{"id":10834,"date":"2022-11-23T12:03:53","date_gmt":"2022-11-23T12:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?p=10834"},"modified":"2022-11-23T12:05:00","modified_gmt":"2022-11-23T12:05:00","slug":"no-sertao-de-joao-guimaraes-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editorapangeia.com.br\/pt_br\/no-sertao-de-joao-guimaraes-rosa\/","title":{"rendered":"No sert\u00e3o de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa lan\u00e7ou <strong><em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em><\/strong> em 1956. Quatro anos antes, em 1952, participou de comitiva nos sert\u00f5es dos Geraes, anotando tudo: pe\u00f5es, boiada, geografia, fauna, flora, ditos, hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cinquenta anos depois, em 2001, o vaqueiro mais novo daquela comitiva, Zito, refaz a travessia rosiana, indicando passos e falas do vaqueiro Jo\u00e3o ao jornalista Tanael Cesar Cotrim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E agora, em 2022, os tempos se encontram em <strong><em>O rumo do Rosa na rota do Zito<\/em><\/strong>, livro que une Rosa, Zito e Tanael nas mem\u00f3rias de Zito e no palmilhar de Tanael ao refazer a travessia de Rosa naquela comitiva de 1952.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tanael tem repassado sua travessia de leitura da obra rosiana desde jovem adolescente. Um primeiro registro est\u00e1 na palestra \u201cO ch\u00e3o de Guimar\u00e3es Rosa\u201d, dispon\u00edvel <span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/youtu.be\/IbB1SZwRAcc\"><strong>AQUI<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No texto abaixo, o jornalista Tanael Cesar Cotrim faz travessia diversa: percorre a subjetividade das leituras dos v\u00e1rios livros de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa \u2013 \u00e9 um aperitivo e um convite para que conhe\u00e7a o livro que a Pangeia lan\u00e7a no dia <strong>30 de novembro, das 16h \u00e0s 20h, na Casa do Lago<\/strong>, na Unicamp, em Campinas, SP.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos al\u00e9m dos redemunhos, no carpir coletivo e na colheita partilhada, na travessia e na leitura?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>O MEU SERT\u00c3O ROSIANO<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Tanael Cesar Cotrim<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 400px;\"><em>\u201c<\/em><em>E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de<\/em>\u00a0<em>Minas<\/em>,\u00a0<em>pedregosa<\/em>\u201d \u2013 &#8220;A m\u00e1quina do mundo&#8221;, Carlos Drummond de Andrade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 400px;\"><em>\u201cSorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e J\u00f3 Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se.\u201d <\/em>\u2013 Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa,\u201cDesenredo\u201d, de<em> <strong>Tutam\u00e9ia<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Brasil Real. Brasil Simb\u00f3lico. Brasil Gen\u00e9tico. Os caminhos cruzados da vida. Come\u00e7ar a ler Guimar\u00e3es Rosa ofereceu-se como desafio. Ultrapassar as primeiras p\u00e1ginas resultou em exerc\u00edcio disciplinado di\u00e1rio. Lida dif\u00edcil. Perscrutar caminhos de inteligibilidade. A chamada &#8220;Cosmogonia Absoluta \u2018Roseana\u2019 &#8221; exige determina\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o alumbramento com a linguagem moto-cont\u00ednuo, uma nascente a jorrar perenemente a \u00e1gua de um caudaloso e profundo rio, permeado de seres enigm\u00e1ticos e reais.<\/p>\n<p>Grande Sert\u00e3o: Veredas surgiu como cerrado enigma. Terminou como espanto. Encanto. Depois dele, seis meses com ele na cabe\u00e7a, sem ler nada. Um anacoluto mental. &#8220;Nonada&#8221;. &#8220;Para pensar sou c\u00e3o-mestre&#8221;, prospectou o kantiano Riobaldo. Z\u00e9 Bebelo. O Demo. &#8220;Brisbrisa&#8221;. O Liso do Sussuar\u00e3o: &#8220;O raso pior havente&#8221;. Diadorim. Otac\u00edlia: &#8220;A mo\u00e7a da cara redonda&#8221;. Diadorim. Compadre Meu Quelem\u00e9m. Diadorim. Herm\u00f3genes. Diadorim. Nhorinh\u00e1. Jagun\u00e7o comendo gente pensando carne de macaco. Urucuia. Sucuri\u00fa. Diadorim. O infinito.\u00a0 A Can\u00e7\u00e3o de Siruiz. Ah&#8230; Can\u00e7\u00e3o de Siruiz.<\/p>\n<p>Riobaldo Tatarana est\u00e1 na casa do padrinho abastado, Selorico Mendes, na Fazenda S\u00e3o Greg\u00f3rio, velando a m\u00e3e, quando o jagun\u00e7o Siruiz entoa os versos:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Urubu \u00e9 vila alta<br \/>\nMais idosa do sert\u00e3o<br \/>\nPadroeira minha vida<br \/>\nVim de l\u00e1, volto mais n\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Corro os dias nesses verdes<br \/>\nMeu boi mocho baet\u00e3o<br \/>\nBuriti, \u00e1gua azulada<br \/>\nCarna\u00faba, sal do ch\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Remanso de rio largo<br \/>\nViola da solid\u00e3o<br \/>\nQuando vou pra dar batalha<br \/>\nConvido meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rosa transcreve a cantiga popular Can\u00e7\u00e3o de Siruiz, cuja melodia perdeu-se de seus cadernos de anota\u00e7\u00e3o. A quadra \u00e9 um guia, uma b\u00fassola, um mantra para Riobaldo enfrentar o viver perigoso do sert\u00e3o: &#8220;Aquilo molhou minha id\u00e9ia. O que eu guardo da mem\u00f3ria \u00e9 aquela madrugada dobrada inteira, os cavaleiros no sombrio amontoados, feito bichos e \u00e1rvores, o pisar dos cavalos e a Can\u00e7\u00e3o de Siruiz.&#8221; Guimar\u00e3es Rosa era capaz de fundir A Sagra\u00e7\u00e3o da Primavera, de Stravinsky, a can\u00e7\u00f5es dos rinc\u00f5es mais remotos e in\u00f3spitos do sert\u00e3o. O erudito e o popular. O \u00e9pico, o dram\u00e1tico, o c\u00f4mico e o realista. As grandes formas e as intui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sagarana trouxe surpresa diante da simplicidade sorrisoteira. Sarapalha entorpeceu, tr\u00eas leituras seguidas. &#8220;A f\u00eamea mata em monotom.&#8221; Corpo Fechado. A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Targos, Trag\u00e9dia, lind\u00edssimo. Boi Calundu escoiceou a metaf\u00edsica. Corpo de Baile desenvolveu-se \u00e0s carradas. O Recado do Morro: Morro da Gar\u00e7a: Totemisa! Buriti tem um Burit\u00ed-Totem. Entre L\u00e9lio e Lina deveria existir L\u00e1lio, e Luna. No Urubuquaqu\u00e1 No Pinh\u00e9m o urubu \u00e9 de um &#8220;preto que faz cinza&#8221;. Miguilim sonhou Dito no Mutum. Manuelz\u00e3o ditou a morte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Primeiras Est\u00f3rias, id\u00edlico e l\u00edrico e violento. Os Irm\u00e3os Dagob\u00e9 \u00e9 um tratado lingu\u00edstico. Famigerado. A Terceira Margem do Rio, como n\u00e3o? Pirlimpsiquice. Estas Est\u00f3rias tem Meu Tio, o Iauaret\u00ea. Nada a dizer do \u00f4ncio e de Maria-Maria, a Pinima. Ave-Palavra \u00e9 uma bela sacada p\u00f3stuma. Magma, n\u00e3o. Tutam\u00e9ia \u00e9 uma for\u00e7a estupenda de concis\u00e3o. Temas rurais e urbanos em revoluteio l\u00f3gico de narrativa espiral. Contos curtos, experimentais, concentrados de sentido com o m\u00e1ximo de recursos em fun\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo de termos. Entremeados de ensaios, ou meta-ensaios ficcionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Itamaraty vagava a ideia de um diplomata com h\u00e1bito desarrazoado para escritor: a pesquisa. Confirmada por Vinicius de Moraes atrav\u00e9s de Antonio Candido. Um sujeito quieto, t\u00edmido e estranho andava com listas de plantas, lugares e bichos de Minas Gerais. Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa portava, no bolso inferior interno do casaco, um l\u00e1pis afiado nas duas pontas e um bloco de anota\u00e7\u00f5es. Registrava em palavras o que via, enxergava, ouvia, escutava, olhava, sentia, tocava, lia&#8230; Pegava no ar e, a partir de ent\u00e3o, era a coisa em si e por si atrav\u00e9s dele. O objeto desvelando suas propriedades formais e simb\u00f3licas, comunicativas. Agarrou a hist\u00f3ria toda de A Terceira Margem do Rio assim, como um goleiro, pongado no bonde de Copacabana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Resolve experienciar o vivido em livro, redivivo na mente, e parte para uma expedi\u00e7\u00e3o de boiadeiros. \u00c9 recebido por Zito. E a vida muda, sub-repticiamente, para Rosa, Zito e a literatura. Criou uma obra singular na literatura brasileira, com tem\u00e1ticas pr\u00f3prias da cultura nacional em exerc\u00edcio inovador de linguagem. N\u00e3o \u00e0 toa consideravam-no o rapsodo do sert\u00e3o mineiro, os Gerais, aquele que capta, coleciona e reelabora hist\u00f3rias do povo local. Transforma a escrita com a oralidade que marca a tradi\u00e7\u00e3o iletrada do ambiente. Articula ritmos, neologizando: &#8220;Um tico-tiquinho de arroio, um esguicho \u00e1gil que mijemijava.&#8221;. Cria neologismos e onomatop\u00e9ias, com o ouvido em melopeia: &#8220;Silvo de plim.&#8221; Pulsante e obsessiva criatividade ling\u00fc\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rosa chega \u00e0 Fazenda Sirga, para a saga por 240 quil\u00f4metros dentro dos Gerais, num frio fino de um 13 de maio. Participa de uma festa local de inaugura\u00e7\u00e3o da Igreja de Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro, no cemit\u00e9rio onde enterrara sua m\u00e3e um certo Manuel Nardi. O Manuelz\u00e3o mesmo, em carne e osso, de Uma Est\u00f3ria de Amor. Miguilim, o menino poeta alter-ego de Guimar\u00e3es Rosa, m\u00edope morador dos fund\u00f5es do bonito Mutum, personagem central de Campo Geral, \u00e9 um acanhado garoto da Casa Sede da Sirga, cognominado Miguilinho, amigo insepar\u00e1vel de Zil. O rabequeiro Chico Brab\u00f3s \u00e9 o fazendeiro Francisco Barbosa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Zito \u00e9 um personagem do conto A Partida do Audaz Navegante, do livro Primeiras Est\u00f3rias. Mas Zito \u00e9 real tamb\u00e9m. E afirmo, pois o entrevistei para o livro <strong><em>O Rumo do Rosa na Rota de Zito<\/em><\/strong>. Num ensolarado azul de um s\u00e1bado de julho de 2001, em Tr\u00eas Marias, esmiu\u00e7ou Rosa nos 11 dias de contato entre a Fazenda Sirga, em Tr\u00eas Marias, e a Fazenda S\u00e3o Francisco, em Ara\u00e7a\u00ed , na vanguarda de uma comitiva de boiada, em Maio de 1952, h\u00e1 70 anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Guiou a expedi\u00e7\u00e3o e o escritor, escanchado na mula Balalaika, com um caderno e l\u00e1pis apontado nos dois lados para anota\u00e7\u00f5es. \u201cEles chegaram de noite, num jipe. A\u00ed ele chegou e eu perguntei &#8211; O senhor que \u00e9 o doutor Rosa? Ele respondeu &#8211; Doutor n\u00e3o, vaqueiro Rosa. N\u00e3o podia chamar de doutor na viagem n\u00e3o. &#8211; Doutor \u00e9 no Rio, aqui n\u00e3o, aqui \u00e9 vaqueiro Rosa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Viver com Zito escancarou uma literatura criada do ch\u00e3o, do p\u00f3 das sendas, das pedras de Maquin\u00e9, do sal do cocho, das estrelas t\u00e3o alumiadas somente ali. O mundo recriado em exerc\u00edcio sublime de cria\u00e7\u00e3o. Catalogou nomes regionais de animais, rios, plantas e lugares. Sondou a fala do geralista mineiro e a trouxe para sua literatura. Hist\u00f3rias, fatos, not\u00edcias, recados, disse-me-disse, diz-que-me-disse&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cTudo o que pensar de perguntar no mundo ele perguntou. Ele nem ia lembrar tudo. O Rosa perguntava de tudo. Um dia&#8230; Ele&#8230; Isso foi pertinho da Tolda, um Cerrad\u00e3o. Tinha um pau seco, assim, tudo torto. &#8211; Para que que serve esse pau? Ele perguntou. N\u00e3o tinha nada a responder. Eu falei. &#8211; \u00c9 para papagaio chocar. Ele falou. &#8211; Voc\u00ea tem resposta pra tudo. Depois que a gente se acostumou com ele era normal. Tinha que responder aquilo que ele perguntava. Era o dia inteirinho. E escrevendo. Cortou um l\u00e1pis no meio, p\u00f4s um cord\u00e3o e amarrou no bot\u00e3o da camisa, e uma caderneta de arame, passada no pesco\u00e7o, pendurada. Andando, ele escrevia tudo.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enfim&#8230; Hist\u00f3rias. Hist\u00f3rias do per\u00edodo em que Rosa e Zito rumaram pelos Gerais&#8230; E a literatura de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa ganhou o mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">CONHE\u00c7A MAIS SOBRE O AUTOR, TANAEL, E<br \/>\n<strong><em>O RUMO DO ROSA NA ROTA DE ZITO<br \/>\n<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/?s=Tanael\"><span style=\"color: #ff0000;\">AQUI!!!<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10844\" src=\"http:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-300x201.jpg 300w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-1024x687.jpg 1024w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-768x515.jpg 768w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-1536x1030.jpg 1536w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-2048x1373.jpg 2048w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-700x469.jpg 700w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-400x268.jpg 400w, https:\/\/editorapangeia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Mata_Tanael_GSV-1300x872.jpg 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><em>O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou c\u00e3o mestre \u2013 o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, am\u00e9m!<\/em><br \/>\nRiobaldo,\u00a0<em><strong>GSV<\/strong><\/em>, de JGR, ep\u00edgrafe do livro de Tanael<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa lan\u00e7ou Grande Sert\u00e3o: Veredas em 1956. 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