Carrinho(2)

Crônica de Visette sobre livro de Rauer

Durante o mês de dezembro, nos presentes de fim-de-ano, trocamos cartões e votos com amigos e familiares. Com alguns de nossos autores e autoras, trocamos livros. Pra Visette Galiardi, que está com dois livros em produção na Pangeia, um infantojuvenil na Saruê (em pré-venda, AQUI) e um de crônicas, na Dionysius (ainda em pré-produção), enviamos Conto de Natal – em Mensagem de Ano Novo, plaquete do nosso editor, Prof. Rauer, cuja 1a. edição, em PDF, saiu em janeiro de 2023, com impressão de poucos exemplares em outubro de 2024.

Nesta semana, Visette nos enviou uma crônica sobre o Conto de Natal – a título de Mensagem de Ano Novo, reproduzimos abaixo a crônica.

A mais radical forma de Esperança

Visette Galiardi

Conto de Natal
Em mensagem de Ano Novo
de Rauer – 22/12/2022

Há narrativas que não pedem explicação, somente escuta. Esta crônica de Rauer se inscreve num lugar em que o pensamento a acompanha em silêncio atento. O que se conta nela não é apenas a morte de uma cachorrinha, nem a coincidência de três perdas simultâneas, mas a experiência humana de estar exposto ao mundo, vulnerável ao que não se controla e, ainda assim, aberto ao que insiste em nascer.

A dispersão dos irmãos pelo tempo – cada um em seu canto do mundo – carrega laços invisíveis que só se revelam plenamente quando algo se rompe. O acontecimento trágico – a morte da bell, assim como de Lilith e Pretinho, na véspera de Natal –  reconecta o que estava separado.

Não há clareza, mas há estranheza: “o que significa isso, meu Deus?”

Acredito que a pergunta nem exija resposta, pois ela é, em si, a forma mais honesta do pensamento diante do absurdo.

bell – nome grafado em minúsculas, como se anunciasse a sua brevidade. Seus olhinhos se fecham para um mundo tão difícil com silenciosa dignidade. O choro compartilhado entre estranhos revela que, diante da morte, as hierarquias se dissolvem, restando apenas a condição comum de quem sente. A bell e os outros dois cachorrinhos movimentaram o que estava decantado e fizeram com que os irmãos afastados geograficamente se comunicassem e reativassem afetos. Eu creio!

O silêncio da véspera do Natal, todos juntos mesmo não tendo o que dizer, é um gesto ético de puro respeito ao luto. De repente, uma gatinha entra pela fresta. Ela não surge como compensação nem substituição, mas como acontecimento. A vida não responde à morte; ela simplesmente continua. O sorriso não apaga o luto, convive com ele.

A emoção do casal, diante da filha feliz com a bebê gatinha, é o reconhecimento de que amar é aceitar a impermanência. O mundo fere, mas também oferece, mesmo por frestas mínimas, razões para continuar.

Se algo aprendemos com as perdas, é que continuar é a nossa missão. Apesar de tudo, essa ainda é a forma mais radical de esperança para o ano que inicia.

Só tenho a agradecer, Rauer, por sua crônica e os ensinamentos que ela me trouxe.

Conto de Natal – Em
mensagem de Ano Novo
AQUI !!!

LEO, O POLVO DIFERENTE
de Visette Galiardi
CLIQUE AQUI!!

Deixe um comentário