Elza Freire e Paulo Freire: Noites de Exílio, Dias de Utopia, livro da Profa. Nima Spigolon (Unicamp) que recebeu o Jabuti Acadêmico 2024 em Educação e Ensino, tem sido objeto de resenhas por estudiosos e, nas redes sociais, de comentários e notas, atém de ter sido lançado em diversas instituições, com palestras, debates e sessões de autógrafos. Trazemos hoje a resenha do Prof. José Wnilson Figueiredo, do Instituto Federal Catarinense, sobre o livro. Veja abaixo, também, fotos do Prêmio Jabuti e de eventos com a Profa. Nima Spigolon.
Livro de Nima Spigolon sobre Elza Freire
e Paulo Freire é “Sopro de Esperança”
José Wnilson Figueiredo *
Escrita em 2023, a obra denominada Elza Freire e Paulo Freire: Noites de Exílio, Dias de Utopia foi elaborada – a meu ver – em uma perspectiva que consagra o diálogo como uma exigência fundante para um existir humano forjado numa estreita comunhão entre a teoria e a prática, em que a teoria comunica a prática, e a prática, por seu turno, retroalimenta a teoria. Desse modo, a teoria e a prática se interligam consoante o processo dialético, o qual se constitui por três momentos: tese, antítese e síntese.
Seguindo as “pegadas” do princípio da dialética, percebe-se que a Educadora Nima Spigolon – nas linhas do texto da referida obra – faz uma extraordinária reabilitação da caminhada da família Freire, no mundo da vida e no campo da educação libertadora, em distintos espaços – envolvidos pelos aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos – dos distintos continentes (América do Sul, América do Norte, Europa e África) a que essa família viveu, sobretudo do período de exílio imposto pelo golpe perpetrado, no ano de 1964, pela ditadura civil-militar brasileira.
Nessa quadra histórica de resistências, a que vivenciamos no Brasil, em particular, e na totalidade do mundo globalizado, a referida educadora empreende um trabalho em torno de uma práxis que conduz para o anúncio e para a criação e a recriação de práticas político-pedagógicas que possibilitem a emersão de um mundo em que caibam todos os seres humanos, ou seja, aponta para possibilidades objetivas e subjetivas capazes de edificarem, como assinala Paulo Freire, um mundo onde seja menos difícil amar.
Enfim, o aludido trabalho é anunciado por uma escrita impregnada de uma bela oralidade e, desta feita, nos convida a refletir e a “caminhar” com a família Freire, especialmente no que diz respeito às concepções político-pedagógicas de Paulo Freire e de sua esposa (Elza Freire), nos períodos antes, durante e depois do exílio. Caminhar este marcado por dificuldades vividas notadamente nos anos de exílio, bem como por aberturas de sendas – nesses anos – consubstanciadas por projetos ancorados em uma utopia concreta embebida por um ciclo de reciprocidades constituídos por atos e gestos forjados em uma constância da doação, do recebimento e da retribuição dos bens finitos e dos bens infinitos da vida.
Desse modo, ao longo da narrativa realizada nos seis capítulos da supracitada obra, a educadora Nima Spigolon imprime um estudo minucioso e rigoroso a respeito dos projetos de emancipação e transformação social desenvolvidos pelo casal formado por Paulo Freire e Elza Freire, os quais praticavam em suas vidas – junto aos seus filhos e suas filhas e as outras pessoas – atividades marcadas pela amorosidade, pela compaixão e pela solidariedade a toda a comunidade da vida, sobretudo aos condenados da Terra (os oprimidos).
Cabe salientar, por meio dessa narrativa, que a Educadora Nima Spigolon capta bem o conjunto de ideias, crenças, valores e tendências culturais daqueles tempos – a partir da pesquisa de diversos documentos (livros, jornais, artigos, fotografias, cartas, bilhetes, postais etc.) e pela entabulação do diálogo com os componentes da família Freire, bem como com diversas pessoas que conviveram com Paulo, Elza e seus filhos e filhas – antes, durante e depois do exílio –, compondo um retrato político e pedagógico de uma época profundamente marcada pela dialética entre a “escuridão do exílio” e “as luzes da utopia”, as quais – apesar do desamparo, da dor e do sofrimento vividos por aquelas pessoas imersas no exílio – luziram por meio da construção de iniciativas e projetos voltados para a erradicação de quaisquer formas de opressão e exclusão social. Projetos estes que tiveram como protagonistas centrais os nomes de Paulo Freire e Elza Freire, que trabalharam em comunhão com tantos ativistas sociais em prol da libertação dos oprimidos em diferentes lugares do mundo, tais como Brasil, Chile, Estados Unidos, Suiça, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe etc.
Nesse sentido, no livro, é ressaltada a proeminência da professora Elza Freire no planejamento e na consecução dessas inciativas e projetos de libertação no tocante ao agir e ao emocionar em comunhão com o Paulo Freire e os seus filhos e filhas, bem como com os outros atores sociais vinculados a esses projetos. Portanto, a partir de seu trabalho comunitário, a referida professora inaugurou uma Pedagogia da Convivência fundada em uma ética da reciprocidade.
Em síntese, na minha visão, o livro da educadora Nima Spigolon – ao corroborar com o ideário família do casal (Elza e Paulo Freire) – aponta para a perspectiva da construção e da reconstrução de práticas político-pedagógicas ancoradas na ética do ser mais, a qual se revela por atitudes pautadas pela partilha solidária, pela compaixão, pelo amor e pela responsabilidade com toda a comunidade da vida.
Por fim, diria que esse livro é um “Sopro de Esperança” para os dias atuais profundamente tomados pela lógica neoliberal competitiva e, desta feita, abre sendas promissoras para a ação e para a reflexão – no campo da educação – em torno de propostas amparadas em uma nova razão com base no princípio da cooperação sustentado na afirmativa de Jaspers: “Eu sou na medida em que os outros também são”.
* José Wnilson Figueiredo
Professor titular do Instituto Federal
Catarinense; Doutor em Educação nas Ciências
pela Universidade do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul (UNIJUI), pós-doutor em Ciências
Humanas pela Universidade Federal da Fronteira
Sul, pós-doutor em ensino de Ciências e Matemática
pela Universidade Federal do Rio Grande Norte
(UFRN), pós-doutorando em Educação Popular pela
Universidade Federal do Rio Grande Norte (UFRN).
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