{"id":1275,"date":"2019-09-17T15:03:19","date_gmt":"2019-09-17T15:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=1275"},"modified":"2025-04-11T12:06:04","modified_gmt":"2025-04-11T12:06:04","slug":"a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-10-kafka-e-a-arte-de-escrever\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 10 \u2013 Kafka e a arte de escrever"},"content":{"rendered":"<p>Kafka, um autor visceral, de uma escrita visceral, de uma entrega dram\u00e1tica para a escrita, ao mesmo tempo que vivencia uma nega\u00e7\u00e3o quase que completa de si mesmo e do que escreveu.<\/p>\n<p>Permitam-me um pequena narrativa biogr\u00e1fica pr\u00e9via.<\/p>\n<p>Aos quinze anos, o jovem sorumb\u00e1tico, misantropo, esquiz\u00f3ide e algo violento na defesa da timidez que eu era se viu castigado pelo Pai com uma temporada de f\u00e9rias na casa de parentes com os quais tinha pouca ou nenhuma intimidade. Na cidade maior, um m\u00eas para reflex\u00e3o e uns trocados: \u201cParece que h\u00e1 uma livraria na avenida&#8230;\u201d Era um sebo, e na primeira visita a ele \u2500 por artes misteriosas \u2500 o t\u00edtulo de um livro envelhecido e amarelado n\u00e3o desgrudou-me do olhar e por fim da posse: <em>Cartas a Milena<\/em>, por um tal Kafka, nome ent\u00e3o sem nenhuma resson\u00e2ncia, ao menos na lembran\u00e7a de agora.<\/p>\n<p>Quantas vezes li o livro nessas f\u00e9rias? O bastante para um parente me dar mais uns trocados, para que eu buscasse um outro livro.<\/p>\n<p>Assim descobri a escrita fenomenal, a mente absolutamente singular e o modo particular de vivenciar o amor e a literatura de Franz Kafka.<\/p>\n<p>Seja por aforismos, seja em contos muito curtos, seja nas novelas ou nos romances, Kafka \u00e9 a s\u00edntese projetada do absurdo em que a humanidade enveredaria no s\u00e9culo XX. \u00c9 autor seminal, inescap\u00e1vel, dos maiores que o <em>sapiens sapiens<\/em> produziu, justamente por mostrar qu\u00e3o pouco <em>sapiens<\/em> h\u00e1 nesse <em>sapiens<\/em>.<\/p>\n<p>Kafka n\u00e3o escreveu metodicamente sobre a arte de escrever, mas em di\u00e1rios e em cartas fez reflex\u00f5es que nos permitem discernir sua tortuosa liga\u00e7\u00e3o com a vida e com a literatura. E se h\u00e1 um escritor cuja vida seja inteiramente entrela\u00e7ada com sua literatura, \u00e9 a de Franz Kafka. Ei-lo, em novembro de 1914, em meio \u00e0 escrita do romance <em>O processo<\/em>:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o posso seguir escrevendo. Me encontro no limite definitivo, diante do qual devo permanecer novamente por d\u00e9cadas, para come\u00e7ar uma vez mais uma nova hist\u00f3ria que ficar\u00e1 inconclusa. Este destino me persegue. Volto a estar frio e insensato, s\u00f3 permanece o senil amor pelo descanso total.\u201d<\/p>\n<p>Das muitas reflex\u00f5es de Kafka sobre a escrita, sobre a literatura, sobre a liga\u00e7\u00e3o da vida com a literatura, apresento a seguir alguns fragmentos. Recollho-as sem as datas e circunst\u00e2ncias, uma vez que nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a reflex\u00e3o atemporal sobre a arte da escrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Escrevi essa hist\u00f3ria [&#8230;] em uma s\u00f3 noite, das dez da noite \u00e0s seis da manh\u00e3. Foi-me dif\u00edcil tirar minhas endurecidas pernas de sob a escrivaninha ap\u00f3s tantas horas de trabalho. Isso depois do terr\u00edvel esfor\u00e7o e da alegria de ver como a hist\u00f3ria ia se desenvolvendo, como ia avan\u00e7ando por sobre as \u00e1guas. V\u00e1rias vezes nessa noite, minhas costas arquearam sob meu peso. Voc\u00ea pode dizer todas as coisas, tudo: h\u00e1 um grande inc\u00eandio, no qual as ocorr\u00eancias mais estranhas s\u00e3o consumidas e renascem. Atr\u00e1s da janela, ficou azul. Um carro passou. Dois homens atravessaram a ponte. \u00c0s duas, verifiquei o rel\u00f3gio pela \u00faltima vez. Quando a empregada passou pela antec\u00e2mara, escrevi a \u00faltima frase. \u00c0 luz do dia, apaguei a l\u00e2mpada. D\u00f3i-me o cora\u00e7\u00e3o. O cansa\u00e7o desaparece. Tr\u00eamulo, chego ao quarto das irm\u00e3s. Leio em voz alta. Antes, com uma mesura diante da empregada, disse: &#8220;Escrevi at\u00e9 agora&#8221;. A cama, imaculada, como se a tivessem acabado de arrumar. A convic\u00e7\u00e3o confirmada de que, ao escrever meus romances, me encontro em desonra. S\u00f3 assim se pode escrever, nesse contexto, com total abertura do corpo e da alma. A manh\u00e3 toda na cama. Os olhos sempre claros. Muitos sentimentos durante a escrita, como a alegria de estar fazendo algo bonito [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>[&#8230;] Outra coisa importante: a \u00faltima palavra da pen\u00faltima frase h\u00e1 de dizer \u201cprecipitou-se para baixo\u201d e n\u00e3o \u201ccaiu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>\u00c9 mais poesia que conto, de modo que necessita de espa\u00e7o livre em seu entorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>\u00c9 o fantasma de uma noite [o texto que escrevi]. Um fantasma. Isso \u00e9 s\u00f3 uma constata\u00e7\u00e3o, e ao t\u00ea-la sei n\u00e3o haver alcan\u00e7ado ao fantasma.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Contra minha intranquilidade, me aferro a minha novela, como a est\u00e1tua de um monumento que megulha o olhar na dist\u00e2ncia se agarra ao pedestal.<\/p>\n<p>Agora [cerca de um m\u00eas ap\u00f3s a anota\u00e7\u00e3o acima] leio nas cartas de Flaubert: \u201cMeu romance \u00e9 a rocha na qual estou suspenso, e nada sei do que ocorre no mundo\u201d. Passagem parecida \u00e0 minha anota\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Ao fim e ao cabo n\u00e3o pode existir nenhum lugar mais bonito para morrer, mais digno da desespera\u00e7\u00e3o total, que uma novela escrita por mim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Aqueci-me muito com a leitura, e se pela tarde n\u00e3o houvera deambulado muito pelo caminho, quem sabe poderia ter-me assentado ao escrit\u00f3rio e escrito algo decente, capaz de arrancar-me das profundezas em que estou mergulhado para al\u00e7ar-me \u00e0s alturas. Mas n\u00e3o fa\u00e7o nada, a n\u00e3o ser acomodar-me bem seguro e por bastante tempo antes de escrever, de modo que seguirei sendo uma praga para mim, para voc\u00ea e para o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Estar s\u00f3 \u00e9 secund\u00e1rio. N\u00e3o desenhei as personagens. Narrei uma hist\u00f3ria. S\u00e3o imagens, somente imagens. [&#8230;] Fotografa-se as coisas para que as afastemos da mente. Minhas hist\u00f3rias s\u00e3o como um fechar de olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Panfletos pol\u00edticos se dirigem a destinat\u00e1rios irreais. Na\u00e7\u00e3o e classe oper\u00e1ria s\u00e3o generaliza\u00e7\u00f5es abstratas, conceitos dogm\u00e1ticos, fen\u00f4menos nebulosos, tang\u00edveis somente por opera\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. S\u00e3o conceitos reais somente como cria\u00e7\u00f5es da linguagem. Sua vida est\u00e1 presa ao falar, em um mundo \u00edntimo que n\u00e3o \u00e9 o mundo externo do homem. S\u00f3 \u00e9 real o homem concreto, real, o outro que Deus coloca em nosso caminho e a cujos atos estamos diretamente expostos. [&#8230;] Todo homem concreto \u00e9 um mensageiro do mundo externo. As abstra\u00e7\u00f5es s\u00e3o somente deforma\u00e7\u00f5es dos sofrimentos pr\u00f3prios, fantasmas sa\u00eddos dos calabou\u00e7os do mundo interno.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Para o homem, a vida natural \u00e9 a vida humana. Nada mais v\u00ea. Nada mais al\u00e9m quer ver. A exist\u00eancia humana \u00e9 muito dolorida, por isso desejamos nos desprender dela pelo menos em fantasia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>O sonho deixa ao descoberto a realidade, depois da qual permanece a imagina\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o terr\u00edvel da vida e o comovente da arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Antes, com uma \u00fanica palavra oposta \u00e0 corrente do momento, eu estava instantaneamente na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u2500 agora, apenas olho para mim e permane\u00e7o como sou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Meu livro, livreto, caderninho foi felizmente aceito. Mas n\u00e3o estou satisfeito: \u00e9 preciso escrever coisas melhores. [&#8230;]<\/p>\n<p>Sou t\u00e3o feliz ao pensar que meu livro est\u00e1 em suas doces m\u00e3os, por muitas que sejam as cr\u00edticas que ele mere\u00e7a (s\u00f3 a brevidade \u00e9 impec\u00e1vel).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Estou escrevendo h\u00e1 um par de dias. Oxal\u00e1 siga assim. Hoje j\u00e1 n\u00e3o estou t\u00e3o protegido e preso ao trabalho como nos \u00faltimos dois anos. Adquiriu um sentido o que fa\u00e7o. Minha vida de solteir\u00e3o, vazia e tonta, tem sua justificativa. Mantenho novamente um di\u00e1logo comigo mesmo e n\u00e3o me disperso mirando o mais completo vazio. S\u00f3 por este caminho encontrarei uma melhoria para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Eis a quest\u00e3o! Max Brod, Feliz Weltsch, todos os meus amigos se apoderam sempre de algum escrito meu e me d\u00e3o logo a surpresa de um contrato editorial. N\u00e3o desejo produzir-lhes inc\u00f4modos, de modo que no final se publicam coisas que n\u00e3o passam de apontamentos pessoais ou l\u00fadicos. Se imprimem e vendem provas de minhas debilidades porque meus amigos, com Max Brod \u00e0 frente, se empenham em converter isso em literatura, e n\u00e3o tenho for\u00e7as para destruir tais testemunhos de solid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Come\u00e7ar a escrever um romance curto nos apresenta sempre um in\u00edcio rid\u00edculo. Parece imposs\u00edvel que esse novo organismo, ainda inacabado, sens\u00edvel em todos os lugares, consiga permanecer na organiza\u00e7\u00e3o existente do mundo, que tende, como qualquer organiza\u00e7\u00e3o existente, a se fechar. Mas aqui esquece-se que o romance curto, caso seja justificado, carrega sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, embora ainda n\u00e3o tenha sido totalmente desenvolvido; nesse aspecto, o desespero \u00e9 injustificado; da mesma maneira, os pais teriam que se desesperar diante do beb\u00ea, porque esse ser insignificante e rid\u00edculo n\u00e3o \u00e9 o que eles queriam trazer ao mundo. Agora, voc\u00ea nunca sabe se o desespero que sente \u00e9 justificado ou n\u00e3o. Se tal reflex\u00e3o pode gerar certo estresse, a aus\u00eancia da experi\u00eancia j\u00e1 me prejudicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>O que para uns \u00e9 um saco de lixo ou um cachorro, para outros \u00e9 um press\u00e1gio. Sempre h\u00e1 algo que supera nosso c\u00e1lculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recebeu um novo t\u00edtulo: \u201cJosefina, a cantora \u2500 ou \u2500 O povo dos ratos\u201d. Os t\u00edtulos, com \u201cou\u201d, n\u00e3o s\u00e3o bonitos, mas no presente caso t\u00eam um sentido especial. Tem algo de balan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Entre as milhares de linhas que lhe dou, talvez haja cerca de dez que eu ainda possa tolerar; [&#8230;] em vez da revela\u00e7\u00e3o esperada, envio-lhe rabiscos infantis&#8230; A maior parte dessas linhas s\u00e3o repulsivas [&#8230;]; acho imposs\u00edvel ler isso e fico feliz se voc\u00ea suportar alguma p\u00e1gina de leitura isolada. Mas voc\u00ea deve se lembrar que eu comecei a escrev\u00ea-las em uma \u00e9poca em que se utilizava uma linguagem opulenta e grandiloquente; n\u00e3o houve tempo pior para iniciar o aprendizado de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Escrevo mais quente e mais vivo, porque estou seguro de que, se \u00e9 &#8220;belo o sentimento independente, produz ainda mais efic\u00e1cia o sentimento que contesta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o h\u00e1 necessidade de distrair a narrativa com floreios estil\u00edsticos, a tenta\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-lo \u00e9 ainda mais forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>N\u00e3o produzi uma \u00fanica linha que reconhe\u00e7o como minha, mas, pelo contr\u00e1rio, apaguei tudo o que escrevi [&#8230;]. Meu corpo inteiro me avisa a cada palavra; cada palavra, antes que eu a escreva, primeiro olha ao seu redor. As frases quebram-se dentro de mim e eu as vejo em suas entranhas, para ent\u00e3o as escrever, imediatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Minha felicidade, minha habilidade e qualquer possibilidade de ser \u00fatil de alguma forma se encontra desde sempre na literatura. Com a literatura tenho vivido situa\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas a estados vision\u00e1rios, nos quais vivo inteiramente as ilus\u00f5es, chego aos meus limites e aos limites do humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Quando come\u00e7o a escrever depois de algum tempo de inatividade, pego as palavras como se viessem do ar vazio. Quando agarro uma palavra, s\u00f3 conto com ela e ent\u00e3o todo o trabalho principia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>N\u00e3o devo supervalorizar o que escrevi; ao supervalorizar o que j\u00e1 escrevi, apenas fa\u00e7o o que quero escrever inating\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Meu modo de vida \u00e9 organizado apenas para escrever; e se sofrer alguma altera\u00e7\u00e3o, \u00e9 para atender melhor ao of\u00edcio de escrever \u2500 o tempo \u00e9 curto, pequena \u00e9 minha for\u00e7a, o escrit\u00f3rio \u00e9 um terror, a casa barulhenta, ent\u00e3o tenho que sobreviver a tudo isso enquanto n\u00e3o consigo uma vida reta e bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 come\u00e7o novamente a escrever. Com todas as minhas for\u00e7as. H\u00e1 uma m\u00e3o inflex\u00edvel que me rouba da vida quando n\u00e3o escrevo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>N\u00e3o escrevo nada aut\u00eantico, pois o irreal se empenha em obscurecer a mais formosa realidade, e eu tenho que afugent\u00e1-lo com a ajuda dos meus escritos. [&#8230;] Tampouco me entendo comigo mesmo, exceto quando estou escrevendo. [&#8230;] Tudo que fa\u00e7o \u00e9 s\u00f3 um engano para a solid\u00e3o. [&#8230;] \u00c9 necess\u00e1rio escrever na obscuridade, como em um t\u00fanel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Escrevo diferente do que falo, falo diferente do que penso, penso diferente do que deveria pensar; e assim sucessivamente at\u00e9 \u00e0 mais profunda obscuridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 uma forma de ora\u00e7\u00e3o. [&#8230;] O escritor tem uma miss\u00e3o prof\u00e9tica. [&#8230;] A palavra correta, dirige; a falsa, seduz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 um doce e maravilhoso pr\u00eamio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p><strong>Kafka, vida e obra entrela\u00e7adas <\/strong><strong>\u2500<\/strong><strong> entrega total: literatura \u00e9 destino e se n\u00e3o for destino, deve se tornar, para merec\u00ea-la.<\/strong><\/p>\n<p>Ao fecho da 10\u00aa. li\u00e7\u00e3o desta s\u00e9rie da Editora Pangeia, fazemos uma pausa de tr\u00eas semanas \u2500 utilize essas semanas para repassar todas as aulas e exercitar-se a partir das diversas perspectivas propostas a cada aula pelos diferentes autores que invocamos. Da diversidade, da multiplicidade, da variedade antag\u00f4nica ou complementar, delineie a sua voz, molde o seu perfil de escrita, fortale\u00e7a sua identidade autoral.<\/p>\n<p><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados e continuar\u00e3o a ser replicados no Blog da Editora Pangeia ao longo das pr\u00f3ximas semanas e meses. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor incluiu outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>R\u00edzio Macedo Rodrigues<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AULAS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\">Aula 1<\/a>\u00a0 \u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\">Aula 2<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\">Aula 3<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\">Aula 4<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">Aula 5<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\">Aula 6<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/\">Aula 7<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-8-hemingway-33-dicas-e-leituras-indicadas-para-um-jovem-escritor\/\">Aula 8<\/a> \u00a0 <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-9-tecnica-e-engenho-ao-escrever-para-cinema-e-televisao\/\">Aula 9<\/a><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kafka, um autor visceral, de uma escrita visceral, de uma entrega dram\u00e1tica para a escrita, ao mesmo tempo que vivencia uma nega\u00e7\u00e3o quase que completa de si mesmo e do que escreveu. Permitam-me um pequena narrativa biogr\u00e1fica pr\u00e9via. Aos quinze anos, o jovem sorumb\u00e1tico, misantropo, esquiz\u00f3ide e algo violento na defesa da timidez que eu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,79,45,74],"tags":[101,88,4395,177,102,89,84,85,80,82,86,81,100,87,91,141],"class_list":["post-1275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece","category-cursos","category-eventos","category-tutoriais","tag-a-arte-de-escrever","tag-aprendizado","tag-arte-da-escrita","tag-arte-de-escrever","tag-aula","tag-conto","tag-criativa","tag-criatividade","tag-curso","tag-escrita","tag-ficcao","tag-gratuito","tag-kafka","tag-literatura","tag-literatura-brasileira-contemporanea","tag-microconto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1275"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18869,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1275\/revisions\/18869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}