{"id":19627,"date":"2025-07-21T22:04:06","date_gmt":"2025-07-21T22:04:06","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=19627"},"modified":"2025-07-22T21:46:33","modified_gmt":"2025-07-22T21:46:33","slug":"por-ilka-santos-minimus-os-microcontos-de-alciene","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/por-ilka-santos-minimus-os-microcontos-de-alciene\/","title":{"rendered":"Por Ilka Santos, &#8220;minimus&#8221;, os microcontos de Alciene"},"content":{"rendered":"<p>Trazemos hoje um estudo de Ilka Vanessa Meireles Santos sobre os microcontos de\u00a0<span style=\"color: #ff6600;\"><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/product\/minimus-livro\/\"><em><strong>minimus<\/strong><\/em><\/a><\/span>, de Alciene Ribeiro Leite.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Na \u00a0Cole\u00e7\u00e3o \u00a0Microm\u00ednimus,<br \/>\n<\/b><b>a produ\u00e7\u00e3o de microcontos<br \/>\nde Alciene Ribeiro Leite<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: right;\"><em>Ilka Vanessa Meireles Santos<span class=\"s1\"> *<br \/>\nDoutoranda em Estudos<br \/>\n<\/span><span class=\"s1\">Liter\u00e1rios na UFMS<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">A produ\u00e7\u00e3o cont\u00edstica reunida no livro <strong><i>minimus <\/i><\/strong>(Cole\u00e7\u00e3o Microm\u00ednimus v. 3, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Campinas, SP: Dionysius \/ Pangeia, 2022), traz 134 microcontos de autoria de <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=Alciene\"><span style=\"color: #003300;\"><strong>Alciene Ribeiro Leite<\/strong><\/span><\/a>, divididos em sete temas: Palavra, Prosc\u00eanio, Tragicom\u00e9dia, Eros-Afrodite, Drama, Romeu e Julieta, e Pano\/Luz. Trata-se de uma forma inovadora de escrita que consiste em apresentar narrativas breves, concisas, em que o leitor se torna coautor do texto liter\u00e1rio. Nesta obra, Alciene Ribeiro Leite apresenta mais uma habilidade de sua escrita liter\u00e1ria: as micronarrativas, que demonstram muita expressividade, precis\u00e3o lingu\u00edstica, linguagem flu\u00edda, em que o cotidiano \u00e9 captado de forma fractal.<\/p>\n<p class=\"p1\">A escritora \u00e9 natural da cidade mineira de Ituiutaba e est\u00e1 presente no cen\u00e1rio da literatura brasileira desde a d\u00e9cada de 70, quando foi publicado seu primeiro trabalho em livro, o conto \u201cVinte anos de am\u00e9lia\u201d, lan\u00e7ado por uma editora do Rio de Janeiro. Ante, por volta dos anos 50, Alciene teve que interromper seus estudos, os quais foram retomados em 1967, e em 1975, graduou-se em Hist\u00f3ria. Tamb\u00e9m foi l\u00edder estudantil, fundou gr\u00eamios, criou jornais, militou em teatro amador e presidiu um Centro de Estudos, que recebeu o nome de S\u00e9rgio Buarque de Hollanda. Durante o per\u00edodo de 1977 a 1982, quando a escritora j\u00e1 estava residindo em Belo Horizonte, Alciene Ribeiro Leite publicou textos em v\u00e1rias colunas de jornais da capital; exerceu o cargo de chefe da Divis\u00e3o de Cultura da cidade natal, o que lhe proporcionou desenvolver diversas atividades culturais, como feiras e lan\u00e7amentos de livros e palestras.<\/p>\n<p class=\"p1\">Algumas das marcas da escrita cont\u00edstica de Alciene s\u00e3o a s\u00edntese, a concis\u00e3o, a fluidez, a ironia e as reflex\u00f5es que faz sobre a humanidade e a sociedade de modo geral, caracter\u00edsticas tamb\u00e9m observadas na sua produ\u00e7\u00e3o de microcontos. Nota-se sua capacidade de captar o cotidiano de forma perspicaz atrav\u00e9s do registro de pequenos flagrantes do tempo presente, instigando o leitor a uma an\u00e1lise cr\u00edtica da realidade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Na escrita de microcontos, Alciene faz uso de met\u00e1foras, de elipses e da linguagem fragmentada, caracter\u00edsticas que tamb\u00e9m podem ser observadas em produ\u00e7\u00f5es que v\u00e3o <span class=\"s1\">dos livros infanto-juvenis a poesias, de romances a obras de cunho espiritualista, o que <\/span>demonstra a pluralidade da escrita da autora.<\/p>\n<p class=\"p1\">A colet\u00e2nea de cento e trinta e quatro microcontos de Alciene Ribeiro Leite contribui para a consolida\u00e7\u00e3o deste g\u00eanero narrativo,<i> <\/i>o qual est\u00e1 ligado \u00e0 perspectiva da p\u00f3s-modernidade.<\/p>\n<p class=\"p1\">Conforme Seabra (2010) ressalta, em seu artigo &#8220;A onda dos microcontos&#8221;<i>, <\/i>a \u201cmicronarrativa tem ingredientes do nosso tempo, como a velocidade e a condensa\u00e7\u00e3o\u201d (p. 01). Dessa forma, a comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea da sociedade de informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 materializada no dizer o m\u00e1ximo utilizando-se o m\u00ednimo. Apesar de o microconto ser uma narrativa curta, condensada, ela \u00e9 capaz de ampliar a rela\u00e7\u00e3o texto-leitor, pois exige uma capacidade de infer\u00eancia, imagina\u00e7\u00e3o e perspic\u00e1cia desse sujeito. Assim, as compet\u00eancias de interpreta\u00e7\u00e3o e infer\u00eancia do leitor s\u00e3o agu\u00e7adas para que as particularidades das micronarrativas sejam reveladas, uma vez que desperta a reflex\u00e3o, a criatividade, a cumplicidade e o fasc\u00ednio do p\u00fablico leitor.<\/p>\n<p class=\"p1\">No que diz respeito a outras particularidades dos microcontos, tem-se, segundo Campos (2011),<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"padding-left: 40px;\">\u201ca brevidade; a intertextualidade; a metafic\u00e7\u00e3o; a epifania; precis\u00e3o cir\u00fargica que aproxima prosa e poesia; o ficcional entrela\u00e7ado a recortes de elementos factuais; o humor; a polissemia; o inusitado; a ironia; a ludicidade da linguagem\u201d.<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">A literatura de microcontos, por sua vez, revela par\u00e2metros da sociedade p\u00f3s-moderna, uma vez que as micronarrativas desvelam os seres humanos da atualidade. \u00c9 nessa perspectiva que se apresenta a escrita microcont\u00edstica de Alciene Ribeiro Leite, que se delineia numa s\u00e9rie de mosaicos apresentados em pequenas por\u00e7\u00f5es de humor, ironia e cr\u00edtica social.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, o presente artigo pretende analisar alguns microcontos da autora, com o objetivo de identificar caracter\u00edsticas estil\u00edsticas e tem\u00e1ticas desta nova arte cont\u00edstica contempor\u00e2nea. Para condu\u00e7\u00e3o do estudo, adotamos uma abordagem explorat\u00f3ria, fundamentada em levantamento bibliogr\u00e1fico, a fim de aprofundar o tema proposto por meio de uma an\u00e1lise qualitativa.<\/p>\n<p class=\"p1\">Desse modo, observamos que os microcontos da obra de Alciene Ribeiro Leite revelam uma abordagem inovadora na constru\u00e7\u00e3o narrativa e subtexto profundo, utilizando uma linguagem minimalista, que provoca impacto emocional e intelectual no leitor, mesmo sendo exposta num espa\u00e7o textual reduzido caracter\u00edstico do microconto.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>A Microcont\u00edstica<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">O ato de narrar \u00e9 considerado uma das atividades mais antigas da humanidade, sendo desenvolvida desde os tempos mais remotos. Assim, com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o fazer art\u00edstico, representado por <span class=\"s1\">meio dos contos, foi se modificando. Nesta perspectiva, tem-se como <\/span>exemplo as mininarrativas e as micronarrativas na concep\u00e7\u00e3o que Walter Benjamin (1987, p. 206), que ironicamente afirma: \u201c[&#8230;] o homem conseguiu abreviar at\u00e9 a narrativa\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">A literatura mini- e micro- adota o princ\u00edpio do n\u00e3o-dito, um convite para que o leitor de micronarrativas estabele\u00e7a uma conex\u00e3o com o texto no intuito de depreender a constru\u00e7\u00e3o dos sentidos poss\u00edveis. Diante disso, Seabra (2010) explica sua defini\u00e7\u00e3o de microconto: \u00e9 como uma liga\u00e7\u00e3o muito forte atrav\u00e9s de um furinho de agulha no universo, algo que permite projetar uma imagem de uma realidade situada em outra dimens\u00e3o. Como se, por meio desse furo, dois cones se tocassem nas pontas, um menor, que \u00e9 o que est\u00e1 escrito no microconto, e outro maior, que \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o a partir da leitura \u2013 pois, mais do que contar uma hist\u00f3ria, um microconto sugere diversas, abrindo possibilidades para cada um completar as imagens, o roteiro, as alternativas de desdobramento (cf. Seabra, 2010, p. 01).<\/p>\n<p class=\"p1\">O conceito de Seabra apresenta com propriedade a habilidade do microcontista em dispor do menor n\u00famero de palavras e relacion\u00e1-las a uma amplitude de significados poss\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"p1\">Contar hist\u00f3rias utilizando poucas palavras ou caracteres, este \u00e9 o desafio dos escritores da literatura de microfic\u00e7\u00e3o. Assim, alguns autores estabeleceram crit\u00e9rios quanto ao n\u00famero de caracteres, ou seja, um microconto deve possuir de cem a cento e cinquenta caracteres, contando letras, espa\u00e7os e pontua\u00e7\u00e3o; embora isso n\u00e3o seja uma regra seguida \u00e0 risca por todos os microcontistas.<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">Torna-se relevante, portanto, recorrer ao marco cronol\u00f3gico das micronarrativas (dependendo da considera\u00e7\u00e3o dos autores), para situar o primeiro microconto (\u201cO dinossauro\u201d), datado de 1959, escrito por Augusto Monterroso, presente no livro\u00a0<strong><i>Obras completas<\/i><\/strong><strong>\u00a0(<i>y otroscuentos<\/i>)<\/strong>. O autor \u00e9 considerado um dos fundadores do g\u00eanero (o microconto \u201cO dinossauro\u201d\u00a0foi escrito apenas com trinta e sete caracteres). \u00c9 um dos microcontos mais conhecidos e parodiados, como se observa a seguir:<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">O dinossauro<br \/>\nQuando ele acordou, o dinossauro ainda estava l\u00e1.<br \/>\n(Monterroso, 1959)<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">Quando Sartre desligou a TV, o Nada ainda estava l\u00e1.<br \/>\n(Montesdeoca, 2008, p. 72)<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">\u00c0 Monterosso<br \/>\nQuando acordou, o dinossauro o espreitava:<br \/>\n\u2013 De que loca voc\u00ea saiu, animal <em>erectus<\/em>?<br \/>\n(Alciene Ribeiro Leite, 2020, p. 13)<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\">A partir do microconto &#8220;O dinossauro&#8221;, Zavalla (2018) faz uma reflex\u00e3o sobre a <\/span>simbologia do termo dinossauro e uma poss\u00edvel intertextualidade presente na narrativa. Assim se apresenta sua an\u00e1lise:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">No M\u00e9xico, onde este conto foi concebido e escrito originalmente em sua totalidade, o termo dinossauro refere-se coloquialmente a um pol\u00edtico pertencente ao antigo regime, isto \u00e9, cinicamente corrupto e caracterizado pelo tr\u00e1fico de influ\u00eancia. Assim, o texto tamb\u00e9m pertence \u00e0 cr\u00f4nica jornal\u00edstica. Por outro lado, aqui h\u00e1 uma forte carga intertextual ao referir-se ao conto de Hor\u00e1cio Quiroga. \u201cO sonho\u201d (1914), no qual o protagonista persegue um dinossauro durante uma grande jornada e cai adormecido. (Zavala, 2018, p. 320).<\/p>\n<p class=\"p1\">Marcelino Freire tamb\u00e9m escreve referindo-se ao microconto de Augusto Monterroso, como consta do pref\u00e1cio do livro <strong><i>Os cem menores contos brasileiros do s\u00e9culo<\/i><\/strong>, de 2004:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">O mais famoso microconto do mundo&#8230; tem s\u00f3 37 letrinhas. Inspirado nele, resolvi desafiar cem escritores brasileiros, deste s\u00e9culo, a me enviar hist\u00f3rias in\u00e9ditas de at\u00e9 cinquenta letras (sem contar t\u00edtulo, pontua\u00e7\u00e3o). Eles toparam. O resultado aqui est\u00e1. Se \u201cconto vence por nocaute\u201d, como dizia Cort\u00e1zar, ent\u00e3o toma l\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p1\">Assim, o termo microconto consolida-se no Brasil a partir da organiza\u00e7\u00e3o desse livro por Marcelino Freire, uma proposi\u00e7\u00e3o para escritores renomados produzirem micronarrativas de at\u00e9, no m\u00e1ximo, cinquenta caracteres. Dessa forma, segundo considera Souza (2021), a obra representa o marco editorial da microfic\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p class=\"p1\">No entanto, \u00e9 importante haver pondera\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 afirmativa de consolida\u00e7\u00e3o do g\u00eanero microconto aqui no Brasil, pois antes da d\u00e9cada de 80 j\u00e1 era poss\u00edvel observar micronarrativas escritas por Oswald de Andrade, que, por vezes, eram tidas como poesia, a exemplo dos poemas-p\u00edlula; eis um deles:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">Amor<br \/>\nhumor<br \/>\n(Andrade, 1927)<\/p>\n<p class=\"p1\">Sob esse contexto de antiguidade microcont\u00edstica, verifica-se que, na literatura brasileira, tem-se fragmentos de narrativas com sentidos autossuficientes, que tamb\u00e9m foram publicadas antes da antologia de microcontos de Marcelino Freire, como \u00e9 o caso de Machado de Assis, em seu livro <i>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/i>, conforme exemplificamos no excerto a seguir:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de r\u00e9is.<br \/>\n(Machado de Assis, 1994, p. 25).<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">O que se observa tanto no poema-p\u00edlula de Oswald de Andrade quanto no fragmento isolado da obra de Machado de Assis \u00e9 que a apreens\u00e3o do que \u00e9 dito evoca a\u00a0<span class=\"s1\">participa\u00e7\u00e3o do leitor para compor o significado do texto. Tratam-se de fractais dos quais emergem\u00a0<\/span>uma pluralidade de sentidos. Tem-se, portanto, uma das caracter\u00edsticas da produ\u00e7\u00e3o microcont\u00edstica. Para ilustrar algumas das particularidades dos microcontos brasileiros, apresenta-se alguns aforismos descritos por Rauer Rodrigues (2011) em seu artigo \u201cApontamentos sobre o microconto\u201d:<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">1. O microconto \u00e9 uma casca de ovo, com alguma clara e um pingo de gema que escorreu, boiando na enxurrada escura sob a luz noturna da lua minguante.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">2. O microconto j\u00e1 existia em sociedades \u00e1grafas; na sequ\u00eancia, podemos v\u00ea-lo em Tales e em Her\u00e1clito, assim como em Hes\u00edodo e em Safo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">3. O microconto foi praticado em todos os per\u00edodos da humanidade, oculto nas dobras de outros g\u00eaneros e formas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">4. O microconto marca a ascens\u00e3o do mundo digital, eletr\u00f4nico, computacional\u00a0intern\u00e9tico, que sepulta \u2013 sem ultrapassar \u2013 o universo das m\u00e1quinas mec\u00e2nicas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">5. O microconto \u00e9 alexandrino por ess\u00eancia, e se vale da ambiguidade do ocaso que \u00e9 aurora.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">6. \u00c9 desse microconto, que sepulta o albatroz baudelairiano erigindo bytes virtuais, de que falamos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">7. O microconto s\u00f3 se faz \u2013 de modo intenso e completo \u2013 com o esp\u00edrito da virtualidade, mas se presentifica independente do suporte e da m\u00eddia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">8. O microconto \u00e9 a fronteira da express\u00e3o liter\u00e1ria, no limes entre poesia e prosa, entre \u00e9pica e elipse, entre a rigidez do amor e a sinfonia atonal.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">9. O microconto, mesmo aquele que se aproxima do humor mais escrachado, tem algo de soturno.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">10. O microconto absorve todas as formas, f\u00f4rmas, g\u00eaneros e modos de express\u00e3o de todas as artes: \u00e9 antropof\u00e1gico e on\u00edvoro.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">11. O efeito \u00fanico do microconto \u00e9 como um raio de sol que se refrata em todas as cores do arco-\u00edris.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">12. O microconto apresenta tantas men\u00e7\u00f5es intertextuais quantas s\u00e3o as palavras que o comp\u00f5e. Onde se l\u00ea intertexto, leia-se hipertexto.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">13. O microconto \u00e9 o n\u00f3 da rede: cada n\u00f3 nunca \u00e9 mais que uma fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de um poss\u00edvel narrativo: o microconto \u00e9 f\u00f3ton que cont\u00e9m o universo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">14. No microconto, os hipertextos intertextuais que suplementam em acr\u00e9scimo, debate ou derroga\u00e7\u00e3o presentificam-se como a sombra de um eclipse.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">15. O microconto \u00e9 sil\u00eancio, alma, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">16. O microconto transp\u00f5e barreiras, sendo o pr\u00f3prio limes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">17. A hist\u00f3ria submersa do microconto \u00e9 um mergulho em desv\u00e3os pressentidos, por\u00e9m insond\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">18. O microconto realiza todos os g\u00eaneros liter\u00e1rios, todas as formas po\u00e9ticas, todas as estrat\u00e9gias narrativas; o microconto \u00e9 um fractal que convida o leitor para a contradan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">19. N\u00e3o existe microconto de atmosfera ou de enredo: todo microconto persegue um enredo forjando uma atmosfera.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">20. O microconto \u00e9 o encontro da poesia com a prosa no balbucio do rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">21. No microconto n\u00e3o h\u00e1 uma hist\u00f3ria evidente e uma segunda hist\u00f3ria, secreta \u2013 jamais fragmento, h\u00e1 no microconto o encontro de diversas hist\u00f3rias, ou microconto n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">22. Se a narrativa tem mais que a epifania ap\u00f3s o cl\u00edmax, n\u00e3o \u00e9 um microconto.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">23. Se a epifania do microconto fulge, o microconto vira um falso fogo-de-artif\u00edcio.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">24. O microconto pode ser um haiku, mas ao contr\u00e1rio do haiku, que morre se recebe um t\u00edtulo, o microconto sem t\u00edtulo fica manco das duas pernas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">25. O microconto pode ser lido em uma \u00fanica risada.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">26. O microconto, ainda que encene um dia radioso, de sol escaldante, no meio da tarde, \u00e9 um g\u00eanero noturno.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"padding-left: 40px;\"><span class=\"s4\">27. O microconto \u00e9 inapreens\u00edvel. Toda arte \u00e9. A arte, em seu recorte, representa uma <\/span>totalidade fechada, aut\u00f4noma \u2013 e ox\u00edmora, referencial. O microconto tamb\u00e9m \u00e9 totalidade.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">28. O microconto coalesce nos limites da poesia e da narrativa, incorporando e transformando formas simples e subg\u00eaneros liter\u00e1rios, formatando-se como um novo g\u00eanero.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">29. O microconto \u00e9 a poalha em r\u00e9stia de luz nos escombros de uma casa em ru\u00ednas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px; text-align: right;\">(Rauer Ribeiro Rodrigues, 2011, p, 566-569).<\/p>\n<p class=\"p1\">Os vinte e nove aforismos expostos por Rodrigues (2011) fazem uma s\u00edntese do conceito e das caracter\u00edsticas da produ\u00e7\u00e3o microcont\u00edstica brasileira, estudo que foi desenvolvido pelo autor a partir de uma revis\u00e3o cr\u00edtica de obras de per\u00edodos precedentes que podem ser identificadas hoje como micronarrativas, inserindo tamb\u00e9m os microcontos postados nas m\u00eddias sociais. Percebe-se, a partir dos aforismos, uma forma de estabelecer par\u00e2metros para investiga\u00e7\u00e3o da nova arte cont\u00edstica contempor\u00e2nea, no caso, uma an\u00e1lise da microcont\u00edstica de Alciene Ribeiro Leite.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>O(s) <em>minimus<\/em> de Alciene Ribeiro Leite<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">A vida sendo constitu\u00edda em poucas palavras. Este \u00e9 o enfoque das micronarrativas que est\u00e3o inseridas na obra <strong><i>minimus<\/i><\/strong>, de autoria de Alciene Ribeiro Leite, composta por um volume de cento e trinta e quatro microcontos, dispostos em sete temas (Palavra, Prosc\u00eanio, Tragicom\u00e9dia, Eros-Afrodite, Drama, Romeu e Julieta, e Pano\/Luz), em que este estudo pretende analisar algumas de suas micronarrativas, pontuando alguns microcontos que se encaixam de acordo com os aforismos de Rauer Ribeiro Rodrigues (2011). No entanto, vale destacar que v\u00e1rios aforismos podem estar presentes em um mesmo microconto.<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">Como crit\u00e9rio de escolha para an\u00e1lise, selecionou-se um microconto de cada tema da obra\u00a0<strong><i>minimus<\/i><\/strong>. A seguir, apresenta-se o microconto referente ao primeiro tema (Palavra):<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">LEITOR PULSANTE<br \/>\nNo microconto o sugerido<br \/>\nlateja entrelinhas<br \/>\ne desafia<br \/>\no leitor<br \/>\na substantiv\u00e1-lo<br \/>\n(Alciene Ribeiro Leite, 2020, p. 15)<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: left;\">Em se tratando de conceito e caracter\u00edsticas das micronarrativas do tema Palavra, \u00e9 poss\u00edvel observar que, nesse microconto, Alciene Ribeiro Leite expressa de forma perspicaz o conceito e o papel do leitor de micronarrativas, conforme pode ser corroborado por Rodrigues (2011), no aforismo de n\u00famero 18: \u201cO microconto realiza todos os g\u00eaneros liter\u00e1rios, todas as <span class=\"s1\">formas po\u00e9ticas, todas as estrat\u00e9gias narrativas; o microconto \u00e9 um fractal que convida o leitor <\/span>para a contradan\u00e7a\u201d. Assim, tem-se a estrat\u00e9gia narrativa do microconto: a capacidade de pincelar em poucas palavras o n\u00e3o dito ao mesmo tempo em que sugere e prop\u00f5e ao leitor construir seu significado.<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">Outro aspecto importante que deve ser ressaltado no microconto descrito \u00e9 o efeito do t\u00edtulo atrelado a todo o contexto da narrativa, consoante ao que se comprova no aforismo de n\u00famero 24 de Rodrigues (2011): \u201cO microconto pode ser um\u00a0<i>haiku<\/i>, mas ao contr\u00e1rio do\u00a0<i>haiku<\/i>, que morre se recebe um t\u00edtulo, o microconto sem t\u00edtulo fica manco das duas pernas\u201d. O t\u00edtulo, portanto, funciona como parte integrante do sentido narrativo.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p1\">Nota-se que uma das caracter\u00edsticas essenciais da micronarrativa, segundo menciona Campos (2011), \u00e9 a brevidade associada \u00e0 intertextualidade, epifania, metafic\u00e7\u00e3o, humor, o ficcional aglutinado a recortes de elementos fractais, a multiplicidade de sentidos, entre outras.<\/p>\n<p class=\"p1\">No que se refere \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das lacunas do microconto, Luciene Lemos de Campos (2011) pontua a estrat\u00e9gia do narrador em agu\u00e7ar o leitor a desvelar as entrelinhas do texto:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">No discurso dessas narrativas, parece-nos, o importante \u00e9 estabelecer apenas um n\u00facleo significativo, ou seja, n\u00e3o importa se a personagem seja homem ou mulher \u2014 tem-se, muitas vezes, apenas a refer\u00eancia de personagem, nominado ou n\u00e3o \u2014; se h\u00e1 espa\u00e7o delimitado ou extremamente aberto, externo ou interno; se dia ou noite; neste ou em outro s\u00e9culo \u2014 \u00e9 o leitor quem preencher\u00e1 as fendas deixadas, propositadamente, pelo narrador. (Campos, 2011).<\/p>\n<p class=\"p1\">Observa-se na afirmativa da pesquisadora que um dos intuitos do microconto \u00e9 conseguir depreender a singularidade fragmentada da realidade e transform\u00e1-la em representa\u00e7\u00e3o na literatura, aspecto verificado na escrita do microconto &#8220;Leitor Pulsante&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em se tratando de micronarrativas, os di\u00e1logos presentes em alguns microcontos denotam algo inovador, uma vez que a narrativa apresentada por meio de di\u00e1logos, sem a interfer\u00eancia de um narrador, aponta para um abandono de modelos estabelecidos pelo c\u00e2none liter\u00e1rio. Nesse vi\u00e9s, tem-se o seguinte microconto, que comp\u00f5e o segundo tema de <strong><i>minimus<\/i><\/strong>, Proc\u00eanio:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">SHAKESPEARIANA<br \/>\n\u2013 Ser ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea decide, uai!<br \/>\n(Alciene Ribeiro Leite, 2020, p. 33)<\/p>\n<p class=\"p1\">No di\u00e1logo da micronarrativa apresentada acima, Alciene utiliza-se do recurso da intertextualidade, representado pela alus\u00e3o ao poeta ingl\u00eas William Shakespeare e uma de suas obras mais famosas &#8211; <strong><i>Hamlet<\/i><\/strong>. No t\u00edtulo do microconto, o termo Shakespearina, um aportuguesamento do sobrenome do autor de <strong><i>Hamlet<\/i><\/strong>, indica que ou quem admira ou se dedica <span class=\"s1\">ao estudo da obra de Shakespeare. Quanto \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do texto, suscita v\u00e1rios <\/span>sentidos, sendo que um deles \u00e9 que a personagem feminina, que pode ser inferida por meio do t\u00edtulo da micronarrativa, declara uma das falas do texto dram\u00e1tico de Shakespeare, em que sugere sua indecis\u00e3o a respeito de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, em que pode se deixar levar pelos des\u00edgnios superiores ou arriscar-se e insurgir contra o destino, o qual segue a mesma proposi\u00e7\u00e3o do drama em <i><strong>Hamlet<\/strong>, <\/i>caracterizando uma dimens\u00e3o filos\u00f3fica; ou pode tamb\u00e9m indicar a d\u00favida quanto a algum acontecimento corriqueiro; ou ainda pode sugerir que a personagem possa estar em d\u00favida quanto a sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p class=\"p1\">Seguindo essa mesma linha de compreens\u00e3o quanto \u00e0 intertextualidade presente no microconto \u2018Shakespeariana\u2019, aponta-se o aforismo n\u00famero 12 de Rauer Rodrigues (2011): \u201cO microconto apresenta tantas men\u00e7\u00f5es intertextuais quantas s\u00e3o as palavras que o comp\u00f5e. Onde se l\u00ea intertexto, leia-se hipertexto\u201d, ou seja, faz-se o uso desse recurso nas micronarrativas como forma de se revisitar textos cl\u00e1ssicos, com o intuito de homenagem ou par\u00f3dia. \u00c9 o que Alciene Ribeiro Leite proporciona em seu texto: utiliza uma das falas do mon\u00f3logo da primeira cena do terceiro ato de <strong><i>Hamlet<\/i><\/strong> para inserir a ironia e o humor fino, arrematado com a fala seguinte: \u201c\u2013 Voc\u00ea \u00e9 que sabe, uai!\u201d (p. 33). Nota-se, no di\u00e1logo, o uso da variedade lingu\u00edstica (uai!), que denota o falar mineiro, o que contribui para o efeito de humor dentro do contexto apresentado.<\/p>\n<p class=\"p1\">No tema tr\u00eas de <strong><i>minimus<\/i><\/strong>, Tragicom\u00e9dia, o recurso do humor e da ironia apresentam-se de forma mais evidentes nos microcontos de Alciene Ribeiro Leite. Assim, segue um de seus textos:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">DIETA<br \/>\nEmpanturrou-se com doces.<br \/>\nPingou duas gotas<br \/>\nde ado\u00e7ante<br \/>\nno cafezinho.<br \/>\n(Leite, 2020, p. 66)<\/p>\n<p class=\"p1\">O microconto acima refere-se a uma situa\u00e7\u00e3o usual do cotidiano de muitas pessoas: a necessidade de se fazer dieta, que, em alguns casos, \u00e9 apenas para seguir um padr\u00e3o de corpo pr\u00e9-estabelecido pela sociedade. \u00c9 importante ressaltar como o humor e a ironia s\u00e3o constru\u00eddos no texto por meio da oposi\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es expressas pelos verbos (empanturrar-se de doces e pingar duas gotas de ado\u00e7ante), caracterizando uma s\u00e1tira de um comportamento tradicional, representado pelo h\u00e1bito de se tomar cafezinho ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, relacionando-o \u00e0 quest\u00e3o da dieta.<\/p>\n<p class=\"p1\">Quanto \u00e0 marca de humor e ironia do microconto \u2018Dieta\u201d, o aforismo n\u00famero nove de Rauer Rodrigues (2011) traz o seguinte apontamento: \u201cO microconto, mesmo aquele que se aproxima do humor mais escrachado, tem algo de soturno\u201d. Assim, por meio desse apontamento, \u00e9 poss\u00edvel corroborar o que \u00e9 apresentado no texto do microconto \u2018Dieta\u2019, uma vez que h\u00e1 uma <span class=\"s1\">ruptura entre o t\u00edtulo e a descri\u00e7\u00e3o da primeira a\u00e7\u00e3o, em que a constru\u00e7\u00e3o do humor fino se <\/span>complementa com o tom ir\u00f4nico da descri\u00e7\u00e3o seguinte (pingar duas gotas de ado\u00e7ante no cafezinho), o que provoca o riso e ao mesmo tempo traz um tom obscuro para a cena descrita.<\/p>\n<p class=\"p1\">O quarto tema de <strong><i>minimus<\/i><\/strong>, Eros-Afrodite, apresenta micronarrativas relacionadas \u00e0 tem\u00e1tica da mitologia e do erotismo, uma vez que Eros (Cupido) \u00e9 representado nas mitologias grega e romana como o deus do amor, enquanto Afrodite (V\u00eanus), segundo a mitologia grega \u00e9 a deusa do amor, da beleza, do desejo e da fertilidade. Nessa parte foi selecionado o seguinte microconto para an\u00e1lise:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">NAMORO<br \/>\nO idoso olhou para baixo,<br \/>\nmurcho de esperan\u00e7a.<br \/>\n(Leite, 2020, p. 80)<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">A refer\u00eancia ao erotismo na micronarrativa \u00e9 estruturada por meio dos recursos do humor e da ironia, elementos que acentuam o car\u00e1ter taciturno do microconto, conforme enfatizado no aforismo nove de Rodrigues (2011). O contraste entre o aspecto c\u00f4mico presente no t\u00edtulo e o desenvolvimento do texto provoca uma tens\u00e3o din\u00e2mica entre vigor e melancolia, configurando uma quebra de expectativa que enriquece a leitura.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p1\">Quanto ao tema cinco, Drama, Alciene apresenta microcontos que envolvem quest\u00f5es relacionadas a diversos problemas sociais e ambientais; a exemplo, tem-se:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">NO\u00c9, O CULPADO?<br \/>\n\u2013 Mais r\u00e1pido querida! A<br \/>\narca j\u00e1 via zarpar \u2013 o <em>aedes<\/em><br \/>\n<em>aegypt<\/em> macho, para a f\u00eamea.<br \/>\n(Leite, 2020, p. 97)<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">O microconto apresentado faz refer\u00eancia a um dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica brasileira: a dengue. De forma concisa e precisa, Alciene, nesta narrativa, ultrapassa o recurso da intertextualidade para a apresenta\u00e7\u00e3o de outra hist\u00f3ria subjacente, em conson\u00e2ncia com o que afirma o aforismo 21: \u201cNo microconto n\u00e3o h\u00e1 uma hist\u00f3ria evidente e uma segunda hist\u00f3ria, secreta \u2013 jamais fragmento, h\u00e1 no microconto o encontro de diversas hist\u00f3rias, ou microconto n\u00e3o h\u00e1.\u201d (Rauer, 2011).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"p1\">A perspectiva proposta pelo aforismo permite identificar, na micronarrativa, a articula\u00e7\u00e3o de diferentes refer\u00eancias culturais e sociais, como a passagem b\u00edblica da arca de No\u00e9 e o mosquito transmissor da dengue. Ao combinar essas imagens, a autora constr\u00f3i uma cr\u00edtica sutil, por\u00e9m contundente, \u00e0 neglig\u00eancia das autoridades e \u00e0 indiferen\u00e7a da sociedade diante de um problema de sa\u00fade p\u00fablica que, naturalizado, revela a banaliza\u00e7\u00e3o do risco da doen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p1\">Outro aspecto que n\u00e3o pode deixar de ser enfatizado nesse microconto \u00e9 a cumplicidade do leitor ao desvendar o que est\u00e1 impl\u00edcito na narrativa, assumindo um papel determinante e <span class=\"s1\">redobrado diante do que est\u00e1 em elipse. Diante dessa assertiva, evidencia-se o protagonismo do <\/span>leitor contempor\u00e2neo defendido por Spalding (2012):<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"padding-left: 40px;\">\u201c[&#8230;] \u00e9 no leitor que se completar\u00e1 a narrativa, quando bem realizada, transformando o miniconto em uma narra\u00e7\u00e3o plenamente satisfat\u00f3ria em si mesma e n\u00e3o em mero fragmento, anedota, apontamento ou alus\u00e3o\u201d (Spalding, 2012, p. 61).<\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">O leitor assume um papel decisivo na narrativa de microfic\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nele que se concentra a possibilidade de amplitude do texto, a partir dos poss\u00edveis significados que ele \u00e9 capaz de abstrair e despertar seu senso cr\u00edtico.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"p1\">No microconto que segue, pertencente ao tema seis, Romeu e Julieta, Alciene Ribeiro Leite representa os amores n\u00e3o correspondidos, os relacionamentos conjugais, as aventuras amorosas, por meio de uma linguagem flu\u00edda. Nessa proposi\u00e7\u00e3o, apresenta-se o microconto escolhido:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">A OUTRA<br \/>\nFilial<br \/>\nem perspectiva de matriz.<br \/>\n(Leite, 2020, p. 125)<\/p>\n<p class=\"p1\">Sobre a micronarrativa reproduzida, aborda-se a tem\u00e1tica de um caso extraconjugal em que a amante nutre a esperan\u00e7a de se tornar a esposa, ao mesmo tempo em que revela uma rela\u00e7\u00e3o sinuosa de domina\u00e7\u00e3o x subordina\u00e7\u00e3o e de depend\u00eancia (financeira e\/ou afetiva) entre os sujeitos envolvidos, assim como pode revelar, tamb\u00e9m, por meio dessa expectativa da filial, o div\u00f3rcio ou a viuvez do amante.<\/p>\n<p class=\"p1\">No caso do \u00faltimo tema de <i>minimus<\/i>, Pano\/Luz, Alciene traz reflex\u00f5es sobre a brevidade da vida, religiosidade, espiritualidade, entre outras abordagens. Eis um de seus microcontos:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\">OBITU\u00c1RIO<br \/>\nGozou a vida<br \/>\ncomo se n\u00e3o houvesse<br \/>\namanh\u00e3.<br \/>\nMorreu hoje.<br \/>\n(Leite, 2020, p. 148)<\/p>\n<p class=\"p1\">A estrat\u00e9gia narrativa de Alciene nesse microconto se apresenta na ambival\u00eancia entre o imprevis\u00edvel (amanh\u00e3) e o previs\u00edvel (hoje). O recurso utilizado pela autora permitiu a s\u00edntese da vida humana, ao mesmo tempo que mostra um aspecto que \u00e9 inerente ao todo ser vivo: sua finitude.<\/p>\n<p class=\"p1\">Assim, na produ\u00e7\u00e3o microcont\u00edstica de Alciene Ribeiro Leite, representada por meio da disposi\u00e7\u00e3o dos sete temas abordados de suas micronarrativas, caracterizadas pela linguagem concisa e flu\u00edda, promove um panorama que circula nos mais variados contextos do cotidiano humano.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">A narrativa microcont\u00edstica se caracteriza por produzir expressividade e efeito utilizando-se da brevidade e concis\u00e3o, para intensificar o m\u00e1ximo de sentidos dos enunciados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As micronarrativas representam a era da velocidade, da comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, da mudan\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es sociais, o que contribui para novas percep\u00e7\u00f5es sobre esse novo fen\u00f4meno da literatura, conforme se observa nas palavras de Peres (2008):<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"padding-left: 40px;\">\u201ca ideia de provocar efeitos art\u00edsticos mediante a utiliza\u00e7\u00e3o de um n\u00famero limitado de elementos \u00e9 talvez uma das mais frut\u00edferas em tr\u00e2nsito na modernidade, numa clara rea\u00e7\u00e3o \u00e0 prolixidade e \u00e0 redund\u00e2ncia identific\u00e1veis em per\u00edodos anteriores\u201d (Peres, 2008, p. 17).<\/p>\n<p class=\"p1\">Ao analisar os microcontos da obra <i><strong>minimus<\/strong>,<\/i> de Alciene Ribeiro Leite, a qual \u00e9 dividida em sete temas, foi poss\u00edvel observar que a autora \u00e9 capaz de conduzir o leitor a refletir sobre aspectos do cotidiano e a sua pr\u00f3pria postura enquanto sujeito social.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nas micronarrativas analisadas, percebe-se que a escrita microcont\u00edstica de Alciene revela a representa\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es que envolvem o flagrante do instante da vida, sendo refletido por meio de aspectos que v\u00e3o al\u00e9m do que est\u00e1 exposto no microconto. Nota-se a riqueza de sugest\u00f5es apresentadas por meio dos microcontos da autora, uma vez que seus textos s\u00e3o densos e agu\u00e7am a coautoria do leitor. Assim, aspectos como a sele\u00e7\u00e3o dos voc\u00e1bulos, o recorte preciso e a brevidade funcionam como marcas de sua escrita microcont\u00edstica.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nesse sentido, a escrita de <strong><i>minimus<\/i><\/strong> se manifesta, por vezes, atrav\u00e9s do uso da intertextualidade, apropriadas do humor e da ironia, aproximando-se dos aforismos de Rauer Rodrigues (2011), o qual lan\u00e7a a seguinte assertiva sobre o microconto: \u201csua constitui\u00e7\u00e3o, sua formata\u00e7\u00e3o, exige autor e leitor com a mem\u00f3ria de toda a literatura precedente\u201d (Souza e Rodrigues, 2011, p. 271).<\/p>\n<p class=\"p1\">Assim, a ess\u00eancia da completude est\u00e9tica do microconto est\u00e1 na sua intensa rela\u00e7\u00e3o com a leitura e a evoca\u00e7\u00e3o do leitor para a constru\u00e7\u00e3o do sentido da narrativa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao explorar o potencial das micronarrativas, Alciene Ribeiro Leite imprime uma nova perspectiva \u00e0 literatura brasileira, ao transformar inquietudes da contemporaneidade em mat\u00e9ria est\u00e9tica discursiva. Sua escrita evidencia como a brevidade textual pode condensar as tens\u00f5es e complexidades do tempo presente.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">BENJAMIN, Walter. <b><em>Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica<\/em><\/b>. Ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n<p class=\"p1\">CAMPOS, Luciene Lemos de. Entre frinchas, a po\u00e9tica do microconto brasileiro. <em><strong>Anais do <\/strong><strong><em>X<\/em>II Congresso Internacional da ABRALIC \u2013 UFPR<\/strong><\/em>, Curitiba, 2011. Dispon\u00edvel em: www.abralic.org.br\/eventos\/cong2011\/AnaisOnline\/resumo.pdf<\/p>\n<p>CAMPOS, Luciene Lemos de. O microconto &#8211; Dossi\u00ea. <em><strong>Carand\u00e1<\/strong><\/em>: Revista do Curso de Letras do Campus do Pantanal \u2013 UFMS, n. 4, Corumb\u00e1, MS, nov. 2011. 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Mestrado em LETRAS Institui\u00e7\u00e3o de Ensino: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Biblioteca Deposit\u00e1ria: BSCSH.<\/p>\n<p class=\"p1\">RAUER [RODRIGUES, Rauer Ribeiro]. Apontamentos sobre o microconto. In: <em><strong>Carand\u00e1<\/strong><\/em>: Revista do Curso de Letras do Campus do Pantanal \u2013 UFMS, n.4, Corumb\u00e1, MS, nov. 2011, p.248\u2010251.<\/p>\n<p class=\"p1\">SANTANA, Franksnilson Ramos. Concis\u00e3o e influ\u00eancia na literatura: micro-contos a caminho das \u2018Greguer\u00edas\u2019, de Ram\u00f3n G\u00f3mez de la Serna. In Revista<em><strong> Letras Raras<\/strong><\/em>. Volume 7, N\u00ba 1, 2018.<\/p>\n<p class=\"p1\">SEABRA, Carlos. A onda dos microcontos. Publicado na Revista L<em><strong>\u00edngua Portuguesa<\/strong><\/em>, edi\u00e7\u00e3o de abril de 2010. Dispon\u00edvel em: <span class=\"s7\">https:\/\/escrevendoofuturo.org.br<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">SOUZA, Vanderlei de. <em><b>Pequeno como um dinossauro: microconto, g\u00eanero aut\u00f5nomo<\/b><\/em> \u2013 S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, 2021. Tese (doutorado) \u2013 Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Bioci\u00eancias Letras e Ci\u00eancias Exatas, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.<\/p>\n<p class=\"p1\">SPALDING, Marcelo.<em><strong> Os cem menores contos brasileiros do s\u00e9culo e a reinven\u00e7\u00e3o do <\/strong><\/em><b><em>miniconto na literatura brasileira contempor\u00e2nea<\/em><\/b>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literaturas brasileira, portuguesa e luso-africanas) \u2013 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto <span class=\"s8\">Alegre, 2008. Dispon\u00edvel em: <\/span>http:\/\/www.lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/13816<\/p>\n<p class=\"p1\">ZAVALA, Lauro. <b>Variaciones sobre \u201cel dinosaurio\u201d<\/b>. Lima, Micr\u00f3polis, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ilka Vanessa Meireles Santos \u00e9 d<\/em>outoranda do Programa de<br \/>\nP\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras (PPGLetras) da Funda\u00e7\u00e3o<br \/>\nUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul.<br \/>\nProfessora de L\u00edngua Portuguesa do Instituto Federal<br \/>\nde Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do<br \/>\nMaranh\u00e3o \u00a0\u2013 Campus Santa In\u00eas.<br \/>\nE-mail: ilka.santos@ifma.edu.br<\/p>\n<p class=\"p4\">Publicado originalmente em:<br \/>\nMIRANDA, Ant\u00f4nio Luiz Alencar; LIMA, Andressa Mayara Bezerra de Oliveira; OLIVEIRA, Rauenas Silva. <strong><em>LITERATURA<\/em><\/strong>: e-Book do XXIII Simp\u00f3sio de Letras: os estudos lingu\u00edsticos, liter\u00e1rios e ensino: refletindo pr\u00e1ticas e perspectivas inovadoras. Caxias, MA: EDUEMA, 2025. p. <span class=\"s4\">250-261.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para vida e livros de Alciene:<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #800080;\"><a style=\"color: #800080;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=Alciene\"><strong>CLIQUE AQUI !!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Para diversos livros de microcontos e<br \/>\noutros estudos sobre o tema<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=microcontos\"><strong>CLIQUE AQUI !!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trazemos hoje um estudo de Ilka Vanessa Meireles Santos sobre os microcontos de\u00a0minimus, de Alciene Ribeiro Leite. Na \u00a0Cole\u00e7\u00e3o \u00a0Microm\u00ednimus, a produ\u00e7\u00e3o de microcontos de Alciene Ribeiro Leite Ilka Vanessa Meireles Santos * Doutoranda em Estudos Liter\u00e1rios na UFMS Introdu\u00e7\u00e3o A produ\u00e7\u00e3o cont\u00edstica reunida no livro minimus (Cole\u00e7\u00e3o Microm\u00ednimus v. 3, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Campinas, SP:&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":592,"featured_media":19204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[295],"tags":[1341,51,287,4750,2778,4749,838,3261,839,4748,141,181,373,4746,447,374,828,179,376,872,4747,4751],"class_list":["post-19627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microcontos","tag-alciene","tag-alciene-ribeiro","tag-alciene-ribeiro-leite","tag-ciencia-e-tecnologia-do-maranhao","tag-ilka-vanessa-meireles-santos","tag-instituto-federal-de-educacao","tag-lauro-zavala","tag-luciene-lemos-de-campos","tag-marcelino-freire","tag-marcelo-spalding","tag-microconto","tag-microcontos","tag-microminimus","tag-microrrelatos","tag-minificcao","tag-minimus","tag-ppg-letras-cptl-ufms","tag-rauer","tag-rauer-ribeiro-rodrigues","tag-rauer-rodrigues","tag-revista-caranda","tag-walter-benjamim"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/592"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19627"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19627\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19649,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19627\/revisions\/19649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}