Aos poucos a minha vida foi encaminhando-se para essa tend\u00eancia crescente de ser um artista m\u00faltiplo, pois eu j\u00e1 desenhava, pintava, fazia quadrinhos, escrevia poemas, contos, cr\u00f4nicas. Por volta dos 17 anos tamb\u00e9m comecei a tocar contrabaixo. Minha exist\u00eancia passou a ser pautada pelo processo criativo, no ensino m\u00e9dio era conhecido como o louco desenhista, um rom\u00e2ntico ut\u00f3pico que escrevia poemas para as garotas que admirava e desenhava todo mundo, criava artes das camisetas das turmas da escola, ilustrava as letras de m\u00fasica para a professora de ingl\u00eas, caricaturizava professores e colegas, al\u00e9m de desenhar nas capas de meus cadernos os costumeiros monstros que eu amava por minha conex\u00e3o \u00edntima com o terror e o horror. Fiz as artes das camisetas, cartazes e capas das demo-tapes das primeiras bandas de heavy metal de Ituiutaba, o \u201cMalakay\u201d e o \u201cObscure Worm\u201d &#8211; esse segundo grupo at\u00e9 o nome da banda fui eu que sugeri! Ao mesmo tempo colaborava com in\u00fameros fanzines pelo pa\u00eds inteiro de norte a sul produzindo HQs curtas, ilustra\u00e7\u00f5es, poemas, contos e tudo que minha verve criativa permitisse. Queria fazer cinema e anima\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, mas as quest\u00f5es financeiras n\u00e3o possibilitaram tal empreitada\u00a0 que s\u00f3 fui realizar na idade adulta. Desde quando comecei a ter uma concep\u00e7\u00e3o de quem sou, em meu singular processo de individua\u00e7\u00e3o, me vejo como um artista, na concep\u00e7\u00e3o m\u00e1gicka e brincante desse termo usado de maneiras t\u00e3o diversas. O pesquisador de minha obra, educador Dr. Elydio dos Santos Neto, na ep\u00edgrafe de seu livro \u201cOs Quadrinhos Po\u00e9tico-Filos\u00f3ficos de Edgar Franco\u201d (Marca de Fantasia, 2 ed., 2024) usou um aforismo sint\u00e9tico meu: \u201cVida \u00e9 Cria\u00e7\u00e3o!\u201d, ele resume poeticamente a forma como encaro o existir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Como vivenciou as ang\u00fastias das escolhas para os caminhos universit\u00e1rios, da gradua\u00e7\u00e3o e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Graduei-me em arquitetura e urbanismo na UnB, na \u00e9poca do vestibular fiquei entre as artes pl\u00e1sticas e a arquitetura. A escolha foi integralmente minha, pois tive apoio incondicional de meus pais para decidir. Cursar arquitetura foi algo especial, pois o curso permitiu-me uma vis\u00e3o ampla de \u00e1reas do conhecimento que v\u00e3o de hist\u00f3ria da arte \u00e0 estruturas arquitet\u00f4nicas, tamb\u00e9m realizei m\u00faltiplas disciplinas no Instituto de Artes da UnB e ao fim da gradua\u00e7\u00e3o sabia que eu migraria de vez para as artes. Amei o ambiente acad\u00eamico e sobretudo o mundo da pesquisa, como TCC em teoria e hist\u00f3ria investiguei as rela\u00e7\u00f5es de processos criativos dos quadrinhos e da arquitetura. Essa investiga\u00e7\u00e3o veio, alguns anos depois, a tornar-se o meu primeiro livro publicado \u201cHist\u00f3ria em Quadrinhos e Arquitetura\u201d que atualmente encontra-se em sua terceira edi\u00e7\u00e3o pela Editora Marca de Fantasia (UFPB), e foi o livro pioneiro no Brasil a tratar desse tema, sendo uma refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica at\u00e9 hoje. Durante a gradua\u00e7\u00e3o segui muito produtivo no universo dos quadrinhos e, al\u00e9m dos fanzines, comecei a publicar nas primeiras revistas independentes. Ao final do curso, eu sabia que queria seguir como artista e pesquisador, mas migrando para o \u00e2mbito da pesquisa em artes, e isso aconteceu \u2013 depois de alguns percal\u00e7os e fracassos na tentativa de entrar em alguns programas de p\u00f3s, quando entrei no mestrado em Multimeios no Instituto de Artes da Unicamp, e realizei a pesquisa te\u00f3rico pr\u00e1tica \u201cHQtr\u00f4nicas \u2013 do suporte papel \u00e0 rede Internet\u201d, investiga\u00e7\u00e3o pioneira que tornou-se tamb\u00e9m um livro hom\u00f4nimo, com duas edi\u00e7\u00f5es publicadas e que \u00e9 refer\u00eancia at\u00e9 hoje para quem pesquisa sobre quadrinhos digitais e hipermidi\u00e1ticos. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do mestrado, quando produzi HQtr\u00f4nicas e rascunhei o meu universo ficcional transm\u00eddia da \u201cAurora P\u00f3s-Humana\u201d, decidi realizar o meu doutorado em artes na ECA\/USP, estudando o fen\u00f4meno p\u00f3s-humano nas artes. A minha entrada na USP foi um momento muito especial, pois quando eu tinha 5 anos de idade &#8211; entre os anos de 1975 e 1976, meu pai foi transferido para S\u00e3o Paulo e morei naquela cidade por dois anos, no Bairro de Pinheiros. Aos domingos meu pai levava-nos, eu e minha amada m\u00e3e Alminda Salom\u00e3o, para passearmos no campus da USP, que era pr\u00f3ximo de nossa resid\u00eancia e que ele amava, pois apesar de n\u00e3o ter cursado universidade, tinha um enorme respeito pelo ambiente acad\u00eamico e obviamente pela notoriedade da Universidade de S\u00e3o Paulo. Um dia est\u00e1vamos l\u00e1 no campus e eu estava brincando no gramado e perguntei a ele: \u2014 \u00a0Pai, o que \u00e9 esse lugar? Ele respondeu-me:\u00a0 \u2014 Aqui \u00e9 uma escola para adultos!\u201d e eu ent\u00e3o disse: \u2014 Um dia vou estudar aqui! Obviamente ele ficou orgulhoso de minha resposta e me contou isso algumas vezes durante minha vida. Assim, no dia em que fui admitido no doutorado na ECA\/USP, estava no campus e a primeira coisa que eu fiz foi ligar para ele de um orelh\u00e3o: \u2014 Pai, passei no doutorado nas artes da USP! Estou realizando aquilo que eu disse com 5 anos de idade! Ele respondeu: \u2014 Meu campe\u00e3o, a palavra tem poder! E ficou muito emocionado. Conto essa hist\u00f3ria para enfatizar o entusiasmo que foi realizar meu doutorado no qual tive plena liberdade para investigar o que amava e que, para al\u00e9m da tese, gerou m\u00faltiplos trabalhos art\u00edsticos em diversos suportes, do papel \u00e0s hiperm\u00eddias. Realizei ainda dois p\u00f3s-doutorados, um na UnB enfocando arte e tecnoci\u00eancia e outro na Unesp envolvendo processos criativos de performance e quadrinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-20048\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-298x300.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-298x300.jpg 298w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-1016x1024.jpg 1016w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-150x150.jpg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-768x774.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-12x12.jpg 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-700x705.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-100x100.jpg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-397x400.jpg 397w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-695x700.jpg 695w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-1290x1300.jpg 1290w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18-50x50.jpg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.18.jpg 1343w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>4.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Pode nos falar do processo \u00edntimo em que do &#8220;Edgar Franco emerge&#8221; o Ciberpaj\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em resposta a uma pergunta como essa para a pesquisadora de minha obra, Profa. Dra. Danielle Barros (UFSB), no livro \u201cConversas com o Ciberpaj\u00e9: vida, arte, magia e transcend\u00eancia\u201d (Marca de Fantasia, 2019), eu trouxe um de meus aforismos que resume um pouco do ide\u00e1rio que engendrou a minha transmuta\u00e7\u00e3o m\u00e1gicka e art\u00edstica como Ciberpaj\u00e9, meu nome art\u00edstico-m\u00e1gicko de ser renascido. Segue tamb\u00e9m aqui: \u201cO Ciberpaj\u00e9 \u00e9 um arauto insano do submundo, das subculturas, dos rebeldes incendi\u00e1rios, dos antiacad\u00eamicos, dos adogm\u00e1ticos, dos santos civis, dos Zorbas, dos Budas, dos artistas viscerais, dos anjos ca\u00eddos, dos dem\u00f4nios iluminados, dos c\u00e3es abandonados, dos que mergulham em seus abismos, dos psiconautas navegando pelo infinito, dos infi\u00e9is, dos antimonetaristas, dos que vandalizam carros e acariciam gatos, dos que uivam para a lua, dos que fazem sexo selvagem e amam docemente, dos que permanecem vivos em um mundo de mortos-vivos, dos que acreditam que qualquer bandeira \u00e9 uma fronteira, dos que conhecem um \u00fanico pa\u00eds chamado Gaia, dos que guardam o universo em seus cora\u00e7\u00f5es, dos que n\u00e3o temem paradoxos e n\u00e3o possuem verdades, de mutantes irrecuper\u00e1veis, de autorevolucion\u00e1rios!\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em um momento de drama pessoal descobri que era preciso propor a mim mesmo uma transmuta\u00e7\u00e3o e um renascimento. Estava prestes a completar 40 anos, a idade da maturidade. Depois de uma profunda crise existencial desencadeada por uma experi\u00eancia com o ente\u00f3geno <em>Psilocybe cubensis<\/em>, passei a limpo a minha exist\u00eancia nos meses e dias que antecederam meu anivers\u00e1rio. Com humildade e serenidade perdoei-me completamente por todos os chamados erros \u2013 na verdade experi\u00eancias fundamentais e fundadoras da minha evolu\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Percebi que minha vida sempre foi guiada pela cria\u00e7\u00e3o de universos ficcionais em minha arte e pela troca de informa\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es desses mundos fict\u00edcios com minha realidade ordin\u00e1ria. Tamb\u00e9m percebi que os aspectos mais importantes da minha consci\u00eancia eram moldados por essa rela\u00e7\u00e3o m\u00e1gicka e transformadora entre meus mundos fict\u00edcios e minha realidade. Assim, me vi como um paj\u00e9\/xam\u00e3 que promove a rela\u00e7\u00e3o entre mundos\/cosmogonias em busca da cura, mas neste caso da minha pr\u00f3pria cura, a busca por ser integral. A batalha do Ciberpaj\u00e9 \u00e9 a batalha de ser, de ser eu mesmo integralmente! Portanto, o Ciberpaj\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um guru ou l\u00edder espiritual, nem nada do tipo, ele \u00e9 apenas um ser que busca a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: a sua! Obviamente, minha revolu\u00e7\u00e3o pode inspirar pessoas que entram em contato com meu trabalho e ideias. O prefixo \u201cciber\u201d vem da cibern\u00e9tica, pois o Ciberpaj\u00e9 usa a hipertecnologia como canal de cria\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o com outras mentes, mas ele n\u00e3o nega outras formas avan\u00e7adas de conhecimento como a expans\u00e3o da consci\u00eancia atrav\u00e9s de ente\u00f3genos \u2013 tamb\u00e9m chamados de psicod\u00e9licos. Somos o que acreditamos ser, ent\u00e3o o impacto simb\u00f3lico de me tornar um Ciberpaj\u00e9 realmente revolucionou minha vida e percep\u00e7\u00e3o do mundo, fiquei ainda mais sereno, selvagem e vivo \u2013 isso por si s\u00f3 marca a grande import\u00e2ncia dessa a\u00e7\u00e3o para mim. E minha condi\u00e7\u00e3o de Ciberpaj\u00e9 envolve a natureza mut\u00e1vel das verdades, \u00e9 literalmente uma condi\u00e7\u00e3o mut\u00e1vel, porque sou capaz de reavaliar todas as minhas ideias a qualquer momento e n\u00e3o sei se amanh\u00e3, ou mesmo em 1 segundo, n\u00e3o me transformarei novamente e mudarei meu nome, estou aberto a novos renascimentos. Tudo \u00e9 poss\u00edvel, minha transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua e eterna como a do cosmos! Para mim, a arte \u00e9 o barro do oleiro, \u00e9 o espa\u00e7o ritual\u00edstico da cria\u00e7\u00e3o que me ajuda em minhas transforma\u00e7\u00f5es pessoais e na conex\u00e3o com aqueles que amo!\u00a0 Minha busca \u00e9 ser, ser plenamente quem eu sou, e quanto mais me equilibro, mais criativo me torno, mais livre sou. Quanto mais me expresso de forma genu\u00edna e verdadeira, mais for\u00e7a criativa desenvolvo. Quanto mais vivo minha sensualidade e minha selvageria, mais me torno inteiro. A verdadeira criatividade \u00e9 um ato completamente sensual. A criatividade \u00e9 fruto da nossa conex\u00e3o com o cosmos e a natureza, e acontece atrav\u00e9s dos nossos chamados aspectos \u201canimais\u201d, \u201cprimitivos\u201d; a sexualidade \u00e9 o mais visceral deles.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>5.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A A<em>urora P\u00f3s-Humana<\/em>, esse <em>p\u00f3s-humanismo<\/em>, tem quais origens e se integram a quais vertentes filos\u00f3ficas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Aurora P\u00f3s-Humana \u00e9 um universo ficcional transm\u00eddia de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica criado por mim com o objetivo de servir como ambienta\u00e7\u00e3o a<br \/>\ntrabalhos art\u00edsticos em m\u00faltiplas m\u00eddias e tamb\u00e9m como um espa\u00e7o de realiza\u00e7\u00e3o de meus rituais e sigilos m\u00e1gickos na tradi\u00e7\u00e3o da Magia do Caos de Austin Osman Spare &amp; Peter Caroll, ou seja, toda cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica minha \u00e9 tamb\u00e9m um ritual de autotransmuta\u00e7\u00e3o, utilizando a arte como uma estrat\u00e9gia de transforma\u00e7\u00e3o pessoal. A po\u00e9tica da Aurora P\u00f3s-Humana surgiu do desejo de vislumbrar um novo planeta Terra inspirado em perspectivas p\u00f3s-humanas. Um mundo futuro onde as proposi\u00e7\u00f5es de cientistas, ciberartistas e transumanistas tornaram-se realidade, no qual a ra\u00e7a humana, como a conhecemos, est\u00e1 em processo de extin\u00e7\u00e3o. O corpo e a mente est\u00e3o reconfigurados e em constante muta\u00e7\u00e3o. Limites entre animal, vegetal e mineral est\u00e3o se dissipando, a morte n\u00e3o \u00e9 mais algo inevit\u00e1vel e novas formas de misticismo e transcend\u00eancia<br \/>\ntecnol\u00f3gica, a \u201ctecnognose\u201d (Erik Davis, 1998), substitu\u00edram quase por completo as religi\u00f5es ancestrais. A Aurora P\u00f3s-Humana \u00e9 um universo em expans\u00e3o, j\u00e1 que constantemente est\u00e3o sendo agregados a ela dados e novas caracter\u00edsticas que regem essa futura sociedade p\u00f3s-humana. O meu desejo ao cri\u00e1-la, n\u00e3o foi apenas refletir sobre o que os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos futuros poder\u00e3o significar para a esp\u00e9cie humana e para o planeta, mas tamb\u00e9m produzir uma ambienta\u00e7\u00e3o que gere o \u201cdeslocamento conceitual\u201d descrito por Philip K.Dick e assim criar obras que discutam a implica\u00e7\u00e3o dessas tecnologias no panorama contempor\u00e2neo, ou seja, problematizar o presente<br \/>\npor meio de narrativas e obras deslocadas para um futuro ficcional hipot\u00e9tico. A ideia inicial foi imaginar um futuro, n\u00e3o muito distante, onde a maioria das proposi\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia e tecnologia de<br \/>\nponta fossem uma realidade trivial, e a ra\u00e7a humana j\u00e1 tivesse passado por uma ruptura brusca de valores, de forma f\u00edsica e conte\u00fado &#8211; ideol\u00f3gico\/religioso\/social\/cultural. Um futuro em que a transfer\u00eancia da consci\u00eancia humana para chips de computador seja algo poss\u00edvel e cotidiano, onde milhares de pessoas abandonar\u00e3o seus corpos org\u00e2nicos por novas interfaces rob\u00f3ticas. Tamb\u00e9m que neste futuro hipot\u00e9tico a bioengenharia avan\u00e7ou tanto que permite a hibridiza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre humanos, animais e vegetais, gerando infinitas possibilidades de mixagem antropom\u00f3rfica, seres que em suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas remetem-nos imediatamente \u00e0s quimeras mitol\u00f3gicas. Essas duas \u201cesp\u00e9cies\u201d p\u00f3s-humanas tornaram-se culturas antag\u00f4nicas e hegem\u00f4nicas disputando o poder em cidades estado ao redor do globo enquanto uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o, uma casta oprimida e em vias de extin\u00e7\u00e3o, insiste em preservar as caracter\u00edsticas humanas, resistindo \u00e0s mudan\u00e7as. Este universo tem sido aos poucos detalhado com dezenas de par\u00e2metros e caracter\u00edsticas, trata-se de um <em>work in progress<\/em> que toma como base todas as prospec\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia, da tecnognose, elementos de ocultismo e magia, al\u00e9m das artes de ponta para reestruturar seus par\u00e2metros. A partir dele j\u00e1 foram desenvolvidos uma s\u00e9rie de trabalhos art\u00edsticos, em diversas m\u00eddias e suportes, e atualmente outras obras est\u00e3o em andamento. A abrang\u00eancia conceitual da Aurora P\u00f3s-Humana tem me permitido criar, al\u00e9m de hist\u00f3rias em quadrinhos, obras em m\u00faltiplas m\u00eddias, muitas delas tendo como suporte as redes telem\u00e1ticas, convergindo linguagens art\u00edsticas diversas. J\u00e1 o conceito de p\u00f3s-humanismo para mim est\u00e1 para al\u00e9m do de p\u00f3s-humano, o p\u00f3s-humano \u00e9 esse ser transformado pela hipertecnologia enquanto o p\u00f3s-humanista \u00e9 aquele que questiona os valores do humanismo e da concep\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana como a detentora do poder no planeta sobre todos os animais e vegetais, vai na contram\u00e3o da brutalidade do Genesis b\u00edblico que nos coloca como entidades superiores no planeta. Somos apenas parte da biosfera, um dos \u00f3rg\u00e3os do organismo vivo Gaia. Nesse sentido sou um p\u00f3s-humanista radical e algumas das minhas op\u00e7\u00f5es de vida refletem isso, sou vegetariano h\u00e1 25 anos e vegano h\u00e1 13, n\u00e3o tenho carro, nem celular, entre outras esquisitices para o status-quo de nosso mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>6.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O artista e o homem, unos e indissoci\u00e1veis, \u00e9 hoje professor universit\u00e1rio em universidade federal, ambiente normalmente vetusto e protocolar \u2013 como \u00e9 viver cotidianamente esse paradoxo entre criador e contexto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A academia \u00e9 realmente hoje um local que gera muito pouco de transforma\u00e7\u00e3o na realidade interior dos seres. Penso que a universidade perdeu muito de seu sentido, robotiza para o mercado de trabalho, ou cria pseudo-pensadores hiper dependentes de teorias estranhas \u00e0s suas realidades, t\u00e3o dogmatizados quanto religiosos radicais. Na sua maioria, os acad\u00eamicos s\u00e3o criaturas castradas, polidas, chatas, enfadonhas, de discurso herm\u00e9tico e empolado, servi\u00e7ais de teorias e pensamentos alheios, a maioria papagaios de piratas replicando discursos de pensadores da moda. Obviamente que \u00e9 importante e fundamental conhecermos os grandes pensadores de nossas \u00e1reas, mas humildemente eu prefiro ser tamb\u00e9m um pensador, n\u00e3o tornar-me um servi\u00e7al dos outros, dou-me o direito de chegar \u00e0s minhas conclus\u00f5es a partir de minhas experi\u00eancias! Entretanto, eu ainda amo certas facetas da universidade p\u00fablica que resistem vivas! A possibilidade de ser um livre pensador caso esteja preparado para as cr\u00edticas e ataques, de ter liberdade para estruturar as suas disciplinas e de desenvolver pesquisas transformadoras se assim o desejar, mesmo que n\u00e3o v\u00e1 \u2013 obviamente \u2013 receber nem um \u00fanico centavo para desenvolv\u00ea-las. Para mim o \u00fanico sentido de estar na universidade \u00e9 investigar possibilidades inusitadas, novas, explorar o que n\u00e3o foi explorado. Com meu grupo de pesquisa CRIA_CIBER (FAV\/UFG &#8211; CNPq) j\u00e1 enfrentei problemas graves como uma pesquisa de doutorado que orientei e envolvia a utiliza\u00e7\u00e3o de ente\u00f3genos, incluindo ayahusca, para compreendermos aspectos do processo criativo de quadrinhos e criarmos quadrinhos inspirados nessas experi\u00eancias, tornou-se uma tese pioneira no mundo \u201cCartografias do Inconsciente\u201d, de Matheus Moura. Orientei a primeira pesquisa no mundo a propor uma HQ tatuada em 13 pessoas, o mestrado de Rennan Queiroz no PPG Arte e Cultura Visual da UFG, criando uma narrativa que est\u00e1 dilu\u00edda na pele de v\u00e1rios volunt\u00e1rios e se transformar\u00e1 ao longo dos anos. Nesse momento, uma de minhas orientandas, Duane Ribeiro, est\u00e1 fazendo a primeira disserta\u00e7\u00e3o de mestrado no pa\u00eds a ser desenvolvida completamente no formato de hist\u00f3ria em quadrinhos (sem texto dissertativo que a acompanha). Tamb\u00e9m orientei uma tese de doutorado que se pop\u00f3s a ser um fanzine em sua ess\u00eancia, a \u201cTezine\u201d de L\u00e9o Pimentel Souto. Esses s\u00e3o s\u00f3 alguns exemplos de pesquisas que tenho realizado no contexto do Cria_Ciber que eu coordeno h\u00e1 16 anos na Faculdade de Artes Visuais da UFG e a possibilidade de seguir realizando-as \u00e9 o que me mant\u00e9m na academia! Temos realizado tamb\u00e9m o \u201cFestival de Artes Ciberpajelan\u00e7as\u201d que j\u00e1 teve cinco edi\u00e7\u00f5es anuais, um festival com exposi\u00e7\u00f5es de artes, fanzines, oficinas art\u00edsticas diversas, performances, palestras, mostra de v\u00eddeos e anima\u00e7\u00f5es e a primeira premia\u00e7\u00e3o de fanzines nacional a ser outorgada no estado de Goi\u00e1s. O festival \u00e9 o momento especial do ano onde os integrantes do grupo apresentam suas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Ao longo de mais de duas d\u00e9cadas sendo artista transm\u00eddia e atuando como professor universit\u00e1rio tenho levado o processo criativo art\u00edstico como o minha pedra filosofal, enfrentando com peito aberto e cora\u00e7\u00e3o blindado as tempestades inevit\u00e1veis!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-20047\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-298x300.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-298x300.jpg 298w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-1019x1024.jpg 1019w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-150x150.jpg 150w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-768x772.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-12x12.jpg 12w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-700x704.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-100x100.jpg 100w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-398x400.jpg 398w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-696x700.jpg 696w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-1293x1300.jpg 1293w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23-50x50.jpg 50w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.23.jpg 1336w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>7.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Voc\u00ea tem acumulado pr\u00eamios, em diversas esferas. Fale-nos um pouco desses pr\u00eamios e de outras honrarias que granjeou com sua arte, seus projetos acad\u00eamicos e sua <em>persona<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando se \u00e9 jovem, nosso ego sonha com os pr\u00eamios, mas a pior coisa que pode acontecer com um artista jovem \u00e9 ser premiado! Na maior parte das vezes ele naufragar\u00e1 na autoindulg\u00eancia. Portanto tive a sorte de n\u00e3o ter sido premiado na juventude e aprendi um segredo caro para manter a minha verve po\u00e9tica e o aspecto genu\u00edno de minhas cria\u00e7\u00f5es, aprendi a n\u00e3o depender das valida\u00e7\u00f5es externas para seguir realizando o que eu acreditava e acredito ser minha leg\u00edtima express\u00e3o art\u00edstica. Assim, tive a sorte de receber m\u00faltiplas premia\u00e7\u00f5es, mas j\u00e1 na idade madura, e quando sou premiado recebo com muita alegria a valida\u00e7\u00e3o dos meus pares, mas com a maturidade de n\u00e3o ser dependente dessa valida\u00e7\u00e3o. Dito isso destaco algumas premia\u00e7\u00f5es que recebi e que revelam a abrang\u00eancia de minha atua\u00e7\u00e3o como artista transm\u00eddia, pois s\u00e3o pr\u00eamios nacionais e estaduais nas \u00e1reas de quadrinhos, artes visuais, arte e tecnologia, e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como: Pr\u00eamio Rumos Arte e Tecnologia &#8211; Ita\u00fa Cultural (2003), Trof\u00e9u Bigorna de melhor HQ de Aventura\/FC (2010), Medalha Frei Confaloni de Artes Visuais (UBE-GO, 2019), Pr\u00eamio Lus\u00f3fono Argos de Literatura Fant\u00e1stica (2021), Trof\u00e9u Angelo Agostini de Mestre do Quadrinho Nacional (2022), III Pr\u00eamio Nacional CMM da HQ Independente (2023), Pr\u00eamio CONSUNI UFG \u2013 para os destaques do ano na Universidade Federal de Goi\u00e1s (nos anos de 2021, 2022 e 2024) e I Pr\u00eamio do Quadrinho Goiano na categoria Mestre do Quadrinho Goiano (2024). Mas na verdade, para al\u00e9m das premia\u00e7\u00f5es, considero ainda mais relevantes o n\u00famero de pesquisas acad\u00eamicas que t\u00eam sido realizadas sobre as minhas obras e ide\u00e1rio, por pesquisadores acad\u00eamicos das mais diversas \u00e1reas, da biologia \u00e0 an\u00e1lise do discurso. Essas pesquisas j\u00e1 geraram disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, teses de doutorado, artigos cient\u00edficos, cap\u00edtulos de livros e 7 livros completos dedicados \u00e0s an\u00e1lises de minhas obras, sendo eles: &#8220;Edgar Franco e suas criaturas no Banquete de Plat\u00e3o&#8221; (Marca de Fantasia, 2024, 2.ed.), da Dra. em Comunica\u00e7\u00e3o Nadja Carvalho (UFPB); &#8220;Os Quadrinhos Po\u00e9tico-Filos\u00f3ficos de Edgar Franco&#8221; (Marca de Fantasia, 2 ed., 2024), do saudoso Dr. em Educa\u00e7\u00e3o Elydio dos Santos Neto (UFPB); &#8220;Agartha: s\u00edmbolos e mitos nos quadrinhos po\u00e9tico-filos\u00f3ficos&#8221;, da bi\u00f3loga e Dra. em Arte Ci\u00eancia Danielle Barros (UFSB); &#8220;Artlectos e P\u00f3s-humanos: da Aurora P\u00f3s-Humana \u00e0s novas configura\u00e7\u00f5es sociais&#8221; (Marca de Fantasia, 2020), a partir do TCC do graduado em Letras\/Literatura Giovane Corr\u00eaa Rojas (UEMS); &#8220;Conversas com o Ciberpaj\u00e9: vida, arte magia e transcend\u00eancia&#8221; (Marca de Fantasia, 2019), livro com 7 anos de entrevistas in\u00e9ditas realizadas comigo pela pesquisadora de minha obra Profa. Dra. Danielle Barros; &#8220;Hipermodernidade e representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas: o binarismo em Andr\u00e9 Sant&#8217;Anna e Edgar Franco&#8221; (Marca de Fantasia, 2023), a partir da pesquisa de TCC da graduada em letras\/literatura Ellen Caetano da Silva (UEMS), e &#8220;Tecnodiscurso e Paratopia: articula\u00e7\u00f5es poss\u00edveis na an\u00e1lise das cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do Ciberpaj\u00e9&#8221; (Marca de Fantasia, no prelo), fruto da investiga\u00e7\u00e3o de mestrado da Msc. Fab\u00edola Barros Castrillon (UFMT). As vers\u00f5es em e-book desses livros podem ser baixadas gratuitamente no s\u00edtio da Editora Marca de Fantasia:https:\/\/www.marcadefantasia.com\/<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Destaco tamb\u00e9m o \u201cDossi\u00ea Ciberpaj\u00e9: arte, vida e transm\u00eddia\u201d<br \/>\nda revista acad\u00eamica \u201cCadernos Zygmunt Bauman\u201d (UFMA) que reuniu 10 artigos acad\u00eamicos de pesquisadores do Brasil e exterior dedicados a analisar aspectos de minhas obras e ide\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>8.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais projetos pessoais e art\u00edsticos que embalam hoje, em 2025, os seus dias e os seus sonhos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sou muito prol\u00edfico, crio sem parar, porque criar \u00e9 um tes\u00e3o brincante para mim, o sentido da vida \u00e9 o ato criativo, ent\u00e3o tenho in\u00fameros projetos em processo e outros em minha mente. No momento estou concluindo um \u00e1lbum em quadrinhos com o renomado quadrinhista Toninho Lima, tenho uma HQ a ser publicada no \u00e1lbum colet\u00e2nea Arte Sequencial Brasileira que se prop\u00f5e a reunir grandes nomes da HQ contempor\u00e2nea nacional. Amanh\u00e3, dia 14 de mar\u00e7o de 2025, lan\u00e7arei meu novo EP musical do Projeto Musical Ciberpaj\u00e9, em parceria com o musicista Alan Flexa, o EP intitula-se \u201cConversas de Belzebu com seu pai morto II\u201d e \u00e9 baseado em um cap\u00edtulo de minha HQ de mesmo nome, sendo um desdobramento musical de meus quadrinhos. Tamb\u00e9m estou com um livro organizado por mim para ser lan\u00e7ado em breve, ele re\u00fane 19 grandes nomes da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira criando contos a partir de minhas artes e envolve aspectos transm\u00eddia criados em parceria com meu grande amigo Diogo Soares. Enfim, essa \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg criativo explosivo do Ciberpaj\u00e9!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-20045\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.20-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"303\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.20-202x300.jpg 202w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.20-8x12.jpg 8w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.20-269x400.jpg 269w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem-17-09-2025-as-18.20.jpg 324w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><br \/>\n<em><strong>Os aforismos do Ciberpaj\u00e9 <\/strong>foi<br \/>\nlan\u00e7ado pela Sinete (2024)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>9.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><em>Chumbo sutil <\/em><\/strong><strong>\u00e9 um projeto com conterr\u00e2neos (Nima, Aira, Whisner, Rizera, Rauer). Nos fale desse encontro e do projeto que desenvolveu para a capa do livro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que honra inimagin\u00e1vel e maravilhosa fazer parte desse encontro! Uma egr\u00e9gora m\u00e1gicka c\u00f3smica que re\u00fane admir\u00e1veis criaturas com a energia tel\u00farica de minha t\u00e3o amada terra natal, Ituiutaba! Uma cria\u00e7\u00e3o criativa conjunta tem a mesma for\u00e7a de um filho, e nesse caso foi tudo t\u00e3o livre, divertido, especial. Nima e Rauer deram-me completa liberdade para elaborar a arte de capa de Chumbo Sutil e o projeto gr\u00e1fico de capa. Ent\u00e3o eu realizei um \u201cRitual Art\u00edstico de Presen\u00e7a\u201d na cria\u00e7\u00e3o da arte partindo de uma leitura dos poemas de Nima que integram a obra, t\u00e3o pungentes, t\u00e3o sens\u00edveis, cheios de sutilezas, delicadezas e t\u00e3o sint\u00e9ticos. Deixei o inconsciente c\u00f3smico fruir com a caneta nanquim dan\u00e7ando diretamente sobre o papel e surgiu essa ave, uma esp\u00e9cie de F\u00eanix de S\u00edntese, depois fui para o computador colori-la e queria que as cores trouxessem essa mistura de leveza e profundidade dos poemas. Assim nasceu essa minha singela contribui\u00e7\u00e3o para essa obra incr\u00edvel de que tenho orgulho de dividir com tantos criadores que respeito e admiro. Recebam o meu afeto e carinho, queridos\u00a0 Nima, Aira, Whisner, Rizera e Rauer!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>10.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Conte-nos, no mi\u00fado e em termos gerais, do seu processo criativo \u2013 ou, melhor, dos seus processos criativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Investigo processos criativos inusitados e n\u00e3o usuais h\u00e1 30 anos, inclusive como a base para minhas pesquisas acad\u00eamicas. Ent\u00e3o seria imposs\u00edvel resumi-los aqui, pois j\u00e1 experimentei centenas de m\u00e9todos e possibilidades de cria\u00e7\u00e3o, desde parcerias com rob\u00f4s e \u00e1rvores, partindo para obras criadas durante intercursos sexuais, inspiradas em experi\u00eancias com ayahuasca, <em>Psilocybe cubensis<\/em>, respira\u00e7\u00e3o holotr\u00f3pica, magia de sigilos, transes diversos, HQforismos criados a partir de conex\u00f5es com as pessoas e tatuados instantaneamente na pele, artes conduzidas pela m\u00fasica e m\u00fasicas criadas a partir de desenhos, \u00e9 muita coisa. Tratarei aqui do que eu chamo de \u201cRitual de Presen\u00e7a\u201d, m\u00e9todo utilizado para criar a capa de Chumbo Sutil. Realizo tal processo quase que diariamente, mas ele se notabilizou nos lan\u00e7amentos de minhas obras, como exemplo de minha HQ \u201cTranslobo\u201d, lan\u00e7ada na Mandrake Comic Shop, em Goi\u00e2nia. Foram cerca de 40 artes exclusivas criadas a partir da energia e conex\u00e3o com os presentes ao evento. Fiquei mais de 3 horas desenhando enquanto conversava individualmente com quem me passava o seu exemplar para ser autografado. Na maior parte das vezes pedia \u00e0 pessoa que fizesse o tra\u00e7o inicial para incluir essa energia do gesto do outro na frui\u00e7\u00e3o de meu desenho. Chamo esse ato de desenhar sem nenhuma pretens\u00e3o e conectado completamente ao momento presente de &#8220;Ritual de Presen\u00e7a&#8221;. Trata-se de um exerc\u00edcio m\u00e1gicko de profunda conex\u00e3o com o agora e no caso dos aut\u00f3grafos envolve tamb\u00e9m a conex\u00e3o com o outro, abrindo-me para ouvi-lo sem nenhum julgamento. \u00a0Destaco o fato de que vivemos em uma \u00e9poca estranha, a esp\u00e9cie humana est\u00e1 cada vez mais desconectada de seu agora, as pessoas vivem com o fantasma do passado e as ansiedades insanas de um futuro, as redes sociais e a pseudo-exist\u00eancia virtual amplificaram isso. Ent\u00e3o, por mais paradoxal que pare\u00e7a, incrivelmente essa \u00e9 a era da desconex\u00e3o! Todos est\u00e3o \u201cconectados\u201d \u00e0s redes e desconectados de si mesmos. Seguem cultivando identidades ficcionais criadas nesses espa\u00e7os virtuais, fra\u00e7\u00f5es idealizadas de seus egos esmagados pelo culto do desempenho perfeito, tentando inventar uma satisfa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria com seus corpos, suas vidas, mesmo deixando claro nas entrelinhas um \u00f3dio impl\u00edcito de si mesmos. E a popula\u00e7\u00e3o global concentra-se em sua maioria nas cidades, locais inaptos para a vida, repletos de ru\u00eddos sonoros e visuais, de paisagens feias e artificiais, de polui\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, medo, hipercompetitividade, egolatria, e individualismo. O contato com a natureza \u00e9 m\u00ednimo, a desconex\u00e3o absoluta de suas ess\u00eancias animais \u00e9 total. Praticamente ningu\u00e9m consegue compreender em seu \u00edntimo ser parte da natureza, integrar a complexa e simbi\u00f3tica teia da vida que gera o glorioso hiperorganismo Gaia. Esse distanciamento cada vez maior do essencial robotiza e zumbifica os seres de forma irrevers\u00edvel. Sua pseudo-vida passa a ser uma busca voraz por obter mais objetos desnecess\u00e1rios, exercendo o hiperconsumo alimentado pela religi\u00e3o da obsolesc\u00eancia programada. Tamb\u00e9m s\u00e3o adictos do hiper-entretenimento, uma obsess\u00e3o crescente por mais entretenimento vazio que mesmerize suas mentes confusas, fazendo esquecerem-se de suas jornadas de trabalho opressivas, sem gra\u00e7a, tensas e baseadas na competi\u00e7\u00e3o e no temor iminente da perda de seus empregos. O solipsismo de sil\u00edcio das redes ajuda-os a manterem-se produzindo, criando um ref\u00fagio ilus\u00f3rio nessas identidades fracionadas que inventam para si mesmos, afastando-se de todos, ou encontrando alguns nas celebra\u00e7\u00f5es insanas e doentias de entretenimento tosco e prazeres vazios: como os<br \/>\ncampeonatos de futebol, as igrejas dogm\u00e1ticas, os shopping centers, os <em>blockbusters<\/em>, as <em>raves<\/em>, os <em>happy hours<\/em> regados a drogas l\u00edcitas, os games on-line e as redes sociais. A ansiedade \u00e9 o mal do s\u00e9culo, ningu\u00e9m dorme direito pensando nas tarefas imposs\u00edveis do dia que vir\u00e1, exigindo cada vez mais de si mesmo, demonstrando total insatisfa\u00e7\u00e3o com o que se tem, com quem se \u00e9, comparando-se a todo instante com os que o rodeiam, querendo sempre mais, mais, mais. Zumbis criados pelo monetarismo neoliberal, conduzidos pelas multinacionais em um mundo onde j\u00e1 n\u00e3o existe nenhum poder na m\u00e3o dos estados nacionais. A esp\u00e9cie humana est\u00e1 inevitavelmente condenada ao abismo que criou para si mesma, o fim \u00e9 iminente, convidando-nos para uma celebra\u00e7\u00e3o do nada que nos tornamos. Enquanto isso, nas poucas florestas que restaram, Lobos selvagens uivam para a Lua. Seu uivo c\u00f3smico \u00e9 um hino de desola\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, uma elegia para a humanidade, uma can\u00e7\u00e3o de glorifica\u00e7\u00e3o da nova era de Gaia. O Ciberpaj\u00e9 celebra com seus irm\u00e3os Lobos, o nada absoluto e o tudo que emergir\u00e1! Assim, o que eu nomeei de \u201critual de presen\u00e7a\u201d \u00e9 um processo ritual\u00edstico art\u00edstico de reconex\u00e3o absoluta com o momento presente, ele configura-se atrav\u00e9s do exerc\u00edcio de desenho livre, sem nenhum objetivo pr\u00e9vio ou desejo, simplesmente deixando as imagens flu\u00edrem livremente para o papel criando uma profunda conex\u00e3o com o ato art\u00edstico e tornando-se o pr\u00f3prio desenho enquanto se desenha. O desenhador \u00e9 o desenho e o desenho \u00e9 o desenhador, e assim estando completamente conectado com o instante presente! Tenho alguns v\u00eddeos no meu canal do Youtube e redes sociais mostrando-me em pleno ritual de presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>11.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Por favor, fique \u00e0 vontade para acrescentar perguntas que n\u00e3o foram feitas e as responder, e para as suas considera\u00e7\u00f5es finais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Interessados em saber mais sobre minhas obras e ide\u00e1rio confiram o meu blog A Arte do Ciberpaj\u00e9 Edgar Franco: <a href=\"http:\/\/ciberpaje.blogspot.com\/\">http:\/\/ciberpaje.blogspot.com\/<\/a> , meu youtube: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAZ1SZ9QoYKSXixnzrtwRKw\">https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAZ1SZ9QoYKSXixnzrtwRKw<\/a> e minhas redes sociais: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ciberpaje\/\">https:\/\/www.instagram.com\/ciberpaje\/<\/a> <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Oidicius\/\">https:\/\/www.facebook.com\/Oidicius\/<\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Concluo essa instigante entrevista com um de meus recentes aforismos:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Viver a vida intensamente n\u00e3o significa a busca desenfreada por novas emo\u00e7\u00f5es, a corrida ensandecida por novos lugares, sabores e seres. A ideia de rotina \u00e9 uma ilus\u00e3o que acomete os tolos, aprisionados pela concep\u00e7\u00e3o falaciosa de que algo se repete no Cosmos. Todas as manh\u00e3s, a caminhada na mata que realizo com meus c\u00e3es Kali &amp; Brakan \u00e9 um deslumbre magn\u00edfico, o c\u00e9u sempre tem cores e contornos diferentes, a mata sempre tem um novo cheiro, uma nova flor ou fruto, tudo \u00e9 absurdamente intenso e magn\u00edfico! O t\u00e9dio e a rotina s\u00e3o grades de fuma\u00e7a que enganam os imbecis, \u00e1vidos por novidades que est\u00e3o sempre diante deles se souberem abrir seus perceptos!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-18615\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-300x251.png\" alt=\"\" width=\"388\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-300x251.png 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-1024x858.png 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-768x644.png 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-1536x1288.png 1536w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-2048x1717.png 2048w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-14x12.png 14w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-700x587.png 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-400x335.png 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Chumbo-Sutil-3d-Capa-1300x1090.png 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><br \/>\nChumbo sutil<br \/>\n<\/strong><\/em>Capa: Ciberpaj\u00e9<br \/>\nAutora: Nima Spigolon<br \/>\nDiagrama\u00e7\u00e3o: R\u00edzio Macedo<br \/>\nApresenta\u00e7\u00e3o: Whisner Fraga<br \/>\nPref\u00e1cio: Aira Maiger<br \/>\nEditor: Rauer<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para pedir o livro<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/chumbo-sutil-nima-spigolon\/\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Clique Aqui !!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista para o Blog da Pangeia, o multiartista Ciberpaj\u00e9, autor da capa do livro de poemas Chumbo Sutil, de Nima Spigolon (Dionysius \/ Pangeia, 2024), fala do seu processo criativo, de sua vida e obra, de sua trajet\u00f3ria, da inf\u00e2ncia em Ituiutaba, MG, a ser artista multim\u00eddia reconhecido internacionalmente. 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