{"id":10975,"date":"2022-12-06T01:33:58","date_gmt":"2022-12-06T01:33:58","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=10975"},"modified":"2025-11-20T17:58:06","modified_gmt":"2025-11-20T17:58:06","slug":"lua-preta-de-madu-brandao-resenhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/lua-preta-de-madu-brandao-resenhas\/","title":{"rendered":"Lua Preta, de Madu Brand\u00e3o &#8211; resenhas"},"content":{"rendered":"<div class=\"_a9zs\">\n<p><em><strong>LUA PRETA<\/strong><\/em>,<br \/>\nde Madu Brand\u00e3o<br \/>\n<a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/lua-preta\/\">editorapangeia.com.br\/shop\/<\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Resenhas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O professor Rauer Ribeiro Rodrigues e seus alunos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea do C\u00e2mpus de Tr\u00eas Lagoas da UFMS produziram diversas resenhas sobre o\u00a0<em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>. Leia abaixo essas resenhas. A elas tamb\u00e9m ajuntamos uma pequena resenha da escritora Nima Spigolon, professora da Unicamp.<\/p>\n<p>Confira as muitas facetas deste livro magistral nas dezesseis vis\u00f5es sobre o <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>\u00a0que apresentamos abaixo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"_a9zs\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Madu Brand\u00e3o!<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10978 alignright\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-211x300.jpg 211w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-722x1024.jpg 722w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-768x1089.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-700x993.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-282x400.jpg 282w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27-493x700.jpg 493w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Imagem-05-12-2022-as-12.27.jpg 903w\" sizes=\"auto, (max-width: 276px) 100vw, 276px\" \/><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Rauer<\/strong><br \/>\nProfessor; escritor; cr\u00edtico liter\u00e1rio;<br \/>\ndo Conselho Editorial da Pangeia<\/p>\n<p>Tenho \u00e0 mesa, espalhados, cerca de uma dezena de livros assinados por Maria do Carmo Brand\u00e3o. Entre eles, o manuscrito do <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>. Trata-se de livro in\u00e9dito, um conto, como g\u00eanero, um livro para jovens leitores, na proposta autoral, um livro para todos os leitores que apreciam literatura de primeira qualidade.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o \u00e9 escritora de estirpe e seu pai, Ildeu Brand\u00e3o, foi um dos muitos mestres da literatura que Minas Gerais legou ao Brasil no S\u00e9culo XX. Tenho livros de Ildeu tamb\u00e9m \u00e0 mesa. A filha ombreia-se ao pai no trato da linguagem, na capacidade inventiva, na emo\u00e7\u00e3o que seus textos despertam.<\/p>\n<p>Entre tantos livros, de t\u00e3o diferentes \u00e9pocas, editados por grandes editoras, incluindo editoras universit\u00e1rias, tenho para comigo que a obra magna de Madu Brand\u00e3o \u00e9 este <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, que agora vem a lume nas Edi\u00e7\u00f5es Saru\u00ea, o selo infantojuvenil da Pangeia Editorial.<\/p>\n<p>O livro, no boneco que tenho em m\u00e3os, chega com projeto editorial impec\u00e1vel, lindo, com ilustra\u00e7\u00f5es potentes e adequadas que fazem justi\u00e7a \u00e0 narrativa forte e corajosa de Madu Brand\u00e3o. Com <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, Madu Brand\u00e3o produz a sua obra-prima, com o dom\u00ednio pleno das potencialidades expressivas, em narrativa densa, sens\u00edvel, na maturidade da escrita e no esplendor da sua viv\u00eancia de professora.\u00a0Recomendo fortemente.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua Preta\u00a0<\/em><\/strong><strong>ilumina<\/strong><strong>\u00a0a for\u00e7a da ancestralidade<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Laura Prates Soares<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<\/div>\n<p><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, \u00e9 a nova aposta da Editora Pangeia para o p\u00fablico\u00a0infanto-juvenil. Trazendo temas como a ancestralidade e a constru\u00e7\u00e3o da identidade\u00a0pessoal, o livro acompanha o protagonista Tonz\u00e9, um garoto bondoso que sofre com o\u00a0racismo e a gordofobia. O resultado \u00e9 uma obra que mescla debates necess\u00e1rios a uma\u00a0escrita de car\u00e1ter liter\u00e1rio, influenciada por grandes autores.<\/p>\n<p>No livro, Tonz\u00e9 tem um bom relacionamento com seus pais e sua irm\u00e3, mas vive\u00a0sendo ridicularizado pelos colegas, que lhe deram a alcunha de \u201cLua Preta\u201d. Enquanto o\u00a0personagem d\u00e1 vaz\u00e3o a seus sentimentos, Madu Brand\u00e3o tece sua cr\u00edtica social de\u00a0diversas maneiras, tendo especial cuidado com as palavras e seus significados.<\/p>\n<p>Tonz\u00e9 odeia a cor preta, mas questiona as conota\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas \u00e0s cores: a\u00a0cidade para a qual viaja \u00e9 Ouro Preto; as teclas de um piano s\u00e3o pretas; mas seu pai, um\u00a0homem que gostava ler, \u00e9 um \u201cpreto de alma branca\u201d. Dessa forma \u2013 imagina ele \u2013, se o\u00a0cora\u00e7\u00e3o da professora Alice \u00e9 bondoso, ela tem um cora\u00e7\u00e3o \u201cbranco\u201d?<\/p>\n<p>Na trajet\u00f3ria de Tonz\u00e9, de maneira similar \u00e0 epifania presente nas obras do\u00a0escritor irland\u00eas James Joyce, o di\u00e1logo foi escolhido para trazer conhecimento e\u00a0possibilitar uma transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 com o aux\u00edlio da professora Alice e do padre Pedro \u2013\u00a0e da hist\u00f3ria do povo afro-brasileiro \u2013, que o menino encontra o caminho para aprender\u00a0a gostar de si e de sua cor.<\/p>\n<p>Lentamente, vai-se delineando um personagem complexo, envolto em\u00a0sentimentos contradit\u00f3rios, mas condizentes com o cen\u00e1rio retratado pela autora. Tudo\u00a0isso em uma prosa coloquial, voltada \u00e0 realidade e \u00e0 jovialidade do protagonista. Como\u00a0Lima Barreto \u2013 escritor lido pelos colegas de Tonz\u00e9, a pedido da professora Alice \u2013,\u00a0Madu Brand\u00e3o adota uma escrita \u201csimples\u201d, em que aflora a cr\u00edtica contra o preconceito<br \/>\nracial.<\/p>\n<p>Assim, <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, congrega o debate de temas atuais, como o\u00a0racismo, a uma escrita que remete a autores liter\u00e1rios renomados, como James Joyce e\u00a0Lima Barreto.<\/p>\n<p>Pensar a l\u00edngua, a hist\u00f3ria e a sociedade brasileiras: eis o convite ao leitor dessa\u00a0obra. Tanto o p\u00fablico infanto-juvenil quanto o adulto devem dar uma chance a essa\u00a0hist\u00f3ria bem escrita, onde todos os elementos \u2013 a narra\u00e7\u00e3o, os personagens, o espa\u00e7o ou\u00a0tempo \u2013 trabalham para compor um todo coeso.<\/p>\n<p>Ler <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 reconhecer a\u00a0import\u00e2ncia da ancestralidade e da liberta\u00e7\u00e3o pelo conhecimento; \u00e9 entender o impacto\u00a0da linguagem cotidiana, sem rebuscamentos. \u00c9 sentir a for\u00e7a da epifania, capaz de\u00a0iluminar (ou escurecer?) as origens de Tonz\u00e9.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conota\u00e7\u00f5es &#8220;cor de carne&#8221; no conto\u00a0<em>Lua<br \/>\nPreta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Jo\u00e3o Kewellyn dos Santos Fernandes<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Autora do conto\u00a0<em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, Maria do Carmo Brand\u00e3o, a Madu Brand\u00e3o, nasceu em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, em 1948. \u00c9 professora aposentada e tem cerca de trinta livros publicados.<\/p>\n<p>Destacamos duas express\u00f5es textualizadas para iniciar nossa leitura: \u201cNoite intensa\u201d e \u201clua em eclipse\u201d \u2013 tais conota\u00e7\u00f5es \u00a0ganham \u201ccor de carne\u201d\u00a0no enredo do <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>E ainda mais: a liga\u00e7\u00e3o consciente\u00a0que a personagem-protagonista passa a ter atrav\u00e9s do conhecimento da pr\u00f3pria ancestralidade\u00a0pode promover no leitor o mesmo efeito.<\/p>\n<p>Sabe-se que os livros de Hist\u00f3ria trazem em sua maioria a vis\u00e3o dos\u00a0colonizadores. O conto de Madu Brand\u00e3o, por sua vez, inverte essa vis\u00e3o por meio da personagem\u00a0Tonz\u00e9: menino negro, de fam\u00edlia simples, sofredor de bullying por seu excesso\u00a0de peso e de racismo por sua cor.<\/p>\n<p>O enredo encena uma visita escolar a Ouro Preto. Na aproxima\u00e7\u00e3o\u00a0com a professora, na viagem, dolorosa qual uma <em>via-cr\u00facis<\/em>, e com o padre, no retorno, ocorre uma esp\u00e9cie de\u00a0emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conto apresenta ao leitor mais atento essa configura\u00e7\u00e3o e trato do eu da\u00a0personagem para consigo mesmo influenciando-o e enredando-o por uma\u00a0exterioridade nebulosa. Isso pode ser constatado, por exemplo, na demasiada\u00a0vis\u00e3o negativa da cor preta narrada [ilustra\u00e7\u00e3o cinco] na compara\u00e7\u00e3o do\u00a0fen\u00f3tipo, que sempre exalta tra\u00e7os caucasianos, e na liga\u00e7\u00e3o falsa de que a cultura\u00a0de um negro sempre \u00e9 proveniente de uma \u201calma branca\u201d [ilustra\u00e7\u00e3o 8].<\/p>\n<p>Ademais, o conto, em sua estrutura, por vezes faz liga\u00e7\u00f5es das palavras \u201cpreto\u201d e\u00a0\u201cbranco\u201d usadas a priori em contextos (superficialmente falando) n\u00e3o raciais:\u00a0\u201cOuro Preto\u201d, \u201ccara de deu branco\u201d, \u201ccora\u00e7\u00e3o de ouro [ou branco] \u2013 o que\u00a0refor\u00e7a ainda mais a quest\u00e3o da cor aplicada \u00e0 pele e impregnada na mente da\u00a0personagem.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, h\u00e1 a presen\u00e7a \u2013 por meio do reconhecimento hist\u00f3rico e de si\u00a0no outro \u2013 de uma epifania ocorrida no final do conto quando a personagem\u00a0principal adjetiva positivamente sua m\u00e3e e \u00e0 Anicinha.<\/p>\n<p>Dado o fato do conto ir de encontro \u00e0 sociedade brasileira racista,\u00a0faz-se a leitura necess\u00e1ria, principalmente no contexto de sala de aula em que o\u00a0conto \u00e9 encenado, pois reconhecer-se em algum lado do conto (seja ele qual for)\u00a0gerar\u00e1, em efic\u00e1cia, transforma\u00e7\u00e3o: efeito pr\u00f3prio da literatura.<\/p>\n<p>Pode-se, ainda, haver um cr\u00edtica sobre a quest\u00e3o (por se tratar de uma\u00a0autora branca) do \u201clugar de fala\u201d. Nada inviabiliza o discurso se ele est\u00e1 em\u00a0conson\u00e2ncia com a vida (se s\u00f3 se trata de analisar a realidade e as rela\u00e7\u00f5es no modo pelo qual elas\u00a0de fato s\u00e3o).<\/p>\n<p>O livro tem lan\u00e7amento marcado para dezembro de 2022 em Beag\u00e1, a capital dos mineiros, cen\u00e1rio em que\u00a0<em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> descobre suas origens ancestrais.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Em\u00a0<em>Lua\u00a0Preta<\/em>, a realidade das crian\u00e7as brasileiras<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nima Spigolon<br \/>\n<\/strong>Professora da Unicamp<\/p>\n<div class=\"gmail_default\"><em><strong>Lua Preta<\/strong>&#8230;<\/em>\u00a0Esse livro apresenta, com palavras e desenhos, a tem\u00e1tica \u00e9tnico-racial, em enredo para ser lido com as crian\u00e7as \u2013 mas n\u00e3o deve ser lida s\u00f3 por crian\u00e7as.<\/div>\n<div class=\"gmail_default\">\n<p>Trata-se de uma narrativa incr\u00edvel sobre reconhecimento racial e identit\u00e1rio negros.<\/p>\n<p><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> traz a realidade que muitas crian\u00e7as vivem no Brasil, uma realidade com tra\u00e7os fenot\u00edpicos e f\u00edsicos que guardam a sua beleza e s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto quaisquer outros. Da\u00ed, a import\u00e2ncia da literatura e de livros em que a ilustra\u00e7\u00e3o infanto-juvenil representem corpos negros, livros que com vida e esperan\u00e7a registrem a diversidade racial e tragam hist\u00f3rias n\u00e3o mais de escravid\u00e3o, e sim de grandes sabedorias e ricas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais oriundas da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Aqui temos a hist\u00f3ria de um menino. Um menino que poderia ser voc\u00ea, algum coleguinha ou amigo seu. \u00c9 o Lua Preta, o protagonista, a personagem principal do livro, cujo nome \u00e9 Tonz\u00e9.<\/p>\n<\/div>\n<div>Durante sua forma\u00e7\u00e3o escolar, viaja para a hist\u00f3rica Ouro Preto. L\u00e1, Lua Preta vivencia ao lado da professora experi\u00eancias que revelam a compreens\u00e3o que tinha de si mesmo; faz descobertas pungentes e, ao retornar para Beag\u00e1, a professora o leva ao encontro de um novo padre na par\u00f3quia do bairro, e Tonz\u00e9 descobre outra consci\u00eancia da sua ancestralidade, em processo de auto-descobertas para se apresentar diante de sua fam\u00edlia e de sua comunidade.<\/div>\n<div class=\"gmail_default\">\n<p>Com este livro em m\u00e3os, nossas crian\u00e7as t\u00eam \u2013 e nossos professores, vizinhos e comunidades tamb\u00e9m \u2013 mais um material escrito e ilustrado para reverter os processos hist\u00f3ricos de (in)visibilidade, combater o racismo e a intoler\u00e2ncia, ressignificar a cultura africana e brasileira por meio da literatura infanto-juvenil.<\/p>\n<p>Com o livro de Madu Brand\u00e3o vemos que h\u00e1 uma possibilidade real de ser feliz e de viver com dignidade.<\/p>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o: retrato<br \/>\nde um mundo disfuncional<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Vanessa Aparecida da Silva<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p><em><strong>Lua preta<\/strong><\/em> \u00e9 uma obra que traz a quest\u00e3o da ancestralidade, a trajet\u00f3ria da crian\u00e7a\u00a0de se encontrar em um mundo disfuncional, onde \u00e9 situado diante de si e do seu futuro, a partir do mergulho na sua ancestralidade.<\/p>\n<p>A autora, Madu Brand\u00e3o, apresenta uma\u00a0hist\u00f3ria sens\u00edvel, um livro repleto de conselhos e discuss\u00f5es sobre o modo pelo qual podemos\u00a0lidar com alguns dos problemas estruturais mais s\u00e9rios que assolam nosso modo de<br \/>\nvida.<\/p>\n<p><strong><em>Lua Preta<\/em><\/strong> \u00e9 um conto que cria realidade e emociona quem o l\u00ea. Oferece li\u00e7\u00f5es para\u00a0n\u00e3o romantizar as coisas do dia a dia. Ambientado em Belo Horizonte, o enredo \u00e9\u00a0atemporal e moderno; a ambienta\u00e7\u00e3o \u00a0em Ouro Preto, a capital do passado, mostra um enredo &#8220;ultrapassado&#8221;, das ra\u00edzes escravocratas da constitui\u00e7\u00e3o regional na qual a mineiridade est\u00e1 imersa at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Em um passeio com a turma da escola, Tonz\u00e9, o protagonista, vai da decep\u00e7\u00e3o \u00e0 autoconsci\u00eancia; assim, alcan\u00e7a perfil que\u00a0expressa a brasilidade e personifica uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9tica em\u00a0um mundo de sexualidade e imoralidade.<\/p>\n<p>Tonz\u00e9 \u00e9 um menino que ama seus pais e sua\u00a0irm\u00e3 ca\u00e7ula, e, em um passeio com a turma da escola, descobre v\u00e1rias coisas\u00a0importantes e tristes dos materiais ricos e culturais do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A obra traz quest\u00f5es raciais e mostra como o racismo afeta nas crian\u00e7as e como elas se\u00a0enxergam. A realidade apontada no livro n\u00e3o \u00e9 distante dos dias atuais e por isso\u00a0devemos nos questionar a respeito:<\/p>\n<ul>\n<li>Estamos falando sobre isso com as crian\u00e7as que\u00a0conhecemos?<\/li>\n<li>Porque crian\u00e7as negras na sua maioria n\u00e3o s\u00e3o felizes com sua\u00a0apar\u00eancia?<\/li>\n<li>\u00c9 por falta de representatividade?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Lua Preta tem como alvo o p\u00fablico infantojuvenil, mas essa obra pode ser\u00a0recomendada para todas as idades.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, deve ser recomenda a pais e fam\u00edlias que possuem alguma crian\u00e7a em\u00a0casa, seja ela negra ou n\u00e3o; deve ser recomendada para professores e para quem se interessar a respeito do\u00a0assunto.<\/p>\n<p>A mineira Maria do Carmo Brand\u00e3o, mais conhecida como Madu Brand\u00e3o, nasceu em\u00a01948 em Belo Horizonte, onde permanece at\u00e9 os dias atuais. Ela \u00e9\u00a0aposentada na profiss\u00e3o de professora e no momento seu foco \u00e9 a literatura, artes e\u00a0revis\u00e3o de textos. Possui cerca de 30 livros publicados e o <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 o seu primeiro livro na Pangeia Editorial, saindo no selo infantojuvenil, Edi\u00e7\u00f5es Saru\u00ea.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O aproximar com a ancestralidade preta na inf\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Jumael dos Santos Silva Filho<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>A professora aposentada Maria do Carmo Brand\u00e3o, carinhosamente conhecida por Madu\u00a0Brand\u00e3o, lan\u00e7a neste m\u00eas de dezembro o livro <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, em bela publica\u00e7\u00e3o da Pangeia Editorial.<\/p>\n<p>Com aproximadamente 30\u00a0obras publicadas, nessa \u00a0curta narrativa infanto-juvenil a autora nos\u00a0apresenta o pequeno Tonz\u00e9, uma crian\u00e7a negra que descobre muito cedo o que \u00e9 o\u00a0bullying, o racismo e o preconceito.<\/p>\n<p>De linguagem simples e at\u00e9 mesmo coloquial, mas de modo preciso, Madu\u00a0Brand\u00e3o\u00a0nos presenteia com uma obra important\u00edssima para a forma\u00e7\u00e3o de leitores e de seres\u00a0humanos, nos levando a refletir acerca da luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o por diferen\u00e7a quanto ao tom de\u00a0pele.<\/p>\n<p>A narrativa inicia com um pequeno garoto se apresentando em momento em que \u00e9 chamado por\u00a0adjetivos pejorativos como &#8220;lua preta\u201d, \u201clu\u00e3o\u201d, \u201clua cheia&#8221;, entre outros, deixando-nos entrever que ele\u00a0sente \u201cnojo&#8221; pelo pr\u00f3prio tom de sua pele. Dessa forma,\u00a0percebemos que a suscet\u00edvel crian\u00e7a aprendeu muito cedo, e da pior forma poss\u00edvel,\u00a0o que \u00e9 ser uma crian\u00e7a preta e pobre.<\/p>\n<p>De forma descomplicada, Madu Brand\u00e3o\u00a0denuncia o preconceito dentro da escola, na rela\u00e7\u00e3o de amigos e na atividade da\u00a0professora, a personagem \u201cTia\u201d Alice; no entanto, \u00e9 ela que vai mudar a vida de Tonz\u00e9,\u00a0o pequeno garotinho, nosso protagonista.<\/p>\n<p>O ponto alto do conto enredo, epif\u00e2nico, \u00e9 uma viagem \u00e0 Ouro Preto, em que Tonz\u00e9 \u00e9 alvo de\u00a0chacotas, mas \u00e9 nessa altura da viagem que o cen\u00e1rio se transforma. O que era para ser apenas\u00a0uma excurs\u00e3o escolar, se torna a viagem da vida de Tonz\u00e9.\u00a0Em Ouro Preto, o pequeno garoto conhece um pouco de hist\u00f3ria, da sua hist\u00f3ria,\u00a0a saga do povo preto, a representatividade dos seus antepassados na constru\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>Assim,\u00a0Tonz\u00e9 observa que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim de ser um garotinho preto.<\/p>\n<p>V\u00e1rios epis\u00f3dios da vida do menino nos faz observar sua evolu\u00e7\u00e3o de\u00a0ser humano, em particular a visita \u00e0 igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio\u00a0dos Pretos, a bonequinha preta que ganhou na barraquinha e sua conversa com<br \/>\no Padre Pedro \u2013 s\u00e3o etapas que o fazem assumir sua identidade diante da sua\u00a0ancestralidade.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o escreve um conto potente, extraordin\u00e1rio,\u00a0prazeroso e indispens\u00e1vel, que faz com que seus leitores repensem acerca da\u00a0rela\u00e7\u00e3o entre pessoas.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o da ancestralidade africana por parte do pequeno\u00a0Tonz\u00e9 \u00e9 esplendorosa. \u00c9 ainda mais importante, pois o momento m\u00e1gico da transforma\u00e7\u00e3o ocorre por\u00a0interm\u00e9dio de uma professora.<\/p>\n<p>Assim, convido cada leitor a que essa resenha chegue, para a leitura do <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, livro que salienta a\u00a0import\u00e2ncia da escola na vida da crian\u00e7a, pois foi ela o fator respons\u00e1vel\u00a0pela transforma\u00e7\u00e3o do protagonista, e finalizo resgatando a fala final \u2013 um sonho \u2013 da pequena grande personagem Tonz\u00e9:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201c[&#8230;] eu estudava e a gente conversava sobre a ancestralidade&#8221;.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A vis\u00e3o cr\u00edtica de Madu Brand\u00e3o em <em>Lua\u00a0Preta<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Isabela Matioli Oliveira<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Maria do Carmo Brand\u00e3o \u00e9 graduada em Pedagogia na UFMG, atuou e se sente professor, e atualmente trabalha com literatura, artes e revis\u00e3o de textos. Possui diversos t\u00edtulos publicados, al\u00e9m de indica\u00e7\u00f5es de leitura e pr\u00eamios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, lan\u00e7amento deste final de ano da Pangeia Editorial no selo Saru\u00ea, a autora nos apresenta temas como a ancestralidade e a constru\u00e7\u00e3o da identidade pessoal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A narrativa acompanha o protagonista Tonz\u00e9, um garoto bondoso que sofre bullying decorrente de racismo e de gordofobia. Assim, <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 uma obra que mescla debates necess\u00e1rios a uma escrita de car\u00e1ter liter\u00e1rio que dialoga intertextualmente com grandes autores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tonz\u00e9 tem um bom relacionamento com seus pais e sua irm\u00e3, mas \u00e9 muito ridicularizado por colegas de classe, que lhe chamam de \u201cLua Preta\u201d. Enquanto a personagem d\u00e1 vaz\u00e3o aos seus sentimentos, Madu Brand\u00e3o tece sua cr\u00edtica social de diversas maneiras, tomando o devido cuidado com as palavras e seus significados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Trata-se de uma narrativa curta e realista, em que Tonz\u00e9 exp\u00f5e acontecimentos e sentimentos, sendo narrador autodieg\u00e9tico. O enredo aborda o bullying que o protagonista sofre em seu cotidiano escolar por ser negro e gordo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A partir desse contexto social, Madu Brand\u00e3o nos apresenta zomba\u00e7\u00f5es cotidianas dirigidas a Tonz\u00e9; trata-se da \u201cporta de entrada\u201d na dura realidade de uma sociedade racista que persegue o protagonista t\u00e3o s\u00f3 em decorr\u00eancia de sua cor de pele e de estar \u201cacima do peso ideal\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio do livro, Tonz\u00e9 mostra estar habituado ao preconceito:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 40px;\"><em>Tonz\u00e9 odeia a cor preta, mas questiona as conota\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas \u00e0s cores: a cidade para a qual viaja \u00e9 Ouro Preto; as teclas de um piano s\u00e3o pretas; mas seu pai, um homem que gostava ler, \u00e9 um \u201cpreto de alma branca\u201d. Dessa forma \u2013 imagina ele \u2013, se o cora\u00e7\u00e3o da professora Alice \u00e9 bondoso, ela tem um cora\u00e7\u00e3o \u201cbranco\u201d?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa vis\u00e3o \u00e9 desconstru\u00edda na viagem a Ouro Preto, em uma excurs\u00e3o junto com sua turma. Na primeira capital de Minas Gerais, muitos escravos foram trazidos da \u00c1frica para trabalhar na minera\u00e7\u00e3o. E sua professora lhe explica sobre a hist\u00f3ria da cidade, a minera\u00e7\u00e3o e a igreja que foi constru\u00edda para os negros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a viagem, a professora o leva para conhecer um padre, tamb\u00e9m negro. Ap\u00f3s muita conversa sobre a escravid\u00e3o e sobre o povo negro, tratam do cotidiano de Tonz\u00e9, de fam\u00edlia e de ancestralidade, da constru\u00e7\u00e3o compreensiva da identidade sustentada intelectual e politicamente a partir do conhecimento dos ancestrais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O modo pelo qual Madu Brand\u00e3o mescla a \u00e1rdua realidade ao tratar da hist\u00f3ria da \u00c1frica e de escravid\u00e3o em um livro infanto-juvenil \u00e9 surreal, pois nos apresenta temas espinhosos e duros e nos faz compreender e nos emocionar diante do enredo encenado, em especial com a pureza de uma crian\u00e7a sendo &#8220;quebrada&#8221; de uma forma brutal nesse nosso \u201cmundo de apar\u00eancias\u201d, que tenta impor ao protagonista uma maneira diferente de viver, impondo-lhe ideologias preconceituosas e discriminat\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A busca abusiva por est\u00e9ticas irreais do \u201ccorpo perfeito\u201d \u00e9 constante no meio social e \u00e9 extremamente lament\u00e1vel que crian\u00e7as percam parte de suas inf\u00e2ncias com insultos, preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas e que sejam tratadas de forma diferenciada por preconceitos socialmente constru\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na trajet\u00f3ria de Tonz\u00e9 podemos notar uma similaridade \u00e0 epifania por James Joyce, com o di\u00e1logo trazendo conhecimento e possibilitando transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 no di\u00e1logo com a professora Alice e com o padre Pedro que Tonz\u00e9 \u00e9 apresentando \u00e0 hist\u00f3ria do povo afro-brasileiro e encontra o caminho para aprender a gostar de si e de sua cor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A partir da narrativa, se delineia uma personagem complexa, envolta de sentimentos contradit\u00f3rios, mas condizentes com o cen\u00e1rio retratado por Madu Brand\u00e3o. Em prosa coloquial e voltada \u00e0 realidade do jovem protagonista observamos a realidade de Tonz\u00e9 atrav\u00e9s do espa\u00e7o e da ambienta\u00e7\u00e3o, trabalhadas de forma que personagens negras surjam em n\u00e3o-pertencimento e n\u00e3o-adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A autora tamb\u00e9m utiliza diferentes refer\u00eancias ao racismo, menciona\u00a0<em>narizinho arrebitado<\/em>, uma das personagens de Monteiro Lobato, que apesar de ser precursor da literatura infantil brasileira, tamb\u00e9m \u00e9 denominado como racista por alguns. Por outro lado, temos refer\u00eancia tamb\u00e9m ao m\u00fasico, poeta e compositor Tom Z\u00e9, do movimento tropic\u00e1lia, que empresta seu nome ao protagonista da hist\u00f3ria.\u00a0Nessas refer\u00eancias, Lima Barreto (escritor negro, que aborda o racismo e era filho de ex-escravos) n\u00e3o ficou de fora: a professora Alice \u00a0indica sua leitura aos colegas de classe de Tonz\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A prosa aparentemente simples de Madu Brand\u00e3o \u00e9 altamente elaborada, com diversas refer\u00eancias intertextuais, nas quais aflora quest\u00f5es humanas muito al\u00e9m da cr\u00edtica ao preconceito racial que parece estar em primeiro plano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, o estudo do livro <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para a representatividade, o conhecimento da hist\u00f3ria e a reflex\u00e3o sobre os meios sociais em que vivemos e aos quais estamos submetidos, para que possamos \u2013 de maneira cr\u00edtica \u2013 nos conscientizar e buscar incansavelmente melhora social e pessoal na busca da ancestralidade e da liberta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do conhecimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o: narrativa<br \/>\nrealista e enternecedora<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Richard de Lima Silva<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 uma narrativa curta que relata a emocionante vida de uma crian\u00e7a preta que\u00a0vivencia as contrariedades da exist\u00eancia na pr\u00f3pria pele.<\/p>\n<p>A autora, Maria do Carmo Brand\u00e3o, \u00e9 professora aposentada, profiss\u00e3o que\u00a0permite constituir elos por toda a vida, com \u00a0alunos e com colegas de trabalho do\u00a0meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Durante o conto, nos s\u00e3o mostradas situa\u00e7\u00f5es que pautam o\u00a0mundo atual e que precisam ser n\u00e3o somente transcritas, mas dialogadas na\u00a0sociedade.<\/p>\n<p>A narrativa nos apresenta uma epifania ao encenar, sendo\u00a0necess\u00e1rio tirar a fei\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica habitual em nosso pa\u00eds e, em particular, na\u00a0vida da personagem Tonz\u00e9, que passa por situa\u00e7\u00f5es de racismo, bullying e gordofobia. A teoria de epifania foi proposta por James Joyce\u00a0(1882-1941) e define que, a partir do di\u00e1logo, uma personagem \u2013 normalmente o protagonista \u2013 se modifica, passando a ver o interlocutor, a sociedade e o mundo de maneira diferente. \u00c9 o que ocorre com Tonz\u00e9 ao dialogar com a professora e o padre, chegando transformado no reencontro com sua irm\u00e3 e sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>O conto \u201cLua Preta\u201d \u00e9 o tipo de literatura que carrega consigo a principal fonte para se\u00a0criar algo novo, o conto al\u00e9m de pontuar quest\u00f5es de descrimina\u00e7\u00e3o, gera um olhar mais\u00a0emp\u00e1tico em seus leitores no que diz respeito aos temas abordados no mesmo.<\/p>\n<p><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, lan\u00e7amento da Pangeia Editorial, nas Edi\u00e7\u00f5es Saru\u00ea, dedicada a jovens\u00a0leitores, chega inicialmente em livro f\u00edsico e, em seguida, em \u00a0formato online \u2013 confira <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=lua+preta\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o nos entrega, com este <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>,\u00a0uma narrativa realista e enternecedora.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Madu Brand\u00e3o &#8220;inventa moda&#8221; em<\/strong> <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Amanda Barboza Novais<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>Para Madu Brand\u00e3o, escrever \u00e9\u00a0&#8220;inventar moda&#8221;. Com o seu <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, em lan\u00e7amento das Edi\u00e7\u00f5es Saru\u00ea, ela exercita o ato de inventar, criar e\u00a0promover novas vis\u00f5es de mundo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o racial no cotidiano infanto-juvenil\u00a0brasileiro.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do conto que nomeia o livro se refere ao apelido dado \u00e0 personagem\u00a0principal, Tonz\u00e9. Uma crian\u00e7a que narra sua rotina escolar, sendo um menino negro do rosto\u00a0redondo e tendo sua autoimagem distorcida em vista do racismo estrutural embutido na\u00a0sociedade, bem como o bullying que sofria por sua apar\u00eancia f\u00edsica e devido a cor de sua pele.<\/p>\n<p>Mesmo sendo um aluno extremamente inteligente e cheio de perguntas na aula, ele se recusava a<br \/>\nparticipar. Ele n\u00e3o reconhecia suas habilidades e tinha muito medo da rejei\u00e7\u00e3o ser maior, aumentando as piadas que poderiam ocorrer:\u00a0&#8220;E o pavor dos outros achar que al\u00e9m de<br \/>\npreto eu era burro&#8221; (p. 20).<\/p>\n<p>Tonz\u00e9\u00a0\u00e9 afetado pelo padr\u00e3o etnoc\u00eantrico e euroc\u00eantrico, efeito do racismo estrutural.<\/p>\n<p>Um ponto importante e que vale ser destacado \u00e9 a\u00a0a\u00e7\u00e3o modificadora sobre a vis\u00e3o de mundo da personagem a partir do momento em que ele\u00a0come\u00e7a a conhecer e entender sobre seu passado, sua ancestralidade e a riqueza delas. Isso ocorre com os\u00a0ensinamentos de Padre Pedro, um padre que tamb\u00e9m \u00e9 negro, sendo uma\u00a0imagem que representa Tonz\u00e9 em seu contexto.<\/p>\n<p>Uma vez que ele se encontrava culturalmente constru\u00eddo, mas desconstru\u00eddo com o\u00a0racismo estrutural que o mantinha ignorante de si mesmo, ele foi reconstru\u00eddo atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o\u00a0de conhecer sobre o seu passado, reconhecendo seu valor e o valorde seus ancestrais.<\/p>\n<p>Madu\u00a0Brand\u00e3o faz um \u00f3timo trabalho ao abordar essa tem\u00e1tica, principalmente por trazer representatividade \u00e0s crian\u00e7as negras, uma vez que \u2013 lendo a travessia de Tonz\u00e9 \u2013 podem reconhecer tamb\u00e9m o seu valor.<\/p>\n<p>Invoco um aforismo sobre microconto que parece adequado ao conto de Madu: &#8220;29. O microconto \u00e9 a poalha em r\u00e9stia de luz nos escombros de uma casa em ru\u00ednas.&#8221; (Rauer, <strong>AQUI<\/strong>).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso estudar o\u00a0passado para entender as quest\u00f5es atuais e \u00e9 preciso querer evoluir a partir dos ensinamentos sobre\u00a0o que j\u00e1 aconteceu. A poalha \u2013 uma ilumina\u00e7\u00e3o em r\u00e9stia de luz \u2013 nos traz a concep\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o a\u00a0partir da remodificac\u00e3o, da reconstru\u00e7\u00e3o; j\u00e1 os escombros de uma casa em ru\u00ednas retrata o mundo atual, a casa em ru\u00ednas, mas tamb\u00e9m cont\u00e9m, em met\u00e1fora, a\u00a0desconstru\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo marcado em seu corpo e em sua alma por viv\u00eancias cotidianas de racismo.<\/p>\n<p>Na sociedade em ru\u00ednas e no indiv\u00edduo em ru\u00ednas, a luz epifanica do\u00a0<em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em><em>\u00a0<\/em>Madu Brand\u00e3o tem papel regenerador, modificador.<\/p>\n<p>Tal a\u00e7\u00e3o modificadora n\u00e3o ocorre apenas na\u00a0personagem, no protagonista, mas \u00e9 tamb\u00e9m vivenciada por parte do leitor, levando a experi\u00eancia transformadora \u00e0s salas de aula que lerem o livro. Trata-se de obra que aborda\u00a0quest\u00e3o atual de modo que pode ser trabalhada no ensino infantil e que \u00e9\u00a0capaz de realizar epifania nos pequenos leitores e nos leitores jovens.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o, na a\u00e7\u00e3o de &#8220;inventar moda&#8221;, \u00a0possibilita que leitores mirins, jovens, adultos ou maduros sejam reconstru\u00eddos configurando novas vis\u00f5es de mundo e formando leitores: em <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>,\u00a0a poalha em r\u00e9stia de luz forja Tonz\u00e9, e, com ele, um novo mundo poss\u00edvel.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>: racismo, bullying, gordofobia<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Anne Francielle Bertholdo<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, \u00e9 uma narrativa curta, realista e emocionante de uma crian\u00e7a negra que descobre o racismo, o bullying e a gordofobia. A<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0narrativa \u00a0conta a hist\u00f3ria de Tonz\u00e9, um menino pobre, negro e gordo que morava com seus pais e a irm\u00e3 mais nova, Anisinha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O menino frequenta uma escola de classe baixa, na qual seus colegas de classe faziam bullying e o fendiam diariamente. As crian\u00e7as sabem que \u00e9 errado esse comportamento com o colega, j\u00e1 que fazem escondido da professora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido as agress\u00f5es que sofre, Tonz\u00e9 se sentia feio, inferior, n\u00e3o gostava da cor da sua pele e se colocava v\u00e1rios defeitos em decorr\u00eancia dos apelidos grosseiros que recebia de todos.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, era um menino alegre, de bom cora\u00e7\u00e3o e muito esperto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certo dia teve um passeio da escola, com a turma em viagem a Ouro Preto, ocasi\u00e3o em que o menino descobre sua etnicidade e que seu povo foi fundamental na constru\u00e7\u00e3o de riquezas materiais e culturais de nosso pa\u00eds. No final da excurs\u00e3o, a professora pede desculpas para Tonz\u00e9, pois havia tamb\u00e9m sido indelicada com ele. Mas, na viagem, Tonz\u00e9 e as outras crian\u00e7as viram e ouviram quest\u00f5es importantes sobre a cultura, a etnicidade e a ancestralidade africana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 assim que Tonz\u00e9 descobre , na viagem a Ouro preto, suas origens. Ao retornar a Belo Horizonte, a professora Alice apresenta o menino ao Padre Pedro, que lhe explica o que \u00e9 ancestralidade, que ele ser negro n\u00e3o era defeito e sim uma honra, e que os negros t\u00eam valor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Padre mostra, tamb\u00e9m, que a cor n\u00e3o define car\u00e1ter, de modo que Tonz\u00e9 passa a se aceitar, a se amar, e quer descobrir mais sobre suas origens.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Madu Brand\u00e3o incorpora em seu livro valores importantes sobre a cultura afro-brasileira. Podemos nos questionar como uma mulher branca, em seu texto, d\u00e1 tanta vitalidade a corpos negros, \u00e0s suas dores por racismo e a suas ancestralidade, pois ela nunca deve ter sofrido bullying por conta da cor de sua pele. M<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">esmo com a autora n\u00e3o tendo vivenciado o que Tonz\u00e9 passou, vemos no texto que \u00e9 como se ela sentisse na pele dela o que o menino sentia. Madu Brand\u00e3o, na voz interposta de Tonz\u00e9, nos mostra que a cor da pele n\u00e3o define ningu\u00e9m, que o que define a pessoa \u00e9 o car\u00e1ter.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto nos mostra de modo v\u00edvido a luta dos negros, todos os dias, em nossa sociedade, a luta de cada negro contra o preconceito, na defesa de seu valor na condi\u00e7\u00e3o de ser humano, a viv\u00eancia cotidiana do racismo que sofrem, e enfatiza a import\u00e2ncia de cada negro conhecer sua etnia, sua descend\u00eancia na condi\u00e7\u00e3o de africana e suas ra\u00edzes.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Catarse e epifania no conto <em>Lua<br \/>\nPreta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Franciellen Santos Francese<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>Professor \u00e9 uma classe aguerrida, de maioria feminina, que necessita de\u00a0imediata valoriza\u00e7\u00e3o por sua capacidade de mediar o conhecimento para outro\u00a0indiv\u00edduo. Maria do Carmo Brand\u00e3o, professora aposentada, amplia os\u00a0horizontes da doc\u00eancia ao nos apresentar <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, uma narrativa sens\u00edvel que\u00a0evoca uma discuss\u00e3o profunda e comovente sobre os preconceitos enraizados\u00a0em nossa sociedade.<\/p>\n<p>Lua Preta, o Tonz\u00e9, \u00e9 protagonista pobre e\u00a0negro, que sofre viol\u00eancias diariamente na escola por parte dos colegas de sala.<\/p>\n<p>A curta narrativa tem proposta decolonial, que busca n\u00e3o apenas debater\u00a0temas dolorosos como o racismo e a pobreza, mas tamb\u00e9m, de maneira\u00a0contundente, descontruir a vis\u00e3o do colonizador. Madu Brand\u00e3o \u00e9 uma mulher branca,\u00a0que talvez, nunca ser\u00e1 capaz de encarar na pele a dor do preconceito. Contudo,\u00a0Madu \u00e9 acima de tudo professora. E esta, sabendo da capacidade inata da\u00a0literatura de aproximar realidades, ensina atrav\u00e9s de seu conto um caminho para\u00a0a supera\u00e7\u00e3o de nossas mazelas sociais.<\/p>\n<p>A catarse e a epifania do protagonista emerge quando ele se encontra\u00a0com sua ancestralidade, que o coloca em busca de sua identidade,\u00a0anteriormente roubada de seus antepassados em s\u00e9culos de escraviza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O\u00a0realismo e sensibilidade do tema \u00e9 abordado como poucos s\u00e3o capazes de fazer,\u00a0a estil\u00edstica remete aos escritos de Carolina Maria de Jesus, em <em><strong>Quarto de\u00a0Despejo<\/strong><\/em>. Uma po\u00e9tica de res\u00edduos que aproxima o leitor da realidade da dor e da\u00a0fome. Uma narrativa atemporal, ambientada em Belo Horizonte, extremamente\u00a0necess\u00e1ria e disposta a discutir e enfrentar as fendas mais obscuras da nossa\u00a0sociedade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o: autora utiliza<br \/>\nconto liter\u00e1rio\u00a0para abordar quest\u00f5es<br \/>\nsociais no \u00e2mbito escolar<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Joniane Marques dos Santos<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>O conto infanto-juvenil <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, \u00e9\u00a0enriquecedor n\u00e3o apenas por abranger quest\u00f5es sociais como o racismo, bullying,\u00a0gordofobia e ancestralidade, mas por situar seu enredo em \u00e2mbito escolar.<\/p>\n<p>\u00c9 dever da escola proporcionar um\u00a0ambiente respeitoso e que n\u00e3o infringe a integridade dos alunos. O\u00a0professor \u00e9 um modelo ligado \u00e1 imagem de pessoas estimadas ou\u00a0respeitadas, exercendo grande influ\u00eancia na vida dos alunos. Ao ler o conto, \u00e9\u00a0percept\u00edvel a influ\u00eancia que a professora Alice carrega, no quesito de amor fraternal, ao\u00a0ser mencionada v\u00e1rias vezes por Tonz\u00e9 como \u201ctia\u201d.<\/p>\n<p>Tonz\u00e9, um aluno carinhoso, por ser negro de corpo e rosto\u00a0arredondado, \u00e9 constantemente ridicularizado por seus colegas em uma escola de bairro em Belo Horizonte. Nem\u00a0sempre essas atitudes eram explicitas, para que assim a professora\u00a0n\u00e3o percebesse e n\u00e3o os repreendessem.\u00a0A professora Alice, ao identificar as situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, prop\u00f4s uma\u00a0interven\u00e7\u00e3o, a fim de cessar atos desrespeitosos, com\u00a0uma excurs\u00e3o a Ouro Preto.<\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o da professora em rela\u00e7\u00e3o ao que Tonz\u00e9 estava\u00a0vivenciando. Sendo assim, decidiu tentar mudar a percep\u00e7\u00e3o dos seus alunos,\u00a0mostrando-os a ancestralidade de Tonz\u00e9 e a raz\u00e3o de for\u00e7a e resist\u00eancia por tr\u00e1s da cor\u00a0negra. Por\u00e9m, isso n\u00e3o foi capaz de cessar os ataques racistas para com a vida do seu\u00a0aluno, o que acarreta tristeza e vergonha para a professora, por sentir que falhou mais\u00a0uma vez, ao tentar proteg\u00ea-lo de tamanha crueldade.<\/p>\n<p>Uma professora com\u00a0forma\u00e7\u00e3o estruturada para vivenciar diversos tipos de preconceito n\u00e3o deve abaixar a\u00a0guarda para crueldade imposta por seus alunos. Ela deixa os alunos lendo Lima Barreto, leitura que \u00e9 den\u00fancia de racismo, e leva Tonz\u00e9 para conversar com um padre negro, o Padre Pedro. Ao n\u00e3o conseguir\u00a0mudar a mentalidade dos emissores de \u00f3dio,\u00a0ela busca mudar a percep\u00e7\u00e3o do receptor, mostrando-o que a cor negra\u00a0tamb\u00e9m ocupa um espa\u00e7o de prest\u00edgio e reconhecimento.<\/p>\n<p>Impulsionando Tonz\u00e9 a conhecer e a\u00a0valorizar a sua ancestralidade e a amar a sua cor. Assim, a\u00a0professora Alice, modificou a percep\u00e7\u00e3o de uma vida inteira de um aluno e\u00a0se tornou essencial na forma\u00e7\u00e3o do protagonista desse conto de Madu Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>O conto <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> foi extremamente enriquecedor para o in\u00edcio de uma\u00a0jornada, em que me dedicarei \u00a0profissionalmente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Mostrou-me a necessidade de me preparar\u00a0n\u00e3o apenas com os estudos b\u00e1sicos e necess\u00e1rios, mas tamb\u00e9m para situa\u00e7\u00f5es\u00a0indesejadas e complicadas. O dever dos professores n\u00e3o \u00e9\u00a0apenas oferecer e ensinar conhecimento aos alunos, mas tamb\u00e9m cuidar do bem-estar,\u00a0visando o combate a qualquer tipo de preconceito existente, para que assim, os alunos\u00a0possam respeitar as diferen\u00e7as um dos outros e consequentemente ter um ensino\u00a0de qualidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o: uma aula!<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Liriany Vit\u00f3ria Fran\u00e7a<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p><em><strong>Lua<\/strong><strong> Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, \u00e9\u00a0narrativa realista na qual\u00a0o protagonista Tonz\u00e9 vivencia atribula\u00e7\u00f5es, atrocidades e\u00a0preconceitos enraizados.<\/p>\n<p>Inicialmente, em narrativa em primeira pessoa, vemos em cena o menino Tonz\u00e9, que tem o tom de pele negro, o rosto arredondado e traja vestimentas simples. O primeiro\u00a0di\u00e1logo ocorre em sala de aula, com o protagonista sob risos e\u00a0piadas de baixo cal\u00e3o.<\/p>\n<p>O protagonista introjeta-se do \u00f3dio dos colegas e se sente mal com a sua cor de pele, o que ocorre por falta\u00a0de representatividade, igualdade e respeito, o que gera uma apropria\u00e7\u00e3o distorcida da\u00a0realidade; isso nos lembra \u00a0Paulo Freire, que escreveu que \u201c[q]uando a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 libertadora, o sonho do\u00a0oprimido \u00e9 ser o opressor\u201d.<\/p>\n<p>O ponto chave do conto \u00e9 o momento em que a professora, por diversas iniciativas, faz a inclus\u00e3o de Tonz\u00e9 ao possibilitar que o aluno descubra sua\u00a0ancestralidade; dessa percep\u00e7\u00e3o, o menino passa a ver o seu entorno de\u00a0forma diferente, com discernimento, presentificando sua identidade.<\/p>\n<p><em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, de Madu Brand\u00e3o, \u00e9 uma aula que torna vis\u00edvel a influ\u00eancia do professor em sala de aula para instruir e mudar\u00a0o seu entorno de forma sutil e coerente.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A plurissignifica\u00e7\u00e3o de sentidos<br \/>\nem<em> Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>P\u00e2mela\u00a0Gabrieli<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p><em><strong>Lua preta<\/strong><\/em> \u00e9 o mais novo livro a integrar as Edi\u00e7\u00f5es Saru\u00ea, o selo de literatura\u00a0infanto-juvenil, da Pangeia Editorial. Trata-se de um conto, um conto complexo, para leitor maduro, que pode ser lido por crian\u00e7as em leitura de prazer e em leitura formativa. A autora, Madu Brand\u00e3o, foi professora, j\u00e1 tendo se aposentado, tendo atuado no ensino fundamental e em cursos superiores. Com dezenas de t\u00edtulos publicados e de uma fam\u00edlia de escritores, recebeu pr\u00eamios e muitos de seus livros foram indicados e recomendados para leitura de crian\u00e7as e de jovens.<\/p>\n<p>Temos uma narrativa curta e realista em que o pr\u00f3prio protagonista, Tonz\u00e9,\u00a0narra a hist\u00f3ria, caracterizando um narrador homodieg\u00e9tico. O enredo tem por centro\u00a0abordar o bullying que Tonz\u00e9 sofre em seu cotidiano escolar por ser negro e gordo.<\/p>\n<p>Tonz\u00e9, apelidado de \u201cLua preta\u201d em raz\u00e3o de seu rosto extremamente\u00a0arredondado, traz no seu discurso o racismo estrutural presente na sociedade: \u201c(&#8230;) a\u00a0minha irm\u00e3 e a boneca, as duas iam ser branquinhas mesmo, quase transparentes. E n\u00e3o\u00a0iam ter aquela cara redonda que nem lua cheia ou cara da cor mais nojenta que eu\u00a0conhecia no mundo e que era a preta. Que eu detestava\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00a0essa vis\u00e3o que Tonz\u00e9 tem pela sua pr\u00f3pria cor ser\u00e1 desconstru\u00edda\u00a0ap\u00f3s uma excurs\u00e3o com a escola a Ouro Preto, primeira capital de Minas Gerais, regi\u00e3o para a qual muitos escravizados da\u00a0\u00c1frica foram levados para trabalhar na minera\u00e7\u00e3o. A\u00a0professora explica para a sala sobre a hist\u00f3ria da cidade, a minera\u00e7\u00e3o e a igreja,\u00a0constru\u00edda para os negros, uma vez que \u201cos pretos (&#8230;) tamb\u00e9m s\u00e3o filhos de\u00a0Deus\u201d e n\u00e3o podiam frequentar os mesmos espa\u00e7os de culto crist\u00e3o dos brancos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a viagem, a \u201ctia\u201d leva Lua Preta para conhecer um padre, que tamb\u00e9m era\u00a0negro, para a surpresa do protagonista. Ambos conversam sobre a viagem feita a Ouro\u00a0Preto, a escravid\u00e3o e a ancestralidade de seu povo, o povo negro. A\u00a0ancestralidade tamb\u00e9m \u00e9 mencionada no come\u00e7o do livro, antes do enredo come\u00e7ar de fato.<\/p>\n<p>Nas entrelinhas desse <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>, Madu Brand\u00e3o parece nos dizer que a\u00a0constru\u00e7\u00e3o compreensiva de uma identidade s\u00f3 se sustenta, intelectual e\u00a0politicamente, a partir do direito \u00e0 ancestralidade e na busca pelo estreitamento das\u00a0rela\u00e7\u00f5es com os ancestrais, tema pertinente nos dias atuais.<\/p>\n<p>A realidade de Tonz\u00e9 \u00e9 denunciada atrav\u00e9s do espa\u00e7o e da ambienta\u00e7\u00e3o. No primeiro momento, h\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o de que a irm\u00e3 quase sa\u00ed do\u00a0ber\u00e7o de t\u00e3o grande que est\u00e1, ap\u00f3s o narrador-personagem nos dizer que n\u00e3o h\u00e1\u00a0shoppings onde ele mora, apenas biroscas. Ele tamb\u00e9m faz refer\u00eancias aos negros que fazem\u00a0parte do quadro escolar: o motorista e a Zefa, respons\u00e1vel por cuidar do port\u00e3o da\u00a0escola.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o constr\u00f3i em seu livro a express\u00e3o verbal mais alta\u00a0que a l\u00edngua pode alcan\u00e7ar para exprimir significados, mesmo que com uma linguagem\u00a0simples e por vezes escrita da forma que Tonz\u00e9 as fala, compreendendo e manipulando\u00a0a l\u00edngua com a plurissignifica\u00e7\u00e3o de sentidos conscientemente constru\u00eddos, o que\u00a0permite apresentar um tema de \u201cgente grande\u201d para o p\u00fablico infantil e infantojuvenil.<\/p>\n<p><em><strong>Lua<\/strong><strong> Preta<\/strong><\/em>, embora pare\u00e7a pertencer \u00e0 literatura infanto-juvenil, aborda tema necess\u00e1rio para todas as<br \/>\nidades, pois a literatura \u201c\u00e9 comunh\u00e3o dos homens de todas as ra\u00e7as e classes, fazendo\u00a0que todos se compreendam\u201d, conforme disse Lima Barreto, um dos autores evocados nesse livro de Madu Brand\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o: recomendo a leitura!<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pietra Giovanna Ruis Volpato<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>Maria do Carmo Brand\u00e3o, mais conhecida como Madu Brand\u00e3o, \u00e9 uma professora\u00a0aposentada apaixonada por arte e literatura. No momento, est\u00e1 se preparando para o\u00a0lan\u00e7amento de seu mais novo beb\u00ea, o livro <strong><em>Lua Preta<\/em><\/strong>, que em uma narrativa curta e realista\u00a0consegue transpassar com vivacidade o momento em que uma crian\u00e7a negra descobre sobre\u00a0o racismo, o bullying e a gordofobia.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Ei, Lua, hoje \u00e9 a Lua Cheia, n\u00e9?<br \/>\n\u2014 \u2026 e gorda\u2026<br \/>\n\u2014 \u2026 e preta tamb\u00e9m. Com direito a eclipse. E riem!<\/p>\n<p>Temos como protagonista Tonz\u00e9, um garoto negro e humilde que convive em um\u00a0mundo que o abandona diariamente, mas que acaba por ter uma epifania da consci\u00eancia de si,\u00a0que o toca durante o passeio que tem a Ouro Preto, MG, com a escola.<\/p>\n<p>A narrativa \u00e9\u00a0curta, simples e coloquial, convidando o leitor a conhecer o outro lado da hist\u00f3ria, onde o<br \/>\ncolonizador escravocrata n\u00e3o \u00e9 o protagonista.<\/p>\n<p>Tonz\u00e9 \u00e9 uma personagem redonda, pois atrav\u00e9s de uma revela\u00e7\u00e3o, mudou seu\u00a0pensamento, o que comprova uma evolu\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria. Tamb\u00e9m \u00e9 por causa dessa\u00a0revela\u00e7\u00e3o que percebemos que o conto de Madu Brand\u00e3o nos apresenta uma epifania ao modo teorizado por James Joyce.<\/p>\n<p>Para Tonz\u00e9, \u00e9 como se uma ilumina\u00e7\u00e3o aparecesse subitamente no conto, algo at\u00e9 considerado espiritual, como se ele finalmente tivesse encontrado a pe\u00e7a do\u00a0quebra-cabe\u00e7a que estava faltando.<\/p>\n<p>Com o tema central sendo o conceito de ancestralidade, Madu Brand\u00e3o envolve a\u00a0todos durante o processo de autoconhecimento e da hist\u00f3ria dos seus que Tonz\u00e9 tem nesta\u00a0jornada; no trecho a seguir, isso fica expl\u00edcito:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u201cE o padre me disse que a gente tem uma\u00a0ancestralidade (depois a tia me explicou a palavra), bem, a gente tem uma ancestralidade de\u00a0muita honra e luta e agora eu vou \u00e9 estudar tudo isso!\u201d<\/p>\n<p>A partir dos trechos citados, percebe-se a import\u00e2ncia deste conto\u00a0e quanto o mesmo merece visibilidade, pois escancarar com todas as letras o racismo, o\u00a0bullying e a gordofobia que Tonz\u00e9 sofre, nada mais \u00e9 que expor uma realidade \u2013 triste \u2013 da\u00a0sociedade brasileira.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as precisam ler e ter conhecimento de que o preto gordo tamb\u00e9m\u00a0tem hist\u00f3ria, tamb\u00e9m \u00e9 gente. \u00c9 preciso conscientizar sobre os danos que tais preconceitos\u00a0enraizados na estrutura da sociedade com pensamento branco eurocentrista fazem,\u00a0principalmente nas pessoas que n\u00e3o s\u00e3o familiarizadas com a hist\u00f3ria de \u201cmuita honra e luta\u201d\u00a0de seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p>Falemos tamb\u00e9m que aspectos estil\u00edstica da constru\u00e7\u00e3o do conto.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o utilizou diversos recursos\u00a0para compor o texto, como pode ser percebido desde o t\u00edtulo, cuja\u00a0sem\u00e2ntica surge com uma met\u00e1fora; a escritora tamb\u00e9m faz uso dos sufixos\u00a0aumentativos e diminutivos tanto afetivos quanto depreciativos.<\/p>\n<p>No aspecto f\u00f4nico, o texto utiliza a forma coloquial escrita para descrever a fala de uma crian\u00e7a perif\u00e9rica, cheia de g\u00edrias\u00a0e v\u00edcios de linguagem, al\u00e9m de onomatopeias, sendo que essa \u00faltima tamb\u00e9m se vale da\u00a0estil\u00edstica morfol\u00f3gica \u2013 com a palavra \u201cIrc!\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estil\u00edstica sint\u00e1tica, o\u00a0poliss\u00edndeto \u00e9 quase uma b\u00edblia durante todo o texto.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as \u2013 e os adultos \u2013 precisam\u00a0ler esse recorte da vida de uma pessoa que poderia muito bem ser seu vizinho (ou at\u00e9 voc\u00ea\u00a0mesmo). N\u00e3o tem como n\u00e3o indicar a leitura quando tal autora, Madu Brand\u00e3o, experiente, com mais de trinta\u00a0livros publicados, encontra o cuidado editorial que vemos nos livros das Edi\u00e7\u00f5es\u00a0Saru\u00ea, o selo infanto-juvenil da Pangeia Editorial.<\/p>\n<p>Por fim, deixo vividamente claro \u2013 se restar alguma d\u00favida quanto a isso \u2013 que recomendo a leitura!<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A linguagem liter\u00e1ria em den\u00fancia do apagamento<br \/>\nda ancestralidade\u00a0dos povos afrodescendentes<br \/>\nem <em>Lua\u00a0Preta<\/em>, de Madu Brand\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Thamires Carla Lopes dos Santos<br \/>\n<\/strong>Estudante do Curso de Letras<br \/>\ndo CPTL \/ UFMS<\/p>\n<p>Desde a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura o preconceito racial tem sido tema de v\u00e1rios\u00a0debates pol\u00edticos e sociais. Mas ser\u00e1 que as atitudes preconceituosas contra os povos\u00a0afrodescentes acabaram?<\/p>\n<p>Maria do Carmo Brand\u00e3o, professora formada em Literatura e\u00a0Artes, traz essa tem\u00e1tica na sua recente obra, <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>O conto tem como enredo a vida corriqueira do \u201cTonz\u00e9\u201d, um garoto preto que\u00a0sofre com o racismo e o preconceito (na escola que frequentava) e, repetidamente, se\u00a0imaginava branco, com cabelos lisos e olhos claros.<\/p>\n<p>Madu Brand\u00e3o foi audaz na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, por se tratar de uma mulher branca e\u00a0abordar essa quest\u00e3o do apagamento da ancestralidade, enfatizando a import\u00e2ncia do conhecimento\u00a0hist\u00f3rico e cultural dos povos afrodescendentes.<\/p>\n<p>Chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, nesta produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, al\u00e9m do aspecto\u00a0estil\u00edstico adotado pela autora (a linguagem natural e fluente, que facilita a leitura e a\u00a0compreens\u00e3o do conto), o nome do personagem principal, \u201cTonz\u00e9\u201d, com a jun\u00e7\u00e3o de dois\u00a0signos da l\u00edngua portuguesa para nomear o garoto preto.<\/p>\n<p>Quando ouvimos o signo \u201ctom\u201d, a imagem que vem em nossa mente \u00e9 de algo\u00a0escuro ou muito alto; j\u00e1 o signo \u201cZ\u00e9\u201d nos remete a algo comum e simples, ou seja, na\u00a0nossa sociedade contempor\u00e2nea, \u201cz\u00e9\u201d \u00e9 uma express\u00e3o muito utilizada para \u201creferenciar a\u00a0uma pessoa qualquer, um an\u00f4nimo, ou at\u00e9 mesmo uma pessoa boba\u201d, conforme o Dicion\u00e1rio Informal, acess\u00edvel na web.<\/p>\n<p>A autora foi excepcional na escolha do nome do personagem, pois, o enredo do\u00a0conto, trata, justamente, da simplicidade da fam\u00edlia do \u201cTonz\u00e9\u201d \u2013 negros que\u00a0sofremm com a exclus\u00e3o social.\u00a0As atitudes racistas, preconceituosas, contra a popula\u00e7\u00e3o afrodescendentes, n\u00e3o\u00a0acabaram; ademais, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) os\u00a0povos afros representam 70% do grupo abaixo da linha da pobreza, ou seja, a\u00a0popula\u00e7\u00e3o negra ainda sofre com a exclus\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Temos, pois, na escolha do\u00a0tema e na defini\u00e7\u00e3o do nome da personagem principal, n\u00e3o um mero\u00a0\u201cacaso&#8221;, mas uma mostra, dois exemplos da genialidade de Madu Brand\u00e3o. Autores entre os maiores de todos os tempos, e vamos menciona apenas dois, Guimar\u00e3es Rosa e Ana Maria Machado, tamb\u00e9m trabalham\u00a0a linguagem liter\u00e1ria com tal plurimanipula\u00e7\u00e3o dos signos; a literatura \u00e9 uma trama tecida\u00a0de m\u00faltiplos fios; \u00e9 da pluralidade infinita da linguagem na sua mais alta capacidade expressiva que nasce o texto liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Maria do Carmo Brand\u00e3o, como disse anteriormente, foi audaz neste seu\u00a0<em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em>\u00a0\u2013 e, como disse Ant\u00f4nio C\u00e2ndido, \u201c[a] literatura confirma e nega, prop\u00f5e e\u00a0denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os\u00a0problemas\u201d.<\/p>\n<p>Vale a pena a leitura desse livro, com esse conto de Madu Brand\u00e3o, para refletirmos sobre as nossas\u00a0atitudes na sociedade em que vivemos: a\u00a0obra <em><strong>Lua Preta<\/strong><\/em> \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a literatura brasileira e para a literatura brasileira infantojuvenil neste momento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/lua-preta\/\">LUA PRETA<br \/>\n\u2013 a obra prima de Madu Brand\u00e3o \u2013<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">AQUI!<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O texto honesto e real de Madu Brand\u00e3o abre o caminho para a reflex\u00e3o que as ilustra\u00e7\u00f5es da Duda potencializam, e que o projeto pedag\u00f3gico para trabalhar com o livro nas salas de aula deve estimular. N\u00e3o se acaba com um problema evitando discuti-lo: antes, a luz chocante da realidade \u00e9 o melhor meio para desinfetar preconceitos, racismos, persegui\u00e7\u00f5es, censuras, discrimina\u00e7\u00f5es e \u00f3dio raciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Para conferir outros depoimentos, coment\u00e1rios, leituras e<br \/>\nresenhas\u00a0sobre o livro, <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=lua+preta\"><strong>CLIQUE AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Para adquirir o seu <em><strong>Lua Preta\u00a0<\/strong><\/em>e participar<br \/>\ndesse debate,<strong> CLIQUE <\/strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/product\/lua-preta\/\"><strong>AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">O livro de Madu exp\u00f5e&#8230;<br \/>\n\u2013 confira clicando <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/lua-preta-de-madu-brandao\/\"><span style=\"color: #ff0000;\">AQUI!!!!<\/span><\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">~ \u00a0 0 \u00a0 ~<\/p>\n<div class=\"_a9zs\">\n<p style=\"text-align: center;\">Conhe\u00e7a livros da Pangeia Editorial que est\u00e3o em processo produtivo e est\u00e3o em comercializa\u00e7\u00e3o com descontos progressivos, brindes e frete gr\u00e1tis, na <a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/gondwana-2\/\"><strong>Gondwana<\/strong><\/a>, a plataforma de<br \/>\npr\u00e9-venda e de financiamento coletivo da Pangeia:<\/p>\n<div class=\"media-embedded\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Rys9AZjFTI\"><p><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/gondwana-2\/\">Gondwana<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; 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Leia abaixo essas resenhas. A elas tamb\u00e9m ajuntamos uma pequena resenha da escritora Nima Spigolon, professora da Unicamp. 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