{"id":14889,"date":"2024-03-15T23:00:11","date_gmt":"2024-03-15T23:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=14889"},"modified":"2024-03-21T10:54:21","modified_gmt":"2024-03-21T10:54:21","slug":"estudantes-entrevistam-a-poeta-flavia-de-queiroz-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/estudantes-entrevistam-a-poeta-flavia-de-queiroz-lima\/","title":{"rendered":"Estudantes entrevistam a poeta Fl\u00e1via de Queiroz Lima"},"content":{"rendered":"<p>Estudantes da Escola Estadual Caio Nelson de Sena, de Belo Horizonte, estiveram na AML &#8211; Academia Mineira de Letras, e entrevistaram a poeta <span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Fl\u00e1via\">Fl\u00e1via de Queiroz Lima<\/a><\/strong><\/span>, cujo livro mais recente,\u00a0<span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/lacos-e-avessos-flavia-de-queiroz-lima-livro\/\"><em><strong>La\u00e7os e Avessos<\/strong><\/em><\/a><\/span>, foi publicado na Cole\u00e7\u00e3o Eros-Poesia da Editora Pangeia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14908 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-300x138.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-300x138.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-1024x472.jpg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-768x354.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-1536x708.jpg 1536w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-700x323.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-400x185.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037-1300x600.jpg 1300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bdd14332-365c-46a3-851e-87b607e69037.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Al\u00e9m de ouvirem a poeta, os estudantes tamb\u00e9m fizeram uma visita guiada ao Palacete Borges da Costa, sede da AML, e conheceram seu acervo bibliogr\u00e1fico e documental, um &#8220;material&#8221; precioso que fica sob a guarda de Soraia Lara, coordenadora do Acervo. (Foto registra a visita; Soraia est\u00e1 ao centro, de jaleco).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14897 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2700.jpeg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"181\" \/>O encontro dos estudantes com Fl\u00e1via se deu tendo por mote o Dia da Mulher, ocorrido neste m\u00eas de mar\u00e7o. Transcrevemos a seguir a entrevista, tal como ela foi publicada no &#8220;Jornal da EECNS&#8221;. O texto final da entrevista foi escrito por Lisi\u00ea Marcele, do 2\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio. Al\u00e9m do <em><strong>La\u00e7os e <\/strong><strong>Avessos<\/strong><\/em>, a publica\u00e7\u00e3o traz foto da escritora e do livro\u00a0<span style=\"color: #ff6600;\"><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/arrumar-as-gavetas-flavia-de-queiroz-lima-livro\/\"><em><strong>Arrumar as gavetas<\/strong><\/em><\/a><\/span>, assim como ilustra\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m reproduzimos abaixo. Acrescentamos ao material produzido no &#8220;Jornal da EECNS&#8221; algumas outras fotos do encontro na Academia Mineira de Letras.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">M\u00eas das Mulheres<br \/>\nFl\u00e1via de Queiroz Lima<br \/>\nAcademia Mineira de Letras<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14900 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-225x300.jpg 225w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-768x1024.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-700x933.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-300x400.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-525x700.jpg 525w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a-975x1300.jpg 975w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/e671fcd0-a511-46ba-872d-e8a81200521a.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><em>Flagrante da Visita \u00e0 AML<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Lisi\u00ea Marcele <\/strong>(foto abaixo)<strong> \u2013 2\u00ba EM\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe o que \u00e9 ou onde fica a Academia Mineira de Letras?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14894 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2693.jpeg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"233\" \/>A Academia Mineira de Letras fica localizada na rua da Bahia, 1466, no centro de Belo Horizonte. No dia 1\u00ba de mar\u00e7o de 2024, alguns alunos do nosso jornal tiveram o prazer de visitar a AML e fazer uma entrevista com a poeta Fl\u00e1via de Queiroz Lima.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que \u00e9 e o que se faz na Academia Mineira de Letras?<\/p>\n<p>A Academia Mineira de Letras, tamb\u00e9m conhecida por sua sigla, &#8220;AML&#8221;, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o cultural e liter\u00e1ria que tem como objetivo zelar pela l\u00edngua portuguesa e literatura nacional.<\/p>\n<p>&#8220;A mais que centen\u00e1ria Academia Mineira de Letras prossegue em sua miss\u00e3o de preservar, estudar e divulgar as l\u00ednguas, as literaturas, as culturas e as artes, constituindo um polo irradiador de educa\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e cidadania. A Academia mant\u00e9m-se aberta para a sociedade em que se insere, sentindo-se honrada com a presen\u00e7a de cada participante das atividades que oferece, sempre marcadas pela qualidade e diversidade. Sejam todas e todos sempre bem-vindos!&#8221; Palavras do presidente &#8211; Jacyntho Lins Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista, nossas rep\u00f3rteres questionaram a poeta Fl\u00e1via de Queiroz Lima como \u00e9 trabalhar em um local com tanta hist\u00f3ria como a Academia Mineira de Letras:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um privil\u00e9gio, mas a minha hist\u00f3ria come\u00e7a muito antes da Academia. A Academia \u00e9, hoje, para mim, o lugar onde eu gostaria de ter estado sempre. Porque fazer poesia n\u00e3o paga conta. Eu sou soci\u00f3loga, me formei no Rio de Janeiro e quando eu vim pra c\u00e1, eu tinha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em planejamento e fiz outra p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o p\u00fablica, na Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, trabalhei como gestora na \u00e1rea organizacional das empresas, das institui\u00e7\u00f5es, trabalhei na \u00e1rea de informa\u00e7\u00f5es da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e fui consultora organizacional por 22 anos, como aut\u00f4noma, ajudando as empresas a se organizarem e funcionarem melhor. E depois fui diretora de gest\u00e3o de pessoas da FHEMIG- Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais \u2013 eram mais de 15 mil pessoas sob a minha responsabilidade, ent\u00e3o me exigiu muito trabalho e muito esfor\u00e7o. E, paralelamente a isso, eu comecei no Rio de Janeiro fazendo m\u00fasica e j\u00e1 fazendo poesia, mas comecei mais na \u00e1rea da m\u00fasica do que na poesia.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14895 alignleft\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2696.jpeg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"241\" \/>&#8220;Talvez eu tenha enveredado pela poesia quando eu vim pra Belo Horizonte e minha parceira ficou no Rio de Janeiro. Eu comecei a trabalhar e n\u00e3o tinha tanto tempo pra m\u00fasica, ent\u00e3o a poesia foi um reduto que eu encontrei pra levar adiante essa vertente, esse gosto pela arte, pela palavra, pela m\u00fasica. A minha poesia, eu procuro que ela seja muito musical, a sonoridade \u00e9 o que me guia, quando eu estou escrevendo, o som \u00e9 o que me guia mais que tudo. Quando eu vim pra Academia, convidada pelo Olavo, j\u00e1 aposentada, j\u00e1 no final da minha vida profissional, foi um presente pra mim. Porque eu vim pro lugar onde se respirava, se conversava sobre literatura, sobre arte, sobre poesia. \u00c9 como se eu finalmente tivesse chegado na minha casa. Como se eu realmente estivesse trabalhando no lugar onde, talvez, eu devesse ter trabalhado a vida inteira, mas, infelizmente, a vida nos empurra por outros caminhos&#8221; \u2013 Palavras de Fl\u00e1via Queiroz.<\/p>\n<p><strong>Quais desafios voc\u00ea enfrenta ao integrar diferentes \u00e1reas no seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Atualmente, eu tenho uma atividade de fazer o elo entre os palestrantes e a Academia, os acad\u00eamicos e a Academia, as atividades de relacionamento, quase todas passam por mim. At\u00e9 fazer contrato de loca\u00e7\u00e3o para alugar aquele pr\u00e9dio passa por mim. Eu fa\u00e7o revis\u00e3o de textos para a academia, escrevo textos para a academia quando ela precisa de uma carta, de uma apresenta\u00e7\u00e3o, de uma introdu\u00e7\u00e3o, etc. Ent\u00e3o, eu acho que a minha principal atividade atualmente \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o. E eu acho que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma habilidade que qualquer um de voc\u00eas precisa desenvolver muito em qualquer \u00e1rea que voc\u00eas forem.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea? <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Porque a capacidade de falar claramente o que a gente pensa, escutar o que o outro est\u00e1 dizendo, processar o que o outro est\u00e1 dizendo e responder a partir de ter escutado, essa comunica\u00e7\u00e3o, eu acho que todas as pessoas precisam para a vida inteira, em qualquer trabalho que elas fa\u00e7am. A comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da poesia, por exemplo, \u00e9, talvez, a mais sint\u00e9tica de todas. Voc\u00ea tem que, com poucas palavras, conseguir falar muito. Mas eu acho que a comunica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, comunica\u00e7\u00e3o com os palestrantes, tem que ser adequada a cada tipo de pessoa. Tem pessoa que gosta de muito detalhe, a outra gosta de tr\u00eas palavras. Ent\u00e3o, voc\u00ea vai aprendendo como \u00e9 se comunicar bem com os diversos tipos de pessoas. Acho que \u00e9 esse o meu trabalho hoje e eu n\u00e3o fa\u00e7o com dificuldade, n\u00e3o. Eu passei por tantos lugares, eu conheci tantas empresas, eu trabalhei em tribunal de justi\u00e7a, eu trabalhei em empresas pequenas, para empresas de transportes, para empresas de todos os tipos, e fui aprendendo. Em uma ONG, acho que foi onde eu recebi um dos melhores elogios que eu j\u00e1 recebi na minha vida profissional. Era uma ONG que trabalhava com favelas do Rio de Janeiro. Eu fiz um projeto de reestrutura\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o dela, e fui apresentar esse projeto no final do trabalho para todos os membros dessa organiza\u00e7\u00e3o, muitos deles moradores de favelas. E eu expliquei um projeto de planejamento e, no final, o diretor me falou assim: &#8216;Voc\u00ea \u00e9 uma poliglota cultural. Voc\u00ea consegue falar com pessoas das mais diversas culturas. Voc\u00ea transformou essa linguagem toda t\u00e9cnica de planejamento em exemplos e situa\u00e7\u00f5es que todos entenderam.&#8217; Ent\u00e3o, para mim, esse foi o maior elogio que eu j\u00e1 recebi, e eu acho que \u00e9 isso que a gente precisa aprender a ser: poliglota cultural, falar com todas as pessoas a linguagem que seja acess\u00edvel para elas e compreender qualquer linguagem que venha delas tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Quais conselhos voc\u00ea daria para quem busca integrar diferentes habilidades e paix\u00f5es em sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Olha, primeiro ler. Eu comecei muito pequenininha lendo muito. Bem, eu estudei piano antes de aprender a ler, ent\u00e3o, tocar um instrumento, quem puder aprender, eu acho que \u00e9 uma habilidade que faz um bem pra gente maravilhoso. Voc\u00ea nunca est\u00e1 sozinho se voc\u00ea sabe tocar um instrumento. Mas ler muito \u00e9 fundamental para adquirir vocabul\u00e1rio, para adquirir diferentes formas de falar sobre cada assunto, para conhecer lugares onde voc\u00ea nunca vai. Por exemplo, tem um poema nesse livro <em><strong>Sobre Viver<\/strong><\/em>, o \u00faltimo poema dele \u00e9 uma foto do deserto do Saara e o verso fala o seguinte: <em>o olhar impregnado de certezas, distorce a cena viva<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14896 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2699-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2699-300x169.jpeg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2699-400x225.jpeg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2699.jpeg 644w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>&#8220;A gente n\u00e3o pode ter certezas, quantas certezas a gente tiver, mais a gente vai ter que descobrir que n\u00e3o era bem assim, ou que pode n\u00e3o ser assim, ou que antes era assim e agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais. Por exemplo, a Carmen mesmo falou, agora n\u00e3o precisa mais cerzir as linhas porque agora temos as m\u00e1quinas. N\u00e3o precisamos mais fazer muitas coisas que faz\u00edamos porque agora temos m\u00e1quinas que fazem por n\u00f3s. N\u00e3o podemos ter certezas. E eu acho que essa \u00e9 uma aprendizagem. O olhar impregnado de certezas distorce a cena viva, o ch\u00e3o mutante. Minha sobrinha me falou assim: &#8216;Tia, parece que a senhora foi no deserto do Saara, porque l\u00e1 o vento vai mudando a paisagem. Ent\u00e3o voc\u00ea pensa que uma duna est\u00e1 aqui, outra hora a duna n\u00e3o est\u00e1 mais ali, est\u00e1 em outro lugar.&#8217; Ent\u00e3o, sem querer eu escrevi sobre o deserto do Saara sem ter ido l\u00e1. Provavelmente porque eu li algo sobre o deserto. Ent\u00e3o, acho que ler \u00e9 fundamental. E a terceira coisa que eu acho fundamental, \u00e9 aprender a ouvir. Eu fiz psican\u00e1lise durante um tempo, fiz individual e em grupo, e em grupo eu aprendi muito a ouvir.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas ouvir mesmo, n\u00e3o \u00e9 ouvir j\u00e1 preparando a resposta, \u00e9 ouvir, depois pensar a resposta, depois falar a resposta.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Acho que s\u00e3o essas habilidades que fazem muito bem pra vida das pessoas. Aprender um instrumento, se poss\u00edvel, ler muito e aprender a conversar, aprender a se comunicar bem, expressar o que a gente pensa. Por exemplo, quando nos contos de fadas, os g\u00eanios vinham satisfazer os seus desejos, ele n\u00e3o fazia &#8216;plim,plim,plim&#8217;, ele te perguntava: <em>O que voc\u00ea quer?<\/em>&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, a gente aprender o que quer, aprender a expressar o que a gente quer, expressar o desejo. Eu escrevi muito sobre isso. A palavra &#8216;desejo&#8217;, n\u00e3o s\u00f3 o desejo sexual, claro, mas o desejo, aquilo que move a gente a viver, o desejo de fazer coisas, de existir, de criar, de pensar, de escrever, de tudo. A gente precisa saber qual \u00e9 o desejo da gente pra comunicar ao outro pra ser atendido, se n\u00e3o a gente n\u00e3o \u00e9 atendido.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Qual livro mais impactou em sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Dif\u00edcil, porque tem muitas \u00e9pocas, n\u00e9. Olha, na minha carreira, acho que ler poesia foi muito importante. Engra\u00e7ado \u00e9 que n\u00e3o foi o <strong><em>Grande<\/em> <em>Sert\u00e3o: Veredas<\/em><\/strong> que mais me impactou. Mas eu acho que, por exemplo, <em><strong>O nome da Rosa<\/strong><\/em>, do Umberto Eco, foi um dos livros que mais me impactaram. Aquela capacidade dele de manter o mist\u00e9rio em um livro daquela grossura, e voc\u00ea fica o tempo inteiro querendo saber qual \u00e9 o mist\u00e9rio, o que que aconteceu, por que aquelas pessoas est\u00e3o morrendo, sendo assassinadas. Ent\u00e3o, acho que foi um dos livros que mais me impactaram pela capacidade dele de prender a aten\u00e7\u00e3o da gente. E outros livros tamb\u00e9m, como por exemplo, <em><strong>O homem que amava os cachorros<\/strong><\/em>. Acho que foram esses dois que mais me impactaram.&#8221;<\/p>\n<p>Ao final da entrevista, nossa rep\u00f3rter Ana Luiza recitou o poema &#8220;Apetrechos e manias&#8221;, de um livro da Fl\u00e1via, em homenagem \u00e0 escritora. Em seguida, Fl\u00e1via nos presenteou com alguns exemplares de seus livros para termos em nossa escola; esses livros, agora, est\u00e3o dispon\u00edveis em nossa biblioteca.<\/p>\n<p>E a\u00ed, o que voc\u00eas acharam?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Conhe\u00e7a mais da vida e da obra de<br \/>\n<strong>Fl\u00e1via de Queiroz Lima<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Fl\u00e1via\">AQUI!!!<\/a><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14891 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-221x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-221x300.jpeg 221w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-755x1024.jpeg 755w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-768x1041.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-1133x1536.jpeg 1133w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-700x949.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-295x400.jpeg 295w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-516x700.jpeg 516w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687-959x1300.jpeg 959w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2687.jpeg 1290w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14892 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-273x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-273x300.jpeg 273w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-768x844.jpeg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-700x769.jpeg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-364x400.jpeg 364w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689-637x700.jpeg 637w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2689.jpeg 880w\" sizes=\"auto, (max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14893 aligncenter\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2690-149x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2690-149x300.jpeg 149w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_2690-199x400.jpeg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Conhe\u00e7a mais sobre a poesia e<br \/>\nos livros da\u00a0<em>Fl\u00e1via:<br \/>\n<\/em><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Fl\u00e1via\"><strong>AQUI!!!<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudantes da Escola Estadual Caio Nelson de Sena, de Belo Horizonte, estiveram na AML &#8211; Academia Mineira de Letras, e entrevistaram a poeta Fl\u00e1via de Queiroz Lima, cujo livro mais recente,\u00a0La\u00e7os e Avessos, foi publicado na Cole\u00e7\u00e3o Eros-Poesia da Editora Pangeia. 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