Iury Cascaes, o caçador de pôr-do-sol

Iury Cascaes, hoje, é um jovem professor de filosofia. Desde sempre, desde criança, sempre foi um apaixonado pelas palavras. Sempre nutriu, cultivou, buscou nas palavras a vida, a arte, o convívio apaixonado, a descoberta de si mesmo. e do mundo. E assim escreveu, escreveu-se, com este Caçadores de pôr do sol: no cxaminho de poesia, um romance de voz narrativa potente e singular. Damos voz aqui ao autor, que fala ao Blog da Pangeia sobre sua trajetória pessoal, sore sua relação com a literatura e a música e sobre seu livro.

“Meu nome é Iury Cascaes Negrão Diniz, tenho 31 anos e, além de escritor, sou professor de filosofia, sociologia e história, trabalhando também como músico nas noites santistas.”

Blog da Pangeia: Quando teve início e como se desenvolveu o seu interesse por literatura?

Iury Cascaes: Desde pequeno tenho uma queda pelas letras. Ainda quando criança, eu pedia a meus pais que ditassem palavras para eu escrever em meu caderninho, vindo daí, talvez, meu gosto pela escrita. Logo eu começaria a ler os livros de que gostava e conheceria autores que carregaria para a vida inteira. As letras de músicas que eu conhecia na adolescência também entram como fermento o que eu desenvolveria em termos de trabalhos literários. Nos tempos de faculdade, enquanto cursava Filosofia, desenvolvi um modo mais criterioso de escrever, bem como o interesse por publicar algum material. No entanto, foi apenas em 2019 que comecei a escrever o que mais tarde viria a se tornar o Caçadores de Pôr do Sol. Como este livro é o meu primeiro trabalho literário, estou tratando ele de modo super zeloso, ansioso para entregar para os leitores o que durante seis anos carreguei somente em meus pensamentos.

Por favor, se possível sem spoillers, nos explique este título: Caçadores de Pôr do Sol.

Esse título se deu por uma série de razões. A primeira delas, que imagino poder chamar de identitária, é meu assombro pelo momento do ocaso, e pelo sol de maneira mais geral. Este elemento aparece em vários de meus trabalhos, como, por exemplo, nos poemas e letras de música que escrevo. Além dessa proximidade que sinto com o astro, também posso salientar um plano mais simbólico, ou mesmo conceitual, para a escolha do título. A ideia é que o momento em que o sol se põe configura um poderoso instante de transição, a partir do qual podemos buscar por outros mundos possíveis, outras realidades, outros tempos, ainda não inaugurados. Nesse sentido, o sol se pondo significa ao mesmo tempo uma beleza indescritível e uma interpelação na direção de uma reflexão inauguradora de transformações. A outra razão, mais concreta e que tem relação direta com a estória do livro, é que a busca pelo pôr do sol será feita de modo literal pelas personagens, que viajarão por partes do litoral brasileiro em busca do astro. Este volume prepara o prolongamento desta aventura.

O livro tem interface com outras áreas. Fale-nos disso, por favor.

O livro é o primeiro volume de um romance cujas áreas temáticas são psicologia e filosofia. A psicologia está presente no sentido de que a narrativa tecida tem como pano de fundo o desenvolvimento de uma consciência muito mais que de estados de coisas, pessoas ou localidades – estas, quando muito, pelo menos neste primeiro volume, contribuem para aquela, e não ao contrário. A filosofia está presente de modo transversal no livro, aparecendo mais explicitamente quando se aborda a questão do tempo e da duração, do que é real ou não e do absurdo.

Mais especificamente, do que o livro trata?

O livro trata do desenvolvimento de uma consciência. Inicialmente, a personagem principal, no encalço de um embotamento do qual só sairá praticamente no último capítulo, não compreende que, no tempo, há passado e futuro. Dominada pela presentificação absoluta de sua experiência, ela vai sendo levada, uma quebra após a outra, a esboçar uma compreensão de si enquanto um ser que não apenas está, mas que esteve e que estará. Essa transição, de uma consciência embotada para uma consciência autoconsciente se espelha na transição do dia para a noite, ou seja, na transição marcada pelo poente. Mais precisamente, este volume narra o momento em que a personagem principal se conhece – mas não apenas, narrando também como ela conhece as outras personagens do enredo. Entre elas, Poesia, uma mulher misteriosa que mudará para sempre a vida da personagem-protagonista, e Gerente, o gatinho que gerencia a casa na beira do Rio Tempo – e que conhece uma porção de histórias do universo do Caçadores.

O que o livro traz ao leitor?

O livro propõe trazer ao leitor a experiência estética do sublime, aliada ao desenvolvimento de consciência inicial da personagem principal. A história contada nesse livro, que é o primeiro volume de uma história mais extensa, tem como objetivo mostrar ao leitor o início do que será uma aventura épica, que abordará, para além do tema psicológico e filosófico, assuntos políticos, sociológicos, históricos e antropológicos. Além disso, o livro procura trazer ao leitor reflexões sobre morte, família, desorganização existencial, isolamento, uso de substâncias e – por que não? – a poesia que está por aí oculta.

Por favor, delineie um pouco mais a experiência estética que procurou com este primeiro volume de seu romance.

Ah!, procurei realizar um verdadeiro banho poético com um palavreado selecionado à dedo. O leitor encontra uma tintura tupiniquim que se pretende aplicar ao realismo mágico, de Gabriel García Marquez, e ao absurdo kafkiano, e que bebe fartamente na fonte intuitiva e filosófica de Proust e Bergson. Sobre Proust, é forte a referência ao capítulo que descreve a vida de Marcel em Combray, no primeiro volume do Em Busca do Tempo Perdido. Além disso, o leitor pode se beneficiar da apreciação da reviravolta narrativa que tento causar a partir da técnica da “quebra da quarta parede”, de modo parecido com o que foi visto em O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse.

Quais elogios você mesmo faria ao seu livro?

É difícil não soar interessado no elogio da própria obra. Mas, se for para dizer algo positivo sobre o Caçadores de Pôr do Sol, seria o tanto de verdade que esta obra carrega. Trata-se de um texto curto, mas onde cada sílaba e cada palavra foi cuidadosamente pensada para compor uma história que não está posta ali por acaso. Além disso, foi realizado o maior cuidado para que a leitura fosse fluida em sua complexidade, para que o leitor, sem perder a riqueza dos detalhes, conseguisse adentrar o fundo das elaborações psíquicas que foram vitais para a construção da trama.

A quem agradece por sua trajetória na escrita de Caçadores de pôr do sol: no cxaminho de poesia?

Gostaria de agradecer minha poesia, minha companheira, que me serviu de um pouco de
tudo durante a escrita desse livro e antes dela. Gostaria de agradecer a meus pais, avós e
família, sem os quais a história não teria sentido na medida em que é em suas presenças e biografias que me escoro para apanhar as palavras de que preciso. Gostaria de agradecer à espiritualidade, que vem me segurando de modos que não posso compreender com o
simples raciocínio, e que tem dado, por meio da meditação cuidadosa, a presença e orientações de que eu nem sabia que precisava. Gostaria de agradecer a mim próprio, que perdurei na elaboração dessa obra por tanto tempo, muitas vezes sem saber onde esse processo daria, algumas vezes quase abandonando-o, em outras chorando junto dele sua incompletude. E gostaria de agradecer aos amigos que contribuíram com suas resenhas, sem os quais esse texto não teria alcançado os ares que alcançou.

E aos posíveis leitores, qual mensagem final quer deixar?

Convido os leitores para escorregarem pela goela da minha escrita. Ler este livro é como
entrar em contato com uma galáxia inédita: de estrela em estrela se descobre o inaudito, e
de Terra em Terra se reconhece o que podemos chamar de casa. Não espero exatamente
que você goste, mas que, mesmo desgostando, se envolva, e teça com isso a palavra que
achar necessário, ou o elogio do qual não pode se privar. Desejo, enfim, que você submerja em poesia.

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