{"id":1229,"date":"2019-08-27T18:43:43","date_gmt":"2019-08-27T18:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=1229"},"modified":"2025-04-11T12:06:53","modified_gmt":"2025-04-11T12:06:53","slug":"a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/a-arte-de-escrever-7-o-haikai-sintese-concisao-e-expressividade\/","title":{"rendered":"A ARTE DE ESCREVER 7 \u2013 O haikai: s\u00edntese,  concis\u00e3o e expressividade"},"content":{"rendered":"<p>Haikku, haicai, haikai, hai-cai, hai-kai, hokku, al\u00e9m de renga e tanka, s\u00e3o express\u00f5es que designam milenares formas po\u00e9ticas origin\u00e1rias da China continental e que se aclimataram e desenvolveram no Jap\u00e3o insular. A forma mais usual, no Brasil, para mencionar esse poema de tr\u00eas versos \u00e9 haicai. Haikku e hokku s\u00e3o as translitera\u00e7\u00f5es que se aproximam da fon\u00e9tica do japon\u00eas. Renga e tanka s\u00e3o formas origin\u00e1rias das quais se extraiu a forma sint\u00e9tica e concisa do haikai (h\u00e1 vers\u00f5es hist\u00f3ricas diferentes para a origem, considerando que o haikai vem do waka, um poema longo, e que o tanka e o renga, presentes no waka, surgem socialmente de modo aut\u00f4nomo na sequ\u00eancia e ent\u00e3o geram o renga \u2500 tal quest\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o nos \u00e9 importante deslindar nesse momento).<\/p>\n<p>Tratamos hoje da expressividade do Haikai, forma que preferimos, por indicar ao mesmo tempo a ruptura com a origem nip\u00f4nica, em transgress\u00e3o que contempla a tradi\u00e7\u00e3o, presta-lhe tributo, buscando dar \u00e0 l\u00edngua portuguesa a for\u00e7a vital que anima os singelos tr\u00eas versos que o configuram formalmente.<\/p>\n<p>Na origem, o renga era um poema longo, encadeado, constru\u00eddo em embates orais, p\u00fablicos, entre dois poetas, que faziam \u2500 para nos valermos de um paralelo com as tradi\u00e7\u00f5es da oralidade da po\u00e9tica portuguesa medieval \u2500 voltas em torno de um tema e deixavam em coment\u00e1rio complementar um mote para o duelista. Na estrutura, as voltas eram de tr\u00eas versos, com cinco, sete e cinco s\u00edlabas, e o mote era em dois versos de sete s\u00edlabas. H\u00e1 algo, nestes cinco versos em desafios sucessivos, que se assemelha \u00e0s sextilhas em heptass\u00edlabos dos cantadores nordestinos. As duas formas po\u00e9ticas, o haiku e o tanka, ao se tornarem aut\u00f4nomas, ganham crit\u00e9rios constitutivos que diferem das caracter\u00edsticas desse primeiro momento.<\/p>\n<p>Nas palavras de Paulo Franchetti (em livro em que \u00e9 co-autor, e que consta nas refer\u00eancias abaixo), \u201celaboradas para uma arte coletiva, as regras do <em>haikai-renga<\/em> visavam a desenvolver o esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o, mod\u00e9stia e delicadeza; para uma arte solit\u00e1ria, ganham em artificialidade e convencionalismo gratuito o que perdem em vida e necessidade social\u201d.<\/p>\n<p>No renga, ou no waka, portanto, havia a semente do tanka, constitu\u00eddo pelos cinco versos em 5-7-5 \/ 7-7, e do haikai, que se constr\u00f3i tendo por refer\u00eancia os tr\u00eas versos iniciais. A emancipa\u00e7\u00e3o do tanka e do haikai originais gerou um conjunto de regras formais e de conte\u00fado para as novas formas po\u00e9ticas. O haikai passou a exigir elementos que identificassem uma esta\u00e7\u00e3o do ano, nomeado kigo, a paz espiritual zen, certa oposi\u00e7\u00e3o pante\u00edsta que integra o pequeno e pr\u00f3ximo ao grande, ao cosmos \u2500 isso, entre outras caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Em japon\u00eas, na escrita ideogram\u00e1tica e na translitera\u00e7\u00e3o para a escrita fon\u00e9tica, os versos t\u00eam todas as s\u00edlabas contadas, como j\u00e1 ocorreu em per\u00edodo inicial da literatura de l\u00edngua portuguesa; n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com rimas, mas h\u00e1 constru\u00e7\u00e3o interna de efeitos sonoros, baseados na ortografia nip\u00f4nica em que a maioria das palavras apresentam altern\u00e2ncia de consoantes e vogais, com pouqu\u00edssimos chiados e nasaliza\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muitas outras diferen\u00e7as de uma l\u00edngua para outra \u2500 mas aqui devemos nos concentrar na escrita do haikai em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Desde sempre se constituiu um desafio traduzir os haikai do japon\u00eas para o portugu\u00eas, e h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo os estudiosos de poesia vem se debru\u00e7ando sobre a forma que o pequeno poema nip\u00f4nico deve ou deveria ter em portugu\u00eas. Uma observa\u00e7\u00e3o: a origem chinesa e a tradi\u00e7\u00e3o do poema na China pouco s\u00e3o mencionadas pelos estudiosos do haikai.<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio Paz contrap\u00f5e as influ\u00eancias chinesas no universo nip\u00f4nico \u2500 diz ele: \u201cApesar da influ\u00eancia dos cl\u00e1ssicos chineses, a poesia [japonesa] nunca perdeu, nem nos momentos de maior debilidade, essas caracter\u00edsticas \u2500 brevidade, clareza do desenho, m\u00e1gica condensa\u00e7\u00e3o \u2500 que a situam, precisamente, no extremo contr\u00e1rio da chinesa\u201d.<\/p>\n<p>Parece consenso que se deve buscar o poema de dezessete s\u00edlabas, no formato preferencial de 5-7-5 s\u00edlabas. H\u00e1, no entanto, escritores que nomeiam de haikai, ou uma das palavras que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximas, a qualquer poema curto de tr\u00eas versos. E h\u00e1 muito o haikai brasileiro se emancipou das diretrizes de conte\u00fado; alguns autores o fazem t\u00e3o s\u00f3 como esquetes humor\u00edsticas, outros o tornam intimista, outros vagueiam longe de qualquer \u00edndole zen-budista. Talvez fosse melhor chamar essas pe\u00e7as, assim t\u00e3o heter\u00f3clitas, de poemas, ou de microcontos, ou de aforismos.<\/p>\n<p>Para manter algo mais consistente da tradi\u00e7\u00e3o original do haikai, al\u00e9m de certa placidez na observa\u00e7\u00e3o do mundo, o poema h\u00e1 que conter alguma reverbera\u00e7\u00e3o sonora na sele\u00e7\u00e3o lexical \u2500 rimas internas, asson\u00e2ncias, s\u00edlabas em eco.<\/p>\n<p>Desde Matsuo Bash\u00f4 (1644-1694), por muitos considerado o maior haikaista da literatura nip\u00f4nica, o cotidiano da vida simples tamb\u00e9m integra a tem\u00e1tica do haikai. Essa vertente, mais que poemas com kigo e \u00edndole zen, apresenta apelo para a sensibilidade da l\u00edngua portuguesa, e deve ou deveria ter forte apelo, em particular, para os autores brasileiros. Ao tratar de Bash\u00f4, Ot\u00e1vio Paz como que complementa a cita\u00e7\u00e3o dele que fizemos acima: \u201cO haiku converte-se na anota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, verdadeira recria\u00e7\u00e3o, de um momento privilegiado: exclama\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, caligrafia, pintura e escola de medita\u00e7\u00e3o, tudo junto\u201d.<\/p>\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XX, autores modernistas ou pr\u00e9-modernistas (nessa estranha nomenclatura exclusiva da literatura brasileira), como o poeta Guilherme de Almeida e o ficcionista Monteiro Lobato, trabalharam com o haikai. O poeta prop\u00f4s uma forma fixa mais r\u00edgida para se aproximar da sonoridade nip\u00f4nica. Na proposta, haveria rima interna entre a primeira palavra e a \u00faltima palavra do segundo verso e rima entre o primeiro e o terceiro verso.<\/p>\n<p>Uma varia\u00e7\u00e3o, que provavelmente Guilherme de Almeida n\u00e3o endossaria, seria o poema apresentar rimas internas sem local fixo e rimas entre versos sem definir entre quais versos. Em nossa perspectiva, a literatura \u00e9 simultaneamente di\u00e1logo e ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um avan\u00e7ar que cont\u00e9m e dialoga com o passado, acrescentando novidades expressivas e representando um novo momento do homem e da sociedade humana \u2500 ou, de modo mais apropriado, das sociedades humanas.<\/p>\n<p>Seja qual for a op\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sonoridade, o poema deve conjugar ritmo e sonoridade que apresentem fluidez na leitura, com pausas e entona\u00e7\u00e3o harm\u00f4nicas entre si, dando for\u00e7a expressiva ao conte\u00fado do haikai. E no conte\u00fado, al\u00e9m do j\u00e1 anotado, nos ensina Masuda Goga que o haiku deve conter \u201c<em>wabi<\/em> (sentimento de profunda solid\u00e3o, mist\u00e9rio de solid\u00e3o) ou <em>sabi<\/em> (p\u00e1gina do tempo, mist\u00e9rio da transforma\u00e7\u00e3o, desola\u00e7\u00e3o e beleza da solid\u00e3o)\u201d. O tradutor de Goga anota que a tradu\u00e7\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o das duas palavras \u201cn\u00e3o passam de aproxima\u00e7\u00f5es que n\u00e3o exprimem toda a singularidade e profundidade dessas palavras, produtos puros, digamos assim, da multimilenar cultura japonesa\u201d.<\/p>\n<p>Guilherme de Almeida, e nele reconhecemos m\u00e9ritos imensos no pioneirismo, mas, para al\u00e9m da rigidez que engessa de modo artificial o poema, laborou em erro tamb\u00e9m ao dar t\u00edtulos aos haikais. Um haikai, na aus\u00eancia da subjetividade de um eu l\u00edrico, ao plasmar imagens como uma fotografia da natureza ou um instant\u00e2neo da exist\u00eancia, o faz de tal modo que o <em>tropos<\/em>, ou seja, a representa\u00e7\u00e3o l\u00fadica plasmada em palavras po\u00e9ticas, ganham densidade, espessura, dimens\u00f5es e polissemia que o t\u00edtulo minimiza, qualifica, empobrece.<\/p>\n<p>Eis tr\u00eas m\u00e1ximas de Matsuo Bash\u00f4 sobre o Haikai:<\/p>\n<ol>\n<li>O que diz respeito ao pinheiro, aprenda do pinheiro; o que diz respeito ao bambu, aprenda do bambu.<\/li>\n<li>As obras produzidas pelo esp\u00edrito s\u00e3o boas, mas as produzidas apenas com artif\u00edcios de palavras n\u00e3o s\u00e3o dignas de respeito.<\/li>\n<li>Se algu\u00e9m descobrisse um s\u00f3 <em>kigo<\/em> ao longo da vida, isso j\u00e1 seria uma heran\u00e7a preciosa a legar \u00e0 posteridade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O mais influente haika\u00edsta brasileiro talvez seja Hidekazu Masuda Goga, um dos fundadores, em 1987, do Gr\u00eamio Haicai Ip\u00ea, institui\u00e7\u00e3o que divulga e estuda a forma do haikai no Brasil em di\u00e1logo permanente com a cultura japonesa. Em 1993, Goga elaborou um dec\u00e1logo, divulgado pela revista CAQUI n\u00ba 0, do m\u00eas de maio, que reproduzimos abaixo, mantendo op\u00e7\u00f5es ortogr\u00e1ficas e de destaque:<\/p>\n<ol>\n<li>O Haicai \u00e9 poema conciso, formado de 17 s\u00edlabas, ou melhor, sons, distribu\u00eddos em tr\u00eas versos (5-7-5), sem rima nem t\u00edtulo e com o termo de esta\u00e7\u00e3o do ano (<em>kigo<\/em>).<\/li>\n<li>O Kigo \u00e9 a palavra que representa uma das quatro esta\u00e7\u00f5es: primavera, ver\u00e3o, outono e inverno; p. ex., IP\u00ca (flor de primavera), CALOR (fen\u00f4meno ambiental de ver\u00e3o), LIB\u00c9LULA (inseto de outono) e FESTA JUNINA (evento de inverno).<\/li>\n<li>Cada esta\u00e7\u00e3o do ano tem o pr\u00f3prio car\u00e1ter, do ponto de vista da sensibilidade do poeta; p. ex., Primavera (alegria), Ver\u00e3o (vivacidade), Outono (melancolia) e Inverno (tranquilidade).<\/li>\n<li>O haicai \u00e9 poema que expressa fielmente a sensibilidade do autor. Por isso:\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>respeitar a simplicidade;<\/li>\n<li>evitar o \u201cenfeite\u201d de \u201ctermos po\u00e9ticos\u201d;<\/li>\n<li>captar um instante em seu n\u00facleo de eternidade, ou melhor, um momento de transitoriedade;<\/li>\n<li>evitar o racioc\u00ednio.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<li>A m\u00e9trica ideal do haicai \u00e9 a seguinte: 5 s\u00edlabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro; mas n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia rigorosa, obedecida a regra de n\u00e3o ultrapassar 17 s\u00edlabas ao todo, e tamb\u00e9m n\u00e3o muito menos que isso. E a contagem das s\u00edlabas termina sempre na s\u00edlaba t\u00f4nica da \u00faltima palavra de cada verso.<\/li>\n<li>O haicai \u00e9 poemeto popular; por isso usa-se palavras quotidianas e de f\u00e1cil compreens\u00e3o.<\/li>\n<li>O dono do haicai \u00e9 o pr\u00f3prio autor; por isso, deve-se evitar imita\u00e7\u00e3o de qualquer forma, procurando sempre a verdade do esp\u00edrito haica\u00edsta, que exige consci\u00eancia e realidade.<\/li>\n<li>O haica\u00edsta atento capta a instantaneidade, qual apertar o bot\u00e3o da c\u00e2mera para obter o \u201csnap\u201d.<\/li>\n<li>O haicai \u00e9 considerado como uma esp\u00e9cie de di\u00e1logo entre autor e apreciador; por isso, n\u00e3o se deve explicar tudo por tudo, a fim de tornar poss\u00edvel a associa\u00e7\u00e3o de ideias por parte de quem o avalia.<\/li>\n<li>O haicai \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica emanada da sensibilidade do haica\u00edsta; por isso, deve-se evitar express\u00f5es de causalidade ou de sentimentalismo vazio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Do ponto de vista formal, o haikai no Brasil deve, ent\u00e3o, ser constru\u00eddo em versos de 5-7-5 s\u00edlabas, com sonoridades internas que surpreendam e amplifiquem significados, com aus\u00eancia de subjetividade evidente, embora possa conter vest\u00edgios do m\u00f3vel \u00edntimo do poeta a partir da descri\u00e7\u00e3o objetiva da natureza ou do homem, podendo conter elementos de riso, de pante\u00edsmo, de sensualidade ou outros, o que indicia um caminho para o ser-estar humano. Ou seja, a s\u00edntese cont\u00e9m a experi\u00eancia universal, e os tr\u00eas versos se fazem am\u00e1lgama de \u201cduas realidades insepar\u00e1veis e que, no entanto, jamais se fundem inteiramente: o grito do p\u00e1ssaro e a luz do rel\u00e2mpago\u201d (Ot\u00e1vio Paz).<\/p>\n<p>Importa, a cada poeta, a cada escritor, a cada novo texto, a cada novo poema, reinventar o mundo, reinventar a literatura, reinventar-se, sendo o novo \u2500 que cont\u00e9m o inexprim\u00edvel desconhecido e se torna verbo \u2500 agregado ao passado inteiro da humanidade que revive nos interst\u00edcios das letras que comp\u00f5em, revisam, refazem, recomp\u00f5em e d\u00e3o \u00e0 luz a vis\u00e3o de mundo do poeta.<\/p>\n<p>Vejamos um poema de Bash\u00f4, em m\u00faltiplas tradu\u00e7\u00f5es, como exemplo da arte do haikai.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">1. furu ike ya<br \/>\n2. kawasu tobikomu<br \/>\n3. mizu no oto<\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o lexical \u2500 literal, incorporando polissemias de cada palavra \u2500 seria algo assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>1. grande lago cheio (subentende-se um ar de ancestralidade no lago, que pode ser lido tamb\u00e9m como um tanque)<\/em><br \/>\n<em>2. r\u00e3 mudar voar cair mergulhar<\/em><br \/>\n<em>3. o som da\/na \u00e1gua<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um templo, um tanque musgoso<br \/>\nmudez, apenas cortada<br \/>\npelo ru\u00eddo das r\u00e3s<br \/>\nsaltando \u00e0 \u00e1gua&#8230; mais nada<br \/>\n(Trad. Wenceslau de Moraes, [1920]?; tradu\u00e7\u00e3o literal: \u201cAh, o velho tanque! E o ru\u00eddo das r\u00e3s, \/ atirando-se para a \u00e1gua!&#8230;\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tatalou e caiu<br \/>\ncom onda espiralada<br \/>\nfragor de entrudo<br \/>\n(Recria\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es Rosa, 1946)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o velho tanque<br \/>\nr\u00e3 salt\u2019<br \/>\ntomba<br \/>\nrumor de \u00e1gua<br \/>\n(Trad.\/recria\u00e7\u00e3o de Haroldo de Campos, 1969)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o tanque morto<br \/>\num ru\u00eddo de r\u00e3<br \/>\nsubmergindo.<br \/>\n(Vers\u00e3o de Olga Savary, 1980, para tradu\u00e7\u00e3o original de Ot\u00e1vio Paz, [1957?]; a vers\u00e3o literal do poema: Velho tanque \/ uma r\u00e3 que mergulha, \/ ru\u00eddo de \u00e1gua).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um velho tanque<br \/>\nUma r\u00e3 nele mergulha<br \/>\nRu\u00eddo n\u00e1gua<br \/>\n(Trad. Oldegar Vieira, 1975)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>velha lagoa<br \/>\no sapo salta<br \/>\no som da \u00e1gua<br \/>\n(Trad. Paulo Leminski, 1983)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O velho tanque \u2500<br \/>\nUma r\u00e3 mergulha,<br \/>\nBarulho de \u00e1gua.<br \/>\n(Trad. Paulo Franchetti, Elza Taeko Doi e Luiz Dantas, 1990)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>velho lago<br \/>\nmergulha a r\u00e3<br \/>\nfragor d\u2019\u00e1gua<br \/>\n(Trad. Alberto Marsicano, 1997)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>salta a r\u00e3<br \/>\npara dento do velho tanque \u2500<br \/>\nplof!<br \/>\n(Trad. Joaquim M. Palma, 2016)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>*\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0 *<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O haikai \u00e9 uma forma fixa com diversas diretrizes de conte\u00fado para sua feitura. Transgredir a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um imperativo pessoal do aut\u00eantico escritor por ser, tamb\u00e9m, uma exig\u00eancia para melhor representar novos e diferentes contextos. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o dom\u00ednio das normas e o conhecimento dos escritores que o antecederam. Exercite-se nos procedimentos e libere a criatividade <\/em><\/strong><strong><em>\u2500<\/em><\/strong><strong><em> assim, ser\u00e1 mestre e ser\u00e1 inventor. Bom exerc\u00edcio do haikai e at\u00e9 a pr\u00f3xima semana.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong>:<\/p>\n<p>BASH\u00d4, Matsuo. <strong><em>O eremita viajante [ haikus \u2013 obra completa]<\/em><\/strong>. Org. e trad. Joaquim M. Palma. Porto, Portugal: Ass\u00edrio &amp; Alvim, 2016.<\/p>\n<p>BASH\u00d4, Matsuo. <strong><em>Trilha estreita ao confim<\/em><\/strong>. Trad. Kimi Takenaka e Alberto Marsicano. 1. reimp. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2008. (1. ed., 1997).<\/p>\n<p>FRANCHETTI, Paulo; DOI, Elza Taeko; DANTAS, Luiz. <strong><em>Haikai<\/em><\/strong>. 3. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1996. (1. ed., 1990).<\/p>\n<p>FRANCHETTI, Paulo; DOI, Elza Taeko. <strong><em>Haikai: antologia e hist\u00f3ria<\/em><\/strong>. 4. ed., revista. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1996. (1. ed., 1990).<\/p>\n<p>GOGA, H. Masuda. <strong><em>O haicai no Brasil<\/em><\/strong>. Trad. Jos\u00e9 Yamashiro. S\u00e3o Paulo: Oriento, 1988. (Apoio: Alian\u00e7a Cultural Brasil-Jap\u00e3o). (1. ed. no Jap\u00e3o, <strong><em>Burajiru no haicai<\/em><\/strong>, 1986).<\/p>\n<p>GOGA, H. Masuda; ODA, Teruko Fujino. <strong><em>Natureza \u2013 ber\u00e7o do haicai; kikologia e antologia<\/em><\/strong>. [S\u00e3o Paulo]: Di\u00e1rio Nippak, 1996. (Edi\u00e7\u00e3o comemorativa do centen\u00e1rio de amizade Brasil-Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>GUTTILLA, Rodolfo Witzig (org.). <strong><em>Haicai \u2013 boa companhia<\/em><\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/p>\n<p>SAVARY, Olga (Org. e trad.). <strong><em>O livro dos hai-kais<\/em><\/strong>. Pref\u00e1cio de Ot\u00e1vio Paz; desenhos de Manabu Mabe. S\u00e3o Paulo: Massao Ohno; Roswitha Kempf, 1980.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Rauer Ribeiro Rodrigues<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; em travessia<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o importante<\/strong>:\u00a0O Prof. Rauer ministrou, h\u00e1 alguns anos, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Letras \/ Estudos Liter\u00e1rios do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS, um Curso de Escrita Criativa; a nosso pedido, alguns dos textos que serviram de diretriz para as aulas, aqui comentados pelo professor, vem sendo publicados e continuar\u00e1 a ser replicados no Blog da Editora Pangeia ao longo das pr\u00f3ximas semanas e meses. Al\u00e9m dos textos que ent\u00e3o utilizou no curso, o professor incluir\u00e1 outros, ampliando o escopo do curso para um p\u00fablico al\u00e9m dos estudantes universit\u00e1rios. N\u00e3o perca! Vale a pena acompanhar. (<strong>R\u00edzio Macedo Rodrigues<\/strong>, Editor, Editora Pangeia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>TEXTOS ANTERIORES DESTA S\u00c9RIE<\/strong><\/p>\n<p>Como publicar seu livro:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/como-publicar-seu-livro\/<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p>Aula 1: \u201cA arte de escrever 1 \u2013 As oito li\u00e7\u00f5es de Isaac Babel\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-1-as-oito-licoes-de-isaac-babel\/<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p>Aula 2: \u201cA arte de escrever 2 \u2013 Os segredos da fic\u00e7\u00e3o, segundo Raimundo Carrero\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-2-os-segredos-da-ficcao-segundo-raimundo-carrero\/<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p>Aula 3: \u201cA arte de escrever 3 \u2013 Evite verbos de pensamento\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-3-evite-verbos-de-pensamento-essa-e-a-dica-de-palahniuk\/<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p>Aula 4: \u201cA arte de escrever 4 \u2013 Dicas de 15 escritoras\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-4-dicas-de-15-escritoras\/<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>Aula 5: \u201cA arte de escrever 5 \u2013 29 aforismos sobre o microconto\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-5-29-aforismos-sobre-o-microconto\/<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>Aula 6: \u201cA arte de escrever 6 \u2013 Dicas ao escrever para crian\u00e7as e para jovens\u201d:<br \/>\n&lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/\">https:\/\/editorapangeia.com.br\/a-arte-de-escrever-6-dicas-ao-escrever-para-criancas-e-para-jovens\/<\/a>&gt;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><span style=\"color: #993366;\">Links descritivos de todos os artigos da s\u00e9rie<\/span><\/a><br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><a style=\"color: #993300;\" href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=arte+de+escrever\"><strong>A ARTE DE ESCREVER \u2013 AQUI!!!<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDITORA PANGEIA:<br \/>\nCONFIRA PORQUE PUBLICAR NA PANGEIA:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/publique-na-pangeia\/\"><span style=\"color: #993366;\"><strong>AQUI !!!<\/strong><\/span><\/a><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><u><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/sobre\/\">Quem Somos &#8211; Valores<\/a><\/u><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/publique\/\"><u>Or\u00e7amento<\/u><\/a>:<br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"mailto:publiqueconosco@editorapangeia.com.br\">publiqueconosco@editorapangeia.com.br<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Haikku, haicai, haikai, hai-cai, hai-kai, hokku, al\u00e9m de renga e tanka, s\u00e3o express\u00f5es que designam milenares formas po\u00e9ticas origin\u00e1rias da China continental e que se aclimataram e desenvolveram no Jap\u00e3o insular. A forma mais usual, no Brasil, para mencionar esse poema de tr\u00eas versos \u00e9 haicai. 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