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A poesia visceral de Aira Maiger

O livro 33, de Aira Maiger, está em pré-venda, AQUI e AQUI. É o primeiro livro da poeta – que chega com sua linguagem visceral, crua, simbólica, carregada de menções que invocam de textos literários clássicos à cultura pop hodierna, em processo antropofágico que ressignifica de mitos a avatares.


O primeiro livro de Aira Maiger, 33, publicado no selo Dionysius da
Editora Pangeia, está em pré-venda em editorapangeia.com.br/gondwana.​
Aira é de Noroeste, pra lá do Sertão da Farinha Podre, perto das ribanceiras
do rio Paranaíba. Seus poemas mesclam o gótico à fantasia e tem pitadas de science fiction em intertexto antropofágico com autores clássicos de todos
os tempos. Veja mais detalhes no Blog da Pangeia, ISSN 3085-8453, e 

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33, de Aira Maiger
brochura, 76 páginas
Projeto gráfico da autora
com tipografia desenhada
por mãos femininas

Ilustrações: Liev Rodrigues

Capa e Diagramação:
Rizera – Rízio Macedo

Texto da orelha:
Nima Spigolon

Editor: Rauer

Reproduzimos abaixo entrevista que Aira concedeu ao Blog da Pangeia. A entrevista também está publicada ao final do livro. A coletânea de estreia de Aira Maiger, 33, apresenta uma poeta que, desde o primeiro verso, na forma e na visão de mundo, mostra a força inquietante de sua literatura.

Aira Maiger:

Escrevo por necessidade. Como viver. sem digerir e vomitar a vida que se vive? Minha poesia nasce do encontro entre o grotesco e o sagrado, o humor ácido e o pensamento crítico, o sublime e o banal. É corte, costura e confronto.

“Minha poesia é sangue em chamas”

Blog da Pangeia: Sua poesia e seus poemas parecem radicalmente diferentes do que vemos corriqueiramente. Sente essa estranheza, esse unheimlich, essa estranheza familiar?

Aira Maiger: Passei a vida toda em um lugar de estranheza, sendo chamada de esquisita e olhada com olhares de perturbação. Na escola, sofria bullying sem saber o que era isso e muito menos o motivo. Lembro de, criança, tentar criar teorias nas quais eu buscava alguma possibilidade de final feliz para explicar aquilo.

No trabalho, não entendia o mecanismo pelo qual pessoas menos competentes conseguiam reconhecimento tão rápido, enquanto eu demorava toda uma década de muita especialização para ter algum que me permitisse sair do lugar… passei anos disfarçando incômodos para poder caminhar mais um pouco.

Em algum momento, me apropriei do diferente, cheguei até a me orgulhar dele. Percebi a beleza de pensar como penso e ser quem eu sou, a beleza de descobrir algumas poucas pessoas que funcionam de um jeito parecido, a beleza de como algumas outras lutam para entender um ser que aparentemente funciona em um mecanismo mental extraterrestre.

Acho que o que escrevo é um pouco, ou muito, na tentativa de transmitir meu estranhamento diante da vida e dos seres humanos.

Quais são os seus poetas preferidos? Quais são seus escritores favoritos? Quais são suas escritoras favoritas? A quais autoras e autores a sua escrita se filia Sente-se integrante de alguma família literária em específico? Explique isso em detalhes, por favor.

Citar preferidos é como puxar uma corda, você pensa em um e logo vem outro agarrado. Eu percebo que as referências que mais se cristalizaram em mim foram dos gêneros de fantasia e horror, mas há exceções.

No início da vida, meus preferidos eram Marquinhos No Lugar Nenhum, da Leila Norberto; Soprinho, da Fernanda Lopes de Almeida; e a poesia da Cecília Meirelles. Depois, foi a vez dos livros dos ficcionistas de língua inglesa: Jack London, JRR Tolkien e CS Lewis; e do brasileiro Carlos Drummond de Andrade.

E então, Poe, Mary Shelley, Margaret Etwood e os sublimes haikais de Nima Spigolon. Quero citar especialmente O Caminhante, de Rauer, um dos melhores textos produzidos no Brasil contemporâneo que fizeram minha cabeça. Eu já o chamei algumas vezes de “O Corvo brasileiro”, pela sonoridade e ambientação.

Também foram muito importantes para mim, do ponto de vista da poesia, o trabalho de letristas, especialmente posso citar o alemão Till Lindemann e a francesa Marion Bascoul.

Percebo proximidade do que faço com o movimento antropofágico, o canibalismo simbólico e a antropofagia simbólica, mas, juro!, foi quase sem querer que esbarrei em todos esses termos.

Já incorporou a IA em seu processo criativo? De que modo? O que pensa da IA em geral e da IA no âmbito da criação literária? Essa tal de IA deve ou pode ser utilizada nas artes? A arte, expressão da subjetividade humana, tem lugar em um contexto de utilização massificada da IA?

Assim como toda revolução tecnológica, a IA chegou ameaçando empregos e causando um apocalipse na cabeça de muita gente. Há questões éticas que precisamos discutir e resolver enquanto sociedade, principalmente em relação a direitos autorais.

Não existe maneira de viver conectado no mundo hoje sem ser influenciado pela IA. Você faz uma pesquisa de uma palavra para conferir o significado e o primeiro resultado é gerado por IA. Você dá um passeio por uma rede social para buscar alguma inspiração e, de repente, ela vem em forma de vídeo produzido por IA.

Não penso que seja, portanto, uma questão de dever ou poder ser usada nas artes. Ela vai ser usada, de forma passiva ou ativa, porque faz parte da construção da nossa sociedade agora. Isso não é bom ou ruim em si mesmo: uma ferramenta sempre depende do uso que cada ser humano escolhe fazer dela.

Novos tipos de artistas estão surgindo, pessoas que não teriam condições financeiras para realizar um filme, por exemplo, passarão a ter. Ao mesmo tempo, a arte que é usada para consumo e entretenimento de massa vai ficar mais barata para produzir, vai gerar mais lucro para os donos do dinheiro… e menos salário para os artistas tradicionais. O poema “Capital AI” é sobre isso: até que ponto vendemos a alma a fim de ter salário ou reconhecimento?

Ativamente, tive uma experiência interessante na última revisão de alguns poemas de solicitar a um assistente que buscasse palavras. Normalmente utilizo três dicionários no meu processo de escrita: o tradicional, o de sinônimos e o de rimas. O assistente me dá tudo isso junto e ainda filtra pelo número de sílabas, se eu pedir. Mas… algo se perde. Não penso que seja um substituto. São ferramentas diferentes. E também não dá pra substituir os insights de um amigo ou de um artista leitor por um dicionário.

Além da poesia, escreve em outros gêneros? Tem seu indefectível diário com chave secreta desde a adolescência?

Eu tenho várias coisas escritas na adolescência e guardadas, sobretudo crônicas, mas a maioria foi pro fogo. Eu tenho um certo ímpeto de destruição com as coisas que escrevo, aquele sentimento de Nudez que por vezes é aterrorizante. Precisei de terapia para aceitar isso. Depois de ler um livro fascinante da paleontóloga Caitlín Kiernan, há cerca de oito meses, comecei a me aventurar também na ficção, embora a ideia sempre tenha me assombrado. Fiquei me perguntando se conseguiria criar algo como aquela história, e, de brincadeira, pedi para um assistente de IA me explicar como as pessoas faziam para escrever. Peguei as dicas e fiz um rascunho de estrutura. O zigoto virou rascunhos de capítulos, que foram se dividindo até virar um feto de 40 capítulos.

É Inferno e Paraíso! Amo meus personagens como se fossem pessoas reais, sofro com eles, torço por eles, e nunca, nunca o texto parece bom o suficiente para eu parar de lamber e passar para o desenvolvimento da próxima parte. Vou precisar de terapia de novo!

Aira Maiger é nome, pseudônimo, heterônimo, uma brincadeira ou um avatar necessário?

É uma brincadeira de quando eu ainda lutava com o sentimento de vergonha ao me colocar do avesso no bloco de notas do smartphone, printar a tela e postar na internet. Meu nome, ao contrário. Assim, pareço me esconder, um pouco, com folhas de figueira.

O que, para você, deve ser a poesia enquanto forma, enquanto conteúdo, enquanto ato ético de ser e estar no mundo?

Toda arte tem conteúdo, por mais superficial que possa ser. O desafio que me faço é de me aprofundar nas questões que são, ao mesmo tempo, pessoais e universais; e usar a forma para servir ao conteúdo, e não o contrário.

O que escreve é biográfico, autobiográfico, fantasia ou ficção? Explique, detalhe, revolva as entranhas, por favor.

É tudo isso ao mesmo tempo e lugar. Às vezes é biografia da fantasia, às vezes é ficção autobiográfica. Mas sempre parte de um lugar que sangra. E, como minha dentista gosta de dizer: se sangra é porque está vivo!

Minha poesia é sangue em chamas.

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