{"id":18520,"date":"2024-10-15T12:00:46","date_gmt":"2024-10-15T12:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=18520"},"modified":"2025-11-20T17:45:21","modified_gmt":"2025-11-20T17:45:21","slug":"uma-entrevista-com-nima-spigolon-sobre-dois-livros-de-seus-livros-de-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/uma-entrevista-com-nima-spigolon-sobre-dois-livros-de-seus-livros-de-poesia\/","title":{"rendered":"Uma entrevista com Nima Spigolon sobre dois de seus livros de poesia"},"content":{"rendered":"<p>Neste\u00a0<strong>Dia do Professor\u00a0<\/strong>publicamos entrevista realizada neste m\u00eas de outubro com a Profa. Nima Spigolon \u2013 para abordar a face da poeta, ou melhor: as faces. Pois Nima lan\u00e7a no momento dois livros de poesia, um com candentes poemas existenciais, de fei\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, e outro de poemas haikais, que medita sobre a humanidade, sobre o feminino a partir da li\u00e7\u00e3o milenar da conforma\u00e7\u00e3o do haiku.<\/p>\n<p><em><strong>Chumbo Sutil<\/strong><\/em> tem produ\u00e7\u00e3o da aldeia de elei\u00e7\u00e3o de Nima, a Ituiutaba de sua primeira inf\u00e2ncia, de sua adolesc\u00eancia, da sua forma\u00e7\u00e3o profissional e dos primeiros anos profissionais, pois re\u00fane ituiutabanos nas diversas etapas da constru\u00e7\u00e3o do livro: Rauer \u00e9 o Editor, Ciberpaj\u00e9 \u00e9 o capista e Rizera \u00e9 o diagramador; al\u00e9m disso, o ensaio de apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 do premiado ficcionista Whisner Fraga e o &#8220;Pref\u00e1cio Pessoal&#8221; \u00e9 da jovem poeta Aira Maiger.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0<em><strong>Umematsuri <\/strong><\/em>\u00e9 um pequeno livro no formato, mas \u00e9 um livro imenso sob diversos aspectos: na intertextualidade antropof\u00e1gica, na metaforiza\u00e7\u00e3o da dor, na escreviv\u00eancia do feminino ancestral diante da misoginia e do patriarcado, nas epifanias do cotidiano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rauer conduziu essa entrevista para o <strong><em>Blog da Pangeia<\/em><\/strong> \u2013 e nela a poeta e haijin Nima Spigolon fala de literatura e poesia, do ato de escrever e sobre escrita feminina, de seu c\u00e2none pessoal no universo do haikai, em particular de um <em>paideuma<\/em> composto por haijins mulheres, dos prim\u00f3rdios do <em>waka<\/em>, a forma po\u00e9tica que deu origem ao haikai, a poetas mais recentes, incluindo uma contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nima trata tamb\u00e9m da g\u00eanese dos dois livros, <strong><em>Chumbo Sutil<\/em><\/strong> e <strong><em>Umematsuri<\/em><\/strong>, e discorre sobre suas diversificadas dic\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rauer &#8211; H\u00e1, a seu ver, uma literatura que pode ser caracterizada como escrita feminina?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nima &#8211; <\/strong>A literatura escrita por mulheres difere, sim, da escrita por homens: por um lado, as marcas da experi\u00eancia e das vis\u00f5es de mundo e de sociedade de quem escreve e, por outro, h\u00e1 a problematiza\u00e7\u00e3o da especificidade e registro de marcas do feminino no discurso e na escrita de n\u00f3s mulheres. Cito Virg\u00ednia Woolf, no livro <em>Um teto todo seu<\/em>, no qual ela discute a necessidade de as mulheres escritoras conquistarem seu espa\u00e7o, tanto literal quanto metaf\u00f3rico, dentro de um universo dominado por homens. Considero importante mencionar que a literatura de autoria feminina brasileira, vinculada aos movimentos feministas, iniciados ainda no s\u00e9culo XIX, qui\u00e7a antes, significa uma esp\u00e9cie de subvers\u00e3o aos estere\u00f3tipos tradicionais, como forma de resist\u00eancia ao patriarcado e de luta contra a misoginia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Como l\u00ea hoje essas haijins que desde os prim\u00f3rdios do dos <em>waka<\/em>, est\u00e3o na constitui\u00e7\u00e3o do haikai e do tanka cl\u00e1ssicos no Jap\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Leio com deleite e busco inspira\u00e7\u00e3o, pois as reconhe\u00e7o em um lugar feminino, milenar, da poesia japonesa. Elas influenciam at\u00e9 hoje a constitui\u00e7\u00e3o do haikai e do tanka. Tais haijins, ao captarem um instante contemplativo, demonstram a caracter\u00edstica dos haicais tradicionais, e atualmente fa\u00e7o uma releitura que me permite aventurar em formas mais livres, onde a reflex\u00e3o sobre a liberdade e a sobreviv\u00eancia \u00e9 apresentada com grande carga simb\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>De que modo v\u00ea a apropria\u00e7\u00e3o no Brasil do haikai, na linha dos grandes poetas que o constitu\u00edram, na linhagem que vem de Bash\u00f4 at\u00e9 Shiki?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vejo como a capacidade de brincar com a linguagem e ao mesmo tempo manter a ess\u00eancia do haikai ao revelar o dom\u00ednio t\u00e9cnico e a liberdade criativa. Considero imprescind\u00edvel conhecer profundamente as regras e a tradi\u00e7\u00e3o do haikai ao estilo japon\u00eas, o que nos permite emular essa poesia em nossa \u00edndole e cen\u00e1rio, mas tamb\u00e9m nos possibilita transgredir as normas. Nesse movimento, os haika\u00edstas brasileiros nos oferecem preciosas cria\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Temos grandes poetas mulheres, grandes haijins da escrita femininas \u2013 nos fale um pouco das poeta que a marcaram de modo especial. <\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Procuro fazer uma aclimata\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e formal seguindo os preceitos da tradi\u00e7\u00e3o do haiku \u2013 e assim busco me inspirar nas fontes femininas antigas: na imperatriz Jit\u00f4\u00a0 Tenn\u00f4, na libert\u00e1ria Ukon, na prol\u00edfica Izumi Shikibu, na impressionante Murasaki Shikibu, para mencionar apenas algumas das pioneiras. Entre as mais recentes, muito me impactam os poemas de Chiyo-Ni, Tskeshita Shizunojo, Sujita Hisajo e Takajo Mitsuhashi. E preciso destacar a obra imensa, inspiradora, seminal de Teruko Oda,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nos conte um pouco, por favor, da g\u00eanese desse <em>Umematsuri<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse livro nasceu do desafio di\u00e1rio que me impus de escrever haikais. A forma e a vis\u00e3o de mundo do haikai exigem um olhar apurado no processo da escrita e em especial da revis\u00e3o textual. Ao mesmo tempo, \u00e9 um poema que oferece ao leitor um espa\u00e7o amplo para a interpreta\u00e7\u00e3o pessoal e mesmo uma esp\u00e9cie de reconstru\u00e7\u00e3o de significados. Deixei fluir minha sensibilidade e deixei pulsar minha alma e criatividade. H\u00e1, em <strong><em>Umematsuri<\/em><\/strong>, haikais que se alternam entre estilos que respeitam as normas cl\u00e1ssicas japonesas e outros mais livres, nos quais permiti que minhas subjetividades flutuassem na escrita; espero que com naturalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Seus dois livros de poesia mais recentes s\u00e3o muito diferentes entre si. <em>Chumbo Sutil<\/em> tem registros que retomam os modernismos do s\u00e9culo XX; j\u00e1 este <em>Umematsuri<\/em> re\u00fane poemas que dialogam com a longa tradi\u00e7\u00e3o oriental, bebendo ainda na l\u00edrica ocidental e as amalgamando. Fale-nos um pouco sobre isso, por favor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tenho observado em mim um exerc\u00edcio de amadurecimento liter\u00e1rio, identificado no conjunto de minhas publica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Ambos os livros dialogam, livre e visivelmente, com esse exerc\u00edcio. Enquanto <strong><em>Chumbo Sutil<\/em><\/strong> vincula-se \u00e0s ang\u00fastias da contemporaneidade com pinceladas fortes de concretude, <strong><em>Umematsuri<\/em><\/strong> reflete o poema nip\u00f4nico tradicional em interface aos tr\u00f3picos brasileiros. A mim mesma \u00e9 interessante identificar as multifaces da escritora que faz zigue-zagues desde a polifonia dissonante de contemplar a paz da natureza ancestral at\u00e9 a voz que trata do universo urbano e das sociedades humanas atuais, cada vez mais cru\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Para dialogar com nima, nos escreva na Pangeia, no email<br \/>\n&lt; <a href=\"mailto:faleconosco@editorapangeia.com.br\">faleconosco@editorapangeia.com.br<\/a> &gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-18527\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.20-278x300.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.20-278x300.jpg 278w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.20-11x12.jpg 11w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.20-370x400.jpg 370w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.20.jpg 449w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Para conhecer os demais livros de Nima<br \/>\nSpigolon publicados na Pangeia<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/?s=Spigolon\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>CLIQUE AQUI!!!<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-18528\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.18-300x235.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.18-300x235.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.18-15x12.jpg 15w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.18-400x313.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem-26-02-2025-as-10.18.jpg 495w\" sizes=\"auto, (max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste\u00a0Dia do Professor\u00a0publicamos entrevista realizada neste m\u00eas de outubro com a Profa. Nima Spigolon \u2013 para abordar a face da poeta, ou melhor: as faces. Pois Nima lan\u00e7a no momento dois livros de poesia, um com candentes poemas existenciais, de fei\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, e outro de poemas haikais, que medita sobre a humanidade, sobre o feminino&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":592,"featured_media":18524,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3288],"tags":[1452,5077,4243,4254,1086,219,4255,410,95,1149,858,2396,248,1323,1422,179,3141,680,4244,2037,1079],"class_list":["post-18520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia-brasileira","tag-aira-maiger","tag-antirracismo","tag-chumbo-sutil","tag-ciberpaje","tag-erospoesia","tag-escrita-feminina","tag-escrito-por-mulheres","tag-haicai","tag-haikai","tag-haikai-brasil","tag-haiku","tag-nanquim-liquefeito","tag-nima-spigolon","tag-poesia-brasileira-contemporanea","tag-poesia-erotica","tag-rauer","tag-rizera","tag-tanka","tag-umematsuri","tag-waka","tag-whisner-fraga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/592"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18520"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18529,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18520\/revisions\/18529"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18524"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}