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O Natal, por Visette Galiardi e Ana Luiza Pedroso

Está chegando o Natal, símbolo de Regeneração, de nascimento e renascimentos, de consumo e de jantares festivos. Momento de oração, de reflexão, de paz e de solidariedade, mas também de solidão, de luzes feéricas, de saturação. Com um forte e sincero abraço, enviamos a cada leitor os nossos votos de Feliz Natal!, que chegam com uma ilustração da garota Ana Luiza Pedroso* e com uma crônica de Visette Galiardi.

Chegou o Natal…ai, ai, ai…

Visette Galiardi **

Sinceramente, não gosto da época do Natal. Não do jeito que acontece. Sinto uma enorme canseira! Há algo nesse período que me atravessa com um peso silencioso – talvez pelo aniversário que se aproxima, talvez por tantas memórias que insistem em retornar. E, para completar, as pessoas parecem enlouquecer de um jeito que me deixa ainda mais introspectiva. Sinto-me uma estrangeira na própria vida!

De repente, todos se esquecem do significado que um dia o Natal teve. Insistem em armar um cenário nos corredores dos shoppings, colocar um senhor idoso com trajes vermelhos super quentes, fazendo-o suar em bicas, para a maioria dos pais obrigarem as crianças aterrorizadas a se sentarem no colo daquele ser barbudo para uma foto. Tudo é comércio, sobretudo o sofrimento, o estresse, o trauma. E todos hão de concordar: neve, renas, trenós, certamente, não fazem parte de um país cortado pelos trópicos.

A prioridade vira uma lista interminável de compras: presentes, panetones, perus, carnes com preços surreais, filas que serpenteiam pelos corredores das lojas, estacionamentos lotados como se o mundo estivesse acabando. Uma pressa, um caos…um vazio.

Às vezes imagino como seria se conseguíssemos excluir a correria, o consumismo e ficarmos só com que realmente sustenta o espírito natalino: o abraço sincero, a presença de quem amamos, a prece que nos silencia por dentro, a lembrança doce de quem já não está. Talvez assim, o Natal se tornaria uma data mais apreciável, inclusive por mim.

Mas quando bate meia noite, não sei porquê, fogos estrondosos explodem no céu, assustam animais, incomodam crianças, rompem com qualquer possibilidade de contemplação. E eu fico pensando: por quê? Para quê? O que exatamente estamos comemorando com tanto barulho?

Acredito em um Natal silencioso, quase sussurrado, à luz de velas. Um encontro pequeno, com verdade, sem excessos, sem correria, sem aquelas luzinhas artificiais hipnotizantes que cansam os olhos e esvaziam o peito. Por mim, bastaria o brilho das estrelas, uma ceia simples e um delicioso vinho partilhado com meus amores. E este seria, enfim, um Feliz Natal!

** Visette Galiardi reside em Sampa; é psicóloga clínica, Psicopedagoga, Grupoanalista e Practitioner de Access Consciousness; está
lançando um livro infantojuvenil pelas Edições Saruê.

* Ana Luiza Pedroso nasceu no Rio Grande do Sul, onde reside; concluiu
o ensino médio e se dedica ao estudo de línguas e culturas
orientais; é universitária na área de gestão ambiental.

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